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História Contos ACOTAR - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


OIEEE!! Eu criei essa aqui depois de ler uma parte de silver flames. Ela está dividida em duas partes, mas ainda vou escrever a parte dois. Essa saiu em um dia e é bem grande. Então... dá pra aproveitar bem.

OBS::: CAPÍTULO EDITADO E COM MAIS 4000 PALAVRAS. ACONSELHO RELEREM ANTES DE IR PRO PRÓXIMO.

Capítulo 2 - Conto dois: Aideen e Azriel (PARTE 1)


Fanfic / Fanfiction Contos ACOTAR - Capítulo 2 - Conto dois: Aideen e Azriel (PARTE 1)

- Não entendo metade dessas coisas. – Disse Cassian relendo o manuscrito que Gwyn havia lhe dado novamente. – Lutei com as valquírias, sim, mas daí a entender totalmente seu sistema é outra história, Rhys. E elas querem treinar como elas.

- O que você sugere? – Perguntou Rhys afiando os olhos. Os dois estavam sentados no escritório do grão senhor conversando. Gwyn havia falado para Nestha e Emerie acerca das Valquírias e Cassian lhes contara parcialmente a história das mulheres guerreiras. Ele omitira que apenas uma delas havia sobrevivido, sua primeira amante fora da corte noturna, princesa e general de batalha das Valquírias, Aideen.

- Você pode tentar encontra-la. – Disse Cassian. Rhys sabia do que ele estava falando.

- Cass, você sabe que se ela não quiser ser encontrada, não irei acha-la. – Disse Rhys.

- Ela quem? – Uma voz feminina, a voz de Feyre veio da porta.

- Uma amiga em comum do passado. – Disse Rhys.

- Nestha e as meninas querem treinar outro estilo. O das Valquírias. Elas tem até colocado vários movimentos em prática, mas Cassin não sei muito sobre isso. – Brevemente Rhys explicou quem elas eram. Um grupo extremamente poderoso de guerreiras que havia deixado de existir 500 anos antes durante a guerra. Cass ficou calado. – Apenas uma delas sobreviveu a batalha. Aideen é uma amiga muito querida, mas que nunca mais vimos. Após a perda de todas as suas parceiras. Ela sumiu no mundo. Até onde sabemos... ela pode estar...

- Ela não está morta! – Uma fúria tomou conta de Cassian. – Não repita isso, Rhys. Aideen não está morta.

- Como pode ter tanta certeza?

- Ela me prometeu que viveria, Rhys! Ela me prometeu. – Ele estava triste. Feyre estreitou os olhos, mas Cassian não explicou.

- Valquírias não quebram promessas, é meio como nossos acordos. – Disse Rhys para a parceira. Feyre assentiu de leve. – Cassian quer que Aideen venha treinar Nestha e as mulheres lá na casa dos ventos. Evoluir seu treinamento físico. – Feyre ergueu a sobrancelha.

- Você pode acha-la? – Perguntou.

- Posso tentar.... – Rhys se concentrou. Seus olhos ficando nublados. Ele estava vagando do outro lado, buscando em sua mente. Buscando em todo o território de Prythian. Seu rosto focou, mas seus olhos permaneceram nublados. – Ela está aqui! Mas a parede em sua mente está muito forte. Não consigo penetrar.

- Aideen – Chamou Cassian. Rhys sabia o que tinha que fazer. Ele projetou a voz de Cassian na parede repetidas vezes. Uma pequena fresta se abriu e Rhys entrou.

- Estou dentro. – Ele esclareceu. Seus olhos ainda nublados. Alguns segundos se passaram e então ele voltou. – Ela está vindo.

- É sério? – Perguntou Cass.

- Sim! – Ela deve chegar nas próximas horas. Como ainda estava muito cedo. Cass assentiu.

- Vou para a casa dos ventos, tomar café e começar os treinamentos de hoje.

- Ela deve ir para lá, Cass. – disse Rhys. – Por isso, logo estaremos lá também. – Cassian assentiu e saiu da sala.

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Nestha, Gwyn e Emerie faziam uma nova rotina naquela manhã. Já estavam treinando fazia 2 horas. Azriel do outro lado do ringue, mantinha as outras sacerdotisas em uma rotina mais branda de preparo físico. Elas logo começariam com as espadas de madeira também.

- Olá, senhoras! – Rhys e Feyre desceram ao lado do ringue. Nestha enrijeceu e as outras rapidamente se curvaram desconcertadas.

- Bom dia, grão-senhor, grã-senhora. – cumprimentaram.

- Por favor, não parem por nossa causa. – Disse Feyre. Eles caminharam até a parte do ringue em que Cassian estava.

- O que é aquilo? – Perguntou Gwyn olhando para o céu. Um Pegasus branco descia das nuvens. Ele tinha quase a cor da própria nuvem. – Oh! Que lindo! – Todos pararam para olhar enquanto o Pegasus se aproximava. Da distância em que estava, eles podiam identificar a amazona que o montava. Ela usava calças pretas, com uma blusa tomara que caia e o corpete repleto de flores rosas e brancas, que ia por dentro da calça. Uma bota de cano alto, também preta estava por cima da calça. E por cima de tudo isso ela vestia um sobretudo cinza. Seus cabelos eram escuros, mas dessa distância era impossível definir exatamente a cor, e cheios de cachos pequenos e lindos que caiam até a altura do peito. Sua pele era de um tom bronzeado. E seu rosto anguloso, embora os olhos, fossem difíceis dizer a cor, mas Cassian sabia exatamente a cor dos olhos de Aideen. Eram cor de mel. O mais puro mel. Ele esperou ansiosamente na beira do ringue, enquanto a amazona pousava o Pegasus na área aberta ao lado. Quando ela desmontou, todos tinham certeza de que aquela fêmea de pele castanha, olhos cor de mel, rosto anguloso e sorriso fácil, era a mulher mais bonita que eles já haviam visto. Até Azriel a olhava chocado.

Ela apeou o Pegasus e se virou para Cassian. Diretamente para ele, ela abriu um sorriso gigante e correu em sua direção. Eles se abraçaram e ele até a tirou do chão.

- Cass! – Ela chamou seu nome e o macho sorriu enormemente.

- Senti sua falta, Aideen. – Ele murmurou sem soltá-la. Aideen o apertou ainda mais nos braços.

Nestha ferveu no lugar. Rhys sorriu e a fêmea largou Cassian e o abraçou logo em seguida. Ele também a tirou do chão no abraço.

- Olá, garotos! – Ela disse depois de ser colocada no chão. Um sorriso brilhava em seu rosto e resplandecia. Era contagiante.

- Senhora! – Rhys fez uma espécie de reverência. – Oh! Amren está irritada. Ela viu seu Pegasus e perguntou por que não está aqui.

- Oh Rhysand! Vá busca-la!!!! AGORA! – Ordenou a mulher. Rhys assentiu, bateu continência com um sorriso no rosto e voou. Todos a olhavam chocados. Restava a Cassian fazer as apresentações.

- Aideen, gostaria de te apresentar a parceira de Rhys e nossa grã-senhora, Feyre Archeron. – Feyre sorriu para ela e ela retribuiu com uma pequena reverência.

- Quebradora da maldição. – Ela disse e viu a surpresa de Cassian. – Oh Cass, eu não estou afastada da civilização, sabe? Ainda sei mais ou menos o que acontece em Prythian. – Ele sorriu e ela apoiou a mão em seu braço. – Continue as apresentações.

- Esta é Nestha Archeron, irmã mais velha de Feyre. – A fêmea sorriu para uma Nestha séria e fez uma mesura com a cabeça. Cassian continuou. – Gwyn, uma acólita da biblioteca aqui em baixo e Emerie, uma Illyriana. Elas são amigas de Nestha e estão aqui treinando. – Azriel e as outras sacerdotisas haviam se aproximado. – Esse é meu irmão Azriel. – Ele fez uma mesura para ela e a garota sorriu lindamente quando seus olhares se prenderam.

- Ouvi falar muito de você. – Ela admitiu. Azriel sorriu.

- Apesar de Cassian ainda não a ter apresentado, presumo ser Aideen. Então também ouvi muito sobre você. – O sorriso dela aumentou ainda mais.

 Cassian terminou de apresentar as outras sacerdotisas. Mas os olhos da amazona se voltavam o tempo todo para Azriel. As sombras dele eram encantadoras, ela percebeu que várias permaneciam longe do sol, apena uma ou outra se arriscava até ali e o circulava, pareciam curiosas.

- Aos curiosos! Aideen é uma Valquíria. – Disse Cassian. – A última Valquíria viva. – Ele disse com pesar e notou uma sombra escura nublar o olhar de Aideen e seu sorriso diminuir um pouquinho.

- Por que solicitou minha presença, Cassian, querido? – Ela perguntou.

