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História Contos de Ric'Bur - Capítulo 6


Escrita por: RicBur

Notas do Autor


Boa leitura! Espero que gostem!!!

Capítulo 6 - Dois homens estão em uma taverna


Fanfic / Fanfiction Contos de Ric'Bur - Capítulo 6 - Dois homens estão em uma taverna

Rock soprou a fumaça de seu cachimbo na direção em que Vicent estava sentado, o homem mais novo balançou uma das mãos afastando a fumaça de seu rosto enquanto ouvia o som ambiente da taverna, aquele lugar fedia a álcool, sangue e vômito, e mesmo assim, Rock achou que aquele seria um bom local para eles fazerem negócios. O rapaz ergueu os olhos verdes antes de dar um toque na aba de seu chapéu tornando seu rosto visível. Os cabelos castanhos e ondulados ião até a altura dos ombros, o rosto possuía uma barba rala que permitia que qualquer um visse a pequena cicatriz que ele tinha próxima ao lábio inferior. Vincent tinha apenas vinte e dois anos, mas era considerado uma peça fundamental para o plano de Rock, que no auge de seus cinquenta e quatro anos, buscava por um grupo de pessoas dispostas a colocarem suas vidas em risco por um bom preço.

— Creio eu que estamos aqui por um bom motivo. — O rapaz falou girando uma moeda de prata entre os dedos. — Não estamos?

— Sim, estamos. — Rock sorriu dando uma golada em sua cerveja. — Eu tenho algo divertido para você fazer.

Vincent sorriu, ele já havia trabalhado anteriormente para o homem, e sabia muito bem que Rock gostava de buscar por coisas capazes de gerarem grandes conflitos. Além disso, aquele homem era um ímã para confusões, problemas e assassinos ricburianos em busca de uma boa recompensa oferecida pela própria bruxa, Ivi. Ela, mais do que qualquer um, desejava a cabeça de Rock.

— Sabe que Ivi ainda deseja te ver morto, não sabe?

— Sim, graças a isso consegui recrutar um garoto Hagruz. — Rock puxou a fumaça a liberando pelas narinas logo em seguida. — Tenho uma equipe espetacular, mas ainda me falta um membro, e eu quero que você ocupe este lugar.

— E para que você quer uma equipe? — Vincent se ajeitou na cadeira colocando as botas de couro preto sobre a mesa. — Não me diga que deseja encontrar Ivi?

— Não, ainda não quero me livrar dessa desgraçada. O meu plano de agora é outro. — O homem sorriu erguendo uma das sobrancelhas. — Já ouviu falar do Oráculo de Hiz?

Vincent abaixou as pernas apoiando os braços sobre a mesa. Era obvio que ele sabia da existência de tal oráculo, além disso, ele conhecia o caminho até o local, porém não sabia o que Rock pretendia fazer naquele lugar esquecido e praticamente inacessível. Agora o homem tinha sua atenção total.

— Vejo que sabe muito bem do que estou falando. — Rock sorriu ajeitando seu cachimbo entre os dentes. — Quero saber o que Hiz deixou nas escrituras, quero informações privilegiadas do futuro.

— Você não vai conseguir usar esse oráculo.

— Eu sei, por isso mesmo eu tenho uma oraculista em meu grupo. — O sorriso no rosto de Vincent se desfez. — Está surpreso? Isso porque ainda não te falei do restante da equipe. Desta vez, eu recrutei os melhores, a começar por Mab, minha pequena oraculista.


 

A chuva caia sobre Mab lavando de suas mãos o sangue de suas vítimas. A garota secou as manchas de sangue que ainda estavam em seu rosto, aquele casal havia lhe rendido um bom dinheiro. Os olhos heterocromáticos da jovem direcionaram-se rumo a estrada de onde vinha o som de guardas. Precisava sair dali antes que eles vissem os corpos. Mab olhou para os lados, era possível escalar uma das construções e se esconder em seu telhado.

