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História Constelações - Capítulo 1


Escrita por: e WinnieCooper


Notas do Autor


Notas da História:
* Essa One faz parte do projeto Junho Scorose (mais informações do projeto no Tumblr:https://junhoscorose.tumblr.com/).

* Os personagens pertencem a J.K Rowling.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Em dias normais tento me obrigar a passar reto da torre de astronomia. Mas em momentos em que me sinto ansioso e em ponto de explodir elas são as únicas que conseguem me acalmar.

Desde que comecei a entender o mundo e comecei a observar tudo em volta percebi o quanto elas eram importantes. Presentes na maioria dos momentos importantes, sendo vistas por todos não importando o local em que estejam. Continuam sendo as mesmas.

Culpo minha mãe por isso, antes mesmo de entender toda a complexidade delas, minha mãe me ensinou a amá-las. Constelações eram descobertas através de horas olhando por telescópios, esperando que a hora de me ter em seus braços chegasse. Antes mesmo de saber o que era uma constelação eu era batizado com o nome de uma delas.

— Scorpius uma constelação como seu pai. – era o que me dizia em minha infância.

Minha mãe sempre me contava a história de meu nome. Meu pai estava se tratando na ala psiquiátrica do Sant Mungus e ela estava fazendo trabalho voluntário lá. Me disse que encontrou meu pai com a pior feição do mundo, era melancólico, estava sempre mal humorado, nunca aceitava as poções para lhe acalmar e  sempre a distratava.

— Seu nome é uma constelação, sei que não é má pessoa, só está passando por um inferno astral. O mercúrio retrógrado afeta mais algumas pessoas.

— O que está dizendo?

— Está passando por um período que tudo em sua vida reflete em atitudes erradas do passado, não se desespere, quando tudo isso acabar estará no seu período de renovação. Trate de encontrar o caminho para se curar. Sei que irá conseguir.

E ele conseguiu, através dela, ela foi curando-o aos poucos, lhe tirou as amarras do passado. O ensinou a amar. Minha mãe não era o melhor exemplo de puro sangue da família Greengrass, era considerada a ovelha negra, aquela que não destratava os trouxas, a que ria durante almoços sérios na mansão Malfoy, aquela que casou com meu pai sem preconceitos e o ensinou a ser uma pessoa melhor.

Ela escolheu meu nome por causa das constelações e da importância de meu pai em sua vida.

 E por causa dessa devoção às estrelas, me acostumei a admira-las e a me acalmar junto a elas.

Quando me mudei para Hogwarts fiquei pensando o quanto seria difícil me manter perto da família. Todos imaginam os Malfoys distantes, duros, insensíveis, mas nem sempre somos assim, por exemplo, na última noite antes do embarque sempre ficávamos observando as estrelas enquanto nos despedíamos. Era nossa tradição familiar.

Agora estou as usando, mas meu cérebro questiona constantemente se é possível uma pessoa ser estrela ou ter dentro de si constelações inteiras. Porque sempre que olhava para Rose Weasley parecia que estava olhando constelações inteiras de infinitas estrelas.

Estou a observando agora, do alto da torre de astronomia, usei o telescópio para observa-la de perto, sei que devia observar as estrelas. Mas ela é mais interessante para mim.

Está caminhando pelos arredores da escola e está à noite, não é algo comum para Rose Weasley, aquela certinha que segue as regras e nos faz seguir também. Minha melhor amiga, aquela que mesmo o pai pedindo para se manter distante de mim quebrou a regra no primeiro dia me perguntando, ainda no trem, se eu queria ir para Sonserina. Aquela que me emprestava as suas lições para copiar e que torcia como nunca pelo pior inimigo da Grifinória (sua casa) numa partida em que eu e Albus jogávamos pelo verde e prata.

Aquela que estava tirando meu sono e sendo a razão de meus sonhos nos últimos tempos.

Notei que se encaminhava para o corujal. Quem ela queria se corresponder a essa hora da noite? Na certa sua mãe. Rose era muito responsável, e conversava com a mãe dela quase todos os dias.