- As moças estudaram um pouco sobre as valquírias e até começaram a praticar mindfullnes e alguns movimentos. – As sobrancelhas de Aideen se levantaram em surpresa e ela encarou Cassian. – Não fui eu. Eu juro. Elas aprenderam sozinhas. Gwyn estudou sobre a irmandade. – Aideen sorriu novamente e olhou para as três com admiração. – E elas gostariam de incorporar técnicas de batalha e treinamento das Valquírias em sua formação.

Gwyn se adiantou.

- Nós brincamos que queremos ser valquírias renascidas. – Ela disse. Novamente aquela sombra nos olhos de Aideen. – Pois gostaríamos de combinar técnicas Illyrianas com Valquírias.

- Interessante. Vocês me impressionaram com o estudo sobre o que nós éramos. – Ela disse.

- Você poderia reeguer as Valquírias, Aideen. – Disse Cassian. A coisa errada. Seu sorriso sumiu e dor profunda atingiu seus olhos por 1 segundo.

- Eu posso ensiná-las sim. – Garantiu a fêmea rapidamente. Ela não respondeu o comentário de Cassian. AInd não estava pronta para isso.

- Oh! – Emerie bateu palminhas e riu. Novamente o olhar de Aideen cruzou o de Azriel e ele estava mais interessado.

- Só não hoje! – Ela disse sorrindo de leve para as três. – Amanhã começamos. – Nesse momento Rhys desceu do céu com uma Amren irritadiça em um braço e um macho de cabelos brancos no outro.  A irritação de Amren passou assim que ela tocou a terra e seu olhar encontrou o de Aideen.

- Menina! – Aideen correu até a fêmeas baixinha.

- Não importa minha idade, você nunca vai parar de me chamar de menina, não é? – Ela riu envolvendo Amren. – Já faz 500 anos, Ams.

- Você é a única que me chama assim. – Ela sorriu. – E para mim você sempre será só uma menina. Mesmo que tenha 1000 anos. – Aideen revirou os olhos enquanto se afastava e era apresentada ao macho.

- Você não cresceu nada! – Brincou Aideen e Amren deu um tapinha nela. Acontece que Nestha estava irritada e Aideen sentiu a irritação da fêmea mesmo com bons metros entre elas. Ela olhou Nestha de cima a baixo, medindo-a. Nestha fazia o mesmo. Nenhuma das duas disse nada. – Vamos entrar? Eu estou montada em Haven há horas. Preciso de um descanso, calor e algo para beber.

- Ainda nem deu meio dia. – Disse Cassian com uma sobrancelha erguida. Aideen encolheu um pouco os ombros magros, mas logo deu de ombros seguindo Rhys para dentro da casa. Todos entraram. As sacerdotisas logo foram para a biblioteca e Rhys levou Emerie embora. – Não acredito que está realmente aqui.

- Eu prometi que viria se você me chamasse. – Ela disse.

- Mas também pediu que eu não o fizesse.

- Eu sei! – Ela sorriu de leve com uma xícara de chá na mão. Discretamente, Rhys havia explicado sobre a ausência de álcool ali e ela aceitou o chá quente ao invés da bebida.

- O que você tem feito?

- Vagado por ai, principalmente. – Ela olhou para o vazio. – Paro mais porque Haven precisa descansar. Dormindo em pousadas.

- Sabe que poderia ter vindo para cá. – Disse Cassian. – Você teria um lugar aqui.

- Eu sei. – Ela sorriu abertamente. – Você sempre tem um lugar para mim na sua vida. – Ela testou e viu Nestha enrijecer na cadeira em que estava. Ela sorriu ainda mais largo. – Mas eu ainda não tenho um motivo forte o suficiente para permanecer em um lugar. Hoje me considero uma força da natureza.

- Quanto mais gente você deixa entrar... – Falou Cassian e ela fechou o sorriso, ficando séria instantaneamente. Cassian não completou sua frase, pois Amren o cutucou.

- Deixe-a em paz. – Ela reclamou. – Ainda não quero que ela vá.

- Bom, tenho um motivo para ficar por mais tempo agora, já que vou treinar as moças. – Ela disse com um sorriso enorme novamente no rosto.

- Espero que encontre mais motivos para ficar de vez. – Disse Cassian também sorrindo. Ele sabia que Nestha estava irritada e sabia que Aideen também havia percebido e iria questioná-lo depois e ele não sabia o que diria. Cassian notou algumas sombras de Azriel se moldando e se esticando, se afastando do encantador e se aproximando da fêmea. Por trás dela. Aideen percebeu apenas quando uma fita se enrolou em seu braço, fazendo cócegas frias. Ela olhou ao seu redor e viu outras sombras testando sua recepção. Ela riu e olhou o encantador, enquanto mais sombras moldavam ao redor dela. As cócegas a faziam rir.

- Azriel! – Disse Feyre.

- Não sei o que está acontecendo. – Ele disse. – Elas estão fazendo isso por conta própria. – Ele falou. Aideen riu mais uma vez.

- Chega! – Ela disse firmemente em meio a uma risada. As sombras pararam dançando e recuaram para o encantador.

- Como você? – Ele perguntou. – Elas só obedecem a mim. – Aideen deu de ombros. Ela continuava sorrindo. O sorriso era fácil para ela.

- Rhys, porque mantem sua parceira em um escudo de Helion?

Os dois se entreolharam e ele baixou o escudo. Quando ela farejou o ar a surpresa e a maravilha a encantou.

- Vocês estão esperando um bebê. – Ela disse se levantando e correndo para abraçar o amigo. Em seguida abraçou a jovem feérica também. – Meus parabéns! – Feyre sorriu e a abraçou de volta.

- Nós não estamos contando para muita gente.

- Oh! Não se preocupe. Prometo não contar a ninguém. – Ela jurou. Feyre sorriu ainda mais largo. – Certo, Rhys. Se vou ficar aqui, preciso trabalhar, até porque tenho que comer e me hospedar.

- Você vai ficar aqui. – Ele disse. – E seu trabalho é treinar as fêmeas que quiserem – Ela sorriu.

- Mesmo assim quero mais um trabalho. – Ela disse. – Treinamento pela manhã, ainda assim tenho a tarde e a noite livres. Sabe que sou confiável. Pode me dar qualquer trabalho.

Rhysand riu.

- Você continua a mesma. – Ele brincou.

- Esperava que eu tivesse mudado?

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Mas o dia seguinte não poderia ter começado pior. Algo havia acontecido com Nestha e Cassian. E nenhum dos dois apareceram para o treinamento. Azriel não deu detalhes. Disse que explicava depois. Os dois conduziram o treinamento daquela manhã. Se iriam transformar aquelas mulheres em Valquírias, teriam que sincronizá-las. Por isso, as sete passaram a treinar juntas. As rotinas de exercícios se intensificaram e Aideen misturou aos exercícios Illyrianos de Azriel, técnicas puramente Valquíria. A combinação final parecia boa. Criaram diferentes rotinas que as 7 repetiam por três horas todas as manhãs. No final quarto dia de treino, As espadas foram introduzidas. De madeira, para evitar acidentes trágicos. Aideen ensinou técnicas das Valquírias para o manejo perfeito das espadas. Azriel prestava atenção aos movimentos. Ela sabia que ele tentaria depois.

Ao final do treino. Ela e Azriel foram encontrar Rhys na casa do rio.

- Tenho algo para você. Preciso de algumas informações da outonal. – Ela arqueou a sobrancelha. Feyre estava ali também. Havia tensão no ar.

- Ok! Ainda tenho meus amigos dentro do palácio. – Confusão nublou o semblante da grã senhora. – Sou descendente da Outonal, Feyre. Na verdade, sou irmã de Beron. Uma irmã fora do casamento, mas ainda assim... – O queixo de Feyre caiu e ela levou a mão à barriga. – Oh, não se preocupe. Eu não tenho nada a ver com meu irmão. Por mim, aquele monstro estaria morto há muito. Ele me caçou por um século antes de entender que eu realmente não queria o trono dele e me deixar em paz depois que me estabeleci com as Valquírias.

- Oh! Não fazia ideia. Vocês são tão diferentes.

- Ele puxou para a mãe dele e eu para nosso pai, fisicamente falando. – ela fez uma careta. – O homem era um carrasco, mas era melhor que Beron, como grão senhor e como marido. Beron o matou quando ele cogitou se aliar ao pai de Rhys contra as Cortes e Hybern na guerra. O matou porque não queria abrir mão dos escravos humanos. – Desprezo nublou suas feições. – Mas a mãe de Beron era uma péssima senhora e uma verdadeira megera. Criou o filho muito mal. Minha mãe me escondia dela em suas saias. – Ela riu. As sombras de Azriel estavam fazendo cócegas e girando nela outra vez. – O que exatamente precisa que eu descubra?

A converso durou mais alguns minutos enquanto Rhys explicava. Naquela tarde mesmo, Aideen partiu em seu Pégaso.

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Estava escuro quando Aideen voltou para Velaris. Ela deixou Haven livre e entrou direto para o quarto que estava ocupando. Iria até Rhys pela manhã falar tudo o que havia descoberto. Agora ela estava cansada e se deitou ainda com suas roupas justas de couro que usava para treinar e para viagens de missões. Caiu no sono em questão de minutos.

