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História Cooly Doctor - Capítulo 8


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Notas do Autor


A velha Londres... nova Londres... o que há de tão especial nela? Bem, ela se destaca entre várias cidades do mundo. Não é tão lembranda quanto Tóquio ou Paris, mas tem seu crédito, e quem a conhece, sente um amor inesquecível.
Amor e melancolia, sem dúvida.

Capítulo 8 - Como uma cidade tão triste pode ser tão linda?


Fanfic / Fanfiction Cooly Doctor - Capítulo 8 - Como uma cidade tão triste pode ser tão linda?

Hoje é domingo, missa, praia e céu de anil. Tem sangue no jornal e bandeiras na avenida Zil. Lá por detrás da triste e linda zona sul, vai tudo muito bem. Formigas que trafegam sem porquê. E da janela desses quartos de pensão, eu como vetor tranquilo tento uma transmutação:

“Oh! Seu moço do disco voador, me leve com você para onde você for. Seu moço, mas não me deixe aqui enquanto eu sei que tem tanta estrela por aí! ”

- Andei rezando para totens e Jesus. Jamais olhei para o céu, meu disco voador além.... Já fui macaco em domingos glaciais, Atlantas colossais que eu não soube como utilizar. E nas mensagens que nos chegam sem parar, ninguém pode notar. Estão muito ocupados para pensar. Mas, oh, seu moço, do disco voador, me leve com você para onde você for! Seu moço, mas não me deixe aqui enquanto eu sei que tem tanta estrela por aí...

 

Eu parei para pensar em quão bizarra aquela situação poderia ser, desde que eu estava trafegando em um disco voador no formato de uma cabine telefônica ao lado de um senhor esquisito. Mas considerando tudo o que eu vivi até agora, eu poderia ver isso como uma mera atividade de lazer.

Ele ia me mostrar alguns pontos durante a nossa viagem, mesmo que essa tenha sido, teoricamente, rápida. E eu ainda fico pensando se a Haruko já teria vivido alguma situação de alguma forma parecida com isso?

Enfim, nós chegamos ao nosso destino: Londres. Uma cidade apaixonante e melancólica. Seus resquícios, ao menos. Acredito que o Doutor sinta isso bem mais do que eu. Pelo o que me pareceu, ele tinha se naturalizado naquela região.

- Então, o que acha? – Ele me pergunta.

- Grande coisa. – Respondi com naturalidade e um certo tom de decepção. – Continua sendo uma mera metrópole terráquea.

- Concordo. – Ele respondeu com sinceridade. – Mas deve-se dar o mínimo respeito. As pessoas desse planeta a admiram de forma especial.

- Especialmente levando em conta à condição primitiva que estamos sujeitos. – Virei-me e percebi que estávamos bem na região central da cidade, nas proximidades do ilusório palácio de Westminster. Alguém naturalmente a chamaria de “poderosa” ou algo do tipo, mas o que isso significaria, ao menos? O parlamento tem pouca relevância na nossa vida, mas algo me chamava atenção: aquela torre. – “Big Ben”, é como chamam, certo? Eu admito: pelo menos isso me deixa surpreso. É algo de valor, afinal de contas, representa um avanço. Avanço interminável, para falar a verdade...

Eu compreendo a importância histórica da torre e o que ela representa. Mas, eu devo ser sincero com quem eu falasse sobre minhas opiniões, e sinceramente...

- É só uma torre. – Eu disse.

- Então o planeta Terra é só um planeta. – Ele respondeu de forma retrucada.

- Não falou nada além da verdade...

 

Depois de discutir sinceras opiniões, continuamos o nosso passo atrás da fonte do tal Furi Kuri.

- Você sabe que eu detesto utilizar termos pornográficos para se referir a uma fonte perigosa e de sério risco, não é? – Aparentemente o Doutor lê mentes também, e expõe isso da forma mais antiética possível.

- E você sabe que ler a mente dos outros sem autorização é falta de educação, não sabe? – Ele calou-se, com um olhar ainda levemente confuso. Não sei se ele expressou isso porque ele não fez nada, o que é possível. Mas como eu não sei bem a anatomia desse estranho ser, dei como palpite que eu pus um pouco de moral na sua personalidade, embora isso também seja bastante contraditório.

- E aí? – Ele me pergunta subitamente após uma pequena pausa silenciosa. Acredito que ele queria amigar comigo, sem saber a dificuldade que eu posso ser como uma companhia.

- E aí o quê?

