1. Spirit Fanfics >
  2. Cópia Malfeita >
  3. Mas é você quem não me nota!

História Cópia Malfeita - Capítulo 12


Escrita por:


Notas do Autor


Publicando capítulo extra porque às vezes dá a loka e preciso saciar a vontade de publicar.
Só espero que se divirtam!

Capítulo 12 - Mas é você quem não me nota!


Tinha ido pra sua casa pouco tempo depois da tentativa frustrada de falar com o amigo grego. Se sentia a pior das criaturas: assédio moral descarado no ambiente de trabalho, uma atividade em curso que consome cada fibra do seu ser perfeccionista e obstinado, e agora o medo que teve lá atrás de perder o amigo parecendo se tornar bem real a cada dia. Em pouco tempo tudo aquilo acabaria e ele não precisaria mais estar naquela empresa, mas esperava que sua amizade não acabasse.

Toda vez que pensava assim, seus olhos marejavam, e mesmo focado em fazer as coisas que precisava dentro de casa, não percebeu os primos lá na sala, olhando curiosamente para ele. De onde estavam conseguiam ver o primo francês limpando os olhos, ou os mesmos apenas marejados, e o beicinho de tristeza que só ele fazia, uma das poucas características que carregava desde a infância.

Os meninos se olharam e resolveram pegá-lo pelas mãos e o sentaram no sofá.

- Vamos, Camyu, o que aconteceu pra você ficar assim? - Hyoga era sempre menos paciente que Isaak, tornando-o direto no que falava.

- Problemas no trabalho, nada demais. - fungou olhando para as próprias pernas.

- Camus, você não vai nos convencer de que está chorando por nada demais. Já te vimos irritado, cansado, contrariado, até abatido, mas assim - apontou Isaak para o francês - isso é novidade!

- O que aconteceu que está te deixando com essa cara de filhotinho abandonado? - o russo passava a mão carinhosamente sobre os cabelos do primo, tentando acalmá-lo, que respirou fundo algumas vezes até se sentir confiante.

- Vocês sabem do projeto que estou fazendo na empresa, certo? Vocês viram como a etapa anterior estava me cansando, mas consegui levar porque o Kanon estava do meu lado, trabalhando junto, mas agora é individual. 

- Mas você é ótimo no que faz, Camyu, não estou entendendo.

- Eu estou sobrecarregado, Hyoga, e isso me deixa um pouco mais abalado. Uma hora a gente colapsa.

- Mas mesmo assim a gente já te viu bem estressado, mas não a esse ponto.

- Meu medo inicial, Didi, era que esse ambiente de competição que a empresa promove entre os trainees atingisse a minha amizade com o Kanon de alguma forma - falava olhando pra Isaak, e os olhos já marejaram de novo e a voz ia ficando mais embargada - e ele vem me ignorando a semana toda, e me dispensou ontem - colocou as mãos sobre o rosto e chorava copiosamente.

Os irmãos não entendiam muito o motivo daquilo tudo. Várias vezes insinuaram ou perguntaram se ele não estava namorando e a resposta era sempre que estava focado no trabalho, principalmente depois do péssimo período com o tal Kasa, Camus resolveu focar apenas em si mesmo. E neste momento, ele chorava por alguém.

Os dois meninos fizeram apenas o que eles podiam na hora, que era abraçar como faziam quando crianças, o que tirou um sorriso dos lábios do ruivo, e o fez aos poucos parar de chorar.

- Olha, vou perguntar de novo: você tá namorando? - questionou Hyoga.

- Não, já disse isso.

- Então você gosta desse Kanon? - agora foi Isaak quem perguntou, com o coração na mão.

- O quê? Não!

- E por que você chora por ele, então?

- Gente, o Kanon é muito importante pra mim. Vocês se lembram daquela época que seus pais tiveram que ir pra África? - os meninos assentiram - Assim que vocês partiram eu fiquei muito mal, porque não estaríamos mais juntos. Eu amo vocês, e amo o Kanon do mesmo jeito. Pensar em perdê-lo me deixa pra baixo.

- Acho que entendi - Isaak parecia um pouco mais aliviado, e inclusive levemente corado.

