História Contando com um Futuro ao seu Lado - Capítulo 2


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Categorias Naruto
Personagens Asuma Sarutobi, Boruto Uzumaki, Chiyo, Hashirama Senju, Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kankuro, Karin, Konan, Madara Uchiha, Mito Uzumaki, Naruto Uzumaki, Orochimaru, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shisui Uchiha, Suigetsu Hozuki, Tobirama Senju
Tags Hashimito, Madara, Madara Uchiha, Madasaku, Naruhina, Naruto, Romance, Sakura, Sakura Haruno, Uchiha
Visualizações 314
Palavras 4.417
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ecchi, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa Leitura!

Capítulo 2 - Capítulo Dois. Enquanto eu Lembrar...


- Então... - Madara estava hesitante no assunto, não sabia como começar, e Sakura, com a face inchada, olhos vermelhos pelo choro, não estava ajudando. Estavam a alguns minutos sentados frente a frente na mesa, enquanto Sakura devorava o sanduíche com saladas leves, Madara pensava em como começar a conversa. - Me ligaram mais cedo... Perguntando a data do enterro... Eu marquei para amanhã, as nove da noite, tudo bem pra você?

  Ela está demorando para responder...- Pensou estalando os dedos da mão.

 - Tudo bem... - Falou e continuou a comer de cabeça baixa, deixando um pouco de molho cair no prato, quando levantou a cabeça novamente, Madara notou os cantos da boca da rosada sujos pelo mesmo molho. - Que bom que você já acertou as coisas, não sei se iria conseguir fazer isso, não sei nem se vou conseguir ver eles no caixão... - A voz já ameaçava um novo choro, vendo isso Madara pegou a mão de Sakura que estava depositada sobre o balcão, e fez um carinho que pareceu confortar. 

 - Ei, ei, onde está aquela mulher forte com quem me casei? - Disse com um pequeno sorriso.

 Sakura fingiu que estava procurando alguma coisa, olhando para os dois lados da cozinha, fazendo Madara soltar um risinho, aumentando o aperto de mão.

 - Não está aqui. - Fungou, Madara diria que ela estava até fofa se não fosse o momento, com aquela sujeirinha de molho, fazendo um biquinho com os lábios rosados naturalmente, ela tinha mesmo vinte e seis anos? 

 - Não fala assim, ela está bem à minha frente. Eu sei que você vai superar, e eu vou estar aqui vendo isso acontecer... - Seu celular começou a apitar, tirou do bolso com a mão que não estava agarrada na de Sakura e viu que era da empresa. - Me dá um minutinho? Vou cancelar os compromissos que estão marcados pra manhã. - Disse soltando a mão da rosada delicadamente e se levantando, passando por ela, mas antes de sair  da cozinha, chogou por trás dela limpando os cantinhos da boca, e deixando um pequeno beijo na bochecha dela. Mesmo que Madara não tivesse notado, os lábios da esposa se ergueram num sorriso de canto, grata com o pequeno gesto de carinho.

   Após Madara sair, a rosada terminou seu lanche e se retirou para a sala, indo lentamente em direção a grande janela de vidro, encostando a cabeça no mesmo. Começou a observar as flores do jardim lá em baixo, as amarelas em específico, que lembravam o cabelo da mãe, Mebuki. Girou os olhos para o outro lado e viu as flores rosas, lembrando o cabelo diferente do pai, Kisashi, por quem puxou mais, a única coisa  característica de sua mãe eram os olhos. A mãe sempre implicava com os cabelos deles, mas tirando isso, cuidava deles melhor que ninguém. Sakura agradeceu mentalmente por sempre respeitar eles, passar sempre bons momentos, se afastou um pouco deles quando veio morar com Madara, mas sempre que podia, ia visitá-los duas vezes por mês quando ele conseguia folga, o que era raro de acontecer. Fechou os olhos deixando uma fina lágrima escorrer, sentiria muita falta deles, e não esquecendo do primo, Haruki, que era como um irmão, estava vindo para conhecer o lugar, nunca esteve fora daquela cidade e quando teve a oportunidade, acontece... Deixou mais lágrimas cairem, fechou a mão em punho batendo contra o vidro, aliviando um pouco a tristeza.

