1. Spirit Fanfics >
  2. Coração Roxo >
  3. "Não é uma lembrança, eu acho."

História Coração Roxo - Capítulo 10


Escrita por:


Notas do Autor


Meu... Deus. 45 favoritos....
Gente, como é que vocês gostaram dessa fic??? HUAHAUAHUAHA

Vamulá, próximo capítulo vai começar...

Capítulo 10 - "Não é uma lembrança, eu acho."


06/11/1992 - "Não é uma lembrança, eu acho."

As luzes brancas demais que passavam velozmente no corredor estreito quase me cegavam, e eu piscava pesadamente tentando me manter consciente, saber do que estava acontecendo em volta. Tudo estava dolorido, era irritante. Minha barriga era a que mais estava me afetando, aquela ferida aberta ardia demais, e eu podia sentir o sangue escorrendo para fora dela.

Virei a cabeça para o lado esquerdo com esforço, e com algumas piscadas, minha visão ficou focada o suficiente para eu perceber que estava deitado em uma maca, sendo levado as pressas para alguma sala. Os médicos falavam alguma coisa, mas eu não conseguia ouvir nada além de zumbidos estressantes, pisquei mais uma vez. Tentei virar a cabeça para o outro lado, mas meus olhos não quiseram mais abrir, e nem meu pescoço obedecer meu comando. Soube que estava tudo acabado por agora, só podia esperar que eu não morresse. Minha cabeça começou  a colapsar: As ideias passavam como um turbilhão na minha cabeça, e as memórias passavam que nem um filme diante de meus olhos fechados. Era assim a sensação de morrer?

Então, me deixei ser levado para a escuridão, dessa vez tão barulhenta e convidativa que até me era estranho. E eu gostei disso.

 

??/??/???? - Uma nova pizzaria

 

Estava sentada no banco de couro novo no carro de Papai ouvindo a “Give a little for love”, dos The Stylistic , balançando a minha cabeça de leve conforme a batida.

- Give a little love, give a little love... – Cantei baixinho, acompanhando a letra. Meus cabelos ruivos estavam caídos sobre meus ombros em pequenas mechas, fazendo cosquinhas em meu pescoço a cada movimento que eu fazia. O laço vermelho vibrante estava amarrado delicadamente na parte de trás da minha cabeça, e apesar de coçar um pouco, eu amava colocar junto com minha saia azul e blusa rosa, adornada com botões. Meus sapatos eram bem enfeitados também. Eu parecia a mais linda das bonecas.

Olho pela janela, e vejo a rua cheia de desconhecidos, todas entrando no restaurante de papai – Ou quase, já que tinha uma fila bem grande. Era novo, ele queria me levar para comer alguma coisa, e eu poder brincar com todas as novas atrações. Era divertido, papai realmente se importava comigo, ele disse que construiu uma robô só para mim! Espero que eu possa brincar com ela antes de ir embora.

Mamãe está trabalhando na sua academia de dança, e Michael saiu de casa faz algum tempo... Tenho saudade dele, gostava de suas brincadeiras – Principalmente quando nos fantasiávamos de Animatronic’s -  e abraços bem quentinhos. Apesar de suas brigas com o papai  - que costumavam deixar toda a casa tensa -, gostava de tudo que fazia na nossa família, ele ajudava a mamãe e eu como podia, nas tarefas domésticas e nas minhas escolares. Ah, que saudade.

Bem, quando ele foi embora, a casa se tornou silenciosa demais. Mamãe está sempre no trabalho, e Papai também. É tedioso ficar em casa e a escola é chata, por isso aproveito o máximo enquanto estou junto com qualquer um deles.  Papai é um homem cheio de estabelecimentos com muita popularidade - Meus colegas amavam toda vez que iam para um deles -, e tem um amigo que o ajuda a manter cada restaurante. Nunca conheci ele, mas não me fazia falta alguma. Mas papai dizia que ele tinha uma filha, e se eu pudesse conhecer ela? Como ela é?

Enquanto pensava em como a filha do amigo de papai era, entramos no estacionamento da pizzaria e estacionamos. Logo abri a porta do carro animada, a fechando devagar para não estragar, e depois arrumei minha blusa e cabelos, queria manter uma aparência digna. Estava começando a andar para o estabelecimento com minhas pequenas pernas, quando sou chamada:

- Eliza... Vamos com calma, okay? - Ouvi a voz grossa de papai, e olhei pra trás. Ele estava com um terno roxo e preto, cabelos marrons despenteados e olhos azuis, praticamente roxos. Ele chega mais perto de mim, fazendo que eu pudesse enxergar bem suas sardas minúsculas, se agachando e fazendo carinho na minha bochecha, dou um sorriso tímido, e ele responde com um sorriso radiante, do jeito dele. – Não quero que saia esbarrando em todo mundo, e nem que quebre algum Animatronic ou decoração...

- Mas, papai! Eu não vou estragar nada! Você sabe que sou cuidadosa... – Digo manhosamente a última frase, e ele dá uma risadinha sem graça, e me oferece a mão. A seguro firme e andamos em direção ao estabelecimento.

O lugar que se erguia a nossa frente era mais pequeno que o normal de suas pizzarias, mas era “apenas fachada para algo extraordinário”, meu pai disse. E eu acreditava nele.

