História Cool Kids - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys (bts), Bulimia, Distúrbios Alimentares, Drama, Romance
Visualizações 6
Palavras 4.181
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


voltei lindosss
entao obrigada a quem leu, obrigada a quem comentou, espero que possamos ser amigos ok?
enfim, espero q gostem do primeiro cap sz

Capítulo 2 - O começo do fim


“Já sentiu como se estivesse de frente de um tsunami de coisas que vão te engolir e te destruir, e você não tem o que fazer sobre isso?”

Onze meses antes, fevereiro de 2015.

 

- Você não podia ir mais rápido com isso, não? – eu falava olhando para os lados enquanto Taehyung sacudia um spray de tinta e continuando seu desenho, sorriu para mim.

- Relaxa, Yuyu, está tudo no controle. – ele permanecia concentrado em seus rabiscos que eu não podia compreender.

- Você falando que está tudo no controle não ajudou nada. Você nunca sabe o que está fazendo até dá merda. “Ah, que porra, fiz besteira”. – falhei em imitar sua voz assustadoramente grossa e Tae gargalhou, trocando o spray azul por um preto. Taehyung ou V, como ele gosta de ser chamado, é um caso esquisito aos meus olhos. Como alguém com um rosto tão fofo pode ter uma voz tão grossa? Era estranho ouvi-lo falar, comparando no quanto sua face era adorável.

Taehyung era charmoso ao mesmo tempo, definitivamente muito atrativo. Era um cara engraçado que sempre estava falando sobre qualquer coisa. Ele conseguia começar a discutir sobre moda e terminar em planetas, só pelo fato de Tae não manter a atenção em um único assunto. Mas conseguia ser burro que nem uma porta. Por exemplo agora, decidindo que seria uma ótima ideia pichar uma rampa de skate a essa hora, nesse frio insuportável.

- Se eu soubesse que iria reclamar tanto, teria te chutado para ir comprar bebida com o Jimin.

- Eu não iria. – dei de ombros, sentando na rampa e pegando o spray azul, olhando para a lata como se fosse o objeto mais interessante para se observar.

- Por que? – V me olhou por cima do ombro com as sobrancelhas franzidas. – Às vezes parece que você não gosta dele.

- Não é isso, eu só não me sinto tão à vontade perto do Jimin. Ele fica me encarando um pouco.

- Eu acho que você é uma chata. – ignorei o que Tae disse, revirando os olhos e encerrando a conversa ao ver Jimin se aproximar segurando uma grade pequena com bebidas. Ele sentou ao meu lado e me entregou uma lata de Sprite. Eu não devia aceitar, mas minha garganta estava tão seca.

- É o seu preferido, certo? – apenas segurei o refrigerante, assentindo. – Sua anta, comprei soju, para de fazer merda aí. – Jimin se dirigiu a Tae que esticou a mão para pegar a garrafa verde.

- Yujin, não quer escrever ou desenhar algo? Tipo vaginas ou aquilo que você sempre fala? Qual é mesmo? Bem feminista. – Taehyung sugeriu, mostrando seu sorriso quadrado.

- O que vem de macho não me atinge?! – sorri, dando um gole na soda.

- Essa mesmo, uma ótima frase, eu gosto.

- É ótima sim. E não, não quero. Meu lado militante está descansando.

Jimin se mantinha calado, bebendo o soju devagar. Ele tinha uma expressão preocupada, na verdade, parece que era a única que ele tinha, juntamente da cara de “quero seu corpo nu” que ele sempre faz pra jogar charme para uma qualquer.

- Terminei. – Taehyung exclamou, largando o spray e sorrindo orgulhoso. Eu olhei aquela coisa abstrata e tentei segurar o riso. E como se fosse quase premeditado, Jimin e eu nos entreolhamos e caímos numa gargalhada alta.

Minha barriga doía enquanto eu via a feição de ódio de V, com as mãos na cintura enquanto eu e Jimin estávamos literalmente bolando no chão.

- E o que é isso mesmo? – Jimin questionou ainda rindo.

- Seus sem cultura! Nunca viram Noite Estrelada de Vincent Van Gogh? – ele berrava revoltado.

- Ok, Vincent Van Gogh deve estar se revirando no caixão agora. – brinquei limpando uma lágrima no canto do olho.

- Vocês que não sabem identificar uma verdadeira obra de arte.

- Parece que você ainda está no jardim de infância. Não, acho que uma criança de três anos tem mais sucesso que você pintando isso. – zombou Jimin, guardando a garrafa seca dentro da grade e tomando minha lata vazia da minha mão.

