História Contos das Ilhas Paran - Capítulo 6


Escrita por: e sonyeondream

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bangtan Boys, Bts, Comedia, Fluffy, Hoseok, Insinuação De Sexo, Jikook, Jimin, Jimin!bottom, Jk!top, Jungkook, Kookmin, Namjin, Namjoon, Realeza Moderna, Seokjin, Sugatae, Taegi, Taehyung, Yoongi
Visualizações 78
Palavras 3.976
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, Fluffy, LGBT, Musical (Songfic), Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


@BlueQueendom: Finalmente, depois de dois capítulos sem dar as caras, eu voltei! Desculpem o sumiço, tive vários compromissos nos últimos finais de semana, mas aqui estou eu, espero que não tenham sentido muita saudade. A Tata não sabia muito bem o que dizer nas notas de hoje, mas falo por nós duas agora. O capítulo seis é bem especial pra mim e pra Tata porque a gente se preocupou bastante com a maneira que os sentimentos seriam retratados nessa fase super importante de CDIP que se inicia a partir desse capítulo. Vocês vão entender melhor quando lerem, nós esperamos. Esperamos também que gostem bastante desse capítulo e surtem tanto quanto eu e a Tata surtamos quando escrevemos.
Sem mais delongas, boa leitura!

Como de costume, aqui estão os nomes das pessoas MARAVILHOSAS que estiveram comentando no capítulo passado: @FalandoJimin, @Shipperkook, @Alwaysjikook, @Flowegguk, @Darkness_Min, @TiaDasAmoras e a @Jenifertonini! Obrigada pelos comentários ^^

Capítulo 6 - Jason-Mraz-Lucky.mp3


— Bom dia, meu jovem! — Uma senhorinha passou por mim e me cumprimentou, simpática.

Bom dia não sei pra quem, eu respondi mentalmente. As vezes eu odeio essa simpatia natural dos habitantes de Paran; faz parecer que eu sou a única pessoa nessa droga de lugar que tem problemas com frequência.

Vocês devem estar se perguntando “qual o problema dessa vez, Jungkook?”. Bom, é bem simples: eu fiquei tão nervoso que esqueci que o barco do Jimin atracaria apenas às dez da manhã, e cheguei no porto às nove. Isso não seria um problema tão grande se eu fosse uma pessoa normal; nesse caso eu poderia entrar num dos muitos cafés que existem na beira do píer, pedir um suco e usar o wi-fi. Mas eu sou Jeon Jungkook, príncipe herdeiro de Paran, e isso significa que eu não posso nem tirar o moletom porque serei reconhecido.

Vocês tem noção do quão quente é Paran em setembro? Vou dar uma dica: parece o inferno. A sensação é de que o próprio satanás está respirando na minha nuca.

Mas o tempo até que passa rápido, quando você está se afundando em autopiedade. Quando eu percebi já faltavam quinze minutos para as dez, e eu comecei a entrar em pânico. Quer dizer, sabe aqueles momentos em que a ficha só cai quando você está à beira do precipício? Esse foi um desses momentos. Fazia quase dois anos que eu conhecia Jimin; eu era completamente apaixonado por ele há pelo menos um; ele havia me avisado que viria a Paran com quase um mês de antecedência; mas mesmo assim, mesmo com todo o tempo do mundo para me preparar, eu nunca estaria pronto para aquele momento.

A internet nos proporciona coisas maravilhosas, certo? Uma delas é a chance de conhecer o amor da sua vida.

Avistei ao longe um barco pintado com as cores da bandeira de Paran, três tons diferentes de azul, se aproximando. A sensação era mais ou menos a de fazer o vestibular, eu imagino; parecia que eu tinha engolido um bloco de gelo e ele tinha se alojado no meu estômago, e que minha cabeça era uma parte avulsa do meu corpo. Sei lá, não dá pra descrever. Só quem já encontrou o webnamorado(a) um dia vai entender do que eu estou falando. Quanto mais o barco se aproximava, mais eu me sentia o Voldemort antes de recuperar o corpo.

