História Contrato de Sangue - Capítulo 9


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Capítulo 9 - IX. Occidendum


IX. OCCIDENDUM

 

“Tornei-me insano, com longos intervalos de uma horrível sanidade.”

Edgar Allan Poe

            

O jovem corria mais uma vez até ao banheiro para tossir, podia sentir que sua gripe apenas piorava com o passar do tempo. Não importasse o que seus pais lhe davam para melhorar, havia sido apena sum tolo rapaz que tomou um banho de chuva qualquer, então porque tantos dias daquela maneira? Sentia o suor aglomerando-se em suas têmporas ao passo que levava ambas as mãos para tentar abafar sua tosse seca.

- Kouyou abra a porta! – franziu o cenho ao escutar sua mãe no outro lado da madeira enquanto batia na mesma, chamando-lhe a atenção. – Precisa sair desse banheiro agora! – dissera mais altiva fazendo o menor tremer um pouco ao escutar a forma que a mais velha falava.

Pigarreou e levou a manga, da camisa que trajava, até sua testa, limpando quaisquer resquícios de suor que denunciassem sua piora, porém ao deparar-se as feições duras da mulher arregalara os orbes, ela logo pegando em seu braço e o puxando com força corredor adentro, fazendo-o imediatamente pedir para que ela parasse com aquilo.

- Você precisa me ajudar! Eu não tenho condições de cuidar sozinha desse moleque! – vociferara para o homem que achava completamente alcoolizado por cima da pequena poltrona em meio à sala.

O cômodo era extremamente simples e modesto, os mofos e buracos adornavam a parede do lugar, a madeira ao chão achava com lascas no qual acumulavam-se alguns resquícios de lixo, e em meio a tudo ainda haviam duas crianças que brincavam entre si, ignorando o seu redor.

- Me escutou? – ela gritara, apertando mais ainda o braço do loiro no processo que ainda suplicava para que sua mãe o soltasse. Mas o homem apenas olhara para ela com as pálpebras semicerradas, em seu semblante ela podia decifrar todo o descaso e o respeito que há muito, já não existia mais ali.

 Porém, para a surpresa de todos, Kouyou iniciou suas tosses, fazendo com que a mãe finalmente o soltasse e ele pudesse levar ambas as mãos até tamparem sua própria boca. Contorceu as têmporas em desagrado, sentindo seus pulmões mais doloridos do que outrora, o incômodo fazendo-se presente e então, o loiro sentira uma espécie de jato que fora expelido de sua garganta, era molhado e pegajoso, porém havia expelido em pouquíssima quantidade.

Levou suas mãos até sua vista e surpreendeu-se ao ver a pequena mancha de sangue em uma de suas palmas, seus olhos enchendo-se instantaneamente de lágrimas. Ele mirou os orbes em direção a mulher, porém a mesma correu até as duas crianças, como se as protegesse do rapaz.

- Esse moleque já não serve mais! Manda ele junto com os loucos! – o bêbado vociferara contra o filho, fazendo o menor não conter as grossas lágrimas que escorreram em sua face marcando-a. Não, não era um imprestável! O que significava tudo aquilo?! Se ficasse doente não serviria nem mais como filho para seus pais?

O homem tentou levantar-se, porém a tontura da embriagues o atrapalhou no processo, fazendo com que ele cedesse ao chão. A mãe erguera-se e encaminhara até o marido tentando acordá-lo, fazendo com que as crianças se assustassem com toda aquela cena e iniciassem um choro em uníssono. Kouyou observava tudo aquilo de maneira aturdida, aproveitou-se que os mais velhos estavam ocupados e não tardou para encaminhar até a portinhola que havia por ali, saindo daquela casa na qual crescera. Saindo do lugar onde achou que poderia ter a segurança que precisava.

Olhou para as ruas enlameadas e não conteve seu choro, chegando até mesmo a soluçar, era isto estava doente, fraco e debilitado e ainda não era mais aceito pela sua família. O que poderia fazer?! Não queria sob hipótese nenhuma ir para um hospício, não era louco afinal!

Continuou sua caminhada, meio incerto para onde seguiria, olhou para o enorme céu estrelado acima de sua cabeça, vendo-o meio embaçado por conta das lágrimas que ainda escorriam incessantes. Será que Deus não via seu sofrimento? Será que ele havia o abandonado?

“Eu sempre estive com você.”

A voz masculina, forte e enrouquecida ecoou em seus tímpanos, fazendo o menor buscar o dono da mesma, porém não o encontrando. Estranhamente um sentimento reconfortante atingia seu peito, fazendo com que diminuísse a dor sentimental que o maltratava.

