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História Contos de Hades e Perséfone - Capítulo 17


Escrita por: e Joao42k


Capítulo 17 - A Vingança de Hades (Profecia)


Fanfic / Fanfiction Contos de Hades e Perséfone - Capítulo 17 - A Vingança de Hades (Profecia)

Capítulo 3: Profecia

 

 

~Hades~

 

— Um filho... Isso resolve tudo... — Nêmesis foi a primeira a se pronunciar após eu contar sobre a volta de Perséfone.

Um suspiro escapa enquanto esfrego o rosto. De alguma forma eu ainda esperava que essa história toda fosse apenas um sonho estranho do qual até agora não consegui acordar.

—Ainda não sei o que fazer sobre isso... — Confesso para os deuses sentados em volta da mesa. — Ela parece diferente... 

Era difícil admitir a ideia de que aquela criança poderia muito bem não ser minha. Eu ainda não havia reunido coragem o suficiente para segurar o bebê e comprovar isso. Seria doloroso demais. Apesar de todas essas dúvidas e inseguranças eu ainda acreditava nela, eu a deixaria se explicar e não faria nenhum julgamento antes de saber toda a verdade.

— Eu só espero que você tenha um ótimo plano. — Nix murmurou sorrindo fraco. — Os olimpianos não vão cair facilmente, e muito menos se comover por um bebê.

— Talvez seja melhor assim, Perséfone não precisará participar do confronto, ficará aqui em segurança. — Sugeriu Tânatos. — Hipnos ou Morfeu poderão ficar com ela.

— E perder a chance de ver os dois deuses mais inúteis do Submundo numa batalha contra o Olimpo? Ah eu quero muito ver isso! — Nêmesis riu.

Ambos os deuses não participavam desta reunião, os dois tinham tarefas importantes para cumprir agora. Apenas convoquei os deuses disponíveis para tentar me ajudar a entender o que estava acontecendo, eu precisava de um tempo para assimilar tudo. Mas agora eu via que aquela reunião havia virado uma discussão familiar... As vezes filhos de Nix eram um verdadeiro pé no saco.

— Posso saber o motivo da risada? Se não reparou estamos em desvantagem numérica, precisaremos de toda a ajuda possível. — Hécate tentou ser razoável, mas não foi muito convincente.

— E o que os dois iriam fazer exatamente? Cantar músicas de ninar para Zeus? — A deusa da vingança debochou. — Ah me poupe. Já temos uma deusa que pode tirar a imortalidade de um olimpiano com um estalar de dedos, já temos a vitória garantida graças a mim e temos o senhor dos mortos com um exército infinito de almas. Não precisamos de mais ninguém.

Olho para frente e encaro o assento vazio. Perséfone deveria estar sentada ali e a par de tudo o que planejávamos para os olimpianos. Por mais que tivéssemos tudo isso, ainda não podíamos atacar, não sem antes eu ter certeza de que não faltava nada...

 Mas que inferno... Literalmente... Perséfone tinha que ter feito toda essa merda no dia em que eu revelaria tudo para ela? Agora meus planos eram incertos, eu estava começando a duvidar da vitória mesmo com Nêmesis ao meu lado me lembrando disso o tempo todo. 

Eu precisava falar com ela, tentei sentar ali e me deixar ser convencido de que aquilo não mudaria nada na minha estratégia, mas mudou tudo. Mesmo com tantos aliados poderosos... Todos esses aqui presentes foram renegados e desprezados pelos deuses que se sentiam superiores apenas por sentarem em tronos de ouro no topo de uma montanha. 

— Apenas pare de tentar se convencer... — Nix fala para mim.

 Estou um pouco surpreso, deuses não podiam ler as mentes uns dos outros, mas o que eu sabia sobre uma deusa primordial?  

— Vá falar com ela resolver esse assunto, já discutimos vezes suficientes para este século... — Nix se levanta e caminha para a saída. — Agora estou cansada, vou me retirar. E quando for convocar a próxima reunião espero que seja para nos contar o que planeja.

