História Contos escapistas de um adolescente que não se sente em casa - Capítulo 22


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Diário, Pensamentos, Romance
Visualizações 2
Palavras 1.305
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Poesias, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 22 - Estabilidade


Fanfic / Fanfiction Contos escapistas de um adolescente que não se sente em casa - Capítulo 22 - Estabilidade

Eu venho escrevendo menos, e por incrível que pareça, tenho sentido mais do que nunca. Por muito tempo corri da estabilidade, gostava de surpresas, de coisas imprevisíveis, achava a rotina algo péssimo que me deixava triste, aprendi novos jogos, conheci novas pessoas, vivi coisas que sempre sonhei mas que nunca imaginei que realmente aconteceriam comigo, e a ironia está no absurdo das coisas mais imprevisíveis e menos monótonas que aconteceram na minha foram justamente o fim do mar de caos que eu vivia, e achava que gostava de viver.

"Ficar com as mesmas pessoas sempre? Os mesmos amigos? Os mesmos amores? Os mesmos filmes? Mesmos livros?", mesmo odiando as mudanças, elas são essenciais para mim, as odiava porém as desejava secretamente, a cada ano queria recomeçar minha vida, cada mês que passava me forçava a querer novos horizontes e objetivos. Isso acabou por me fazer temer estabilidade, algo que achei que tinha, já que tenho os mesmos amigos desde o maternal, mesma família de sangue, mesma família de coração, mesma casa, mesmos rostos, eu queria recomeçar, absolutamente tudo, mas correr do que existe não é um objetivo, é como se seu destino no Uber fosse uma outra pessoa, não há um objetivo fixo, é uma constante fuga do que eu não queria e não sabia lidar, acreditava que era um apostador, que confiava na sorte, um viajante, que seguia o coração e desfrutava da liberdade, ou até mesmo um idiota, correndo por aí procurando algum sentido em qualquer coisa que fosse firme o suficiente para que eu pudesse me agarrar até que eu finalmente a tombasse. Hoje, olhando para trás consigo ver o que eu realmente era, uma criança jovem demais para ser um adulto, um adulto velho demais para ser criança, algo preso no meio, onde o antigo já não serve mais, mas o novo ainda não está pronto, sempre achei que era algo diferente, e ironicamente eu era exatamente a caricatura da minha geração, já com passado mas ainda sem futuro.

Sai de casa esse ano, mas antes disso me envolvi com pessoas que me marcaram bastante, talvez como uma forma inconsciente de tentar me prender ao único lugar que eu conheço, talvez eu sempre soubesse que meu problema era eu o tempo todo, e não o local em que me encontro. Depois de muitas emoções, erros e mal entendidos me achei, longe de casa, sozinho, cometendo os mesmo erros de antes, mas agora sem ter pra onde ir, estava preso ali com data limite, que tipo de fuga é essa em que o fugitivo volta de onde saiu? Que tipo de fuga o fugitivo aceita uma pseudo-fuga onde tem de voltar meses depois? Mas o mais intrigante é: Que tipo de fugitivo realmente volta?
Eu sentia saudades, saudades dos gatos, do cachorro, da minha avó, da minha mãe e irmão às vezes, dos meus tios periodicamente, não senti falta do meu pai. Pensava sempre o quanto minha avó realmente sentia falta de mim, já que a cabeça dela já não consegue mais perceber a passagem de tempo como antes, dias, semanas, meses, anos, décadas... Nem mesmo eu consigo perceber a passagem tão bem assim, jurava que esse ano foi maior que os outros, mas ao mesmo tempo me pareceu tão curto, não queria estar tão perto dos 20 anos com memórias tão vivas do meu aniversário de 10, ou da minha primeira viagem de 3.

