História Conta comigo (Stand By Me) - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias SHINee
Personagens Jonghyun Kim, KiBum "Key" Kim, Minho Choi, Taemin Lee
Tags 2min, Amizade, Bromance, Friendship, Jonghyun, Jongkey, Key, Minho, Taemin, Yaoi
Visualizações 28
Palavras 3.815
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, gostaria de agradecer a você que separou seu precioso tempo para ler esta história <3
Essa One Shot é baseada em um filme americano dos anos oitenta chamado Stand by me, ou mais conhecido pelo título em português, 'Conta Comigo'
Estava com vontade de escrever algo sobre SHINee, nossos meninos brilhantes. Também há algumas menções a nomes de um integrante do Exo e do Super Junior e também a duas do SNSD. (Sou muito SM stan sim kkkkkkk)
Espero que gostem.

Capítulo 1 - Único


Fanfic / Fanfiction Conta comigo (Stand By Me) - Capítulo 1 - Único

“ADVOGADO, CHOI MINHO É ESFAQUEADO ATÉ A MORTE EM RESTAURANTE”

 

Eu alisava a barba rala e mal feita ao ler as letras gigantes em negrito que enfeitavam a capa de notícias do jornal local da cidade. Liguei o rádio a fim de afastar as energias negativas e fiz várias dobras amassando o jornal que até então me arrependi de ter ido até a banca só para comprá-lo.

Continuei meu passeio rápido, tinha que abastecer o carro rapidamente, o medidor de combustível indicava que meu Del Rey precisaria de gasolina para continuar o trajeto de volta até em casa. Estacionei próximo a um posto e notei um grupo de quatro adolescentes passando em frente, eles pareciam se divertir uns com os outros, todos tinham mochilas em suas costas e cantis com água nas mãos.

Aqueles meninos fizeram-me lembrar de meus tempos de garoto, quando eu, Jonghyung, Kibum e Minho descobrimos a existência de um cadáver perdido nas proximidades da nossa cidade. E como todos os adolescentes enxeridos de 17 anos, nós fomos tentar procurar o corpo do menino declarado como morto, reconhecido pelo nome de Kim Minseok, que de acordo com Ki Bum, era seu primo distante de quinto ou sexto grau.

 

Estava com meus amigos em minha casa na árvore à espera de Jonghyun enquanto fumávamos escondidos alguns cigarros que Minho havia roubado do maço do pai.

Era o último verão depois de acabarmos o ensino médio, fazíamos de tudo para aproveitar o tempo que nos restava até que nos separássemos durante a faculdade. Mesmo que todos fizéssemos promessas dizendo que jamais iriamos deixar de sermos amigos, nós sabíamos que uma hora ou outra acabaríamos nos separando. Aliás, não conheço quase ninguém que mantém amizades do colegial até os dias atuais, são casos bem raros.

 — Vocês não sabem da maior!  — Soube que a professora de inglês, Tiffany, está em um rolo com a treinadora Taeyeon! Querem demiti-las.  — Kibum deu inicio ao que parecia ser a fofoca do ano.

 — Oh, eu já sabia disso.  — Afirmei.

 — Como?  — Perguntou ele passando a mão na orelha esquerda que era deformada. Kibum nunca nos contou com todas as palavras, mas soubemos pela boca de Jongdae que sua orelha era daquele jeito por causa de seu pai, que ao cheirar algumas gramas de cocaína e beber uma pilha de cerveja barata, encostou a orelha do menino na frigideira quente onde a Senhora Kim fritava alguns pedaços de carne. Eu ouvi os gritos fervorosos de Kibum e no dia seguinte perguntei o que se passou durante aquela noite, mas ele não me contou. Burrice dele, pois acabei descobrindo tudo com o maior fofoqueiro de Gwangmyeong, que por acaso era seu irmão mais novo, Jongdae.

 — Vi as duas se beijando loucamente durante o intervalo entre a aula de inglês e a de educação física.

Minho permaneceu apenas calado, não era a favor de relacionamentos homossexuais e sabia que eu chiar se ele fizesse alguma piada boba em relação a isso. E foi justamente o que ele fez.

 — É nisso que dá colocar duas aranhas pra brigar. Bem feito!

 Não iria discutir com o Choi, eu não iria perder meu tempo com aquele orelhudo de olhos gigantes.