- Beleza, cuzões, façam melhor. – ele jogou os sprays em sua mochila e saiu pisando duro.

- Estamos brincando, Tae. Você deu seu melhor. – o puxei para um abraço, porém ele não se moveu. – Só está um pouquinho engraçado.

- Vocês se merecem, debochadores. – resmungou Taehyung, cruzando os braços.

- Tá, vamos embora. Já está ficando tarde e eu tenho que deixar as garotas em casa. – disse Jimin, pegando a caixa de soju e colocando debaixo do braço.

- Que frio. – Taehyung se acercou de mim, rodeando meu pescoço com seu braço e eu fiz o mesmo, segurando sua cintura. – Vem cá, Jimin, somos as três espiãs demais.

Jimin riu antes de fazer o mesmo que Tae e eu descansei a mão também em sua cintura. Ele soltou um suspiro por não esperar o aperto que dei naquela região de seu corpo. Era bizarro para nós dois. Nunca nos abraçamos muito. Eu não sei o motivo, mas não nos esforçamos muito para ter uma relação mais próxima. Com ele era diferente. Com todos os outros do nosso pessoal era tudo tão natural. Quando se tratava de Jimin eu sentia que sempre tinha que haver um esforço a mais. Então deixávamos como está.

- Eu amo vocês. – Taehyung disse num tom feliz, o que me fez sorrir.

- Nós também te amamos. – dissemos em uníssono.

Era isso. Somente esses momentos mais simples que me ajudavam a esquecer minha realidade conhecida só por mim. Como se aquela maldita doença não pudesse me fazer mal durante pelo menos algum tempo. Como se eu voltasse a ser quem eu era, apesar de ser por prazo limitado. Porque quando estou sozinha, tudo retorna com a mesma força. A verdade que eu não posso esconder estará ali me corroendo quando vejo meu reflexo no espelho.

Joguei-me no banco de trás da caminhonete de Jimin e soltei a respiração que eu segurei sem querer. V ocupou o banco da frente e Jimin ligou o carro, dando a partida. Estávamos em um lado pouco movimentado de Seul, portanto o silêncio logo começou a incomodar nós três.

- Pode colocar alguma música, Yujin? – Jimin perguntou, me fitando pelo retrovisor. Ele sempre estava ouvindo música, era meio que o trabalho dele. Jimin cuidava de uma grande loja de discos em Hongdae. Eu gostava de ouvir o que ele ouvia, sempre tinham músicas que me agradavam muito. O que eu sabia é que ele apreciava muito hip hop e rap, entretanto aprendeu a gostar de rock e indie por causa do emprego.

Eu me estendi, pegando seu celular que estava conectado no som do carro por um cabo USB.

- Qual? – ergui o olhar da tela do aparelho e Jimin balançou os ombros, dando a entender que não importava.

Uma música em particular chamou minha atenção. Stay With You do John Legend. Pressionei o dedo nela e devolvi o celular para o mesmo lugar, cerrando os olhos. Só voltei a abrir quando a caminhonete parou em um sinal vermelho. E lá estava ele, me observando com cuidado pelo retrovisor. Devido o carro estar um pouco escuro, Jimin demorou a perceber que eu sabia que ele me encarava. Aquele par sedutor de olhos não deu a mínima para isso e continuou o que fazia. Jimin conseguia ser tão instigante que era perturbador, me provocava arrepios que eu trabalhava duro para disfarçar. A atenção que ele me dava era curiosa, como se eu não fosse de verdade. Como se eu fosse uma miragem, pois seus olhos se semicerravam vez ou outra.

Taehyung tagarelava algo, mas sua voz estava distante para mim. Eu estava mais interessada em me afogar no turbilhão de sensações que me invadiu. Isso, invasivo, era essa a palavra para definir os olhares de Jimin.

- Caralho, eu adoro essa! – grita Taehyung começando a dançar no banco, assim que a música muda para uma indie que eu curtia muito também.

Meus olhos piscam incontáveis vezes e Jimin pisa fundo para acelerar o carro. Não posso evitar uma dancinha ridícula ouvindo a canção.

- Agora, Yuyu! Canta comigo! – Taehyung estava tão animado quanto uma criança. Bem, ele é uma criança.

- Electric feel now, do what you feel now. – esgoelei-me com Tae e pude perceber um sorriso de lado em Jimin.

