1. Spirit Fanfics >
  2. Coração azul - Uma fanfic Luotto >
  3. A primeira noite

História Coração azul - Uma fanfic Luotto - Capítulo 1


Escrita por:


Capítulo 1 - A primeira noite


Fanfic / Fanfiction Coração azul - Uma fanfic Luotto - Capítulo 1 - A primeira noite

Era o 17.° aniversário de Poliana.

Otto suspira, cansado, livrando-se do casaco que tinha usado para defender-se do ar frio da noite lá fora. A filha, com que enfim tinha se aproximado nos últimos quatro anos, tinha pedido para comemorar seus 17 anos em casa, não com uma grande festa, apenas um jantar com o pai, a tia, os amigos mais próximos e o namorado, João. Ele não vira maiores problemas, mas sugerira que a filha convidasse também aos tios Durval e Claudia, já que não tinham muitos parentes, e estes aceitaram, juntamente com os filhos, exceto Raquel, que estava morando em Paris com a mãe. Então entre colegas, amigos e convidados, cerca de 30 pessoas jantaram na área externa da casa, ao lado da piscina. A recepção havia sido um sucesso, exceto talvez se considerasse os olhares atravessados do ex-cunhado, Durval. Não que Otto se preocupasse com isso. Sugerira à filha que os convidasse mais para que ele e Luísa tivessem adultos com quem conversar em meio ao burburinho adolescente.

Luísa.

Otto deixou que os pensamentos flutuassem de encontro a ela. Luísa morava na mansão há quase um ano, depois de Poliana muito insistir que a tia precisava de companhia após os eventos que a deixaram sozinha na imensa mansão da família há pouco mais de um ano atrás. Luisa, entorpecida pela saudade da convivência com a sobrinha e cansada dos cômodos vazios de sua própria casa, após enfim superar o término abrupto que o destino se encarregou de dar àquela que achava que seria a sua única história de amor, aceitou o convite da menina e do pai dela e aos poucos deixou-se levar pela existência confortável e acolhedora que os dois lhe proporcionavam na mansão 242. O crescimento de Poliana havia sido complicado para Otto, que sem muito além da tecnologia para se embasar na forma com que deveria lidar com o desabrochar da filha até a vida adulta, aceitou de bom grado a companhia de Luísa na tomada de decisões e nos conselhos sobre a adolescente. O clima de camaradagem entre os dois crescera muito no decorrer dos anos, e o convívio amigável que desfrutavam nos últimos doze meses era nítido. Ambos não poderiam estar mais confortáveis um com o outro e isso se refletia o tempo todo, na forma como se falavam e se tocavam. Por um momento ele se permitiu lembrar do beijo confuso que trocaram 4 anos antes, quando ela havia machucado o pé e ele não pôde resistir a proximidade dela - fator este que novamente andava tirando seu sono.

-Otto?

Como se soubesse que ele estava pensando nela, ela se materializou na sala e ele sorriu, divertido, abrindo os olhos. Luísa usava um vestido azul que lhe moldava o corpo até a cintura e se soltava até pouco abaixo do joelho. Fazendo um gesto para que ela se sentasse ao seu lado, ela concordou, sentando ao lado dele e suspirando ao soltar as tiras finas da sandália que usava.

-Como estão as crianças lá fora? Ela ri dele.

-Não tem crianças lá fora, Otto... Os mais novos eram Benício e Gael e foram embora com Durval e Claudia antes de você entrar, lembra? E mesmo eles já têm 15 anos.

Ele balança a cabeça, contrariado.

-Ainda são crianças para mim.

Ela ri, pegando no braço dele. Eles entrelaçam os dedos e ficam em um silêncio confortável por alguns minutos, até Luísa lhe questionar suavemente:

-Ainda não consegue pensar na Poliana namorando, não é?

Ele acaricia a mão dela levemente, balançando a cabeça.

-Não. Sei que ela é quase adulta agora, mas a ideia de ela namorar ainda não é tão fácil de digerir. Não deixa de ser um consolo que seja com o João. Ele ao menos demonstra respeito. 

Ela ri, debochando dele.

-Ah, Otto, será que isso não se deve a cena que você fez quando eles disseram que estavam namorando? 

Ele ri, sem jeito.

-Pode ser. Mas não menti. E ele prometeu que cuidaria dela, não posso exigir muito mais, não é?

Ela ri, concordando e descansando a cabeça no ombro dele. Ele a observa por um momento, com um leve sorriso no rosto, os dedos de ambos ainda entrelaçados. Ele questiona, baixinho:

-Esse vestido... Não é aquele que dei pra você?

Foi a vez dela sorrir sem jeito:

-É, sim. Eu nunca mais tive coragem de usá-lo desde... - Ela se cala abruptamente, se dando conta do que quase tinha revelado. 

Otto questiona, suavemente:

-O que? Marcelo? Ele não gostava? Não imagino a razão. Ele fica lindo em você.

Ela nega com a cabeça, surpreendendo-se ao se dar conta de quanto tempo se passara desde a última vez que pensou no ex-marido. De cabeça baixa, ela responde.