Homossexualidade é e sempre será um tabu para um determinado círculo de pessoas, e este círculo era ainda maior nos anos 80. Eu já sabia que daríamos adeus para aquelas duas professoras. Era realmente uma pena, ambas nos tratavam muito bem e devo dizer que até faziam um belo casal. Nunca vi problema algum entre duas pessoas do mesmo sexo terem um relacionamento, assim como as do sexo oposto fazem, não mudava muita coisa em minha opinião.

Percebendo minha indignação interna, Kibum tomou a frente e fez com que Minho calasse logo a boca.

 — Vamos dar um tiro nessa conversa!

 — Que tipo de expressão é essa, Bummie?  — Ouvi a voz de Jonghyun ressonar enquanto seus pés faziam um barulho estranho ao pisar na madeira. Tomei um susto já que não tinha percebido ele subir a escadinha pregada no tronco da árvore. A cada passo que ele dava, os rangidos aumentavam. Pude ver o sorrisinho de Kibum ao vê-lo chamá-lo pelo apelido.

 — Hm, eu não sei muito bem, mas sempre que meu pai diz isso lá em casa, todo mundo se cala.  Ai de quem seja o louco que der mais um piu sequer.

 — Eles acabam com a orelha queimada, Bummie?  — Minho mencionou o incidente da orelha de Kibum com sua piada de mau gosto, aquilo não pareceu nada correto, deu pra ver o quão constrangido o menino ficou.

A fim de não deixar Kibum magoado, Jonghyun mudara de assunto para mudar o clima irritante em que se encontrava.

 — Vocês não sabem da maior! 

 — Se for sobre o mais novo casal de sapatonas da escola, nós já sabemos!  — Minho deixou uma risada escapar enquanto arrumava os cabelos negros que estavam sendo bagunçados pelo vento.

 — Ah, não! Isso já é assunto velho.  — Jonghyun arregalou os olhos e uma expressão fantasmagórica tomar conta de seu rosto.  — Vocês sabem sobre Kim Minseok, o garoto desaparecido, certo?

 — Claro, a cidade inteira já sabe disso!  — Eu que até então permaneci calado, finalmente falei, à medida que tentava apagar a cinza do meu cigarro num amontado de revistas Playboy.

  — Sim, sim. Todos já desconfiam que ele está morto... E eu sei onde está o corpo!  — O Kim arregalou os olhos mais uma vez tentando — Numa tentativa falha — causar suspense em nós.  — O que acham de nós irmos atrás do tal Minseok? Quer dizer, do corpo dele.

No começo, rimos um pouco. A ideia parecia absurda, pelo menos para mim. Porém Kibum achou extraordinário pelo simples fato de ser seu primo — Embora mal o conhecesse — e de que poderíamos ficar famosos e ganhar uma boa recompensa.

 — Ele é meu primo, não sei quem ele é direito, não o conheço muito bem, mas já nos vimos em alguns almoços de família. Eu acho uma ótima ideia!

 — Certo, mas eu quero saber onde o tampinha do Jonghyun ouviu isso?  — Perguntou Minho.

 — Foi num celeiro perto da minha casa, meu irmão e os amigos dele mataram-no perto de uma reserva, aquela depois da última linha do trem.  — Deu de ombros.  — Ouvi eles conversando sobre isso enquanto tentava procurar algumas pedras de níquel que escondi alguns anos atrás. Por favor, não contém pra ninguém, o Heechul vai me matar se souber que sei sobre isso.

Após a revelação chocante de Jonghyun, todos nós concordamos. Não era lá a melhor coisa para se fazer, mas já que não tínhamos outra opção mais divertida, demos nossa palavra para encontrar Kim Minseok. Esperávamos aparecer na Televisão e  sermos prestigiados por encontrar o corpo do menino desaparecido. Algumas horas depois de jogar conversa fora, eles foram embora e eu entrei em casa para almoçar.

Um pouco tarde, eu diria.

 — Já são três da tarde, isso são horas de almoçar, garoto?  — Minha mãe continua de costas e termina de lavar algumas louças. Vejo os pés de papai sujos no sofá da sala, ele parece entretido com alguma propaganda aleatória sobre roupas de ginástica.

 — Desculpe, eu estava com meus amigos.

 — Sinceramente, a única coisa que você faz é ficar enfurnado naquele cafofo junto desses delinquentes que você chama de amigos.  — Ela parece furiosa, tanto que quase deixa cair alguns talheres ao chão.

