História Coração Púrpura - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Angst, Deathfic, Leve Depressão, Taekook, Twoshot, Vmin
Visualizações 27
Palavras 4.026
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shonen-Ai, Violência
Avisos: Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Agora Todos


— Quer dizer, não é como se eu odiasse ela. Eu só... — Jimin olhou ao redor, pensando nas palavras certas e menos ofensivas possíveis. — Acho ela parecida com um zumbi, sabe?

Taehyung deu uma risada, se divertindo com a comparação. Tinha perfeita consciência de que essa era a opinião geral, só era um pouco maldosa. Não significava que não era verdadeira. A professora era realmente entediante e o fato de sua matéria também ser não colaborava. Pessoas que gostam de português são estranhas. Deu "play" no vídeo que assistia sobre Undertale, observando o amigo fazer uma atividade escolar atrasada qualquer. Felizmente, não precisava se preocupar com esse tipo de coisa. Diferente dos outros dois, ele fazia a tarefa de casa em casa.

— Ei, Jungkook. Fora essa página, o que falta para fazer? — Perguntou Park sem desgrudar os olhos do papel, mas não recebendo resposta. — Jungkook? — Olharam para o mais novo ali e o viram já completamente focado na música que saía de seus fones de ouvido. Aquilo se tornara estranhamente comum ultimamente. — Jeon Jungkook! — Nada. — Tira o fone dele.

— O que foi?! — Perguntou irritado ao ter seu “transe musical” interrompido por Kim.

— Socializa mais, meu Deus. — Disse Jimin, revirando os olhos pelo tom irritadiço do outro.

Jeon dispensou a conversa falando que estava ocupado fazendo a atividade — como se ele realmente ligasse para isso e não estivesse escrevendo qualquer coisa que tivesse a ver com o assunto — e recolocou o fone, não escutando o suspiro pesado do único que não falara nada esse tempo todo. Jungkook sempre foi muito pavio-curto, essa não era a novidade, e muito menos o problema. Ele até ficava fofinho quando bravo e lembrava uma garota tsundere de anime. Mas, nos últimos dias, sua paciência tem sido tão resistente quanto uma fina folha de papel, e uma pequena gota d'água era suficiente para destruí-la. E então ele explodia e se afastava por um tempo, depois voltando, fingindo que nada aconteceu. E, como bons amigos, Park e Taehyung o perdoavam, mesmo que ele nem mesmo se desculpe. Porém, isso vem especialmente preocupando o segundo. Sente que algo está errado com seu coelhinho, entretanto, sem maiores pistas, força sua mente e seu coração a relaxar.

Mesmo olhando para o celular enquanto o vídeo rodava, Kim não prestava atenção. Nem mesmo reconhecia o que começara a passar graças à lista de reprodução automática. Já estava perdido em seus pensamentos. O que aconteceu? Por que estavam tão distantes? Essas poderiam ser as principais perguntas de sua mente, entretanto, sabia das respostas. Todos os três sabiam, apenas escolhiam ignorar o problema que claramente se instalara. Desde que Jin resolveu passar mais tempo com Jung Hoseok e seu grupo, a panelinha dos quatro amigos se dispersou. Taehyung chamava o acontecimento de "A Cisão", em referência ao ocorrido em Desventuras em Série, uma de suas séries literárias preferidas. Nos livros, a organização CSI se repartiu entre os que escolheram permanecer honrados e os que sucumbiram à vilania. Quase o mesmo aconteceu com eles. A diferença é que, tecnicamente, não havia um lado certo ou errado. Com a Cisão, Taehyung e Jimin se aproximaram e se tornaram melhores amigos inseparáveis, e Jin e Jungkook se afastaram e se juntaram a Hoseok. Não era culpa de Seokjin, óbvio. Ninguém realmente o culpava. Sua saída foi simplesmente o estopim. Todos já sabiam que, cedo ou tarde, iriam acabar separando-se. E acabou sendo cedo. Além de que, mesmo sem ele, se o grupo sentisse vontade de continuar unido, ele teria. Mas não foi o que ocorreu. Algumas vezes, Jeon até estava presente enquanto Park e Kim conversavam durante o intervalo, porém, permanecia em tamanho silêncio que passava, muitas vezes, despercebido. E quando tentavam integrá-lo ao assunto, ele recusava, assim como acabou de acontecer.

