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História Coração De Vidro ( Vol1) - Capítulo 4


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Notas do Autor


❗Oiê gente, sei que avisei sobre o horário da postagem do capítulo no poste anterior, mas fiquei animada demais e acabei não esperando. Sorry!!! Kkkkkk

No entanto, postarei o segundo capítulo no mesmo horário ( às 18:00 se houver algum atraso as 18:30)

Espero que gostem, e comentem sobre oq mais gostaram. 😘😊

Capítulo 4 - Capítulo um


Fanfic / Fanfiction Coração De Vidro ( Vol1) - Capítulo 4 - Capítulo um

Corri pelos becos da fortaleza vermelha pulando com agilidade, enquanto ouvia mais berros de homens furiosos me perseguindo. Apesar de ser quase meio dia, o ar abafado cheio de poeira sufocava a antiga cidade de pedra. Com as pernas doendo e os pulmões ardendo, me esforcei para correr ainda mais rápido, saltando por cima de inúmeros ratos que rastejavam para fora das sarjetas e do lixo revirado nas ruas. Consegui ouvir o tumulto da feira próximo a praça central, meu coração palpitava com a adrenalina.

Com as mãos passando ao longo das paredes de pedra, enquanto me contorcia e girava pelos estreitos becos, olhei para trás para certificar de que o grupo — com aproximadamente nove guardas reais— me acompanhavam.

- Voltem para seus postos rapazes, sabemos que tudo isso é uma perda de tempo! — gritei para trás com um sorriso no rosto.

Nesse exato momento eu estava mais do que irritada por começar o dia daquela forma, sempre foi assim desde que minha cabeça fora colocada a prêmio. 

Afinal, ainda não tinha tomado café da manhã e meu estômago me alertava com um barulho estranho exigindo alguma refeição. Contudo, logo cedo, eu havia roubado uma maçã para matar a fome que embaçava a visão, o sol quente que queimava o rosto piorava tudo e o cheiro de suor dos mercadores que subia por minhas narinas me fazia ficar enjoada, mesmo sabendo que se chegasse a vomitar, primeiro viria as entranhas e logo depois, a esperada morte.

Pelo visto, nenhum dos cavalheiros esquentadinhos estavam dispostos a parar de me seguir, pois nenhum deles haviam desistido de correr atrás de mim desde que me reconheceram na praça central. Corriam nos meus calcanhares como cães raivosos dispostos a matar.

- Peguem ela!! – berrou um deles com a voz estridente e ligeiramente irritado.

Revirei os olhos ganhando velocidade ao descer uma ladeira. Limpei uma gota de suor que escorria da testa, com a manga da blusa gasta que tinha ganhado de minha mãe. Ela nunca havia me dado roupas novas. Não de Cassandra, que idolatrava minhas irmãs mais novas e parecia reservar ódio e inveja somente para mim. Naquele dia, senti uma pontada de alegria quando ela me deu a blusa. Pois geralmente o que recebia, era reclamações e desgosto.

- Plano b. – falei para mim mesma enquanto entrava na feira, se misturando com mercadores e clientes que iam e viam de todas as direções.

Não demorei muito para despista-los, diminui o ritmo quando cheguei a ponte de pedra olhando para os quatro cantos em busca de algum homem fardado, mas para minha sorte, não havia ninguém. Estava segura.

- Essa foi por pouco – falei arfando, ao se curvar para frente e apoiar as mãos nos joelhos trêmulos.

Vi um grupo barulhento subindo uma ladeira de longe, subindo e subindo até pararem no topo para respirar pela correria. Todos os guardas estavam fardados e extremamente exaustos sem saber para onde ir ou aonde procurar. Observei o grupo enquanto colocava uma das mãos nos quadris, ao passo que a outra ia a sacola amarrada na cintura. Retirei uma maçã vermelha e a mordi, meu estômago chegava a ser bastante barulhento e exigente quando estava vazio.

Mesmo de longe, reconheci o líder dos saldados que gritava ordens para os outros que certamente —não ouviam nenhuma palavra e estavam mais dispostos a descansar em vez de sair correndo por toda a cidade. Meneei a cabeça terminando a pequena maçã em poucas mordidas.

- Amanhã no mesmo horário rapazes? – gritei da ponte bem distante acenando para o grupo, que quando reconheceram minha voz, fulminaram de raiva ao se erguerem para olhar.

- Um dia vamos pegá-la! – berrou um deles. Fazendo um risco na garganta com o próprio polegar, avisando a jovem ladra de sua sentença.

- Você sonha demais, Rowan! – gritei de volta segurando uma gargalhada.

