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História Consequências de uma noite - Sasunaru - Capítulo 3


Escrita por:


Capítulo 3 - Árvore de cerejeira


Fanfic / Fanfiction Consequências de uma noite - Sasunaru - Capítulo 3 - Árvore de cerejeira

   Naruto Uzumaki:

O tic tac ritmado do relógio de ponteiro é o único som além de minha respiração descompassada que é possível ser ouvido por todo o ambiente iluminado apenas pela luz do sol que entrava pela janela entreaberta do meu quarto. Não estou mais suportando esses pesadelos frequentes que ando tendo, sequer consigo dormir pela parte da tarde que é algo que sempre fiz frequentemente, principalmente pelos fins de semana.

O mesmo sonho vem assombrando minhas noites a algumas semanas, Sasuke sendo abusado por Neji. Por mais que eu tente negar para mim mesmo sei perfeitamente que o fim da minha amizade com o Uchiha abalou meu psicológico. Ultimamente ando tendo estranhas sensações de aperto em meu peito, como se algo de ruim estivesse acontecendo com ele. Nossos sentimentos são ligados de uma forma inexplicável, como por exemplo, no dia em que ele acabou desmaiando na escola senti uma falta de ar nunca sentida por mim que apenas passou no momento em que cheguei na enfermaria e peguei ele no colo para então levá-lo ao hospital, ou, no outro dia que a mesma falta de ar se fez presente e, então descobri algumas horas depois que Sasuke iria se casar.

Por mais que eu tente negar a mim mesmo se perfeitamente bem que o amor que eu sentia por ele - por mais que eu tente a todo custo expulsá-lo de meu peito - nunca se foi. Desde que descobri que ele fodeu com o Neji ando vivendo meus dias de uma forma depressiva, sempre coloquei em minha mente que iria guardar meus sentimentos e viver velando sua felicidade mesmo que essa não seja ao meu lado, mas, meus planos foram por água abaixo quando, no colégio, o Hyuuga me disse que ambos passaram a noite juntos. Provavelmente não me esquecerei daquele dia nem em mil anos.

Flashback onn:

Sasuke estava mais estranho que o normal, chegou na escola mais cedo e totalmente encolhido contra si mesmo tentando a todo custo não chamar atenção para si. Senti uma áurea estranha envolta de si no momento em que ele passou próximo a Neji e seu time de pólo pelo corredor para então entrar na sala de aula. Pelo horário eu sabia que não haveria ninguém na sala além de si mesmo, acabo por segui-lo, quem sabe ele não acabe por me dizer caso algo de ruim estivesse acontecido com ele - algo que acho imporvavel já que acabamos por ter uma briga recente, mas, só por estar ao seu lado em um momento difícil eu me sentiria muito melhor.

Quando finalmente cheguei na sala pude vê-lo de cabeça deitada sobre seus braços que estavam apoiados contra a mesa. Definitivamente algo havia acontecido. Aquele Uchiha orgulhoso jamais era encontrado de cabeça baixa por alguém - algo comum de família. Devo admitir, me segurei ao máximo para não correr para perto dele e tentar conforta-lo, mas, ainda restava um pouco de orgulho Uzumaki em meu sangue. A briga recente que tivemos foi a mais feia até hoje, não irei falar com ele até que me peça desculpas.

Aos poucos o restante dos alunos passaram entrar aos poucos na sala, pude ouvir uma movimentação atrás de mim, era Sasuke, em minutos me virei para trás e pude vê-lo concentrado enquanto lia um livro, não consegui ler o título já que, me virei rapidamente para frente novamente. Apertei fortemente minhas mãos, essas que tentavam se mover involuntariamente para os fios negros da cabeça do Uchiha que tanto amam afagar. Havia algo de errado com ele, seus olhos negros - antes tão brilhantes e expressivos e agora tão opacos - revelavam isso.

Após um certo tempo de total silêncio vindo do garoto atrás de mim não consegui mais me segurar, precisava a todo custo ao menos saber se ele estava bem, respirei fundo algumas vezes antes de mandar meu orgulho para a casa do caralho e tomar coragem para chamá-lo. Chamei por seu nome. Me assustei internamente ao notar seus olhos arregalados e sua expressão de pânico ao, finalmente, me encarar. Praguejei mentalmente o professor que acabou por chamar minha atenção ao me notar virado para trás, mas, o suspiro aliviado que Sasuke acabou por soltar não passou despercebido por mim. Precisava a todo custo saber o que estava acontecendo.

