História Continente de Gelo - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Espada Removida


Conversei um pouco com os meus pais descrevendo o quanto foi legal o meu dia de aula, claro que não disse nada sobre o meu novo poder de controlar gelo, ninguém precisava saber disso além de mim e Mark. Eles ficaram surpresos ao ouvir pela primeira vez eu chamar um dia de aula de “legal”.

Subi as escadas indo em direção ao meu quarto. Peguei um livro para ler e deitei na cama. O livro era sobre a história do nosso continente, incluindo alguma coisa sobre a família Ice. De repente fiquei mais interessado nesses assuntos.

Li uma parte interessante do livro com o título “Clã do Frio”.

Dizia o seguinte:

“Antigamente no Continente de Gelo existiu um clã chamado Clã do Frio. Ele comandava todo o lugar e protegia toda a população. Nessa época a nevasca era extremamente forte, assim como o frio muito abaixo de zero. Assim, as pessoas não saiam de casa com muita frequencia, pois o frio poderia congelar ao ficar muito tempo fora. O líder do clã, Dan, era um bravo guerreiro que tinha muito orgulho de possuir a Espada de Gelo. Um velho sábio, também do clã, pediu para ele desistir da sua espada, cravá-la numa pedra no castelo e, ao fazer isso, faria a nevasca reduzir de força. Ele fez exatamente isso e realmente o frio foi reduzido. Dan tinha um melhor amigo, Carl Ice. Antes de morrer, ordenou para Carl comandar o continente, e assim foi feito. Atualmente o Continente de Gelo é comandado pela família Ice.”

Depois de ler, fiquei pensando. Então meu pai era o melhor amigo do líder de um antigo clã do continente. Ele nunca tocou nesse assunto, até porque eu nunca perguntei. Acabei caindo no sono.

Acordei assustado ao ouvir um barulho na janela do meu quarto. Olhei para ela e percebi que já era noite, mas não encontrei ninguém. Levantei, me aproximei e abri. Na frente, nada. No lado, vi um homem misterioso.

— Quem é você?

— Não sou seu inimigo.

— Seu nome?

— Você deve se preparar.

— Me preparar para o que?

— O seu tio não é a pessoa que você acredita que ele é — ele disse algo que meu pai teria dito.

Em seguida saiu caminhando calmamente e desapareceu na escuridão da noite. Não acreditei no que ele disse. Por que eu acreditaria num homem que não revelou o próprio nome? Além disso, eu confio no meu tio, apesar de o meu pai não confiar. Não importa. Devo esquecer esse cara.

No dia seguinte, cheguei na entrada da escola e algo estranho aconteceu. Pela primeira vez não encontrei Mark, ao invés disso, encontrei o mesmo homem misterioso da noite anterior.

— Prepare-se. É hoje — ele disse e foi embora, não tive tempo de responder.

Deveria ser uma brincadeira que estava indo longe demais. Quem era esse cara? Tentei não ficar preocupado mas continuei pensando nisso.

Cheguei na sala e a aula já tinha começado a pouco tempo. Como sempre, sentei ao lado de Mark.

— O que foi? — ele perguntou.

— Um cara que nunca vi na vida, fica me alertando sobre o meu tio.

— Deve ser mais um que não gosta da tua família e está tentando colocar ideias na tua cabeça.

— Deve ser.

Eu queria acreditar que isso não passava de uma piada.

Mais um dia de aula que eu fiquei pensando em outra coisa, além da própria aula. Ainda bem que chegou logo no fim e pude ir para casa.

Chegando lá, não encontrei minha mãe ou meu pai assistindo televisão, algo que normalmente faziam. Já comecei a ficar preocupado. Aquele cara conseguiu me deixar nervoso apenas ao falar algumas frases duvidosas.

Procurei por eles em cada canto da casa, que era um grande castelo, chamando pelo nome dos dois. Não encontrei ninguém. “Isso está começando a ficar estranho”, eu pensei. Tinha um lugar que eu ainda não procurei. A sala trancada onde ficava a Espada de Gelo cravada no chão.

Cheguei lá e a primeira coisa que vi foi a porta aberta. Entrei na sala e levei um susto. Agora com a minha presença, a família Ice estava reunida mais uma vez. Mas estava bem claro que o clima não era bom. O clima estava tenso.

— Chegou quem faltava! — meu tio Allan disse, soltando uma curta risada.

Fiquei assistindo aquela cena por alguns segundos, logo consegui falar:

— O que todos vocês fazem reunidos aqui, ao redor dessa espada?

— É o que queremos saber, mas o seu tio está se fazendo de misterioso — meu pai disse, percebo que ele estava irritado.

— Eu estava esperando o meu querido sobrinho aparecer — tio Allan disse.

A situação estava cada vez mais estranha, mais suspeita. Chegava à dar medo. Minha mãe estava quieta, tentando não parecer nervosa, mas assim como eu, ela estava achando aquilo tudo muito tenso. Meu pai mandou o meu tio terminar com aquela cena e falar logo o que ele queria falar.

— Estou aqui para roubar a Espada de Gelo — meu tio disse enquanto apoiava as duas mãos no punho da espada.

Quando ele disse isso, eu tomei um susto tão grande que não consegui falar uma única palavra. Meus pais também estvam apavorados, tanto quanto eu estava. Isso parecia um pesadelo. Não pode ser.

— O que? — de repente eu disse apenas isso.

— Não vou repetir. Você ouviu bem — não parecia o meu tio falando. Parecia outra pessoa. Na realidade, essa era a verdadeira pessoa que ele sempre foi.

Meu pai era o único que não parecia tão surpreso quanto eu e minha mãe. Ele sempre suspeitou dele. E eu, como um idiota, defendia ele. Era contra o meu pai.

Decepção. Era isso que estava sentindo agora. Meu tio era um vilão, porque ele sabia muito bem o que iria acontecer se a espada fosse retirada dali. Não queria nem pensar nisso.

— Você passou dos limites, meu irmão — disse meu pai. — Sempre suspeitei de você. Mas roubar a espada? Ficou louco?

— Pelo contrário. Eu seria louco se deixasse esse tesouro aqui por mais tempo. Já parou para pensar no poder dessa espada?

— E você já parou para pensar no que vai acontecer se ela sair daí? — eu perguntei.

— Isso não me interessa! Quando eu pegar essa espada, serei o homem mais poderoso desse continente. Eu. Eu comandarei esse lugar. Mais ninguém.

Sem dar tempo de respondermos, ele arrancou a espada do chão e levantou para cima, exibindo com o maior orgulho.

Logo depois, aconteceu algo que ninguém esperava.



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