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História Coração De Vidro ( Vol1) - Capítulo 12


Escrita por:


Notas do Autor


Oiê gente!! Como vocês estão?
Com antecedência, já peço desculpas pelo sumiço.
Espero que gostem desse capítulo!!

O que vocês acham desses dois em? Comentem!! Quero da uma olhadinha na teoria de vocês!!

Boa leitura 😘📖

Capítulo 12 - Capítulo nove


Fanfic / Fanfiction Coração De Vidro ( Vol1) - Capítulo 12 - Capítulo nove

Aquilo era uma péssima ideia. Péssima. Já arquitetei planos inconsequentes, no máximo insano. Mas aquilo era uma grande oportunidade e eu não podia simplesmente desperdiçá-la. Conhecia a cidade, já havia mapeado toda rua, beco e Favela, incluindo toda Goldenton. Seria esperta. Sempre um passo à frente. É o que meu tio Lúcios diria. Já que migalhas de esperança não são de cair do céu.

- Por onde começamos? – Nickolas alarga o sorriso prestando atenção nas pequenas casas por onde passávamos.

Casas de Escraals. Pequenas, apertadas e lotadas. Crianças brincavam pelas ruas de terra com brinquedos feito de madeira e plástico, pipas feitas do pior papel decoravam o seu cinzento e havia barracas de frutas, joias feitas de ferro retorcido sem pedras preciosas e mães de barrigas arredondadas varrendo a calçada coberta de pó cantarolando alguma música adorável. Tentavam ser felizes mesmo nesse mundo injusto.

- Goldenton – respondo. 

Nickolas franje a testa me parando depois de segurar o minha mão. E lá estava a preocupação estampada no V das sobrancelhas bem feitas.

- É perigoso.

-Estou acostumada com o perigo – minhas palavra caem em ouvidos surdos. 

- Clary... – Diz ele com calma e suavidade. – Não acho uma boa ideia.

A temperatura aumenta a nossa volta. Recuo me libertando com o rosto tenso e os dentes cerrados, faço um gesto com a cabeça para continuarmos o percurso. Não viro para trás, meu corpo formiga, embora minha mão lateje por sentir sua pele com a lembrança. Não sei o que isso significa. E não faço a menor ideia do que sinto.

- Tenho tudo sobre controle — digo com a voz baixa e em meio a tantas pessoas, vozes e risadas infantis, ele me ouviu. Sempre me ouviria.

Logo a paisagem de árvores da lugar as casas propriamente ditas depois do muro de tijolos vermelhos. Goldenton, a cidade nobre. As árvores belas e antigas se concentram ao redor de cada propriedade. Os quintais descem até o rio, com jardins decorados com verdes e belas fontes. As casas em si parecem uma fortuna, cada um com um tipo de beleza diferente. Mas as janelas estão escuras, as portas fechadas. Enquanto os vilarejos estão abarrotados de gente, estes lugares parecem desprovidos de vida. Apenas a bandeira ateada no alto permitem saber a quem são submissos. O rei, Edgard Salazar VII. Um velho ladrão e assassino com coroa.

O olhar de Nickolas se detém no castelo branco, uma maravilha com colunas de mármore e ouro. O leque da calda dos pavões em dourado decorava os portões dourados que separava a realeza dos nobres normais. Ostenta riqueza e poder. Possuí poder te torna forte. Ouvi certo dia, as palavras saíram da boca de Edgard. No entanto, de baixo do seu teto moravam temporariamente os senhores da terra antiga. Os Earllianos. Perigosos, letais e cruéis. Parece que o jogo virou e a máscara do rei despreocupado e valente caiu, tomando lugar para um soberano paranóico e medroso.

- Não a ninguém nas casas, ninguém arriscaria ficar na cidade com os orelhas pontudas presentes.

Ele abre um sorriso pequeno.

- Orelhas pontudas? 

Balanço a cabeça, parecia que eu havia acabado de contar um piada.

- Os outros puxo a ponta de minhas orelhas pequenas para me parecer com aqueles monstros. 

- Os Earllianos? — Nickolas corrigi, vendo nojo e raiva nos meus olhos condensados em uma só palavra. 

- Aquelas pragas mortíferas – olho com reprovação para o castelo de longe.

Ele respira fundo e mantém os olhos em mim.

- Você tem medo deles?

Tomo o fôlego e me aprumo. Apesar da raiva de antes, mantive a calma.

- Não e nunca terei. Eles mataram milhares do meu povo. Milhões, na Noite sangrenta. O que eu sinto e a maioria por aqui, é nojo e desprezo.