Olhando pela janela, noto que estamos chegando ao centro de Seul, que permanecia lotado de gente andando de um lado para o outro. A cidade de Seul nunca dormia. Entrando em uma rua, saindo em outro, enrolando esquinas, enxergo de longe o prédio dos meninos. O portão se abre e Jimin acelera até o estacionamento. Ele desliga o automóvel e se vira pra mim.

- Vai descer ou espera aqui e eu trago as garotas? – pergunta de maneira casual e eu nego com a cabeça.

- Não sei se elas vão enrolar muito pra vir, então vou descer.

Jimin concorda e antes que eu pudesse abrir a porta, ele o faz por mim. Desci e ele fechou o carro, parando em minha frente. Não consegui olhá-lo nos olhos, fixei minha visão em seu maxilar travado.

- Vamos? Não vou segurar o elevador. – Taehyung já havia saído e eu nem me atentei.

Caminhei para longe de Jimin de modo quase automático e contemplei um olhar desconfiado de V.

- O que? – bufei, adentrando o hall e andando até o elevador. Apertei o botão para subir freneticamente. Eu estava nervosa?

Assim que o elevador chega entramos juntos, quietos. Apertei o casaco contra meu corpo, tentando parar a inquietação da minha perna que se sacudia. Apenas encarei o chão com afinco até o elevador chegar no quinto andar, e com o mesmo se abrindo, marchei em direção ao apartamento. Aguardei Jimin chegar para discar os dígitos no painel da porta que mal se abriu e já tinha uma Alice saltitante me esperando para um abraço.

- Senti sua falta, preciosa. – ela me apertava entre seus braços, como se não nos víssemos há anos.

- Passei duas horas fora, não exagera. – me afastei dela e observei a sala cheia dos marmanjos esparramados pelo carpete e sofá.

Hoseok saía da cozinha e sorriu ao me ver, acompanhado de Miyong, que roubava os salgadinhos dele.

- Onde estava, vadia? – Miyong questionou de boca cheia, lambendo os dedos sujos do sal alaranjado.

- Yuyu, come! Pega, vai. Só um. – ele me empurrava um salgadinho na boca, o qual neguei, batendo em sua mão. Minha presença logo se tornou irrelevante para Miyong assim que ela vê Taehyung.

- Oi, delícia. – Tae beijou o canto da boca dela e eu pigarreei, ainda com Hoseok tentando me fazer engolir o salgadinho.

- Para, Hobi. – ri fraco e ele voltou para o sofá agarrado ao pacote daquela porcaria.

Tae e Miyong não se demoraram a perder a vergonha na cara, beijando-se sem nenhum pudor. Eles tinham um rolo há anos, mas nunca oficializam nada, somente curtem beijar e transar o tempo todo. Ambos não forçam para que isso vire algo sério. Tae pega outras pessoas e Miyong também, eles acreditavam que assim estava bom.

- Chegaram os diferenciados que não quiseram participar da maratona de filmes. – um Yoongi sonolento abriu os olhos e proferiu aquelas palavras de forma que conseguiu ser mais preguiçosa.

A sala estava uma bagunça, todos bebericando em garrafas quase vazias e rodeados de comidas distribuídas em vasilhas grandes.

- Trouxe soju. – anunciou Jimin já na cozinha.

- Chegaram os melhores amigos que alguém poderia ter. – Namjoon correu para chegar a cozinha e eu ri dele quase caindo ao tropeçar no carpete. Sumin, que estava dormindo, ao ouvir a voz de Jimin ecoar pela casa, se espreguiçou e fez o mesmo percurso de Namjoon. Ela era apaixonada e nunca fazia questão de esconder.

- O que vocês foram fazer? – Jin interrogou preocupado, jogando algumas pipocas na boca.

- Nada demais, só bestar com o Tae. – bocejei enquanto o respondia. – Vamos, Alice. Estou cansada.

- Mas já? – ela formou um bico nos lábios.

- Como assim, ‘mas já? ’. Viu a hora? – Alice bateu o pé no chão, emburrada.

- Certo, acorda a Hankyung. Sumin, você já está lambendo os ovos do Jimin? – ela saiu indagando alto. Eu balancei a cabeça de um lado para o outro, indo até o sofá.

Hankyung estava coberta com um edredom, roncando como uma velha.

- Eu quase sentei em você, como não morreu sufocada toda coberta assim? – chacoalhei seus ombros, fazendo-a soltar um resmungo e abrir os olhos.