Meu pai que não havia se pronunciado, acabou por falar algumas baboseiras.

 —Taemin, por que você não arruma amizades normais e com famílias estruturadas como o JinKi? Soube que o vizinho, pai daquele tal de Kibum é um ex-presidiário que tentou colocar fogo na própria casa com a mulher e os filhos dentro. Minho é um ladrãozinho fuleiro que vive por aí fumando maconha e bebendo — Como pode andar com esse tipo de gente?

  — Quando vocês vão aprender que eu sou o Taemin e não o Jinki? Meu irmão está morto. M-O-R-T-O, por que ficam me comparando a ele?

A única resposta que obtive foi um belo tapa na face recebido pelo meu pai.

 — Pare de falar assim do seu irmão. Ele nem está aqui para se defender.  — Mamãe disse.

 — Sinceramente...

Eu não conseguia conter minha raiva naquele momento. Era sempre a mesma ladainha, mal conversávamos, quando trocávamos palavras eram apenas ofensas, talvez se sentiam cheios de remorsos, pois sempre trataram o primogênito mal, assim como me trataram.

Meus pés passearam pelo tapete azul topázio, corri em direção ao quarto de Jinki, meu irmão mais velho, este que havia morrido de pneumonia há quase dois anos. Os meus olhos pousaram exatamente na cômoda velha que era de minha avó paterna, lá havia um boné dos Yankees que tinha ganhado do meu irmão pouco antes do seu falecimento. Uma sensação de nostalgia apoderava-se de mim.

Pus o boné na cabeça e abri a primeira gaveta para que eu pudesse pegar um cantil antigo que Jinki usava quando ia para trilhas ou acampar com os amigos. Logo percebo uma mão por trás das minhas costas.

 — Aonde pensa que vai?  — Meu pai já não parece estar tão carrancudo e está com um sorriso nos lábios. Pergunto-me se ele sofre de bipolaridade.

 — Vou sair com meus amigos.

 — Taemin, eu já disse que não quero você com essa gentinha.

 — Por favor, tenho quase dezessete anos. Deixe-me em paz.

 — Tudo bem, faça como quiser. Só não diga que não avisei.

Assim que chego ao local que marcamos para nos encontrarmos, avisto apenas Minho, ele parece estar segurando algo com os braços para trás. Estávamos em um beco vazio, quase sem nenhum sinal de vida por ali, era a área mais esquisita do bairro.

 — Taeminnie!  — Ele sorri perverso me chamando por um apelido infantil.

 — O que tem aí atrás? 

Minho mostra-me um revolver Colt calibre 38, que provavelmente pegara escondido no quarto de seu pai. O choi sempre contou que ele tinha várias armas de fogo guardadas para caso precisasse algum dia.

 — Tcharam!

 — Me deixe ver.

Pego a arma em minhas mãos.

 — Está carregada?

 — Claro que não, Taemin.

Puxo o gatilho e miro para uma lata de lixo que está um pouco distante. Para minha surpresa, tinha munição. Escuto um pipoco e fico gradativamente assustado.

 — Filho da puta, você disse que não estava carregada!  — Grito enquanto vejo Minho esconder o revolver dentro da mochila.

 — Eu menti.  — Mais uma vez a risada cínica costumeira já fluía em seu rosto, as bochechas vermelhas denunciavam o quanto parecia feliz em me ver amedrontado.

Ele coçou o queixo e passou a mão pelos meus cabelos.

 — Não fique tão bravinho, Tae.

Observo duas figuras correndo com seus cabelos esvoaçantes pela forte ventania que se apresentara naquela tarde.

 — Vamos logo, antes que escureça.  — Berra Kibum ainda ofegante.

 — Que demora.  — Reclama Minho.

 — Estava tentando fugir do meu pai e Jonghyun estava me ajudando.

 — Precisamos ir agora, o trem passa daqui a 20 minutos, temos que cruzar os trilhos.  — Digo

(...)

Já estávamos há meia hora andando em círculos no meio do mato, começo a perceber que estamos perdidos, mas o estúpido do Jonghyun continuou a falar que tinha um ótimo senso de direção e que era seguir apenas o seu mapa.

 — Eu tenho uma arma a serviço da lei...  — Cantou Minho.

 — E quantos bandidos tiverem vou enfrentar.  — Completou Kibum.

 — É só ter coragem...

