1. Spirit Fanfics >
  2. Coração amaldiçoado >
  3. Reminiscência

História Coração amaldiçoado - Capítulo 3


Escrita por: , Blood_Blossom e Celleste


Notas do Autor


Aqui quem fala é a Celleste, a mando da patroa Baddon. Vida de estudante é [email protected] e a gente pena viu 👁️👄👁️

Boa leitura 💙

Capítulo 3 - Reminiscência


Sakura não soube exatamente o que aconteceu após ter apagado nos braços do estranho Primordial. Ela possuía alguma memória sobre o acontecimento que constituía-se por flashes repentinos e desconexos. 

As imagens eram tão embaçadas que ela não sabia decerto o que era real ou somente uma confusão oriunda dos seus sentidos entorpecidos. Toda vez que tentava burlar o mar calmo e frio para acessar alguma memória importante, nada fazia sentido.

Primeiro vinha uma luz cegante, depois um som ritmado e fraco. Por fim, um silêncio longo que repentinamente foi quebrado por sons irritantes e extremamente altos.

No momento, ela sabia que estava deitada em uma cama confortável. Contudo, não tinha forças para abrir os olhos ou se mover. Em algum segundo infindável, Sakura sentiu-se muito mais leve, embora houvesse um som agoniante.

Ela estava em algo morno. A sensação de segurança que sentia era equivalente a paz causada por alguém afagando seus cabelos de maneira carinhosa e gentil.

Havia duas vozes perto dela.

-- Ela está fraca. Não podemos fazer isso agora. – Uma das vozes estava distante, esganiçada, como se a pessoa estivesse irritada. 

Tudo parecia um sonho.

-- Não podemos arriscar. Vasculhe cada canto. – Outra voz proferiu. Esta, ao contrário da outra, soava extremamente calma.

Sakura tentou abrir os olhos, mas antes que sua reação pudesse ser processada pelo  corpo, ela apenas sentiu um toque quente na região da testa e rapidamente toda sua percepção de realidade foi engolida.

Por um momento, somente conseguia escutar o som ensurdecedor de seu coração batendo ritmicamente. No início, forte, mas depois foi se acalmando gradativamente como se a estranha sensação febril que a tomava não fosse perigosa.

Sakura caiu em um profundo vazio que, de forma gradual, foi se modificando, construindo imagens distorcidas. A princípio, tudo era cinza e preto. Formas desconexas. Borrões. Palavras confusas. 

Em um piscar de olhos, tudo se transformou. De repente, havia uma paisagem definida de cores vibrantes e tão real quanto ela poderia imaginar nos sonhos mais realísticos.

Sakura encarou as próprias mãos. Ela estranhava o quão palpável aquilo parecia ser. Também se perguntava como aquilo havia acontecido e porque, tão subitamente, não se sentia mais confortada em uma cama na companhia de duas pessoas desconhecidas. 

Ainda confusa, Sakura olhou atenta a sua volta a fim de descobrir onde estava. Ela conhecia o lugar, afinal, nasceu ali. 

Estava na zona zero, terceiro distrito. Tinha certeza. 

Embora tudo parecesse igual em todos os detalhes e aspectos, ainda sim era como se estivesse... Diferente.

-- Por favor, não vá. Não me deixe! -- Sakura ouviu uma voz feminina gritando histericamente em puro desespero.

Ela piscou algumas vezes, já que o choramingo agudo a tirou dos devaneios. Movida pela curiosidade e dúvidas que ainda a assolava, aproximou-se da pequena aglomeração ao redor de um homem e uma mulher.

A mulher estava jogada no chão, prostrada em meio a uma poça mediana de lama. Encontrava-se suja dos pés a cabeça. 

A figura magra de aparência desleixada era bastante familiar aos olhos verdes curiosos.

Sakura contornou a pequena plateia e encarou as costas do homem que estava um pouco próximo dela. Ele estava olhando para frente, em direção ao sol escondido por nuvens negras, com uma pequena mala rasgada na mão esquerda.

