História Contos de Paris - Capítulo 13


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Palavras 8.090
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, pessoas! Tudo bem? Demorei, mas voltei. Segue mais um capítulo de CdP. Espero que gostem!

bjs

Capítulo 13 - Altos e baixos


 

Marinette Dupain-Cheng POV

–Então é verdade mesmo que vocês terminaram? – Perguntou Alix.

–Sim. – Respondi sem humor – Adrien estava bastante estranho nos últimos tempos. Não falava comigo direito, tinha alterações no humor... Eu gosto dele, mas desse jeito não dá. Eu não aguento.

Estava almoçando com Alix e Alya após a faculdade em um shopping. Mais um programa para eu me distrair nesses dias ruins. Enquanto a imprensa deveria se preocupar com a candidatura de André Bourgeois à prefeitura de Paris, os jornais dedicavam páginas e páginas falando sobre o término do meu relacionamento com Adrien especulando diversas teorias sobre o que poderia ter acontecido entre nós.

Sério mesmo que um político membro de um partido ultraconservador como o Frente Nacional, preconceituoso, um defensor ardoroso da política anti-imigração de refugiados como André Bourgeois era menos importante que o término do meu namoro? Isso por que não mencionei o provável envolvimento dele no esquema de Gabriel Agreste.

Os repórteres me telefonaram durante dias até que pisei no chip do meu celular até quebrar e, consequentemente, mudei de número. Deveria ter tomado essa atitude há muito tempo. Teria evitado muita dor de cabeça.

–É verdade, Adrien está irreconhecível. Se bem que ele já foi introvertido, mas agora... – comentou Alya – Ele sequer conversa com o Nino. Aconteceu algo e ele não quer nos dizer.

–Para piorar... Ele achava que eu tenho algo com o irmão da Juleka.

–Luka fica em cima de você mesmo. – Comentou Alix – Aquela vez na boate foi constrangedor.

–Mas não é como se eu desse margem ao Luka. Eu nem me importo com ele. Eu vou cuidar da marca. Isso é o mais importante! – Falei decidida.

–Faz bem. – Afirmou Alya – Você deve ser a protagonista de sua vida, Marinette.

–Olha só quem eu encontro aqui! – Nino falou quando se aproximou da nossa mesa – Mentira! Alya me avisou que vocês estavam aqui!

–Olá, Nino! – Cumprimentei-o.

–Almoça conosco! Estamos falando mal de homens. – Falou Alix divertida fazendo Nino arregalar os olhos – É brincadeira, Nino!

–Ah, entendi... – Nino riu de nervoso – Obrigado, mas já almocei durante a reunião com os donos de uma galeria.

–Reunião de que? – Alya perguntou.

–Tenho algo a contar a vocês. Eu faria uma surpresa, mas eu não aguento guardar segredo! Não por muito tempo! Eu estou muito empolgado com essa notícia!

–Disso eu sei. – Comentou a mulher de cabelos avermelhados – Mas o que você conversou com os donos dessa galeria?

–Então...  Sabe aquele projeto de fotografias sem edição que eu estava pensando em lançar por conta própria? Eles se interessaram! Vou fazer uma exposição com essas fotos daqui a dois meses! Não é demais, gente?

–Isso é sério, Nino? – Perguntou Alya surpresa.

–Sim, sim! Eu tenho de correr para fazer o trabalho de curadoria, eles me ajudarão com a divulgação... – Nino falava animado.

–Parabéns, mon cher! – Falou dando vários beijos no rosto de Nino – Eu sabia que um dia iriam lhe convidar para expor seu projeto.

–Parabéns, Nino! – Afirmei – Tenho certeza de que sua exposição será um sucesso!

–Também penso o mesmo! – Comentou Alix – Nos convide para o lançamento! Serei a primeira a marcar presença.

–Serão minhas convidadas de honra.

–Isso merece um brinde! – Falei – Que a exposição do Nino...

–E a Vixen sejam um tremendo sucesso! – Completou o fotógrafo fazendo o brinde com suco de laranja.

[...]

Faltava pouco para o lançamento do site da marca. Juleka e eu estávamos trabalhando a todo vapor para que o site fosse logo ao ar. Em uma tarde, depois da aula, nós terminávamos de editar as fotos do ensaio.

–As fotos que Nino fez do Luka e da Rose ficaram ótimas. – Comentou Juleka – Eu não imaginava que fazer um ensaio naquele estúdio improvisado superaria nossas expectativas.

–Nino é o rei do improviso. Se tivéssemos feito em outro lugar, o ensaio ficaria ótimo do mesmo jeito.

–Será que, em um futuro próximo, a Rose faria outro ensaio quando tivesse o lançamento de uma nova coleção da Vixen?

–Acredito que sim. Rose foi bem solícita conosco. Por que pergunta isso?

–Ah... por nada. Curiosidade, talvez.

–Será?! Juleka, eu posso te perguntar duas coisas? Você só me responde se quiser. Se não quiser, não tem problema. Eu não volto a insistir no assunto. Não quero ser invasiva.

–Pode perguntar Marinette.

–Eu não sei se é impressão minha, mas às vezes eu percebo coisas... eu vi como a Rose te olhava e você estava envergonhada. Pelo que percebi, ela gostou de você. O que você sente pela Rose? Por que se você sentiu constrangida por conta dela pode me falar que... que na próxima vez em que eu a vir, eu falo para ela que a nossa relação é estritamente profissional.

–Não Marinette... não é isso...

–Não?!

–Acho que estou apaixonada pela Rose. Eu sei, é estranho... eu só me relacionei com homens e...

–Não, não é estranho Jules. Você é livre para amar quem quiser.

Juleka sorriu para mim.

–Eu penso nela sempre. Se eu fico envergonhada é por que não sei como corresponder. Além disso, ela é a modelo! Rica, famosa e eu...

–Você também tem suas qualidades, Juleka. – Falei tocando seu braço – Foi a única pessoa que se aproximou de mim sem interesse aqui na faculdade. Aliás, é a minha única amiga aqui. Tenho certeza de que a Rose percebeu o mesmo. Convide-a para sair quando terminarmos isso.

Irônico eu dar conselhos amorosos quando a minha vida amorosa estava em ruínas. Tudo bem, eu estava exagerando. Não era nenhuma tragédia grega, mas eu ainda pensava em Adrien quando olhava para o relicário que ele me deu. Estava difícil esquecê-lo. Eu não queria esquecê-lo. Ainda mais quando lançaram o comercial em que ele participou na televisão, redes sociais...

