História Contos e lendas de terror - Capítulo 69


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Categorias Lendas Urbanas
Tags Terror
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Palavras 654
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Álcool, Canibalismo, Estupro, Insinuação de sexo, Mutilação, Necrofilia, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Capítulo 69 - Do que é feita a água


Fanfic / Fanfiction Contos e lendas de terror - Capítulo 69 - Do que é feita a água

Quando eu vi os avisos na TV, instantaneamente tranquei a porta e coloquei a mesa de jantar para segurá-la. Conseguia ouvir os vizinhos em outros apartamentos fazendo o mesmo. Corri para a janela e as fechei. Nada entraria sob minha vigilância. 


Minha filha saiu de seu quarto, esfregando os olhos sonolentos. "O que você está fazendo, papai?"


Parecia tão inocente em seu pijaminha cor de rosa. Meu coração apertou. Peguei-a nos braços e dei um beijo em sua testa. "Não pre preocupe, meu doce, papai vai fazer tudo ficar bem." 


A TV ainda estava ligada. Um homem de mãos trêmulas lendo as notícias. "Tranquem as portas e as janelas. Eles podem entrar por qualquer abertura. Não abra a porta por nada. Vão mentir para você, mas não acredite. A guarda nacional recomenda abafadores de ouvidos."


Minha filha apertou forte meu braço. Seu cabelo longo e loiro entrou na minha boca. Tirei e beijei sua testa de novo. "Volte a dormir, Ava." Falei calmamente.  


Ela me olhou com seus enormes olhos azuis. "Tô com muito medo, papai."


"Tá bom. Mas você vai ficar ouvindo nos fones, ok? Você não precisa ouvir a TV." Peguei meu Ipad e coloquei um programa infantil. Ava se sentou no outro lado da sala com os fones. Meus olhos estavam grudados na televisão. 


O homem suava agora. "Autoridades dizem que estão visando qualquer um em um raio de 80 quilômetros do local da queda. Não está claro onde realmente estão. Não é um animal já visto antes. Deve ter vindo de seja lá o que caiu. Parece com um ser humano." 


"Do que é feita a água?"


Virei minha cabeça para Ava que estava com um ouvido fora do fone. Tive dificuldade para responder. "O que... o que você está querendo dizer, querida?"


Ela puxou uma mecha de cabelo loiro. "Água. Do que é feita a água?" 


"É feita de água. Só água." Tentei voltar a olhar para  TV mas Ava estava engatinhando até mim. Seu corpinho balançava pelo chão de madeira.


"Não, tem coisinhas nela. Molédulas."


"Você quer dizer moléculas?" Ela subiu no meu colo. Passou a mão no meu rosto com sua mão pálida. Me senti estranho. Com uma voz assustada respondi, "Hidrogênio e oxigênio. Você ouviu isso no seu programa?"


"Sim, papai," falou lentamente. "Mas tá errado. Tem dois hidrogênios. Dois." Ela levantou dois dedos da mão contra meu braço.


Meus olhos se voltaram para a TV. O home e a mulher pareciam menos ansiosos agora. O homem disse, "Autoridades dizem que podem se parecer com seres humanos. Você pode até acreditar que os conhece."


Então a mulher deu uma risadinha. "Não, eles não aparecem assim. Nem um pouquinho assim. Não sem lembra, querido?"


Ele olhou para ela, sorrindo, "Você está certa, querida."


Olhei para minha filha. Sua pele branca estava clara contra a minha pele escura. O contraste era cegante. Quando que minha filha começou a ter pele branca? Porque o cabelo dela entrava na minha boca? O cabelo loiro... 


Aterrorizado, peguei seu pequeno corpo e joguei contra a parede do outro lado da sala. Ouvi um estalo. Seu ombro quebrou e seu cotovelo estava dobrado para o lado contrário. Um osso saia de um rasgo em seu peito. Ela gemeu baixinho. No escuro, percebi que sua pele não era branca. Era caramelo. Deve ter sido a luz da TV que fez a parecer branca. 


Alguém bateu na porta. A voz era doce. "Querido, cheguei! Minhas chaves não estão girando na fechadura, abre!"


Me levantei, recuando. Ava estava sangrando no chão. Tinha parado de chorar. A coisa lá fora bateu de novo. "Abre, querido!" As batidas ficaram mais fortes. "ABRA A PORTA, QUERIDO!"


Ava parou de respirar. Segurei a respiração. Eu podia ouvir as portas dos outros apartamento se abrindo. Seguidos de gritos. O homem na TV tinha sido devorado pela metade por sua colega. 


O programa infantil de Ava ainda estava passando no Ipad, na tela, uma tabela periódica. Um peixe dançava tango com dois hidrogênios e um oxigênio. 




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