Infelizmente, alguns minutos depois da tentativa falha, Jungkook já havia sumido de seu lado para sentar com Jin e Jung. Não entendia como eles conseguiam suportar o segundo, e muito menos seu grupo de seguidores que sempre estavam por perto. É, seguidores, não amigos. Tinha certeza de que metade das pessoas ali gostavam de Hoseok de forma não platônica, e ele não gostava de nenhum de volta, mas os mantinha por perto para amaciar seu ego gigante, e a outra metade não conseguia o suportar, contudo, o seguiam porque é melhor estar com ele, que contra ele. Ouviu Jimin ao seu lado falando "tenho que fazer essa tarefa" com uma voz propositalmente mais grossa e idiota, provavelmente imitando a afirmação feita por Jungkook, e logo abaixar a cabeça de novo. Taehyung, porém, demorou para voltar sua atenção ao celular. Sustentou o olhar preocupado mais um pouco no mais novo, as sobrancelhas franzidas de leve e os olhos apertados. Ele parecia realmente feliz no meio daquelas pessoas. Mais do que quando estava consigo.

 

〖 • • • 〗

 

Taehyung atravessava a rua em passos contentes e despreocupados, quase incapaz de sentir o peso da mochila em suas costas, o que era algo bem difícil de ser feito. Antes de tirar o pé da calçada, avistara Jungkook usando o celular sozinho no ponto de ônibus onde os dois costumam esperar seus respectivos transportes. Normalmente, ele estava acompanhado de uma garota que era sua vizinha, pois eles pegavam o mesmo ônibus. Ela era bem irritante, na opinião de Kim. Por isso, era um alívio que ela não estivesse presente. Nunca conseguia realmente ficar sozinho com o outro, essa era uma chance de ouro, e não a deixaria passar. Pelo menos, era o que planejava. Duvidava que a realidade fosse funcionar como queria. Nunca funcionava, e a culpa era sempre sua, também.

Caminhou até o banco e sentou-se ao lado de Jeon, cumprimentando-o com um sorriso, mas recebendo uma saudação desanimada e um tanto seca. “Estranho”. Tentou não deixar isso interferir em sua animação, entretanto, sentiu as próprias mãos suando e apertando as alças da mochila. Estava nervoso. “Ah, não”, pensou desesperado. Virava uma perfeita porta tentando se comunicar quando estava nervoso. Como poderia aproveitar a situação, como era seu plano inicial? Podia quase ver sua mente ficando em branco e travando e, por um momento, esqueceu como movimentar a boca para formar palavras.

— O-o ônibus está demorando, não é? — Conseguiu soltar desajeitadamente, rezando para que Jungkook apreciasse sua tentativa de socialização, ou, pelo menos, reconhecesse sua dificuldade extrema no tópico social e o salvasse de sua própria capacidade de passar vergonha e dizer coisas erradas ou sem sentido.

— É, e está tão quente... Eu estou praticamente derretendo. — O mais novo suspirou, abanando a gola da blusa de leve para produzir um ventinho. Não funcionou.

— Sim... ­— Fez o possível para que um silêncio constrangedor não se faça presente entre eles apressando sua cabeça travada. Precisava falar alguma coisa. Alguma coisa. — O-o que você está fazendo?

— Lendo fanfic.

— A-ah. — Droga. Acabara de usar todas as cartas de sua manga.

Seu esforço foi em vão e o constrangimento chegou. A tensão entre eles era quase palpável, e qualquer um que passasse perceberia o quão pesado o ar estava, deixando Taehyung confuso. Afinal, eles não eram quase namorados? Os dois eram, sim, tímidos e tinha dificuldade em demonstrar seus sentimentos, mas decidiram impedir que esse detalhe influencie na relação. Se só fossem capazes de falar sobre assuntos sérios por celular, então o fariam. Se isso já foi decidido, por que encontrar algo para conversar sobre se tornara uma tarefa tão difícil? Não lembrava de ser assim quando eram apenas amigos.