Eu também espero. Não podia ficar prolongando isso ainda mais. Era preciso tomar uma atitude agora.

Após a saída de Nix, os outros deuses também se vão e eu finalmente me preparo para encarar a verdade. Eu não aceitaria mais nenhum absurdo de Perséfone, eu sabia que ela escondia algo. 

Vou até o quarto que sou informado que ela está e paro em frente a porta que está aberta. A deusa da primavera está segurando Zagreus. Ela está distraída brincando com o filho e noto que se assusta quando me vê parado ali. 

— Hades... Que bom que veio, ele acaba de acordar... — Ela diz ajeitando-o no berço. 

— Precisamos conversar. — Eu entro no quarto e fecho as portas. 

Ouço-a respirar fundo. 

— Querido por favor, venha conhecê-lo, eu sei que não aconteceu como gostaria mais... — Ela começa. 

Ergo a mão pedindo para que faça silêncio e ela obedece.

 Me aproximo do berço onde o bebê mordisca um brinquedo e olha para mim. Eu o pego no colo por alguns segundos e as palavras de Melinoe ecoam em minha mente, agora sei o que ela quis dizer. Coloco-o de volta com cuidado e me viro para uma nervosa deusa da primavera. 

— Você o adotou? — Eu pergunto simplesmente.

— O que? — Perséfone leva as mãos ao coração. 

— Porque se o tiver adotado eu queria que soubesse que eu não tenho absolutamente nenhum problema com isso, só queria que tivesse me avisado antes. — Eu respondo mantendo a voz calma. — Poderia ter enviado Hermes pessoalmente para verificar se eu havia recebido suas cartas. 

A deusa olha nervosamente para o bebê e depois para mim. Parecia prestes a pegar a criança e sair correndo. Ela comprime os lábios e pisca algumas vezes tentando conter lágrimas. Após eras julgando almas era fácil prestar atenção a esses detalhes, geralmente faziam isso quando estavam prestes a mentir descaradamente ou implorar por perdão.

— Eu sei, eu fui tão estúpida... Mas depois daquela nossa noite perto do rio eu não achei que ficaria tão surpreso... Quer dizer... Era para acontecer e você foi tão gentil, tão doce... Não pensei que pudesse reagir desse jeito, mas eu deveria ter me certificado de que você tivesse sido avisado. — Ela se defende, parecia prestes a chorar. 

Me aproximo dela. Quis abraçá-la pois ela estava triste mas não consegui. 

— Perséfone olhe pra mim. — Eu peço e ela o faz. — Que noite perto do rio? 

Ela enxuga as lágrimas e respira fundo antes de responder.

— Eu não acredito que esteja fazendo isso comigo! — Ela rebate nervosa. — Hades esse é o seu filho! O filho que nós dois concebemos quando você foi me visitar! Estávamos perto do rio, foi você que foi até mim!

Naquele momento eu tive a certeza. Mas decido colaborar para ver até onde isso iria.

— Nossa noite perto do rio? Quando exatamente? — Finjo tentar me lembrar.

— Não tenho certeza mas foi no verão, eu estava caminhando e você apareceu. — Ela contou. — Como pode não se lembrar disso?

Aí estava... A resposta que eu queria.

— Ah sim, você gosta de ficar perto do rio... Foi perto de um que nos vimos pela primeira vez, você sabe disso... — Eu digo para ela. — Você também não nasceu no Olimpo e nunca o considerou uma casa pois nunca passou tempo suficiente nele para afirmar isso... Você nunca se calou quando eu pedi, muito menos por um simples gesto ordenando que faça isso... E o mais importante: Você sabe que eu não tenho permissão para visitá-la durante o verão ou primavera, faz parte do acordo. 

Ela prende a respiração e dá alguns passos para trás. Ela se encolhia enquanto eu me aproximava, sua expressão agora era de puro medo. Instintivamente ela ergue as mãos. Penso que irá me atacar mas nada acontece. Eu finalmente pergunto: 

— Quem é você? — Pergunto tentando não matá-la antes de obter uma resposta. — Onde está Perséfone? 

