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História Coração De Vidro ( Vol1) - Capítulo 8


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Notas do Autor


Oiê gente, como estão todos? Caros leitores?
Próximo capítulo, na terça!! Fiquem espertos!! (As 18:00 ou 18:30.)

Tenham uma boa leitura pessoal. 😘💓

Capítulo 8 - Capítulo cinco


Fanfic / Fanfiction Coração De Vidro ( Vol1) - Capítulo 8 - Capítulo cinco

Entramos em uma rua escura sem movimento, guiados pelas luzes dos postes de iluminação. Paramos de frente a um muro alto de pedra. Guardei a moeda, arrumei o sinto que segurava as calças e comecei a subir, assim que cheguei no topo me agachei para vê-lo, pois parecia pensativo em fazer o mesmo.

- A vida piores. Não lamente por mim. – aconselhei com serenidade. – volte para casa, pessoas como você não costumam sair vivos de territórios Escraals se passarem um noite andando por aí perdidos.

Para minha surpresa, ele começou a escalar, não tão ágil e rápido quanto eu com experiência em subir muros. Mas se senta perto de mim, respirando com dificuldade.

- Ali – digo apontando para a ponte de pedra, antes que ele começasse a reclamar do cansaço evidente. — se passar por a ponte e continuar andando em direção ao norte chegará a Goldenton. Se por acaso se perder, peça instrução a algum sentinela, a maioria deles reforçam a segurança ao redor da cidade nessa hora.

- Obrigada – ele forçou a dizer.

- A propósito, meu nome é Claryssa Welderthorn.

Ele virou o rosto para mim. Aqueles olhos azuis encontraram os meus, não estávamos tão perto, mas fiquei com receio quando senti aquele calor estranho mesmo sem seu toque. Experimentar aquela sensação me fizera repensar, se literalmente os olhos são o espelho da alma, e se realmente era, é o que eu via e provavelmente ele também.

Ele era bonito, lindo na verdade. Tudo ao seu respeito irradiava uma graça natural de autoridade, frieza e bem no íntimo, um toque de bondade. Os olhos dele brilharam com interesse enquanto me olhava, ele respondeu:

- Nickolas Ghagenvier. – Disse sorrindo.

Me afastei um pouco para o lado e saltei para frente, aterrissando em um carroça cheia de feno, sai de lá e fiz um gesto para que ele descesse. Distância. Era isso que eu iria manter. Ele me traria grandes problemas, então quanto mais longe, melhor para minha segurança. Entrei em um estábulo e deixei a moeda que havia ganhado na mesa do velho gorducho como recompensa por ter tratado bem de Meddie, Nicholas ainda me seguia, subi em cima da égua e ergui uma das sobrancelhas incomodada.

- A algum problema Sr Ghagenvier? – falei sem ânimo.

- Posso lhe propor um acordo? -

- Não sei... — falei hesitante. – se for algo que possa me propor benefícios sem me levar direto para prisão, talvez eu possa pensar com carinho em sua proposta.

Ele sorriu para mim por mais um segundo, eu jamais vi ninguém tão lindo e nunca senti tantos alarmes na cabeça por causa disso.

- Prisão – ele sussurrou a palavra.

Pisquei uma e depois outra sentindo meu rosto ficar pálido e frio. Eu deveria ter ido embora. Fechado a boca.

- Você está se sentindo bem? – Nickolas deu um passo em minha direção, parecia está preocupado.

Não sei como, mas concordei depois de respirar fundo ao fechar os olhos.

- Gostaria de vê-la outra vez e se aceitar, ficarei extremamente feliz em ajudá-la.

- E qual seria o motivo de eu ter o interesse em encontrá-lo de novo? – rebati com arrogância.

Para minha surpresa, ele riu baixo.

- Será um acordo que lhe trará muitos benefícios, eu lhe garanto – ele enfiou as mãos nos bolsos, parecia tranquilo, tranquilo demais. – e enquanto ao resto, não se preocupe. Encontre-me nos portões de Goldenton amanhã, negociaremos os detalhes.

Semicerrei os olhos desconfiada e então falei, de um modo sutil, educado e ameaçador.

- Estarei lá Nickolas, terá minha palavra. Mas devo avisá-lo com antecedência que se fizer algo, qualquer coisinha que possa me causar empecilhos, você terá grandes problemas.

Ele meneou a cabeça concordando, entendendo cada palavra. A ameaça.

- Tenha um boa noite, Claryssa. – os olhos de Nickolas pareciam brilhar com um toque mortal.

- Você também. – falei, o mais inexpressivamente possível.

Travei o maxilar e fui embora. Lutando contra a curiosidade de olhar para trás.