Mas foi quando eu o vi pela primeira vez, meus amigos, que o meu cérebro deu pane de vez. Tela azul do windows. Error 404. Pifou.

Ele desceu do barco, tão lindo e glorioso, com tanta classe, que eu fiquei surpreso que as pessoas não tivessem começado a se ajoelhar perante a ele. Deve ser mais ou menos assim que os cristãos imaginam a volta de Jesus.

Eu tinha planejado ir ao encontro dele, abraçá-lo, entregar-lhe o meu presente e carregar sua mala, mas acabou que eu não consegui fazer nada disso. Uma pequena parte do meu cérebro notou o irmão dele correndo para o lado oposto ao que eu estava, mas eu nem liguei. Meu olhos estavam vidrados nele. Park Jimin, o amor da minha vida todinha.

Percebi quando ele parou, olhando ao redor, como se procurasse por alguém. Claro, idiota, aquela pequena parte do meu cérebro que ainda funcionava respondeu, ele está procurando por você. Vai ficar parado aí?

Sim, eu fiquei parado ali. De certa forma foi bom, porque eu tive uma visão perfeita do rosto dele se abrindo num sorriso ofuscante. Cara, qualquer sorriso que você esteja imaginando agora, não vai fazer jus ao dele. Foi como o sol aparecendo por entre as nuvens depois de uma tempestade. Eu acho que poderia sobreviver apenas desse sorriso pro resto da minha vida.

Foi melhor ainda quando eu o vi largar a mala, que caiu no chão com um estrondo, e correr na minha direção. Foi tipo cena de filme, ele correndo em câmera lenta, os cabelos voando para trás com o vento. Foi provavelmente a visão mais bonita da minha vida.

O que aconteceu depois foi um borrão. Em um momento, eu estava vendo Jimin correr em minha direção. No outro, eu estava jogado no chão com Jimin abraçado com força ao meu corpo. Sabe, existem sensações que só palavras não são o suficiente para se fazer entender. Você precisa sentir. Ter o amor da sua vida em seus braços pela primeira vez, ter Park Jimin em meus braços pela primeira vez, é algo único. O rosto dele estava enterrado em meu pescoço e meus braços estavam ao redor da cintura dele. Era tudo muito desajeitado, confuso. Mas era ótimo. Era até mesmo um pouco desconfortável estar no chão daquele jeito, mas eu não me importava. Tudo que importava ali era ter Park Jimin em meus braços e não soltá-lo nunca mais. Parecia que ele podia sumir a qualquer momento, de tão forte que eu o abraçava.

Então, eu ouvi o que provavelmente foi o som mais lindo do mundo inteiro. Jimin estava rindo e, merda, era lindo. Meu coração parecia que ia explodir a qualquer momento, e ele definitivamente explodiu quando finalmente Jimin tirou o rosto do meu pescoço e eu finalmente pude ver o seu rosto melhor.

- O seu cabelo é rosa. - Foi a única coisa coerente que saiu da minha boca naquele momento. Minhas mãos foram até aquele cabelo macio e o sorriso de Jimin aumentou. - Parece algodão doce. Cacete, você é mesmo de verdade? — Falei, hipnotizado, enquanto passava os dedos delicadamente por entre os fios macios. Eu tinha a impressão de que ele desapareceria a qualquer momento, tamanha sua eteriedade.

Segurei o rosto dele entre minhas mãos, com a mesma delicadeza de quem segura uma flor. A pele macia era lotada de pequenas sardas nas bochechas e no nariz. Os olhos pequenininhos praticamente se fechavam quando ele sorria, e os lábios rosados eram muito mais carnudos do que eu me atrevia a imaginar através das fotos. Ele era tão lindo, tão lindo. Automaticamente, tive certeza de que nada no mundo superaria a beleza daquele homem. Até o dentinho da frente, tortinho e com a ponta lascada, era tão único, tão singelo e bonito, que eu poderia perder horas admirando. Se a perfeição fosse uma figura, seria Park Jimin.