— O que você pretende fazer com os corpos? — Ela olhou para trás assustada ao ouvir uma voz masculina se dirigindo a ela.

Rock assoprou a fumaça de seu cachimbo que logo se dissipou com o vento. Mab engoliu em seco, agora teria mais uma garganta para cortar. A menina sacou suas adagas indo rapidamente na direção do homem, que surpreendentemente desviou de todos os seus golpes. Rock sorriu, ela era de fato quem ele procurava, um olho preto e o outro amarelo, cabelos dourados, movimentos rápidos e solitária.

O homem segurou um dos braços de Mab, que logo tentou golpeá-lo usando sua outra mão. Rock se safou por pouco da lâmina da adaga, ela realmente estava empenhada em se livrar dele, porém, ele tinha assuntos a serem resolvidos com ela antes que os guardas a pegassem.

— Desculpa garotinha, mas você vem comigo. — Ele falou antes de golpear a cabeça de Mab com seu cotovelo fazendo com que ela desmaiasse sendo levada por ele para outro lugar.


 

— Você quer que eu acredite que ela aceitou trabalhar pra você depois disso? — Vincent debochou da história contada por Rock. — Não sou tão tolo assim.

— Digamos que essa missão envolve muito, muito dinheiro. Ela seria incapaz de recusar.

O rapaz ergueu uma das sobrancelhas dando, pela primeira vez, uma golada em sua cerveja. Agora sim, aquilo estava se tornando verdadeiramente interessante.

— E como sabia que ela era uma oraculisata?

— Eu tenho minhas fontes. — O homem riu antes de pedir por mais uma caneca de cerveja. — Pago bem por informações, por isso as tenho. Mas sabe, acho que vai gostar mais do Goriano que encontrei.

— Um mestiço de ricburiano com groyano, quer mesmo que eu acredite que você encontrou um desses? São mais raros do que...

— O nome dele é Bear, e ele é meio humano e meio metamorfo. — Rock interrompeu Vincent, que agora estava ainda mais surpreso. — Eu tenho no time um menino dragão.

— E como o conheceu?

— Esse faz parte da família. Digamos que meu cunhado tem um belo par de chifres…


 

— Onde está minha bela irmã? — Rock perguntou adentrando a casa sem nem ao menos bater à porta.

Bear ergueu os olhos com pouco-caso encarando o homem. Ele gostava do tio, mas naquele dia estava com mal humor demais para demonstrar isso. O rapaz havia tido uma discussão com o “pai” e nem pode descontar sua raiva revelando ser meio metamorfo, pois isso faria com que sua mãe fosse mal falada pelas ruas de Udembloe. Rock encarou o rapaz que ainda estava em silêncio.

— Por um acaso eu estou invisível? — Ele perguntou fazendo com que Bear finalmente dissesse algo.

— Ela não está no momento.

— Perfeito. — Rock fechou a porta. — O que acha de viajar pra bem longe de seu padrasto?

O rapaz sorriu, aquela era uma ótima ideia.

— E para onde eu iria?

— Para uma missão, comigo. Já desejou conhecer as montanhas e usar essas runas que você esconde por debaixo da camisa?

— Como sabe das minhas runas? — Bear perguntou com estranheza.

— Eu já tive que limpar sua bunda suja quando você era bebê, já te dei banho, e ajudei minha irmã quando ninguém mais podia para não descobrirem que você era filho de outro bunda mole… — O rapaz fez um muxoxo. — Mas isso não importa. O importante é, você vai querer vir comigo, ou vai ser o bunda mole de número três?

Bear sorriu torto.

— É claro que eu vou com você.


 

— Tudo bem, por essa eu não esperava. — Vincente falou vendo Rock virar de uma vez só mais uma caneca de cerveja. — Sua irmã traiu seu cunhado e deu a luz a um Goriano. Tem mais alguma surpresa?

— Claro que tenho, e o nome dessa é Kalf. — O homem baixou o tom de voz se aproximando do rapaz. — Esse é um Hagruz caçador de bruxas.