A mulher dá vários passos para trás até que bate as costas contra a parede ficando sem saída.

—  Por favor, não machuque a mim e ao meu filho... —  Ela implora erguendo as mãos. 

—  Me diga o que eu quero saber agora! —  Com um gesto eu faço a criança desaparecer do berço. 

—  Tudo bem, eu não sou Perséfone... —  Ela admite o óbvio. —  Eu troquei de lugar com ela algumas semanas antes dela retornar ao mundo inferior, mas não quis causar nenhum mal a você ou a ela, só fiz isso apenas para enganar Deméter, por favor... Traga Zagreus de volta. 

— Quem é você? — Uso meu poder para invocar sombras na forma de correntes que a prendem, elas queimariam cada vez que tentasse mentir.

— Eu sou Despina... Sou filha de Deméter e Poseidon. — Ela diz seus nomes com uma raiva contida. — Fui abandonada por eles... Perséfone esteve presa em minha casa todo esse tempo, eu fiz isso para enganar Deméter pois queria vê-la me receber pensando que eu fosse ela. Não planejei vir até aqui, mas fiz um acordo de que viria para cá para espioná-lo, os olimpianos sabem de sua pequena revolta.

A deusa chora de raiva ao ter que revelar tudo.

— Que acordo? 

— Tive ajuda para trocar de lugar com ela, mas não posso revelar de quem...  Não menti sobre Zagreus, você deve ter um coração de pedra para esquecer daquela noite, foi você quem traiu sua esposa, você assim como Deméter não percebeu quem eu era!

Ela tenta se soltar em vão. A mesma percebe desesperada que está sem seus poderes, aparentemente isso não deveria ter acontecido. 

Já posso imaginar onde ela obteve essa ajuda. A única coisa que não fazia sentido era esse filho, eu não havia traído Perséfone como ela dizia pois eu não poderia ir até o mundo mortal para vê-la enquanto ela estivesse lá. Apesar da questão confusa já ouvi histórias sobre mulheres sendo enganadas dessa forma, eu não preciso pensar muito para chegar a conclusão de que havia somente um deus que podia se transformar em qualquer um e qualquer coisa... Um dom que ele roubou de sua esposa grávida. 

Olho para a impostora que se derrama em lágrimas. Não consigo sentir nada além de ódio, vê-la falar estando no corpo de Perséfone era demais pra mim. Meu sangue parece ferver, aquela mentirosa estava tão perto de ir para o tártaro...

—  Onde ela está? —  Eu repito uma ultima vez.

—  Ela ainda está entre os mortais, eu a deixei escondida na minha casa... 

Não...

—  Você fez o que? 

— Fica no topo de um monte em Atenas, posso te levar lá... Mas por favor meu filho... —  Ela diz novamente. 

Não fico naquele quarto nem mais um minuto. Antes de sair tranco o cômodo com meus poderes. Eu ainda voltaria ali para matá-la. Mas agora não restava muito tempo, eu tinha que alcançar Perséfone antes que fosse tarde demais.

Meia hora havia se passado mas a procura pareceu demorar uma eternidade. Todos os deuses do Mundo Inferior estavam focados na única tarefa de encontrar Perséfone. Nix havia se voluntariado para vir comigo até o Tártaro, era o lugar que eu mais temia que ela estivesse, mas havia chances dela estar lá embaixo. Estando no corpo de uma deusa que havia feito coisas tão perversas, sua sentença poderia ter sido a pior possível. 

Os juízes não eram capazes de fazer distinções entre seres divinos e mortais. Eles até poderiam ouvir o que ela tinha a dizer em defesa, mas o corpo de Despina guardava apenas as memórias dela, todos eles chegariam a conclusão de que ela estaria mentindo. Na melhor das hipóteses, se os juízes ficassem em dúvida eles a concederiam uma audiência comigo, mas eu não podia ficar sentado esperando isso acontecer.

— É melhor nos apressarmos. — A deusa da noite surgiu.

