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História Cópia Malfeita - Capítulo 14


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Capítulo 14 - Devorado vivo


Naquele dia estava se tornando bastante comum que os irmãos se encontrassem. Sem grande espanto, Kanon chegou em casa vendo o irmão no mesmo lugar em que o havia visto mais cedo quando saiu de casa, mas tinha naquele momento coisas mais importantes para cuidar, e isso incluía sua higiene pessoal.

Já Saga que estava digitando, parou todo o movimento quando viu o irmão abrir a porta, na maior cara de cansaço. O espanto foi tamanho que nem as mãos que estavam a meio caminho do teclado ele moveu. Apenas virou a cabeça para visualizar o relógio checando que faltavam vinte minutos para o meio dia.

- Está tudo bem? - não sabia nem que reação esboçar.

- Sim…

Kanon não tinha nem força pra responder ou falar algo mais elaborado do que um sim.

- Já almoçou?

- Já…

Saga se recostou no sofá se afastando do computador, colocando uma mão sobre as costas do encosto onde estava, olhando divertido pro irmão, que estava todo desalinhado: cabelo desgrenhado, alguns botões da camisa colocados nas casas erradas, a gravata estava um pouco frouxa, mas laçada do lado errado, e ele já não usava o sobretudo pra esconder seu estado. Parecia ter sido atropelado por um caminhão chamado Tétis.

- Você disse que precisava de um consultor jurídico, mas não me disse que pagaria com a sua alma. - tentou segurar o riso, mas estava ficando cada vez mais difícil enquanto via o irmão se desfazendo das peças de roupas todo mole - Sério que você caiu de novo na conversa da Tétis, Kanon?

- Eu realmente precisava de uma consultoria jurídica, mas… Ela armou pra mim direitinho.

- Às vezes eu acho que você faz de propósito, porque tão ardiloso como você é, não é possível cair no papo dela todas as vezes.

- Nem tudo o que reluz é ouro, meu irmão - o irmão mais velho começou a rir quando viu algumas marcas pelo corpo do mais novo.

- Ao menos conseguiu o que precisava? - perguntou entre ofegos e risadas.

- Sim… Ao menos isso. - jogou a cabeça pra trás, cansado - eu tô destruído! - falou tirando ainda mais risadas do irmão.

- Eu acho que você foi almoçado, isso sim - Saga não se continha e acabou tendo uma crise de riso absurda. Quem não soubesse diferenciá-los, certamente se ouvisse aquela risada estranha saberia quem era quem dentre os irmãos. Só o mais velho ria daquele jeito ímpar. No fim, acabou tirando um sorriso do caçula.

- Não posso reclamar… Ela almoça direitinho.

Os irmãos ainda ficaram ali conversando enquanto aguardavam o espírito de Kanon retornar pro corpo. Mesmo com as brincadeiras, a preocupação do gêmeo mais novo era evidente e havia aumentado desde a manhã.

- E o que vai fazer agora?

- Primeiro eu vou tomar um banho e trocar de roupa, porque não estou apresentável. Em seguida, vou aguardar a Sereia me retornar com as informações que preciso.

- Mas ela não já te disse tudo o que precisava saber?

- Sim e não. Preciso de todos os detalhes possíveis para bolar o plano certo e não ser pego de rédea curta.

- Tô vendo que você vai ser o lanche de novo da senhorita Hansen, isso sim.

Kanon nem conseguiu responder, e recebeu uma mensagem da sua advogada particular.

 

Boa tarde. 

Eu já achei aqui todas as informações necessárias que você precisa. Conversei com Verônica e ela vai se juntar a nós.

Nos encontramos os três hoje, às 21h neste endereço. Não se atrase, pois temos muito o que fazer e não teremos hora para acabar.

Att.

 

- Ótimo, agora Verônica vai se juntar a nós. Oh, céus…! Eu quero ir, mas não quero ir, mas eu quero muuuuito ir… - choramingava para si mesmo, causando risadas descontroladas no irmão, já entendendo o que aconteceria.

- Posso saber o motivo da dúvida? - perguntou limpando os olhos. De tanto que ria, estava lacrimejando.

- Eu preciso saber de todos os detalhes, Saga. Só que eu não sei se dou conta dessas duas juntas não, e elas vão me devorar, com toda certeza…

- Maaas… - sabia que tinha um algo ali

- Mas eu não tenho vergonha na cara e quero muito encarar elas hoje.

Os dois acabaram rindo, e pela hora, Kanon parou de enrolar e começou a agir.

- Não terminou de dizer o que vai fazer.

- Agora eu vou é cochilar um pouco, depois do banho vou tomar um energético pra ver se aguento o tranco. E você não precisa me esperar hoje. Devo voltar só pra tomar um banho e me encontrar com elas. Amanhã é sábado mesmo…

- Não se esqueça do Camus… - falou como quem não queria nada.

Já estava chegando na porta do quarto quando ouviu o nome do amigo e levou a mão à testa. Ainda tinha mais essa, se esquecera completamente dele! Ainda de costas, levantou o dedo balançando-o no ar, como se já arquitetasse algo.

- Eu vou dar um jeito nisso, pode deixar.

Saga achava graça daquilo tudo não por deboche, mas porque o irmão cansou de falar que já havia perdido tempo demais na vida pra ficar se prendendo a padrões, por isso já havia estado por períodos razoáveis com pessoas muito diversas. A mais diferente de todas havia sido a tal Verônica, que Saga suspeitava ser uma mulher trans, mas Kanon nunca abriu a boca para falar um A sobre ela nem mesmo com ele.

Enquanto divagava, seu celular tocou. Nem se importou de verificar quem era, já que estava desde o dia anterior conversando o tempo todo com Afrodite sobre o trabalho deles, o que lhe rendeu um tremendo susto.

“Boa tarde, gracinha.”

Aquela voz o fez gelar, e um misto de sensações borbulhou em todo o seu ser.

- Boa tarde - a voz falhou na dúvida de como deveria agir.

“Não está contente em falar comigo?”

Olhou para o quarto do irmão para ver se ele não estava de olho.

- O que você quer?

“Nossa… Ficamos um bom tempo sem nos ver e você me atende assim? Foi um pouco difícil achar teu número, mas consegui”

- Eu estou ocupado, então por favor, fale logo o que você deseja.

“Desejar eu só desejo uma coisa, aliás, alguém” - um arrepio percorreu a coluna do grego - “Chego hoje em Atenas, e gostaria de te ver, pelos bons tempos…”

Outro motivo pelo qual admirava seu irmão: se fosse Kanon ali, a certeza de já ter dispensado aquele encosto era absoluta, mas não, não conseguia. Suas feridas não lhe permitiam se livrar completamente dele.

- Eu vou, mas eu já deixo avisado que é apenas para a gente acertar de vez as coisas.

O homem do outro lado sabia pela sua voz que a segurança era apenas fachada e que dali conseguiria o que quisesse.

“Vou te mandar o endereço e o horário. Estou com saudades de você, gracinha”

Desligou o telefone sentindo-se o próprio Atlas.

“Tô fudido…”

 

 

 

 

~CONTINUA

 



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