- Achou algum sinal? – Ele estava querendo saber do N.O.

- Do N.O.?

- Sim! – Falou de forma ríspida.

- N.W.

Talvez ele até quisesse curtir o trocadilho, mas o foco em nossa missão era tanto que ele se esqueceu de até mesmo de dar um sorriso, coisa que nem mesmo eu ousaria dar:

- Daria para se acalmar? – Pedi. – Não precisa ficar tão impaciente... – Eis que naquele mesmo momento o sinalizador indicava altas cargas de N.O. em um beco próximo dali. Saímos correndo atrás para saber o que aquilo indicaria. Pelo que as cargas indicavam, aquela fonte era tanta que seu portador já estava vivo e ativo. Seria mais um oponente? De qualquer forma, eu e o Doutor ficamos em posição, preparados para que aquela coisa fosse nos atacar, seja ela o que fosse.

Qualquer um poderia perambular por uma cidade como um moribundo e ninguém sequer notaria sua presença ali, por mais estranho que ela a fosse. E de fato, seria estranho pensar que ninguém estranharia nossas atitudes. E o Doutor já devia estar acostumado com aquilo. E as pessoas dessa grande metrópole também. E, por mais longe que eu estivesse, também estava acostumado com este tipo de suspense.

Também não notamos a presença de nada, e é que estávamos bem atenciosos com tudo o que nós estávamos enfrentando. O Doutor fez sinal para que eu visualizasse o sinal novamente, e tudo o que estava indicado como sendo nocivamente furi-kuri desapareceu do raio de visão, como se nem existisse. E desapontado eu fiquei:

- Não está aí? – o Doutor desafiou o óbvio, como qualquer escocês irado faria. E ao responder negativamente, ele tem a mesma reação que eu, ou para pior.

- Acontece! Ou você acha que tudo vai aparecer como se a sorte estivesse ao nosso favor? – ele não me ouvia, então apelei para a rispidez: – Só vamos continuar a procurar o furi-kuri!

- Eu não me importo com furi-kuri, kuri-kuri, ou qual seja o chiku wo chiku-chiri que você está se referindo! Isso é perigoso e não pode escapar subitamente das nossas mãos!

- Ou dos nossos pés... – E pés eram de importância para nos fazer pensar. E foi exatamente o que eu pensei quando puxei o Doutor pelo braço e vimos uma porta no canto diagonal do beco. Estava pintada de vermelho. Vi um balde de graxa do outro lado e pedi sem frescura para que o Doutor a trouxesse para mim.

- Eu não sei o que você planeja fazer.

- Ninguém saberia se estivesse pensando apenas no óbvio. – respondi. – Vamos lá, Doutor, você pode fazer mais do que isso.

Quando eu falei, ele se tocou no exato momento o que eu deveria fazer. Tinha um portão vermelho à nossa frente. Eu não gosto disso, e eu quero ela printada de preto (não impressa). Então, exatamente outro beco, de quase mesma aparência que o nosso, estava à nossa vista. Com surpresa, o Doutor indagou:

- Como você sabia que isso ia dar certo…?

- Ouvi numa música daqui mesmo.

Voltamos a ver os sinalizadores e, mais uma vez, altas cargas de N.O. voltam a aparecer na mesma posição que estavam originalmente.

- Já sabe o que fazer, não é, Naota? – Doutor dá aviso para eu me preparar para o ataque. Mas a voz de uma moça interrompe a nossa atenção:

“Cuidado com os pés, Ta-kun!”

- Não é possível... – Minha mente deu um sinal de inesperado desespero ao ouvir essa voz e esses termos. – Eu não posso estar ouvindo isso... não aqui, nem agora!

O Doutor ainda estava com a esperança parada desde que nos preparamos para atacar, mas eu dei sinal para se acalmar, novamente. Dei uma rápida espiada, e lá estava ela: a ruivinha de remendos escolares da mais baixa qualidade com uma beleza triste no rosto, lindos lábios queimados pelo cigarro e um charme sujo, brincando com alguma coisa que eu não sabia definir o que era, mas parecia ter decisões próprias. Minha mente explodiu quando ela se virou e falou:

- Oi, Ta-kun. Veio fazer uma visita?

Não restava dúvida. Era a Mamimi.


Notas Finais


Três fics ao mesmo tempo é meio complicado de lidar xD mas a gente tenta, né?
Ah sim, e os três primeiros parágrafos são letra de uma música de Raul, "SOS Disco Voador"


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