-- Por favor! Eu imploro… --  A mulher soluçou e tentou tocar as pernas do homem. Ele recuou facilmente da tentativa de aproximação, como se abominasse a ideia de ser encostado por ela.

A cena parecia bizarramente familiar para Sakura. Ela não pôde ignorar a sensação de nostalgia que a abrigava enquanto observava a situação atentamente.  

Um vento fraco aventurou entre eles. Sakura ajeitou o cabelo e, por um vislumbre rápido ao girar a cabeça, ela viu uma criança agarrada a um bichinho de pelúcia totalmente sujo de ferrugem e poeira. A menina, que parecia ter em torno de seus seis anos, estava completamente assustada.

-- Papai? – A garotinha sussurrou. A voz doce e chorosa despertou algo forte em Sakura. O  medo e o sentimento de rejeição a tomou rapidamente e intensamente. 

Ela encarou as costas do homem mais uma vez, agora compreendo tudo. Sakura já havia visto tudo isso, dessa vez teve certeza sobre o que estava acontecendo bem diante de si.

As costas estreitas do homem. A mulher no chão chorando e tentando a todo custo impedir o abandono de seu amado. A criança assustada que se agarrava ao pequeno bichinho de pelúcia como uma forma de proteção.

Era uma memória do dia que o pai dela as abandonou. O dia que o homem sem rosto a deixou para trás sem hesitar e aprisionou Mebuki a uma vida de mais miséria e sofrimento. 

Sakura não se lembrava exatamente do momento que a mãe perdeu o  doce brilho no olhar e a vontade de viver. Porém, diante da situação degradante em que Mebuki estava, tudo indicava que a sua ruína havia começado ali.

Sakura se aproximou do homem para que, finalmente, pudesse ver o rosto dele e se lembrasse de como o pai aparentava. Queria contemplar a face da pessoa que a renegou e a condenou a melancolia eterna ao deixar a mãe em pedaços, cabendo a mais nova em cuidar de Mebuki.

Ela se aproximava lentamente, passo por passo, enquanto o coração ia aos poucos batendo mais rápido. Cada batida era mais forte e acelerada em comparação a anterior. 

Sakura lutou para respirar calmamente, mas o nervosismo a assolava como uma quase velha amiga. Quanto mais perto chegava dele, mais crescia o desconforto em si. Ela parou antes que os dedos o alcançasse. 

Antes que o tocasse, ela sentiu uma fisgada na barriga. Em um piscar de olhos, agora Sakura estava no corpo do seu eu mais novo. A mão pequena e rechonchuda estendida na direção do pai foi a última imagem que ela viu antes de ser puxada pelo ombro.

O toque ardeu, doeu como se um ferro quente estivesse atravessando aquela parte do seu corpo. A sensação de calor subia pelo braço e, posteriormente, concentrou na região da testa.

Então, ela despertou. 

Apesar de que tudo ao seu redor estivesse desfocado, o primeiro reflexo que Sakura teve foi de segurar a mão que lhe tocava exatamente na região que queimava tão intensamente.

-- Oh! A bela adormecida finalmente despertou de seu sono infernal? – uma voz com tom irônico foi o suficiente para despertá-la completamente do estupor momentâneo. 

Ao virar o rosto um pouco para frente, ela contemplou dois olhos azuis intensos, manchados com traços esverdeados da forma mais linda que já havia visto.

--  Você é um... – Ela procurou por um adjetivo que definisse bem os olhos atraentes e quase divinos. – anjo?

Esta foi a única palavra que Sakura encontrou boa o bastante para associar a imensidão azul celeste que a encarava. 

A sensação que ela sentia agora poderia ser descrita como se houvesse ido para o inferno e voltado em fragmentos. Uma vertigem a atingiu, mas não foi forte o suficiente para fazê-la soltar a mão grande e calejada.

Aos poucos, os objetos atrás do homem foram ficando mais definidos e o rosto dele deixou de ser uma imagem branca borrada; exceto pelos olhos curiosos. 