- O filme já acabou? Eu não estava entendendo nada. – ela disse rouca e Yoongi deu um peteleco em sua testa.

- Talvez seja porque você não assistiu.

- Hum, isso é Cheetos? – Hankyung se levanta e inala o ar, procurando quem estava com o salgadinho.

Analisando o rosto de Yoongi, percebo sua mudança de humor. Ele fica carrancudo do nada. Bagunço seus cabelos de cor laranja e ele segura meu pulso.

- O que foi?

- Não é o mesmo sem o Jeon aqui. Tudo parece incompleto. – engoli em seco quando Yoongi compartilhou seus pensamentos comigo.

- Eu sei, todo mundo sente falta do Jungkook, mas ele vai ficar bem. – minha voz felizmente soou firme, para transmitir positividade para Yoongi. Ele não é do tipo que se expressa com facilidade, porém sentia tudo em dobro uma vez que é muito calado.

- Eu queria poder ter feito mais por ele, sabe? Ajudá-lo.

- Nós já fizemos, ficamos ao lado dele e mostramos que ele não está sozinho. – falei e Yoongi entrelaçou nossos dedos, sorrindo. – Vamos superar isso.

- Sim. – ele beijou o dorso da minha mão antes de eu me por de pé, indo a procura das garotas.

Todas estavam na cozinha, bebendo o soju que Jimin comprou. Miyong bebeu cinco goles e já achava que estava animada, tocando Taehyung de forma explícita.

- Quer, neném? – Hankyung ergueu a garrafa e eu neguei com a cabeça.

Apesar dos pesares, eles aparentavam estar levando bem as coisas. Os acontecimentos dos últimos meses desgastaram todo mundo, além das meninas e eu termos terminado o ensino médio aos trancos e barrancos, menos Sumin que já cursava moda há um ano. Não admito, mas tenho medo do futuro. Ficar longe dessas pessoas estava fora de cogitação, entretanto eu não sabia o que nos aguardava. Em breve Alice começará a cursar fotografia, Miyong escolheu arquitetura, e o sonho de Hankyung desde a infância era ingressar no ramo de direito. Todas pareciam bem encaminhadas e tinha eu. Passei meu ensino médio inteiro indecisa e cá estou eu. Dezoito anos e sem rumo. Eu só torcia para que aquela fosse sempre minha gente, minha gangue.

Aos seis anos eu tinha plena certeza que seria uma bailarina. Aos doze, eu queria ser livre dos meus pais. Aos quinze, eu assistia loucamente CSI e afirmava que queria aquilo para minha vida. E aos dezoito, estou numa encruzilhada. Meu pai, um advogado entediante e cumpridor da ordem, da lei e dos bons modos, dizia que eu seria uma boa advogada em causas voltadas para as mulheres. Minha mãe, uma exigente professora, achava que eu combinava com medicina. Poupe-me, eu mal consigo ver sangue sem chorar e me tremer. O clichê perfeito, advogada e médica. O mundo só é feito dessas duas opções? Eu não sei se tenho condição mental de estar numa faculdade nesse momento, meu único desejo era que o tempo fosse mais devagar. Decidir, decidir, eu tenho que decidir.

- Não vem... Yuyu? – acordo do meu devaneio por Jimin que estava risonho, provavelmente graças a minha cara de paisagem. O jeito que ele chamou meu apelido me deixou um pouco irritada, com uma expressão sarcástica, eu diria. – Vou deixar vocês.

Desconsiderei sua fala, me deslocando para fora do apartamento de uma vez. Precisava dormir e me esquentar debaixo do edredom. Pegando o elevador e tendo que suportar as garotas cantando como se não houvesse amanhã, mordi os lábios com força, me reprimindo de soltar alguma reclamação. Já levo demais o título de careta. Sumin atravessou meu caminho, esbarrando em mim, fazendo meu corpo saltar para frente. Tudo isso para estar no banco da frente com Jimin.

- Da próxima vez não me leva não. – falei elevando o tom. Sumin não deu a mínima.

Esperei que todas entrassem para que eu pudesse sentar na janela. Nós nos espremíamos para que coubesse quatro bundas no assento, o que não funcionou. Hankyung teve que ir no colo de Miyong.

- Estamos prontas, motorista. - brincou Miyong, provocando risadas em Alice e Hankyung.

- Engraçadinha. – Jimin murmurou, ligando a caminhonete.

O percurso como sempre não foi em silêncio, não existe a palavra silêncio quando envolve Alice, Sumin, Miyong e Hankyung. Elas cantavam/gritavam, dançavam e Sumin tentava arrancar algum diálogo com Jimin.

