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História Controle - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Cinco


Estou prestes a me sentar no sofá quando ouço o carro de Max em frente à casa. Abro a porta enquanto ele passa pelo portão, retirando os óculos escuros do rosto, e a fecho outra vez depois que ele entra na sala.

— Estás de saída? — ele pergunta quando nota a jaqueta e os jeans que eu visto.

— Não — respondo, indo até a cozinha. —, eu acabei de voltar da academia.

Ele me acompanha, prendendo as chaves do carro no cinto da calça.

— Foste, então?

Pego uma lata de energético da geladeira.

— É. Eu ia te chamar pra ir junto, mas você não respondeu a mensagem.

— Fico cansado só de pensar em sair da cama às seis da manhã para isso.

— Eu levanto às cinco. — respondo, bebendo um gole — E você perdeu a chance de me ver suado e só de bermuda.

— Enquanto apanhas de outro homem?

Dou risada. Coloco a lata de energético ainda cheia na pia e me aproximo de Max.

— Você quer ser o único homem que pode me bater?

Ele sorri, abaixando o rosto. Quando ergue o olhar na minha direção outra vez, diz:

— Prefiro que tu sejas aquele que bate.

Dou risada outra vez e o beijo nos lábios, uma das mãos em seu rosto. Quando nos separamos, Max fala:

— A sério.

Minhas mãos gelam. Não tenho resposta para isso. Ele sabe que o BDSM foi um dos fatores que me levaram à reabilitação alguns anos antes, tanto quanto o álcool ou a cocaína.

Sem dizer nada, eu me afasto. Pego a lata de energético que está na pia e volto para a sala, sentando-me no sofá.

A lata já está vazia e amassada no chão quando Max aparece. Parado ao portal que separa a sala da cozinha, ele demora alguns segundos para falar.

— Pensas que isto está a funcionar? O que nós temos?

Estou mexendo no celular, rolando a tela a esmo. Não ergo o olhar na direção dele quando respondo:

— Por que não estaria?

— Nenhuma razão em particular. Só quero saber o que pensas.

Desligo a tela do aparelho e ergo a cabeça.

— Você me perguntou isso por que eu não quero te bater?

— Não.

— Por quê, então?

— Eu já disse. Eu quero saber o que pensas sobre nós.

Max tem um tom estranho na voz. Não sei dizer se está irritado ou apenas ofendido por eu ter recusado seu pedido.

— Eu gosto de você. — eu digo então — Eu gosto do que a gente tem.

— Não foi o que eu perguntei.

— Eu não sei o que você quer ouvir, Max. Você quer que eu peça desculpas por causa de sexo? Você sabe que pode sair com outros caras se quiser.

— Pensas que é este o problema?

— Ah, então tem um problema?

— Não foi o que eu disse.

Suspiro. Encosto no sofá e ligo o celular outra vez. O silêncio pesa por alguns segundos até Max perguntar:

— Tu me amas?

Era onde ele queria chegar desde o início. O ar me falta por um segundo. Fico em silêncio, as mãos frias ao redor do celular.

— Juliano.

Continuo em silêncio.

— Juliano, fale comigo.

Ele se aproxima a passos largos e pesados. O som de seus sapatos sobre o piso gela minhas entranhas, e a sala desaparece naqueles segundos. Ele ergue o braço em minha direção, mas antes que possa me tocar, eu seguro seu pulso.

— Você tem certeza que quer fazer isso? — eu pergunto, apertando-o. Ele tenta se soltar, puxando o braço, mas eu o aperto com mais força.

— Solte-me.

Eu não solto.

— Estás a me machucar, Juliano.

Não é o tom, não são as palavras nem o olhar de desespero dele que me faz soltá-lo. Também não é eu ter percebido que eu estava, sim, machucando seu pulso.

Eu o solto porque me vejo de volta à minha casa, porque vejo quem está diante de mim: é Max — e não César.

O pulso de Max está marcado pelos meus dedos, vermelho e roxo. Ele não olha para mim enquanto sai pela porta, batendo-a num estrondo que sinto em todas as células de meu corpo.



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