História Constelações - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada)
Tags Emma Swan, Jennifer Morisson, Lana Parrilla, Once Upon A Time, Regina Mills, Swanqueen
Visualizações 661
Palavras 3.403
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi meninas!

Mil perdões pela demora, perdi metade do capítulo e tive de reescrever, então demorei mais do que planejava.

Não irei mais prolongar. Boa leitura à vocês!

Capítulo 2 - Koi no yokan


Fanfic / Fanfiction Constelações - Capítulo 2 - Koi no yokan

Koi no yokan (n.): a sensação, após conhecer alguém, de que você irá se apaixonar por aquela pessoa. 

Regina 

Os dias passaram depressa pelos vidros da minha janela. Ora era dia no sofá, ora era noite no pub.

Horas, dias, semanas...

Tudo tão rápido quanto num piscar de olhos. 

O tempo passava, mas eu sempre estava de volta à minha amargura.

A melancolia me cumprimentava como uma velha amiga a regressar de uma longa viagem. Há dias que meus fones entoava a mesma música do James Arthur. Say you won’t let go

Naquela manhã, quando o sol nascente tocou meu rosto, pela primeira vez depois de alguns dias, senti falta do som de sua risada. Dos teus olhos cinzentos e do teu cheiro de baunilha.

Me remexi na cama e rapidamente abri os olhos. Encarei o teto branco, o ventilador, a lâmpada. E, naquela mesma manhã, eu percebi que sua falta não me fazia querê-lo novamente. Senti sua falta me esmagar, mas não o quis por perto. O tanto de dor que senti com sua ausência, me fez desejar que ficasse o mais longe possível. Ninguém merece um amor pela metade.

Do mesmo jeito que a saudade veio, tratei de espanta-la e assim, ela se foi. 

[…]

Passaram-se quase um mês e, nesse pouco tempo, pouca coisa mudou. O mundo ainda permanecia o mesmo caos, minha vida ainda era voltada em perder as madrugadas trabalhando no bar. Hoje, em especial, recebi a mesma companhia que me tirou da solidão numa noite fria de um parque. Dessa vez, ela me tirava do tédio.

Senti um breve adejar de borboletas no estômago quando olhei um pouco mais a frente e a vi. Avistei sua postura sobre uma mesa alta do bar. Ela estava de pé, com seu tronco curvado e suas mãos apoiadas sobre a madeira. Parecia tão impaciente. A cada cinco minutos olhava o relógio de pulso, preso no braço esquerdo. Os pés que nunca paravam de se debater no chão.

– Ao menos, ele é bom de cama. - me atentei a frase de Ruby, minha irmã, e ri mais alto do que deveria. A morena de mexas vermelhas e olhos grandemente azuis, se referia ao seu marido, que sequer sabia trocar a resistência de um chuveiro.

Alguns segundos depois, pude contemplar a figura loira mais de perto. Ela andava em direção ao barman, sem se atentar muito à olhar para frente. Meus olhos estavam fixos em como era linda a cor dos seus cabelos. Pareciam ainda mais bonitos aquele dia. Talvez por que, há semanas atrás, a chuva tivesse tirado seu brilho e eu, não havia cabeça para reparar algo que merecia tanta atenção. 

Então, ela se recostou na bancada e puxou sua carteira, de lá retirou algumas notas em dinheiro, ainda sem olhar adiante.

– Mais uma água tônica, por favor! - sua cabeça se ergueu e seus olhos me fitaram. Foi quando senti uma súbita vontade de sair correndo. 

Pareceu ficar levemente espantada, e a boca se curvou em um meio sorriso adorável. Aquela mulher tinha olhos penetrantes, numa tonalidade raríssima de verde, como esmeraldas cintilantes. Enquanto seu olhar se atentava à absorver a situação, eu tratava de observar o formato bem desenhado deles; caricatos, cílios grandes e claros como seus cabelos. Também havia algo que me chamara a atenção desde a primeira vez que a vi; a pele alva, tão branca quanto seus dentes, desprovida de imperfeições. Parecia uma linda pintura, tão bem desenhado, tão delicado. 

– Você... - aquela voz, que por meus ouvidos já era conhecida, saiu feito um sussurro cansado.

– Pensei que nunca mais a veria. - soltei sem jeito e recebi um belo sorriso em resposta. 