O cenário era diferente. Amil e Cariby riam alto. – Amanhã será um dia decisivo. Quero rir até não poder mais hoje. Não sabemos se voltaremos amanhã.

- Ainda não sou totalmente a favor dessa ação. - Disse Caroll. Aideen levantou a sobrancelha e sua rainha surgiu ao seu lado.

Todas se endireitaram.

- Caroll, já conversamos sobre isso! Temos que cumprir essa missão. Os Illyrianos nos acompanhando ou não.

- Eles não vão. – Ela retrucou. A rainha enrijeceu e apertou os olhos.

- Um deles vai. – Disse Amill. Todas a olharam. – Cassian. Aideen, Cassian vai por você. – Aideen fechou o rosto.

- Ele não vai.

- Como sabe? – Ela perguntou. – Ele se importa com você.

- Se os Illyrianos não nos acompanharem, isso é uma missão suicida. Não vou permitir que Cassian esteja envolvido nisso. – Ela assegurou. O maxilar firme. – Mas sei que precisamos fazer isso. O arsenal é grande demais. Não teremos chance na guerra com ele intacto. Precisamos destruir e ainda atrair a atenção para essa frente, liberando o flanco traseiro.

- Muitas morreremos amanhã. – Disse a rainha. – Sim, irei com vocês até onde me for permitido pela mãe e pelo caldeirão.

As cenas mudaram para o momento em que atacaram em seus Pegasus, umas há uma caindo devagar. Aideen chegou ao Arsenal com Cariby. As duas destruíram tudo o que foi possível. Terminando com uma explosão de fogo. Seu próprio poder herdado do pai. Enquanto tudo se consumia as duas tentaram voltar para seus Pegasus, mas foram interceptadas. Cariby gritou que ela fosse. Iria segurar o máximo possível, mas ela se recusou. Lutando bravamente, foi apenas quando Cariby caiu ao seu lado que Aideen correu. Ela subiu no Pegasus e voou para longe. A chuva de flechas passou por ela sem atingir graças a coluna de fogo que ela montou como escudo. Nenhuma das guerreiras voltou além dela. Todas mortas. Aideen acordou em uma cama completamente molhada de suor. A lareira brilhava no quarto. Sua garganta doía. Ela havia gritado. Aideen encostou o rosto no travesseiro e gritou e chorou com o rosto enfiado ali. Era culpa dela. Todas aquelas mortes. Ela ordenou aquele ataque. Ela planejou cada movimento. Ela sabia que teriam baixas, mas nunca imaginou que todas as Valquírias seriam exterminadas. Seus anéis da irmandade enviados no dia seguinte pelo seu irmão cruel. Ele fez questão de recolher todas. Aideen ainda guardava os mais de 1000 anéis de suas irmãs. Na sede das Valquírias, mas nunca mais voltara lá. Não havia ninguém para quem voltar. A dor fincava garras profundas em seu peito e ela gritava com o rosto no travesseiro. Era nesses momentos que ela queria estar morta. Era nesses momentos que ela tinha vontade de alcançar a adaga que ficava na coxa e enfiá-la na própria coxa e nos pulsos. Uma morte lenta, dolorida. Como ela merecia.

Nesses momentos ela se arrependia de ter prometido a Cassian que viveria, que tentaria. Ela vinha tentando. Havia 500 anos ela vinha tentando. A dor nunca diminuiu. Nunca foi embora. 500 anos de dor e culpa sem fim que não acabavam mais.

Ela se levantou, limpou o rosto e saiu do quarto. Precisava treinar. Ainda estava nos couros. Precisava extravasar a energia da dor de alguma forma. Ela subiu silenciosamente. Ao chegar ao ringue, encontrou Azriel praticando o exercício que ela havia passado para as fêmeas pela manhã. Ela não conseguiu sorrir. Ia sair quando ele se virou em sua direção. As sombras dançando ao seu redor.

- Você está bem? – Ele perguntou. Ela se surpreendeu. – Parece sentir dor.

- Eu tive um pesadelo e quis vir treinar. – Ela falou séria. Ele assentiu.

- Eu estava praticando o que ensinou pela manhã. – Ele disse. – Se eu puder incorporar algumas coisas, talvez me torne um guerreiro melhor.

- Um Illyriano renascido. – Ela brincou com o nome que as moças se deram. Ele torceu o rosto, mas sorriu. – Repete e eu te digo como está.

Ele fez os movimentos e ela corrigiu alguns detalhes. Mas ele era bom em prestar atenção e absorver. Em seguida ela pediu que ele lhe ensinasse técnicas Illyrianas e os dois passaram a hora seguinte com ela repetindo movimentos. Azriel não podia deixar de olhar seu corpo nos couros apertados. Ela era linda. As sombras dançaram e se aproximaram dela outra vez. Azriel viu o delinear de suas coxas fortes enquanto ela executava um movimento com a espada. A forma como seus pés se mexiam e faziam suas nádegas se destacarem. Seus seios, eram grandes e ela era alta. Azriel tentou controlar o pensamento enquanto a examinava realizar os movimentos. Ela tinha raiva nos músculos. Raiva sendo liberada. E Ele pensou em toda essa raiva sendo liberada na cama. Com ela em cima dele. Ele controlou os pensamentos antes que seu cheiro se alastrasse. E ela saberia que ele estava se excitando ao olha-la. Ele corrigiu um movimento e logo ambos pararam para beber água.

- Você sempre se exercita as 4h da madrugada? – Ela perguntou.

- Apenas quando preciso liberar algum estresse. – Ela assentiu. Compreendia o que ele estava falando. – E você?

- O mesmo! – Ela encheu um copo e o entornou. – Mas isso acontece quase todas as noites.

Ele achou melhor não perguntar. Se ela quisesse falaria.

- Então... Vou entender toda a confusão envolvendo Cassian agora? – Seu olhar a estudou e os dois começaram o resfriamento.

- A gravidez de Feyre é de alto risco, pois o bebê tem asas como as nossas e a anatomia pélvica de Feyre não permite a passagem das asas. Rhys estava escondendo de Feyre para não deixa-la preocupada. Cinco dias atrás Nestha teve uma espécie de desentendimento com Amren e Feyre foi até lá para apartar. Nestha jogou a verdade em Feyre e correu. Rhys irritado mandou Cassian levar Nestha da cidade. – Sua sobrancelha estava arqueada. – Feyre já os mandou voltar, mas Cassian acha que fará bem a Nestha permanecer onde estão por alguns dias.

- Por isso a tensão ontem de manhã no escritório. Feyre está irritadiça. Presumo que todos sabiam menos ela. – Ele assentiu. – Não a culpo por estar irritada. – Ele sacudiu a cabeça pesaroso. Ele também não culpava. – Qual o problema com Nestha?

E Azriel explicou tanto quanto sabia. Ao final ela assentiu novamente.

- É o trauma, sabe? – Ela disse. – Eu já vivi 1200 anos, estive com muitas pessoas, sofri muitas perdas e vi muita gente sofrendo perdas. O trauma se manifesta diferente para cada um. A irritabilidade, a vontade de machucar... Nem a própria Nestha deve entender. Claro, não posso dizer o que se passa na cabeça dela. Mas eu entendo um pouco do trauma e se o que ela passou a marcou de formas profundas que não entendemos, ela pode estar apenas buscando uma forma de extravasar a dor que se acumula dentro dela. Eu extravaso ali. No ringue, mas eu não estive cercada de gente quando eu me afundei em dor mais intensamente. – Ela nunca falara de sua dor tão abertamente. – Às vezes, ela pode só, precisar de um apoio. Uma base forte. Que ela saiba que estará lá para apoiá-la e impedir que ela se estatele no chão. E Cassian? O que há entre eles?

- Isso eu não sei. – Ele disse e era sincero. Parcialmente. – Não sei se é apenas físico. Ou há algo mais. Algumas vezes penso até que pode haver parceria ali, mas ele nunca falou sobre o assunto e eu não perguntei.

- Ela com certeza tem ciúmes dele. – Disse Aideen, lembrando de sua chegada. – Ela me mediu de cima a baixo quando cheguei. – Azriel sorriu com apenas um canto da boca. Uma covinha surgindo em sua bochecha.

- E você...? E Cassian...? – Ela entendeu a pergunta dele, mas negou.

- Tivemos um relacionamento 500 anos antes, um relacionamento de batalha, físico e que depois evoluiu para um sentimento mútuo de amor e carinho. Amo Cassian, sim, mas não mais como interesse romântico. – Ela disse sem sorrir agora. Azriel assentiu.

- Você não sorri tanto agora. – Ele observou. Não era uma pergunta, mas ela respondeu mesmo assim.

- Meu sorriso é uma blindagem. Se eu estiver sorrindo não estarei mal. Tem funcionado nos últimos 500 anos. – Ela disse. – Mas em alguns momentos os sorrisos simplesmente não vem. – Ela tinha chorado antes de chegar ali. Azriel havia visto seus olhos inchados. Suas sombras serpentearam em direção a ela.