Foi então que eu percebi que ele estava chorando. Lágrimas cristalinas escorriam pelas bochechas fofinhas e se perdiam no sorriso ofuscante que não deixou seu rosto sequer por um segundo. Era como um daqueles dias em que o sol e a chuva coexistem, e acabam por gerar um arco-íris. É um fenômeno tão raro, tão precioso quanto o próprio Jimin. Mas nada que eu tente dizer vai fazer jus à perfeição de Jimin ou ao que eu senti olhando para ele pela primeira vez. Todo esse momento não durou mais do que um minuto, mas eu senti como se estivesse pairando na eternidade, no limite entre a realidade e o sonho.

Mas, é claro, nenhum momento pode durar para sempre. Nossa bolha de felicidade foi rompida por ninguém mais, ninguém menos do que o próprio Seokjin, irmão mais velho de Jimin. Achei que meus olhos fossem saltar da cara quando eu vi quem vinha atrás dele, segurando sua mão de forma protetora.

Kim Namjoon, mais conhecido como meu primo.

Ele me encarava, com as sobrancelhas franzidas em pura confusão, como quem dizia “O que caralhos você está fazendo aqui?”. Bom, a pergunta que tinha surgido na minha cabeça também era exatamente essa. O que caralhos Kim Namjoon estava fazendo ali!? Certo, eu sabia que ele namorava o Seokjin hyung mas ele tinha que voltar ‘pra Paran justo agora?

- Jungkook-ah? - Ele chamou, ainda estranhando minha presença ali, fazendo os irmãos Park olharem para ele.

- Oi, hyung. - Respondi baixinho, me sentindo inquieto.

- Vocês dois se conhecem? - Seokjin perguntou, curioso.

Infelizmente, sim.

- Ele é, uh, meu primo. - Namjoon respondeu, coçando a nuca.

- Ya! O mundo é realmente pequeno, hm? - Seokjin disse, parecendo muito impressionado, assim como Jimin.

Os dois Park se voltaram para Namjoon, perguntando sobre nosso parentesco. Aproveitei o momento de distração para gesticular loucamente e tentar explicar para meu primo que ele não podia abrir o bico sobre minha condição e identidade real. 

Literalmente real.

Acho que Jimin captou meus movimentos enlouquecidos pelo canto do olho, porque ele se virou para mim, ainda com um sorriso bobo brincando no canto dos lábios.

— E você, porque nunca me falou sobre isso, hein? — Ele estava tentando soar bravo, mas parecia querer rir a qualquer momento. Precisei juntar todo o restinho do meu autocontrole para não beijá-lo ali mesmo, na frente de todo mundo.

— Eu… hã… bem… — Gaguejei, tentando pensar numa justificativa decente, mas tudo que me vinha à cabeça eram flashes dos momentos anteriores que passei com Jimin.

— Nós não temos muito contato, é quase como se fôssemos estranhos um para o outro. — Namjoon me interrompeu, e eu quase chorei de gratidão. Os olhos dele diziam “depois você vai me explicar tudo isso tim-tim por tim-tim, pirralho”, mas eu nem liguei. Não estava nem com vontade, nem em condições de pensar nisso nesse momento. — Eu não sabia que o namorado que o Jimin estava vindo encontrar era você, por isso me ofereci para guiá-los. Peço desculpas.

— Não, tudo bem, hyung. — Eu me apressei para respondê-lo. Estava com medo que ele deixasse alguma informação sobre mim escapar, mesmo sabendo que o Namjoon era tipo, 200x mais inteligente que eu. Aliás, além de ser o primo bonito, ele também era o primo inteligente da família. Eu sempre achei isso muito injusto. — Eu posso guiar o Jimin e você guia o Seokjin-hyung, que tal?