Kim quase abriu a bolsa para pegar seu próprio celular e fingir estar usando, só para tentar diminuir um pouco o constrangimento, porém, o medo de furtos era superior. Era impossível não se preocupar com roubos esses dias. Principalmente em um lugar relativamente deserto como aquele. Também pensou em pegar algum livro para fingir ler, entretanto, seu código de boas maneiras o impedia de ler algo enquanto estava na presença de alguém. Considerava falta de educação, então algo em si o fazia evitar isso ao máximo. Chegou ao ponto de desejar que aquela garota irritante estivesse ali. Ela era obviamente melhor que si em conversar com o seu (quase) namorado. Estava claro o porquê de ele gostar mais dela que de Taehyung. Espere, de onde isso veio? De onde tirou isso? Não. Não era verdade. Não faz nem sentido. Por que Jeon gostaria mais de alguém que sempre faz o possível para estar com ele, para fazê-lo rir, para entretê-lo, que de seu namorado que, na maior parte das vezes, prioriza o melhor amigo e prefere estar com Jimin que com ele...?

O garoto soltou a respiração que nem mesmo percebeu segurar aliviado ao ver o painel luminoso pertencente a seu ônibus. Estava pensando em bobagens. É... Bobagens que sentia que não iriam embora tão cedo.

— Tchau, Kookie! — Disse, levantando com a mochila apoiada em apenas um ombro. Jungkook nem mesmo tirou os olhos do celular. O coração de Taehyung criou uma pequena rachadura.

Quer dizer, ele não precisava lhe dar um beijinho de despedida na testa, lhe chamar de "amor" e falar que vai sentir saudades, mas custava lhe responder educadamente? Senhor. Subiu no transporte, pagou sua passagem e sentou-se em um banco próximo à janela, colocando seus fones instantaneamente. Contudo, a música não conseguia preencher seus pensamentos como normalmente fazia. Não tanto quanto aquelas "bobagens". E será que eram mesmo? Costumava exagerar tudo dentro de sua cabeça, e tinha muito medo de que esse fosse o caso. Talvez Jeon simplesmente estivesse em um dia ruim. Talvez fosse o calor. Haviam milhões de possibilidades, não tinha por quê levar sempre para o pior lado. E mesmo sabendo disso, não conseguia sossegar a cabeça.

Passou um bom tempo olhando para o ambiente exterior, que se movia rápido demais para que conseguisse focar em algo, e nem tentava, a mente longe dali. Observar a vista em um carro em movimento sempre fazia pensamentos virem na mesma velocidade do veículo. Ouviu movimento ao seu lado, mas não se incomodou em ver o que era.  Provavelmente, algum passageiro sentara no banco próximo a si, e ele não poderia se importar menos. Estava ocupado pensando em coisas que não deveria estar. Até que uma voz desagradável e, infelizmente, familiar tomou conta de seus ouvidos, as palavras cortantes como uma faca recém afiada.

— Não adianta se perguntar o porquê do comportamento dele. — Disse, e, mesmo sem se virar, Taehyung já estava ciente de que a pessoa carregava um sorrisinho maldoso no rosto. Não seria a primeira vez. — Afinal, você sabe muito bem por que, não é? Vai me dizer que não lembra daquela aula com o Namjoon? — Sim, ele lembrava disso.

 

『 • • • 』

 

A aula se passava normal, enquanto Taehyung continuava a ignorar tudo que lhe era dito e a escrever uma história cuja se encontrava muito animado para desenvolver. Tinha tantas ideias o tempo todo. Era até difícil de lidar. O professor saiu, mas o garoto só percebeu pelo repentino barulho de conversas que dominou a classe, visto que nem mesmo se deu o trabalho de levantar o rosto. Sua atenção se voltou ao ambiente em que estava, porém, quando ouviu as palavras "informática" e "dupla". “Finalmente, algo diferente”, pensou ligeiramente entusiasmado, se levantando e caminhando com passos impacientes mais rápidos que os do resto da turma. Eles são extremamente lentos quando andam conversando. Ele costumava andar assim. Agora, não havia muito com quem conversar, então, apenas disparava na frente. Acabou chegando antes de todos na sala e sentou-se em uma cadeira qualquer próxima à porta, esperando seu único amigo naquela classe, Namjoon, chegar.

Normalmente, ficaria muito mais animado em ter uma aula em dupla, afinal, estava cansado de permanecer sentado em uma cadeira o dia todo decorando coisas inúteis. Era bem melhor decorar coisas inúteis na frente de um computador e com amigos do lado. Mas desde que foi escolhido para uma espécie de turma especial junto com Namjoon e os outros ficaram nas normais, precisou se adaptar a ficar em silêncio e ter poucos amigos durante as aulas. E isso não era tão ruim, pois ainda tinha o recreio para conversar com seus outros amigos. E também tinha Namjoon. Se tornaram bem próximos graças à necessidade de enfrentar esses momentos de dificuldades juntos. Fazia o possível e o impossível para ver pelo melhor lado. Realmente queria continuar naquela turma. Não por gostar de adquirir conhecimento ou de ser reconhecido pela inteligência — por mais que isso não fosse tão ruim assim —, e sim porque foi o modo que encontrou para deixar os pais orgulhosos de si, visto que não tinha muitas habilidades notórias. Era bom em tirar notas boas, então, se aproveitaria disso.