  - O que está fazendo? - Madara perguntou assustando a rosada, se virou bruscamente, abriu a boca para falar mas não saiu nada. Se inclinou por cima do ombro dela para ver o que tanto a mesma olhava, entendeu na mesma hora do que se tratava, soltou um suspiro pesado e se ajeitando, ficando reto novamente. - Quer sair um pouco? Sei lá, respirar um pouco...

  - Mas... Tá ficando tarde, não? - Sakura arqueou as sobrancelhas, desviou de Madara e foi ver as horas. - Já são quase sete horas. Eu preciso fazer o jantar. Outra hora a gente sai... - Entrou na cozinha, procurando as coisas para preparar a comida.  Madara entrou logo atrás.

   - Não quer que eu faça?

   - Madara, eu estou triste, não aleijada. - Sakura tinha toda a paciência para com Madara, quando ele resolvia dar os seus ataques de super-cuidado, até achava fofo, sempre fazia o que ela queria, comprava o que ela gostava, mesmo não pedindo nada. Até falaria alguma coisa, se não fosse o momento.

    -Tem certeza?

    - Madara!

    Mesmo sabendo que estava deixando ela irritada, precisava descontrair, percebendo a cara de impaciência dela, riu e foi para sala.

   - Vou esperar aqui. - Disse um pouco mais alto, para ela ouvir lá da cozinha, se sentou no sofá e apoiou a cabeça para trás, fechando os olhos.
         
                Sakura começou a pegar temperos...

     ''Minha mãe usava esse tempero...''

     Pegou o salmão...

      '' Era a comida preferida do meu pai''​

       Não! 

       Como Madara disse, é e seria forte, como sempre foi... Enquanto ela lembrar deles, estarão vivos dentro dela!

       Engoliu o choro, respirou fundo, e vamos lá !

      ______________________________________________________________________________________

       - Uhn, que cheiro bom! - Madara disse entrando na cozinha, com o nariz empinado, ''cheirando o ar'', o que fez Sakura, que estava lavando as mãos, sorrir levemente, ele se sentou à mesa, beliscando uma pequena arvorezinha de brócolis. - Isso tá... Gostoso...

       Lá vem...

      - Isso é brócolis, Madara. E eu sei que você não gosta... - Deixou o sorrisinho que estava tentando conter e foi até a geladeira, moderna demais na sua opinião, e pegou uma travessa de vidro com tomates-cereja no interior, a salada preferida dele, depositou o objeto na mesa em frente a ele. - Toma, fiz pra você. - Sakura sabia quando Madara mentia, sinal disso era quando ele entortava o nariz ou dava uma coçadinha na bochecha, até estranhou quando viu ele pegar o brócolis e dizer que estava bom... Mentiroso... E fofo, sabia que ele estava mentindo só para agradá-la. Sorriu sem mostrar os dentes, de uma forma carinhosa, vendo ele roubar alguns tomates.

        - Obrigado.

      Sakura pegou dois pratos, colocando o seu na mesa e servindo Madara primeiro. O jantar seguiu em silêncio, mas aquele silêncio agradável. A rosada foi a primeira a terminar, já que seu prato era construído por alguns grãos de arroz e uns cubinhos do salmão assado. Madara até pensou em dizer alguma coisa, mandar ela pegar mais talvez, mas deixou passar. Viu a mesma se levantar e dizer que estava cansada, e foi para o quarto, alguns minutos depois ele também foi.