Após longos minutos o sinal que indicava o intervalo das aulas finalmente soou, me retirei da sala juntamente com os outros alunos que se espalhavam pelos corredores. Caminhei em direção ao banheiro, iria ao terraço após fazer minhas necessidades caso eu não fosse interrompido por um Neji com um sorriso debochado em seus lábios que traçou meu caminho. Minha primeira reação foi dar meia volta e tentar ignorar a presença do homem que um dia foi meu melhor amigo e hoje me causa ânsia de vômito assim que nossos olhos se fixam um ao outro.

Ao ser barrado pela segunda vez contei até dez mentalmente para então ouvir o que ele tinha a dizer. Seria melhor do praticamente brincar de esconde-esconde com esse cara. Lembro-me de que toda a minha expressão de tédio e indiferença se foi no momento em que ele se vangloriou enquanto dizia debochadamente que havia dormido com Sasuke. Neji, assim como - praticamente - todo o colégio sabe de minha paixão pelo Uchiha, - nunca fiz questão de esconder de ninguém, o real problema é que Sasuke sempre foi um tapado para notar os sentimentos das pessoas por si. - e, obviamente ele iria utilizar disso para destruir minha autoestima e me ver para baixo.

E Neji conseguiu o que queria.

Foi nesse momento que eu definitivamente desisti de Sasuke - por mais que meus sentimentos por e ele jamais estivesse desaparecido.

Neji Hyuuga destruiu meu coração em mil e um pedaços com pouquíssimas palavras.

-Flashback off.

Respirei fundo e auditivamente no momento em que a porta de meu quarto foi aberta revelando uma Kushina com uma feição de preocupação enquanto me encarava. Sei perfeitamente que ficar me afundando nessa fossa profunda anda deixando minha mãe triste, sei que ela apenas deseja que - acima de tudo - eu esteja bem. O barulho de seus passos e fez presente no ambiente, caminhava com sua postura elegante de sempre em direção a minha cama. Briguei - internamente - comigo mesmo ao notar a ausência do sorriso doce em seus lábios que antes sempre foi presente.

Uma das coisas que mais amo em minha mãe é o simples fato que não existe máscara alguma em si, ela não camufla suas reais emoções com outras falsas. Ela está triste, e, sua áurea tóxica deixa isso bem claro. A tristeza de Kushina Uzumaki intoxica não só eu como meu pai também, como por exemplo, o clássico aperto no peito se fez presente mais uma vez. Essa estranha sensação de falta de ar acontece apenas quando algo de ruim acontece com meus pais, Deidara - meu irmão mais velho - e Sasuke, mesmo que essa coisa ruim seja apenas uma oscilação de humor - como acontece nesse momento com a mulher ruiva agora sentada ao meu lado, sobre minha cama.

Fechei meus olhos com força antes de me jogar em seus braços. É impressionante como estar entre seus braços faz com que eu me sinta indestrutível. Ninguém irá me atingir enquanto eu estiver cercado de todo esse amor que praticamente transborda do corpo na senhora Uzumaki. Senti meus olhos arderem. Em compensação, fico fodidamente emotivo quando estou ao lado de alguém que amo. Derrepente a lembrança de Sasuke se fez presente em minha mente e então me permiti chorar como eu não fazia a um certo tempo. Senti mãos delicadas afagarem meu couro cabeludo, seu amor me curava aos poucos.

Sempre tive medo de expor minhas emoções as pessoas de fora, sinto como se eu ficasse vulnerável a elas, porém, tudo mudava drasticamente quando o assunto é Kushina. Derrepente sinto como se minha dor se fosse aos poucos juntamente com cada lágrima em que eu derrubo. Estou assustado como nunca antes. Nunca imaginei que o amor - que sinto por Sasuke - iria me machucar tanto. Porra, só de imaginar que o garoto que sempre amei desde meus treze anos sendo tocado por um ser humano tão nojento como Neji me deixa desesperado. Desesperado para fazer com que esse sentimento desapareça de meu peito. Nunca imaginei ficar tão frágil em toda a minha vida graças a um pequeno ser de um metro e sessenta e naturalmente emburrado.