- Mas que porra! – Ele praguejou e ela riu enquanto as sombras faziam cócegas em seus pés descalços e em seu pescoço. Azriel sorriu ao entender a satisfação que veio das sombras. – Oh! Elas querem te fazer sorrir.

- Deu certo! Podem parar! – Ela gritou gargalhando alto. Ela caiu deitada no ringue enquanto as sombras mergulhavam de volta para Azriel. O sorriso permaneceu no rosto dela. Az estendeu a mão, mas ao invés de ela subir, o puxou para baixo e ele caiu deitado ao seu lado. O céu salpicado de estrelas acima. – Eu adoro olhar as estrelas. – Ela murmurou baixinho. Os dois ficaram ali por muito tempo, observando o céu mudar. No horizonte o sol começou a nascer, clareando devagar tudo em seu caminho. Azriel olhou para o lado, ao perceber uma mudança na respiração dela e viu que ela havia dormido. Ele sorriu admirando-a em seu sono. As sombras sussurraram e ele levantou a pegando no colo e levando-a para seu quarto. Ela ainda poderia dormir por 4 horas, antes das outras chegarem para o treinamento. Ele a cobriu e depois foi para sua cama e também dormiu.

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- Bom dia! – Azriel cumprimentou enquanto entrava na sala de jantar. Aideen já estava sentada e comendo. Usava um vestido. O que sugeria que ela não pretendia suar, hoje. Ele sorriu. Cassian havia voltado e tomava café da manhã ao lado de Aideen. – Onde está Nestha?

- Aqui. Bom dia, Azriel. – Ela disse. – Bom dia! – Cumprimentou os outros. Aideen sorriu e respondeu para Az e Nestha. Os dois e sentaram um ao lado do outro. Sua comida magicamente aparecendo.

- Não vai treinar hoje? – Azriel perguntou para Aideen.

- Na verdade, estava me perguntando se você está muito ocupado. – Ela respondeu com um sorriso meigo. – Eu dormi demais e preciso ver Rhysand e Feyre.

- Quer que eu guie o treino? – Ela assentiu. – Sem problemas.

- Vou passar a rotina antes de ir. Só precisará manter. A mesma que fizemos ontem. – Ele sabia que era a que eles fizeram enquanto treinavam de madrugada.

- Quando vocês dois ficaram tão próximos? – Perguntou Cassian que avaliava o ping pong entre os dois.

- Ciúmes? – Perguntou Azriel. Aideen revirou os olhos, mas sorriu e Nestha ficou tensa.

- Quando fomos deixados sozinhos por cinco dias. – Respondeu a fêmea dando língua em um movimento infantil para Cassian. Ele apertou seu nariz sendo tão infantil quanto. Azriel riu. – Estamos atrasados. – Ela comentou terminando de engolir sua porção de ovos e mingau e levantando. Azriel engoliu sua parte rapidamente assim como Nestha, Cassian já de pé. Os quatro foram para o ringue onde As sacerdotisas e Emerie já os aguardavam. Rhys havia acabado de trazer a fêmea. Enquanto elas aqueciam sobre as ordens de Cassian e Azriel. Todas juntas. O que foi uma surpresa para Nestha e Cassian. Aideen foi até o grão senhor.

- Você espera eu passar a rotina de hoje e então te acompanho até a casa. Coletei o que você queria – Ele sorriu para ela e assentiu. Ambos foram para o ringue. – Olá, moças. Bom ter todas vocês juntas. Como podem perceber, agora estão todas niveladas. Ontem treinamos com espadas, mas hoje, faremos treino duplo. 2 horas de corporal 1 hora de espadas. Rotina 4, 7 e 5, três vezes seguidas. Pausa. Rotina 2 e 3, repete. Pausa. E volta do início. Por duas horas. Pausa regulares, bebam água. No treino de espadas quero o movimento 5 illyriano, combinado com a rotina 6 de espadas da valquírias. Oito pontas Illyriano e círculo 3 valquírias. – Ela fez uma pausa. Foi até a parede de espadas e pegou uma. Voltou ao centro do ringue eu seu vestido longo azul claro e fluido. Descalça ela executou os movimentos com a espada conforme havia falado. – Azriel! – Ela chamou o macho. Ele estava ao seu lado e outra vez os dois executaram a mesma sequência de movimentos juntos, como se fosse um duelo. O vestido flutuando não a atrapalhava e tornava a cena ainda mais bonita. Ela delicada e bela, executando seus movimentos com perfeição, destreza e força e ele em trajes de couro Illyrianos igualmente focado na execução perfeita dos movimentos. Ela sorriu ao fim da segunda repetição e parou. Rhys tinha as sobrancelhas arqueadas quando ela desceu do ringue. As jovens foram começar sua seção e Aideen e Rhys se foram juntos pelo céu.

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Aideen estava em Velaris fazia uma semana exatamente. Nestha tinha um preparo físico excelente e pegava os movimentos rapidamente. Em apenas dois dias de treinos ela já tinha todos os exercícios e rotinas gravados.

- Moças! – Disse Azriel naquela manhã. Aideen sorriu para ele. Os dois haviam compartilhado um momento bom uma noite anterior e ela sabia que ele tinha colocado ela na cama. Aideen desviou o olhar para as 8 moças na beira do ringue. – Hoje nós iremos fazer algo diferente.

Um circuito tomava conta de todo o ringue. Aideen sorriu e foi para o lado do encantador.

- Ser uma Valquíria é mais do que lutar individualmente. Devo dizer que vocês estão incríveis. São todas muito boas e estão em excelente forma física. – Ela falou. – Mas agora chegou a hora de trabalharem em conjunto.

- Mas nós machamos e fazemos exercícios juntas. – Disse Gwyn. Aideen sorriu e Azriel afiou os olhos com um sorriso de canto.

- Acha que é o suficiente? – Ele perguntou. – A tarefa de vocês é simples. Atravessem o circuito em duplas ou trios. – Aideen alargou ainda mais o sorriso e Cassian se juntou aos dois.

- O que a gente ganha por chegar do outro lado? – Perguntou Gwyn.

- Nós não nos preocupamos com garantir um prêmio. – Ele disse.

- Porque sabemos que vocês não vão conseguir. – Completou Cassian. Gwyn estreitou os olhos e Aideen riu ao dar tapinhas nos braços dos dois machos.

- Vocês são terríveis. – Gwyn pegou o braço de Nestha e Emerie e as puxou para a pista. O primeiro dia de circuito terminou com muitos roxos e 1/5 do caminho percorrido.

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- Jantar na casa do rio. – Disse Cassian. – Vamos!

- Nestha não vai? – Aideen perguntou. Estavam apenas os dois ali em cima. Azriel estava sabe deuses onde e Nestha estava na biblioteca ainda.

- Não. Ela nunca participa dessas coisas. – Aideen o olhou.

- Tá bem! Qual é a de vocês dois? – Ela perguntou. – Tentei ficar de fora, mas eu tô vendo que você está sofrendo, então desembucha.

- Aideen, eu a amo. – Ele disse e havia dor em seus olhos. – Sei que ela sente algo por mim também, mas não sei até que ponto ela está disposta a aceitar. Ela é minha parceira, eu tenho certeza disso.

- O laço já encaixou? – Perguntou a morena.

- Não. Eu acho que não, mas... – Ele fez uma pausa. – Eu soube desde a primeira vez que a vi.

Aideen sorriu e pegou a mão do amigo.

- Então tenha calma. – Ela disse. – Azriel me contou um pouco sobre a história de Nestha e entendemos em parte seus motivos para estar assim. É a forma que ela encontrou de enfrentar os próprios demônios. Você não perde mais ninguém, se você não deixa ninguém entrar.

- Você acabou de chegar. – Ele disse. – Como pode entender Nestha melhor do que nós, melhor que as irmãs dela?

- Eu tenho 1200 anos, Cassian. – Ela disse. – E passei por muitos traumas ao longo da vida. Sei bem como lidar com eles a minha maneira. Nestha e as irmãs são apenas meninas, Cass! Feyre pode ser sua senhora, mas tem apenas 21 anos. Elain tem 24. Elas experimentaram muita dor em tão pouca idade, mas não aprenderam sobre a dor dos outros.

- Amren também é mais velha, mas não a entende.

- Amren é diferente de nós. Sabe disso. – Ela explicou. – Amren lida com a “dor” de uma maneira diferente.

- Entendo! – Ele disse. – O que você sugere?

- É difícil ajudar alguém que não quer ser ajudado. – Ela falou. – A forma como vocês obrigaram Nestha a vir aqui, treinar e trabalhar... pode não ter sido a melhor saída. Mas vamos ver como ela se sai. Agora, Cas... além de ocupar a mente e o corpo. Ela precisa saber que seu coração está seguro. Está bem guardado. Que ela tem carinho e apoio. Eu sinceramente não vi ninguém oferecer isso a ela. Vocês dois claramente estão transando, mas é só isso? Só sexo?