***

A casa estava escura e silenciosa, mas mesmo assim tremo de frio. O inverno está chegando, e as noites tem ficado cada vez mais difíceis. A manhã parece está a cem anos de distância, parte de outra vida em que foi idiota, inconsequente, egoísta e talvez um pouco feliz.

- Você não deveria chegar tão tarde. – a voz do meu pai saiu da pequena sala ressoando em meus ouvidos. Faz tantos anos quem nem lembro mais da última vez que o vi em pé, apoiando levemente o corpo na bengala. Minha voz se exalta de susto e medo.

- Pai? O que está fazendo em pé a essa hora? Como você...?

Antes de eu terminar, ele aponta para a lareira apagada, com um pouco de lenha que havia trazido do lado de fora. Era a primeira vez que eu havia visto seus esforços, desde aquele dia.

- Sua mãe está com frio. Pensei em ligar, já que você estava demorando demais para retornar. — ele diz rouco.

Ele passa por mim, arrastando a perna para diante da lareira apagada. Meu pai estava ofegante, seu peito estala a cada respiração. Talvez um dia eu me torne como ele: a mão, coberta de calos e cicatrizes, o coração, despedaçado e amargurado por causa do que poderia ter acontecido em uma noite.

- Por que não pediu para uma das meninas fazerem isso?

Sua resposta é se sentar no chão e começar a empilhar a madeira entre as cinzas da lareira.

- Não queria incomodá-las. – Albert suspira.

Ambos olhamos para a lareira, sem assunto, sem querer sair, sem querer voltar lá para cima. Meu pai fugiu, assim como eu. Não suporto está no mesmo cômodo com minha mãe e irmãs reclamando e chorando pela vida desgraçada que vivíamos, lamentando dos sonhos perdidos, enquanto eu não tentava fazer o mesmo.

Albert começa a acender um fósforo atrás do outro sem conseguir ligar a lareira, como se o desespero de repente fosse capaz de trazer de volta a luz, o calor e a esperança. Meu pai começa a ficar irritado e aos poucos a raiva se transforma em ódio, não por mim, ou minhas irmãs. Mas pelo mundo. Há muito tempo ele havia nos chamado de girassóis de alegria, flores que o fazia sorrir sob a luz de um sol injusto. Destruídas pela grandeza dos outros, quase derrotadas pela nossa maneira de existir, por que não éramos especiais. Não tínhamos dons e habilidades natos como os nobres, além de nossa imaginação limitada. Permanecemos as mesmas, presas e fadadas a um futuro cruel. O mundo estava mudando, mas continuamos as mesmas.

A raiva também toma conta de mim: xingo o rei, as leis idiotas, cada odiado orelha pontuda na cidade e a mim mesma. Perco a cabeça e me lanço a tarefa de achar mais alguma coisa que possa aquecer a casa, e provar ao menos que sei fazer mais alguma coisa do que só roubar nesse mundo tão torto. Encontro uma lamparina e consigo acendê-la, volto a sala sendo seguida pelo olhar do meu pai, e logo, a lareira ressuscita.

- Finalmente. – resmunga ele.

Meu pai se levanta e volta a andar em direção a escada, ando atrás dele, calada, sem vontade de mencionar o motivo de ambos estarmos com tanto medo do lugar que chamávamos de lar.

- Chega de fugir – meu pai suspira, olhando para o alto da escada.

- Chega de fugir – concordo, mais por mim do que por ele.

Ele começa a subir devagar e com dificuldade, a madeira velha que a escada foi feita geme pelo peso, assim como toda a casa em noites tempestuosas.

- Mamãe ficaria feliz por você ter se esforçado.

Ele crava os olhos em mim e segura minha mão para ter apoio para subir. Embora meu pai tenha se acostumado a não fazer muito, suas mãos calejadas era a prova do seu trabalho — as vezes ele concertava bugigangas para crianças quando minha mãe e irmãs estavam ocupadas com a casa — suas mãos ainda ásperas, lembrava dos dias em que era ferreiro.

- Não conte a sua mãe.

- Mas...

- Sei que não parece nada, mas ela vai pensar que isso é um pequeno passo para uma grande jornada, entende? Primeiro saiu de casa, depois vou a feira como a vinte anos. Então as coisas voltam a ser como antes.... —Seus olhos escurecem enquanto ele fala. Meu pai luta para manter a voz baixa e constante. - Nunca vou ficar bom, Clary. Nunca vou me sentir bem. Não posso e não vou dá esperanças a ela quando sei que nada vai melhorar. Você entende?

Bem demais pai. Ele sabe o que a esperança fez comigo e ameniza o tom.

- Queria que as coisas fossem diferentes.