Minha amizade com Neji Hyuuga nasceu no fim do fundamental, éramos inseparáveis, - não posso negar que já tentei gostar dele para que o meu amor por Sasuke desaparecesse já que na época sequer nos falávamos então eu o considerava um ser inatingível - mas, tudo mudou no dia em que decidi aparecer sem avisar em sua casa, nunca tive o costume de fazer isso e Neji sabia perfeitamente. Quando entrei naquela maldita mansão eu dei abertura para que minha vida se tornasse um inferno.

O Hyuuga estava estrupando uma garota de cabelos rosas - Sakura, que por sinal, hoje é minha melhor amiga. Lembro-me de fazê-lo parar imediatamente com o ato, acabei por acertá-lo diversos socos em sua face, - tanto é que hoje em dia o mesmo tem uma tatuagem em sua testa para esconder uma delas - acabei por não dizer a ninguém já que, o mesmo disse que se alguém ficasse sabendo o mesmo aconteceria com Sasuke. Escondo esse segredo a anos e, hoje protejo Sakura com todas as minhas forças.

Quando descobri que meu moreno - sim, meu moreno! Por mais que ele não esteja disposto a dividir sua felicidade comigo ele estará para sempre protegido com todo o meu amor e carinho em meu coração - estava apaixonado por aquele verme eu simplesmente entrei em pânico. Tentei a todo custo até onde minhas forças suportavam fazer com que esses dois não acabassem juntos e, isso apenas resultou no fim de minha amizade com Sasuke. O moreno estava tão cego por sua paixão que, simplesmente jogou nossos vários anos de amizade no lixo como se não fosse absolutamente nada.

Sinto minhas bochechas esquentarem quando noto que o único som presente no quarto são de meus soluços, arregalo meus olhos ao notar que estava rasgando o vestido de minha mãe graças a força que eu depositava em meus dedos que - involuntariamente - agarravam o tecido caríssimo. Finalmente mamãe sorriu pela primeira vez desde que chegou em meu quarto, provavelmente me indicando que não se importava com o estrago em sua peça de roupa.

-Deveria falar de seus sentimentos para ele. - Ela murmurou. Sua voz doce me acalma instantaneamente, respiro fundo. Me declarar para Sasuke está fora de cogitação, além de não querer que ele se afaste ainda mais não quero me humilhar a esse ponto. Sei perfeitamente bem que não sou correspondido e já me conformei com isso, e, agora só me resta observá-lo ser feliz ao lado do garoto de olhos perolados que o Uchiha tanto ama.

-Não posso, mamãe. - Respondi num fio de voz. Sei perfeitamente bem que ela irá estender a todo custo essa conversa, e, eu definitivamente não estou preparado para tocar abertamente no assunto de meus sentimentos, principalmente com minha própria mãe. Posso ouvir um suspiro alto partindo dela, sua mão desceu em direção a minha nuca e passou a acariciar ali.

-Pode sim, meu amor. Não vê que guardar todo esse peso apenas para si está te destruindo? - Seu tom de voz é carregado por tristeza. A dias me nego a sair de meu quarto sem que seja de extrema importância, ando mais calado que o normal e simplesmente passei a ignorar Sakura, pois sei que ela acabaria tocando no assunto de Sasuke assim como dona Kushina está fazendo. Posso notar somente em seu olhar que toda essa angústia que ando sentindo é compartilhada com minha mãe.

-Jamais será recíproco mamãe. - Minha garganta está seca graças aos incontáveis soluços que escaparam por ela. - E não quero perder sua amizade por um capricho meu. - Minha mãe não sabia do "fim" de nosso laço, acabei me limitando a dizer que me afastei de Sasuke pelo fato de seu noivo ser bastante ciumento e o mesmo não confortável com minha presença próxima ao Uchiha.

Jamais iria falar sobre o passado de Neji para ela, caso isso ocorresse sei perfeitamente bem de que ela é capaz de fazer com que Fugaku cancele esse contrato utilizando de minhas informações como argumentos, obviamente eu jamais faria com que isso acontecesse, Sasuke irá se casar com o garoto que ama e, provavelmente está imensamente feliz com isso.

Jamais eu serei o filha da puta que acabará com sua felicidade caso isso ocorra um dia.

-Você escondeu tudo o que sente por anos, e, não estou vendo Sasuke aqui ao seu lado. - Respirei fundo, suas palavras são fodidamente dolorosas. Querendo ou não ela está certa, escondi tudo e no final acabamos igual pensei que seria caso eu me declarasse. - E não adianta tentar esconder as coisas de mim, sei que o que ocorreu entre vocês não foi somente um afastamento.

