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História Contrários - Capítulo 2


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Notas do Autor


Amo vocês 🥰🍊

Capítulo 2 - Sonho- parte 2



Os espirros continuavam e eu já estava ficando incomodada com aquela situação. Com toda certeza aquilo não seria uma entrevista de emprego e mesmo que fosse, meu corpo só queria descanso.
Quando finalmente o olhei nos olhos, uma sensação de paz e desespero invadiram meu peito. Seu rosto era tão famíliar mas eu não conseguia lembrar de nada.
Ele retribuiu o gesto, porém logo saiu da sala, me deixando sozinha no local. Eu até pensei em sair também e ir embora, porém, estava curiosa com aquela saída repentina.
Os minutos foram passando e nada dele voltar. Olhei pra os lados e vi um pequeno porta retratos em cima da mesa. Ele estava em um jardim e esboçada um sorriso radiante.
Algo me chamou muito atenção. Em cima do sofá, que ficava ao lado da mesa, havia um livro muito conhecido por mim. Eu mesmo o havia escrito.
Era estranho que alguém tão influente e cheio de ideais ousasse ler algo como aquilo. Era apenas uma história de fantasia e suspense.
Várias lembranças surgiram em minha mente. Nelas, revivi todos os sacrifícios que fiz para conseguir publicar esse livro. Foram meses e mais meses mandando emails e conversando com professores.
Tudo valeu a pena no final. Eu havia realizado um sonho e no dia da publicação oficial, quando estava sentada naquela cadeira, vi todas as pessoas que eu amava e me apoiavam.
Algumas lágrimas caíram de meus olhos e por impulso abri o livro. Todas as minhas forças sumiram naquele momento.

"Para o melhor amigo que eu poderia ter. - Obrigada por fazer dos meus dias os mais coloridos, por estar sempre do meu lado, mesmo que não pessoalmente, por ter me apoiado sempre, mesmo quando eu achei que nada daria certo. Desejo que todos os seus sonhos se realizem e mesmo que o tempo nos separe..."

"Lembre que eu vou te aguardar no meu peito."

"Pra sempre!"

Era ele. Depois de três anos estava ouvindo sua voz novamente e fui tão lenta que não percebi antes...


"Odeio atrasos!
Sempre pensando mais nos outros do que em você!
Gostei do esmalte!
Já comeu?
Odeio mentiras!"

Repeti todas aquelas frases tão conhecidas por mim em voz alta. Ainda com o livro em mãos, limpei algumas lágrimas que ainda se derramavam sobre minhas bochechas e já sem forças, sentei no chão.
Eu havia sofrido demais com a distância, com suas palavras duras, com as brigas e com a atitude de não trocar mais mensagens.
Ele era o único que me ajudava a esquecer meus problemas, que me fazia rir mesmo tendo consciência que eu estava chorando,
que perguntava como eu estava e sempre me ouvia quando eu precisava desabafar, era o único que ouvia minhas piadas sem graça e falava que estavam boas apenas para me ver feliz, que brigava comigo quando estava atrasada, que reclamava quando eu não comia ou quando ficava estudando até tarde.

"Já chega de estudar. Você precisa dormir!
Você tem que comer!
Já está arrumada? Está quase na hora de ir para sua aula!
Você tem que se divertir um pouco!"

Mas nem tudo dura pra sempre. As coisas mudaram tão rápido entre nós. Ele sempre estava ocupado demais e sempre brigava por bobagem.

"Depois a gente conversa!"

Sempre a mesma desculpa. Eu não entendia o porquê daquela mudança. Certo que ele era um pouco mais velhos e nós tínhamos rotinas diferentes, mas no começo isso não importava.
Eu não gostava de lembrar dessa parte. Apenas deixei o livro onde estava anteriormente e fiquei em silêncio. Aquele com certeza não estava sendo um bom dia.

"Eu trouxe um remédio pra você! Não quero que pegue um resfriado!"

"Sempre mandão, não é mesmo!"

"Eu só quero seu bem!"

"Se você realmente quisesse isso, não teria feito o que fez!"

"Eu só queria seu bem!"

Apenas soltei uma risada irônica e levantei do chão.

"Se o meu bem era ficar me culpando por achar que fiz alguma coisa que te fez tomar aquela decisão, então..."