Eu deveria focar na minha carreira, priorizar a minha vida como disse a Alya. Não sofrer por homem que desconfia de mim. E foi o que fiz... em poucos dias, Juleka e eu divulgamos partes do ensaio no perfil da loja no Instagram até que o site ficasse pronto. No dia do lançamento e nos dias seguintes, recebemos muitos pedidos de roupas. Eu já havia feito várias peças de cada modelo para deixar em estoque.

No entanto, nós não conseguíamos dar conta de tantos pedidos. O que era ótimo para Juleka e eu. Para conseguirmos entregar tudo a tempo, contratamos o serviço de outra costureira até que resolvemos trancar a faculdade para nos dedicarmos em tempo integral à Vixen.

–Me deem alguns meses. – Pedi quando conversava com os meus pais – Eu não abandonei a faculdade. Eu apenas tranquei.

–Mas você queria tanto cursar design, Marinette... – afirmou Tom.

–Deixa a Marinette falar... – pediu Sabine.

–Sim, vocês são testemunhas disso. Sabem também que eu não quero ficar dependente de vocês para sempre. A Vixen já está rendendo bons lucros em menos de um mês de funcionamento. – Falei mostrando a Tom o faturamento de duas semanas – Juleka e eu já estamos atrás de um local para alugarmos. Algo próximo a Printemps.

Tom encarou Sabine e suspirou resignado. Pela expressão dele não havia o que dizer.

–Vai dar tudo certo! Confiem em mim! – Tentei passar firmeza em meu discurso.

–Se você diz... O que posso fazer? – Comentou Tom.

Dei um abraço apertado nos dois. Antes de ir dormir, estava combinando com Juleka o horário para vermos o ponto que serviria de loja física. Despedi-me dela por mensagem e passei a olhar as publicações no Instagram. Uma delas me chamou a atenção: era Adrien no lançamento do seriado Fantômas junto a uma mulher de aparência oriental muito bem vestida. Os dois se encaravam enquanto posavam para o fotógrafo.

Já fazia alguns dias que eu não via Adrien. Estava bastante diferente; parecia outra pessoa. Os cabelos passavam dos ombros, a barba estava por fazer e ele havia emagrecido. Eu o via sorrindo para a mulher que o acompanhava, mas o sorriso parecia forçado.

–Mas o que significa isso? Mal terminou e já colocou a fila para andar?! Quem é ela? “O ator e modelo Adrien Agreste acabou de chegar ao lançamento de Fantômas junto a Kyoko Tsurugi, filha da empresária japonesa Tomoe Tsurugi”. – Falei lendo a legenda da foto – Eu não vou investigar essa mulher! Eu não vou me prestar a isso! Mas não vou mesmo!

Joguei o celular na mesinha de cabeceira e me virei na cama.

–Que se foda! – Falei pegando o celular – Ninguém vai saber mesmo!

Comecei a digitar o nome de Kyoko no navegador do celular. Havia muitas fotos dela acompanhando a mãe em eventos, aulas e seminários na Faculdade de Direito da Toudai, fotos com as amigas em uma sala de karaokê... O que eu estava procurando mesmo?

De repente, a imagem de Alix apareceu na tela do meu celular chamando para uma conversa em vídeo.

Você viu? – Perguntou.

–Acabei de ver, mas eu não tenho nada a ver com isso. A fila anda, vida que segue... eu só vi por que estava olhando as publicações antes de dormir.

Espera só um segundo.

Já está sabendo? Eu acabei de ver aqui! – O rosto de Alya surgiu na tela junto ao de Alix – A mulher é parecida com você!

–Que preconceito, Alya... isso só reforça o estereótipo de que todo oriental é igual na aparência. Ela é japonesa e eu sou descendente de chineses nascida aqui mesmo na França. Não tem nada a ver!

Tudo bem, me desculpe, não foi a minha intenção. O cabelo é mais curto, ela parece ser mais baixa. Mas que lembra um pouco lembra.

–O que quer dizer com isso, Alya?

Que Adrien arrumou alguém parecida com você para te esquecer... e também queríamos saber como estava.

–Estou bem. Deixem-no seguir com a vida que eu estou fazendo o mesmo. Boa noite! Tenho muita coisa a fazer amanhã.

As duas se despediram. Coloquei o celular na mesa de cabeceira e tentei dormir.

–Melhor assim...

No dia seguinte, Juleka e eu estávamos na frente do ponto comercial que iríamos alugar esperando o corretor aparecer. Luka também veio para nos dar apoio moral.

–Olhando por fora, parece arrumadinho. – Comentou Juleka – Mas nada que uma mão de tinta com uma cor alegre e uma boa decoração não resolva. Não é, Marinette?

–É verdade! – Falei tentando disfarçar o humor. Tive uma noite de sono péssima!

–Está tudo bem? – Perguntou Luka.

–Vai melhorar quando o corretor chegar. Falando nele... olha ele chegando.

–Bom dia, senhoritas! – Falou o corretor pegando as chaves da bolsa tiracolo que usava – Desculpem-me pela demora. O locatário demorou a entregar a cópia das chaves, mas aqui estão.

–Bom dia, senhor Barbot! – Falou Juleka.

–Vamos entrando...

Como vimos pelo lado de fora, o local estava impecável, mas as paredes eram pintadas com cores sóbrias. Enquanto o corretor falava, eu observava os detalhes do imóvel. Na parte de baixo, havia um salão enorme onde imaginava araras cheias de roupas em cada canto, provadores, gente vindo de todos os lugares para comprar.

–Há dois banheiros bem ao final do corredor. O contrato permite que pintem e decorem como desejar, mas caso o contrato não seja renovado...

–Será devolvido como encontramos. – Comentei – É o esperado.

–Há outro cômodo em cima. Acompanhem-me, por favor.

Subimos os degraus que dava acesso ao outro cômodo da loja. Era um pouco menor que o de baixo, mas era perfeito para o que Juleka e eu imaginávamos.

–Podemos fazer o escritório e o ateliê aqui em cima. – Afirmei à mulher de cabelo colorido – O que acha?

–Estou imaginando o mesmo! Parece que estou te vendo costurando em sua máquina. Quanto o locatário está pedindo?

–O aluguel está em dois mil e quinhentos euros por mês. Ele pede dois meses de caução como garantia, mas eu posso tentar diminuir em duzentos euros, já que terão de fazer uma pequena reforma no local.

–Não é melhor olharmos outros locais pela área? – Perguntou Luka – Eu sei que o ponto é bem localizado, mas...

–Nós vamos ficar com o ponto. – Afirmei categoricamente.

–Eu fiz uma pesquisa pelas redondezas, Luka... – Juleka explicava ao irmão – A moda alternativa se encontra aqui. É o lugar perfeito para começarmos!

–Se vocês dizem...