Assim que ela sumiu no corujal, resolvi voltar minha atenção novamente para o céu, que está incrivelmente estrelado esse dia. Queria encontrar uma constelação nova, uma que ninguém ainda tinha encontrado. Traçar novos caminhos entre as estrelas. Queria criar uma rosa no céu para que toda vez que olhasse para as estrelas conseguisse enxergá-la. A constelação Rose.

Enquanto traçava um novo caminho entre as estrelas uma coruja parou ao meu lado. Tinha um pedaço de pergaminho em suas patas. Logo desamarrei e abri lendo:

“Onde está? Te procurei no castelo inteiro! Estou preocupada com você. Está estranho. Me responda onde está imediatamente. Rose.”

Não pude deixar de sorrir diante das palavras urgentes dela. Peguei meu tinteiro e pena na minha mochila e escrevi apenas três palavras.

“Torre de astronomia”

Entreguei a coruja. Peguei o telescópio e o voltei para baixo a fim de observá-la. A achei sentada nas escadas que levavam ao corujal. A resposta que havia escrito chegou até ela. Vi sua feição brava assim que leu as palavras e seu pescoço voltado para o alto do castelo tentando me encontrar. Vi quando ela começou a andar rápido vindo em direção a mim.

O que será que tem de tão urgente para me falar? Me procurou pelo castelo inteiro e ainda andou a noite para o corujal o que era proibido, só pra me mandar aquele bilhete.

— Até que enfim te achei. – disse arfando assim que me encontrou.

— Só vim realizar meu passatempo eterno.

— Olhando as estrelas de novo? – ela apontou o rosto para o céu. – Devia ter imaginado desde o começo.

— O que tem de tão importante para me dizer? – estava curioso.

Ela suspirou e começou a passar a mão por seus cabelos. Parecia nervosa.

— Albus disse que você não havia jantado e que tinha sumido da sala comunal da Sonserina. Eu só... – ela suspirou. – Eu só fiquei preocupada.

Sorri reparando nela. Seus cabelos amarrados de qualquer jeito, seus olhos apreensivos, seus lábios que estavam vermelhos de tanto que ela os mordia de raiva e preocupação. E por fim sua pele inteira salpicada de manchinhas douradas. Como as estrelas que marcavam o céu, as sardas de Rose marcavam sua pele.

— Foi mal. – Digo tentando colocar os pensamentos de volta a órbita correta. – Estava precisando de espaço.

— Às vezes acho que qualquer dia você vai acabar fazendo um feitiço e indo parar direto na lua. – Rose rebate, mas percebo que não está mais tão preocupada.

— Não seria uma má ideia. – respondo voltando a alinhar o telescópio. – quer dar uma olhada?

Digo oferecendo meu refugio para ela.

Rose parece questionar mentalmente se valeria a pena. Ela não era muito interessada nos assuntos de astronomia e muito menos nos de astrologia. Nós já tínhamos conversado sobre o assunto várias vezes, nenhuma delas acabando com saldo positivo. Mas ali estava ela tão preocupada comigo e eu perdido no meu mundo, no meu universo.

— Será que descubro o porquê de sempre estar aqui?

— Pode tentar. – Sorrio para ela e abro espaço.

Ela se aproxima lentamente como se tivesse medo de estragar tudo. Me lembro que a primeira vez que minha mãe me pediu para me aproximar do telescópio dela eu também fui aos poucos, parecia muito complicado e qualquer movimento brusco poderia simplesmente estragar tudo que ela poderia ter descoberto.

Minha amiga se aproxima hesitante, mas aparentemente ansiosa. Se arruma na posição correta e solta um leve suspiro quando mira a primeira festa no céu.

Constelações são como uma festa, quando se reúnem muitos amigos para algo especial, temos várias estrelas juntas e alinhadas.

— Incrível né? – Me aproximo dela e falo o mais baixo possível. Apreciar as estrelas é algo que precisa de silêncio, só o silêncio nos permite absorver tudo que os pontos de luzes podem nos oferecer.

Rose arfa maravilhada. Ela se faz de descrente e muito realista para se importar com tudo isso, mas até mesmo os mais sérios acabam se permitindo se encantar pelas belezas do universo.

— Estamos olhando para Sagitta, a flecha. Ela está localizada a norte do equador, Sagitta pode ser observada a partir de qualquer ponto da Terra, exceto do Círculo Polar Antártico. – digo.

