História Coração de Ouro, Alma de Prata - Capítulo 19


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Categorias Originais
Tags Amizade, Amor, Amor Gay, Drama, Gay, Homo, Homossexualidade, Luta, Mistério, Romance, Romance Gay, Suspense, Yaoi
Visualizações 32
Palavras 971
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Luta, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


E chegamos ao fim dessa nossa bela história!!!!!!!
Em breve, o Epílogo

Capítulo 19 - Amigo


Fanfic / Fanfiction Coração de Ouro, Alma de Prata - Capítulo 19 - Amigo

JASON

 

Parecia impossível, mas era ele mesmo, ali, impossível não reconhecer tais feições, elas jamais saíram da minha cabeça, mesmo com o passar do tempo. E sempre acompanhadas pela culpa.

Alex estava boquiaberto ao meu lado. Em choque.

O mundo era mesmo pequeno, afinal.

Então Matt olhou em nossa direção, paralisando meu corpo ao me encarar bem fundo nos olhos. Sua expressão, no entanto, sequer deu sinais de mudança, era como se ele não nos conhecesse, ou pior, não se lembrasse de nós.

Instintivamente, agarrei a mão de Alex.

-Amor, va-vamos sair daqui, por favor-

-Bem... eu...vamos-

Nos viramos depressa para ir embora dali o mais rápido possível. Se Matt tivesse tempo, iria nos reconhecer, e isso não traria a ele boas memórias.

Mas bastou nos virarmos e, como num passe de mágica, ali estava ele, diante de nós.

O olhar dele já dizia tudo, ele nos reconhecia.

-Ora, ora, ora. De todas as pessoas no mundo, não esperava vê-los aqui, e ainda juntos pelo que vejo-

Alex o encarou e disse

-Você lembra de nós?-

-E como eu poderia esquecer da cara dos malucos que me botaram nessa cadeira de corrida?-

As lágrimas vieram aos meus olhos ao lembrar daquele dia.

-Por favor, não diga uma coisa dessas- Falei

-E o que exatamente eu deveria dizer? Que eu senti saudades? Que eu estou feliz em revê-los? Pois posso lhes garantir que não-

Alex tomou a dianteira

-Então se nos permite.. vamos indo embora-

Ele agarrou minha mão, mas quando se virou, Matt disse

-Acho que não me entenderam, não estou zangado ou triste por revê-los. Eu superei essa raiva a um tempo atrás. Vocês simplesmente são pessoas insignificantes em minha mente-

- Como assim?- Perguntei.

-Ah, desde que me mudei para cá, eu tenho levado uma vida muito boa. A cidade é um ponto de referência em acessibilidade e convivência com deficientes. Estou esperando os resultados das pesquisas com células tronco para... bem... voltar a andar. Moro aqui esperando que esse dia chegue e eu possa ir embora-

-Você... nos perdoou?-

-Há muito tempo. Convivi com muitas pessoas aqui nesses dez anos. As histórias que elas contam são inspiradoras. Mutilações, queimaduras, etc etc, e as pessoas não desistem de viver. Muitas perdoaram seus agressores, e olha... alguns foram muito piores que vocês-

Matt estendeu a mão, deixando uma pétala rosa cair nela, e em seguida a fechou.

-Venham comigo-

E passou a direcionar sua cadeira por dentro do prédio atrás dele]

Olhei para Alex, que fez sinal positivo com a cabeça, então, o seguimos.

O prédio tinha muitas rampas e nenhuma escada. Diversos elevadores, cadeiras e camas especiais, tudo ali parecia adaptado.

-Vejam esse lugar. Foi designado de forma a atender exclusivamente a deficientes físicos. É o único no mundo, conseguir uma vaga aqui é realmente difícil. Todos que vêm para cá perderam a esperança de ter uma vida normal, mas esse lugar mostra que é possível viver, mesmo com certos impedimentos-

-Incrível- Falei

Matt prosseguiu

-E não é o melhor de tudo, aqui estamos na fila de espera para sermos testados com os tratamentos especiais que estão desenvolvendo para nós-

-E estão conseguindo algo?-

-Ainda não sei, mas não perco a esperança de um dia acharem uma cura para mim-

- Espero que consiga- Falei

-Eu mais ainda... mas estou de boas... olha ali, aquele é meu namorado-

Apontou para um homem bonito, em cima de um banco arrumando uma lâmpada

-Ele mora aqui?-Perguntei

-Sim, mora-

-Mas... não vejo nada faltando nele... sem ofensa-

-Não houve ofensa. Mas ele não tem algo que possa ser visto a olho nu-

-Como assim?-

-Os pais dele arrancaram a língua dele com uma tesoura quando descobriram que ele era gay, e depois expulsaram de casa-

-Que horror!!!!!-

-Eu sei. Aprendi libras para poder me comunicar com ele. Nossa relação é ótima-

-Fico feliz por você-

-E eu, mais ainda-

Uma menininha sem um braço estava tentando brincar de boneca. Mas não conseguia, ela passou a chorar, então Matt se aproximou dela e lhe deu a pétala que pegou mais cedo. Um sorriso se formou em seus lábios e ela voltou a tentar brincar com sua boneca.

-Temos que nos ajudar aqui... de todas as formas possíveis, aliás, o que os trouxe para esse fim de mundo?-

-Queremos ter um filho, então estamos procurando uma barriga de aluguel- Disse Alex.

-Agora entendo o porquê de virem aqui. Fiquei surpreso quando li no jornal que iria largar a esgrima, Alex-

-Bem, não consegui mais olhar para aquela arma desde... bem... aquele dia-

-Ora, para de choramingar, aquilo não foi nada de mais, eu estou tranquilo quanto a isso, podem já tirar essa neura de vocês, sim eu passei por vários problemas, mas estou feliz agora, e no fundo é isso que importa, não é?-

Eu fiquei mudo. Sequer sabia o que podia ou o que deveria falar ali.

-Então, se faz tanta diferença na vida de vocês, podem ouvir diretamente de mim: Eu os perdoo por tudo, agora, com licença, tenho trabalhos a fazer- e simplesmente saiu dali, nos deixando imóveis, com as lágrimas escorrendo pelos olhos mais rápido do que podíamos contê-las.

Ver Matt pelas costas, indo embora, sem sequer olhar para trás, causou um tornado de emoções no meu cérebro. Pois eu estava feliz de saber que ele nos perdoava, mas triste de ver ele indo embora, provavelmente para sempre.

Ele ia embora... e estava levando nossa culpa com ele... é como se estivéssemos aberto uma porta que nos guiava a uma nova vida... um novo começo.

Olhei para Alex, que sorria em meio às lágrimas.

-Então, vamos trazer nosso filho para este mundo?- falei.

-Achei que não fosse perguntar- Alex disse, sorrindo.

Demos as mãos e fomos rumo ao hospital, enquanto as folhas coloridas que caíam aos montes enfeitavam nosso caminho.



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