História Contos de um Caçador - Capítulo 7


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Armas, Drama, Investigação, Lemon, Mistério, Original, Perseguição, Policial, Romance, Suspense, Yaoi
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Palavras 3.850
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Lemon, Policial, Romance e Novela, Suspense, Yaoi (Gay)
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Uma conversa no carro faz um capítulo curtinho e agradável para recapitular alguns detalhes do caso.

Boa leitura. :)

Capítulo 7 - Pemmican e Frio


Fanfic / Fanfiction Contos de um Caçador - Capítulo 7 - Pemmican e Frio

Pemmican. Adam tinha certeza que já havia escutado esse nome antes. Era uma comida salgada e tinha um gosto levemente doce no fim, provavelmente das passas.

- Hum, é um pouco seco, mas não é tão mal.

- Te disse que estava boa. – Creed reafirmou enquanto mastigava uma barrinha seca.

Adam reparou no sorriso amigável de Creed e por alguns segundos sentiu uma leve inquietude no estômago, mas respirou devagar e se encolheu um pouco.

- Que frio, vamos dormir no carro mesmo? Dá para ligar o ar quente?

 Um pouco, só para aquecer o carro, ou a bateria morre.

- Ele não vai andar mesmo... qual a diferença?

- Amanhã vai, mas eu vou ligar um pouco. – Creed assim o fez, e saiu do veículo em direção ao porta malas. Voltou com um pacote grande em mãos e o abriu, era uma capa térmica, dessas que protegem o carro do sol. Abriu a porta de trás do carro e observou as laterais no banco, deslizando a mão ali como quem buscava alguma alavanca. – Hm... aqui. Agora puxa do lado daí, anda.

Adam se sentou, um pouco perdido, e mimicou o movimento do lado oposto, puxando uma pequena alavanca na lateral e pulando se susto quando o encosto do banco caiu de uma vez para trás, prontamente se irritou com a risada do mais velho.

- Assim é mais confortável.

- Tá, ok. – Respirou fundo e subiu no banco para se deitar, cobrindo-se com o casaco pesado de novo.

- Ei, segura a porta aberta um pouco, vou colocar a capa.

- Para que essa capa?

- Hm, só em caso ainda tenha alguém aqui perto, mas eu vou ficar acordado, se puder.

Adam se sentiu levemente desconfortável. Talvez fosse injusto dormir enquanto o parceiro se privava de sono para vigiar. Mas ele refletiu por alguns segundos e chegou à conclusão que simplesmente não se sentia muito à vontade com Creed lhe observando dormir.

- Isso é mesmo necessário?

- A capa? – Viu Creed suspirar e balançar a cabeça. – Vai dormir Adam, deixa que eu cuido disso.

O rapaz revirou os olhos e se virou para o outro lado em um momento de impaciência, do tipo recorrente quando estava na companhia de Creed. De qualquer maneira a floresta escura parecia menos assustadora agora.

Adam fechou os olhos e se lembrou como seu coração foi a mil quando não encontrava Creed no meio da floresta, já estava acostumado com algumas perseguições em prédios abandonados e lugares depredados, mas a floresta era especialmente silenciosa. A ideia de que os homens de Daster eram excelentes caçadores e que a falta de ruídos da floresta poderia ser uma mentira o deixara completamente abalado antes.

O carro ficou aquecido por quase meia hora, logo quando achava que ia dormir bem, ouviu Creed desligar o motor e se sentar do seu lado. Foi quando sentiu a ansiedade voltar ao estômago.

- Ei, ainda são sete horas, sério que você vai dormir já? – Creed perguntou enquanto tirava um cigarro da caixa.

O forâneo se virou descontente para Creed, este mantinha um sorriso afável e ajeitava o corpo para tentar caber melhor naquela metade do banco.

- E você sugere fazer o que Creed?

- Bom, para começar, eu quero fazer uma revisão com você.

Ele ganhou a atenção de Adam.

- Revisão? Do caso?