Andei até o frigobar para pegar sua garrafa de água. Despejei para dentro de seu copo, em seguida, pondo algumas pedras de gelo e, deslizei pelo balcão, até que chegasse perto de suas mãos, que agora, estavam entrelaçadas em cima do tampo. Ela desviou o olhar que se fixava em meu rosto, e o levou para seu copo.

Era uma noite estranhamente quente, mas ainda assim, eu conseguia sentir minha pele queimar sem algum motivo aparente. 

Ela bebeu um pouco do líquido gelado e pousou novamente o copo sobre o balcão. Tirou um maço de cigarros do bolso de sua jaqueta de couro vermelha, prendeu entre seus lábios e o acendeu, com os olhos levemente cerrados. Puxou com força a primeira tragada e ao soltar a fumaça, falou:

– Estou tentando parar com o vício há algum tempo. Tenho obtido sucesso, é meu primeiro do dia. - sua voz era baixa e tinha um tom orgulhoso. – Costumava fumar cinco por dia. 

Ergui minhas sobrancelhas em surpresa e abri a boca para dizer algo, mas a fechei rapidamente, desistindo.

O movimentar de sua destra, fazendo círculos ao redor da borda do copo me chamou atenção. Que logo foi tomada por sua voz, fazendo-me voltar a olha-la.

– As mulheres mais cruéis do mundo, sempre batem à minha porta. - sua observação rasa e retórica, saiu de seus lábios, numa exacerbada calmaria.

– Por que diz isso? - indaguei. 

Sua falta de coerência no assunto era um tanto quanto engraçada.

A mulher de olhos verdes me fitou rapidamente e logo depois bebeu um pouco mais do seu líquido.

– Não percebe? É só olhar para mim. - ela sorriu majestosa, apesar de conter mais tristeza do que alegria em suas feições. – O amor me fode! Ele não tem pena de mim.

Era curioso como o azar que aquela mulher dizia ter no amor, soava tão poético em suas palavras. Ela unia seus pensamentos profundos e sentimentalistas em palavras tão duras e sem meios, que davam um ar de poesia melancólica em cada frase dita. 

– Oh! Acho que temos algo em comum. 

Assim que concluí minha frase, ela puxou outra tragada, sugando mais da metade daquele cigarro. Segundos depois, soltou a fumaça lentamente pelas narinas e bateu com o indicador ao meio do mesmo, derramando as cinza indesejada no cinzeiro de inox. Esse, que nunca havia sido usado, mas agora era somente por ela. 

– O amor é uma piada de humor negro, onde todos riem por fora e choram por dentro! - acrescentou, pegou o copo e levou até os lábios novamente, enquanto me olhava com aqueles olhos intensos e serenos. – Uma vez conheci uma mulher, que tinha um belo sorriso, repleto de boas intenções. – iniciou, olhando-me nos olhos. Meu corpo tremeu com a imponência de seu olhar. – E, de repente, o diabo sorriu em seus lábios. Ela retirou sua maquiagem e me mostrou sua verdadeira face. Por trás daquela máscara forjada, escondia-se as feições de uma mulher cruel, determinada a devastar meu coração. E devastou. O mal vive atrás de um rosto perfeito e sem rugas. - e assim, ela foi me contando tudo que havia acontecido e não me privou dos detalhes.

– Já parou pra pensar que o amor que você achou ter recebido, poderia não ter passado de uma mera ilusão? Enquanto o amor verdadeiro, ainda não teve a oportunidade de mostrar sua verdadeira face? - argumentei, ousando desafiar suas vivências e, a vi cerrar os olhos, apertando as pálpebras para me fitar de uma forma diferente. Eu havia a deixado encucada. – Às vezes, os falsos amores nos enganam. - prossegui. – Eles nos fazem acreditar que aquilo é o real, mas na verdade, o sentimento real passou despercebido pelos olhos humanos. Às vezes, o amor verdadeiro esteve sempre escondido atrás de alguém que nunca prestamos atenção. Talvez, por nossa própria desatenção, nós tenhamos que sofrer para aprender. Para não só ver, mas enxergar. 

– Quer saber? Você está repleta de razão. - encantamento soltou de seus olhos, me fazendo ficar mais do que satisfeita. – É curioso esse negócio de amor. - completou, pousando o copo vazio sob o balcão. – As pessoas dizem amar quando não amam e, dizem não amar quando amam. Eu sempre digo a verdade, por isso me fodo! - sua risada ao final da frase saiu como um imenso lamento, mas logo ela tratou de se sacudir e rir de forma descontraída.

– Não acredito que está falando daquela mal-amada. 