    Chegou no cômodo e a luz do banheiro estava acesa, o barulho do chuveiro indicando que ela estava no banho. Pegou uma toalha e sentou-se na cama, esperando ela sair. Ouviu o registro do chuveiro ser desligado e viu Sakura saindo dele, com uma toalha enrolada no corpo, começou a observá-la, em todos os anos não cansava de olhar para aquele corpo, Sakura não era rica em seios, mas quando se tratava de pernas, arrasava, tinha a cintura fina e o bumbum avantajado. Mas o que ele mais gostava mesmo, eram os cabelos, que iam a altura dos ombros e a cor... A cor era única, Sakura era única... Parou o pensamento quando percebeu Sakura o olhando, com a mão na ponta da toalha, sabia o motivo daquele olhar... Estava esperando ele sair, envergonhada.

    Levantou da cama e foi em direção ao banheiro, Sakura, mesmo por todas às vezes que Madara tenha visto ela nua, não perdia a vergonha. Fechou a porta e tomou um banho rápido, escovando os dentes e colocando apenas uma calça de moletom, logo indo dormir. Viu que Sakura já estava ressonando, virada para o lado da parede, e agora que percebeu, estava morto, louco por um descanso. Deitou com cuidado, para Sakura não acordar e cobriu ela com uma fina coberta. Colou a cabeça no travesseiro e não demorou a dormir.

    Acordou umas duas vezes durante a noite, com Sakura chorando, abraçava ela e dizia que estava tudo bem, quando ela finalmente dormiu mais tranquila, quem acabou dormindo de mal jeito foi ele, já que ela enfiou a cabeça na curva do seu pescoço, e ele não se moveu até ela acordar no outro dia. Com certeza ele iria cobrar por esses ''agrados'' mais tarde.

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    Abriu os olhos, sentindo um cheiro bom de homem limpo, seu nariz ainda estava cavocado na curva entre o ombro e o pescoço de Madara, tirou a cabeça de lá e se escorou no braço esquerdo, observando-o. Olha que pecado, com os olhos serrados, mal posto na cama, as pernas grossas largadas pelo colchão, o braço direito apoiando a cabeça, e o esquerdo que estava embaixo dela, a abraçando de lado, agora caído. Que folgada, mas retribuiria assim que estivesse melhor. Saiu de cima do braço dele e foi para o banheiro, estava com um conjunto de calcinha e sutiã preto, se olhou no espelho e viu leves sinais de olheiras, pior devia estar Madara, já que ela abusou da paciência dele a noite toda. Toda vez que dormia, não eram sonhos que vinham, e sim algumas lembranças de sua família.

    É hoje... Precisava ser forte.

   Saiu do banheiro e viu Madara virado para o canto, bem melhor posicionado. Foi em direção a cozinha e viu o quão cedo ainda estava. 

    07:28

    Madara deve estar muito cansado, à essas horas geralmente ele já está em pé. - Pensou. Mesmo que não tenha nada para fazer no sábado e no domingo, era às sete horas que ele acordava, totalmente acostumado com o horário do trabalho, às seis horas. Resolveu deixar ele quietinho, sereninho lá no quarto, e preparou o café. Deixou tudo pronto e foi para sala, levando consigo uma xícara de chá de ervas e um prato com bolinhos de arroz. Ligou a TV e o noticiário falava sobre a tragédia, onde  mais de 150 pessoas foram deixadas sem vida. O que claramente deixou a rosada mais desapontada, desligou a TV e levou para lavar o prato e a xícara, limpando também a louça da noite passada.

    Voltou a sala e abriu um armário, que completava a estante com a televisão e alguns porta-retratos. Se sentou no chão e começou a procurar por uma corrente fina folhada a ouro, queria deixar no túmulo da mãe, só não lembrava onde estava. Procurou em todas as prateleiras, vasos que geralmente guardava chaves ou papéis com senhas, se não estava por ali, provavelmente estava no quarto, mas não faria barulho agora, já estava até estranhando ele dormindo até oito e meia.

     Ouviu a campainha apitando, atendeu a porta e foi esmagada por um abraço de sua melhor amiga, Hinata.

    - A querida, sinto muito, fiquei sabendo o que aconteceu... - Balançava a Uchiha para os lados, afagando as costas da mesma.