Cassian continuou pensando nas palavras de Aideen por todo o caminho que a carregava até a casa do rio.

- Boa noite! – Cumprimentou Aideen ao entrar na sala comum onde estavam reunidos.

- Oi Aideen! – Disse Feyre.

- Garota, você é uma artista incrível. – Ela comentou. Feyre sorriu e agradeceu.

- AIDEEN! – Gritou Mor, que estava sentada em uma poltrona de frente para Feyre.

- MOR! – Aideen correu para abraçar a mulher. Mor era alguns centímetros mais baixa que ela e a abraçou pelo pescoço. – Senti sua falta, loira!

- AH, nem me fale! – Ela disse. – Sinto falta de todas vocês. Todos os dias. – Aideen sorriu ainda sem soltá-la.

- Aideen, Azriel estava nos contando sobre o treinamento. – Disse Rhys. – O que você tem achado? Já foi mais de uma semana e agora são três dias com Nestha...

- Rhys, minha irmã não é um cão raivoso. – Disse Feyre. Elain também olhou feio para ele. Rhys sorriu e Aideen percebeu que ele estava brincando.

- Elas são realmente boas, Rhys. – Ela disse. – Se acham um pouco demais, mas acredito que pode ter algo a ver com Cassian sendo seu instrutor.

- Ah! Com certeza tem a ver com isso! – Disse Azriel. Aideen riu ao olhá-lo pela primeira vez desde que chegara.

- E você não, né?! – Disse Cassian. – Azriel o retrato da humildade.

- De qualquer forma, elas precisam de trabalho em equipe. Ainda não sabem muito bem o que é isso! – Continuou Aideen, rindo da implicância dos dois. – Vocês tinham que ver o tanto que apanharam hoje no circuito.

Aideen reparou que Elain ficara cabisbaixa e olhara para o chão. Ela estava triste.

- Elain? – Ela chamou. A menina a olhou. Usava um vestido rosa. – Você luta? – Ela arregalou os olhos e sacudiu a cabeça surpresa.

- Elain desferiu o golpe que matou Hybern antes de Nestha completar o trabalho. – Disse Azriel, orgulhoso. Aideen franziu o cenho em um sorriso de canto.

- Mas eu não luto. – Disse a menina. – Nunca treinei, nem nada do tipo. As lutadoras sempre foram Feyre e Nestha. Eu só cuido dos jardins. – Ela falou aquilo com certa tristeza nos olhos apesar do sorriso nos lábios. Aideen fez uma nota mental de conversar com ela depois. Aideen assentiu e Rhys chamou todos para a sala de jantar.

Mor ainda não largara a cintura de Aideen. Então as duas andaram juntas até a sala de jantar.

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- O solstício está chegando... – Disse Rhys. – E Eris está vindo para o baile na corte dos pesadelos.

- AH não! – Disse Feyre.

- Ele é nosso aliado. Temos que demonstrar nosso respeito por ele.

- Não podemos mandar um presente e escrever uma cartinha com nosso amor. – Perguntou Feyre.

- Não, querida. – Disse Rhys com um sorrisinho. Feyre bufou.

- Como grã-senhora, você deveria dançar com Eris, mas nas suas condições, não chegará a 5 metros dele. – Disse Rhys. Feyre levantou uma sobrancelha. – Alguém precisará dançar com ele. Alguém que seja próximo.

- Eu faço. – Disse Elain. Todos a olharam. Mais uma semana havia se passado de mais treinos e treinos para as fêmeas no palácio de vento e dessa vez Nestha decidiu ir ao jantar na casa da cidade, após recuperar mais um dos trove. – Não sou uma completa idiota, posso fazer isso. – Aideen sorriu da determinação da garota.

- Não! – Disseram Nestha e Feyre juntas. Elain se encolheu. – Eu faço. – Disse Nestha.

- Nestha, isso é mais do que apenas uma dança. Precisa conquistar Eris, deixá-lo seguro de nossa lealdade. – Disse Rhys.

- Vocês não me deixaram ajudar na busca pelos trove e mais uma vez me colocam de lado na tentativa de ajudar vocês, de ajudar minha casa, eu também faço parte dessa corte. – Protestou Elain. Todos a olharam novamente. A garota nunca falara algo assim antes. Aideen sorriu ainda mais largo. Mas seu protesto foi ignorado quando Cassian saiu em defesa de Nestha.

- Você não pode estar falando sério. – Disse Cassian. – Quer que Nestha seduza Eris? Deixe Elain ajudar.

- Por que tem que ser Elain a fazer isso? – Perguntou Azriel. Aideen o olhou surpresa. Os dois haviam treinado todas as noites na última semana e estavam mais próximos, mas ela não o vira ser protetor ainda. Parecia sentir algo pela jovem.

- E por que tem que ser Nestha? – Disse Cassian.

- Chega dessa discussão. – Disse Nestha. Cassian olhou indignado para ela. Ele se sentia traído. Aideen olhava entre os três. – Eu vou fazer isso! O que preciso saber?

- As danças tradicionais, Mor pode ajudar você com isso. – Disse Rhys. Nestha assentiu.

- Aideen sabe mais sobre as danças tradicionais da outonal. – Disse Cassian contrariado. Aideen levantou uma sobrancelha para ele. – Ah, qual é?! Você cresceu lá. Por que não pode ser Aideen a dançar com Eris? – A sobrancelha de Aideen só faltou saltar da testa.

- Não! – Disse Azriel. Cassian o olhou com as sobrancelhas erguidas. – Aideen não. – Todos olharam para ele e sua bochecha corou. Aideen sorriu e atraiu a atenção para si.

- Cass, eu faria isso tranquilamente. Sabe disso, não é?! – Ela falou segurando a mão do amigo. – Mas eu não sirvo aos propósitos de vocês. Precisam de alguém que seja daqui. Alguém que seja tão ligado a corte noturna, que se confunda com Feyre. – Ela fez aspas na palavra confunda. – Tem que ser uma irmã dela. Nestha ou Elain. Eu só não entendo por que não pode ser Elain.

- Elain não está acostumada a política entre cortes. – Disse Feyre.

- Com todo respeito, Feyre. – Disse Aideen. – Como espera que ela aprenda, se não a deixam praticar?

Elain a olhou agradecida. Feyre não respondeu.  

- Dessa vez será Nestha, então. Quero que saiba que tem escolha. Não precisa aceitar. Você tem escolha, sempre terá escolha aqui. – Disse Rhys. Nestha o olhou, ela tinha um olhar culpado, mas assentiu.

- Farei isso! – Ela disse. Ele assentiu de volta.

- Tem um mês para praticar. – Disse Rhys. Cassian ainda estava irritado. E assim que o jantar acabou, levantou e saiu da casa deixando Nestha para trás. Azriel suspirou fundo.

- Az, leve Nestha pra casa, por favor! – Ela pediu colocando a mão no ombro dele. Antes que o macho saísse atrás do amigo. Ele olhou para Nestha de pé na porta, olhando por onde Cassian tinha ido. Assentiu e foi até ela tocando em seu ombro. Logo os dois estavam voando.

- Ela gosta de Cassian, né? – Aideen se virou ao ver Elain falando em seu ombro. Ela levantou as sobrancelhas. – E Az gosta de você.

- De mim? Acho que não. Somos amigos. – Ela explicou, não quis dizer que achava que Azriel gostava era dela. – Mas Nestha gosta sim de Cassian. Eles só não estão prontos ainda, eu acho. – Ela deu de ombros. – Não quero me meter muito. E você, quer caminhar? – Ela perguntou para a jovem. Elain assentiu e vestiu um sobretudo pesado, Aideen fez o mesmo. As duas saíram de braços dados. – Não tivemos muito tempo para nos conhecer, né?

- Sim! Sei muito pouco sobre você. – Disse Elain. Aideen sorriu.

- Eu era uma Valquíria. Uma princesa valquíria e isso significa que eu comandava exércitos. – Ela explicou. – Durante a grande guerra, 500 anos antes, eu bolei uma estratégia de batalha que eu sabia ter grandes chances de dar errado, mas que precisava ser executada da mesma maneira. Nossa rainha concordou. Então liderei nossa legião de 300 fêmeas guerreiras para a guerra. Bom, somente eu sobrevivi, graças ao sacrifício de uma grande amiga. – Ela engoliu em seco.

- Minha nossa! Eu sinto muito! – Disse Elain.

- E você? Me conte sobre você.

- Eu sou a irmã do meio de três irmãs e sempre fui a protegida de Nestha. Deixei Feyre entrar na floresta para caçar para nós quando ela tinha 14 anos, sei que Nestha se culpa por isso, mas eu também estava lá. Eu devia ter impedido minha irmã caçula de fazer isso. Devia ter encontrado uma forma de sobrevivermos. – Ela explicou. – Estava noiva de um humano quando fomos arrastadas para o caldeirão. Eu passei por um período muito difícil depois disso e sou fraca demais, quase causei a morte de Azriel e Feyre por minha estupidez. Sempre fui mais fraca do que Nestha e Feyre.