 — Gente — Corto Jonghyun — Estamos indo ver o corpo de um menino morto, não é algo muito legal ao ponto de animar-se assim, sabe?

 — Ah, então o pente que eu trouxe será em vão.  — Diz Jonghyun.

 — Claro que não, temos que estar bonitos para quando formos aparecer na TV. Seremos considerados heróis.  — Não poupo o riso frouxo que forma em minha boca.

 — Eu conheço um atalho, vamos!  — Propõe Minho.

Andamos em linha reta, vejo que há uma espécie de lago, com a água esverdeada sendo coberta por musgos e algumas vitórias-régias.

 — Vamos ter que atravessar nadando?  — Pergunto.

 — O quê? A princesa está com medo de água fria, é? 

 — Ah, cala a boca, Jonghyun. Só não acho que seja muito seguro, pode ter algum bicho aí.

 — Que frescura!  — sibilou o Kim.

Mesmo não concordando com a ideia, entrei na água junto com os meninos. Ao invés de continuarmos nosso trajeto, ficamos brincando de esguichar água uns nos outros. Confesso que achei divertido.

 — Ahhh!  — Grita Minho pondo as mãos dentro da cueca, como se fosse retirar algo de lá.  — T-t-tem algo se me mexendo.  — Sua expressão era de medo e desgosto ao mesmo tempo.  — Maldito seja Lee Taemin! Você e essa sua boca de praga.

Ele sai da água e ao olhar dentro da cueca, estão algumas sanguessugas aprisionadas ao seu pênis, Minho parecia sentir muita dor.

 — Ei, cara, o que houve?

Quando dei por mim, o choi não era o único a ser atacado pelos bichos, todos nós acabamos por sentir algumas fisgadas nas partes íntimas, nas costas e no pescoço. Foram gritos seguidos de mais gritos.

Depois de muito tempo, conseguimos nos livrar daquele incômodo. Contudo, nosso corpo inteiro ainda coçava ao ponto de quase sangrarmos ao passar as unhas na pele para aliviar a coceira.

 — Já está escuro.  — Comentou Kibum ao olhar para o céu que estrelado com uma lua minguante enfeitando-o.

 — Acho melhor passarmos a noite por aqui.  — Aconselha Jonghyun já retirando das costas um colchonete que o mesmo trouxe, cada um de nós tinha um.

 — Bem, temos que nos revezar para vigiar, certo? Estamos no meio de uma floresta, a probabilidade de aparecer um urso é enorme. E não temos nenhum fosforo para fazer uma fogueira, pois acho que lenha não seria problema, já que estamos no meio do mato. — Diz Minho.

 — Tudo bem, eu começo.  — Falo à medida que tento secar os respingos de água nos meus cabelos loiros.

Minho olha dentro dos meus olhos e pousa a mão sobre meu ombro.

 — Tem certeza? Você pareceu meio assustado com o 38, pode ser que não mire direito na hora de puxar o gatilho.

Uma voz aguda faz com que eu me desconcentre.

 — Acho que ainda estou sentindo algo fisgando o meu pinto!  

 — Kibum, pare com isso, nós todos verificamos uns aos outros para ver se não tinha ficado nenhum daqueles mini- monstros.

 — Mas Taemin, eu ainda sinto, só que parecem cócegas.

 — Ah, parem de boiolagem.  — Minho nos encara dando uma risada alta e escandalosa.

Fiquei embaixo de uma árvore de palmeira, enquanto observava os três dormirem profundamente. Era tudo bem engraçado, Minho estava com as pernas “arreganhadas” e Jonghyun e Kibum dormiam abraçados, pareciam um casal.

Decido cochilar um pouco, afinal, Minho é um exagerado e com certeza se aparecesse um urso nós seríamos muito, mas muito azarados mesmo. Acabo acordando com uma respiração quente no meu pescoço e isso me faz saltar de susto. Mas me acalmo quando vejo o menino de cabeleira escura.

 — Minha vez de vigiar, princesa.  

 — Caralho, Minho. Você me assustou.  — Falo ao pôr a mão no coração demonstrando meu medo.

 — De qualquer forma, vá dormir um pouco, temos muito caminho a percorrer pela manhã.