- Sim, faz alguns dias que já estamos em uma análise infinita de informações irrelevantes, aproveitar que não temos nada para fazer, porque não me fala um pouco sobre o caso? – Ele tirou um cigarro e acendeu, abrindo uma fresta da janela.

- Hm, eu já te falei tudo, mas acho que peguei a ideia. Você quer revisar desde o início para ver se passamos despercebidos por algo, é isso?

- Também, mas talvez ver uma outra perspectiva.

Adam se ajeitou ali e concordou. Por um momento deixou seus olhos se perderem no carro, como se acabasse de abrir um arquivo de notas na frente de seu rosto: movimentava a vista inquietamente se lembrando dos detalhes dos casos e do perfil que já havia traçado.

- Ok – aquietou-se – Tem algumas coisas que me incomodam nesse caso. Primeiro o obvio: porque não encontramos crianças desaparecidas? Temos 22 corpos, a maioria deles são de adolescentes, entre eles só três adultos. Então, Lowes encontrou esse código reescrito no sistema de ocorrências da polícia local. Até aí temos uma dica de que, quem quer que seja o suspeito, tem acesso ao sistema de polícia OU tem um cúmplice que tem acesso ao sistema.

- Ou tem conhecimento avançado em computação e pode hackear o sistema primitivo de polícia. – Acrescentou Creed.

- Eu não acho que seja trabalho de um hacker. Famílias que perdem os filhos não deixam uma ocorrência na delegacia e voltam a viver a vida. Se eles não têm atualização de onde estão os filhos, ficam no pé da polícia local até receberem alguma resposta. Só duas coisas evitariam isso: um policial assegurando que está investigando o caso, desde a estação, ou uma confirmação de falecimento. No segundo caso, sem evidências do corpo, eu duvido que a família deixaria de lado.

- Ou seja, outros policiais notariam o barulho das famílias.

- Um hacker não conseguiria esconder isso só tirando as ocorrências do sistema. A menos que tentasse aliciar o policial com dinheiro ou alguma outra coisa. – Adam parou de novo por alguns segundos, pensativo. – Amanhã eu espero descobrir mais com as entrevistas dos policiais, mas ainda tem algumas coisas que não fazem sentido para mim.

- Tipo o que?

- Essa pista leva em direção a um trabalho que envolve vários suspeitos, um trabalho de crime organizado ou um suspeito com recursos, que utiliza para comprar serviços de outros e cobrir os passos. Mas vamos voltar um pouco para a vitimologia dos dois grupos: as execuções realizadas pelo suspeito que assassinou o segundo grupo de vítimas têm o modo de operação organizado, com cortes limpos, sem marcas claras de estupro, sem indícios de tortura... se todas as vítimas fossem assim, seria lógico supor que é um carrasco de crime organizado, um assassino contratado. As vítimas têm diferença de um ano ou mais entre elas, um psicopata conseguir controlar o impulso de matar um ano inteiro não é nem um pouco comum. Mas olha para o primeiro grupo... o suspeito não executa as vítimas, o nível de agressão dos ataques vem de alguém com muita raiva. – Ele olhou para Creed – Você sabe quanta força e energia um homem precisa para esmagar tantos ossos como esse indivíduo fez? Essa uma quantidade absurda de força, mesmo que seja com uma arma bem eficaz, leva tempo e muita raiva contida. Olhando para o MO, isso pode ser um crime de ódio.

Creed manteve o olhar sobre o rapaz, atento.

- Você acha que ele não tem nada a ver com máfia, então?

- Não, ele é arrogante, quer dominar as vítimas. Além disso é um torturador sexual. Esse suspeito deve fazer transferência para as vítimas de alguma coisa que aconteceu com ele, e que faz ou já fez ele sentir uma quantidade descontrolada de raiva. Estamos olhando para um suspeito que, quando criança, provavelmente foi torturado ou abusado. E ele extremamente desorganizado, o único comportamento constante do suspeito do primeiro grupo é o de quebrar os dedos das mãos das vítimas.