Foi retirado de seus pensamentos pelo som da porta pesada sendo aberta e fechadas repetidas vezes, com o ambiente, antes calmo apenas com o som do ar condicionado, sendo cada vez mais preenchido de conversas. Acabara se trancando dentro da própria cabeça e não prestando atenção no mundo ao seu redor. Novamente. Sempre pensara demais, alguém próximo a si até já dissera que esse era seu defeito. Mas não podia evitar. Imagine o que aconteceria se parasse de pensar e repensar cada palavra dita e cada emoção sentida. Se desligasse seu filtro. Um caos. Teria certeza de nunca fazer isso. Porém, o maior problema não era pensar em si, e sim o fazer em público, e cada vez com mais frequência. Diversas vezes, no meio de uma conversa com alguém, ele começa a olhar para um ponto fixo e pensar, só percebendo quando alguém chama sua atenção de volta. Já estavam acostumados com o comportamento desligado vindo dele. E todas as vezes que perguntavam o quê tanto pensava, era obrigado a dar alguma resposta idiota, como "em uma terra de unicórnios" ou "ah, eu esqueci". Era algo verdadeiramente incômodo. E, mais uma vez, culpa sua.

Novamente, se perdera na própria mente, voltando para onde fisicamente estava ao ver Namjoon, um dos últimos, passando pela porta. Deu um sorriso disfarçado e olhou para a tela de seu computador, fingindo extremo interesse nas cores do wallpaper e arrancando algumas risadas dos alunos aos seus lados. Possivelmente, de deboche. Porém, talvez isso fosse ser mais divertido que imaginava. A maior parte das coisas era mais divertida que uma sala de aula cheia de, praticamente, desconhecidos. Mas o amigo parecia estar demorando mais que o suficiente para puxar uma cadeira a seu lado. Taehyung olhou ao redor confuso, o avistando sentado no fundo da sala.

— O-o quê? — Murmurou baixinho. Por que ele não sentara próximo a si? Será que não havia o visto quando entrou e achou que ainda estava chegando? — Sim, deve ser isso. — Afirmou, mesmo sabendo bem que não acreditava de verdade nisso, um pouco mais alto que deveria, e sentiu alguns olhares. Tudo bem, já se tornou normal ser visto como um idiota aonde vai. Levantou-se e foi até onde Namjoon se encontrava, puxando uma cadeira e sentando ao seu lado.

Conversaram normalmente enquanto esperavam o resto da turma chegar, e ele acabou esquecendo o assunto por um curto período de tempo, conseguindo se convencer que os óculos do amigo simplesmente precisavam ser trocados. Quando todos estavam devidamente sentados e em silêncio, o professor explicou que a atividade poderia ser em dupla ou individual. O sorriso de Taehyung aumentou. Atividades em dupla eram suas preferida, pois eram divertidas, e não complicadas. Ter a presença de Namjoon era muito importante, também. E eles sempre eram a dupla um do outro. E, mesmo assim, sempre fazia questão de perguntar se o mesmo queria, só para ter certeza. Dessa vez, porém, a resposta mudou.

— Um... Eu acho que vou fazer individual. — Respondeu, parecendo um pouco em dúvida, considerando as opções. Taehyung não esperava por essa, e não sabia como responder.

— A-ah... Tudo bem, então e-eu também vou! H-heh! — Gaguejou, mantendo o sorriso até que o outro se virasse.