— Pra mim parece ótimo! — Seokjin se meteu, piscando um olho exageradamente para Jimin. Ele podia competir no mano a mano com o Jihae hyung no quesito discrição. — Nós vamos indo na frente! Divirtam-se, meninos! — Ele disse, já arrastando Namjoon pela mão. Acho que ele nem sabia para onde estava indo, mas foi mesmo assim. Eu não sabia se ficava grato ou constrangido.

— Hã… Bom… — Eu pigarreei, tentando encontrar algo para dizer ao Jimin. Quis bater na minha própria cara por não estar aproveitando cada segundo ao lado dele, depois de ter sonhando durante tanto tempo com o nosso primeiro encontro.

Ele nem me deixou terminar de tentar formular uma frase antes de me agarrar pela cintura e apertar seus dedinhos com força no tecido do meu moletom. O rosto dele ficava exatamente na altura do meu coração, então ele devia estar ouvindo o batimento descontrolado. Talvez eu tivesse ficado constrangido por isso em outro momento, mas não dessa vez; eu sentia que não tinha conseguido expressar corretamente como eu me sentia ao vê-lo, ao tê-lo nos meus braços pela primeira vez, mas meu coração não mentia. Jimin estava ouvindo o que havia de mais sincero em mim.

Retribui o abraço depois de alguns segundos, descansando meu queixo no topo da cabeça dele, aproveitando o cheiro sutil de perfume que ele emanava. Senti uma vontade incontrolável de chorar enquanto acariciava delicadamente a nuca dele com o polegar, uma coisa que eu sempre quisera fazer.

— Eu… — Recomecei, após respirar bem fundo algumas vezes e formular a frase mentalmente. — Eu tenho um presente pra você. Não é nada demais, não se preocupe! — Eu disse, assim que o vi arregalar os olhos, alarmado. — É só uma coisa antiga, que eu herdei da minha avó. Eu… achei que combinaria com você. Quer dizer, com a gente. Com o nosso relacionamento, e tal…

Eu cocei a nuca, sem graça, enquanto me desvencilhava do abraço e enfiava a mão no bolso traseiro da calça, atrás do pequeno embrulho de seda azul.

— Feche os olhos. — Eu pedi, e senti vontade de explodir ao vê-lo cerrando as pálpebras, ainda com um sorriso pairando nos lábios.

— O que é? Jungkook, você sabe que eu odeio surpresas! — Ele ralhou, mas manteve os olhos fechados mesmo assim.

— Espere um momento. — Eu pedi, enquanto me posicionava atrás dele e passava a pequena corrente pelo pescoço fino. Senti-o arrepiar ante o contato do metal frio com a pele, mas ele não se afastou em nenhum momento. — Pronto. — Eu o virei de frente para mim e depositei um beijo carinhoso em cada pálpebra fechada, antes de me afastar um passo. — Pode abrir os olhos.

Entreguei-lhe meu celular, já com a câmera frontal aberta, para que ele pudesse ver o colar delicado que agora adornava o seu pescoço igualmente delicado.

— Jungkookie… — Eu vi os olhos dele se encherem de lágrimas novamente, e senti o meu coração ficar apertado, mesmo sabendo que não eram lágrimas de dor ou tristeza. A paixão faz essas coisas com a gente… — Eu… eu amei… É tão delicado… Tão bonito…

— Ei… — Eu disse, secando as lágrimas com os meus polegares antes que elas rolassem pelas bochechas dele. — Ele é lindo, assim como você. — Ele riu com a comparação, e chacoalhou a cabeça em negação. — Eu pensei que combinaria com a gente, sabe… Serve para nos lembrar de como nós começamos. — Eu sorri também, enquanto segurava entre os dedos o pequeno pingente de globo terrestre, feito dos três cristais diferentes de Paran.

