História Cor: O Sacrifício (FdD4) - Capítulo 9


Escrita por: ~ e ~Jo_Vic

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags A Praga Do Século, Amor Gay, Bruno, Entre Garotos, Hoffenhein, Leandro, Mfc, Olhares Na Escola, Romance Gay, Universolove, Wilkens, Willash, Yaoi, Yuri
Visualizações 22
Palavras 2.825
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Yaoi
Avisos: Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá meus caros.


Vim correndo pra postar.


Não demoraremos tanto..

Abraço forte e até logo.

Capítulo 9 - 08. Presságio


Fanfic / Fanfiction Cor: O Sacrifício (FdD4) - Capítulo 9 - 08. Presságio

08. Presságio
//Jennifer//

 

- Como ele está, doutor? – perguntei ao médico depois que quase três horas esperando por notícias sobre Cristian, que estava no hospital inconsciente depois de ser agredido por dois valentões no beco aos fundos da lanchonete onde trabalho.

- Qual o nome verdadeiro da sua amiga? – disse o doutor com uma prancheta em mãos.

- Amiga? – falei sem entender – Eu não estou com nenhuma amiga aqui. Eu estou com um rapaz. Um estudante chamado Cristian… e nós nem somos próximos, ele apenas estuda perto do meu trabalho e…

- Então você não sabe?

- Não sei de quê?

- O rapaz que você salvou é uma garota, pelo anatomicamente falando. – disse o médico sem demonstrar qualquer emoção.

Fiquei chocada com aquela informação. Quando eu o socorri fiquei tão apavorada que não me atentei a esse detalhe, embora tivesse tido a impressão de ver a silhueta de seios.

- Bom… será que o senhor não pode simplesmente colocar Cristian na ficha?

- Lamento muito, mas precisamos dos dados do paciente. Ele estava sem nenhum documento, então fica difícil a identificação. Teremos que esperar que ela acorde pra então registrarmos.

- E quando ele vai poder ir pra casa?

- Ela ainda está dormindo sob o efeito dos remédios, mas já fizemos curativos e aplicamos algumas injeções. Creio que hoje mesmo ela poderá ir para casa.

- ELE! – falei irritada – Faça o favor de chamar o Cristian de “ele”! – o médico olhou pra mim meio assustado com meu tom de voz e então arfou.

- Olha garota, não quero que pense que sou um homem preconceituoso ou coisa do tipo, eu só… não consigo entender este mundo… o meu filho… talvez ele também seja… ham… você sabe.

Olhei para o doutor, que agora tinha um olhar sereno e toquei seu ombro.

- Apenas ame seu filho. Não aponte o dedo para dizer “eu sei”. Diga “Eu entendo”.

Os olhos do médico brilharam com minha resposta. Talvez sua vida pessoal estivesse desmoronando por conta disso, talvez sua mente estivesse atormentada por saber que o filho era alguém diferente e eu me sentia feliz ao saber que tinha contribuído para o alívio de suas aflições.

 

As horas se arrastaram e ao final da tarde, Cristian finalmente acordou e uma enfermeira me chamou para vê-lo antes da alta.

- Com licença. – falei batendo na porta.

- Eu… eu conheço você. Você é a… você é a… Quem é você? – perguntou ele assustado, olhando para os lados na tentativa de reconhecer o lugar.

- Sou só uma garçonete. – falei meio sem graça.

- Você salvou minha vida, não foi? – assenti enquanto me aproximava dele – Se você me trouxe ao médico… então eu presumo que você já saiba da verdade sobre mim…

- A única verdade que eu sei é que você é bom demais para esse mundo mal! Aqueles trogloditas ainda vão receber o que merecem! – falei meio irritada só de imaginar o sofrimento de Cristian ao longo de sua vida apenas pelo fato de ser diferente das outras pessoas. Que mal haviam em não ser igual a todos?

Enquanto eu olhava pra ele, me perguntava de onde eu tiraria coragem para realizar o sacrifício de cor ao qual fui designada, sacrifício esse que eu pouco sabia como funcionava, apenas que precisava ser feito pelas três pontas do que eles chamavam de trindade: Cristian, Luan e eu, todos com algo em comum: a dor.

- Você não se assusta com o fato de eu não ser um garoto de verdade? – disse Cristian de repente – Eu presumo que você já tenha tido conhecimento desse detalhe.

- Pra mim, você é mais macho que muitos carinhas por aí. – falei com um sorriso sincero. Os olhinhos dele brilharam em minha direção e ficamos em silêncio por uma fração de segundos.