Em poucos dias, iniciamos a reforma na loja. Fizemos um verdadeiro mutirão de pintura e decoração. Todos os meus amigos e meus pais estavam ajudando na arrumação ora pintando ora carregando moveis. No dia da inauguração, a loja estava repleta de clientes. Juleka e eu estávamos animadas.

Para nos ajudar, contratamos uma vendedora de origem africana que se mostrava bastante eficiente e receberia um salário e comissão por vendas com todos os direitos trabalhistas. Juleka e eu não queríamos ser vistas como patroas ruins.  Aisha já havia passado por maus bocados no Sudão do Sul e eu gostaria de ser uma das pessoas a ajudá-la a ter uma vida melhor.

[...]

Em um dia, eu estava no ateliê desenhando mais um croqui de roupa inspirado em um filme que assisti na televisão.

–Marinette, com licença. Tem uma moça lá embaixo querendo falar com você. – Falou Aisha – Ela disse que se chama Layla Rossi e que é sua amiga.

–Layla?!

Mas o que ela queria aqui na loja? Já havia entrado em acordo com as empresas que me contrataram para fazer propaganda.

–Ela pode subir.

–Tudo bem, eu vou chamá-la.

Logo depois, Layla subiu para o ateliê.

–Boa tarde, Marinette! – Falou se aproximando de mim – Agora sim está trabalhando com o que gosta! Meus parabéns!

–Boa tarde, Layla! Obrigada. Sente-se, por favor.

–Obrigada. Você é sempre muito gentil Marinette.

–O que veio fazer aqui?

–Vim conhecer seu trabalho. Quero renovar um pouco meu guarda-roupa.

Ela mentia. Percebi que ela se esforçava ao máximo para ser simpática e agradável.

–Diga a verdade, Layla. Você não veio aqui para renovar guarda-roupa coisa nenhuma. – Falei cansada.

–O que está dizendo? Eu vim te apoiar em seu novo trabalho.

–Não precisar bancar a boazinha para mim. Eu sei quem você é. Uma tremenda de uma mentirosa! Adrien pode confiar em você, mas eu nunca acreditei em uma palavra sua!

–Assim está me ofendendo, Marinette. – Afirmou triste – Eu só quero ajudar...

–E você acha que o seu teatro barato me comove? Diz logo o que quer! Tripudiar de mim? Eu sei que você gosta do Adrien.

–Como... como descobriu isso? – Perguntou.

O rosto de Layla não demonstrava tristeza e sim, raiva.

–Desde quando nos conhecemos. – Respondi sem sair do meu lugar – Faz um esforço imenso para ser gentil e simpática comigo. Não precisa mais esconder que não gosta de mim. Não estou mais com o Adrien.

Layla me encarava furiosa. Vi-a ofegando.

–Acho que tem o seu dedo em tudo que nos aconteceu. – Deduzi – Pelo que sei você tem contatos na imprensa. Deve ter tirado as fotos do meu beijo com Adrien em frente ao meu prédio e mandado para os jornais. Só você sabia que Adrien iria a minha casa naquele dia. O que mais você fez? Forjou um encontro entre ele e Gabriel só fazê-lo temer o pai mais ainda... ah! Também deve ter vazado as fotos que fiz para a Dior dizendo que eu era uma aproveitadora, mas com qual objetivo? Adrien nem gosta de você. Nem a vê como amiga. É apenas a agente que se intromete na vida dele. Agora tudo faz sentido.

Fiquei encarando-a por tempos. Queria ver a reação dela.

–Esforçou-se tanto e ao final, não conseguiu o que queria. Que pena, não é? – Sorri de forma sardônica – Adrien agora está com Kyoko Tsurugi. Pelo visto ele não gosta de italianas e sim, de orientais. Será que você é italiana mesmo? Você mente tanto... uma pena que todo o seu trabalho foi para o lixo.

Eu sei que estava sendo rude demais com Layla, mas ela disse para Adrien que eu o traía. Não nesses termos, mas eu me lembro do que ele gritou para mim no bar: “Bem que a Layla disse que você projeta coisas nos outros!”. Eu não me esqueceria disso nunca. Não dá para ter o mínimo de empatia com ela.

–Sua cobra! Como ousa falar assim de mim?! – Perguntou batendo na minha mesa – Você não tem provas!

–É... Eu não tenho... que lástima. De qualquer forma, não foi você quem contribuiu para o fim.

–Se não consegui acabar com o de vocês, eu destruo esse! Não há nada que eu não consiga!

–Tenta a sorte. Pelo que li a senhorita Tsurugi é rodeada de guarda-costas e sabe lutar aikidô. Espero que ela quebre a sua cara!

–Você me paga, Marinette! Eu acabo com você e essa sua marca!

–Pensa que me amedronta? – Mostrei o celular com a conversa gravada.

Layla gritou colérica, derrubando tecidos e outros materiais de trabalho na minha mesa. Eu me mantive impassível. Aisha e Juleka subiram correndo para ver o que estava acontecendo.

–Está tudo bem, Marinette? – Perguntou Aisha.

–Está sim. Por favor, acompanhem a Layla até a porta da rua. Aqui ela não entra mais e sequer veste um pano de chão com o nome da Vixen.

–Não me toquem! Eu sei onde fica a saída. – Falou descendo as escadas.

–Está tudo bem mesmo, Marinette? – Perguntou Juleka novamente – Temos uma entrevista marcada com a Alya.

–Está sim, Jules. Dê-me alguns minutos sozinha.

Assim que Juleka desceu, eu desabei na cadeira. Estava me tremendo.

[...]

Horas depois, Alya e o fotógrafo do Le Monde vieram à loja para nos entrevistar e fazer fotos do nosso trabalho. A entrevista era parte de uma reportagem falando sobre mulheres empreendedoras para um caderno especial sobre o Dia Internacional da Mulher.

–Assim que a matéria sair, eu mando um fascículo para vocês emoldurar e colocar aqui no escritório. Vocês foram ótimas. – Comentou Alya – Mesmo estando nervosa, Marinette.

–Percebeu?

–E quem não percebeu? – Perguntou Juleka se sentando em sua estação de trabalho.

–Culpa da Layla que veio para zombar de mim e ainda me ameaçou!

–Layla te ameaçou? Por que ela deu ao trabalho de vir aqui para fazer uma troça?

–Por que ela gosta de Adrien! Melhor dizendo: ela é obcecada por ele. Acredita que foi ela quem me expôs para os jornais como a namorada interesseira dele?

–Minha nossa! Eu não sei como ela ainda trabalha para ele!

–Layla ainda é a agente de Adrien? Ele disse que ia demiti-la.

–Sim, quero dizer... eu não sei. Faz tempo que não vejo Adrien. Só o vi naquela foto do Instagram. Ele se afastou completamente de nós, Marinette.

–Que estranho...