- Como assim quase causou a morte deles? – O coração de Aideen errou a batida.

- Fui seduzida pelo caldeirão durante a guerra. – Ela explicou. – Saí da tenda no meio da noite e fui atrás da voz de meu noivo humano. Era como se ele estivesse lá. – Ela fez uma pausa e engoliu em seco. – Azriel e Feyre foram me salvar. Ele teve as asas destruídas, não deveria nem ter lutado na guerra, pois ainda se recuperava. Por isso eu estava com a reveladora na hora que Nestha e Cassian precisaram de mim. Ele tinha me dado, pois não iria lutar, mas lutou.

- Não acho que você seja fraca. – Aideen sorriu. – Você me parece ser muito forte. Só não sabe como se impor ainda.

- Como assim?

- Vi a forma como você se impôs hoje na mesa. Ou tentou. – Ela disse. – Eles descredibilizam você por uma máscara que eles mesmos impõe a você. Você não é fraca, garota! É apenas destreinada. E se você quiser provar que é mais que isso, posso te ajudar. Quero te ajudar, Elain. Quero que você descubra seus poderes e consiga utilizá-los, mas também que saiba se defender sozinha.

- Por que? – Ela perguntou parando a caminhada.

- Adoro ver garotas delicadas, que foram vestidas por terceiros com a imagem de fragilidade, finalmente saindo da jaula. – Disse a garota. Elain a olhou fixamente. – Você é mais do que uma jardineira, menina. Muito mais. – Elain corou e deu um pequeno sorriso pra ela.

Elas concordaram em treinar todos os dias ao pôr do sol por duas horas, na antiga casa de Feyre. Onde ninguém as veria treinando.

Aideen deixou Elain em casa e atravessou até a escada que levaria para a casa dos ventos. Ela correu os 10000 degraus para cima. Encontrou Nestha no degrau 5000.

- O que está fazendo aqui? – Perguntou Nestha.

- Estava andando com Elain. – Ela explicou. – Agora estou voltando para a casa.

- Como consegue correr todos os 10000 degraus para cima? – Ela perguntou. Aideen sorriu.

- 1000 anos de treinamento Valquíria. Não desista!! Você também vai conseguir logo, logo. – Ela desviou e continuou sua corrida para cima. Quando abriu a porta deu de cara com Cassian encostado na parede do outro lado da porta. – Esperando Nestha? Foi você que a mandou descer?

- Não! Ela colocou na cabeça que precisa fazer isso.

- Ótimo! Deixe-a fazer. É bom para o treinamento dela. – Ela sorriu e seguiu pelo corredor.

- Em que degrau ela estava?

- Metade do caminho. – Ele sorriu e acenou.

Aideen foi direto para o ringue. Azriel já estava lá. Os dois vinham estabelecendo essa rotina de treinar todas as noites por duas horas.

- Oi! – Ela cumprimentou o macho que fazia abdominais.

Ele parou e a olhou. Enquanto ela caminhava até ele.

- Não quis dizer que você não poderia fazer se quisesse. – Ele disse. E ela sabia que ele se referia a sugestão de Cassian de que ela deveria dançar com Eris. – É só que...

- Está tudo bem! Você não precisa me explicar nada. – Ela garantiu e ele assentiu, voltando aos seus exercícios. Aideen começou a aquecer e alongar e logo estava com ele criando rotinas para os treinamentos.

- Você tem um condicionamento físico invejável. – Aideen sorriu e corou com o elogio de Azriel.

- Obrigada! Você também! – E era verdade! Ele sempre podia acompanhá-la. Os Illyrianos normalmente era mais fracos que as Valquírias, mas não Cassian e muito menos Azriel.

- Aideen, posso fazer uma pergunta?

- É claro! São poucas as coisas que eu não responderia para você. – Ela disse.

- Valquírias usam mantos e joias de poder, não usam? Semelhantes as dos Illyrianos. – Ele tocou a joia em sua mão.

- Usamos! Mas diferente de vocês, nossas joias não são essenciais em nossa vida. Nós podemos canalizar nossa magia mais facilmente. As joias servem para aumentar nosso poder apenas.

- E você não as usa? – Ela olhou as estrelas e engoliu em seco. – Não precisa falar.

- Não, tudo bem! – Ela o olhou. – Acabei de contar isso para Elain. Posso te contar também. Eu era uma princesa Valquíria, era não, sou. Isso significa que eu comandava os exércitos. Eu bolei a estratégia que nos dizimou. Todas sabíamos que muitas morreriam, mas não esperávamos que fossem tantas.

- Se sabiam, por que foram? – Ela olhou para o céu outra vez. Elain não perguntara isso. Ninguém nunca perguntara isso.

- Os Illyrianos estavam em duas frentes naquela batalha. Metade conosco e a outra metade estava espreitando a fonte. Rhys estava nesse batalhão. Cass estava conosco. O batalhão de Rhys precisava atacar a fonte. Eram muitos humanos, o maior reduto de humanos escravos de Prythian. – Ela engoliu novamente. – Soubemos que o batalhão inimigo que estava entre o de Rhys e o nosso descobriu sobre eles e iriam investir. Eles tinham armamento muito pesado e eles não conseguiriam aguentar a investida e ainda resgatar os humanos. O batalhão illyriano que estava conosco não queria atacar conosco na calada da noite, Cassian era estúpido o bastante para desobedecer as ordens. Nós não podíamos deixar amanhecer, tinha que ser durante a madrugada, pela manhã poderia ser tarde demais. Bom, nós atacamos. Conseguimos destruir sua sede e assim impedir que eles atacassem Rhys.

- Cassian não foi com vocês, ele disse que ficou preso. – Disse Azriel e Aideen o olhou culpada. – Você o entregou. – Ele disse surpreso.

- Eu não podia deixar Cassian morrer! Eu sabia que ia ser feio! E aquele Cassian ainda nem era tão bem treinado quanto hoje. Eu não podia permitir, Azriel. – Ela fechou os olhos. – Eu daria minha vida pelo Cassian.

- Tenho certeza que ele faria o mesmo por você.

- Eu também, por isso eu não podia permitir. – Ela disse voltando a olhá-lo. – Ele não sabe que fui eu. Deve desconfiar, mas nunca soube com certeza.

- Não vou contar. – Ele disse.

- Obrigada! – Aideen se inclinou para ele e encostou a cabeça em seu ombro. – Você é um bom amigo. Enfim, é por tudo isso que não uso meu manto, meu anel e minhas joias de poder. Após a morte, Beron recolheu todos os anéis da irmandade e enviou para mim. Eu me senti suja, indigna do manto e da honra de usar os mesmos anéis e joias que minhas irmãs usavam. Levei tudo para a sede e tranquei lá. Nunca mais voltei desde então. E deixei os meus lá também. De certa forma, mesmo depois de 500 anos, ainda não estou curada, eu acho. Gosto de ver Nestha lutando, me estimula a lutar também.

- Entendo. – Ele fez carinho na cabeça da fêmea que ainda estava em seu ombro. Foi o ato mais carinhoso que ela já vira de Azriel. Ela sorriu.

- Vamos dormir? – Perguntou depois de alguns minutos naquela posição.

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Algumas semanas de treinamento fizeram muito pelas fêmeas que treinavam para se tornar Valquírias. A determinação delas, também motivava Aideen. Elain também estava treinando todos os dias no último mês e ela também começara a desenvolver melhor seu preparo físico, agora estava trabalhando em uma rotina mais pesada, seus músculos estavam mais forte e torneados, só que como ela estava sempre em seus vestidos delicados e soltinhos, ninguém nunca percebia. Ela era boa! Aprendia rápido e tinha força. Os treinos com os poderes dela não foram deixados de lado, então elas treinavam uma hora fisicamente e uma hora com os poderes, todos os dias no final da tarde, rigorosamente. Aideen estava que agora treinava 3 horas pela manhã, duas pela tarde e mais duas ou três a noite com Azriel, estava ficando morta de cansaço, por isso dormia a noite toda, quase sem pesadelos.

- Vocês estão cada dia melhores. – Ela disse para as fêmeas. – Com meu coração, eu acho que vocês em breve poderão passar pela ascensão Valquíria.

- O que é uma ascensão? – Perguntou Emerie. – Não é como o rito Illyriano, não é?

- Não! – Disse Gwyn. – As Valquírias têm um juramento de sangue nas pedras da sede. Quando elas são escolhidas por um Pegasus, recebem um anel da irmandade e as joias de poder. Eu nunca consegui encontrar quais eram essas joias.

- Normalmente são três para cada. As joias em si, podem variar, mas normalmente é um anel, um colar e uma pulseira. – Ela explicou. – Dependendo da sua patente, pode receber um par de brincos.

- Qual era sua patente? – Perguntou Emerie.

- Princesa. – Ela falou.