   - Eu... Eu to melhor... Difícil vai ser hoje a noite, eu queria falar com você antes mas acabei esquecendo...- Falava enquanto se sentava no sofá e chamava Hinata para se sentar também, a mulher de cabelos azul escuro se sentou pegando a mão de Sakura.

   - Tudo bem, eu entendo,  mas não se preocupa tá? Eu estou aqui e tenho um ótimo ombro pra você chorar...- Se aproximou mais e encostou a cabeça da rosada em seu ombro. - Tenho certeza que o Madara também tem... - Ouviu uma fungada da rosada, os olhos já marejados.

     - É... - Tentando segurar o choro, Sakura passou as mãos nos olhos, tirando algumas lágrimas que escapavam.

     - Por que você não sai um pouco? Caminhar e respirar ar puro, vai te fazer bem querida.

   - Madara me perguntou isto ontem, mas acabei não aceitando... - O tom triste usado por Sakura deixava Hinata de coração partido, eram amigas de longa data, sempre que acontecia alguma coisa com a Uzumaki, Sakura a apoiava junto, tanto ela quanto Naruto, seu marido. 

    - Então, vamos ? Ou sei lá, se você prefere ir com o Madara eu vou entender.

    - Não, não, eu prefiro ir com você, ele tá dormindo e tá muito cansado.

    - Nossa mas, já são nove horas não? Eu até pensei que seria ele à me atender...- Se ajeitou melhor no sofá, e cruzou os braços abaixo dos seios fartos.

    - É, ele realmente está demolido, ele só fica assim ás vezes, por causa do trabalho, mas dessa vez quem deixou ele desgastado foi eu. - Hinata abriu mais os olhos, ficando levemente corada, abaixou a cabeça disfarçando o constrangimento à pensar em coisas erradas nas horas erradas. - A não, isso não, não neste sentido... - Vendo a vergonha da mulher, Sakura logo tratou de esclarecer, balançando as mãos em sinal negativo.  - Eu quis dizer que eu dei trabalho pra ele me cuidar...

      - Ata... - Soltou um suspiro aliviado. - Desculpa, como eu sou boba. Acho que estou passando mais tempo com a Ino do que com você, haha... 

      - Tudo bem Hina, mas antes de nós sairmos, me ajuda a procurar aquela correntinha de ouro? Quero colocar no túmulo da minha mãe...

      - A, claro! E... E no do seu pai?

     - Vou colocar esta aqui. - Tirou de dentro da blusa uma corrente de prata, com uma flor de cerejeira na ponta, com o formato parecido do cabelo do pai.

      - Que linda. Alias, onde você viu aquela correntinha pela última vez?

     - Na verdade, acho melhor não perder tempo, já procurei por tudo e não achei, acho que está no quarto e não quero incomodar o Madara.

      - Bom, sendo assim, deixa um bilhete avisando ele que você saiu comigo, e vamos naquela sorveteria que a gente adora, sorvete sempre concerta tudo né? E esfria os pensamentos...- Sakura acenou com a cabeça, levantou do sofá e pegando um pequeno papel e uma caneta, escreveu que em breve voltava, que ela estaria na sorveteria com Hinata. Deixou em cima da mesa da cozinha junto às coisas do café da manhã. - Ei Sakura, você vai assim mesmo?- Sakura olhou para para Hinata encostada na porta. - Não, não que esteja ruim é que você sabe que lá tem aquele atendente tarado, e com este vestido curto...

     - A, eu esqueci de trocar, me espera um pouco, vou tirar. - Sakura olhou a roupa que usava e foi se trocar enquanto Hinata voltava a se sentar no sofá. Com tudo que aconteceu, estava mais distraída, nem percebera a roupa que estava usando.
      Chegou no quarto e Madara ainda dormia, dessa vez de bruços, chegou perto e se abaixou deixando um beijo entre a bochecha e os lábios. Foi para frente do armário e pegou uma calça azul claro, uma camisa preta de botões e calçou uma sapatilha, também preta. Aproveitou que Madara estava dormindo e se trocou ali mesmo, achava que nessa questão era mais envergonhada que Hinata, penteou melhor os cabelos lisos e saiu do quarto, descendo as escadas e se encontrando com a amiga ainda sentada no sofá.

