História Contra-Mão - Capítulo 18


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Palavras 1.600
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Hentai, Lírica, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


CHEGUEI! Mano, demorei, né? Tô muito atrapalhada com as coisas, agora que as aulas voltaram então, lascou tudo.
Mas enfim, ouçam Meia-Vida da Zimbra, é ela a música citada no capítulo. E desculpa por só falar de Zimbra, mas eu não posso e não vou ignorar coincidências como essas.
Nessie, te amo, toma capítulo. Beijo, gente! ❤ E obrigada pelos comentários!

Capítulo 18 - Já não conheço mais você


Depois de passar um bom tempo conversando com Sadie sobre o que Noah havia me contado no dia do bloquinho de carnaval sobre ela saber, na época, que Finn havia aparecido no sarau, e ela ter me pedido desculpas sobre isso, saímos de casa para ir encontrar o pessoal num barzinho que tocava música ao vivo todas as noites.

— E como você e Finn estão? - ela pergunta, finalizando o assunto, depois que já achamos uma vaga perto do barzinho na rua lateral pra estacionar.

Coloco a alça da bolsa no ombro, travando o carro e indo pra calçada. 

— Acho que vou saber só agora. - respondo.

Entramos no barzinho, que é um lugar que já costumamos frequentar, tanto pra às vezes almoçar e beber domingo à tarde quanto pra umas cervejas numa quinta-feira comum, como hoje.

Já estão todos lá quando chegamos, numa mesa perto da parede de espelhos. Sentamos, fico entre Noah e Sadie e cumprimento todo mundo, inclusive Finn, que acaba por ficar sentado na minha frente.

Ninguém pediu nada ainda, então acabamos por chamar o garçom todos juntos e só agora. Peço uma caipirinha de frutas vermelhas com vodca, e ele anota antes de perguntar o pedido dos meninos.

Quando Finn pede um suco, me viro pra ele, curiosa, e Caleb acaba fazendo a pergunta:

— Não vai beber, cara?

— Não tô bebendo - ele responde, limitadamente.

Não demora muito pro assunto desviar, e nossas bebidas chegam minutos mais tarde. Quando provo a minha, percebo que Finn está sutilmente me olhando, e ofereço um sorriso, quase que de modo involuntário, mas ele retribui.

Desvio os olhos em seguida.

— Ai, meu Deus, desculpa o atraso! - é Maddie que diz isso, chegando às pressas e sentando numa última cadeira vazia, ao lado de Sadie.

Maddie é uma colega de faculdade, faz as mesmas matérias que eu e Jack, então somos bem próximos e ela vive saindo com a gente, mas cenas como essa são comuns, ela sempre tá atrasada pra alguma coisa por causa do trabalho.

— Ei, não conheço você - ela diz para Finn, depois de cumprimentar todo mundo.

— Finn - ele se apresenta.

As sobrancelhas de Maddie se erguem para mim, porque ela sabe. Tenho certeza que ela vai perguntar que capítulo da história perdeu, mas faço gesto de que depois explico.

Minutos depois, todos nós conversamos e rimos na mesa, e nem é por causa da bebida. Tem música ao vivo tocando, no momento o cara acompanha no violão uma da Legião Urbana e Maddie está confusa sobre a nacionalidade de Finn, questionando isso pela milésima vez desde que entramos no assunto.

— Ele é gringo, Madds - Noah explica, rindo.

Finn dá de ombros, sem desmentir.

— Fala alguma coisa em inglês pra mim. - ele pede, provavelmente meio que sem botar fé que aquilo era sério.

Ele revira os olhos, repousando o copo de suco na mesa depois de tomar mais um gole:

What do you want me to say? - resmunga ele, preguiçosamente. Exibido.

Finn saiu do Canadá ainda criança, mas isso não o impediu de ainda ter um inglês muito bom, e com direito a sotaque, o que eu sempre achei um charme. E continuo achando, enquanto Maddie ainda parece em dúvida.

— Espera, então, de onde você veio mesmo? - ela pergunta.

— Vancouver.

— Uau. Por essa eu não esperava.

Finn sorri, dando de ombros, e ficamos um tempo conversando sobre a nacionalidade dele, depois naturalmente discutimos outras coisas e por aí vai.

Mais tarde, eu e Finn saímos pra fumar. Está meio frio aqui, a música de lá de dentro fica meio abafada, mas ainda consigo identificar o que o cara está cantando.

Já não conheço mais você e todos os seus planos que um dia me deixaram pra trás...

Esse vai ser o terceiro cigarro que compartilhamos, nos encontramos e desencontramos três anos atrás. E Finn ainda parece como um desconhecido pra mim às vezes.

Agora, talvez, mais ainda. Se quer consigo imaginar no que ele está pensando, com os olhos pra rua, em silêncio.

— Acende pra mim? - peço, botando o cigarro na boca, e ele estende a mão com o isqueiro sem dizer nada.

Quando meu cigarro já está pela metade, abro a boca para falar, ainda hesitante porque da última vez que fomos fumar juntos eu acabei indo embora, e não quero ir agora.