Me virei acenando de costas ignorando, o que de fato, seria uma lista de xingamentos do chefe da guarda real — familiar, porém desnecessário. 

Voltei a caminhar, dessa vez com o dobro de atenção andando pelas ruas. Desviando o percurso discretamente, sempre que via algum homem com o brasão real no peito ( um pavão dourado com o fundo branco) tendo em mente as inúmeras rotas por becos que davam a lugares movimentados ou ótimos esconderijos para fugas, que claramente, se não as tivesse, me levaria para morte certa.

***

Parei em um beco silencioso e solitário, me escondi atrás de caixas de madeira empilhadas acomodando-me no chão frio e molhado. Puxei o capuz do rosto e retirei os nós que amarrava a pequena sacola na cintura. Apoiei a cabeça na parede suspirando para olhar o céu azul sem nuvens.

Dentro daquela bolsa tinha duas maçãs e a metade de um pão velho, aquilo deveria bastar para a refeição de amanhã ou até mesmo o jantar de hoje. Alimentar quatro era difícil, ainda mais em pensar no novo membro da família que logo chegaria, era uma notícia um tanto desesperadora para pessoas como eu. Já que era graças a mim, que minha família não havia morrido de fome nos últimos anos.

Meu pai, por outro lado, na época em que trabalhava para manter no máximo três refeições por dia em casa, não o fazia mais. Albert era um ótimo ferreiro, forjava armas para o palácio e na infância, me lembrava do que era ter um pouco de paz e tranquilidade. E até mesmo com o tempo, as circunstâncias da vida tinha o hábito de tirar pedacinho de minha felicidade. Iria fazer três anos desde que minha amada avó havia falecido e algum tempo depois da morte de Margareth, meu pai nunca mais foi o mesmo. Uma tragédia após a outra. Não aguentei ficar de braços cruzados enquanto minha família perecia diante dos olhos, não depois que outro incidente acontecera com meu pai e desde então, ele mancava de uma perna após uma dívida não paga.

Virei uma ladra apenas com quinze anos e atualmente com dezoito anos ( quase dezenove na verdade) a fama de ladra intocável havia se espalhado, não só pela fortaleza vermelha mas também por reinos a fora.

A criminosa que se tornou o atual problema do rei e o motivo para o estresse de seus pobres nervos. Desse modo, meu rosto estava desenhado em vários cartazes de procurados pela cidade a mandato do barrigudo mal criado —o rei, do qual costumava chamar— fazendo questão de todo ano, aumentar o valor de minha captura.

Eram tolos! Fazia dois anos que Edgard havia ordenado que qualquer guarda, assim que me visse, sem hesitar, poderiam me prender e mandar para a forca o mais rápido possível.

Bom... Os planos do rei não tinha dado certo, visto que, nenhum dos cabeças de ventos foram espertos o bastante para conseguir me apanhar nós últimos meses. Apenas notei o número de guardas aumentando no primeiro ano — desde que minha cabeça fora colocada como um punhado de moedas douradas para qualquer alma decidida a mudar de vida, não só para a dor de cabeça dos sentinelas do palácio, mas também para alegria dos caçadores de recompensas.

Sempre estava acostumada com um plano B, ou o alfabeto inteiro se o segundo não desse certo. Ninguém jamais, havia chegado perto de me levar a forca antes e não seria agora, principalmente agora, que isso iria acontecer.

Já no fim do dia, a feira se esvaziava a medida que as barracas iam sendo desmontadas. Os mercadores estavam ocupados demais para notarem um ínfimo roubo dos estoques, seria fácil de mais e quando terminasse, estaria com a sacola e os bolsos abarrotados e ainda teria mais uma maçã para a viagem. Nada mal para poucos minutos de trabalho. A multidão se movia com uma corrente humana e me deixava ser levada, como uma folha qualquer que seguia a correnteza após cair em águas movimentadas. As pequenas mãos ágeis entravam e saíam em um só gesto, sempre toques rápidos. Algumas moedas de prata de um homem, a pulseira delicada de uma mulher, nada muito grande. Os aldeões estavam acostumados de mais com o fluxo para notarem os itens perdidos.

As altas construções sobre a fortaleza vermelha que dão nome a cidade, erguem-se ao redor, três metros acima do solo lamacento avermelhado. Na primavera a margem do rio ao leste costuma ficar alagada, mas estamos em pleno verão, onde a insolação e a desidratação afligem cada buraco do lado sul de Earlling. Mas graças aos deuses, chuvas repentinas costumavam refrescar as cidades e o verão esse ano não se mostrou terrivelmente abafado como nos anteriores.