“Eu nunca irei te abandonar...”

E então uma espécie de sombra brotou do chão, mais parecia que vinha por todo o lado da rua e das calçadas, elas seguiam e aglomeravam-se na frente do rapaz que olhava para aquela imagem aturdido. A aglomeração passou a tomar forma e a massa escura movia-se e crescia diante dele que sentia seu corpo petrificado.

Kouyou queria gritar, porém sua voz simplesmente havia sumido de suas cordas vocais, queria correr, mas não conseguia mover um músculo de seu corpo. Arregalara as pálpebras ao ver a forma humanoide que o emaranhado de borrões pretos se formava e então as pupilas vermelhas e intensas passaram a brilhar e visualizar o menor.

“Venha até mim.”

Apesar de escutá-lo, o mais novo não via os lábios da besta, mas conseguia compreendê-la em sua mente. Logo os borrões passaram a desaparecer e dar margens para uma pele extremamente branca, as feições passavam a mostrar-se, tal como o corpo do homem que era revelado completamente desnudo ao jovem que apenas o fitava, até que a imagem do moreno ficasse totalmente exposta a si, os cabelos imensos da besta esparramavam-se pelas costas largas dele, um meio sorriso adornou os lábios cheios do moreno e ele abrira os braços, como se repetisse em ações, o que havia dito outrora.

Kouyou ainda observava-o com um misto de receio e curiosidade, porém algo dentro de si clamava por aquilo. Por cuidado, por carinho, por alguém que o aceitasse... E por conta disso, somente naquele momento seu corpo conseguiu munir de forças e jogou-se nos braços do maior que o envolveu com um abraço apertado.

O loiro podia sentir o cheiro dele amadeirado, a pele extremamente fria e rígida, fechara os olhos enquanto ainda as lágrimas escorriam em sua face. Apesar de tudo, aquele homem fazia com que sentisse algo que sempre almejou... Fazia com que se sentisse protegido.

 

 Kouyou acordara visualizando o reflexo das luzes que ricocheteavam e acertavam seu rosto, por conta dos pequenos cristais do enorme lustre acima de sua cama. A janela achava fechada, porém as cortinas abertas, faziam com que a luz solar adentrasse intensamente naquele recinto. O loiro sentia seu corpo inteiro reclamar pela dor, até mesmo suas pupilas achavam doloridas, seus pulmões reclamavam e sabia que sua voz estava deveras rouca.

Mesmo que todo o seu íntimo reclamasse pela dor, ele erguera o tronco, recostando-se sob a cabeceira da cama, levando as palmas até seus olhos, coçando-os no processo de maneira preguiçosa.

Havia sonhado, era uma lembrança que ainda o maltratava em sonhos, porém daquela vez havia sido diferente... Yuu estava nele. Era a primeira vez que ele aparecia daquela maneira em um sonho seu...

Contorceu as têmporas em desagrado, aquele demônio iria mexer consigo por quanto tempo?! Já não aguentava mais aquela situação, por conta disso tentou levantar-se, mas seu corpo não o permitiu, agourando pela dor que o tomou no processo, tornando a permanecer sentado como estava. Porém Kouyou visualizou na pequena mesa, que possuía ao lado de sua cama, todos os seus remédios achavam ali, seguido ainda de uma vasilha com água e uma caneca, alguns tecidos achavam dobrados e ao passar sua vista pela local, atestou a única poltrona que possuía, direcionada à frente da cama com a camisa de linho branca dobrada e colocada acima do assento.

O menor surpreendeu-se, olhando a tudo com um certo espanto. Alguém havia passado a noite consigo! Podia jurar que tinha jogado aquela camisa ao chão, que seus remédios haviam ficado em sua casa e aquela poltrona existia mesmo ali, ou havia sido colocada? Piscou as pálpebras algumas vezes sem entender direito o que se passava, um certo receio e anseio o tomando no mesmo instante, os dois lados em seu íntimo conflitando-se, um que gostava do fato de que Yuu pudesse ter ficado ali consigo e o outro que amaldiçoava aquilo.

 

✖ ✖ ✖

              

- É inacreditável que a polícia de Londres tenha atrapalhado a venda de ações tão importantes para falar da morte de um empregado. – a voz de Yutaka ecoou pelo departamento, chamando a atenção de outros oficiais que olharam aturdido ao homem de posses que vociferava contra os dois oficiais.