- Hum, não temos os reportes de crianças perdidas, mas talvez daremos mais sorte com o histórico de abuso infantil. – Creed comentou em um tom mais grave, pensativo. – Poucos são conhecidos pela polícia, mas o resto está no arquivo.

- Vamos tentar isso. Mas sabe, eu tenho uma ideia um pouco ousada de como trabalhar com a mídia. Pode ajudar.

- Hm.

- Esse suspeito desorganizado, do grupo um, é o mais propenso a cometer erros. O que podemos dizer, pelos ataques e como foram realizados, é que o suspeito tem personalidade instável e dominante. Ele pode se comportar bem publicamente, mas provavelmente tem alterações constantes de humor quando perde o controle de uma situação, ele provavelmente tenta frequentemente manipular as coisas do dia a dia para que sirvam melhor a ele. Isso inclui contextos do trabalho, relações familiares e com amigos.

- E de onde você tirou isso?

- Eu não deduzi isso, eu estou trabalhando com um perfil pré-desenvolvido de torturadores sexuais dominantes. – O rapaz respirou fundo quando sentiu a fumaça do cigarro do outro vindo na sua cara. Fuzilou ele com os olhos e logo buscou a própria caixa de cigarros no bolso, acendendo um para si. – De qualquer maneira, tem um outro detalhe: os corpos foram desovados todos juntos. Isso significa que, se um desses suspeitos é um assassino em série mesmo, ele pode ter encarado o encontro de corpos de outro assassino como uma afronta ou uma provocação ao ‘trabalho’ dele. Nesse caso faria sentido que o suspeito controlador fizesse um movimento para chamar atenção do segundo suspeito, como alertar a polícia do local de desova.

Viu Creed assentir com a cabeça, enquanto aguardava a conclusão.

- Mas desovar os corpos juntos também me informa que ele está escalando no comportamento. Provavelmente algo que aconteceu com ele engatilhou um desenvolvimento no comportamento. Eu acho um pouco estranho que não tenhamos encontrado um corpo novo dele. Então, o que vamos fazer com a mídia é tentar conseguir uma reação direta dele, e ao mesmo tempo abrir uma linha de comunicação para os dois. Se eu estiver certo sobre o perfil, as manchetes que vão fazer ele descontrolar são aquelas completamente focadas nos assassinatos e nas vítimas do segundo grupo. Vamos tirar toda a atenção midiática do primeiro grupo de vítimas e publicar só sobre o segundo. Assim, o que ele considera como ‘conquistas’ sequer vai ser mencionado nos jornais, e se ele for um narcisista, ele vai conseguir um jeito de chamar atenção. Eu espero que o gestor de assessoria de imprensa consiga fazer um bom trabalho. O que você acha?

- Hm, me parece uma boa ideia. Mas o que te faz ter tanta certeza que não foi o suspeito do grupo dois que juntou os corpos?

Adam refletiu por alguns segundos.

- Eu pensei nisso por um momento, mas algo não encaixa. As vítimas do segundo grupo não foram torturadas. Foram quase bem tratadas, na verdade: a pele estava intacta, eles não estavam desnutridos, tinham carne e vegetais no estômago. Esse modo de operação é compreensível se essas vítimas forem um descarte de ação de máfia. Um assassino de aluguel põe muito a perder entregando os corpos assim, e esse suspeito do segundo grupo não é um narcisista, é organizado e meticuloso. Entregar 22 corpos para a polícia é jogar merda no ventilador.

Creed apenas sorriu.

- E sabe o que mais, Creed? Eu acho que o suspeito do grupo 1 não nos entregou todas as vítimas dele. Acho que ainda vamos encontrar mais corpos, ele não é controlado como o segundo suspeito.

- Hum, então tem uma possibilidade de estarmos no lugar certo?

- Como assim? – Adam franziu o cenho.

- Os pneus do carro foram cortados por alguém que sabia que não poderíamos andar até o acampamento das minas em uma nevada noturna, é um local para saber disso. Imagino que exatamente agora, se tiver corpos por perto, já não vão estar lá de manhã. – Creed fez silêncio e observou as janelas por um tempo. – Se ele dispôs os corpos a polícia e quer atenção, nós não estamos em perigo agora, imagino.