      - Uhn, agora sim, vamos?

      - Vamos.

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       Na sorveteria, já sentadas, Sakura tomava uma casquinha de menta e Hinata tomava uma casquinha de coco.

     - E então... Os documentos estão prontos ? O atestado... - Disse mais baixo as últimas palavras, querendo se socar por dentro, por tocar no assunto novamente.

     - Sim, quando eu soube do acidente, fui chamada imediatamente para identificar os corpos, e aproveitei para assinar os documentos quando tive certeza... Depois que eu cheguei em casa acabei ficando mais nervosa ainda, liguei para o Madara e contei o que aconteceu e ele disse que já estava vindo, que era pra eu ficar calma, que demoraria um pouco, ele tava em outra cidade sabe... Só que eu não aguentei esperar e, e acabei bebendo, não sei nem como fui parar naquela banheira...

     - Sakura! - A rosada levantou a cabeça vendo Hinata com a face espantada.- Você sabe que não pode beber desse jeito, por que não me ligou? Eu ficava com você até ele chegar!- Disse em tom de repreensão, Sakura abaixou a cabeça novamente, mexendo em seu sorvete com desânimo.

      - Eu sei mas, na hora eu não pensei direito... Será que a gente pode ir embora? 

     Hinata suspirou cansada. - Claro, já são dez e meia, Naruto e eu temos um compromisso com a direção do colégio do Boruto, ele aprontou de novo...

      - E ele só tem nove anos né, imagina se tivesse mais... - Se levantaram e pagaram a conta. Saíram e foram em direção a casa da rosada, chegando lá, antes de Sakura entrar, Hinata segurou-lhe o braço.

      - Fica bem, tá ?

      - Vou tentar... Pode avisar a Ino pra mim ?

      - Sim, ahn, falando nela, ela passou na prova e conseguiu a carteira de motorista.

      - Hó! De meus parabéns à ela, tinha até esquecido disto.

     - Pode deixar. - Deram um último abraço antes da Uzumaki ir embora, e Sakura fechou a porta, encontrando Madara assistindo TV, ele estava distraído com o que passava na tela. Usava uma calça de moletom e uma camisa polo, azul marinho. 

      Quando ele percebeu a entrada dela, se levantou indo em direção a mesma.

      - Que bom que saiu um pouco, se distraiu?- Perguntou massageando os braços da rosada.

      - Sim, eu e a Hinata fomos naquela sorveteria, a gente conversou um pouco e ela me disse que a Ino tirou a carteira de motorista dela. - Disse segurando os braços fortes do moreno, fazendo ele parar com o movimento.

      - Ah, que bom... - Madara, mesmo quando falava algumas coisas tentando parecer carinhoso, sua voz ainda saía em tom forte. O mesmo tom que usava no trabalho, mas com outras palavras. - Eu, eu to assistindo um filme, quer ver comigo enquanto o almoço não fica pronto?

      - Você tá fazendo o almoço? O que é?

      - Uhn, é yakisoba... - Falou voltando a deitar no sofá, ouvindo Sakura soltar um risinho e seguir ele, tirou as sapatilhas e se deitando em cima dele, com a cabeça escorada no peito do mesmo.

      - Sabe que eu adivinhei? Você só sabe fazer isso... - Levantou a cabeça para encarar ele, tendo em troca um beijo na ponta do nariz.

      - Nossa, que engraçada... - Sakura deixou a risada alta escapar, fazendo Madara sorrir também, passou os braços em volta da cintura dela e apertou levemente. - Que saudade deste sorriso. - Disse fazendo Sakura corar um pouco, abaixou a cabeça selando os lábios com o marido. Quando ''desgrudaram'', a rosada deitou novamente no peito dele e começou a prestar atenção no filme, sentindo o aperto gostoso que ele fazia em sua cintura, o filme era ''Mad Max. Estrada da Fúria'', estava na cena onde Max dispara um tiro na perna da mulher, que estava grávida.