- Todos nos queríamos. – falei.

***

Logo cedo retorno a Goldenton, não estou de frente ao portão, mas o tinha sob a vista. A essa hora ele está fechado, apenas abrindo e fechando para os nobres que iriam viajar para reinos vizinhos e para aqueles tolos que queriam se aventurar em bairros Escraals em busca de bebidas e prazeres.

Em uma esquina observo o movimento que ia e vinha, eu usava as roupas de sempre para proteger minha identidade de guardas que poderiam me reconhecer, usava um capuz, um sinto fortificado para segurar o trio de facas na cintura e só por precaução, carregava a arma de carvalho vermelho preso a bota, não me arriscaria andar desarmada durante esse dias — não sabendo que poderia dá de cara com um orelha pontuda a qualquer hora. O portão se abriu e vi Nickolas passar, estava com roupas mais simples que a noite passada e ao analisar seu rosto perfeitamente esculpidos por anjos, notei que havia bolsas de baixo de seus olhos e manchas roxas ao redor. Ele não havia dormido bem na noite passada, mas foi capaz de segurar a língua quando o saldei.

- Bom dia.

- Bom dia – sorriu de maneira enviesada.

- Como meus serviços podem ajudá-lo, Sr Ghagenvier? – Pergunto cruzando os braços.

Para minha surpresa, ele exibiu mais um sorriso cansado e pude jurar que algo em meu peito deu um pulo quando ele falou:

- Nada que possa me ser útil.

Trinquei o maxilar irritada, suspirei pesadamente procurando por qualquer gota de paciência para não descer ladeira a baixo rezando aos deuses enquanto caminhava, para nunca mais vê-lo por ter-me feito perder tempo.

- Bom... foi um prazer conhecê-lo. – Foi tudo o que consegui dizer, forcei um sorriso, obrigando minhas pernas a andarem para o lado oposto.

Nickolas se apressou em me seguir.

- Aonde pensa que vai?

- Para o mais longe possível de você – deixei escapar. — está me fazendo perder minutos preciosos.

- Nem comecei a falar sobre o acordo. Você poderia simplesmente me ouvir? – Nickolas começou a caminhar atrás de mim sem saber o que fazer com meu mau humor em plena manhã.

- Por quê eu o ouviria? – falei um pouco mais baixo, parando exatamente em uma esquina para me assegurar que o trajeto estaria limpo e seguro de qualquer segurança. – Primeiro, me arrisquei demais vindo até aqui e estou tendo muita sorte até agora – sussurrei quase perdendo o equilíbrio, quando Nickolas havia freado os pés tarde demais e seu corpo colidiu de leve com o meu. — e segundo, - cutuquei seu peito duas vezes o fazendo recuar e esbravejei. — você ainda vai me levar a morte, seu menino rico e mimado!

Nickolas cruzou os braços, marcando os músculos que imaginei serem definidos por trás da blusa branca, os olhos, azul glacial, me fuzilava — desejando muito a contra gosto, me xingar como eu havia feito — mas ele manteve a postura firme lembrando-se da educação que ganhará ao longo da vida. Nickolas se inclinou para frente, com os olhos semicerrados e sedutores, dizendo:

- Como disse?

Fiquei perplexa com a investida dele, mas ainda assim consegui murmurar, de uma forma bastante desafiadora:

- Sr Ghagenvier, você não me parece um homem surdo, aposto que ouviu cada palavra.

Ele me ofereceu um irresistível sorriso de lado.

- Sua gentileza me fascina.

Dei a ele um sorriso inocente.

- A maioria das pessoas me considera um grande exemplo de amabilidade e bondade.

- A maioria que está se referindo, são tolas – disse Nickolas de forma abrupta.

Inclinei a cabeça para o lado, claramente pensando no que ele disse. Então suspirei.

- Terei que concordar com o senhor, por mais que me doa.

Nickolas conteve o riso.

- Dói concordar comigo ou o fato das pessoas serem tolas?

- Ambos – respondi, sorrindo de novo, um sorriso largo e encantador que mexia de uma forma curiosa com a cabeça dele. – mas principalmente, o primeiro.

Nickolas gargalhou e então ficou espantado ao se dar conta de como aquele som esquecido era estranho ao seus ouvidos. Era um homem que raramente sorria e dava risadas as vezes, mas fazia muito tempo desde a última vez que sentira uma explosão espontânea de alegria.

- Minha cara Claryssa -disse ele, secando os olhos. – se você é um exemplo de amabilidade e bondade, o mundo deve ser um lugar muito perigoso.

- Ah, certamente – tive que concordar e então resmunguei, assim que reconheci Rowan sobre o ombro de Nickolas no final da rua, distante por exatamente quatro metros de nós.