- Eu fiquei muito feio? Como é que tá o meu rosto?

- Você está com alguns hematomas, mas daqui a alguns dias eles somem logo. – ficamos em silêncio novamente, dessa vez, eu olhava atentamente para ele e via a inocência que um dia enxerguei nos olhos de meus irmãos.

- Porque está me olhando desse jeito?

- Nada é que… você me lembra muito um de meus irmãos que há muito tempo não vejo.

Silêncio novamente.

- Obrigado por não ter me deixado naquele beco. Eu… nem sei como agradecer. – disse Cristian forçando um sorriso – A propósito, eu não sei quanto você gastou nesse hospital, mas eu juro que vou dar um jeito de te recompensar.

- Não se preocupe com isso. O importante é que você vai ficar bem.

- Quando é que eu vou sair daqui?

- Você já pode sair, só precisa preencher uns formulários com seus dados pessoais.

- Que bom. Eu acho que não aguentaria ficar mais cinco minutos nesse lugar. Tenho pavor de hospital. – disse ele fazendo uma careta.

Ajudei Cristian a se levantar e então fomos preencher os formulários antes de partirmos.

Por ironia do destino, morávamos no mesmo prédio, o que facilitava muito pra que eu cuidasse de Cristian, afinal de contas, ele precisaria de um auxílio durante alguns dias.

- É estranho eu ter alguém em minha casa. – disse ele enquanto abria a porta com a chave reserva que ficava dentro de um vaso de planta – Geralmente eu estou sozinho. Nem meu amigo Luan veio aqui ainda.

- Devo me sentir honrada?

- Deve… contanto que você não seja uma psicopata. – quando ele disse isso estremeci por dentro.

Era um apartamento arrumadinho com uma estante cheia de porta-retratos. Enquanto Cristian se acomodava em seu sofá, eu olhava atentamente suas fotos. Houve uma que chamou minha atenção de maneira assustadora.

Era uma foto dele ao lado de uma garota que era exatamente igual ao meu irmão mais velho… eu poderia estar ficando louca, talvez fosse a saudade dos meus manos a quem perdi contato depois de sermos vendidos pela nossa própria mãe em troca de drogas.

- Quem é essa aqui? – perguntei como quem não queria nada.

- Essa gata é a Isabela. Conheci ela há dois anos em Vassago durante uma fase muito difícil…

- Isabela… - falei baixinho aquele nome enquanto lembranças de meu passado vinham à tona em minha memória.

 

Éramos três irmãos: Jonas, Jasmine e Jeniffer, com dois anos de diferença entre nós. Embora tivéssemos personalidades diferentes, sempre tentávamos nos manter unidos por conta de nossa triste realidade:

Nosso pai era traficante de drogas e era muito violento com a mamãe, que se via obrigada a se prostituir à noite não apenas para os divertimentos doentios do papai, mas também para que não passássemos fome.

Jonas era o mais novo, sempre calado. Adorava desenhar e sonhava ser um grande estilista. Jasmine gostava de cantar e eu, bom, eu sempre fui a mais malandra dos três e era natural que vivesse apanhando do papai ou levando cascudos da mamãe.

Eu não julgava nossa mãe pelo que ela fazia, apenas tinha um forte desejo de me tornar alguém para lhe dar uma boa vida um dia. Minha mãe era minha heroína e acima de todos os defeitos eu a amava e a defendia com unhas e dentes.

Quando o papai foi preso a nossa situação ficou bem mais complicada porque foi nessa época que mamãe descobriu estar grávida, provavelmente de um de seus clientes. Por alguma razão os anticoncepcionais não sortiram efeito.

Apesar da vida que levava, mamãe tinha sua fé em Deus e por decorrência disso, era contra o aborto, por isso amor a criança em seu ventre desde o começo. A criança era uma menina que ela pretendia chamar de Isabela, mas grandes desventuras estavam por vir nos meses seguintes:

Papai devia uma fortuna em drogas e por isso nossa casa foi saqueada e levaram o pouco que tínhamos, naquela noite mamãe foi agredida e perdeu Isabela com apenas cinco meses. De todos o mais abalado era Jonas, que aguardava ansioso pela vinda da irmãzinha. Ele dizia que ela viria para iluminar nossa família, que seríamos abençoados.

Tudo desmoronou depois disso.