- Mas se ele é seu amigo de verdade, ele não vai te abandonar por isso. Espere um pouco, vai que tá acontecendo algo?

- Eu sei, tento me convencer disso o tempo todo, mas é o desespero que me consome.

- Se você quer tanto saber dele, liga pro irmão dele. Acho que é Saga, não é? - Isaak ficou pensativo, tentando buscar o nome daquela tal pessoa.

- Mas eu não sou próximo do Saga. Na verdade, acho até que ele não gosta muito de mim.

Os irmãos se entreolharam e agora sim começavam a ver a diferença das coisas.

- Você fala dele o tempo todo, mas não é próximo o suficiente pra perguntar do seu amigo? Isso é bem estranho, Camus. 

- Não sei do que vocês estão falando. Eu nem falo tanto assim do Saga, Oga!

- Bom, se não tem remédio, remediado está. Vamos comer algo que o tempo passou e tô ficando com fome.

Quando já estavam em pé, ouviram o sinal da campainha e Isaak, que era o mais próximo da porta, se prontificou a atendê-la.

- Boa noite. Entrega.

- Boa noite, moço, mas acho que foi engano. Ninguém aqui pediu nada.

O entregador leu o endereço, e realmente batia com o da casa.

- Só pediram para entregar. E acho que tem um bilhete aí. Boa noite.

O finlandês olhou bem o pacote, não entendendo o que aquilo significava. Era comida, mas pouca para três pessoas, e até onde se lembrava nem ele nem o irmão pediram nada. Talvez no caminho Camus tivesse solicitado algo.

- Camyu, você pediu algo pra comer?

- Não, por quê? - se voltou pro primo mais novo, olhando o que ele tinha nas mãos.

- Então tem algo muito estranho aqui acontecendo. Um entregador desses de aplicativo bateu aqui entregando algo. Parece de comer.

- Ele não errou o endereço? - se aproximou Hyoga.

- Não. Eu sugeri isso logo de cara pra ele, mas ele leu o endereço e era mesmo o nosso.

- Estranho, porque a opção seria terem trocado os pedidos na hora de enviarem, mas para isso, teria que alguém aqui ter pedido algo. Vocês pediram?

- Não que eu saiba - respondeu Isaak.

- Eu não - respondeu Hyoga.

Camus achou muito estranho, mas decidiu que era melhor abrir o tal embrulho misterioso. Os meninos estavam atrás, olhando por cima dos ombros do primo até que viram um bilhete endereçado a Camus.

- Pra mim? - Camus leu o bilhete assim que o pegou, e pela posição, os meninos atrás dele também.

“Para deixar seu dia mais leve, e adoçar a sua noite.

Att.”

Ficou ligeiramente curioso para ver o que era, e mais uma vez era um tiramisù. Fazer a conexão dos fatos o fez enrubescer levemente. A razão gritando que ele deveria tomar cuidado, já que ele tinha um stalker na sua cola e que ele já sabia seu nome e endereço, mas a emoção a amordaçou, deixando sobressair a vaidade.

- Alguém te mandou uma sobremesa?

- Alguém te mandou seu doce favorito?

Não receberam uma resposta imediata do ruivo, que demorou um pouco pra se recompor, mas estava bem claro que segurava um sorriso. Os garotos se olharam, como que se estivessem entendendo o que estava acontecendo ali.

- Deixa de lado. Vou por na geladeira, a gente janta e eu divido com vocês a sobremesa. - pôs-se a se movimentar se dirigindo para a cozinha. Já distante o suficiente do primo, os irmãos cochichavam entre si.

- O que você acha que está acontecendo, Didi?

- Eu acho, Oga, que Camus é mais tapado do que eu imaginei. E claro, que ele tem um admirador. Que deve ser um daqueles dois.

- Eu também tinha pensado nos gêmeos, mas ele insiste que não tem nada, Didi.

- Sim, mas ele vem há semanas falando de ter saído com os amigos e ambos os irmãos estiveram presentes. Então ele vem interagindo bem com todos.

- Mas você aposta nos dois, ou imagina quem seja?

- Imagino quem seja.

- Saga - falaram juntos.

Era tão óbvio que até os adolescentes viam.




 

~CONTINUA

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...