- Não, mas faz sentido que tenha algo aqui perto. – A voz de Adam soou um pouco ansiosa agora, a vontade de sair do carro e procurar era muito grande.

- Adam, melhor focamos na mídia agora. Eu estou impressionado que ainda não tenha vazado nenhuma informação para os jornais locais, afinal, estamos em Daster... Para controlar a mídia precisamos da coletiva de imprensa para ontem.

- Amanhã o gestor de assessoria chega.

- Ok. E a reconstrução facial?

- Sábado de manhã. – Respondeu Adam.

- Amanhã vamos fazer pressão nos policiais. Melili disse que nenhum policial se lembra de ter levantado ocorrências, mas sob pressão vai ser mais fácil sair alguma coisa.

- Está bem, temos que pensar em uma estratégia de como lidar com as informações de imprensa.

- Ok, vou pedir para Lowes e Porch trabalharem no histórico midiático daqui, vai fazer prever algumas reações.

Adam concordou com a cabeça e se cobriu um pouco melhor, introspectivo.

- Ei Creed, você parece não gostar muito de Daster, nunca pensou em pedir transferência?

Viu Creed lhe observar com calma e um meio sorriso no rosto, já estava bem escuro e Adam via poucos detalhes do que havia no carro, incluindo de seu parceiro.

- Nunca cogitei transferência, não gosto muito de gente. Daster, caipira como é, é afastado e eu posso me desligar a qualquer hora.

- Não gosta de gente? Uau, você escolheu um péssimo trabalho.

- É, eu sempre pensei que lidaria mais com mortos e desaparecidos que tudo. Até agora já tinha perdido as esperanças.

Adam soltou um rido contido e tragou o cigarro mais uma vez.

- Bom, esse caso pagou por todos os outros anos.

- E ainda assim o trabalho não parece mais divertido que antes.

- Mas você faz outras coisas fora do departamento, né?

Creed se virou para lhe encarar novamente, incomodado.

- Porque o interesse repentino no que eu faço?

O rapaz reparou o incomodo e se virou para buscar onde apagar o cigarro.

- Nada em especial, só reparei nos objetos da sua casa. Você não me parece alguém que compra objetos decorativos. E são todos naturais, imagino que você os faça.

- As esculturas? Sim, tenho alguns passa tempos. De ossos e galhos.

- Ah, você quase pegou um galho na estrada hoje, era para isso?

- Hm, também. – Ele observou a ponta de cigarro já apagada e a jogou fora. – Eu gosto de lugares inóspitos, não sei o que faria se fosse transferido para uma metrópole.

Adam sorriu e lembrou-se por um momento o quanto ele próprio gostava de ficar em casa, sem contato social, nos fins de semana livres.

- É um pouco estressante, na verdade. Mas eu gosto da programação cultural de SouthBridge.

- “Programação cultural”? Hum, você tem cara de música clássica, ópera, teatro clássico e, quando está de muito bom humor, Jazz noturno.

Creed roubou um leve sorriso do colega.

- Creed, as vezes eu fico cheio de esperança que você possa se converter em especialista em perfis, também.

- Com esse seu cabelo afeminado e estilo Oscar Wilde moderno, não tinha erro.

- Você vai pro inferno, um dia. – deu um olhar atravessado para Creed. Iria fazer uma piada, mas sentiu um véu de seriedade cair sobre si e pôs-se a observar as mechas acobreadas do outro por um momento. – Sempre que você começa a conquistar alguém você faz uma piada de mal gosto ou provocativa. Você usa isso para esconder o que, exatamente? – Adam parecia levemente desapontado, mas um pouco intrigado também. Ele sabia como escudos emocionais funcionavam, e Creed estava sempre usando um.

- Você fala como se eu pudesse evitar. – Creed riu e estendeu a mão para arrumar o cabelo do outro, que recuou um pouco sem perceber.