A voz masculina e fina de um rapaz ecoou próximo a nós. Seus olhos claros e cintilantes expressavam desconfiança. Pude notar sua linha d’água e canto externo maquiados com um lápis de olho preto. Os cabelos castanhos escuros e a barba muito bem feita.

Me olhou e sorriu em cumprimento. 

– Que susto! Achei que fosse te esperar até o dia seguinte. - a loira afirmou para o rapaz, ainda com o riso no rosto.

– Pare de reclamar, criatura! Sabe que é o único horário que seu amigo tem. - se sentou em um banco ao lado da mulher e me fitou novamente.

– Pode me trazer uma dose de Rum? - assenti. – Obrigada, querida! 

 

Emma

– Não vai me responder? - Killian me perguntou, novamente desconfiado. 

– Sim. Eu estava falando de Ariel. Do quanto aquela mulher acabou com meu estado de mente saudável e do quanto o amor é filha da puta comigo. - respondi tudo em um monólogo só e ouvi seu suspirar.

– Ai amiga... - deitou a cabeça sob meu ombro, e projetou um carinho em minha perna. 

Killian Jones, era minha família, juntamente com Rose, uma loira tão baixinha para o tanto de amor que lhe cabia tratando-se de nós. Três melhores amigos fadados ao fracasso amoroso. Os conheci no ensino médio, com algumas outras pessoas que chamávamos de amigos, mas que não ficaram, por fim, sobramos apenas nós. E, não era como se o resto fizesse falta. 

– Algum dia irei confiar em alguém novamente? - perguntei, sentindo sua cabeça se desencostar do meu corpo. Ele inclinou seu corpo para se apoiar na bancada e me olhou.

– Claro que sim. É como me disse uma vez: um dia alguém arrumará toda a bagunça e curará suas feridas. - respondeu em um suspiro.

– Você confiaria novamente? - tornei a questiona-lo, dessa vez, olhando-o de perfil. Meus olhos ganharam esperança com a expectativa de sua resposta.

Fora numa quinta-feira à noite, quando Killian bateu em minha porta aos prantos. Me lembro de seu corpo colidindo com mais força do que deveria sobre o meu, me fazendo recuar alguns passos para trás em equilíbrio. Me apertou contra si com imensa força e desespero, como uma criança ao reencontrar-se com a mão após se perder.

Em meus braços, ele chorou por incontáveis minutos.

“– August... ele me traiu”

Consigo ouvir perfeitamente sua voz embargada, em tom de vergonha em minha cabeça. Seu rosto banhado à lágrimas, me fazia desfalecer. 

– Não sei. - movi meus ombros, incomodada com sua resposta.

Ele olhou para frente e após um suspiro, acrescentou:

– Talvez!

Assim como Killian, meu coração havia sido esmagado. No maldito momento em que me apaixonei e me envolvi com Ariel, a mulher casada de Chelsea, que me prometeu mundos e fundos, que me deu sua palavra de que aquela seria sua ultima viagem e que o largaria porquê, a única pessoa que amava, era eu. A ruiva que desgraçou a minha vida, nunca mais apareceu.

Ainda tenho seu e-mail.

“Me perdoe, Emma. Acredito que tenha usado palavras de peso com você, mas não passou de um equívoco, um terrível engano. Amo Eric imensamente, assim como tenho em demasia um carinho por você. Não posso deixa-lo por uma aventura. Me desculpe por qualquer coisa. Até qualquer momento!”

– Malditas mulheres heteros! - pensei em voz alta, no momento em que a garçonete apareceu atrás da bancada, com sua bandeja cheia de copos vazios. 

Ao notar sua presença, recebi seu olhar confuso.

– Homens heteros também são um caos, pode acreditar, minha amiga. Estou tentando manter minha devida distância para não me apaixonar por mais nenhum. Ainda mais depois de ser trocado por uma bela moça. - seu tom descontraído me fez sorrir. 

– Tá vendo aquela moça ali? - falei quase em um sussurro para Killian, que olhou rapidamente na direção da mulher, que agora, atendia um rapaz do outro lado do balcão.

– A garçonete bonita? - assenti. - O que tem ela? 

– Foi ela que conheci no parque. - seu rosto se contraiu em surpresa e meu amigo a fitou de novo, analisando-a.

– Muito bonita, hein? Já jogou seus charmes e cantadas para ela? - me bastou apenas um revirar de olhos.