Fecho os olhos, me lembrando das aulas de história. Aquele foi o dia em que houve o primeiro ataque rebelde de escravos humanos para seus senhores a muito tempo atrás. Matávamos sete enquanto eles destroçavam vinte dos nossos. A matança durou poucos dias. As vezes quando penso no ocorrido, imagino o sangue vermelho e escuro mesclando a terra nas florestas. Tantas vidas perdidas. Morte. Carnificina. Tudo por poder.

Quando adentramos  na praça, Nickolas muda de atitude querendo mudar de assunto.

- Qual a história desse lugar?

Em vez de tentar negar o desânimo pela conversa que viria, aponto para a árvore repleta de flores cor de rosa. Uma brisa de pétalas sopram em nossos rostos a medida que nos aproximamos. Havia vários pingentes nós galhos mais a baixo, pendurados por correntes douradas que reluziam a luz do sol. Pareciam pequenas estrelas cadentes.

- É chamada de praça das memórias — explico. — Geralmente quando alguém importante da família morre, as moças costumam pendurar seus bens preciosos aqui. Alguns pais, maridos e a maioria namorados com um fim trágico.

Nickolas se aproxima e abri um pingente para vê a foto de um casal. A mulher era jovem, a foto era em preto e branco, ela estava de mãos dadas com um homem. Não sorriam, não pareciam felizes. Eram pessoas frias, desprovidos de qualquer emoção. 

- Esses são o Sr e a Sra Rosdally, ele era gerente do banco da cidade — me aproximei para vê os pobres infelizes na foto. —Depois que o pobre homem faleceu, Mirella ficou mais do que feliz quando conseguiu a herança. Eles não tiveram filhos graças aos deuses, mas o tempo a moldou para se tornar a cobra da pior espécie. 

- O destino gosta de brincar com meros mortais– Nick responde incapaz de pensar em outra coisa. – Chega a ser injusto para alguns que não compreendem o jogo da vida.

Olhei para ele, parecia triste. Nick passou os dedos ao redor do pingente, seguindo a forma oval e dourada na borda da foto. Talvez eu tivesse tirando conclusões precipitadas, mas havia algo no olhar dele. Algo no meu peito, me familiarizava com aquela dor. Não sabia dizer o que era. Talvez solidão ou mágoa. Como se faltasse algo em sua vida, a ausência de alguém. Não consegui perguntar, era difícil, não seria eu que gostaria de cutucar uma ferida profunda demais. Simplesmente não podia, não enquanto ele permanecia preso a lembranças dolorosas. Preso ao passado, assim como eu. Todos carregamos cicatrizes. Nobres ou não, essa era a verdade.

- Já perdeu alguém senhorita? – foi a única coisa que Nick conseguiu falar. 

- Claro – concordei com a cabeça rindo, me distanciei um pouco. — qual é a criatura viva que não possuí memórias dolorosas? 

Ele olhou para mim e alargou um sorriso sincero. Meu coração se agitou com aquilo e eu nunca na vida senti tanta a necessidade de arrancar o mal pela raiz. 

***

A noite logo recaio sobre nos quando terminamos. Olhamos uma parte de cada lugar, de praças, a catedrais e monumentos históricos — que por incrível que pareça, ainda temos a estátua de um dos primeiros reis fundadores na cidade depois da Noite sangrenta. Eles eram os heróis do reino mortal, os bravos guerreiros que lutaram por nossos direitos e conquistaram nosso pequeno pedaço de terra. Nada mudou desde aquele dia, pelo contrário, apenas piorou. Aqueles que conseguiram poder costumavam amassar e dá migalhas aos pobres como gestos de misericórdia e antes, tinham o hábito de jogarem homens e idosos nas minas de ouro para colorir a futura Goldenton. E aí está o nome do primeiro reino mortal, a Fortaleza vermelha, em homenagem aqueles pobres coitados que deram o sangue e o suor para seus novos senhores. 

É saindo do poço para cair na lama. Os homens procuram governar para seus próprios interesses, essa é nossa natureza e também, nossa maior ruína. 

Meu ombro tombou de leve com o dele quando paramos no Grande jardim — como se tivesse acabado de bater em uma parede dura de músculos — recuperei o equilíbrio rápido e olhei para ele assustada.

- Você me parece distante a bastante tempo – Nick se aproximou de mim e por instinto, recuei um passo. — poderia me dizer o que esta  se passando por essa linda cabecinha?