Eu tinha que ter esperanças de que ela estava bem, mas meus pensamentos só me permitiam pensar o pior. Macária e Melinoe estavam agora nos Campos de Asfodelos, era uma área imensa para cobrir mas elas não hesitaram em ir. Foi difícil contar a verdade a elas, ou o motivo de sua verdadeira mãe ter se transformado em uma alma mortal cuja a aparência era um mistério. Eu juro que não queria preocupá-las mas era algo inevitável. 

As portas da morte se abrem para o pior lugar do universo. Dou o primeiro passo na direção do Tártaro quando elas subitamente se fecham e desparecem. Mas o que??

— Isso não será mais necessário, meu senhor. — Tânatos pousa a nossa frente. —Perséfone foi encontrada, Hécate disse que ela está no tribunal. 

Não pensei duas vezes. Me transporto para o local indicado e vejo a deusa da magia próxima a centenas de almas, ela ainda procurava. A magia dela era apenas capaz de indicar o local, e não qual daquelas almas seria a deusa da primavera. Aos poucos outros deuses vão chegando e começando a olhar em volta, sem a mínima ideia de como a achariam. O tribunal era um gigantesco salão lotado de mortais aguardando julgamento. 

Com apenas um gesto eu faço com que os juízes se retirem, interrompendo as atividades. Os demais deuses fechavam as portas para garantir que ninguém mais saísse ou entrasse. 

— A chama desta tocha é encantada, ela fica mais forte conforme a alma de Perséfone se aproxima, mas agora está estável. — Hécate diz se aproximando e segurando a tocha. — São muitas almas para verificar, devemos chamar uma por uma? 

— Isso não será necessário. — Eu respondo para ela. 

Continuo a caminhar pela multidão, um sentimento bom me invade, sei que ela está perto. Posso sentir as batidas de seu coração como se eu o segurasse em minhas mãos, sei que é ela pois nossos corações batem em conjunto, como um só, ambos procurando um ao outro. Me aproximo de uma das fileiras lotadas de pessoas. Deviam ter milhares, todas falando e procurando entender o que estava acontecendo. 

Nenhuma delas se quer se parece com Perséfone. Me aproximo e as almas vão abrindo caminho. Eu não tinha como saber em que corpo ela estava, nem ao menos havia perguntado a impostora sobre sua aparência verdadeira. Olho ao redor tentando localizá-la e uma das almas chama minha atenção. 

Eu soube assim que a vi. Ela possuía o mesmo semblante nervoso que todos os outros que estavam prestes a enfrentar um julgamento, sua aparência agora era totalmente diferente, mas sua alma era impossível de ser confundida. 

Corro até ela. A deusa da primavera percebe que me aproximo e olha para mim, que estende os braços em meio a lágrimas e sorrisos de alívio. Eu a abraço forte e ela retribuiu soluçando e chorando. Eu não queria deixá-la nunca mais, pensar que quase a perdi era doloroso demais. Não quero imaginar o que teria acontecido caso eu não chegasse a tempo, caso aquela impostora tivesse conseguido me enganar. Naquele momento eu sentia apenas felicidade por tê-la novamente em meus braços.

— Eu consigo te tocar... — Ela diz me tocando em vários pontos do meu rosto. 

Não consigo evitar sorrir diante disso. Talvez essa fosse a melhor vantagem de ser o deus dos mortos. 

— Mamãe! 

— Mãe! 

Macária e Melinoe chegam correndo logo em seguida e a abraçam forte. 

— Minhas queridas! — Perséfone retribui os abraços. 

Hécate assistia a cena enxugando uma lágrima. Agora eu acreditava mesmo que a deusa da magia possuía um talento para encontrar Perséfone.

Milhares de almas que aguardavam julgamento estavam nos observando agora. Eu não podia impedi-los de olharem, aquela cena não acontecia todos os dias.

— Vamos pra casa. — Eu digo para elas e nos transporto de volta. 

Perséfone ainda estava muito transtornada. Chorava tanto que seu rosto tinha ficado vermelho, o que não aconteceria caso estivesse em seu verdadeiro corpo. 