Minha mãe, lembrei-me, me mataria se soubesse que roubava e ela iria fazê-lo – pelo menos, me daria um bom açoite. Quando Cassandra me bateu pela primeira vez, tinha apenas sete anos e aquele foi o verdadeiro momento em que perdi a alegria de viver. Até então, o mundo havia sido um lugar bom, amável, divertido e depois disso nada tinha voltado a ser seguro. 

Mas ainda consegui agarrar a esperança de um futuro onde conseguiria me afastar dela. Agora... eu era mais velha e tenaz e ainda assim, aquele sonho me corroía por dentro.

***

No fim da rua, no cruzamento da Shester com a Breelook, mais aldeões se juntavam e a multidão aumentava. Um bando de moleques – ladrõezinhos inexperientes em treinamento — se moviam pelo tumultuo com os dedos pequenos e grudentos. São jovens demais para serem bons nisso e os seguranças logo interviam. Normalmente, as crianças pegas roubando eram colocadas no tronco ou para a cadeira no entreposto. E os seguranças se contentavam em dá umas boas surras e deixar os ladrões irem. Pequenos gestos de bondade.

Na época em que foi pega, uma única vez, quando tinha a mesma idade que aqueles moleques foi severamente punida. O chefe da guarda daquele ano, não levou em conta minha idade quando resolveu me açoitar pelo roubo. O Sr. Castner era um homem cruel e perverso, pois não me poupou de um sermão, muito menos da pior surra que agora costumava lembrar sempre que via as marcas.

A cicatrizes nas costas me fazia lembrar daquela terrível noite e odiava a mim mesma pelo monstro que ele havia me obrigado a se tornar. Costumava ter pesadelos em noites tempestuosas, lembrando-me do dia em que tirei a vida de um homem.

Tinha apenas quinze anos quando me tornei uma assassina, me lembrava com clareza de cada detalhe no rosto de John enquanto a vida se esvaziava de seu corpo, enquanto ele me fitava, me amaldiçoando pelo o que eu tinha lhe feito. O Sr Castner fora encontrado no dia seguinte em seu escritório olhando para a sacada, com um punhado de amoras negras nas mãos e a boca cheia de uma mistura de saliva e sangue escorrendo para fora dos lábios gélidos.

Na mesma noite em que me arrastei ressentida para casa andando pelas trilhas da floresta que levava ao vilarejo para fora da cidade, debrucei a única refeição do dia em uma clareira e passei metade da noite chorando pelo o que tinha feito. Nunca tive coragem de falar isso para ninguém, nem mesmo para meu pai, que foi o único que notou o semblante triste em meu rosto rosado. Sei que devia ter contado. A ele, ou outro de minha confiança. Mas não tive coragem. Simplesmente não consegui. Afinal, qual seria a filha que teria coragem de falar a própria família que havia matado? Que havia sofrido minutos em uma estaca amarrada como um animal no abatedouro, implorando para que parassem... Só por ter roubado uma boneca feiosa de pano, pelo simples fato de não ter uma amiga? Esse dia nunca chegaria. Jamais.

O dia de jogar as cartas na mesa e falar a verdade nunca viria. Não por medo, mas sim por vergonha. Vergonha por presenciar o olhar de decepção da minha mãe — que não era novidade— irmãs e pai, era arrebatador. De roubar e lançar o sobrenome da nossa família ainda mais no poço coberto de lama era mais do que eu poderia suportar.

Anos depois, a culpa de manchar as mãos de sangue me corroía, como uma traça que devora tecido pedindo por mais e mais. Por mais sangue....

Agora, eu carregava um horrível passado e por causa disso, comecei a viver uma vida amarga. Guardei esse segredo como se fosse um baú acorrentados com vários cadeados impossíveis de se abrir, impossível de ser quebrado. E se fosse por mim, levaria meus próprios demônios para o túmulo assim que morresse e não questionaria meu julgamento se fosse mandada para os portões da eternidade ou para a escuridão do esquecimento.

A menor pressão em minha cintura me fez virar para trás por instinto. Agarrei a mão tola o bastante que tentaria me furtar, apertei tão forte para o diabinho não conseguir escapar. Mas em vez de um moleque mirrado, me deparou com um rosto sorridente.

Gidion Hovard. Um ótimo pescador, um perdedor de apostas e provavelmente meu melhor amigo — meu único amigo depois do acontecido. Quando pequenos costumavamos brincar de lutinhas, mas agora que estávamos mais velhos e Gideon tinha uns trinta centímetros a mais, procurei não arrumar disputas.