Dias depois, Aisha e eu estávamos atendendo clientes enquanto Juleka tinha ido almoçar. A parte boa de atender pessoas era que eu dava dicas de como combinar roupas. De vez em quando, apareciam clientes entojados, mas nada que não pudesse ser contornado.

–Senhorita, não deveríamos ter vindo aqui sozinhas. – Reclamou uma mulher de aparência oriental que usava um terninho cinza quando entrou na loja – A senhora Tsurugi não vai gostar nada que andamos sem a equipe. Se acontecer algo a você... eu não me perdoo.

Tsurugi? Eu reconhecia esse sobrenome de algum lugar.

–Yuuki, deixe de paranoias. – Pediu a outra enquanto olhava as roupas nos manequins – Aqui ninguém me conhece mais. Além disso, minha mãe está bastante ocupada. Não saberá de nada.

–Boa tarde, moças! – Fui atendê-las nervosa – Eu me chamo Marinette e sou a proprietária daqui. Sejam bem-vindas!

–Obrigada, Marinette! Já gostei daqui. Eu me chamo Kyoko Tsurugi. Muito prazer.

Enquanto Kyoko falava como tinha conhecido a loja pelo perfil nas redes sociais e elogiava as minhas criações, eu me lembrava da foto em que a vi com Adrien e do stalking que fiz com ela. Estava constrangida... Kyoko era tão bonita. Mais bonita pessoalmente do que na foto que vi, mas não se parecia em nada comigo como Alya comentou. A começar pelas roupas: o estilo dela era bem diferente do meu. Enquanto eu estava em uma vibe mais roqueira usando blusões e leggings em couro sintético, Kyoko se vestia como uma das princesas japonesas em aparições públicas.

–Pode ficar à vontade para olhar tudo. Não hesite em me chamar. – Afirmei.

Enquanto Kyoko escolhia roupas, Juleka voltou do almoço arregalando os olhos assim que viu a oriental.

–Tem um minuto? – Perguntou Juleka me puxando para o ateliê.

–Com licença, Kyoko. Aisha vai te ajudar agora.

Quando subimos ao ateliê, Juleka perguntou mais uma vez:

–Essa é a tal da Kyoko Tsurugi que está com o seu ex-namorado? O que ela faz aqui?

–Ué, fazendo compras! Está levando quase todas as peças dessa coleção. – Respondi – O faturamento vai dobrar! Ainda darei uma gorda comissão à Aisha.

–Isso é ótimo para nós! Mas é para você? Deveria ter chamado logo a Aisha para atendê-la. Você parece desconfortável.

–Meu problema não é com ela, Juleka. Além disso...

–Marinette? – Perguntou Aisha quando subiu ao ateliê – A senhorita Kyoko perguntou por aquele vestido com transparência que está na vitrine. Não encontro o preço na tabela nem na etiqueta.

–Diga a ela que estou vendendo por quinhentos euros. – Respondi – Peça única. Eu ainda faço os ajustes caso precise.

–Tudo bem. – Falou a vendedora descendo de volta a loja.

–Quinhentos euros naquela peça?!

–Passei duas semanas para fazer aquele vestido. Já recebemos duas avaliações positivas desses críticos de moda. Temos de nos valorizar.

–Tudo bem... – suspirou resignada.

–Como foi o almoço com a Rose? – Perguntei para quebrar a tensão.

–Foi bom, mas você precisa se divertir. Sábado vai ter mais um show da Vipers naquele bar em Montmartre.

–Talvez eu esteja precisando sair mesmo.

–Chame as meninas também. Alix, Alya e o namorado dela...

–Tudo bem.

[...]

No sábado, meus amigos e eu aproveitavamos o show da banda de Juleka e Luka no meio da pista de dança. Queria esquecer a semana de cão que tive.

–É o Adrien ali? – Perguntou Nino.

–É ele sim! E ele veio com a Kyoko. – Comentou Alya.

Vi Alya e Nino indo falar com o amigo, que trocou algumas palavras com o casal e subiu rapidamente para o camarote.

–Não é o meu amigo Adrien. – Nino comentou quando voltou para perto de mim – Abduziram-no e colocaram um gêmeo malvado no lugar.

–Também não é para tanto, Nino, mas eu te falei que ele não é mais o mesmo. – Afirmou Alya.

Vi Adrien e Kyoko conversando animadamente enquanto ele bebia cerveja diretamente da garrafa. Eu não devia me importar com ele, mas não conseguia deixar de olhar para o novo casal.

–Não olhe. Não dê cabimento. – Pediu Alix.

–Finge que ele não está aqui. – Comentou Rose – Vamos ao bar. Estou com sede.

–Cadê o desenhista que andava com você? – Perguntei a Alix quando nos encaminhávamos ao bar.

–Acho que ele só me queria para desenhar. Ainda bem que ele não fez nenhum desenho meu nua.

–Menos mal.

Enquanto pedíamos as bebidas no bar, Juleka e Luka se aproximaram de nós.

–Cantaram divinamente. –Afirmou Rose dando um selinho em Juleka.

–Obrigada! – Falou.

–Acho que nós já temos o nosso fã-clube composto por um membro! – Comentou Luka.

–Serei a presidente! – A empolgação da loira nos fez rir.

–Contem conosco para novas afiliações. – Alix comentou – Vamos dançar?

–Vão à frente. – Afirmei.

Luka se sentou ao meu lado enquanto eu bebia o meu drinque, que desceu rasgando a garganta.

–Não vai se divertir com suas amigas?

–Não estou a fim.

–É por conta do...?

–Não fale nele! Você não tem nada a ver com isso! Desculpe falar assim...

–Sou eu quem tem de se desculpar. Fui invasivo com você, não é?

–Um pouco. – Dei de ombros.

O homem de cabelos verdes riu.

–Prometo que eu não faço mais isso.

–Tudo bem...

Até que não era tão ruim ficar perto de Luka. Eu me sentia menos tensa naquele momento.

–Quer dançar? – Perguntou.

–Quero!

Puxei Luka para a pista de dança. Eu ria da falta de ausência de ritmo dele, nós nos divertimos mesmo assim. Alix, Alya e Juleka nos olhavam com estranheza, mas eu não me importava. No alto do camarote, eu vi Adrien e Kyoko se beijando. Senti um aperto no peito.

–Tenho de ir. – Falei em um súbito.

–Mas já? – Perguntou Luka.

Saí da pista de dança sem me despedir das minhas amigas, que perguntavam para onde eu estava indo. Do lado de fora do bar, eu estava irritada com o que eu tinha visto e ainda não conseguia acender meu cigarro.

–Porcaria de isqueiro! – Reclamei jogando o objeto para longe.

–Ai! Você tem uma ótima mira, Marinette! – Exclamou Luka esfregando a testa.