- O senhor é que não está entendendo! Existe um histórico imenso de desaparecimentos de funcionários seus e um deles aparece morto, o que achas que pensamos?! – Takanori elevara a voz de igual maneira, fazendo o loiro alto ir de encalço até o amigo, levando as mãos até segurarem no ombro alheio como se pedisse calma ao rapaz, que apenas ignorou.

Ao escutá-lo o moreno mais velho contorceu as têmporas em desagrado, levou sua mão a apertar a bengala que utilizava apenas por frivolidade, a polícia ainda poderia ser um empecilho que poderia estragar mais ainda a imagem que tentava reerguer. Por conta disso levantara-se da cadeira na qual achava sentado, fazendo naquele momento, ambos os policiais o visualizarem.

O moreno nada dissera, apenas se encaminhara para fora da sala e seguira até a outra recepção que já conhecia, visualizando ao nome do delegado que havia no pequeno quadro e pregueado na parede ao lado da porta. Ele não esperara nem mesmo bater para anunciar sua chegada, adentrando ao local e chamando a atenção do senhor de idade que surpreendera-se.

- Senhor Shiroyama a que devo a honra? – indagara de maneira falsamente cortes, erguendo-se e direcionando sua mão gordurosa afrente do moreno que apenas a visualizou e não retribuiu. O mais velho era de estatura baixa e já possuía protuberâncias e elevações por todo seu corpo diante da idade avançada. Suas roupas eram amarrotadas e os cabelos eram grisalhos e mal alinhados, assim como a barba era imensa e não cuidada, nem mesmo a parte do bigode era aparada, fazendo alguns fios do cabelo adentrarem a boca do velho enquanto ele falava, aquilo não deixando de ser percebido ao homem de posses que contorcera as feições em asco.

- Serei direto. Seus empregados estão suspeitando de minha índole, estou em um momento que não posso ter minha imagem muito bem resguardada, pois estou retomando a venda de ações e a investir na bolsa, preciso que confiem em minha pessoa... – disse breve, concluindo com um falso sorriso, fazendo com que as covinhas características aparecessem em cada lado de seu rosto.

- Eles não são meus empregados! – o delegado gargalhou, levando sua mão direita até a ponta de sua barba desgasta, ao passo que tornava a sentar em sua poltrona. – Eles são funcionários da lei. – disse, fazendo o moreno espremer os olhos ao perceber o tom de deboche.

- Claro, você tem razão... – Yutaka já acostumara-se a barganhar ou negociar com as pessoas, ele sabia como o jogo funcionava e o que precisava fazer para continuar com aquilo. Sentia-se como sua vida tivesse se tornado uma roda-gigante, aonde ele detinha sempre que pensar nos próximos passos para conseguir dar a volta e chegar ao topo. – Eles estão trabalhando arduamente para encontrar o Jack... – iniciara em um tom divertido, fazendo o velho acompanhá-lo no riso. – Mas veja bem, o que seria de uma investigação dessas sem um investimento? Sei que os custos estão sendo deveras alto. – prosseguiu ao passo que abaixava seu tom de voz e curvava-se diante da mesa do delegado. – Tenho tanta ciência de minha inocência que posso investir a bel prazer, para que vocês finalmente possam achar este assassino. Veja, nós dois ganharíamos, com meu investimento vocês finalmente receberiam o reconhecimento do povo por terem achado Jack e eu poderei conseguir vender minhas ações e voltar a ter vários empregados como no passado. – por fim dissera, fazendo o sorriso do mais velho enlarguecer ao ponto das maçãs do rosto tornarem-se avermelhadas.

- Cinquenta mil libras. – respondera sussurrando a voz, fazendo Yutaka engolir em seco, era dinheiro demais para ele, ainda mais quando os negócios não iam bem, porém sabia que, caso conseguisse fechar todos os negócios que queria, conseguiria o triplo daquele valor. Pensando assim, ele apenas tornou a curvar seus lábios em um largo sorriso pondo sua postura ereta diante do outro para então, fechar aquela negociação.

- É gratificante que tenha entendido minha situação. – disse amistosamente, batendo sua bengala contra o chão de madeira como se o objeto ecoasse a finalização daquela conversa, não demorando muito dali e logo saindo do local sem muitas delongas.

 

 

O mais baixo levava as mãos a baterem em punho novamente em sua mesa, fazendo com que os cabelos ondulados e acastanhados caíssem na frente de seu rosto. Achava irado, era um oficial afinal! Havia feito um mandato, tudo conforme a lei e aquele homem maldito achava que era dono da cidade inteira para tratá-lo daquela maneira?!