-Você está mais rápida – ele riu se soltando.

-E você mais lento. – disparei.

Ele fez uma cara de tédio como resposta.

- Soube dos problemas que você causou hoje de manhã – disse Gideon, me acompanhando até entrar em uma rua deserta. – e só para avisá-la, o dinheiro para sua captura aumentou.

Sorri para ele e algo naquele sorriso fez o estômago de Gideon embrulhar.

- Tsc, tsc, Clary – ele provocou. – essa não é a reação que eu esperava. – começou ele, se segurando para não levantar o tom de voz. - Pelos deuses mulher! Você vai morrer, seja pela forca, ou por algum mercenário que deseja o dinheiro de sua cabeça. Você não pensa em sua família?

- Tudo o que faço e por eles, e sim, eu tenho em mente o motivo de minha ruína.

Nisso, eu já caminhava a passos rápidos quase correndo, e Gideon obrigou as pernas a acompanharem meu ritmo. O andar gingando “passos de marujo” como ele chamava, embora nunca tenha estado em alto mar por muito tempo, o pouco produziu algum efeito.

O pai de Gideon morreu quando ele era pequeno e a mãe dele fugiu logo em seguida deixando dividas, abandonando o garoto a própria sorte ( Gideon tinhas apenas dezesseis anos naquela época). Ele quase morreu de fome e nos primeiros anos, o alimentei, só para não ter que enxotar mais uma pilha de ossos o tempo todo. Hoje, dez anos depois, aqui estava ele, vivo e se tornara um homem que os pais teriam orgulho. Pelo menos ele tinha um trabalho e o avô havia lhe dado um emprego.

As sombras ao redor escureceram a medida que subimos os degraus de pedra rumo ao topo da montanha. Gideon ia de dois em dois e quase me deixou para trás, mas ele se deteve e esperou, sorrindo com malícia tirando uma mecha do cabelo castanho de seus olhos verdes.

- As vezes me esqueço que você tem pernas pequenas.

- Calado! – disse rapidamente, dando-lhe um tapinha no braço ao passar.

Ele deu uma risada alguns degraus atrás.

- Você está com um humor terrível.

- É que eu odeio ser perseguida por malucos raivosos em plena sexta-feira.

-Eu sei – ele disse sério pela primeira vez. – é que...

Não consegui ouvir o resto da frase, seja lá o que Gideon tinha a dizer, pois a voz do rapaz morreu assim que outro tom de voz atrapalhou a conversa.

- Não a para onde fugir pequena ladra – ronronou a voz de Rowan, chefe da guarda real.

Meu rosto empalideceu quando vi um grupo bem maior que hoje de manhã atrás de Rowan, todos armados, apresentando sorrisos orgulhosos como se tivesse acabado de ganhar na loteria assim que colocaram os olhos em mim.

- Eles não cansam nunca? – murmurou Gideon, meneando a cabeça para o grupo de sentinelas.

Minha única resposta foi um resmungo nada educado.

Antes que pudesse me dá conta do que já tinha feito, votei a correr com Gideon bem do lado e para terminar o monótono dia, se via com quase um exército de guardas atrás dispostos a levar-me a morte e se descobrissem — de compras diárias que carregava no momento, e a maioria roubada ainda por cima — seria mais um motivo para me arrastar para atrás das grades.

- Eu tenho que me aposentar dessa vida!!– gritei, correndo o mais rápido que podia.

- Tão experiente e jovem no ramo e já quer desistir? – ironizou Gideon, com um sorriso afetado.

Cheguei em um muro no fundo do beco e sem parar, cravei os dedos em duas fendas e comecei a subir. As mãos e pés se moviam rapidamente, subi uns bons vinte pés até o topo. Já corria por ruas movimentadas com Gideon a frente, enquanto o grupo de guardas preparavam suas pistolas.

- Faremos um brinde a sua aposentadoria, minha amiga – prosseguiu Gideon. — mas devo avisá-la que os cavalheiros atrás de nós ficariam decepcionados com seu pronunciamento repentino.

- Estou tocada com o sentimentalismo – se eu não estivesse com os braços em um movimento ritmei-o da correria, teria colocado uma das mãos no peito e dramatizado como sempre fazia. — mas acredito que eles não ficariam tão desapontados e sim aliviados.

Olhei para trás, bem na hora em que vi bem uns cinco saldados, apontarem as pistolas para os ratinhos fujões — Gideon e eu na verdade — e dispararam. Não tive nem um segundo para gritar, se protejam, pois já tínhamos nos separado e a gritaria e o pânico cercou a rua principal pela barulheira das pistolas.



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