–Luka? Desculpe-me.

–Tudo bem...

–Por que não está com os outros? Eu vou para casa.

–Não quero te deixar sozinha. – Falou se aproximando de mim.

–Por que não?

–Bom... Eu... eu gosto de você, Marinette! É a música que vem tocando na minha cabeça desde o dia que te conheci. Sei que eu não deveria falar isso agora, mas...

Aproximei-me mais de Luka, tocando seu rosto.

–Não fala mais nada.

E aí o beijei.

Adrien Agreste POV

 Desde que terminei o namoro com Marinette e perdi o papel na audição, eu não saía de casa. Os trabalhos estavam mais escassos. Mas também pudera... quem iria contratar um modelo com a aparência de um vocalista de banda grunge dos anos 90? Heroin chic só deu certo com a Kate Moss e olhe lá! Além disso, eu estava demorando a chegar aos ensaios. Mais que o habitual. Eu mal me alimentava, passei a batizar o café com uísque além de entornar uma garrafa inteira em pouco tempo. Eu estava me tornando um viciado.

Às vezes, Alya e Nino apareciam no meu apartamento para tentar falar comigo, mas eu sempre fingia que não estava em casa ou inventava de passar o dia no conjugado da minha mãe. Depois da noite em que dormi com Emilie cantando como ela sempre fazia quando eu era criança, nós nos tornamos mais próximos.

–Fico feliz que esteja falando comigo novamente, Adrien, mas estou preocupada com você. – Comentou enquanto almoçamos juntos – Está mais magro, não se alimenta direito, sinto cheiro de bebida em você...

–Estou comendo agora, não estou?

–Só quando vem aqui. Admita Adrien. Você não está bem.

–É só uma fase. – Falei revirando a comida no prato – Vai passar quando colocarmos Gabriel na cadeia e fazê-lo pagar por tudo o que fez.

–Não confunda o que vamos ajudar a fazer com vingança pessoal. É uma questão de justiça, Adrien.

–Que seja...

Emilie suspirou resignada. De repente, a campainha tocou. Minha mãe foi atender.

–Olá, Roger! – Falou quando viu o agente da DGSE na porta – Como tem passado?

–Bem... olá, Adrien!

–Boa tarde, Roger. Sente-se conosco. Já almoçou?

–Já, obrigado por perguntar. Vim para falar a vocês que nós começaremos a nossa operação em um mês. Eu tentei ligar para o seu número, Adrien, mas só dava sinal de ocupado.

–Furtaram o meu celular. Tive de comprar outro. Além disso, tive de mudar de número para evitar certas ligações. Depois eu lhe passo o novo número.

–Tudo bem. Nós começaremos nos infiltrando nas fábricas da Malásia. Você falou que Gabriel tem ido lá sempre... nós devemos começar por lá para coletar provas sobre o trabalho escravo. Fotos e vídeos das instalações... tudo! Depois nós iremos para Tirana investigar as denúncias sobre... os locais em que...

–Os locais em que as mulheres aliciadas são forçadas a trabalhar como prostitutas? Não precisa ir tão longe. As festas que a minha mãe mencionou não contam?

–Fala das festas organizadas por seu pai e o candidato a prefeito no Grand Paris?

–Sim. É lá que acontece tudo.

–Mas uma operação no Grand Paris chamará a atenção rapidamente. Entenda Adrien... estamos nisso há quase seis anos. Não podemos pôr tudo a perder quando estamos quase lá.

–Não precisa dos seus homens lá, Roger. Eu vou. É claro que você coordenará tudo, mas entrarei sozinho.

–Não, Adrien! Pode ser perigoso! – Comentou Emilie nervosa.

–Eu vou disfarçado. Andei durante dois anos pelas ruas Montparnasse sem que ninguém me reconhecesse.

–Não posso correr o risco, Adrien. – Afirmou Roger. 

–Não acontecerá nada. – Falei me levantando da mesa – Eu tenho de ir. Não posso ficar muito tempo aqui, mas pense na minha estratégia, Roger.

[...]

Dias depois, eu estava em um evento de caridade promovido pela Fundação Agreste representando meu pai no Grand Paris. Gabriel criara a instituição com o objetivo de oferecer cursos profissionalizantes para crianças e adolescentes das periferias da cidade. Algo com o discurso de ajudar a dar um futuro melhor para os mais desfavorecidos. Sempre desconfiei de que a instituição era fachada para a lavagem de dinheiro. Hoje tenho a certeza. 

A minha intenção era ler o discurso que Nathalie preparou e sair do evento logo após. Eu que não queria participar dessa patifaria até que...

–Adrien-kun?!

–Kyoko, já te disse para não falar com os outros assim! – Ralhou a mulher a quem reconheci como Tomoe Tsurugi – Para se referir a alguém deve cumprimentar pelo sobrenome.

Virei-me para ver quem era. Já fazia mais de um ano que eu não a via, mas eu me lembrava dela. Os cabelos e as roupas haviam mudado, mas Kyoko continuava a mesma. A única amiga que eu tinha nos últimos anos de colégio. A única que convencia o meu pai a me deixar sair de casa para acompanhá-la em passeios pela cidade. Gabriel apenas permitia que eu saísse com Kyoko por que ele mantém negócios com a Tsurugi Enterprises, a maior exportadora de seda do Japão. 

–Oi, Kyoko! Há quanto tempo! – Cumprimentei-a.

–Eu disse que era ele, okaasan. – Falou à mãe.

–Adrien... está diferente demais! Como você está?

–Muito bem. Obrigado por perguntar, Tsurugi-san. – Menti.

Por mais que eu estivesse feliz de ver Kyoko novamente depois tanto tempo, eu queria sair dali o mais rápido possível.

–Foram belas palavras, Adrien. – Comentou Tomoe – Fique um pouco conosco. Lembro bem de vocês juntos no colégio. Ajudou Kyoko a ser aprovada em matemática. Minha Kyoko tem o dom da oratória, mas não é hábil com os números.

–Só a senhora mesmo para se lembrar dessas coisas, mãe. – Afirmou Kyoko dando um sorriso amarelo – Ela deseja que tudo seja perfeito.

–Entendo perfeitamente. Se me dão licença...

–Antes disso... eu tenho algo a lhe falar em particular, Adrien. – Pediu Kyoko – Deixe-me acompanhá-lo.

Saí do salão de reuniões com Kyoko a tiracolo.

–A senhora Tsurugi continua lhe dando dor de cabeça? – Perguntei quando chegamos ao terraço do edifício. 

–Demais. Pelo menos você teve coragem de sair da casa do seu pai. – Falou pegando cigarros da bolsa – Li que você protagonizou um seriado. Meus parabéns!