– Claro que não. Ela não é o tipo de mulher que se canta, nem que se interessaria por alguém como eu. E acho que é hétero, como eu disse, estou tentando me livrar dessa parte. - sorri sem jeito, e quando me atentei à fitar a moça, lhe flagrei me observando.

Seu rosto levemente corado me levou à um enorme sorriso.

Quando o relógio badalou às 02h15 da manhã, Killian tratou de se despedir. Meu amigo era jornalista, e certamente tinha horário e muito trabalho no dia seguinte. Me permiti ficar e degustar um pouco mais da companhia desconhecida que tanto me agradava.

À aquela hora, o pub jazia quase vazio. Por ali, havia alguns gatos pingados, homens bêbados pelos cantos. E tinha eu.

– Do que falávamos antes de Killian aparecer? - apertei meus olhos na tentativa de clarear um pouco minha memória.

– Do quanto o amor fode e não tem pena de você! - sorriu e negou com a cabeça ao proferir suas palavras. Apenas assenti.

– Estou contente. - afirmei, com um riso no rosto.

– Por que? - perguntou com o cenho franzido.

– Por que estou te incomodando há horas, assim como a incomodei no parque, mas se tirei dez palavras de você, foram muitas. Porém, hoje vi que você, além de ser uma ótima atendente e uma maravilhosa ouvinte, é também uma grande filósofa.

Falei com descontração enquanto ela ria envergonhada. Era bom ouvir o som de sua risada. Passava a doçura que a alma calejada tentava esconder. 

– Que isso! São só pensamentos comuns. - falou enquanto se levantava. – Mais uma água? - neguei com a cabeça e a morena assentiu.

– Estava quente até algumas horas, mas agora parece estar estranhamente frio. - esfreguei meus braços e puxei novamente minha jaqueta, para vesti-la.

– É outono, são poucos os dias de calor!

– Detesto dias frios. - falei entre um suspiro desmotivado e ela me fitou, esperando que eu desse continuidade. – Nos dias de sol, há mais do amarelo nas pessoas. E o céu, na parte da noite, enche de estrelas, formando uma linda constelação. Amo as estrelas!

Ela nada falou.

– É sério, você é muito calada! Ou sou eu quem estou realmente falando demais. – falei de forma sutil, não queria constrange-la. Apenas tira-la daquele silêncio envergonhado que ela se enfiava cada vez que eu abria a boca.

A garçonete acabou rindo daquela situação. Talvez, percebendo que se achava estar escondendo aquela timidez de forma eficaz, se enganou completamente. 

– Oh! Não, por favor! Adoro ouvir sua voz. - meus olhos a fitaram embasbacada. – A verdade é que me constrange ouvir pensamentos tão profundos e um tanto sábios, me sinto matuta diante de uma mente como a sua. - admitiu. – Sinto muito por ser tão calada. Você é tão boa com frases, tão inteligente que me faltam palavras para dialogar com você. - arqueei minha sobrancelha e lhe lancei um olhar, que ao seu ver, deveria ser no mínimo, tão cômico quanto suas palavras.

– Aposto que é mais inteligente do que pensa.

 

Regina

Me deslumbrava a formalidade que suas frases eram proferidas.

– Discordo! - rebati.

– Não seja teimosa. - rolou os olhos maneando negativamente a cabeça. – Você utiliza uma registradora, precisa saber matemática, se entende matemática, é mais inteligente do que muitos. Eu, por exemplo, sou uma catástrofe nas exatas, mal sei contar até dez. - gargalhou, me levando junto. – Quantos anos você tem? 

–  Vinte e quatro.

A incredulidade que saltou por seus olhos me fez rir.

– Sério? - piscou, ainda surpresa.

– Sim. - dei de ombros. - E você?

– Tenho vinte. Tinha dezenove até o mês retrasado.

Se houvesse possibilidade do meu queixo se desprender do meu maxilar e cair no chão, esse seria o momento exato. Como poderia uma criatura tão jovem, transpassar ter vivido tantas coisas e ter uma mentalidade tão evoluída?

– Agora sim me sinto uma ignorante. Uma mulher mais nova do que eu, com essa mentalidade toda, e eu aqui, limpando balcões e servindo velhos bêbados. - tentei disfarçar minha decepção pessoal, mas fora em vão.

– Se não gosta do que faz, por quê faz? 

Sua pergunta me trouxe à tona pensamentos não tão avançados quanto os seus. Muito menos acompanhados de palavras tão bem moldadas e bem utilizadas. Preferi então, manter tudo aquilo guardado para mim.