Mamãe voltou à prostituição, mas a concorrência era forte e mal dava pra nos alimentar. Foi então que com lágrimas nos olhos ela me vendeu para um cafetão que prometeu me dar educação e uma boa vida em troca de favores sexuais para ele e seus amigos. Nem preciso dizer que o destino de meus irmãos foi semelhante a isso.

Nunca me senti tão devastada em toda a minha vida. Ser usada por aqueles homens, ser tocada… talvez por isso eu não sinta prazer com homens, porque todos parecem nojentos para mim.

Fui marcada em minha nádega direita como se eu fosse um gado. Era a marca da minha escravidão.

Logo caiu a ficha que eu não teria a educação, muito menos a boa vida que havia sido prometida a mim. Por muito tempo senti raiva de minha mãe por ter feito isso com meus irmãos e eu, mas no fundo eu sabia que ela só estava tentando nos manter a salvo dela mesma, que começava a se afundar nos vícios de bebidas e drogas.

Em certo momento decidi fugir e tentar a sorte no mundo. Roubei tudo o que pude e botei a cara no mundo.

Desde então não tenho notícias de minha mãe ou de meus irmãos, talvez nem estejam vivos. Pensar isso me aperta o coração e esmaga minha alma.

 

- Você está bem Jeniffer? – perguntou Cristian que agora estava ao meu lado. Eu chorava descontroladamente e tentava disfarçar minha tristeza – Porque você está chorando?

- Eu só… estava lembrando de alguém. Me desculpa Cristian eu… eu vou pra casa, tá bom? Prometo voltar aqui mais tarde pra ver como você está. – falei saindo quase atropelando minhas próprias pernas.

Entrei em meu apartamento em estado de choque e desabei no choro enquanto uma sombra me observava do outro lado da sala.

- Você está indo muito bem… logo o sacrifício de Cor será satisfeito. – disse a sombra antes de se dissipar.

 

//Luan Victor//

 

Toc-toc-toc!

Abri a porta. Era minha mãe com uma bíblia na mão e um olhar choroso, pedindo para entrar no meu quarto.

- Pode entrar mãe. – falei sem dar muita importância.

Ela sentou-se ao meu lado e passou a mão em minha cabeça de forma carinhosa.

- O grupo de oração está aqui em casa. – disse com mansidão.

- O grupo de oração? O que eles estão fazendo aqui?

- Bom… você precisa ser curado de sua doença e só o Senhor Jesus pode fazer isso por você. Só Deus pode te libertar nas garras de Satã.

- Você acha mesmo que isso é necessário?

- E porque não seria? Onde está a sua fé?

- Eu não sei mais no que eu tenho fé! – falei meio irritado – Eu acredito que sou gay desde sempre e isso não pode ser mudado. Por alguma razão Deus me fez assim. Acho que ele me odeia.

- Deus não odeia você.

- Então porque ele permitiu que eu nascesse assim?

- Ora Luan! Ninguém nasce gay! Você só está com seu psicológico abalado, sua fé está enfraquecida e o Diabo está se aproveitando para semear esse tipo de coisa em sua cabeça, mas eu não vou permitir que você perca a sua chance de ir para o céu! Deus tem um plano pra você. Agora levanta que todos estão esperando por você lá na sala. – minha mãe parecia animada diante daquilo, mas eu sabia que não era tão simples assim.

Eu só queria que ela me escutasse, escutasse o que eu sentia. Eram tantos conflitos em minha mente: Eu era gay e isso era imutável, mas… porque Deus permitiu que eu fosse dessa maneira? Ele pode todas as coisas! Porque ele permite que os gays existam? Será que Ele estava se divertindo com o meu sofrimento?

Eu me sentia menos vivo a cada segundo.

 

Chegando na sala de casa, meu pai estava sentado em sua poltrona com uma cara nada contente, talvez estivesse fazendo aquilo apenas para satisfazer os desejos de minha mãe.

João Victor estava ali com um sorriso preso. Aposto que ele estava se divertindo muito com todo aquele circo.

- Aqui está ele! – disse minha mãe com uma voz pesada, como se eu não fosse a mesma pessoa de antes. Era estranho ser tratado como um estranho.

- Oi irmão Luan. Soubemos de sua doença. Viemos aqui para ajudá-lo. – disse uma senhora de expressão dócil. Apenas olhei para ela e segui para o lado do meu pai. Minha mãe ficou à minha esquerda e meu irmão à esquerda de minha mãe.

- João, meu filho, será que você pode colocar um louvor de adoração para que o Espírito Santo se mova neste lugar? – disse minha mãe calmamente a João que revirou os olhos e bufou.