–Obrigado. O lançamento deve ser em poucos dias.

–Desculpe ter perdido o contato, Adrien, mas você viu. Ela me sufoca. Para ela, eu não nunca sou suficiente.

–Eu sinto muito, mas foi bom te ver Kyoko.

–Também foi bom ver um rosto conhecido. Eu vou ficar em Paris por algum tempo acompanhando minha mãe. Pegue meu telefone.

[...]

–Senhor Adrien, o que exatamente estamos fazendo em frente a ESMOD? – Perguntou Félix, o meu motorista.

–Só quero ver uma coisa... – respondi olhando para a entrada da faculdade.

Poucos minutos depois, a entrada estava repleta de alunos saindo da aula. De repente, vi quem eu queria: Marinette. Ela andava sorridente ao lado de sua amiga da faculdade, Juleka. Mais à frente, vi o irmão de Juleka cumprimentando as duas. Marinette andava próxima a ele rindo, provavelmente alguma bobagem ele falava.

–Vamos logo, senhor Félix! Já vi demais por hoje. – Pedi nervoso.

–Sem querer me intrometer, mas já me intrometendo... o senhor não deveria falar com a moça? – Perguntou olhando pelo retrovisor para sair da vaga – Tudo se resolve com uma boa conversa.

–Melhor não. – Falei pegando o celular e mandando uma mensagem para Kyoko.

[...]

–Foi muito gentil da sua parte me convidar para o lançamento do seriado, Adrien. – Comentou Kyoko – Obrigada. Minha mãe quer que eu vá a todos os compromissos com ela. Não me dá uma folga.

–Não foi nada. Você está sendo a melhor companhia para mim nesse momento.

Kyoko sorriu para mim em resposta. Incrível como ela lembrava... não, nada a ver!

–Está bebendo? – Perguntou quando me viu tirar uma garrafinha do bolso do paletó.

–É água.

–Se você diz...

Quando chegamos ao local do lançamento do seriado, o tapete vermelho estava cheio de repórteres e fotógrafos. Ao invés de me perguntarem sobre a preparação para o papel, a imprensa me torrou a paciência fazendo perguntas para Kyoko enquanto posávamos para as lentes das câmeras.

–Acho que vou precisar dessa sua água. – Falou ao meu ouvido.

Ao entrarmos no salão, cumprimentei todos a equipe do seriado, inclusive Ivan e Rose que estavam acompanhados de seus respectivos cônjuges. Ivan com a sua esposa Mylene e Rose com Juleka. Rose estava com Juleka? Pelo visto, a loira gostou mesmo da amiga de Marinette, que me encarava com curiosidade.

–Vestido bonito, moça. – Kyoko comentou à Juleka – Onde comprou?

–É da loja onde sou sócia. – Respondeu tirando um cartão de visita da bolsa – Vixen é o nome. Minha sócia é a responsável pela criação das peças.

–Ah sim. Obrigada. Irei lá qualquer dia desses.

Mas não vai mesmo! Ir à Vixen significa que vai ver a Marinette! Vai dar merda!

–Está tudo bem, Adrien?

–Está sim. Vamos nos sentar logo. Vão exibir o clipe com as cenas do seriado.

O diretor Damocles começou a discursar falando o quão gratificante e desafiador foi dirigir Fantômas e agradeceu ao trio de protagonistas pelo belo trabalho: Ivan, Rose e eu. Assim que terminou o discurso, desceu um projetor exibindo cenas do seriado. Entre elas, uma das primeiras cenas em que gravei e que aparecia Marinette de costas segurando uma sombrinha. Ela estava irreconhecível usando várias roupas, mas eu me lembrava de cada detalhe daquele dia. O dia em que a vi pela primeira vez.

–Adrien? Adrien?

–O que foi?

–Está aéreo. Eu estava te perguntando se vamos ficar para a festa, mas do jeito que está... acho que você não tem ânimo para isso.

–Vamos, eu vou te deixar em casa.

Abri a porta do carro assim que o senhor Félix em frente a mansão onde Kyoko passava uma temporada. Deixei-a no portão e falei:

–Obrigado por ter me acompanhado. Você é uma boa amiga para mim, Kyoko.

–Se passaram quase dois anos e você ainda me considera uma boa amiga, Adrien-kun? – Perguntou se aproximando de mim.

–O que quer dizer?

–Você não vê?

Quando dei por mim, Kyoko segurava meu rosto com as duas mãos e pôs os lábios nos meus.

–Até mais! – Falou abrindo o portão de casa.

Segui-a com o olhar enquanto entrava e pensei: “ Por que não? ”.

[...]

Os dias seguiram e o colorido das flores deram lugar ao cinza característico do inverno. Paris começava a ficar mais quente. Depois daquele beijo, iniciei um relacionamento com Kyoko. Eu me sentia bem em sua companhia, era minha melhor amiga e nós nos conhecíamos há tempos. Quando ainda estudávamos no Colégio Françoise Dupont ela me ensinou alguns termos e cumprimentos em japonês.

Mas sentia que faltava algo e não sabia bem o que era. Na verdade, eu sabia. Não poderia corresponder seus sentimentos à altura. Kyoko era tão boa para mim que eu tinha a impressão de destratá-la toda vez que cometia uma gafe com ela.

Em um dia, eu pedi para o senhor Félix parar em frente ao endereço da loja física da Vixen e vi Marinette próxima a porta mostrando roupas a uma cliente. Estava com o mesmo sorriso em que a vi pela primeira vez. De repente, ela passou a olhar para a rua como se tivesse me encarando.

–Podemos ir, senhor Félix. – Pedi.

–Vamos para onde agora? Buscar a senhorita Tsurugi em sua casa?

–Sim. De lá, voltamos para o meu apartamento.

[...]

–É lindo, Adrien! – Exclamou Kyoko observando cada canto da sala.

–Obrigado. Quer beber alguma coisa?

–Não, eu estou bem assim. – Falou se sentando no sofá.

Sentei-me ao seu lado e a abracei.

–O que faremos agora? – Perguntou enquanto alisava minha mão.

–Plagg deve estar dormindo a uma hora dessas no quartinho dele. – Respondi – Se ele não atrapalhar...

–Plagg?!

–É o meu gato. Não te falei dele?

–Falou, mas acho que esqueci.

–Então... se ele continuar dormindo, podemos assistir algum filme da Netflix no meu quarto. Quando ele acordar, vai começar a nos perturbar até cansar e ocupar boa parte da minha cama.

–Isso é uma desculpa para me levar à sua cama, Adrien? – Perguntou irritada.

–Não! Longe de mim te fazer pensar assim, Kyoko! Se quiser ficamos aqui mesmo! – Eu estava assustado com a reação dela – Eu não quero te desrespeitar nem nada!

