1. Spirit Fanfics >
  2. Contos >
  3. Único;

História Contos - Capítulo 1


Escrita por:


Capítulo 1 - Único;


Era uma vez um belo e ingênuo menino. O garoto, que vivia com a mãe e irmão, era encantado pela avó - e avó por ele. O garoto era tão apaixonado pela avó, que sempre usava a capa vermelha que ela havia dado. E assim ganhou seu apelido de chapeuzinho vermelho.

Um belo dia a avó adoeceu e a mãe de Chapeuzinho pergunta se o menino não poderia ficar junto de seu irmão, enquanto a mesma não levava algo para sua avó comer

- Claro mãe - sorriu - Mas eu não poderia levar?

- Não meu querido, há lobos no caminho. E é perigoso ir sozinho. - a mulher respondeu serena. A casa do menino ficava na vila e a da avó no meio da floresta, a uma certa distância.

Logo Chapeuzinho saiu da cozinha e foi até a sacada, falar com Alois. Mas distraídos, ficaram brincando.

No topo de uma torre, um maldoso anão tinha fabricado um espelho mágico, que transformava em más pessoas todos os que nele se mirassem. Mas o espelho com tanto poder logo quebrou-se e seus pedaços foram se espalhando pelo mundo. Dois deles foram para uma sacada onde brincavam duas crianças, Alois e Ciel, e penetraram nos olhos e no coração do menino que, desde aquele momento, se transformou, de bom, no pior garoto da cidade. Ciel era um rapaz inteligente e bom, que cuidava de lindíssimas rosas na varanda de casa competindo com sua amiga Elizabeth, que morava em frente dele. Desde aquele dia, Ciel se tornou ruim e invejoso, fazendo de tudo para machucar Elizabeth.

- Sua pirralha! Saia da minha frente.

- Não faça isso, irmão.

Alois tentava o impedir de bater na pobre garota, caída ao chão.

Quando o inverno chegou, ia Ciel, um dia, pelas ruas cobertas de neve, montado em seu pequeno trenó, quando viu um grande trenó branco, que corria velozmente. Curioso sobre a velocidade, enganchou o seu naquele e, desse modo, fez-se arrastar na vertiginosa carreira. Mas viu, logo depois, com terror, que o misterioso veículo saía das muralhas da cidade e precipitava-se pelos campos.

- Não deveríamos ter saído - murmurou para si, olhando as enorme paredes.

Por fim, o trenó se deteve e dele desceu o Rei das Neves, completamente vestido de gelo, que lhe sorria e o chamava.

- Ora Ora. O que temos aqui? Um coelho perdido. Venha até mim.

Ele não resistiu e abraçou-o. Ele se inclinou para o menino, beijando-o. Ao sentir aquele beijo, Ciel sentiu-se gelado e adormeceu. A fada tomou-o nos braços e levou-o ao seu longínquo país em um trenó de prata puxado por águias indo para o Reino da Neve.

Os dias passavam e Alois em vão esperava Ciel, que não regressava.

- Por onde andas? - olhava pela sacada preocupado.

Afinal, resolveu ir procurá-lo pelo mundo, deixando sua mãe há cuidar de sua avó. Dirigiu-se para o rio, subiu numa barquinha e deixou-se levar pela correnteza. A embarcação, depois de muito navegar, foi deter-se num jardim cheio de flores, onde havia uma velha, que acolheu carinhosamente o menino Alois e conduziu-o a uma pequena casa feita de vidros coloridos. Ali penteou-o com um pente mágico e o menino de tudo se esqueceu e ficou, naquele jardim encantado, vivendo muito feliz.

Um dia, entretanto, viu umas rosas, que lhe recordaram o roseiral por ele plantado, com o auxílio de Ciel, na sua pequena sacada, em casa, e voltou-lhe à mente a lembrança do irmão desaparecido.

- Ciel, preciso encontrá-lo!

Resolvido a encontrá-lo, fugiu para o bosque e caminhou muito, sem sentir-se fatigado, até que encontrou uma menina, que morava numa casa meio em ruínas.

- Você está bem? - a jovem perguntou ao ver, Alois, cambaleando.

A desconhecida, ao ouvir a história de Alois, quis ajudá-lo e levou-o para sua casa, onde perguntou aos pombos, pousados no telhado, se sabiam alguma coisa a respeito de Ciel.

- Sim! - responderam eles. - O Rei das Neves o levou com ele.

A menina do bosque deu-lhe, então, um magnífico cervo que possuía havia tempo, dizendo ao animal:

- Devolvo-te a liberdade, mas, em troca, leva este meu amigo ao palácio do Rei das Neves, que se acha em teu país.

Em seguida, ajudou o pobre Alois a montar no lombo do animal, que partiu em disparada. Atravessaram campos, bosques, pântanos e, por fim, chegaram à Finlândia, onde estava situado o castelo da fada e o cervo fez o menino descer no jardim.

- Então é aqui que ele está? - perguntou ao cervo, mas logo o animal se afastou do local rapidamente.

Ao ficar sozinho, Alois viu caírem a seu redor grandes flocos de neve, que se juntaram, procurando afogá-lo. Mas o menino orou com fervor e, imediatamente, tudo se acalmou. Então, o menino entrou no castelo, onde encontrou Ciel, que estava só e não o reconheceu. Alois abraçou-o, chorando, e suas lágrimas, ao penetrarem no coração do menino, fizeram sair o fragmento do espelho, que nele se havia encravado. Ciel também chorou e, desse modo, o outro fragmento que havia penetrado em seus olhos, também saiu. O menino, só então, reconheceu seu pequeno irmão.

- Parece que se passaram décadas - sorriu, Ciel.

- Sim, Vamos voltar para casa agora, Ciel. O Rei das Neves deve estar por aqui - Alois pegou pelo fino braço de seu irmão, o puxando para fora do castelo. Mas assim que chegando perto da grande porta, Ciel trocou olhares com o Rei, e parou.

- Eu não posso ir, Alois. - disse firme soltando seu braço. Alois ficou surpreso com tal fala, e então Ciel foi para o lado do Rei.

- O que está dizendo? A mamãe nos espera em casa.

- Ela te espera. Meu lugar é aqui ao lado do Rei - Chapéu olhou para o homem coberto por neve e sorriu - Ainda preciso mostrar a ele o que é ser gentil.

- Eu não entendo...

- Apenas vá para casa e diga que eu morri. Será melhor assim.

Sem muito entender, Alois deu um último abraço em seu irmão. E saiu às presses do castelo. O cervo o esperava lá fora para levá-lo de volta ao seu país. Ciel e o Rei apenas os olharam ele partir, ficando cada vez mais distante.

[...]

- Depois daquele dia os invernos ficaram mais gentis, e férteis, para a época. Pelo sacrifício de um coração gentil, todos pararam de sofrer. A população do país nunca soube exatamente o que aconteceu com Ciel, porém fizeram uma grande estátua do garoto, que era destacada pela longa e bela capa vermelha.

- Papai, e o Alois?

- O Alois? Todos os anos ele plantava uma nova rosa, para simbolizar seu irmão que ele sabia estar vivo.

- E ele está?

- Isso fica para outra história, querida. Boa noite.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...