- Tá me chamando de filho só porque estamos na frente de outras pessoas é? – disse ele atravessando a sala e ligando o aparelho de som com um sorriso sarcástico. Mamãe fingiu que não tinha escutado e então fechou os olhos para orar.

Mantive meus olhos abertos enquanto todos oravam aos berros e choravam para que Deus me curasse de minha doença.

João Victor também estava de olhos com uma cara de tédio.

Passado o momento da oração, iniciou-se o momento em que uma das irmãs, cheia de autoridade e unção, começou a expulsar os demônios da minha vida.

Sua mão lambuzada de óleo ungido empurrava minha cabeça para trás, algo que sempre me incomodava.

Enquanto eles me libertavam das garras de Satanás, mamãe caía de joelhos e chorava clamando pela misericórdia de Deus e meu pai permanecia ali, com a bíblia a mão, observando tudo o que acontecia sem dizer absolutamente nada. Talvez estivesse orando mentalmente.

Eu, por outro lado, não conseguia sentir absolutamente nada. Não tinha um toque sobrenatural dentro de mim e a certeza de ser gay não diminuía, apenas o constrangimento por tudo aquilo.

Ao final do primeiro dia de campanha, quando todos foram embora, mamãe reuniu a todos na sala com uma cara de quem estava prestes a explodir.

- SERÁ QUE DAVA PRA VOCÊS TEREM UM PINGO DE RESPEITO PELO SENHOR? – disse olhando de meu pai para João – NOSSO FILHO NUNCA VAI SER CURADO SE VOCÊS NÃO COLABORAREM!

- Eu avisei que não ia dar certo! – disse João tirando o aparelho de som da tomada e deixando mamãe ainda mais furiosa.

- VOCÊ NÃO É UM FILHO! É UMA PRAGA QUE EU COLOQUEI NO MUNDO! CADÊ O SEU RESPEITO POR MIM? CADÊ O SEU TEMOR A DEUS?

- Você não acha que está levando isso a sério demais amor? – disse meu pai com toda a tranquilidade do mundo – Eu particularmente não me importaria de ter um filho gay. Continuaria sendo meu filho e…

- NÃO FALE BESTEIRAS SEU IDIOTA! – disse mamãe dando um tapa na cara do papai diante de nossos olhos – EU JÁ DISSE QUE NÃO VOU TER FILHO GAY! PREFIRO UM FILHO MORTO!

Papai ficou completamente constrangido e nem teve coragem de olhar para mim ou para meu irmão, apenas abaixou a cabeça e voltou para sua poltrona para escutar mamãe reclamar sobre o fato de eu estar doente.

Quando vi João correr com passos firmes para seu quarto, fui atrás dele.

- Ei! Fica calmo! A mamãe só tá um pouco fora de si.

- A mamãe é louca Luan! Você não vê o que esse fanatismo está fazendo com ela? Deus é mais do que isso… Ele é amor! Deus é amor! – disse ele me sacudindo pelos ombros – Não há nada errado com você! Você é a pessoa mais incrível que eu já conheci mano! – disse ele abrindo o guarda-roupa e tirando uma mala.

- O que está fazendo?

- Não dá pra esperar mais! Eu vou embora dessa casa! Não aguento mais ver os surtos da mamãe… ela é louca! E você… vá arrumar suas coisas! Você vai comigo! – disse ele me ordenando.

- Mas…

- Mas nada droga! – disse João desabando no choro – Viu só o que ela fez com o papai? Ela bateu na cara dele e ele não fez nada? Porque ele não revidou?

- Talvez porque o silêncio seja a melhor forma de revidar. Se ele revidasse com gritos ou mesmo agressões, isso só o tornaria pior do que ela. Que direito ele teria de exigir respeito de nós dois?

João ficou pensativo.

- Você tem razão mano. Agora vai arrumar suas coisas.

- Não posso sair assim, de uma hora pra outra. – falei tentando fazê-lo compreender – Vamos esperar mais alguns dias, por favor. É o tempo que as coisas se acalmam. Pode ser?

João arfou e me olhou nos olhos.

- Tá! Mas da próxima vez que ela surtar eu juro que não vou ficar de braços cruzados! Aonde já se viu associar orientação sexual a doença! Desse jeito ela vai acabar te matando.

Engoli em seco com aquelas palavras. Era como um presságio que eu fazia questão de ignorar.

 


Notas Finais




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