Vincent pareceu surpreso, normalmente os Hagruz eram contra a caça a ricburianos, saber da existência de um que se opunha a isso era de fato algo bem raro, mas a essa altura, ele já não duvidava mais das raridades encontradas por Rock.

— Digamos que esse é o que mais se parece comigo. Eu estava procurando por alguém forte e que saiba lidar com a geografia da montanha, foi aí que me falaram sobre ele, Kalf, o garoto que enfrentou Ivi. Ele era moleque quando lutou contra ela, mas agora, ele cresceu e já pode arrancar a cabeça dela.

— Tudo bem, e por que ele aceitou trabalhar pra você?

— Porque depois disso, eu darei a ele não apenas o pagamento em dinheiro, mas também todas as informações que tenho a respeito de Ivi. Assim eu não preciso me preocupar em acabar com aquela vadia de cabelos brancos.

— Vocês devem ter tido um passado incrível juntos! — Vincent riu irônico. Ele sabia que Rock havia enfrentado Ivi no passado, e que ela deixou uma marca “maravilhosa” em seu braço.

— Aquela maldita destruiu com meu braço esquerdo. — O homem resmungou deixando a vista as cicatrizes que se espalhavam pelo membro. — Era isso, ou ter minha alma sugada por ela.

— Suas histórias são comoventes, mas ainda faltam dois membros da equipe.

— Ah sim, esses são adoráveis. Kaled e Elea, um arqueiro vindo direto das terras do leste, e uma poderosa ex Rastreadora Udembloe. Eles também foram incapazes de recusarem ao convite.

Rock descobriu as cabeças de Kaled e Elea. Bear sorriu vendo os dois amarrados enquanto Mab afiava uma de suas adagas. Os dois olharam assustados para o homem, aqueles três haviam sequestrado eles com tanta facilidade que era inacreditável saber que um deles possuía metade da altura de Kaled. Elea tentou urrar de ódio, porém, assim como o rapaz Stea, ela estava amordaçada.

— Roubo, assassinato, traição contra a ordem dos Rastreadores, desmembramento e tortura… — Rock encarou Elea levantando seu cartaz de procurada. — Já você… — Ele fitou o rosto de Kaled. — Roubo, charlatanismo, assassinato, invasão e depravação de locais sagrados… — Rock fez uma careta. — Vocês dois vão me render muito dinheiro quando forem entregues aos guardas. Porém, digamos que vocês podem ganhar este valor no meu lugar…


 

Vincent respirou fundo entendendo exatamente como os outros dois aceitaram o convite de Rock. Desta vez o homem escolheu bem seus subordinados e certamente estava planejando algo mais grandioso do que simplesmente roubar informações de um oráculo. O rapaz suspirou pesadamente antes de observar as pessoas a sua volta. Os olhos verdes do rapaz encontraram o rosto de uma garota um tanto quanto diferente, os olhos de cores diferentes brilharam ao se encontrarem com os dele. Vincent sorriu. Não muito distante dela havia dois rapazes altos. Um era claramente um Hagruz e o outro era um brutamonte de boa aparência, alto demais para ser um Udembloe, claro demais para ser um Stea e bem-vestido demais para ser um Hagruz.

“Mab, Kalf e Bear.” Ele pensou antes de se virar podendo observar um casal, um rapaz Stea e uma jovem de olhos atentos. “Kaled e Elea.”

— E você, Vincent? Virá comigo ou não? — Rock fez com que o rapaz olhasse para ele novamente. — Eu não pretendo perguntar duas vezes.

O rapaz riu torto ajeitando seu chapéu na cabeça enquanto ficava de pé assim como Rock. Os dois se encararam e o homem estendeu a mão esperando que um acordo fosse fechado entre eles. Vincent sacou uma faca espetando-a sobre a mesa enquanto os companheiros de Rock estavam prestes a atacá-lo.

— Negócio, fechado. — Ele soltou a arma. — Quando começamos? 


Notas Finais


Obrigada por lerem!!!


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