– Ah, não é por nada demais. - desconversei.

– Você sabe tanto sobre mim e, eu não sei nada sobre você. Acho que podemos inverter isso. - retrucou, desafiadora.

– Sei muito, menos seu nome. - rebati no mesmo tom.

– Deus! - ela arregalou os olhos e tampou os lábios com as mãos. – Que indelicadeza da minha parte! - Riu. E, por Deus, que belo sorriso! – Eu me chamo Emma. - estendeu sua mão para mim. – E você? Como se chama? 

– Regina. - apertei suavemente sua mão em um cumprimento cordial. 

– Estou me sentindo péssima pois, enchi sua paciência contando sobre meu coração partido e ainda cometi a falta de educação de não perguntar seu nome, muito menos me apresentar.

– Está tudo bem! Afinal eu também não perguntei o seu, e também não me apresentei. - ri, pondo a língua entre os dentes.

– Mas então, Regina. Por que trabalha em algo que não gosta? - enfatizou meu nome sorrindo e, me olhando com as sobrancelhas erguidas.

– Estou juntando dinheiro para a faculdade dos meus sonhos e esse fora o único emprego que consegui nessa fase de crise do país. – expliquei e ela pareceu compreender. – Minha irmã mais velha trabalha aqui, ela me ajudou com o emprego. Minha irmã gêmea está na faculdade, quase se formando, mas ela aceita que nossos pais paguem sua escolaridade.

– Reparo que você não tem feições americanas, você não é desse país, né? – perguntou e eu neguei rapidamente com a cabeça. Saber que havia reparado em mim, me deixou violentamente envergonhada.

– Hm... não é exatamente assim. Sou americana, nasci aqui. Mas meu pai é porto-riquenho e minha mãe, natural de Roma. Minha família se mudou para cá antes de eu nascer, e até minha infância, passamos por um período difícil, mas superamos.

– Se seus pais podem pagar a faculdade de sua irmã, por que não pagam a sua? 

Nossa conversa fluía olhos nos olhos, o que tornava tudo diferente para mim.

– Porquê não quero explora-los. - eu disse. – Eles já me deram de tudo, depois que me separei me deram teto, são muito bons para mim, mas essa despesa, eu mesma quero arcar. Quero que eles possam se orgulhar de mim, sem sentir o peso de uma filha escorada. Afinal, já sou uma mulher adulta.

Emma me encarava com um sorriso divertido.

– O que foi? 

– Você disse que sou inteligente, mas veja só você, me colocou no bolso com esse pensamento sobre família. - apenas ri com aquele seu comentário. – O que deseja cursar, Regina? - seu tom era curioso.

– Arquitetura... - sorri timidamente.

– É uma linda carreira. Por que não faz a prova para a bolsa? Me recordo de ler no jornal que haveria este ano.

– Obrigada! E, sim. Eu soube e fiz, mas ainda não obtive respostas. Acho que não passei. - senti incômodo ao dizer aquilo, mas aquela não era hora para ficar triste. Balancei a cabeça e tentei sorrir. – E você, Emma? Até agora, só sei que você tem muito azar com a mulherada e que é menor de idade para estar nesse bar.

– Bom... eu sou fotógrafa. É com o que trabalho profissionalmente. E, nas horas vagas, uma quase escritora. 

Ela cortou nossos olhares para brincar com o isqueiro, girando-o no balcão.

– Quase? - arqueei a sobrancelha para encara-la com dúvidas.

– É. - riu. - Escrevo para mim. Gosto disso. Quando me sinto muito encantada por algo; quando estou triste; quando estou feliz; ou quando estou apaixonada. Escrevo, frases que costumo chamar de poemas. Ainda assim, tenho vontade de publicar um livro a qualquer momento.

Já imaginava que aquela mulher tinha algum talento peculiar, diante de pensamentos tão enfáticos.

– Nossa! Que máximo! Qual nome daria ao seu livro?

– Constelações. - ela disse disse com convicção, exibindo um sorriso orgulhoso. 

– Gosta mesmo de estrelas, hein? - brinquei.

O balançar da porta nos chamou atenção, e logo minha gêmea se aproximou, nos surpreendendo.

– RONI.

 


Notas Finais


Quero esclarecer uma coisa: nos EUA, só se pode beber legalmente após os vinte e um de idade, por isso Emma ainda é de menor para frequentar um bar.

Me digam o que acharam! Até o próximo. 💙


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