Hécate havia ido preparar alguns encantamentos para realizar a troca. Melinoe e Macária foram andando pelo jardim com Perséfone enquanto contavam como haviam treinado Cérbero para fazer vários truques. A deusa da primavera conseguiu rir um pouco mesmo depois de todo o inferno que havia passado. Eu paro ao seu lado e assisto Macária e Melinoe jogando bolas para Cérbero, que trazia todas de volta para receber petiscos e carinhos.

— Pode por favor me contar porque isso está acontecendo? — Ela pede visivelmente mais calma. — Quem era ela? Porque estava aqui? Porque estava no meu corpo? O que está acontecendo? 

Simplesmente a abraço e deixo que chore mais um pouco. Prefiro conversar sobre isso em outro lugar. Deixo que ela se despeça das filhas, prometo contar tudo a elas depois. Por enquanto eu apenas me concentraria em Perséfone. Nos transporto até a porta do quarto e deixo que ela entre primeiro, assim que a vejo entrar no banheiro eu me viro para Tânatos. 

— Me chamou? — Ele pergunta.

— Sim, preciso que leve a impostora para a prisão em baixo do palácio, eu mesmo faria isso mas acho que seria capaz de matá-la e trancá-la no Tártato caso a veja novamente. — Digo para ele. — Mas Perséfone provavelmente vai querer vê-la, ou não, não cabe a mim decidir, apenas faça isso.

Ele assente e se retira. 

Entro novamente no quarto e a vejo sentada na cama. Ela havia prendido os cabelos que não eram dela em um coque, mas a textura dele fazia com que ficasse caindo. A deusa suspira frustrada e pega um lenço para enxugar lágrimas insistentes. 

— Você está bem? — Pergunto após alguns momentos. O choro havia diminuído consideravelmente. 

A deusa apenas confirma com a cabeça. 

— Você sabe o que aconteceu comigo? — Ela pergunta. — Por que estou nesse corpo? 

— Uma deusa chamada Despina obteve ajuda olimpiana para trocar de lugar com você, ela disse que é sua meia irmã e fez isso para se vingar da mãe que a abandonou, eu enviei Hipnos para saber se Deméter estava bem, ele deve retornar logo. Aparentemente não fazia parte dos planos da impostora vir até aqui, mas fazia parte do acordo com a pessoa que a ajudou. — Respondo o mais calmamente possível tentando não deixa-lá mais abalada. 

— Você ainda não sabe quem é? — Ele pergunta.

— Morfeu está trabalhando nisso, ele pode entrar nos sonhos dela e descobrir, é uma questão de tempo. — Eu digo me sentando ao seu lado. 

Perséfone usa o lenço novamente. 

— Eu tenho uma irmã? — Ela pergunta confusa. — Mas porque isso aconteceu comigo? Porque eu acordei desse jeito? Eu não me lembro de nada do que aconteceu antes disso.

Solto um suspiro e me aproximo. Eu a conforto e me preparo para revelar uma verdade que eu esperava que ela nunca descobrisse desse maneira.

— É isso o que acontece caso alguém coma um alimento do Mundo Inferior e não retorna por vontade própria. — Eu a pego no colo estilo noiva. — Como você está no corpo de outra pessoa sua alma veio pra cá no corpo dela e como uma mortal, é isso o que as romãs fazem. 

— Nossa... É um destino cruel. — Ela comenta simplesmente. 

— Você merecia saber mas nunca achei que isso pudesse realmente acontecer, por isso fizemos um acordo com Hermes para que ele te trouxesse em segurança. — Tento explicar, não queria que ela pensasse algo errado. — Meu amor, por favor me perdoe, isso nunca deveria ter acontecido, eu sinto tanto... 

— Eu sei... Estou feliz por estar de volta, mesmo estando no corpo dela... — Perséfone responde. — Não era assim que eu imaginava conhecer uma irmã. 

— Eu te amo, não importa o que aconteça... — Respondo e beijo sua testa. — Tem mais uma coisa que deve saber sobre Despina. Ela disse que após trocar de corpo com você ela ficou grávida, segundo ela o filho também é meu mas não tenho como deixar o Submundo enquanto você está lá...