- Eu atravessaria o mundo inteiro para te encontrar, Jungkook-ah. - Ele disse, segurando a minha mão entre as suas. Pude sentir o metal frio do pingente queimar contra minha palma. Suas palavras tinham um tom de promessa, eu não pude deixar de notar.

- Eu faria o mesmo, você sabe disso. - Falei, beijando as mãos pequenas de Jimin, e ele deu uma risada maravilhosa de ouvir.

- Aish, você é tão romântico, Kookie. - Ele deu um tapa leve no meu ombro, como se estivesse constrangido, notei pelas suas bochechas que ganhavam uma tonalidade avermelhada. - Nem parece o meu lolzeiro de sempre.

- Ei! - Reclamei, fingindo estar muito ofendido.

Naquele momento, a conversa parecia estar tomando o mesmo ritmo que todas aquelas que tivemos pelo Kakao ou pelo Skype. Era bom ver que, apesar de tudo, nós éramos sempre os mesmos. Jimin riu e entrelaçou seus dedos nos meus.

Estávamos de mãos dadas. Ok, eu vou morrer, é oficial.

- Você prometeu me guiar por Paran, lembra? - Jimin apertou minha mão, sem tirar o sorriso bonito do rosto.

- Ah, é! - Falei, meio atrapalhado. - Mas você não acha melhor ir descansar um pouco, hyung?

- Aigoo! - Ele disse, parecendo uma criança. - Você fica muito fofo me chamando de hyung, sabia?

Essa foi a minha vez de corar.

— Eu posso te chamar de oppa, se você quiser. Jiminie-oppa. — Provoquei, apenas para vê-lo corar mais uma vez. O tiro saiu pela culatra, porém, quando ele me respondeu.

Oppa é só na cama, Kookie-ah. — E mordeu os lábios. Aquele filho da puta mordeu os lábios na minha frente. Se eu não estivesse tão constrangido acho que teria ficado de pau duro ali mesmo, só por causa disso. E ele ainda se atreveu a rir da minha cara quando viu minha expressão. — Você devia ter visto a sua cara, Jungkookie! Foi impagável.

Ele pegou minha mão e saiu caminhando a esmo por entre as barraquinhas coloridas de bugigangas que adornavam o píer. Parecia uma criança, encantado com os artesanatos feitos de conchinhas, os colares de pedras e as redes trançadas. Aquele lugar era realmente uma armadilha para turistas.

— Ei, Jungkook… — Ele estacou de repente, os olhos fixos numa echarpe verde militar pendurada numa das muitas barraquinhas. — Sinto que esqueci de algo importante…

Ele olhou pra mim de olhos arregalados. Levou uns dez segundos até que ambos percebessemos o que estava faltando: a mala de Jimin.

Eu sempre fui bom em corrida, mas na velocidade que Jimin correu de volta para o ponto de desembarque ele poderia facilmente participar das olimpíadas. Usain Bolt who? Eu só vi a sombra dele se afastando.

Quando finalmente o alcancei, ele já estava vindo ao meu encontro novamente, saltitando e arrastando uma mala enorme. Ele nem tinha me dado tempo de avisar que não acontecia um roubo em Paran há sete anos, e que a chance da mala dele ter saído do lugar onde ele a tinha deixado era de uma em um milhão, mas ele parecia tão feliz por tê-la encontrado que eu não me atrevi a interferir nisso.

— Você está muito avoado pro seu próprio bem, Jiminie. — Eu ri, tomando a iniciativa de entrelaçar nossos dedos dessa vez. — Vamos, vou te levar pro seu hotel. Nós teremos a semana inteira para passear, não se preocupe.

~~

A ilha de Namsaen, apesar de abrigar a sede do governo de Paran, é a menor das três. A cidade se estrutura completamente em torno do castelo, residência da família real — minha família, no caso—, se organizando em círculos concêntricos à partir da grande construção.

