História Contos da Floresta - Capítulo 1


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Categorias Mitologia Brasileira
Personagens Personagens Originais
Tags Contos, Folclore, Mitologia, Terror
Visualizações 4
Palavras 1.345
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Notas do Autor


Esta história foi contada a mim quando criança, não me lembro onde eu ouvi, e nem quem me contou.
Agradeço a essa pessoa por essa história incrível, apesar de não ser exatamente como ouvi, pois como eu era criança não me lembro dos detalhes, mas o foco e a parte principal ainda está nítida em minha mente.

Essa história não é muito conhecida, então quero compartilhar com vcs.

Capítulo 1 - O Menino e a Sombra


Existiu uma história contata a mim de muitos e muito anos atrás. Não me lembro aonde eu a ouvi, e nem quem me contou, porém, a história continua em minha mente depois de anos. Tento muitas vezes tirar uma lição dela, porém nem mesmo entendo seu significado.

Havia uma aldeia de índios no meio da mata. Qual era essa mata? Não consigo mesmo me lembrar, mas acredito que era uma próxima ao pantanal, lá no Mato Grosso.

Uma índia sentiu as dores do parto e partiu sozinha para a mata para dar à luz. Deu à luz a dois bebês. As crianças choravam sem parar sedentos pelo leite da mãe, a mãe decepcionada e assustada não acreditando o que tinha saído dela, eram duas crianças. Como poderia ter tido duas? Fora ensinada desde criança que o nascimento de duas crianças, gêmeos, é sinal de catástrofe. O nascimento de duas crianças ao mesmo tempo acontece quando a mãe fez algo grave e foi punida com uma alma repartida. Uma única alma dividida em dois corpos, sendo separado em todo o seu caráter ao seu lado mal e seu lado bom.

A mãe não teve coragem de deixar seus filhos para trás, tomou os bebês um em cada braço e levou de volta a aldeia. Perplexos todos da aldeia olharam para ela entorpecidos com sua tamanha coragem de desafiar os deuses, e se mostrar para toda uma aldeia que cometeu um grave pecado. Não sabendo qual das crianças era a má e que arruinaria a aldeia ambas as crianças foram condenadas à morte.

A mãe lamentou magoada ao marido. Se perguntava: o que fez aos deuses para que se enfurecesse tanto com ela? Que castigo seria esse de lhe separar a luz e as trevas de sua criança por culpa da mãe?

A mãe com dor no coração sabia que era o certo a se fazer e deixou que seus filhos fossem levados.

Ao chegar ao grande chefe, a decisão estava tomada, as crianças deveriam ser mortas, pois não poderia se distinguir qual das crianças era a boa e qual era a má.

A hora da execução foi determinada, mas os resmungos daqueles bebês “inocentes” estava mexendo com o coração do executor. Ele olhou para os pequenos com pena e disse ao chefe que não poderia fazer tal crueldade com aquelas criaturinhas, por mais que causaria estrago a toda a uma aldeia. Outros candidatos também tentaram, mas falharam. Então sem opção o chefe pediu que a mãe deixasse as crianças na floresta para que os deuses decidissem seus destinos.

Foi o que fez...

Abandonados sozinhos no meio da floresta, contavam somente com a piedade dos deuses.

Anos se passaram e tudo estava indo perfeitamente bem para a aldeia. Nenhum novo agouro chegou a aquele lugar novamente durante os anos que haviam passado. Até um certo dia, um dos homens saiu para caçar e nunca mais voltou. Após ele outros caçadores e pescadores saiam da aldeia com a intenção de buscar alimento para os demais e nunca mais retornavam. Intrigado o chefe pediu para um pequeno grupo ver o que estava acontecendo com os não voltaram, rezava para que não tivessem sido capturados por outra tribo inimiga, mas o que faziam ali em suas terras?

Um pequeno grupo de bravos homens foram a procura dos perdidos. Andaram por algumas horas tentando encontrar algo que levassem ao fim do mistério. No caminho sentiram o cheiro do sangue, manchas vermelhas espalhas sobre as folhas da mata, um corpo. Um dos índios pescadores não tivera sorte, talvez tenha sido uma onça, pelas marcas, uma onça teria lhe pego de surpresa. Mais à frente os outros corpos todos muito machucados. Intrigado o líder da expedição pediu para que os homens voltassem para aldeia, pois nada mais poderia fazer a respeito dos perdidos.