-- O que você pensa que está fazendo? – A voz de Sakura saiu em um tom assustado, embora ela tenha tentado soar corajosa ao Primordial desconhecido. Ela se sentou e o homem endireitou a postura, colocando-se de pé ao lado dela. 

Ele era absurdamente grande, muito maior em comparação aos zeros masculinos. Os traços fortes dele contribuíam para uma imagem robusta, o que mais se sobressaía nele eram os ombros largos e grossos. A partir da imagem dele, Sakura teve certeza de duas coisas: o Primordial treina bastante e ela é bastante pequena.

A presença do estranhado a deixava inquieta. Nunca havia ficado perto demais de um Primordial tão belo em um cômodo fechado. Certamente, não havia pessoas assim na zona três.

A combinação de uma pele bronzeada com olhos azuis e cabelos loiros lisos até o tórax poderia ser considerada uma das fórmulas da beleza absoluta. Sakura beliscou a coxa ao notar que estava o analisando demais.     

O Primordial a avaliou da mesma forma que ela estava fazendo com ele, mas não havia hostilidade em seu olhar.

-- Eu estava medindo sua temperatura. – Ele procurou algo no bolso da calça preta rasgada. – Tenho uma barra de chocolate. Deve estar enjoada e confusa.

Ele estendeu a barra e Sakura arregalou os olhos devido o fato de que nenhum Primordial a presenteou ou a razão de que ela não conseguia sentir nenhum traço de arrogância e nojo vindo dele.

Ele já havia visto as correntes ao redor dos tornozelos dela, então por que continuava a tratando como se ela fosse uma igual?  

-- Não vai querer? – Ele a questionou ao notar o olhar faminto na direção do doce.

Sakura engoliu seco, intercalando o olhar entre o rosto do estranho e a mão direita dele. Ele desembrulhou o chocolate, provocando-a.

-- Como não vou saber que há veneno nesse doce?

Os olhos dele estreitaram na direção dela. O modo como o Primordial a encarou foi o suficiente para fazê-la se arrepender por poucos segundos pelas palavras ditas na impulsividade.

Ainda havia a curiosidade de sabor amargo que queria provar a todo custo à especiaria.

-- Pode pegar, prometo que isso não irá matá-la. – O Primordial esclareceu e não parecia haver mentira em suas ações. Ignorando qualquer fagulha de orgulho, ela ergueu a mão e pegou o chocolate rapidamente como se ele fosse voltar atrás e esconder a barra. 

Sem hesitar, Sakura enfiou o tanto que pôde na boca pequena. O Primordial começou a rir baixinho enquanto a observava devorar o chocolate com veracidade, ela parecia um verdadeiro animal selvagem.

Ela fechou os olhos devido ao deleite que o gosto doce a trouxe. Sakura nunca havia experimentado algo tão saboroso e viciante. Ainda conseguia sentir o gosto do chocolate vivo em sua boca e desejava por mais.

Interrompendo a risada intercalada por momentos de seriedade, o Primordial fez um som com a língua, chamando a atenção dela.

-- Onde estou? Por que estou vestida assim? – Ela percebeu que usava uma roupa branca do tipo que os pacientes Primordiais recebem nos centros de ajuda.

-- Para cada questionamento há uma resposta plausível. – A voz branda quase conseguia responder a resposta vaga às perguntas de Sakura. Nada fazia sentido para ela e ainda havia um Primordial que não parecia disposto a esclarecer tudo ou pelo menos algumas dúvidas.

-- Acredita mesmo que irei cair nessa resposta idiota? Posso ser um zero, mas ainda temos a mesma inteligência! – Ela refutou irritada e tentou se levantar, porém falhou ao notar que as pernas pareciam moles ao mínimo movimento.

-- De fato, você parece ser uma curiosa nata. O que é estranho para uma zero, como você auto se titula.

Sakura estranhou o que ele disse, no entanto não fez nenhum questionamento acerca.

-- Qual é o seu nome? Pode me responder pelo menos isso?

Ele sorriu sem mostrar os dentes.