- Oppa, como está a loja? – ela forçava uma voz horrível, eu tinha vontade de rolar os olhos até eles saírem das órbitas.

- Numa boa. – respondeu brevemente, mais atento ao trânsito.

- Eu estava querendo comprar um disco, qual você me recomenda? – eu apenas escutava toda a baboseira, desligando mentalmente a bagunça que Alice fazia ao meu lado.

- Sei lá, você não tem cara de quem gosta de discos. – é porque ela não gosta.

- Mas eu estou querendo conhecer. – insistiu, sorrindo.

- Legal, passa na loja. – ele sorriu também e por alguns segundos direcionou os olhos para Sumin.

- Vou passar. Oppa, pode me deixar por último, não importa pra mim. – por que caralhos ela fala tanto oppa? Dói nos ouvidos.

- Aham.

- Oppa... – eu a interrompi, soltando um berro de frustração.

- Será que por um minuto você poderia não ser tão desesperada por atenção e calar essa boca? – minha voz aumentou um oitavo.

Jimin olhou rápido para trás, onde eu estava e riu.

- Vai a merda, Yujin! Caguei pra você. – devolveu no mesmo tom que o meu.

- Que se foda, só cala a porra da boca.

- Ai. – Alice se pronunciou, finalmente parando a algazarra.

Eu não sei o que aconteceu com minha amizade com Sumin, costumávamos ser muito amigas. Cinema na casa uma da outra, conselhos amorosos, papos de quatro horas de duração no telefone, mensagens de madrugada. Ela só passou a andar com outras pessoas também e mudou, virou uma patricinha fútil. Como ninguém queria mudar o ciclo de amizade de tantos anos, continuamos a inclui-la, apesar de ela agir como uma otária.

O clima no carro ficou pesado, porém Miyong logo voltou a dançar e amenizar a tensão. Nem percebi quando paramos em frente à casa de Hankyung. Ela pulou para fora, acenando alegre.

- Boa noite, lindos.

- Tchau. – falamos em coro, partindo para a próxima residência, de Alice.

Chegando lá, Alice me abraça e fala baixo em meu ouvido:

- Não mata a Sumin. – eu gargalhei, observando-a descer e bater à porta. – Obrigada. – apertando a bochecha de Jimin, ela nos dá as costas

Notei que Sumin permanecia com uma carranca chateada no banco da frente, calada. Não sei controlar minhas palavras, mas não me arrependo. Alguém precisava chegar nela e dizer que a vida não gira em torno do pau do Jimin.

Ele fazia o caminho para minha casa, recordei que é provável que eu tenha que aguentar algum sermão da minha mãe. Disposição zero para tal.

- Aqui estamos, terceira passageira. – informou Jimin, freando a caminhonete. Sai de dentro e quase pude ver a expressão de alívio em Sumin, soltando os ombros de uma vez. – Boa sorte com sua mãe.

- Valeu. – agradeci e me despedi com um aceno.

Busquei o controle do portão no bolso que sempre carrego comigo, esperei o mesmo ranger e vi no horizonte o carro sumindo. Suspirei alto dando passadas largas. Como se já soubesse, mamãe escancarou a porta com cara de poucos amigos.

- Achei que não fosse chegar mais. – ela me deu passagem para entrar. Tirei meus tênis e os deixei na entrada.

- Eu estou aqui, não estou? – retruquei, exausta das mesmas discussões. Ela não disse nada de volta, me vendo ir à cozinha. Peguei um copo no armário e o enchi de água no bebedor.

- Bom, coma seu jantar.

- Não estou com fome. – deixei o copo na pia, retornando para a sala.

- Você precisa comer, Yujin. – disse firme, com aquele olhar de quem estava louca para me dá um tapa.

- Não enche, mãe. Eu já comi. – certo, eu menti. Não como nada desde tarde, apenas bebi aquela Sprite, a qual eu não devia mesmo beber, tem tanto áçúcar que me dá agonia de pensar. – Só quero tomar um banho e dormir. Boa noite.