Essa não é minha constelação preferida, antes de apresentá-la para Rose preciso mostrar muito mais das outras.

Ela se afasta e me olha com um brilho diferente nos olhos.

— Você é com as estrelas o que eu sou com os livros.

 Entreguei-lhe um sorriso sincero e resolvi chegar um pouco mais perto dela.

— Você aprende a interpretar as palavras e eu o céu.

— Isso é estranho, parece que gostamos de viver outras histórias e enxergar o passado.

Não entendi muito bem o que ela quis dizer com aquela frase. Mas resolvi apresentá-la outra constelação.

— Agora preste atenção nessa daqui. – ela coloca os olhos no telescópio novamente e comecei a mexer lentamente o objeto tentando traçar as estrelas para enxergar a constelação que quero lhe apresentar.

— Posso identificar outra constelação agora. – disse maravilhada poucos minutos depois.

— Essa se chama Scorpius.

Rose levantou seu rosto para mim me encarando com brilho em seus olhos. Parecia o céu acima de nós. Poderia tentar interligar as estrelas de seus olhos azuis.

— Scorpius é o escorpião que matou Orionte. O escorpião foi o animal enviado pela deusa Gaia para defrontar o caçador Orionte, que se gabava de conseguir derrotar qualquer animal à face da Terra. No entanto, o Escorpião gigante conseguiu picar Orionte, provocando a sua morte.

— Uau. – ela exclamou ainda compenetrada em mim.

— Minha mãe gosta de falar que eu o escorpião, quando nasci, consegui derrotar de vez o remorso e a tristeza que meu pai sentia dentro de si. Que seria o Orionte. Gaia seria minha mãe.

Rose me encarava ainda, parecia querer ouvir mais minha história.

— Daria um ótimo livro. – ela enfim disse sua conclusão da minha explicação toda de meu nome.

— E você? Não tem uma grande história de família sobre seu nome? – perguntei interessado.

— Tenho uma superinteressante. Minha mãe e meu pai concordaram que esse nome era perfeito para mim e só. O que acha? – ela cruzou os braços na frente de si.

— Acho que está se subestimando.

— Como assim? – me questionou intrigada.

— Acho que seu nome foi escolhido porque era perfeito para você. – ela ainda me olhava confusa, quase podia ouvir as engrenagens do seu cérebro funcionando tentando entender onde eu queria chegar. – Perfeito porque sabiam que você seria delicada, como uma pétala e ao mesmo tempo saberia se defender sozinha, por isso os espinhos. Sabiam que você seria uma rosa igual a várias outras rosas por aí, mas ao mesmo tempo se tornaria única.

— Parece que está citando um livro. – ela me acusou descobrindo meu segredo.

— Talvez. – dei de ombros ainda compenetrado em seus olhos. – Não é você que consegue ler as entrelinhas?

— E não é você que consegue interpretar as estrelas?

Olhei para ela confuso. Será que estava entendendo direito onde ela queria chegar? E essas palavras cheias de segundas intenções que trocávamos. Esperava que ela lesse minhas palavras cheias de entrelinhas e queria interpretar as estrelas em seus olhos.

— É simples. – voltou a me dizer. – você olha para o céu e sonha contando histórias do passado, lendas e interpretações antigas. E eu me escondo entre as páginas de um livro em meio às prateleiras da biblioteca.

— E... – perguntei intrigado.

— E que você é meu livro. Um livro tão complicado de ler e entender que às vezes quero encontrar um dicionário inexistente que te explique.

— Sou tão complicado assim? – cocei meus cabelos meio tímido.

— Sempre me perguntou qual é razão de sempre sumir de repente.

— Não vê Rose? Sou como as estrelas. Às vezes uma nuvem me assombra e encobre meu brilho.

— E que nuvem seria essa? – estava preocupada e ao mesmo tempo ansiosa.

— O medo.

Desviei meus olhos dela e resolvi escorar na sacada da torre. Queria tanto que entendesse minhas palavras. Queria que soubesse que ela é a razão do meu medo, da minha ansiedade, dos meus sumiços, da vontade que tenho de encontrar uma constelação para lhe dar de presente, me dar de presente.