Quando volto ao local onde ficaram nossos colchonetes e alguns lençóis finos, percebo que Jonghyun e Kibum não estão lá. Eu que não ousaria procurá-los. Pelos meus instintos eles estariam por aí se pegando no meio da mata. Confirmei isso pela manhã quando acordei e vi que ambos tinham marcas vermelhas quase arroxeadas no pescoço. E eu também já desconfiava que eles mantinham um relacionamento escondido, acredito que Minho também sabia sobre.

 — Estou com fome, o que temos ainda?  — Pergunto me sentando no meio de umas folhas secas que caíram há pouco.

 — Temos pão com geleia e geleia com pão.  — Diz Jonghyun.

 — O que aconteceu com os suprimentos que eu trouxe?

 — Se o Minho não tivesse comido tudo, eles ainda estariam aqui.  — Jonghyun encara o moreno de forma brava.

Dou uma golada no meu cantil e tento comer o pão com geleia de morango trazido por mim. Não estava assim tão ruim, era melhor do que ficar com fome. Depois de comer, reunimos nossas coisas e continuamos a trilhar nosso caminho, já não estávamos muito longe de onde pretendíamos ir. Há poucos minutos estaríamos prestes a encontrar o corpo de Kim Minseok.

Eu só não esperava que me batesse uma crise de choro intensa. Os motivos eram os mesmos e não era a primeira e nem segunda vez que eu derramava lágrimas pelas mesmas razões, pelos mesmos pensamentos tristes que me consumiam de repente.

 — Taemin?  — Minho para de andar e se aproxima de mim ao ouvir alguns de meus soluços.

 — Por que pararam? Ahn?  — Kibum grita olhando para trás notando que ainda estamos parados, ele não consegue me ver chorar, parece mais entretido em olhar para a bunda do Jonghyun.

 — Não é nada, vão na frente. Daqui a pouco acompanhamos vocês.  — Grita Minho de volta. Logo vejo os dois sumirem no meio da estradinha.

 — O que houve, Minnie?

 — Por que ele tinha que morrer? Eu não aguento mais toda essa pressão sobre mim, Minho.

Sinto os braços longos do de cabelos escuros me envolverem e eu apenas deito minha cabeça em seu peito coberto pela camiseta de listras.

 — Sabe, Taemin. É triste que o Jinki tenha partido, mas eu tenho certeza que ele gostaria de vê-lo seguindo em frente e cursando em uma ótima faculdade no ano que vem e conhecendo ótimas pessoas.

 — Faculdade?  — Me desfaço do abraço e o encaro com os olhos ainda lacrimejando.  — Minho, eu não quero ir pra faculdade, pois se isso acontecer, terei que mudar de cidade e eu não quero me separar de você e nem dos outros meninos.  — Não pretendo conhecer novas pessoas, estou muito feliz com a amizade de vocês.

 —Oh, você vai sim para a faculdade em Seul, você não terá futuro algum se continuar em Gwangmyeong com a gente.

 — Você não é meu pai, não me diga o que devo ou não fazer.

 — Sabe, eu gostaria muito de ser seu pai. Se eu fosse seu pai você não estaria vagabundando com um bando de moleques sem-futuro. Você estaria estudando muito para poder entrar em uma boa universidade e ser alguém na vida.

 — Eu realmente odeio esse blá blá, tenho pena dos seus filhos quando você  for pai.

 — Pare de desperdiçar as oportunidades que possui. Agradeça todos os dias pela sorte que tem, você tem um ótimo talento, sabe? Chegará muito longe como escritor.  — Minho me olha novamente com seus olhos grandes, fazendo jus a todas as histórias que eu costumava contar e escrever apenas por pura diversão.

 — Ainda não tenho a mínima vontade de sair daqui.

 — Queria ter as opções que você tem. Eu nunca sairei dessa cidade. Vou acabar mofando na cadeia e dando mais desgosto a minha mãe, assim como meu pai e meu irmão mais velho.

 — Não diga isso, é claro que você sairá daqui e será um ótimo advogado, não é isso que você sonha?

 — Sonhos só são realizados em filmes, Taemin. Infelizmente a minha realidade será essa. Aproveite suas oportunidades por mim. Quem me dera poder ir à Seul estudar.                               

 

 

*                 *                             *                        *                *                        

 

Finalmente chegamos à reserva onde Kibum havia dito estar o corpo do tal Minseok, foi algo extremamente macabro. Já estava em estado de decomposição e com um cheiro terrível, estava admirado por nenhum abutre ainda não ter feito uma refeição com o corpo de defunto.