-Não... Foi antes. 

Franzindo o cenho, ele levanta o rosto dela de forma que ela não pudesse desviar o olhar. 

-Então termina... Por que você não voltou a usá-lo?

Perdida na profundidade daquele olhar, ela pensa em desconversar, mas era uma péssima mentirosa. Otto a fitava intensamente e ela percebeu que seria tolice tentar fazê-lo esquecer do assunto.

-Bom... Uma vez eu sonhei que estava aqui, nessa casa. Usando ele, pintando. E você chegava, nós dançávamos, você perguntava se podia me dar um beijo... E eu concordava. - Ela falava tão baixo que ele mais leu nos lábios dela do que ouviu a resposta sussurrada. Sem soltar seu rosto, ele coloca alguns fios soltos do seu cabelo atrás da orelha, fitando-a tão intensamente que ela se sentiu derreter sob aquele olhar. 

-É mesmo? -Ela concorda de leve com a cabeça. - E agora? Sendo realidade... Eu posso te beijar? - Luísa arregala os olhos mas o impasse não dura mais de um segundo. Partindo de ambos, o beijo começa de forma lenta, suave, uma necessidade mútua que pedia para ser saciada. Ajeitando-se no sofá, ele a puxa para seus braços, uma das mãos segurando-a pela nuca enquanto a outra desliza por suas costas até mantê-la presa firmemente contra seu peito. Luísa por sua vez mantinha uma das mãos contra seu pescoço e a outra segurava-o pelo ombro. Quando o ar falta a ambos, Otto interrompe o beijo, deslizando os lábios sobre o rosto dela, beijando-a suavemente na face, no pescoço, voltando aos lábios. Depois, ele interpõe um olhar profundo entre os dois.

-Pensei que seria só um beijo... -Ele diz, suave.

-Era só o que devia ser... -Suspira ela trêmula, baixinho, os dedos da mão se insinuando pela gola da camisa preta que ele usava. -Não sei o que aconteceu.

Ele suspira, sem quebrar o contato visual.

-A escolha é sua, Luísa. Eu sei que te quero. Não tem uma noite que eu durma sem sonhar que você está nos meus braços. Mas não podemos dar mais nenhum passo antes de você estar preparada.

Luísa não acredita no que está ouvindo. Nunca imaginaria que um homem pudesse se controlar a esse ponto para levar em conta seus sentimentos. Não o ex-marido e certamente, não imaginara poder esperar isso também do Otto que ela imaginara conhecer tão bem. Mas não podia, aliás não conseguiria, ir pra cama sozinha depois daquele beijo. Não sabia o que a aguardava no dia seguinte, mas não conseguiria lidar consigo mesma se o afastasse agora.

Ela acaba com a distância que ele colocou entre os dois. Responde baixinho:

-Eu quero. Otto... Por favor. Eu quero você.

Ela não precisa repetir. Em um instante, os lábios novamente se encontram e dessa vez não há limites nas carícias que eles impõem entre si. Otto a levanta nos braços e a leva em direção ao próprio quarto. 

Quando a coloca sentada sobre a cama, por um segundo Luísa pensa que está perdida. Por mais que Otto fosse compreensivo e atencioso durante a convivência que tinham, ela esperava a dois o Otto que Alice descrevia como sendo frio e egoísta, e não podia estar mais distante da realidade. Ele a tocava com carinho e desejo ao mesmo tempo, e ela desistiu completamente de tentar raciocinar, entregando-se ao momento, com um suspiro trêmulo quando ele, ajoelhado entre suas pernas, desliza o zíper do vestido nas costas, sem deixar de beijá-la por um segundo sequer. As mãos dela, impacientes, abriam um a um os botões da camisa preta que ele usava, por fim desistindo e abrindo-a bruscamente, terminando por arrancar os três últimos botões. Otto ri, deslizando o vestido dela pelos ombros e falando em seu ouvido:

-Devagar... Eu esperei demais por você pra não aproveitar cada segundo.

Quando ela fica apenas com as roupas de baixo, ele suspira. A adoração que ela via nos olhos azuis lhe tirou totalmente qualquer inibição que ainda restasse, e ela abre seu cinto e a calça. A lingerie dela foi tirada lentamente, entremeada de beijos e palavras sussurradas ao pé do ouvido, tirando Luísa do sério. O desejo que ele via refletido nos olhos verdes dela só o estimulava a dar-lhe cada vez mais prazer. Quando ambos não podiam mais esperar, Luísa o sentiu invadi-la e por um momento seus olhos se encheram de lágrimas. Era o que faltara sempre em sua vida - as palavras doces, a ousadia misturada com o carinho, o amor impresso em cada toque dele. Ela pensou que finalmente tinha achado seu lugar no mundo naqueles braços e não pôde deixar de se sentir tola por algum dia ter se contentado com menos do que isso. Abraçando-o tão forte quanto podia enquanto se amavam, ela entregou-lhe de vez o corpo e o coração.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...