     - Que horror! - Exclamou Sakura, o que a deixou aliviada era a cara que a mulher fez ao levar o tiro, não pareria estar doendo. Louco mesmo foi quando a Furiosa pediu para todas as garotas pegarem tudo que pudessem e fossem atrás da carreta, e a grávida correu como se nem sentisse a bala na perna.

      O filme seguiu, Madara terminou o yakisoba, comeram no sofá e voltaram a assistir o filme, na mesma posição de antes , agora com as pernas de Sakura enroladas com as de Madara. O filme já estava no fim, e uma cena que fez Sakura se emocionar e cair no choro novamente, foi quando Max sumiu na multidão, indo embora, seguindo seu caminho... Madara apenas intensificou o aperto e afagou-lhe os cabelos, e Sakura enterrou a cabeça na curvatura do pescoço dele. 

        E o que você falou sobre ser forte Sakura? Você já está chorando só com um filme, que nem era para ser emocionante!

        Esquece. Preciso de um tempinho até me recuperar.

      A tarde seguiu melancólica, e quando deu sete horas da noite, saíram de casa em direção ao enterro, com vestes pretas. 

        No carro, Madara as vezes olhava Sakura pelo canto do olho e via a mesma com o olhar perdido, parecia que sua alma nem estava ali, doía ver ela assim, a pessoa da sua vida, que sempre estava sorrindo, de repente cair numa tristeza dessas, preferia um parente seu morto, do que justamente os pais dela. Colocou a mão sobre a coxa da rosada, e com a outra  manobrava a direção, Sakura nem pareceu sentir o toque, e assim seguiram caminho, sabia que iria piorar quando chegassem lá...Chegando lá, os dois caixões de seus pais estavam lado a lado, no interior da funerária. Antes de entrar, Madara abraçou Sakura de lado e sussurrou um '' seja forte'' no ouvido. Haviam poucas pessoas lá dentro, o que deu mais privacidade para Sakura, foi em direção ao caixão da mãe primeiro, segurou a mão gelada da mais velha, passando os olhos por todo o corpo pálido e sem vida, encostou a cabeça na mão que segurava e sussurrou algumas coisas que Madara não conseguiu ouvir, o mesmo parou atrás dela, entre os caixões, e deu leves batidinhas nas costas da mulher, só para avisar que estava ali. As lágrimas de Sakura já começavam a rolar, Madara soltou o ar que estava segurando e olhou para o pai dela, apoiou a mão no ombro do morto, nem ele estava mais aguentando aquilo, deixou poucas gotas caírem, por mais que a feição um pouco séria não saísse, falou algumas palavras a ele, em pensamentos. Voltou a olhar para Sakura quando ouviu um choro mais alto, Sakura estava com os nós dos dedos brancos, de tanto que apertava, ainda grudada à mão da mulher, ai veio o grito de desespero, Madara tentou segurar, mas ela se debatia gritando que queria os pais de volta, os gritos chamaram atenção das pessoas ao lado de fora. Quando Madara conseguiu acalmá-la, a rosada se agarrou a ele, pedindo que trouxesse os pais de volta. Madara sentiu o corpo em seus braços amolecer e ficar mais pesado, afastou a cabeça dela e percebeu que estava desmaiando. Ino e Hinata logo apareceram, ajudando Madara a sentar ela no banco, a loira colocou a cabeça da rosada apoiada nas próprias pernas, pedindo para o moreno buscar água.
          
                 Pegou um copo plástico e encheu com o líquido transparente.

      Já estava sentindo, dez de quando estavam no carro, que aconteceria algo do tipo. 

      Levou a água até onde Sakura estava, onde Ino e Hinata tentavam reanimá-la, quando chegou perto deixou o copo com a morena e disse para Ino deixar ele tentar. A loira levantou Sakura do colo e Madara se sentou ao lado dela, encostando Sakura no ombro.