- Uma general. – Disse Gwyn e Aideen assentiu. – Se ascendermos, seremos subordinadas de Aideen. – A Valquíria não respondeu.

- Preciso ir. – Disse Nestha. – Mor está me esperando.

Aideen entrou com Nestha e Mor a esperava na sala.

- Oi, Mor! – Disse a morena.

- Aideen! – Ela sorriu. – Eu tava vendo o treinamento de vocês, será que posso treinar também? Aprender umas técnicas?

Mor olhou para Nestha ao perguntar e como tudo aquilo era coisa dela, Aideen fez o mesmo.

- É claro, Morrigan! – Disse Nestha.

- É só Mor, por favor! – Ela corrigiu. – Apenas Amren me chama assim e ela é uma velha chata.

Aideen riu e Nestha abriu um sorrisinho. Mor colocou a música e elas começaram a aula.

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Após a aula as três foram até a biblioteca, Aideen precisava conversar com Merril sobre a pesquisa que ela estava fazendo sobre as Valquírias e Mor tinha algo para pesquisar lá também.

Quando entraram, Mor ficou com Clotho e as outras duas desceram alguns níveis. Encontraram Gwyn e Emerie juntas ali.

- Emerie, não sabia que tinha ficado. – Disse Nestha.

- Gwyn queria me mostrar o trabalho dela. – Explicou a garota, sem tirar os olhos de Mor ainda de pé na entrada. – Eu sempre esqueço como ela é linda! Ela nunca mais foi até o acampamento Illyriano.

Aideen estreitou os olhos quando a bochecha de Emerie corou. Ela sorriu. Ninguém sabia que Mor gostava de mulheres e aparentemente Emerie estava interessada nela. Aideen sorriu ainda mais largo e olhou para Mor também. Todas tinham que concordar que ela era linda. Sue sorriso brilhava e seus cabelos dourados reluziam em todo o ambiente.

- Ela realmente é linda! – Disse Aideen, admirando a amiga.

- Você fala como se... – Gwyn a olhou.

- Como se o que? – Questionou Aideen.

- Como se já tivessem tido relações. – Disse a ruiva. Aideen riu.

- Gwyn, você é tão recatada. – Disse a morena e Nestha riu. – Não vou falar sobre isso. Sinto muito! – Emerie estava atenta. – Então, Gwyn. Vai me levar até Merill?

- Sim, vamos lá!

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Aideen treinou escapou para treinar Elain e depois voltou para a biblioteca para terminar com Merill. Ao fim, Nestha e Aideen andavam juntas na saída da biblioteca. Nestha a encarava profundamente. – Você tem alguma pergunta para mim, Nestha? – Ela perguntou com um suspiro.

- Você e Cassian já... – Ela deixou no ar.

- Você nunca fala comigo e quando fala é para isso?! Podia ter perguntado logo. – Ela disse sorrindo. – Eu estava começando a achar que tinha feito algo que te ofendeu. Cassian e eu namoramos sim, mas foi a muito tempo. Durante a guerra. Começou como algo puramente físico, mas então se tornou mais. Eu amo Cassian, Nestha, não vou mentir para você, mas não como um parceiro romântico. Hoje, ele é mais como um irmãozinho. – Elas ficaram caladas enquanto saiam no corredor e se viravam na direção da sala de jantar. – Vocês estão juntos?

Ela ficou calada por um tempo e depois olhou para o chão, quando seus olhares se encontraram estava tudo ali estampado. Dúvida, medo, paixão, dor, culpa e amor. Nestha era tudo, sentia tudo de uma só vez. Aquilo devia consumi-la por dentro. Aideen segurou o braço dela no meio do corredor e a virou para ela, puxando-a para um abraço apertado. Nestha estava tensa, mas logo relaxou em seus braços a envolvendo também. As duas ficaram abraçadas por vários minutos. Sem lágrimas, sem risos. Apenas conforto. Um lugar conhecido.

- Eu já estive onde você está. – Disse Aideen quando elas se afastaram. – E vou dizer a verdade. Depois de 500 anos eu ainda não estou curada. Tem noites que são horríveis. Tem noites em que eu preferia estar morta. Tem noites em que eu acordo molhada de medo e suor. Mas eu escolhi ficar sozinha. Quando Cassian tentou me ajudar após a guerra eu o afastei. Fui embora. Eu não podia estar com pessoas. Eu me afundei na lama. Bebia em qualquer lugar e com qualquer um e então eu fui... eu fui... – Aideen travou e Nestha segurou sua mão encorajando-a. – Eu fui estuprada. Estava fraca demais, bêbada demais para conseguir me livrar. Não treinava havia anos. Depois daquilo, eu decidi mudar meu estilo de vida. E foi terrível. Antes eu afogava minha dor na bebida. E eu não tinha mais aquilo. Voltei a treinar e procurar empregos temporários... fiz de tudo um pouco. – Ela deu de ombros. – Até que parei. Passei a viajar pelo mundo. Conhecer lugares, conhecer pessoas. E nem assim... Ainda dói. Ainda acordo suada e gritando com pesadelos. Algumas vezes eu acho que se tivesse aceitado ajuda teria sido diferente. Talvez, hoje, eu estivesse bem. Ou tão perto disso que pode ser possível para alguém como eu. – Ela fez outra pausa apertando a mão de Nestha. – O que quero dizer, menina. É que sei que acabamos de nos conhecer, mas eu quero que você saiba que eu sei o que é estar onde você está. E que se você precisar de alguém, se quiser falar com alguém que entenda você... eu vou estar aqui para te ouvir. – Ela novamente apertou a mão da fêmea e depois a soltou e se virou para a sala. As duas andaram juntas e dessa vez se sentaram lado a lado. Cassian e Azriel já estavam lá. Ambos olharam para elas.

- O que os rapazes fizeram hoje? – Perguntou Aideen.

- Aidy, você vai ao baile, não é? – Perguntou Cass e aquilo fez as duas prestarem atenção.

- Está me chamando, Cassian? – Ela lançou uma cenoura nele. Nestha riu quando a cenoura se alojou no cabelo dele. Cassian a olhou e depois voltou para Aideen.

- Por favor! Vamos. – Disse Nestha. Os três olharam para ela. Mas Aideen olhou para Azriel. Se ele pedisse, ela iria. Ela deu um sorrisinho esperando. – Anda, Azriel. Chama ela e por favor, faz melhor que o Cassian.

- EI! – Disse o macho de cabelos compridos, indignado. Azriel sorriu para Aideen, seus olhos se encontrando.

- Você quer ser a minha acompanhante no baile de solstício, amanhã à noite, Lady Aideen? – Disse o encantador e Aideen ficou perdida em seus olhos quando ele disse seu nome. Ela até parou de sorrir. O que foi o bastante para as sombras dele atravessarem a mesa a cutucarem.

- Sim, lorde Azriel. – Ela respondeu.

- Eu não sou um lorde. – Ele a corrigiu.

- As Valquírias nunca consideraram o nascimento ao se dirigir a alguém com o uso de um título. – Ela disse. – Para nós, sempre foi uma questão de merecimento. E você é um lorde, Azriel. – Ele corou e suas sombras dançaram. Cassian estava boquiaberto. Nestha sacudiu a cabeça para ele fechar a boca, mas Aideen viu primeiro. Ela pegou uma ervilha do prato e arremessou precisamente na boca dele. Cassian engasgou e Aideen riu.

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Naquela noite, Aideen nem conseguiu dormir, apesar do cansaço do dia. Estava quente e ela suava. Estava inquieta e precisava colocar sua energia para fora. Ela lembrava todo o tempo do olhar de Azriel fixo no seu, durante o jantar. Ela ficou de pé. Estava com uma calça moletom preta e uma camiseta preta, colocou um robe quente por cima e saiu do quarto direto para o ringue. Azriel ainda estava lá, mesmo depois do treino noturno deles. Ela se surpreendeu.

- Você não dorme nunca, não é?! – Ela perguntou e ele se virou de rompante.

- Poderia fazer a mesma pergunta a você. – Ele manteve o olhar nela, sério. Estava estranho. Tenso.

- Você está bem? – Ela caminhou até onde ele estava em pé e pegou uma espada no caminho. Ela se aqueceu enquanto esperava uma resposta. Eles começaram a duelar. – Você não respondeu.

- Está tudo bem, Aideen. – Ele disse rispidamente. Ela sentiu que fosse com ela a aspereza dele. E isso a magoou. Ela não se lembrava de se magoar tão facilmente.

- Certo! – Ela respondeu, mas seus olhos transpareciam que nada estava certo!