Taehyung virou o olhar para a mesa, as palavras do professor borradas e dificilmente alcançando seus ouvidos. Algo estava errado. Primeiro, ele o ignorara na cara dura — sim, sabia que ele havia o visto —, e agora se recusou a fazer dupla consigo. O que estava acontecendo? Seria esse um pedido indireto para que sua amizade chegue ao fim? Esperava poder aproveitar ao máximo sua presença, antes de sua saída da turma especial, algo que sabia que ele iria fazer. O garoto não se adaptou tão bem quanto Taehyung, e queria desistir. Diante disso, não havia muito que podia fazer, fora aproveitar enquanto ainda tinha um amigo naquela classe. E agora nem isso? E por que, de repente? Poderia ser... Poderia ser que Namjoon finalmente se cansou de aturá-lo? Imaginava que demoraria um pouco mais, e, ainda assim, não era uma surpresa. Qualquer pessoa que passasse tanto tempo consigo se cansaria. Se cansaria dos seus hábitos, como se distrair facilmente e levar brincadeiras muito a sério. Como, quando encontra alguém que gosta, faz de tudo para ficar com ela o máximo de tempo possível. Mesmo esperando isso, o pensamento de ter um de seus amigos mais próximos querendo o deixar trouxe lágrimas aos seus olhos, lágrimas essas que não poderiam cair, sob hipótese alguma. Não naquele local.

Secou os olhos com um movimento rápido e o mais disfarçado que conseguia ao constatar que não escutava mais nada parecido com a voz do professor. Isso significava que perdera toda a explicação. Mas não fazia mal, pois já conhecia aquele site, de qualquer forma. Infelizmente, precisava manter aquela fachada de idiota desligado. Apenas a parte do "desligado" era verdadeira, entretanto, mais uma vez, era necessário deixar que pensem dessa forma. Soltou uma risada sem graça — e forçada — enquanto escrevia o endereço na barra de pesquisa.

— Eu nem prestei atenção. O que é pra fazer mesmo? — Perguntou tentando soar divertido, recebendo um suspiro do outro. “Eu sou realmente um fardo grande assim?”, pensou “Ele poderia ao menos tentar disfarçar?”.

No fim, como "castigo", Namjoon resolveu não repetir as palavras do professor, deixando Taehyung supostamente perdido na atividade, não importando quantas vezes o garoto lhe pedia para explicar. Ele poderia simplesmente usar o conhecimento que já tinha acerca daquele site, visto que alunos do próximo ano já lhe contaram sobre ele. Contudo, não podia. Isso estragaria sua fachada. E ele era o culpado pela criação dessa outra personalidade tão diferente de sua verdadeira. Nem mesmo lembrava o motivo disso. Provavelmente porque nerds como si não se encaixavam bem, então apenas começou a fingir ser mais burro que realmente é com algumas pessoas. Isso saiu do controle e, antes que percebesse, sempre usava sua "máscara". Agora precisava arcar com as consequências. Acabou perdendo a aula toda fingindo estar confuso, apenas clicando em opções aleatórias do site, sem verdadeiramente ir a qualquer lugar. Namjoon, contra suas expectativas, não parecia se compadecer com sua "incapacidade" e não dava nenhum sinal de que iria ajudá-lo em algum momento breve.

Quando o professor começou a passar os trabalhos para seu pendrive, a forma mais prática para levá-los para casa, Taehyung não tinha nada para entregar, entretanto, tentou continuar calmo, como se não ligasse muito para aquilo, apesar de valer nota. Teria que se esforçar muito para recuperar. E não estava a fim de passar por tal situação. Como um último recurso desesperado, fez o possível para chutar seu orgulho para um canto bem escondido e ignorado de sua mente e implorou para que o amigo colocasse seu nome no trabalho. Insistiu o suficiente, sabendo que obteve sucesso ao ouvir um ruído feito pelo outro, apenas realizado ao ter chegado ao seu máximo. Namjoon, silenciosamente, escreveu "e Kim Taehyung" no nome do projeto aberto, suspirando irritado enquanto o fazia. Assim, Taehyung conseguiu se livrar de uma nota, muito possivelmente, nula. Porém, antes de ter a oportunidade de agradecer ao amigo por ter salvado seu histórico escolar, ele saiu sem dirigir nenhuma palavra a si.

 

『 • • • 』

 

— É a mesma situação, ela sempre vai se repetir. Mas eu sei que você não está surpreso. — Continuou a pessoa, sorrindo cruelmente ao ver o alvo de suas palavras sendo atingido. — Eu sei tudo que se passa na sua cabeça. Eu sei mais sobre você que você mesmo. Eu sei todos os seus medos. Eu sei como, por exemplo, você tem medo do...

— Cale a boca, Yoongi. V-você não sabe de nada! — Tentou assumir um tom firme, claramente falhando. Como poderia, se não conseguia nem parar de tremer?