-- Naruto. – Ele desceu o olhar do rosto dela para as pernas descobertas. – Sente-se bem?  

Os olhos azuis intensos não desviaram dos dela. A voz dele parecia bastante familiar, no entanto, Sakura não soube de onde ou quando.

Ignorando os pensamentos acerca de Naruto, ela tentou movimentar a perna. Primeiro mexeu os dedos dos pés e, posteriormente, fez um mínimo movimento com as pernas. Sakura girou os ombros ao mesmo tempo em que respirava fundo.

Ela estava bem ou pelo menos...

-- Parcialmente. – Sakura sussurrou ainda incerta sobre o próprio estado, seja físico ou mental.

Havia algo diferente dentro de si. O corpo dela parecia bem, igual ao que sempre foi, mas Sakura não conseguia ignorar a sensação de que algo importante nela havia mudado. 

-- Compreendo.

Um sorriso pequeno brotou nos lábios rosados masculinos. Ele caminhou em direção a uma espécie de cômoda que estava em uma das extremidades do quarto. Sakura franziu o cenho, observando-o pegar uma caneca funda e estendê-la para ela. 

Notando rapidamente a desconfiança da garota, ele fez um movimento com a cabeça, insistindo para que ela aceitasse.

-- Você está parecendo um animal selvagem acuado. É apenas água, se eu quisesse-a ferida, não estaria lhe tratando bem. 

Sakura não gostou do tom dele, sentiu-se como uma criança que faz birra e ignora os fatos. Ela abriu e fechou a boca algumas vezes, agora sentindo a língua áspera e os lábios ressecados. 

Ele estava certo, não havia razões o suficiente para temê-lo. Ela estendeu com esforço uma das mãos. Abaixo de um olhar completamente curioso, Sakura bebeu a água fria e quase suspirou de prazer ao sentir a sede sendo extinta.  

Sequer lembrava-se da última vez que bebeu uma tão pura e fresca. Ela estava acostumada com o gosto terroso de temperatura morna do pequeno riacho que circulava a zona três dos zeros. 

Alguma coisa se ascendeu no rosto de Naruto quando ela terminou de beber toda a água.

-- Pode me dizer o seu nome? – ele perguntou. Sakura afastou a caneca dos lábios, passou a mão no queixo e enxugou as gotas que escaparam.

-- Sakura.

Ele se aproximou da porta.

- Então, Sakura, consegue-se levantar? Quero lhe mostrar a base. Acredito que esteja com fome e há algumas pessoas que querem conhecê-la.

Ela tentou se levantar, embora pensasse que iria cair ao sair da cama. Entretanto, as pernas de Sakura mexeram magicamente e sem nenhum empecilho, colocando-a de pé sem esforço.

Naruto abriu a porta e estendeu a mão na direção dela.

-- Prometo responder as suas perguntas enquanto andamos. – Ele sorriu outra vez, agora mostrando os dentes particularmente brancos e esboçando uma sinceridade profunda. – Vamos?

Sakura se aproximou dele e antes que pensasse em corresponder o gesto de Naruto, ele abaixou o braço, afastando-se dela. A mais nova ficou atrás dele, observando-o de costas. Embora estivesse focada na presença do Primordial, a própria percebeu que não estava cansada ou enfadada.

Ela encarou as próprias mãos, confusa. Por que se sentia bem?

-- Sei que está muito confusa, mas nós não queremos o seu mal. – Naruto se aproximou de duas portas grandes da cor vermelha após atravessarem alguns corredores em pleno silêncio. – Não somos o inimigo, Sakura.

Ele abriu as portas.

-- Bem-vinda aos Corvos do Alvorecer.

Naquele momento Sakura soube que a vida dela nunca mais seria a mesma.

 


Notas Finais


EU AMO ESSA HISTÓRIA TANTO KKKK aaaaaa

Quem será esse anjo de olhos celestiais? Uma dica: sou cadelinha deleeeee kakakakakkakaka

Cap curtinho mas muito importante 👁️👄👁️


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...