 — ótimo, agora é só uma ligação para a polícia e Boom! Seremos heróis.  — Grita Jonghyun animado.

 — Ei, vá com calma, rapazinho.  — Um homem moreno em torno dos vinte e poucos anos com cabelos pretos de tamanho médio aparece atrás de uma seringueira. Ele segurava uma faca em suas mãos calejadas.

 — Heechul?  — Jonghyun parece surpreso por ver o irmão, e pega de supetão o revolver que estava nas coisas de Minho. Pergunto-me até hoje como ele conseguiu pegá-lo.

 — Você não vai atirar, né Jongas? Se me matar, vai pegar mal pra você. Já tens idade o suficiente para ir a cadeia, o reformatório não vai te ajudar dessa vez.

 — Bem, eu posso te esconder aqui na reserva igual fez com Minseok, seu monstro.  — Jonghyun fez sinal de que iria atirar, mas Heechul abaixou-se sendo agraciado pela péssima mira do irmão mais novo.

 — Pensando bem, eu vou embora, mas se caso meu nome for citado em alguma notícia, vocês quatro vão pagar caro.  Vocês venceram a guerra, não a batalha, me aguardem.

 — Olha, eu acho que seu ditado está um pouco errado.  — Ele diz ainda segurando a arma.

 — Calado, Tampinha!  — Diz o mais velho.

 Heechul sai de lá andando as pressas enquanto nos ouvia dar várias gargalhadas quando Minho começou a remendá-lo.

 — “Vocês venceram a guerra, não a batalha.”

 

Decidimos que não nos tornaríamos heróis ou algo do tipo por encontrar o menino desaparecido, pois no fim de tudo, era algo triste, não era nada divertido se sentir glorioso e aproveitar-se da desgraça de alguém para ser famoso. Uma ligação anônima resolveria tudo.

 (...)

— Que bom que acabou...  — Digo.

 — Acho que já vou indo...

 — Ainda está cedo, Bummie.  — Riu Jonghyun bagunçando os cabelos do menor.  — Te acompanharei.

Eu e Minho nos sentamos em uma calçada qualquer do mesmo beco vazio onde nos encontramos no dia anterior pela tarde, nem eu nem ele pretendíamos voltar para casa naquele momento. Eu não queria voltar porque não gostaria enfrentar meus pais ou ouvir broncas e Minho parecia muito confortável em meio à calçada empoeirada.

 

 

*                 *                             *                        *                *                         

 

Os anos se passaram cada vez mais rápido, percebo isso quando olho minha imagem pelo retrovisor do meu carro. Pareço cansado com essas olheiras e também, bem mais velho do que a minha idade.

Kim Kibum continuou em Gwangmyeong, soube que hoje em dia ele é um funcionário público. Até hoje está em um relacionamento secreto com Jonghyun, ambos se disfarçam de melhores amigos solteirões que moram juntos. Não mantenho contato com nenhum dos dois.  Kibum e Jonghyun se tornaram só mais dois rostos conhecidos no meio do corredor, às vezes os encontrava no mercado fazendo compras juntos e eles  abaixavam a cabeça, constrangidos e fingiam que não me conheciam, mas não os julgo. A vida é assim mesmo, amigos entram e saem da nossa vida como garçons em um restaurante.

Ao contrário do que imaginava, Minho conseguiu sair da cidade e foi estudar em Seul, ele havia passado num exame e ganhado uma bolsa para estudar direito em uma das melhores faculdades da capital Sul-coreana. Ás vezes nós nos esbarrávamos em alguma cafeteria aleatória. Sempre trocávamos ligações. Agora a pouco graças a um jornal, descobri que meu amigo foi morto ao tentar apartar uma briga em um restaurante. Foram dadas 13 facadas, sendo a maioria delas, no peito. Justamente hoje que ele tinha voltado a Gwanmyeong para me visitar e jantar comigo, minha esposa e meus filhos. Não pude evitar lágrimas solitárias caindo sobre o jornal amassado.

No fim, Choi Minho estava certo sobre mim, conheci pessoas ótimas durante a faculdade, fiz muitos amigos, mas nenhum deles era melhor do que meus amigos do ensino médio, de quando eu tinha 17.

Afinal, quem tem melhores amigos hoje do que quando tinha dezessete?

                                                                       

 


Notas Finais


Obrigada por ler até o fim.


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