-De qualquer forma, Sasuke não me ama, mamãe. - Franzi o cenho no momento em que ela começou a rir, debochar do que sinto nunca foi do seu estilo.

-Você é cego ou o que, Naruto? - Limpou pequenos resquícios de lágrimas no canto de seus olhos. - Os olhos daquele garoto praticamente brilharam no momento em que citei seu nome no hospital quando ele desmaiou. - Soltou sorrindo. - Se aquilo não é amor eu definitivamente não sei o que é.

Respirei fundo e me encolhi contra seu colo.

-Você está perdendo o garoto que ama por não ser homem o suficiente para esclarecer o que sente. Por mais que você seja rejeitado, terá em sua mente a real comprovação de que seu amor por ele não é recíproco. - Suspirou. - Não enxerga que está se afogando em um mar de suposições que sua insegurança criou em sua própria mente?

-Você está sendo covarde e sabe disso, meu filho. - A atenção de ambos presente sobre a cama se voltaram para Minato que entrava pela porta com uma expressão seria. - Está se escondendo atrás de um escudo de indiferença por ter medo de sofrer com as consequências de seus atos. Deveria demonstrar o que sente, é impossível sabermos até quando Sasuke estará em sua vida, e, você sabe que está perdendo-o aos poucos, e quanto tempo acha que demorará para que ele desapareça definitivamente?

Tanto meus olhos quanto os de minha mãe estavam arregalados, pude perceber que ela rodeava toda a verdade para não me sobrecarregar com suas palavras duras, completamente oposto ao que meu pai fez. Tenho total noção de que eles sempre mediram as palavras para falar comigo, talvez por medo de me prejudicar psicologicamente.

Algo que me deixou frustrado é o fato que meu pai não é o maior exemplo de pessoa que demonstra sentimentos, sei que o amor que ele sente por mim e minha a mãe é mais do que infinito mas ele não faz questão de expor isso para tudo e todos. Derrepente um sentimento de ódio se fez presente em meu interior, ele simplesmente me deixa sobrecarregado sem ao menos ser exemplo de suas palavras.

-E o que você entende sobre demonstração de sentimento? - Me exaltei, sei que minha voz saiu mais alta que o normal, o aperto de minha mãe sobre meus ombros comprovaram isso. - Hein?

Meu pai suspirou.

-Tem razão. - O encarei, tenho certeza que minha expressão está de pura confusão já que ele acabou por sorrir enquanto me encara. - Não demonstro meus sentimentos pois sei que sou fraco o suficiente para não suportar a perda de alguém que amo, vocês são um exemplo, e, minha mente fodidamente infantil me diz que quanto mais eu demonstrar meu amor mais ele crescerá. Não quero isso. - Seus olhos estavam marejados. - A diferença entre eu e você é que sou um completo covarde e sei disso, já você está sempre procurando um motivo para a existência imaturidade ao invés de assumir és aceitar ele.

-Minato… - Minha mãe murmurou na falha intenção de fazê-lo parar de falar ao notar que meu choro estava se intensificando.

-Sabe meu filho… amar dói. Acho que você sabe disso. - Sua primeira lágrima caiu. - E bom, ao camuflar seus sentimentos você acaba por fugir dessa dor, e ao invés de você utilizar dessa para evoluir você apenas recua, usando a maldita máscara de indiferença que irá se apossar de você. E, quando isso acontecer, você estará não só machucando as pessoas ao seu redor quanto estará a machucar seu interior também.

Tentei a todo custo me encolher ainda mai contra minha mãe.

-Acha que não sei que a falta de demonstração de afeto para você e sua mãe machucam profundamente vocês dois? Sei perfeitamente disso meus filho, mais do que você imagina já que, toda essa dor fode completamente com meu psicológico também. - Sorriu enquanto se direcionava mais uma vez a saída do quarto. - Não perca Sasuke em uma atitude infantil de tentar evitar o sofrimento inevitável, meu filho. Aquele garoto te ama no mesmo nível que você o ama, mas, está cego por um tesão acumulado que sente por Neji, será apenas uma questão de tempo para que ele perceba que seu coração pertence a você.

-Pai… - Ele se vira para mim.

-Sim?

-Como posso ter certeza que ele realmente me ama?

-Apenas siga seu coração, meu filho. Ele irá te guiar pelo caminho certo. - Sorriu. - Ah, antes que eu me esqueça… se ousar elevar sua voz para mim mais uma vez juro que farei você se arrepender de ter nascido. - Beijou minha testa. - Se cuida, Naruto.