— Eu também tenho medo. – me disse depois de alguns segundos que pareceram anos. – O medo são como as rajadas de vento para mim, podem me danificar. Então é melhor eu me manter dentro de minha redoma de vidro, ou permitir que o vento chegue até mim com o risco de me machucar um pouco?

Ela chegou mais perto de mim, me encarava de frente e eu podia sentir meu coração acelerado.

— E você, vai permitir que uma nuvem atrapalhe seu brilho, ou vai brilhar mesmo encoberto?

Não sei o que responder. O que ela espera que eu responda? Porque tudo indica que nossa conversa está chegando ao momento critico em que temos que decidir seguir em frente ou se contrair e deixar passar a oportunidade.

Se ela é como os livros e eu como as estrelas em qual momento poderemos nos encontrar? Se vivemos tão longe, um apenas no planeta Terra e o outro por todo o universo a fora.

— E se eu já não tiver o que brilhar? – a questiono, porque às vezes podemos pensar que somos estrelas e na verdade somos apenas buracos negros. Sempre existe a possibilidade.

— Estrelas são muito antigas. Todo mundo sabe disso. Você com essa idade tem muito brilho sim. – Rose diz tão perto, mas tão perto que sinto o atrito do ar em nossas peles.

Como quando passamos perto de algo energizado e sentimos a força nos puxando, fazendo nossos braços e cabelos arrepiarem em busca da sensação que a energia traz.

— Nesse caso, acredito que prefiro brilhar. – Respondo.

E quando termino de falar sinto o seu toque. Deixando assim toda a energia ocupar o espaço vazio. É como a explosão de luz em um buraco negro e a expansão de um universo inteiro. Rose me beija de um jeito tão suave que parece que fazemos isso todas as noites. Que ficamos olhando as estrelas e nos beijando escondidos na torre mais alta do castelo. Como se não existisse primeira vez. Apenas a antiguidade de nossos sentimentos traduzidos em livros antigos, em constelações e provavelmente em mitos eternos.

E mesmo que devesse fechar meus olhos como ela, não consigo evitar suas sardas tão bem desenhadas como estrelas. Rose tem uma própria constelação em suas faces e eu sinto vontade de toca-la ligando cada pontinho ao outro, com a linha invisível.

Quando nos afastamos ela está ofegante e abrindo os olhos. Interrompo-a fechando seus olhos com uma de minhas mãos e começo a me apresentar a cada uma de suas estrelas.

Beijo a ponta de seu nariz e cada uma das bochechas, primeiro à esquerda e depois a direita. Beijo o arco de seus lábios e os cantinhos extremos.

— O que está fazendo? – Ela questiona.

— Me apresentando a constelações inteiras, descobrindo novas.

E enquanto ainda deixo minha mão em seus olhos volto a beija-la. E agora também me permito fechar os olhos sentindo cada canto do meu corpo brilhar.

Se eu sou seu livro complicado, que quer tanto um dicionário para me entender. Eu, por outro lado, sortudo como sou, acabo de encontrar a minha constelação em seu rosto. Descobri no fim que minha resposta não estava no céu escuro, às vezes encoberto por nuvens, às vezes escuro sem estrelas. Descobri que não preciso criar minha própria constelação chamada Rose. Ela esta bem aqui em meus braços, em meus dedos que tocam literalmente cada estrela perfeita de seu rosto interligando-as numa constelação única e somente minha.

Quando terminamos nosso beijo permito finalmente que ela abra os olhos. Seu sorriso parece mais um tipo diferente de estrela. E eu estou apaixonado por ela. Por minha constelação particular.

— Me apresenta a próxima constelação? Quero ver a sua favorita.

— Essa é fácil. Não precisa olhar para o céu. – aperto sua mão na minha.

Deixo a torre para trás e me permito viajar para outro universo. Voltamos caminhando pelos corredores do castelo. Sabendo que não precisarei mais de nenhum telescópio para enxergar minha constelação preferida.


Notas Finais


Obrigada se você chegou até aqui, nos diga o que achou desse monte de clichês, obrigada novamente pelo mês de junho, queremos outros meses de junho durante todos os outros anos.


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