"Olha, eu não estava pronto para aquilo, tá bom?"

"Pronto pra quê? Pelo que eu saiba, não foi eu que mandei mensagem primeiro! Se não estava pronto, por que não falou antes das conversas ficarem mais sérias?"

"Por que no começo eu pensei que você era só mais uma menina que eu iria conversar por dois ou três dias e logo acabaria. Mas não! Você era diferente, não era mais uma..."

"Claro que não! Eu era uma 'louca', não foi assim que me chamou uma vez?"

"Tá bom! Quer saber por que eu parei de falar com você?"

"É indiferente pra mim!"

"Não precisa usar minhas falas contra mim agora! Eu só não conseguia mais fingir pra mim mesmo que você era apenas uma amiga. Eu estava gostando de você e pensei que te falar isso não seria uma boa idéia..."

"Por que não seria?"

"Eu fique com medo e isso me levou a tomar aquela decisão patética de te bloquear!"

"Eu não me importo mais... já passou!"

"Como não se importa mais?"

"Só não quero sofrer novamente!"

"Quem disse que isso vai acontecer?"

"Ninguém. Por que não vai! Olha, eu agradeço a preocupação, mas eu tenho remédio em casa. Se me der licença, tenho que procurar emprego!"

"Mas você estava em uma entrevista!"

"Estava!"

"Mas a vaga já é sua..."

"Acho que vai ter que dá-la a outra pessoa! Tenha um bom dia, senhor que não se chama Tom!"

"Olha, eu..."

"Está tudo bem! Eu já te perdoei!"

"Por favor!"

Sem controlar, acabei dando outro espirro e quando vi, minha cabeça estava girando e acabei por desmaiar.
Quando abri os olhos, vi que ele me olhava com preocupação. Acabei por me assustar com tal aproximação e tentei levantar.

"Acho melhor você não levantar agora!"

"Você não manda em mim!"

"Não precisa ser grossa!"

"Eu só preciso ir pra casa!"

"Você acabou de desmaiar e lá fora está chovendo muito. Olha, já passam das dez e eu sei que não comeu nada. Seu desmaio foi por isso, então... sinta-se a vontade para começar a comer!"

"Eu não quero!"

"Bom, eu tenho a manhã toda!"

"Por acaso ela é sua propriedade?"

"Você e suas piadinhas!"

"Eu vou embora. Já estou molhada e doente mesmo!"

"Deixa de ser orgulhosa, por favor! Eu só estou tentando te ajudar."

Olhei para meus pés e vi que tinha um curativo no pequeno ferimento que havia se tornado ali. Ele percebeu isso e acabou por falar.

"Eu limpei o corte e coloquie esse curativo!"

"Não precisava!"

"Olha, eu entendo que esteja com raiva de mim, mas não haja como uma criança!"

"Quem disse que estou?"

"Olha pra você. Mesmo depois de tanto tempo eu ainda tenho que brigar com você pra comer e ficar implorando pra deixar de ser teimosa."

"Eu já falei que não precisa!"

"E eu já falei que precisa sim! Você acabou de desmaiar e ainda acha que não precisa?"

"Tá bom! Eu como!"

Eu odiava brigar com ele e mesmo depois de tanto tempo ainda me sentia aquela adolescente quando estava sobre seu olhar.
Ele trouxe uma bandeja com vários tipos de comida e sobre seus olhos reprovadores, comi algumas coisas. No fundo ele sabia que eu não comeria tudo, mas só de eu ter me alimentado era um grande avanço.

"Ainda tem o remédio!"

Tirei o mesmo de sua mão e o ingeri. Um pequeno sorriso se formou em seu rosto e não pude deixar de sorrir também.
Mesmo com o peito cheio de dor, ele me fazia esquecer tudo e simplesmente me sentia em casa. Como se eu sempre estivesse segura com ele.

"Eu te amo!"

"Eu também!"

Era a primeira vez que nos víamos pessoalmente e isso deveria ficar na memória.

Sonho OFF

Ao menos do meu sonho.
Acordei em um susto e tudo que vi foram as paredes nuas de meu quarto.

Fora apenas mais um sonho!


Notas Finais


Obrigada 🥰🍊


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