── ✧ ──

Sasuke Uchiha:

A brisa fresca do fim de tarde se choca contra meu rosto fazendo uma massagem deliciosa, o sol contra mim não permite que eu abra meus olhos. Minhas pernas balançam preguiçosamente contra o precipício abaixo de mim, abro meus olhos e finalmente olho para baixo, havia no mínimo dez metros até o chão, basta apenas um pequeno impulso para que toda essa dor que eu ando sentindo se acabe. Minha morte provavelmente seria rápida, principalmente pelo fato de meu corpo estar fraco, não haveria recursos suficiente para ele lutar muito tempo para minha sobrevivência, em alguns minutos eu estaria livre de toda essa dor.

Observar o por do sol sentado sobre a única janela de meu quarto que não tem uma sacada em volta da mesma se tornou um dos meus passa-tempos favoritos a um certo tempo, desde que eu era criança, se eu não me engano. Nunca em toda a minha vida eu tive medo de cair daqui mesmo que a morte fosse uma certeza caso isso ocorresse, dessa vez não está sendo diferente. De longe pude observar meu pai entrando no carro pilotado pelo motorista da família. Respirei fundo e desviei o olhar.

Minha relação com o senhor Fugaku anda de mal a pior, principalmente depois de nossa discussão em relação ao casamento com Neji. Me virei para trás e pude ver todas as minhas malas prontas ao lado da cama, hoje é meu último dia nessa casa que vivi desde que nasci. Voltei meu olhar para baixo, talvez eu realmente deveria acabar com essa dor, e, cair daqui com certeza seria uma das formas mais rápidas para que isso acontecesse.

Quem sabe numa carta de suicídio eu teria coragem para contar tudo o que aconteceu comigo nesse último mês.

Dona Mikoto que, agora estava chegando em casa sorriu para mim como ela sempre faz. Respirei fundo mais uma vez. Sem dúvidas ela seria a pessoa que mais sofreria caso eu resolva me jogar daqui, e, eu realmente não quero causar tamanho sofrimento que minha mãe sequer merece. Ela é boa demais para sofrer.

Pude observar a minha frente uma enorme árvore de cerejeira com deis balanços amarrados no mais forte galho dela. Essa árvore tem um enorme significado para mim, muitos sentimentos existem presos nela, se meu suicídio ocorresse em frente à ela tristeza seria mais uns desses sentimentos.

Pulei para dentro de meu quarto e segui em direção a porta dele, parei de caminhar apenas quando cheguei no jardim e pude sentar em um desses balanços. Minha mente viaja incansavelmente em vários dos belos momentos em que essa árvore já me forneceu.

── ✧ ──

Narrador:

Flashback onn:

I'm flyin'

Estou voando

I'm flyin' high like a bird

Estou voando alto como um pássaro

But my fluttering wings can't keep you from pullin' me down

Mas minhas asas agitadas não podem evitar que você me ponha para baixo

Your mama

Sua mamãe

Your mama says I'm a fool

Sua mãe diz que eu sou um tolo

And yeah, maybe that's true 'cause I can't stop thinkin' 'bout you

E sim, talvez isso seja verdade porque eu não consigo parar de pensar em você

Sasuke Uchiha sempre foi o mesmo garoto pensador de sempre, voando em seus pensamentos sua mente vagava pela briga que teve com Naruto no dia anterior. A primeira briga de ambos, e, como sempre era por um motivo banal. Com seus catorze anos sua personalidade impulsiva já existia, na verdade, não houve muita mudança em si com o decorrer dos anos. Seus olhos fechados aproveitavam o vento fresco que tocava em sua pele conforme o balanço se mexia, graças ao impulso fornecido aos seus pés.

Sua mente fértil o permitia voar como um pássaro em meio aos seus pensamentos, os olhos completamente negros se abriram virou para trás ao ouvir passos próximos a entrada de sua casa, era Naruto juntamente com seus pais que provavelmente vieram para mais um dos jantares de domingo que se tornaram frequentes desde que conheceu o caçula dos Uzumaki. Optou por ignorar e apenas voltou a fechar os olhos

Respirou fundo, algo apertado em seu peito não o deixava em paz desde o dia anterior. Algo dentro de si o mandava correr para dentro daquela casa e se desculpar com Naruto. Foi impressionante a forma como que o Uzumaki foi capaz de fazer com que Sasuke jogasse todo o orgulho Uchiha no chão de uma única vez para pedir desculpa por algo bobo como foi a discussão de ambos.