- Você tem razão, não é sua culpa ser um bullie sem alma. – Adam escapou com uma brincadeira.

- Claro que não, e tem gente que até gosta um pouco disso. Olha só você, todo ofendido e interessado.

Adam reteve o olhar em Creed por alguns segundos. Algumas vezes seus olhos grandes eram um misto de revolta, desconfiança e curiosidade, quase como um animal selvagem. Mas olhou assim por pouco tempo e revirou os olhos, dando as costas para o mais velho e evitando que ele continuasse seu estranho galanteio.

- Boa noite, Creed.

Resmond apenas respondeu com um riso curto e se deitou na sua própria metade do banco, vendo o rapaz pegar o celular e suspirar com a falta de sinal do aparelho.

Adam passaria a próxima hora jogando pelo menos três jogos de ‘Escape the Room’ diferentes, em um momento sentiu que seus dedos congelariam se continuasse, só então decidiu desligar o celular e enfiar as mãos entre suas coxas, tentando aquecer os dedos um pouco.

- Creed, pode ligar o ar quente um pouco? – Perguntou, virando-se para o parceiro e sentindo uma onda intensa de inveja. O homem dormia à vontade, tinha uma mão apoiada atrás da cabeça e as mechas de cabelo caindo no tecido do banco.

“... Como ele consegue? Tá congelando aqui... Ele não ia ficar acordado?” Adam suspirou e virou-se de volta a encarar a janela. Não tinha luz quase nenhuma, tudo o que via era porque seus olhos já haviam acostumado com o escuro. Ele os fechou e se embrulhou mais no casaco que usava como cobertor, e passados quinze minutos sentiu os braços começarem a tremer e o maxilar acompanhar o movimento. Ele finalmente decidiu que não podia dormir assim. Se levantou e observou o companheiro um pouco, imaginando onde estaria a chave do carro.

- Creed... – Chamou uma vez e nada. – Creed!

O homem abriu os olhos devagar e respirou fundo. – Hum, que foi? – Respondeu com a voz sonolenta e rouca.

- Liga o ar quente um pouco... – Disse Adam, mas sua voz já estava trêmula.

- Hm, não.

- ...não? – Olhou espantado. – Eu vou congelar aqui!

Dito isso ouviu a risada relaxada e sentiu as mãos pesadas do outro lhe tocarem no pescoço, eram quentes como se as estivesse estendido perto do fogo, por um momento Adam quase esqueceu de recuar. Mas quando o fez, lançou um olhar severo para ele.

- Creed, liga o carro. – Disse de novo, em tom mais autoritário.

- Não, vai acabar a bateria. Deita aqui e dorme.

- Com ‘aqui’ você quer dizer com você? Não, obrigado.

Ele abriu um sorriso e voltou uma das mãos para trás de sua cabeça. – Como quiser.

Adam suspirou e se deitou novamente, volteando para o outro lado. Ele fechou os olhos e não ouviu mais o ruivo se mexer, sentia apenas os ossos gelados e o barulho discreto da neve caindo sobre a capa do carro.

Ele não estava perto de dormir, mas sentiu a espinha arrepiar com a respiração de Creed a milímetros de seu pescoço, ficou completamente imóvel. Devia falar algo, devia escapar e empurrar Creed, mas um beijo quente em seu pescoço veio acompanhado de um abraço tão confortável que ele não reuniu a força de vontade que acreditava ter para falar nada. Se manteve inerte em um abraço seguro e um beijo lento em sua pele, sentia os fios da barba dele arranharem seu pescoço com uma sensação de arrepio bem diferente da que tinha com o frio.

- Assim é melhor?

Ouviu o sussurro de Creed em seu ouvido, mas não respondeu. Apenas deixou o corpo relaxar lentamente enquanto as pernas dele se encostavam devagar nas suas. Sentiu os braços aquecerem e o pulso acelerar mais a cada segundo que ficavam assim. Não viu exatamente quando se entregou aos beijos quentes que Creed lhe dava atrás da orelha, mas não tinha objeções agora. A mão dele subiu para seu pescoço e acariciou seu maxilar com o dedo bem devagar, virando seu rosto para si como em uma armadilha muito bem-sucedida.