Azriel não sabia o que dizer. Ele estava preocupado com o bebê, preocupado com Feyre, com Rhys. Todos os dias ele tentava descobrir uma maneira de salvá-los. Lia dobrado todos os dias em busca de qualquer coisa. Seus espiões perguntavam e até agora nada. E havia Aideen. Ela era linda. Seus cachos castanhos caiam ao redor do pescoço e descia pelas suas costas, seu sorriso sempre brilhante na maior parte do tempo e agora ela estava ali, na sua frente, magoada com sua rispidez. Como ele poderia explicar para aquela fêmea que seu corpo reagia a ela. Que só de olhá-la ele queria começar a tocá-la. Queria sentir seus seios nas mãos, queria deslizar um dedo por ela. Aideen estava lhe dando a força que ele queria. Se imprimia muita força ela retrucava na mesma medida. Aideen era forte, tão forte quanto ele. Ela descia a espada com força. Azriel parou e Aideen puxou a lâmina antes que esta atingisse seu peito. Ele caiu de joelhos na frente dela.

- Deuses! Machuquei você? – Ela perguntou. Ele negou e a olhou novamente.

- Eu não sei o que fazer... Rhys e Feyre não me deixam sair daqui sem autorização deles. Eu quero buscar respostas para o problema deles. Quero que o bebê sobreviva, que Feyre sobreviva... que Rhys sobreviva. – Ele olhou para a confusão e explicou. – Feyre e Rhys tem um acordo. Quando um morrer o outro vai logo em seguida. – O coração dela errou o compasso. Azriel esfregou as mãos. O frio estava castigando. Ela aqueceu a palma das mãos, com o próprio poder herdado da outonal, e sentou-se na frente dele segurando a suas mãos para aquecê-las também. – Como?

- Outonal! – Ela deu de ombros. – Eris vai se surpreender em me ver lá amanhã. – Ela deu um sorrisinho. – Tem muitas coisas que estão fora de nossas mãos, Az. – Ela o puxou para um abraço. Ele estava devastado. – Podemos fazer o nosso melhor. Vou pesquisar em meu tempo livre também, prometo. Mas além disso, podemos dar força para Rhys e Feyre. Isso deve estar doendo como o inferno em Rhys. – Az olhou-a nos olhos e segurou seu rosto na palma da mão. Ela era quente. Mesmo no frio da madrugada, ela era quente e estava olhando para seus lábios, diretamente em sua boca. Ela respirou pesadamente e então ele depositou um beijo casto em sua boca. Ele queria muito mais que isso, mas foi devagar para testá-la. Ela aceitou e retribuiu abrindo de leve os lábios. A língua de Azriel tomou sua boca, enchendo-a de seu gosto frio como a noite ou o amanhecer do inverno. Ela enlaçou seu pescoço e ele a puxou para seu colo. Aideen sentou-se em suas coxas e se inclinou ainda mais em sua direção. Sem parar de acariciar sua nuca. Ele a ajeitou no colo e suas intimidades se tocaram sob suas roupas. Azriel soltou um pequeno arfado, ele estava excitado. Era óbvio! Aideen travou. A boca ainda na sua, as mãos ainda no pescoço dele. Apenas travou. Azriel se soltou e a olhou nos olhos. – Desculpe! – Ela pediu. Ela enfiou o rosto em seu pescoço, tomando cuidado para suas intimidades não se tocarem novamente.

- Eu que peço desculpas. Isso não deveria ter acontecido. – Ele começou a removê-la de sobre ele e ela ficou ainda mais triste. Não deveria ter acontecido. Será que ele estava falando do beijo? Ou do toque acidental? Ela achou que não suportaria se fosse do beijo.

- O que? – Ela perguntou de pé ao seu lado. – O que não devia ter acontecido?

- Nada disso! – Ele gesticulou entre eles. – Foi um erro! Eu entendi. – Sua alegria se esvaiu. Aideen afundou no chão as sombras de Azriel dançaram até ela. – Por favor, não fique triste por minha causa. Eu não mereço suas lágrimas.

- Eu não choro! – Ela reclamou. Pelo menos, não em público.

- Aideen, tudo bem se você não quiser mais olhar na minha cara. – Ele disse. Ela o encarou. Ele estava ajoelhado ao seu lado. Ela deu um empurrão nele.

- Acha mesmo que sou tão imatura que vou deixar de olhar na sua cara por termos nos beijado? – Ela disse. – Sei que estou há muito tempo sem praticar, mas foi realmente foi tão ruim assim que é você quem não quer me ver?

Ele riu e ela bateu no braço dele.

- Ruim? – Ele perguntou. – Foi o melhor beijo da minha vida. – Ele disse e ela o encarou. Sabia que ele estava exagerando, mas ainda assim... parecia estar falando sério.

- Então por que fica dizendo que foi um erro? Como o melhor beijo da sua vida pode ter sido um erro? – Ela perguntou.

- Você travou Aideen. Presumi que você tivesse percebido que era um erro.

- Ah, seu idiota. Você entendeu errado. – Ela deu um tapa no peito de Azriel e se aproximou um pouco mais. – Eu tenho muitos problemas, Azriel. E talvez por isso eu não seja uma boa garota com quem se envolver. – Ele franziu o cenho. – Eu ainda não consigo ter relações sexuais, Azriel. – O medo nos olhos dela o deixaram alerta.

- O que houve?

- Eu... Eu falei para você que entendia Nestha, não é? – Ela disse. – Eu fui à lama após a morte das valquírias. Eu bebia em qualquer lugar com qualquer pessoa. Não treinava. – Aideen enfiou o roto nas mãos. – Uma noite eu estava bêbada demais e eu não pude me defender... Eu... eu fui... – Uma raiva crescente tomou conta de Azriel. Ele tremeu de raiva e ela tremeu com a lembrança. O tremor dela dissipou parte da raiva dele e então ele a puxou para seus braços.

- O que aconteceu com ele? – Ele quis saber. – Sabe onde ele está?

- Eles... – Ela o corrigiu e ele tremeu novamente. Fervilhou de ódio. – Estão mortos. Eu treinei novamente, voltei e matei todos eles. Azriel suspirou de alívio afagando suas costas e seu cabelo.

- Por um momento, achei que eu fosse precisar caçar. – Ele disse. Ela se afastou e o olhou.

- Faria isso por mim? – Ele a encarou. Não sabia explicar o motivo. Eles se conheciam havia menos de dois meses. Mas sim, ele teria feito isso. Então ele assentiu. E havia tanta verdade naquele gesto que Aideen se permitiu abraçá-lo apertado, se afogando em seu cheiro de cedro e névoa gelada. – Desde então, eu não fui para a cama com ninguém, Azriel. Nunca mais. Me desculpe, eu só não consigo, ainda.  

- Está tudo bem! – Ele afagou sua cabeça. Seu corpo pulsava por ela. Queria tê-la nua em seus braços. Cavalgando em suas coxas. Seus seios na boca. Queria prová-la por inteiro, sim! Mas ela estava quebrada e ele iria ajudá-la antes de qualquer outra coisa. – Aideen, você é a fêmea mais linda, forte e poderosa que conheço. Eu estou ao seu lado. Estarei aqui, Aideen. Eu prometo. Mas não vá embora. Por favor. Prometa para mim que vai ficar, Aideen. Que vamos tentar. Eu não me importo de esperar. Mas faça um acordo comigo. Não vá embora.

- Quanto mais gente eu deixo entrar...

- Mais gente pode sair... – Ele completou. – Mas também pode ficar. Eu quero ficar. Fica também.

Ele pediu com tanta devoção. Tanta devoção que Aideen não conseguiu negar., ela esqueceu do que viu entre ele e Elain semanas antes. Ela apenas assentiu e eles apertaram as mãos. Tatuagens negras gêmeas pinicaram nas peles deles. A dela era no pé. E a dele na panturrilha. Era um sol e uma lua entrelaçados. Azriel a beijou novamente. Seu peito se enchendo de uma felicidade por a ter nos braços, uma felicidade sobre a qual ele não sabia explicar. Quando se afastaram sem fôlego. Azriel sorriu.

- Vou colocá-la na cama. – Ele disse. Puxou-a de pé e a pegou nos braços. Os dois passaram pela porta de Nestha em silêncio total, por isso ouviram perfeitamente os gritos dela, mas não eram gritos de terror! Ela gritava o nome de Cassian e ele também gemia alto o bastante para que os dois ouvissem do lado de fora. Aideen riu baixinho e enfiou o rosto no peito de Azriel, que também balançou com uma risada. Ele chegou na porta do quarto dela. As sombras abriram a porta para ele e então o macho pousou-a na cama. Ele a cobriu e selou seus lábios. Quando ele estava saindo ela sussurrou seu nome outra vez.

-Azriel! – Ele a olhou da porta. – Dorme aqui. – Ele sabia que o convite era apenas para dormir mesmo. Mas ela pedia com tanto carinho que ele não pode negar. Voltou no mesmo pé para a cama e se deitou ao lado dela. Quando ambos estavam cobertos. Aideen se aproximou e se aconchegou no abraço frio de Azriel. Seu corpo era tão quente normalmente, que o frio que Azriel emanava era mais que bem vindo, era prazeroso. Ela ronronou e ele suspirou baixinho. Ela o levaria a loucura.

 


Notas Finais


CAPÍTULO EDITADO: RELEIAM QUE TEM MAIS 4000 PALAVRAS AGORA.


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