Sasuke havia simplesmente surtado ao descobrir que Naruto havia beijado Hinata Hyuuga, prima de segundo grau de Neji. A verdade era que nem o próprio moreno entendia o motivo daquele surto, não deveria sentir ciúmes em relação ao melhor amigo, mas, a ânsia que sentiu apenas em lembrar da cena do beijo de ambos denunciou que o ciúme sim existia.

Antes de pedir desculpas para o amigo o Uchiha optou por conversar com Kushina, apesar de tudo, não sabia como se desculpar com o loiro. Em toda sua vida nunca havia feito isso com ninguém. Sasuke sempre foi delicado e orgulhoso durante toda sua vida, portanto, acabava por se deixar atingir por coisas fúteis gerando assim uma par de discussões com meio mundo, entretanto, por mais que na maioria das vezes fosse o errado da história, nunca havia pedido desculpas para alguém. Na realidade, não sabia como fazer isso.

O que havia realmente o deixado frustrado naquela tarde foi o simples fato da ruiva ter uma crise de risos diante de si no momento em que terminou de contar o real motivo da briga. A Uzumaki se limitou em dizer que Sasuke estava sendo tolo ao se preocupar tanto por algo fútil, já que, Naruto sequer estava realmente bravo consigo.

Talvez realmente fosse um tolo. Bom, a hipótese de ter seu melhor amigo bravo ou triste consigo passou a assombra-lo todos os dias pelo resto dos anos. O sorriso doce que constantemente estava presente entre os lábios do Uzumaki não saia de sua cabeça, nunca saiu. E, pensar que um dia aquele sorriso poderia desaparecer deixava Sasuke desesperado.

Flashback off.

── ✧ ──

Narrador:

Sorriu. Por algum motivo todas suas lembranças e momentos com Naruto são adoráveis.

Seu olhar se voltou para o céu, o sol já havia se posto dando lugar para a lua que brilhava na direção oposta de onde Sasuke encarava, esse que respirou fundo ao notar o mordomo da mansão Uchiha caminhar com suas malas em direção a um carro que se encontrava estacionado na entrada. Respirou fundo antes de se levantar e caminhar até seu quarto, provavelmente haveria tempo o suficiente para tentar tirar um dormir alguns minutos antes de ir.

Sentiria falta daquele quarto onde dormiu por dezoito anos de sua vida, mas, o que mais faria falta para si, sem dúvidas é a enorme biblioteca ali mesmo presente. Bom, sua paixão por livros era exposta até mesmo para seus pais que fizeram questão de comprar a maioria presente nas lojas de sua faixa favorita. O Último Olimpiano. Esse livro em específico havia chamado sua atenção a alguns dias atrás, talvez esse seria o momento ideal para iniciar sua leitura nesse, bom, precisava de uma forma de passar seu tempo sem ter que olhar para Neji. Teria que aprender a conviver com o homem que fodeu com sua vida ter um surto cada vez que notar sua presença perto demais.

Em alguns minutos acabou finalmente conseguindo pegar no sono, como andava fazendo nos últimos dias. Dormiria no máximo vinte minutos, seus pesadelos frequentes não permitiam que esse tempo se entendesse. Ao acordar se direcionou ao banheiro, no momento em que encarou sua aparência deplorável no espelho sentiu uma enorme ânsia se fazer presente em seu estômago. Correu em que direção ao vaso sanitário e jogou a pouca salada de frutas que havia conseguido comer durante o dia todo para fora.

Em questão de minutos sua presença foi solicitada no quarto de seus pais, provavelmente ficaria um bom tempo sem vê-los e sua mãe queria se despedir.

Voltou a caminhar lentamente, suas mãos escondidas no bolso de seu moletom e sua cabeça baixa, andar assim se tornou algo comum nos ótimos dias já que não poderia deixar suas olheiras evidentes. O descontentamento era claro em seu rosto, não poderia demonstrar isso a seu pai.

   Ao chegar no quarto encontrou sua mãe sorrindo docemente para si e o senhor Fugaku com a mesma expressão de indiferença de sempre. Se obrigou a sorrir forçadamente para sua mãe. Sabia que os dias que estavam para vim seriam facilmente comparados com o próprio inferno.


Notas Finais


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