- Creed... – Tentou se opor, inaudível, antes de se entregar de vez a um beijo demorado nos lábios dele.

Somente após Adam apertar as mãos com força no braço do outro, eles pararam.

- Que foi? – O ruivo perguntou com um sussurro em seu ouvido.

Adam respondeu inicialmente com um olhar perdido e a pele ruborizada, mas devagar relaxou as mãos.

- Porque você insiste tanto comigo? Eu não tenho nada de especial.

O ruivo sorriu e massageou a nuca do rapaz com os dedos, subindo pelas raízes de seu cabelo.

- Você pergunta demais, Adam... Para quem faz perfis, você é péssimo em auto análise. – Brincou.

“...A Jess também acha isso.” Suspirou e abriu um sorriso brando.

- Me apresenta seu perfil sobre mim, então, Creed. – Falou baixinho com tom de voz levemente desafiador, mas quase debochado.

O ruivo gastou alguns segundos acariciando a pele pálida do companheiro, mas logo voltou suas mãos para os fios escuros dele.

- Você se esgota levantando um escudo de intelectualidade para esconder seu emocional frágil.

Adam ficou um pouco mais sério, mas queria escutar mais.

- Não me refiro ao trabalho, porém, – continuou Creed – mas ao fato de você nunca ter dormido com ninguém. Mesmo as mulheres ou homens que possivelmente te chamaram atenção antes, você não podia deixar o escudo cair se qualquer pessoa descobrisse que você não tem a força e presença que gostaria para ‘dominar’ outros. Ninguém te leva tão a sério assim, e você sabe que é pelo motivo mais supérfluo, e que para você não importa em absolutamente nada: sua aparência.

“...É, talvez.” Adam refletiu, um pouco constrangido. Tinha consciência de seu próprio orgulho e insegurança, afinal.

- Eu me perguntei por algum tempo o porquê de você ter baixado sua guarda tão rápido comigo, mas eu sei porque.

Adam parou os olhos contra os de Creed, atento.

- Você se sente confortável em saber que eu não tenho relacionamentos de confidências com outras pessoas, sou socialmente excluído como você. Não estou em posição de te causar nenhum dano à carreira. Nenhum permanente, ao menos. Está longe de casa e ninguém do seu círculo social me conhece. – Ele voltou uma das mãos para o torso de Adam e a aprofundou para dentro de sua roupa, camada por camada. – E você não quer tomar para si a responsabilidade de ter controle, e sabe que eu não tenho expectativa que você o faça. Como não quer encarar uma frustração sexual com ninguém, é confortável que você se entregue a alguém que sabe que não vai te expor. E, também, porque você já tem vontade de fazer isso a muito tempo.

Adam o encarou sério por alguns segundos, penseroso.

- Então, Adam, porque não me deixa fazer do jeito certo?

O jovem abriu um sorriso quando percebeu a tensão que aquela analise causou em si, e a arrogância do parceiro era um pouco incômoda também, mas ele estava certo em cada palavra.

- Que desastre de perfil – disse, porém. Adam era, de fato, um jovem bem orgulhoso.

Mas fosse a resposta dada por orgulho ou não, Creed era bem persuasivo. E não era como se Adam precisasse de mais incentivo que os braços quentes dele enquanto tremia de frio.

Mas, dessa vez, foi ele quem roubou o primeiro beijo intenso do ruivo. Levou uma de suas mãos frias para as mechas crescidas do cabelo dele e apertou com força ali. Sentiu uma das mãos de Creed descer para sua cintura e sua língua úmida se apertar contra a própria. A situação toda já lhe provocava uma excitação intensa, e também já estava pronto para ignorar a perspectiva de retaliação profissional ou qualquer outra bobagem que pudesse pensar.

Na verdade, ele já não pensava em absolutamente nada agora.


Notas Finais


Valeu por acompanhar. :3


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