Abandonei-a na sala, subindo as escadas. Era irritante o quanto minha mãe ainda me via como uma menininha desprotegida. Acho que o fato de eu ser filha única contribuiu muito para ela ser tão protetora. Nunca fui do tipo de filha que traz preocupação aos pais. Nunca me droguei, nunca fiquei bêbada ao ponto de esquecer o próprio nome, e nunca corri o risco de estar grávida. Meus amigos incomodavam-na só por existirem. Ok, eles gostam de se divertir, as vezes infringir a lei, mas e daí? O mínimo que ocorreu fora pichar alguns lugares abandonados, ficar chapado, deitar na pista, correr pelado. Nada que fizesse mal aos outros. Eu nunca participava muito, apenas ficava olhando eles se divertirem. Quem eu quero enganar, não sou corajosa, não entro de cabeça nas coisas e não me deixo levar pelas emoções. Mamãe dizia que boas garotas não faziam isso. Mesmo eu gostando muito de afrontá-la hoje em dia, algo ainda me prendia para ser assim.

Ao passar pelo corredor, vejo a porta da suíte dos meus pais aberta. Papai lia algum livro e me vendo ali parada, olha em minha direção por cima dos óculos de leitura.

- Boa noite. – falei para ser educada e ouço sua resposta baixa, seguindo para o meu quarto.

Estava mais uma vez sozinha. Abri a porta de madeira e acendi a luz. Joguei-me na cama macia, mas não me remanchei muito, se não deixaria a preguiça dominar. Necessitava de um banho. Retirei o casaco, calça e a camisa, andando para o banheiro ainda com minhas roupas íntimas.  Encarei aquela pessoa no espelho. Eu.

Minhas mãos passearam por meu tronco, sentindo de leve as costelas. Puxei o ar em meus pulmões, o que fez meus ossos ficarem mais em evidência. Soltei a respiração, girando nos calcanhares para me ver lateralmente. O volume do meu abdômen ainda era mais do que eu queria. Meus olhos analisaram com cuidado clínico meu bumbum, seios, coxas. Não deveria ser assim. Eu deveria ter mais espaço entre as pernas, igual as outras garotas. Passando os dedos por minhas clavículas um pouco altas, abri o fecho do sutiã e abaixei a calcinha.

Aguardando a água ficar quente, prendi o cabelo com um elástico que estava no meu pulso. Após um banho rápido, vesti as roupas velhas que eu chamo de pijama. Uma calça de moletom e uma blusa bem maior que eu. Desliguei a luz e deitei na cama, me cobrindo até o pescoço com o edredom grosso.

...

Olhei inúmeras vezes para a hora no meu celular. 01:23 da manhã e o sono sumiu. Agora não, por favor. Minha barriga estava roncando. Eu tinha que dormir, mas desisti de tentar. Voltei para o banheiro apenas para me torturar mais um pedaço. Era o que eu fazia, continuava na busca dos defeitos. Eu não via um ser humano com vontade de viver, via uma gorda estranha. Não sei quem sou, sei que um lado meu procura ajuda, enquanto o outro me quer no fundo do poço.

Minhas unhas tamborilavam na pia de mármore, inquietas. Retornando para o quarto, desatei-me a deitar no chão. Respirei fundo antes de começar uma sequência dolorida de abdominais. Meus olhos se fecharam com força, sentindo minhas costas e barriga reclamarem. Eu posso aguentar. Não era o suficiente, eu tinha que fazer mais do que isso. Aumentei o ritmo, meu peito ardia, como se pedisse socorro por mim. Quanto mais eu contava, mais meu peito ardia. Meus lábios se apertavam para evitar um grito de dor, me esforçava até o limite, até ver onde posso suportar e ir além. Eu não cansava de me testar dia após dia.

- Estúpida. – disse sozinha, soltando o corpo no chão. O ar entrava e saía de maneira descompassada. Uma linha fina de suor já descia por minha testa. Uma satisfação doída me encheu por completo. Era bom. Desconsiderando o coração acelerado e a dor nas costas e barriga, me sentia bem. Não importava o quanto machucou.Eu fui bem. Eu estou bem.

Erguendo-me do chão, lavei o rosto e deitei novamente na cama. Meu tronco inteiro doía e minhas pernas se encontravam em um estado gelatinoso, mal pude andar sem cambalear. O sono vem rápido, mas a dor física permanece se alastrando. A frustração que domina minha mente estava me enlouquecendo, não consigo perder um quilo sequer. 

“Você precisa emagrecer se quer ser amada, porca gorda.” Meu último pensamento antes de eu adormecer era como uma tenebrosa canção de ninar. 


Notas Finais


eu prometi q atualizaria rápido, mas fiquei muito ocupada durante o mês, me desculpem aklsmakls oq acharam? quero saber a opinião de todos. até o próximo cap :))


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