Digamos que o castelo é tudo, menos discreto. Localizado sob uma colina, exatamente no centro da ilha, ele se eleva imponente sobre os demais prédios. Imaginem, então, o meu constrangimento quando o Jimin gritou “OLHA LÁ, O CASTELÃO” no meio da rua enquanto nós nos encaminhávamos até o hotel em que ele tinha feito reserva. Ele me perguntou se o castelo era aberto para visitação, e eu quase, quase mesmo, o respondi com “não, meus pais não permitem”. Fazia menos de uma hora que eu estava com ele e já estava sendo difícil manter a mentira.

Jimin é naturalmente muito curioso, mas o fato de que ele sonha em ser diplomata o torna quase insuportavelmente curioso sobre qualquer coisa minimamente curiosa sobre a história de Paran. Eu achei que ia morrer quando ele me perguntou sobre a família real; eu disse que não sabia muito sobre ela, porque foi o melhor que eu pude pensar no momento, mas cara, isso não colou nem pra mim. Não tem jeito de não saber sobre a família real do lugar onde você nasceu e foi criado. Eu sou burro pra caralho.

Foi quase impossível arrastá-lo pelas ruelas de ladrilhos, já que ele queria parar para olhar absolutamente tudo, mas por fim eu finalmente consegui. De certa forma eu fui mais burro ainda por isso, porque esqueci completamente do quão constrangedores são os momentos de despedida.

— É aqui. — Jimin disse quando nós paramos em frente ao prédio de aspecto antigo, mas ao invés de soltar minha mão, ele a apertou ainda mais. Era uma mensagem bem clara.

— Bom, então eu vou… — Apontei para trás desconexamente, gesticulando que iria para casa, mas também não soltei a mão dele.

— Pois é, você precisa ir… — Ele aninhou minha mão entre as duas mãozinhas muito menores que as minhas, e começou a brincar com os meus dedos.

— Sim, eu preciso ir… — Aproveitei aquele momento de distração para puxá-lo para um novo abraço, fazendo com que ele se chocasse contra o meu peito.

— Tchau, Kookie-ah. — A voz dele soou abafada, mas eu consegui discernir as palavras.

— Tchau, Jimin-hyung… — E me desvencilhei dos braços dele, porque se continuássemos daquela forma nenhum de nós cederia, e eu podia perceber nos olhos de Jimin o quanto ele estava cansado.

Parei, porém, quando senti algo segurar a manga do meu moletom. Quase caí duro quando olhei pra trás e me deparei com a imagem de um Jimin com as bochechas infladas e um biquinho nos lábios, me impedindo de me afastar.

— Você… Você pode ficar aqui comigo? Só um pouquinho… — Ele pediu, as bochechas coradas, e eu senti um sorriso se espalhar pelo meu rosto.

— É claro! — Eu entrelacei nossos dedos novamente, de uma forma que já estava se tornando um hábito. Era confortável sentir a mãozinha quente dele aninhada na minha, vários centímetros maior. Não sei se vocês vão entender, mas é tipo um sentimento de casa, de lar; como duas peças de quebra-cabeças que se encaixam. — Vamos, eu levo a sua mala.

~♥~

Já passava das quatro da tarde quando eu finalmente acordei, sem entender muito bem o que estava acontecendo. Sendo bem sincero com vocês, eu achei que estava sonhando mais uma vez. Não era muito incomum eu sonhar que estava dormindo ao lado do Jimin, então eu já estava acostumado. Mas quando as memórias do restante do dia começaram a retornaram, eu quase caí da cama.

Eu e Jimin estávamos embolados de um jeito que parecia muito íntimo para um casal que estava dormindo junto pela primeira vez. Antes que vocês pensem besteira, quando eu digo dormir, é literalmente só dormir; Jimin parecia cansado demais, eu nunca me atreveria a tentar algo com ele assim. Ele estava dormindo todo encolhido, com o narizinho encostado no meu peito, ressoando suavemente. Os cabelos — eu não consigo me conformar que ele pintou o cabelo de rosa e não me contou— caiam bagunçado sobre os olhos delicadamente fechados. Ele vestia um pijama de algodão muito fofo com desenhos de ursinho, e eu fiquei estranhamente satisfeito ao perceber que ele não tinha tirado o colar que eu lhe dei de presente nem para dormir. Acho que se eu tivesse que descrever um anjo, eu o descreveria exatamente assim.