–É brincadeira! – Falou rindo – Devia ver a sua cara!

–Palhaça...

–Por que eu tenho a impressão de que você sempre pisa em ovos quando está comigo?

–Como assim?!

–É uma coisa que percebi. Você ainda me trata como se eu fosse a menina do Françoise Dupont. O que acontece? Nós não estamos juntos?

–Não é nada, Kyoko. É que eu vim de um término meio complicado e não quero errar com você. Me deixa fazer direito.

–Deixo, mas eu quero você agora. – Falou se sentando em meu colo.

–O que?!

–Eu tenho de desenhar?

–Não é necessário. – Falei carregando Kyoko para o quarto.

[...]

Outro dia, eu estava no conjugado de Emilie jantando com ela.

–Até que você está com uma aparência melhor, Adrien. – Emilie comentou – O seu namoro com a Kyoko está lhe fazendo bem.

–Não é namoro. É o que chamam de affair.

–Você foi a um jantar na casa da mãe dela e os jornais apontam que ela é sua nova namorada. Como não é um namoro?

–Nós estamos no começo ainda. Kyoko não se importa com essas formalidades. Quando for a hora certa, eu a peço em namoro como se deve.

–Só espero que não esteja usando essa garota que sempre te fez bem para tentar esquecer a outra...

–Tem sido difícil...

–Ainda pensa na Marinette?! – Perguntou Emilie chocada.

Larguei os talheres no prato e passei a olhar pela janela.

–Quem cala consente. – Continuou – Por que complica tanto, Adrien? Bastava conversar com Marinette e ela haveria de entender...

–Não, você não a conhece. É a mulher mais obstinada que já conheci. Com certeza ela iria se prontificar a nos ajudar, dar ideias, se envolver a fundo... além disso, eu desacreditei nela. Dei ouvidos ao que a Layla disse... as coisas estão melhores do jeito que estão.

–Entendi... e o que vai fazer com a Layla? Não vai demiti-la como você falou uma vez?

–Estou dando mais alguns dias. Se eu a demitir agora, talvez ela estranhe e alerte o Gabriel de que está acontecendo algo. Ela não está me indicando para nenhum trabalho. Usarei isso como desculpa.

–Tudo bem...

Naquela mesma noite, voltei para o meu apartamento para eu me arrumar e sair com Kyoko para algum bar. Queria fazer alguma coisa diferente com ela. Na maioria das vezes em que saíamos era para os compromissos oficiais da Tsurugi Enterprises em que Kyoko comparecia representando a mãe.

Quando fui buscá-la em sua casa, a senhora Tsurugi reclamava das minhas roupas.

–Para onde vai levar a minha Kyoko? – Perguntou.

–Vamos jantar no Palais Royal, Tsurugi-san.

–Mas com essas roupas? Estão informais demais.

–O meu terno está no carro. Está fazendo muito calor, a senhora não acha?

–É verdade.

–Já estou pronta. – Falou Kyoko descendo as escadas usando um vestido de tecido transparente e com aberturas nos ombros.

–E você vai sair com essa roupa? – Tomoe reclamou de novo.

–Sim, okaasan. Está o maior calor, mas esse vestido não é curto. Vamos Adrien-kun. Até mais tarde, mãe!

Nós caminhamos até o carro e abri a porta pra Kyoko entrar.

–A propósito, bonito vestido. Ficará melhor quando eu tirar mais tarde. – Falei baixinho.

–Obrigada. Comprei-o na Vixen, a loja que a namorada da sua amiga é sócia. Vi várias fotos e vídeos da Rose com um cara de cabelo verde.

–Você comprou na Vixen?!

–Sim, a proprietária também ajuda a vender as peças. É uma moça muito simpática! Como é mesmo o nome dela? Ah, lembrei! É Marinette!

–Marinette?!

–Isso! Adorei o clima da loja. A outra vendedora também foi super gentil comigo. Okaasan nem sabe que fui lá sozinha sem a equipe de guarda-costas.

–Entendi...

Ainda bem que ela não ligou o nome à pessoa. Kyoko chegou a ver uma fotografia perdida de Marinette em meu apartamento, mas não dava para ver o rosto. Menos mal.

–Para onde vamos mesmo? Nós não vamos jantar, não é?

–Não. Tem um barzinho que eu quero que você conheça em Montmartre.

–Legal!

Ao chegarmos no bar, o som que a banda tocava me era familiar: era a Vipers no palco. Eu deveria prever que veria Alya e Nino no mesmo lugar. Provavelmente Marinette também estaria. Melhor correr deles.

–Cara, há quanto tempo! – Nino comentou – Está fazendo falta!

–Eu ando meio atarefado. – Menti – Estou analisando novos testes para fazer...

–Imagino... – afirmou Alya.

–Ah, deixem-me apresentar... Kyoko, esses são meus amigos Alya e Nino. Alya, Nino essa é a Tsurugi, minha namorada.

Nino me encarou com os olhos arregalados e cumprimentou Kyoko, assim como Alya.

–Nós vamos ao camarote. Querem ir conosco? – Perguntou Kyoko.

–Obrigada pelo convite, mas nós vamos ficar com nossos amigos na pista.

–Tudo bem. Foi bom conhecê-los.

–Igualmente. – Afirmou Alya.

Kyoko e eu subimos ao camarote enquanto ela perguntava:

–Eles são introvertidos?

–Só no início. Verá que são boas pessoas.

–Se você diz...

Assistimos ao show da Vipers do camarote. Na pista de dança, vi Marinette nos observando e sendo arrastada pelas amigas até o bar.

–Esse tipo de bar não é muito comum em Tóquio. Lá se predominam as salas de karaokê, mas não é tão animado quanto aqui. Eu gostei!

Momentos depois, ela voltava dançando com Luka. Bom... Só Marinette dançava, o cara mais parecia que estavam salpicando óleo quente nele.

Kyoko me beijou no rosto. Foi a deixa para beijá-la. Percebi que Marinette nos encarava novamente e saiu rapidamente da pista de dança.

–É isso! Como não percebi isso antes?! – Comentou Kyoko.

–Do que está falando?

–Eu devo ser muito tapada! Só pode! – Falou se afastando de mim.

–Kyoko, se você me explicar o que acontece...

–Ah claro... a lerda sou eu e tenho de explicar que você está me usando para fazer ciúme à sua ex-namorada! Como eu não percebi que a proprietária da loja que me vendeu as roupas era a Marinette Dupain-Cheng que eu li na notícia?

O som do bar estava tão alto que ninguém próximo percebia que Kyoko estava discutindo comigo.

–Kyoko, por favor, me deixa explicar...