— Do momento em que todos cansarem de você e o descartarem como o inútil que é. Jogado direto no lixão. Não é bom o suficiente nem para ser reciclado. Tsc, tsc. E também não pode dizer que seria algo inesperado. Você sabe bem que, no fim, estará sozinho, abandonado por todos que ama. Eles vão perceber que você só está os atrasando, e vão se afastar. Cada um deles.

“Pare de falar! Vá embora! Isso dói...”, Taehyung gritou em seus pensamentos, sentindo a já familiar dor em sua garganta voltar, se fechando fortemente, como se o próprio corpo quisesse matá-lo sem ar, enquanto os olhos se enchiam de lágrimas. No entanto, não poderia soltá-las. Não naquele lugar. Não em público.

— Não, eu não vou embora. Não até que você queira que eu vá. E, você pode até achar que quer, porém, eu te conheço de verdade. — Subitamente, a fala de Yoongi se tornou menos agressiva. Quem ouvisse de fora, até pensaria ser... Carinhosa. — Você sabe que eu sou o único que nunca te deixará. O único que vai estar ao seu lado para sempre. Seu único amigo verdadeiro, e apenas eu sei o que é melhor para você. Quando você for deixado por todos os outros, eu vou estar aqui, de braços abertos. Porque eu me importo com você.

— Você diz isso, mas continua me colocando para baixo e me dizendo coisas horríveis. Como pode falar que se importa comigo? Você só gosta de me manipular para sentir o que você quiser. — O esforço para não chorar, que se mostrou inútil, deixou sua voz mais falha que estava, e era até um pouco difícil de entender o que dizia por entre as pausas e soluços.

— Tudo que eu faço é para o seu bem. Você pode não entender agora, entretanto, mais para frente, isso se tornará claro. E você vai me agradecer, pois vai ver que eu sou a pessoa que mais se preocupa com você. — Yoongi estendeu a mão e acariciou de leve os cabelos de Taehyung. — Eu nunca deixei o seu lado, nem uma vez. Não é isso que significa ser um bom amigo?

— E-eu acho...? — O outro gaguejou, se sentindo subitamente confuso, estranhando o cuidado recebido.

— Então? — Min limpou suas lágrimas com o dedo, colocando os braços em sua volta e o apertando, repousando um beijo em sua testa e acariciando seus cabelos. — Não se preocupe com nada. Eu sempre estarei aqui.

— Garoto? — Uma voz desconhecida o chamou. Parecia distante demais para ser notada por Taehyung, muito focado nos bons sentimentos que aquele abraço estavam o transmitindo. Era surpreendentemente quente, em contraste à pele fria que Yoongi costumava possuir. Não queria soltar nunca mais. — Garoto! — Ela se tornou mais alta e ele começou a ser balançado. E, no segundo seguinte, o sentimento se fora, tão rapidamente quanto apareceu. Tirando o fone e desviando os olhos molhados e vidrados na janela, viu um homem, provavelmente o motorista. Ele era o dono da voz. Até porque era o único presente ali além de si. — O ônibus chegou no fim da linha. Você precisa sair agora.

Kim o olhou apático por um momento, antes de algo dar um "clique" em sua cabeça e ele raciocinar as palavras do homem. Se levantou rapidamente, se desculpando por causar problemas, e saiu apressado. Já não estava tão claro como antes, o final da tarde cada vez mais próximo. Seus pais estariam tão preocupados... Novamente, passara tempo demais pensando, e estava escurecendo. Sentia algo estranho. Era como felicidade por ter falado com um bom amigo, mas um sentimento de apreensão ao mesmo tempo. Como se algo ruim estive prestes a acontecer. Decidiu acreditar que era simplesmente o impacto que a verdade das palavras de Yoongi causava. Sim, poderia acreditar nisso, se colocasse um pouco de esforço.


Notas Finais


É, eu já estou de volta. Viu? Não demorei meses dessa vez, ehehe~
Essa fanfic... Eu acho que acabei colocando esforço demais nela. E ela acabou saindo do jeito que eu queria! Isso é incomum, para dizer o mínimo. Talvez um pouco mais pessoal que deveria? Mas eu gostei.
Ela é baseada em situações reais de um momento bem difícil da minha vida. É uma pena que eu demorei demais para escrever e ele passou. :< Eu espero lembrar o suficiente para o próximo capítulo!

Nota: Eu não sou tão boa em escrever angst, então eu torço para que tenha conseguido algo decente nessa parte?

Capa por: @taeflouers, sempre salvando minha vida <3


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