- Taka acalme-se! – Akira pedira novamente, sentando-se por cima da mesa, ao lado do menor que achava em sua cadeira. Ergueu suas mãos e espalmou-as nos ombros do amigo novamente, chamando-lhe a atenção. – Ele é muito rico! Por que achas que é tão confiante?  Ele pode até nos prejudicar! – dissera de maneira séria, fazendo o mais novo, finalmente, conter-se mais. – Pense bem, temos alguma ligação dos assassinatos à alguém! Já é alguma coisa.

- Tem razão... – sussurrara a contragosto, sentindo o mais velho soltar-lhe os ombros e uma mão dele embrenhar-se em seus cabelos, bagunçando-os ainda mais. – Ah Akira não faça isso. – pedira irritadiço, retirando a mão do outro que já sorria humorado. – Hoje nós precisaremos fazer três coisas importantes. – iniciara fazendo o loiro olhá-lo com atenção. – Precisamos investigar a casa dos Shiroyama, depois temos que ir no legista ver a causa da morte e logo após...

- À biblioteca! – o maior completou, fazendo o menor apenas concordar em afirmação. – Também fiquei bem curioso para saber qual numeração equivale ao livro que o médico nos informou.

- Será que aquele velhote demora muito para sair com o resultado? – indagara cruzando os braços e recostando-se na cadeira novamente, olhando para o mais alto que apenas suspirou.

- Acho que deveríamos ir apenas quando ele nos informar que concluiu a autópsia. – por fim, levantara-se da mesa, curvando-se por cima do menor enquanto olhava-o nos olhos. – Você precisa descansar mais Taka... Está com olheiras enormes. – disse com um tom preocupado fazendo com que o rosto de Takanori tomasse uma tonalidade mais rubra.

O mais baixo apenas bufara audível, levantando-se de seu assento em um rompante, empurrando o outro no processo que apenas sorriu em soslaio para o parceiro de investigação. Sabia que o outro não descansava e nem mesmo se alimentava de maneira adequada para prosseguirem com aquilo.

 

✖ ✖ ✖

 

As batidas frenéticas ecoavam por toda a gigantesca sala alarmando as duas mulheres que achavam em suas respectivas tarefas. Emily olhou atordoada para os portais, pensando consigo quem poderia ser naquele momento? Ela andou de maneira apressada até poder iniciar a abrir uma das enormes portas para poder recepcionar o ser apressado que se encontrava do lado de fora, porém não conseguiu nem mesmo sibilar algo, ao sentir a madeira contra seu corpo de maneira forte, fazendo com que ela caísse ao chão sem entender bem o que se passava.

Yutaka nem mesmo esperara sua empregada terminar de abrir as portas e poder recepcioná-lo, ao ver o mínimo de frecha possível ele impulsionara seu braço contra a mesma, abrindo-a em um rompante e adentrando a sala de maneira apressada. Escutara algumas vozes em seu encalço do que poderia ser Emily, mas ignorou-a ao passo que subia as escadas de mármore. Sentia toda sua ira consumindo-o por completo, podia até mesmo cometer um assassinato se alguém aparecesse em sua frente, tinha certeza daquilo.

Havia sido intimado pela polícia naquele início de manhã em seu local de trabalho, o pior de tudo aquilo fora que alguns dos outros negociantes haviam o visto ser conduzido pela polícia, se não bastasse ainda tinha tomado ciência de que um cadáver, que com certeza teria sido vítima de seu irmão, havia sido encontrado... Yuu realmente era um empecilho, mais do que isso, sempre fora sua maldição.

Andou pelo corredor que há algum tempo não o adentrava, encaminhando-se até a porta conhecida, sua raiva era tamanha que nem mesmo esperou as chaves que sabia que Emily possuía, bem como não esperaria o anoitecer, iria tomar uma atitude naquele momento. Por conta disso forçou seu corpo contra a porta, tendo que empurrá-la três vezes de maneira forte para que o trinco cedesse. Sua adrenalina era tamanha que não conseguia nem mesmo sentir dores em seu corpo, queria apenas tirar satisfações com um certo moreno.

Visualizara o quarto em completa penumbra, mesmo diante do horário, as vedações nas janelas faziam com que o local ainda ficasse escuro. Pôde avistar o dossel coberto pelo tecido preto, andou até o mesmo sem demora e abriu as cortinas exasperadamente, vendo o corpo de seu irmão deitado e adormecido em sono profundo, contorceu as têmporas em puro ódio ao visualizá-lo tão próximo de si, vê-lo daquela maneira fazia com que todos os seus piores sentimentos o atingissem.