Cruzei os braços e lutei contra a vontade de olha-lo de cima a baixo, mas não consegui. Ele arrumou a postura e curvou os braços para trás em um daquelas típicas posições militares que já vi vários sentinelas fazerem. Aquilo seria para me intimidar, para arrancar a verdade. Mais eu já foi treinada para guardar segredos a sete chaves e não seria ele que faria com que eu abrisse a boca sobre meus sentimentos.

- Acredite... – preenchi os espaço que estava faltando e sorri para ele de forma arrogante — Você ainda vai morrer de curiosidade se depender de mim.

Aqueles olhos, aqueles olhos que pareciam tão dóceis e calmos a meio segundo atrás pareciam agora ferozes demais, perigosos demais. Droga. Contorci o lábio desafiando-o a preencher aquele silêncio pacífico com suas peculiares rebatidas de palavras afiadas. Mas ele não o fez, continuou a analisar meus olhos ávidos como se quisesse descobrir minha história, ler meus pensamentos e saber o que eu tanto escondia.

- Por mais que seus olhos me lembrem chuva, não poço me dá ao luxo de passar horas apreciando. — falei.

Nick ergueu a cabeça e sorrio de lado.

- E o seus me lembram terra, tenho saudades da minha terra natal. Meu lar. 

Pisquei para ele algumas vezes e meus malditos lábios se contorceram dando lugar a um sorriso. 

- Se sente saudades de casa, porque não volta?

- Não posso simplesmente voltar, tenho obrigações.

Ele parecia realmente triste e não soube o porquê, havia algo que ainda o prendia aqui.

- Bom, então, pretendo mostrar tudo antes de vê-lo partir mundo a fora. — sorri com sinceridade. – De onde você é mesmo?

Voltamos a caminhar rumo aos muros que dava para fora de Goldenton e depois de um tempo, ele respondeu:

- De uma cidade nas montanhas ao sul, Malaard.

Arregalei os olhos e lhe dei um tapinha no ombro.

- Onde fabricam o vinho da montanha, um ótimo lugar para se viver, sortudo.

Nick engoliu uma gargalhada.

- Falando em bebida, tenho que te levar a um lugar – avisei alongando os braços para escalar o muro.

Ele revirou os olhos sem acreditar. É claro que ele era contra minha presença em lugares repletos de homens, afinal, ele era um cavalheiro. E de acordo com meu mínimo conhecimento sobre etiqueta, jovens assim costumavam proteger a honra das damas na sociedade. O que era ridículo, já que eu mesma havia descoberto uma forma muito mais eficaz de afastar homens com poucas palavras.

Comecei a escalar e perguntei:

- Você não confia em mim?

- Não. – ele respondeu.

Sempre tão direto, chega a doer.

Fiquei pasma assim que me sentei no topo para balançar os pés como uma criança inquieta. 

- Você sabe como me magoar – fiz um biquinho triste.

Ele meneou a cabeça ainda serio e cruzou os braços.

- Não quero ter que entrar em um lugar com uma lâmina do pescoço por tocar em você.

Não consegui me segurar e finalmente gargalhei, dizendo:

- Você estava apenas me ajudando, já que meu atual estado de hoje foi graças ao seu péssimo equilíbrio.

- Péssimo equilíbrio? – perguntou ele, reclamando alto de mais. — Não venha me culpar, estávamos fugindo por sua causa.

Olhei para os quatro cantos procurando algum sentinela, nada, ainda bem. Por enquanto. Esse idiota ainda me mataria antes de fazer o pagamento.

- Se não quiser que eu o arraste pelos cabelos da próxima vez, sugiro que fale um pouco mais baixo — semicerrei os olhos querendo voar em seu pescoço. 

 Nick engoliu a palavras que estavam na ponta da língua, descruzou os braços e escalou o muro sem reclamar. Pulei do outro lado e cai de pé e ágil, como um felino. Ergui o olhar e contente sorri para as casas barulhentas de Escraals, mas o sorriso se desmanchou quando Nick caio bem ao meu lado deixando escapar um grito e logo depois um ganido, ele parecia um cachorro em seus últimos momentos.

- Você não sabe ser discreto – murmurei o ajudando a levantar.

Nick abriu a boca, para gritar, reclamar ou gemer de dor, no entanto, não pude dar a chance de saber o que viria. Tapei a sua boca e o empurrei para trás de um arbusto. Não era a toa que minha ótima observação sobre o equilíbrio de Nickolas estivesse tão certa, caímos novamente, só que para minha sorte meu corpo teve um ótimo amortecedor. Nariz com nariz e respiração ofegante. Ele queria muito dizer alguma coisa mais não conseguiu, não podia. Meus olhos o advertiam de mexer se quer um músculo com as palavras invisíveis contendo, Tente algo e você era.