No caminho de volta encontraram um menino, um indiozinho vagando sozinho pela mata. O líder olhou para o menino e lhe deu uma bronca, ainda não era homem para vagar sozinho, teria de esperar o ritual de passagem, na qual percebeu que não seria tão breve, associando pelo tamanho e estrutura do corpo do pequeno índio. O menino nada falou, dando nenhum tipo de explicação. O líder então levou o menino a força de volta para a aldeia passando-lhe sermões durante o caminho.

Ninguém o reconhecia, nenhuma família havia perdido uma criança, aquela criança não pertencia aquele lugar. O chefe olhou para o menino e não podia acreditar, pois o menino tinha as marcas de tinta da tribo, tinha as características das outras crianças, não seria possível que o menino mudo não pertencesse a ninguém. Ele também não dizia nada a respeito.

Alguns dias se passaram e algo começou a chamar a atenção do chefe para o menino. Algo o seguia, uma sombra negra, uma espécie de fumaça para onde quer que fosse por dias o chefe seguiu o menino e aquela fumaça estava ali, nítida, e em outros momentos parecia ser a sombra de uma criança, até um dia ver o indiozinho conversar sozinho com sua sombra. Aquilo só poderia ser um mal agouro, aquele menino traria a desgraça para a aldeia, estava falando com uma sombra maligna em forma de gente. O chefe reuniu os homens e compartilhou de sua descoberta. Aquela criança não pertencia a eles, disso já tinha certeza, por mais que tivesse seus traços, por mais que tivesse suas marcas, não pertencia aquele lugar teria de ser expulso ou executado.

Chegaram a conclusão de expulsar o pobre menino, mas ele não aceitou a rejeição, chorou e esperneou para não ser jogado sozinho na floresta. Estava gostando de estar com os demais, estava gostando dos novos amigos, e ficar sozinho de novo não era algo que almejava.

Ninguém ouviu seu lamento, ninguém se compadeceu do menino índio. Era ele ou a tribo inteira.

Por mais que o menino fosse expulso ele acabava voltando e se alojando com a tribo, com medo da solidão, da escuridão da mata, dos animais selvagens que se escondia. Na aldeia estaria seguro, mas sempre que voltava era expulso novamente, enxotado como um cão sarnento. Não acreditando no retorno e com mais reclamações por parte da aldeia o chefe então ordenou que executasse o menino caso retornasse novamente. Mais uma vez o menino estava lá, se misturando e brincando com as outras crianças, por mais que tivesse sido alertado da ordem de sua morte, mas ele não se incomodou e continuou a voltar.

Em uma noite, um pequeno grupo de quatro índios se preparou para matar o menino enquanto ele dormia, sendo assim, evitando seu sofrimento e terror, mas algo aconteceu. Ao tentar desferir uma punhalada no menino, a sombria fumaça envolveu o homem e o sufocou até a morte. Espantado com o que via os outros três participantes tentou inutilmente atacar a sombra, e por ela foram estraçalhados. O menino acordou apavorado e correu, mas o terror já estava mais do que espalhado e na tentativa de proteger a aldeia os demais homens da tribo tentaram tirar a vida da criança selvagem.

Sangue, terror, gritos, sombra, fumaça, fogo e medo.

No meio de toda a confusão uma índia permaneceu abraçada com as crianças tentando entender a real situação, até que seus olhos se encontraram com o pequeno índio rejeitado e ambos se atentaram em seus rostos. Ela o reconheceu, o indiozinho apavorado seguido pela sombra em sua forma. Há muito tempo ela o deixou nascer, ela o segurou nos braços, ela viu seus olhos desesperados por leite, ela o amou por um tempo e o deixou a própria sorte junto ao seu irmão que ali não poderia partir sem ele.

A aldeia não existe mais, as poucas pessoas que sobreviveram acabaram se mudando para outras partes da floresta, outros se mudaram para aldeias de seus aliados, a história se espalhou e aquela parte da floresta ainda é evitada pelos nativos, o medo de encontrar a sombra vagando ao lado de seu irmão, é mais do que compreensível. E ainda é contato a história do pequeno índio bom e sua sombra má.


Notas Finais


Espero que tenham gostado e continue acompanhando. Próxima semana tem mais.


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