       - Meu amor... - Sussurrava no ouvido dela. - Reage meu amor... - Tirou a franja molhada pelas lágrimas da frente do rosto dela, deixando um beijo em cada olho fechado. Com isso Sakura despertou, abriu os olhos lentamente logo fazendo a careta de choro novamente, enrolando os braços no pescoço de Madara, mas desta vez chorando em silêncio, soltando alguns soluços.

      As pessoas começaram a olhar aquela cena, Sakura tentando se esconder no aperto de Madara, e Ino e Hinata abraçadas as costas da rosada. 

        Recuperada, pediu para Madara as duas correntes que ele guardava no bolço da calça, ele, sem se desfazer do abraço, enfiou a mão no bolço retirando de lá as correntes. Deu para ela, que se levantou e foi para o lado dos pais novamente. Deixando uma em cada caixão.

       Depois passaram para a pequena sala ao lado, onde Haruki estava depositado num caixão mais claro que os outros, não ficou muito, já que os pais do garoto estavam arrasados em volta. Apenas deu seus sentimentos aos tios e não quis  mais ficar ali. Foi para fora daquele ambiente, com o copo de água puxando um bom pouco de ar, se sentou nas escadas do lado de fora sem se importar com o olhar de pena de alguns parentes. Madara deixou ela sozinha, sabia quando ela precisava de um momento só para ela, Ino e Hinata também sabiam, fiaram lá dentro, se despedindo dos pais da rosada, Madara sentou em um dos bancos e respirou fundo, passou as mãos pelo rosto, que pararam nos cabelos e permaneceram lá. Sentiu uma mão no ombro e se virou na direção para ver quem era.

           - Que barra em irmão... - Izuna, seu irmão mais novo, tentava achar uma forma de confortar o irmão mais velho.

           - É, vai ser difícil esquecer. 

           - E a Sakura, como ela está?

           - Ela ta lá na escada, tá arrasada. Se eu pudesse fazer alguma coisa pra tirar essa dor dela...

           - Você pode, olha tudo que você faz por ela, ela tá sofrendo todo mundo sabe, ela perdeu os pais, é normal ela chorar, e fazer aquele... aquele... escândalo, só mostra que ela amava eles intensamente, assim como ela ama você, acha que ela não ia chorar se acontecesse algo com você? Ao contrário, iria gritar ainda mais... - Parou de falar quando sentiu Madara o apertar num abraço, espalhando os cabelos lisos do mais novo.

           - Obrigado...

           Retribuiu o abraço, também mexendo nos longos cabelos do mais velho. - Por nada.

           - Acho que vou levar a Saky pra casa, já vão enterrar eles...

           - Certo, vai lá então.

           Se levantou à procura da mulher, ela continuava na escada com as pernas encolhidas, a cabeça apoiada nos braços, que estavam cruzados sobre as pernas e o copo jogado ao lado. Chegou perto e sentou ao lado dela, passando a mão nos cabelos róseos.

           - Quer ir pra casa? - perguntou baixinho só pra ela ouvir.

           - Sim... Não quero ter a lembrança deles sendo enterrados, só preciso saber que eles estão vivos dentro de mim.

          - É, estão dentro de mim também, eram ótimas pessoas... Quer dizer, ainda são.- Sakura fungou e deu um sorriso triste a ele. Se levantaram e se despediram das pessoas. Seguindo caminho de volta pra casa. Sakura acabou dormindo no carro, quando Madara estacionou o carro na garagem, pegou ela no colo e foi para dentro da casa.

           Deitou ela na cama e foi ao banheiro trocar as roupas, tirou a camisa que estava arremangada até os cotovelos e o resto da roupa. Terminando o banho, colocou uma calça leve e uma camiseta velha cinza e foi acordar Sakura, para ela tirar aquelas vestes desconfortáveis. Bastou chamar uma vez e ela despertou, ajudou ela a se trocar e deitaram, abraçados em uma conchinha confortável para ambos.

             Continua...



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