— Quando te conheci, eu tinha a sensação de que você estava fugindo de alguma coisa.

Finn olha pra mim, atônito por um momento antes de dar de ombros:

— E por que você tinha essa sensação?

— Não sei. - viro pra ele - Você tá? Fugindo de alguma coisa?

Finn dá um meio sorriso. Essa é toda a resposta que tenho. E não é nada perto de ser o suficiente, mas não digo mais nada para mudar isso.

— Tá tudo bem com a gente, né? - ele que pergunta.

Dou de ombros:

— Acho que sim. O que você acha?

— Sim também. - ele murmura.

A música continua lá dentro, preciso respirar fundo ouvindo a letra que eu já sabia de cor.

Já não aguento mais olhar pra todos esses anos e desfazer o que a vida faz...

Finn também respira fundo, ainda em silêncio. Não sei se ele conhece a música, mas parece um pouco inquieto, distribuindo o peso do corpo de um lado para o outro eventualmente. Me lembro de como ele balançava a perna esquerda na sala de aula quando estava ansioso ou incomodado, foi um dos primeiros hábitos que ele tinha que eu passei a reparar, antes mesmo de nos falarmos pela primeira vez.

Finn limpa a garganta, ainda sem me olhar:

— Que horas são agora? - pergunta ele - Deixei o celular lá dentro.

Pego o meu no bolso da calça, desbloqueando a tela.

— Dez e meia.

— Tá. Valeu. - ele responde.

Tenho a sensação de que vamos passar o resto do tempo ali no mesmo silêncio de antes e não quero isso, porque já já o cigarro vai acabar e não vou mais conseguir ficar sozinha com ele. E eu tô com essa sensação de que quero estar sozinha com ele, mesmo não querendo pensar no porquê disso. Tem muita coisa que eu sinto que precisamos falar ainda, mesmo que eu não saiba exatamente o que. Bom, querendo ou não, perdemos três anos, né?

Depois que um grupo de jovens, mais ou menos da nossa idade passa por nós ali na calçada me vem uma pergunta na cabeça, uma que não faz o menor sentido de perguntar agora, mas eu claramente não me importo com isso, porque o faço:

— Você tá fazendo faculdade de que? - é o que eu digo, tentando soar o mais casual possível.

— Letras. Literatura, né? Inglesa e portuguesa - responde, e olha pra mim - E você, presumo, Relações Internacionais.

— Você sabe disso porque Jack faz o mesmo curso. - acuso, meio aliviada pelo rumo de naturalidade que a conversa está tomando.

— Sim. Mas eu teria chutado esse de qualquer forma. Era o que você sempre quis.

Dou de ombros, meio que feliz por ele lembrar disso, meio que desejando que o cigarro dure bastante para que fiquemos mais ali. O que não acontece.

Não demoramos para entrar de volta, falho na minha tentativa de ter uma conversa, deixamos aquela música acabar e mais pelo menos duas passarem para entrar. Peço uma bebida, e antes mesmo que ela chegue, Finn, que estava com os olhos no celular desde que entrou, levanta da cadeira.

— Preciso ir, galera. Tenho uma prova amanhã, não estudei ainda. - Finn diz, botando a jaqueta de volta.

— Você vai estudar agora? - Sadie questiona - São tipo onze horas.

— Às vezes ele dorme durante à tarde pra passar a madrugada acordado, normal - Jack explica, e se vira para o primo - Não volto hoje, beleza?

Finn assente, e se despede de todos com um aceno e sai do bar. Tento não acompanhá-lo com os olhos até a porta, mas naturalmente o faço. E depois que ele some da minha vista, me viro de volta pra mesa, sentindo como se a noite tivesse perdido a graça agora.

É por isso que vou embora em menos de uma hora depois, quando já terminei meu último drinque e estou bem o suficiente para dirigir. Vim com Sadie, mas como ela vai para o apartamento de Caleb, vou voltar sozinha, então ligo o rádio e dirijo sem pressa.

Passando por um atalho para fugir do trânsito, aproveitando que conheço aquelas ruas que são meio perto do meu antigo colégio, vejo uma coisa quando o carro para no farol. 

Estudar pra prova, foi o que ele disse. E até parece.

Preciso franzir o cenho, incerta se estou mesmo vendo o que acho que estou. Um grupo de garotos que não acho que já tenha visto alguma vez, ou pelo menos não me lembro. Eles estão fumando e conversando, espalhados na praça vazia ao lado da avenida, e não desvio os olhos mesmo sabendo que o sinal já está verde pra mim. O estranho daquilo tudo são as malas, que não parecem tão pesadas, mas fazem um barulho metálico ao chacoalharem, o que me deixa extremamente curiosa pra saber o que tem dentro. Mas esse não é o motivo que me deixa mais intrigada, muito menos o que me fez parar para olhar ali. O motivo é bem específico, na verdade. Um desses garotos é Finn.


Notas Finais




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