- Você o conhece? – Nickolas quis saber, seguindo o olhar na mesma direção.

- Para o meu azar, sim – engoli a seco, logo que os olhos do segurança se cruzou com os meus, mudando drasticamente para algo misturado com raiva e surpresa.

- Me apresente ele – pediu Nickolas, de forma simpática. – gostaria muito de conhecê-lo.

E foi só então que percebi que tinha prendido o ar nos pulmões, olhei para Rowan e depois para Nickolas, novamente para o rapaz e em seguida o guarda bem distante, pois mudou a caminhada matinal para a imprevista correria assim que me reconheceu. Fiquei pálida assim que notei que uma de suas mãos estava posta na espada e o rosto pronto para esbravejar com uma fúria peculiar quando disse:

- Clary!!

- Droga... – xinguei baixinho, pálida demais.

Nickolas ficou sem entender o motivo do homem está correndo em nossa direção e apenas fez uma careta estreitando a sobrancelhas para mim, como se nunca na vida tivesse ouvido uma mulher xingar. Não tive tempo de mostrar delicadeza ou educação quando agarrei o punho dele obrigando-o a correr, e pude jurar que ele se perguntava se eu havia enlouquecido.

- Por quê estamos correndo?!! – falou ele, sem entender o motivo de estarmos fugindo.

- Apenas corra!! – berrei quase entrando em pânico.

Entramos em uma rua quase vazia, havia uma tenda solitária com frutas em frente à uma padaria a quase dois metros e não parei para desviar, apenas joguei uma das caixas para atrapalhar o percurso de Rowan que não parava de apitar pedindo para que parássemos. Um misto de laranjas e maçãs saltaram, atrapalhando o segurança, voltei a correr quando cheguei a praça, Nickolas havia diminuído a velocidade quando percebeu que estava sozinho. O avistei em um local não muito lotado perto do chafariz, esticando o pescoço entre as várias pessoas a procura de alguma familiar, apenas prossegui no mesmo ritmo ao agarra-lo de novo e já exausta gritei:

- Me siga! E não se perca.

Ele pareceu surpreso, mas obedeceu em silêncio. Passamos pela rua principal e a feira, parando em frente a uma rua fechada. Pessoas e mais pessoas andavam de lá pra cá do outro lado do beco, presos a sua vida monótona.

- Temos um problema – Avisou Nickolas, olhando o muro de pedra que se erguia entre duas casas bem a nossa frente.

Ignorei seu desespero e comecei a escalar, cheguei no topo ficando em pé olhando para a multidão do lado de fora do beco e entre a tantas conversas e barulho de varias pessoas, ouvi um ruído de apito entre a multidão, mas tentei manter a calma.

- Suba – Pedi.

Não olhei para Nickolas pois imaginei que ele estivesse me encarando como um imbecil. O barulho de apito estava ficando mais perto.

- Agora! – ordenei.

E mais uma vez ele ficou com a irritante sensação de está apreciando minha aflição sem entender nada.

Ele subiu e assim que Rowan apareceu no meu campo de visão apresentando um sorriso vitorioso por nós encontrar, estendi a mão para Nickolas com o intuito de ajudá-lo, mas acabei me desequilibrando e caímos para trás. A única coisa que me lembro antes de cair, foi o sorriso de Rowan se desfazendo para gritar outro “droga”, um grito feminino e escandaloso— que particularmente saíra de mim— e o rosto de puro pavor de Nickolas, que sem querer, perdeu o equilíbrio graças a minha agonia em livrá-lo de tudo aquilo.

Caímos em cima de um pilha gigante de feno em uma carroça do outro lado — graças aos deuses— o cavalo relinchou em protesto pelo peso extra, mas não se assustou e correu como a maioria fazia.

Primeiro veio a dor e depois os olhos azuis que brilhavam por contra própria. Urrei e gemi de imediato, senti as mãos apressadas de Nickolas me apalpando a procura de algo quebrado, seus olhos estavam fixos nós meus, seu rosto a poucos centímetros do meu. Tudo aquilo parecia uma avaliação médica, ele me olhava com preocupação como se realmente se importasse.

- Fique parada – disse ele, mas aquilo não foi um pedido.

A única coisa que fiz foi corar ao seu toque, voltando a sentir aquele calor estranho, levei apenas um instante para me dar conta de que todas as pinturas e estátuas mais belas não chegavam ao seus pés. Mas, qualquer que fosse o caso, foi tomada pela rabugice franzindo a testa quando perguntei com dificuldade:

- Poderia sair de cima de mim?


Notas Finais


Comentem bastante, oq acharam desse capítulo?


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