Se eu tivesse que escolher uma palavra para esses últimos anos, 2016 seria mudança, eu era oficialmente um adolescente, fazia coisas de adolescentes, me rebelei contra mim mesmo, quebrei todas as minhas regras, me perdi, perdi tudo; 2017 seria redenção, viajei, me recuperei, fiz as pazes com o passado, todo ele, com as merdas que eu vinha fazendo desde 2014, me libertei do que me prendia e me livrei do que me matava, acabei descobrindo quem eu realmente era; 2018 certamente é aceitação, já sabia quem eu era, só precisava me aceitar, reatei os laços que rompi em 2016, reaprendi a amar todos aqueles que eu já amava, sentia falta do sentimento da descoberta, então comecei a focar nos outros. Esse ano, ainda incompleto, 2019, eu chamaria de amor, talvez pudesse também ser chamado de sentido, mas acho sentido muito vazio, comecei o ano procurando amor, depois de várias experiências horríveis desde 2013, decidi que iria achar o amor da minha vida, me apaixonei, amei, fiquei com medo, quis fugir, machuquei, procurei, amei, me desiludi, continuei procurando, tentei forjar o amor com atração física, tentei forjar amor fraternal, destruí o que nunca chegou a ser, tentei forçar amor de amigo, que acabou em sexo, que gerou arrependimento, desisti de procurar, e foi aí que me apaixonei de novo, mas diferente, mais sutil, com menos força, algo mais calmo depois de um ano de tantas decepções, conversei, me apaixonei, vi, me apaixonei, me abri, me apaixonei, conheci, me apaixonei, vivi, me apaixonei, pensei que ia acabar, pensei em estragar tudo como sempre acontecera, mas ele me impediu, me droguei, me apaixonei, falei tudo na minha cabeça confusa e desordenada, ele não ligou, ele me amava, e aí eu me apaixonei de novo, mais uma vez, saímos, me apaixonei vimos o natal, vimos o passado, planejamos o futuro, me apaixonei, me apaixonei, me apaixonei, me apaixonei, falei contigo hoje e me apaixonei mais uma outra vez. Pra ser bem sincero eu me canso das pessoas que me apaixono, pensei que seria o mesmo com você, esse é um pensamento que eu sempre tenho quando me apaixono por alguém  "Como isso aqui vai acabar?", eu não entendia como alguém pode viver com outra pessoa por tanto tempo, tantas pessoas por aí, 500 mil na minha cidade, 400 mil na sua, 12 milhões em São Paulo, 200 milhões no Brasil, 7 bilhões no mundo. Como eu poderia viver com só uma, sendo que eu poderia criar intimidade só com uma e me contentar, sabendo que havia tanta gente igual ou mais intrigante por aí? Como eu iria me contentar com só uma? Ainda não entendo muito bem, mas sempre quando vejo seu sorriso, ou quando você algo fofo como "Aham" ou "Olha" eu tenho a certeza plena e absoluta que você pode não ser perfeito, mas você tem os melhores defeitos e as melhores melhores qualidades, você não me entende, e eu não te entendo, mas não precisamos nos entender, quando nos abraçamos e dizemos que "está tudo bem" nós estamos sendo maduros, estamos sendo compreensivos, mesmo sem entender, não julgamos, nem rejeitamos. Eu realmente penso, frequentemente, que somos o melhor casal do mundo, por sermos iguais de modo diferente.

Eu nunca tive coragem de fazer muitas coisas, mas você me deu forças para fazer coisas que eu nunca tinha feito e que não tem mais volta, e eu te amo mais que tudo, o nome desse ano foi amor, e talvez o do ano que vem também seja, talvez todos os anos com você sejam. Eu tenho medo de morrer antes de você e te deixar triste, e tenho medo de você morrer e eu ter que seguir em frente.

Já não consigo mais formular frases ou pensamentos completos, estou com sono, está tarde, mas queria poder te explicar o que sinto, uma vez você perguntou o que era essa minha sensação de "Missing out", eu não soube responder, é a mesma sensação que não me deixa dormir, e a mesma sensação que eu tentei te dizer, de vez em quando eu me dou conta de que estou vivo, de que as coisas existem, isso me acorda, mas me faz ter essa sensação horrível, já que em alguns anos -espero que muitos- eu vou morrer, e aí tudo vai acabar, mas eu te amo mais que isso, e quero que saiba, sempre que se perguntar sobre isso ou algo assim.

 


Notas Finais


Se você está lendo isso e eu te machuquei por você ter me amado, peço perdão por ter sido do jeito que foi, mas não me arrependo, e faria tudo de novo, já que foi algo importante na minha vida e ajudou a me moldar e me tornar uma pessoa melhor, eu ainda amo vocês, mas de um jeito um pouco diferente, me desculpem.


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