- Seu bastardo! – gritara enquanto pegava no colarinho dele e o erguia da cama em um rompante. – Quer me destruir?! – gritara contra o outro enquanto apertava o tecido contra a garganta alheia com força, ao passo que puxava-o para fora da cama, fazendo o corpo amolecido de seu irmão ir de encontro ao chão, somente naquele momento Yuu pôde acordar, porém ainda sentia os efeitos do horário em seu corpo, estando ainda deveras enfraquecido. – Quer me destruir? – Yutaka indagara novamente gritando contra o outro, não demorando muito para erguer a mão em punho e desferir o primeiro soco contra a face do moreno.

Apenas o curto riso fora escutado em resposta àquela atitude violenta do mais velho, Yuu apenas se erguera ainda com as mãos alheias em sua garganta, fazendo com que ele levasse a sua direita até os pulsos de Yutaka e adentrasse a superfície da pele dele com suas unhas.

- A que devo essa calorosa recepção? – indagara em sarcasmo, fazendo o mais velho contorcer as têmporas em desagrado e ignorando as unhas contra seu pulso, avançou novamente contra o irmão, empurrando-o e pressionando contra a parede do quarto.

- Você gosta não é?! De brincar com toda essa situação... Eu sei que foi você quem colocou aquele cadáver no Tâmisa com a porcaria da farda dessa casa! – disse ameaçador, enquanto ainda via o riso nos lábios carnudos de seu irmão que mostravam os caninos pontiagudos. – Mas você se esquece, seu imbecil, que eu sei de todas as suas fraquezas! Quer me foder? – indagara enquanto retirava uma das mãos da garganta dele e seguia até o bolso de sua calça, retirando dali um crucifixo com uma das pontas pontiagudas, não demorando muito e levando o objeto contra o ombro da besta que, somente naquele momento, esboçara um semblante de dor.

Yutaka agourou de dor igualmente ao moreno ao fazer aquilo, retirando qualquer contato com ele, levando sua mão direita a tocar no mesmo ombro ferido dele.

- Você é tão ingênuo... Não adianta, você não pode me matar... Se não você morre junto comigo. – Yuu dissera sentindo a dor delirante em seu ombro com o objeto religioso cravado em sua carne, fazendo com que o sangue escorresse por todo seu braço esquerdo.

- Não, você que ainda não entendeu. Eu sinto TUDO o que você sente. – enfatizara, fazendo com que o moreno contorcesse as sobrancelhas em desagrado diante daquela afirmação do maior. – Ou você acha que eu não sei dos sentimentos que está nutrindo por aquele humano podre? – rebateu novamente, fazendo Yuu levar sua mão direita até a cruz e, mesmo sentindo a palma queimar ao entrar em contato com o objeto, forçou-o e retirou-o finalmente do ombro, jogando-o contra o chão, porém percebendo que a ferida não cicatrizava. – Vou dizer novamente por que acho que não entendeste... – Yutaka retomou enquanto se aproximava de uma das janelas. – Eu estou no controle! – e por fim socara contra um dos lacres, fazendo com que uma fresta da luz solar adentrasse ao recinto e fosse direto ao rosto da besta que agourou novamente pela dor que lhe afligiu.

Yutaka sentiu o mesmo que o irmão, fechando um dos olhos para aguentar firme e não vacilar diante do outro, porém tornou a andar próximo à ele e aproveitando-se que o mesmo achava curvado enquanto pegava em seu próprio rosto, sussurrara as palavras para que apenas ambos escutassem.

"Apague quaisquer vestígios dessa morte...”

Por fim, saíra daquele local, fazendo com que Yuu cedesse ao chão e tentasse distanciar-se daquela fresta de sol que ainda teimava em adentrar a seu quarto. Podia sentir o cheiro forte das grossas gotas de sangue escorriam por sobre a ferida em seu ombro, diferente da queimadura em sua face que já se findava em sua cicatrização, observou a palma da mão esquerda repleta de seu sangue e percebera em como aquilo demoraria para fechar. Levou seus orbes, que passavam a tomar uma tonalidade vermelha intensa, a mirarem o quarto com um olhar perdido. Estava farto de seu irmão sempre dominá-lo daquela forma, precisa conseguir tomar as rédeas de tudo de uma vez por todas e não mais aqueles joguinhos de paciência.

 


“Você nunca me fará ir embora
Eu uso isso na minha manga
Dê-me uma razão para acreditar
Então me dê todo seu veneno
E me dê todas suas pílulas
E me dê todos os seus corações sem esperança
E me faça doente” – Thank You for the venom, My Chemical Romance



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