–Não tem nada para explicar. – Falou cruzando os braços – Eu já entendi tudo! Eu percebi o modo como você olhou para ela com o rapaz que dança mal. Está enciumado!

–Vamos para outro lugar terminar essa conversa.

–Ah, mas não vou mesmo! Nós terminamos aqui! – Gritou descendo as escadas.

 Corri atrás de Kyoko pelo bar, quando a alcancei, ela já atravessava a rua.

–Kyoko, espera! – Pedi correndo.

–Me deixa, Adrien! O que ainda quer comigo?! Vai atrás dela! Talvez seja com ela que esteja o seu fio vermelho do destino!

–O que?!

Akai-ito é uma lenda de origem chinesa em que os deuses amarram, na hora do nascimento, um fio vermelho invisível nos tornozelos de quem estão predestinados a ser almas gêmeas.

–Entendi..., mas eu quero te pedir desculpas. – Respondi enquanto andávamos pelas ruas próximas ao bar – Você é minha melhor amiga além de tudo! Eu nunca quis te fazer mal, Kyoko. Nunca foi a minha intenção te usar, eu nunca fiquei com você com esse propósito...

–Ah não? Ficou se exibindo comigo enquanto a Marinette olhava para nós! Você quis fazer ciúmes a ela! Admita! Você gosta dela...

Olhei para os lados, envergonhado.

–Foi bom enquanto durou, Adrien. Eu gostei de ter ficado com você nesses últimos dias, mas eu me amo mais e não vou mendigar seu amor. Tenho de arrumar minhas malas para voltar ao Japão. Adeus, Adrien!

–Espera aí! Você vai embora da cidade?

–Sim, eu te disse que ficaria aqui por pouco tempo. Tenho a minha vida em Tóquio, Adrien. As minhas amigas e minha faculdade me esperam... eu achei que poderíamos ter um relacionamento à distância com uma pequena diferença de quase dez mil quilômetros, mas fantasiei demais.

–Me deixa pelo menos chamar um táxi para você... – foi só o que consegui dizer.

[...]

Dias depois, marquei um almoço com Layla. Quando ela apareceu no restaurante, estava bastante empolgada. Eu não disse a ela o motivo.

–Olá, Adrien! – Falou se sentando à mesa – Como tem passado?

–Bem, obrigado por perguntar Layla.

–Já fez o seu pedido? – Perguntou lendo o cardápio – Eu estou morrendo de fome...

–Não, na verdade, eu já almocei. Só marquei esse encontro com você por que eu quero lhe comunicar algo.

–Pode falar.

–Está demitida.

–O que?!

–Quer que eu repita? Está demitida, Layla. Não preciso mais dos serviços. Aliás, desde que perdi o teste você não me passou mais nenhuma indicação de trabalho. Por que será?

–Você tem se atrasado constantemente. Era de se esperar que os trabalhos fossem diminuindo... o que há com você, Adrien? Como sua agente, eu fico bastante preocupada.

–Não precisará se preocupar mais, pois estou te destituindo das suas funções. Não precisa mais gerenciar minha agenda.

–Mas Adrien... estou trabalhando com você há quase dois anos. Não se pode romper assim uma relação de trabalho!

–Ah eu posso! Não se esqueça de que você é a funcionária e eu, o chefe! E se não faz o serviço direito, é demitida. Mas não se preocupe. O meu contador vai lhe repassar uma razoável quantia em dinheiro para você se manter por um bom tempo. Mas nem precisa disso, não é Layla? Acha que não sei dos seus desvios?

–Do que está falando? – Perguntou em choque.

–Chega de fingimento... você é uma atriz muito canastrona, Layla! Mas ainda assim conseguiu o feito de me enganar. Devo ser muito ingênuo, mas isso vai mudar. Voltando ao assunto... eu descobri que você me rouba. E não é pouco não!

–É a minha comissão pelo trabalho que consigo para você. – Tentou se explicar.

–Não é não! Eu verifiquei com o gerente do meu banco.

É claro que eu não falaria que foi Max descobriu quem estava por trás de todas as movimentações na minha conta bancária. Se eu falasse que consegui os dados com um hacker, Layla saberia que descobri sobre o passado dela relacionado aos negócios escusos de Gabriel, pondo tudo a perder.

– Você tirava para si um percentual muito maior! – Falei jogando um relatório de transações bancárias no colo dela –  E ainda tem a cara de pau de me dizer que era a sua comissão? Eu deveria te denunciar à polícia por roubo, sua desgraçada!

–Por favor, não me denuncia... – pediu se ajoelhando – Não faz isso comigo, Adrien! Eu te amo!

Ainda bem que nós estávamos em um lugar reservado, senão veriam Layla fazendo essa cena ridícula e logo divulgariam em sites de fofoca me colocando como o vilão da história.

–Conta outra, Layla! Você ama manipular os outros isso sim! Pensa que eu não sei? Você me fez desacreditar da Marinette assim como Iago fez com Otelo...

–Quanto drama, Adrien! – Falou em tom debochado.

–Ah, sai de perto de mim! Não quero ver a sua cara nunca mais! – Falei saindo do local.

 [...]

Dias depois, fui ao apartamento de Nino levando Plagg em sua gaiola de transporte em uma mão e as coisas dele na outra.

–Adrien, o que faz aqui? – Perguntou Alya ao abrir a porta.

–Oi, Alya! Desculpa vir assim. Onde está o Nino?

–Aqui no quarto! – Gritou vindo até a sala – Adrien? O que faz aqui com o Plagg?

–Eu quero saber se posso deixá-lo com vocês enquanto... não posso falar muito. Quero saber se posso deixar o gato aqui ou não.

–Pode, mas você quer nos dizer o porquê? – Perguntou Alya.

–Não posso falar nada, Alya! Só que vou passar uns tempos fora da cidade. Por favor, me prometam que vão cuidar do Plagg. Quando eu voltar, vocês me devolvem. Eu sei que me afastei de vocês, peço desculpas por isso, mas entenderão quando tudo for resolvido.

–Do que está falando, Adrien? Vamos conversar! – Pediu Nino.

–A única coisa que posso dizer é que descobri que a Layla me roubava e está envolvida com o Gabriel. Layla era uma das garotas aliciadas por ele. Foi meu pai que a colocou no meu caminho para me vigiar e passar informações para ele!

–Minha nossa! – Exclamou Alya – Como descobriu isso?

–Eu estava desconfiado quando comecei a receber menos pelos meus trabalhos e pedi para o Max invadir as contas, celular, tudo o que fosse de Layla. Eu tenho de ir... até logo.

Fim do capítulo 13

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Músicas do capítulo:

Blank space - Taylor Swift

Need you - Travie McCoy

Save me now - Andru Donalds

Fighter - Darren Criss


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