Ouvimos passos em meio a grama e folhas secas, um belo par de botas escuras no breu da noite e do outro lado, ouvimos a voz de alguém junto com o movimento das luzes de duas lanternas. 

- Eu juro que ouvi alguma coisa. — disse o estranho.

Giramos a cabeça para o lado ao mesmo tempo quando a voz de outro chegou ao nossos ouvidos dizendo:

- Talvez foi um gato.

Sentinelas. Nick se remexeu quando percebeu os homens fardados, alcancei a pequena faca da cintura e rocei a lâmina de leve contra seu ombro fazendo-o parar de se mexer. Ele arregalou os olhos apavorado, fiz um gesto para que permanece calado e assim o fez.

- Vamos voltar — disse o segundo de forma preguiçosa depois de soltar um bocejo. — Daqui a pouco nosso turno acaba.

- Mas eu ouvi alguma coisa — insistiu o outro.

O barulho estava ficando mais perto e Nick queria muito poder se mover para sair dali. Apontei a faca para onde supostamente o guarda apareceria e esperei, cada segundo fazia meu coração acelerar e o suor escorrer. Mas não tremi, mantive a mão firme. Os olhos atentos como o de falcões experientes permaneceram fixos e estava pronta para fazer o avanço necessário. Ouvi o silêncio primeiro, a não ser pelo barulho de nossas respirações atrás da moita e o ribombar de nossos corações nervosos. 

- Vamos embora de uma vez — reclamou um deles, o sentinela preguiçoso prosseguiu. — passamos o dia todo trabalhando e só quero ir para casa agora, seja o que for, vamos deixar o próximo grupo fazer as patrulhas. 

Ouvimos passos outra vez, só que agora, pareciam mais distantes. Me arrisquei a espiar, sai de cima de Nickolas para tirar alguns galhos da frente e ver os guardas se afastando, suspirei aliviada. Essa foi por pouco. Meu coração se acalmou e minhas mãos começaram a tremer, observei os dois seguranças desapareceram depois de descer uma ladeira e senti meu corpo ser tomado por um calor estranho.

- Eles já foram embora? – a voz de Nick chegou ao meus ouvidos como um alerta.

Nossas bochechas quase se encostaram, ele estava muito perto. Bastante próximo. Seguia os olhos curiosos e assustados na mesma direção que eu, não podia me virar, muito menos respirar direito. Algo me dizia que se voltássemos o rosto na direção um do outro ao mesmo tempo, não teria nenhum obstáculo para nossos lábios se encontrarem. Por isso fiquei parada, como uma estátua de gesso — não sei como, mas consegui confirmar com a cabeça respondendo sua pergunta.

- Você está bem? – ele perguntou novamente, virando-se para meu lado, senti seus olhos sobre mim assim como o calor da respiração na noite fria relar minha pele, fazendo meu corpo arrepiar. 

Não me mexi, permaneci atenta com os olhos vidrados no percurso que os sentinelas fizeram. Para minha sorte ele se distanciou, mas não foi muito coisa.

- Muitíssimo bem – foi a única coisa que consegui falar, quero dizer, murmurar e me levantei. 

- Aonde vamos? — perguntou ele, querendo saber o porquê do meu comportamento estranho.

 Nick se levantou massageando as costas doloridas, parecia um homem velho com problemas de saúde.

- Sair da toca do lobo – apontei para a muralha atrás dele e fiz um gesto para que me acompanhasse.

Ele meneou a cabeça concordando que seria uma escolha sábia, no entanto, se virou para mim e reclamou como se quisesse perder tempo.

-Você é muito pesada sabia disso e de onde diabos você tirou aquela faca? — disse ele.

Revirei os olhos impaciente.

-No mundo em que vivemos nada é seguro, principalmente para mulheres, por isso que sempre ando com assessórios extravagantes. — ajustei o sinto com o trio de facas brilhantes e estampei um sorriso amável, semelhante a um olhar orgulhoso de uma mãe. — Minhas velhas amigas são insubstituíveis.

Nick levantou o dedo para falar alguma coisa, talvez para me contradizer, mas as palavras morreram assim que nossos olhos se encontraram e ele teve a certeza de que eu poderia facilmente acertar uma daquelas belezinhas em sua garganta se me contrarisse.


Notas Finais


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