— O que? — Ela pergunta. — Então esse era o bebê que eu a vi segurando... O que aconteceu com ele? 

— Está sob os cuidados de alguns empregados, a mãe dele está presa. 

— Mas isso não faz nenhum sentido, com quem ela teve esse filho? — Perséfone começa a ficar nervosa novamente. 

— Aí é que está, o pai da criança pensou que ela fosse você quando foi até lá. — Explico calmamente. — Existe um deus olimpiano que pode assumir qualquer outra forma, até mesmo a de outros deuses. 

— Zeus... — Ela conclui levando as mãos ao rosto.

Quando eu ia responder alguém bate na porta. Deixo a deusa deitada na cama e abro a porta para três deuses. Hipnos, Nix e Hécate entram no quarto e vão falar com Perséfone.

Havia tanto mais que eu queria contar para ela, mas decido esperar um pouco mais. Não podia simplesmente contar todo um plano de guerra agora que ela havia parado de chorar. Não era justo com ela assim como não era justo com minhas filhas. Ambas tinham aproximadamente 15 anos na contagem mortal, não deveriam se envolver numa guerra. 

Eu a deixaria descansar e quando estivesse de volta em seu verdadeiro corpo nós finalmente poderíamos conversar. Não pensei na possibilidade dela ser contra o que eu planejava, é claro que ela tinha certas amizades no Olimpo, mas eles não seriam o alvo e mesmo que fossem nossos inimigos eu os pouparia por ela. 

Ainda restavam tantos problemas, mas talvez um deles pudesse ter me trazido uma solução. Eu ainda não havia revelado a profecia para Perséfone, mas eu certamente o faria o quanto antes. Talvez aquele bebê fosse a última peça do meu plano.

— Aqui está, você só precisa beber isso e vai acordar em seu corpo. — Hécate entrega um copo a ela. — Nix vai restaurar sua imortalidade, mas vai levar algumas horas até que a transformação esteja concluída... 

— Espera, e minha mãe? — Ela pergunta para Hipnos.

O deus aguarda alguns segundos antes de responder.

— Deméter foi vista como prisioneira no Olimpo, aparentemente Zeus acredita que ela conspira junto a você e Hades para tentar usurpar o trono. — Ele responde. — Sinto muito. 

— Isso é um absurdo, eu preciso vê-la! — A deusa se levanta da cama. 

Vou até ela para acalmá-la.

— Perséfone, escute... Eu prometo que isso não vai ficar impune, nós vamos resgatá-la mas por enquanto preciso que se acalme, você não poderá fazer nada sobre isso enquanto estiver assim. — Digo tentando convencê-la a se sentar novamente. — Apenas beba a poção, Hipnos a fará ter um sono tranquilo, quando acordar vamos resolver tudo isso. 

A deusa se senta novamente parecendo ainda mais triste do que antes. Eu definitivamente não podia continuar jogando tantos problemas em cima dela, e ela mesma parece concordar com isso. 

Perséfone pega o copo e bebe o líquido de uma vez. Hipnos ergue sua mão e Perséfone cai no sono imediatamente. Não foi fácil assistir minha esposa nessa situação, eu sei que ela se sentia frágil e impotente e queria estar de volta o mais rápido possível. 

Eu vou em direção a porta mas volto, não sei se poderia deixá-la assim, ela havia acabado de retornar.

— Pode ir, vamos cuidar dela. — Nix tranquiliza meus pensamentos com essa frase. 

Hipnos e eu deixamos o quarto. Dou algumas ordens para que ele volte ao Olimpo e descubra o máximo possível sobre a situação daquele lugar. Assim que ele sai eu vou em direção a prisão no subsolo. A essa altura Morfeu já deveria ter descoberto a divindade que ajudou a impostora. Ao menos enquanto Perséfone se recuperava eu poderia resolver alguns problemas por ela. 


Notas Finais


Por favor me digam o que acharam!!
Até o próximo <3


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