Perdi uns bons quinze minutos apenas o admirando, antes que a realidade batesse à minha porta. Eu havia passado ao menos sete horas fora de casa sem dar notícia alguma a ninguém. Nesse momento a polícia de Paran devia estar procurando o meu corpo no mar ou algo do tipo. Cara, eu estava MUITO fodido.

Levantei o mais rápido que pude sem fazer movimentos muito bruscos. Jimin estava dormindo tão bem, tão sereno, que seria uma heresia passível de pena de morte acordá-lo; por isso, encontrei algumas folhas de papel de carta e uma caneta sob a mesa de cabeceira, e escrevi um bilhete:

Jiminie

me desculpe por sair assim. Eu não quis acordá-lo, você parecia estar necessitando de descanso. Eu preciso dar notícias à minha família, por isso saí assim. Me envie uma mensagem quando acordar.

Seu, Kookie.


Fiquei com vergonha de mim mesmo ao ler o bilhete, mas não havia tempo para escrever outro, então deixei assim mesmo. Calcei os tênis, guardei o celular no bolso e estava prestes a sair, quando Jimin se remexeu, inquieto, e murmurou algo. Ri internamente ao pensar que era quase como se ele estivesse reclamando por eu sair sem me despedir dele.

— Boa noite, Jiminie… — Eu depositei um beijo o mais delicadamente que pude na testa dele. — Eu amo você. — Sussurrei, e saí praticamente correndo do quarto, antes que ele acordasse e me pedisse para ficar mais um pouco, porque eu sabia que não seria capaz de resistir a um pedido direto dele.

Mas, é claro, o dia tinha sido bom demais para ser verdade. Assim que fechei a porta do quarto o mais silenciosamente possível e me virei para o corredor, dei de cara com o meu primo, Namjoon. Ele estava vestindo apenas bermuda e camiseta, e uma toalha molhada pendia dos seus ombros, denotando que ele havia acabado de tomar banho. Aparentemente o dia também tinha sido bom para ele e Seokjin.

— Jungkook… — Ele começou.

— Namjoon-hyung… — Eu disse quase ao mesmo tempo.

— Eu sinceramente não sei o que você está fazendo, mas é bom que resolva rápido. Isso não vai dar certo. — Ele disse, e sua expressão estava severa de uma forma que eu nunca tinha visto antes.

— O Jin sabe? — Eu perguntei, aos sussurros. A expressão dele se retorceu numa careta, e eu soube automaticamente que não, o Jin não sabia.

— Nossas situações são diferentes, você sabe disso. — Ele me respondeu, parecendo não acreditar muito nas próprias palavras.

— Não existe mentira maior ou mentira menor, hyung. Todas as mentiras são igualmente ruins. — Eu respondi, e minha voz soou um pouco mais alta do que eu pretendia.

— O que vocês dois estão cochichando aí? — Outra voz soou no corredor, muito mais alta que as nossas. Era Jin, que se encontrava parado na porta do quarto ao lado do de Jimin. — Hein, Kim Namjoon?


Notas Finais


@BlueQueendom:
Perguntinhas da semana pra vocês:
• Como vocês acham que o JK vai lidar com tudo agora que o nosso amado Jimin colocou os pés em Paran?
• Curtiram o encontro Jikook? (Esperamos que sim ♡)
• E aí? O que vocês acham que os dois pombinhos vão fazer enquanto estão juntinhos?
Queremos saber tudinho que vocês <33
Muito obrigada por ler CDIP e nos apoiar, vocês são incríveis.
Até próxima semana!


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