Atravessamos direto a fila de pessoas que estava a espera do elevador, e após meu pai argumentar com o guarda local para que desse passagem a ele, entramos no quarto metálico sem mais nem menos. O maquinista tocou numa espécie de tablete com olhos de plástico, e o elevador, ao invés de subir, começou a descer, descer, e descer. O elevador era decorado com vários cartazes de Animatronic’s que eu ainda não conhecia, em um deles tinha uma bailarina linda, parecia a mamãe dançando, e a musiquinha que tocava nele era agradável, bom para passar o tempo. Depois de um minuto, o elevador parou, e eu e meu pai descemos no andar subterrâneo. Andamos por um pequeno corredor, e então, chegamos ao salão principal, onde toda a mágica acontecia.

Era um lugar magnífico, tão colorido e elegante, cheio de luzes coloridas que iluminavam todo o recinto. As mesas possuíam toalhas quadriculadas roxas com branco, os pratinhos descartáveis era da cor azul bebê e os copos de um rosa choque. O cheiro de pizza e outros tipos de comida invadiam minhas narinas, mas eu não estava com tanta fome agora, eu queria achar a atração principal, mas não havia nenhum robô ali cantando ou divertindo crianças, era apenas um salão cheio de mesas e brinquedos aleatórios. Girei para a direção de meu pai, e olhei para ele com um rosto frustrado.

- Papai, eu posso ir ver os Animatronic’s? Eles estão aqui, né? – Ele me olhou sério, e ficou um tempo pensando. Tentei subornar ele um pouquinho... – Por favor papai... Faz tempo que eu não brinco com alguém!

- Eles não tem alma, filha, não podem ser considerados um “alguém” – Disse com uma raiva disfarçada, mas não liguei muito, afinal, isso era bem comum lá em casa. -, mas, eu te deixo brincar com eles. E eu tenho que ir junto.

Quanto mais tempo que eu passasse com papai, melhor, então, acenei positivamente e peguei sua mão, e começamos a andar em direção aos robôs, que estavam em outro lugar, dividido por algumas paredes do salão principal.              

Passamos por três deles, o primeiro era uma raposa branca com detalhes em rosa, que dançava e “ria” com as crianças depois que contava uma piada. Seu nome, aparentemente, era Funtime Foxy. Quando cheguei perto dela, ela imediatamente me reconheceu como uma “criança especial” – os robôs são programados para quando uma criança fazia aniversário ou tinha um evento importante, deveria receber o melhor “atendimento”, por assim dizer... – e começou a fazer uma das coisas mais divertidas do mundo: Brincar de tudo! Esconde-esconde, policia e ladrão... Foi divertido. Gostava de ter bastante atenção.

O  próximo robô que passamos era a bailarina dos pôsteres que tinha no elevador, Ballora. Ela dançava graciosamente com sua saia de tule e sapatilhas azuis, cheias de adereços. O cabelo era igualmente azul preso com um coque bem feito, e a maquiagem se destacava em seus olhos fechados. Era tão fluído, e ao mesmo tempo tão mecânico... mas era divertido. Quando ela me reconheceu, da mesma forma que a raposa, ela fez uma dança especial para mim, girando e fazendo piruetas ao meu redor, sem errar uma coisinha, tirando aplausos dos adultos que estavam perto. E ela me deu uma flor! E como era cheirosa... Acabei a perdendo depois quando avistei o outro robô.

O último robô que vi era um urso branco com detalhes em um rosa - bem parecido com um roxo bem claro - com um fantoche de coelho azul, que estavam conversando animadamente sobre como a pizzaria era legal e várias outras coisas aleatórias. Seus nomes eram Funtime Freddy e Bon Bom. Mas, quando cheguei perto deles e sua programação especial começou a funcionar, eles cantaram uma música cheias de rimas com meu nome, e após algumas boas gargalhadas, o urso tira sua mini cartola da cabeça e faz uma reverência para mim. Dou uma gargalhada e saio de perto do robô.

Mas, cadê o robô que papai fez pra mim? Tinha certeza de que não era nenhum deles.

- Papai...

- Sim, Eliza? – Ele perguntou, enquanto caminhávamos de volta para o salão principal, as pessoas paravam e nos admiravam, talvez pelo poder que o papai tinha, ou pela tragédia, ou por causa de mim. Mas quem sabia o que passava na cabeça deles?

- Você tinha dito que tinha feito uma Animatronic pra mim, se lembra? – Ele acenou com a cabeça – Então, cadê ela? – Pergunto, tinha visto umas outras crianças comentando sobre uma Animatronic bonita, e queria saber quem é.

- Olha, eu posso até te mostrar ela, meu amor – Ele vai caminhando mais rápido, e ao invés de pararmos no salão principal, entramos em uma abertura adicional, onde dava para um outro corredor longo – Mas você não vai chegar perto dela, ouviu mocinha?

- Mas, você não fez ela pra mim? Por que não me deixa brincar com ela? – Pergunto, num tom de indignação. Ele bufa decepcionado, mas não me responde.

Chegamos ao final do corredor, e nos deparamos em uma sala solitária, onde no centro deste lugar, havia um Animatronic. Ou melhor, uma animatronic.

Seu cabelo vermelho estava preso em marias chiquinhas e sua mão esquerda possuía um microfone, e toda sua roupa dava a aparência que ela era uma boneca, apesar de sua bochecha rosa, seu nariz vermelho e olhos muito azuis. Ela era bonita, tinha que admitir, e da sua caixa  de som – que saía de seu umbigo – sempre produzia sons de boneca. Era como se fosse aquelas bonecas bebê bem reais, que chorava e tudo mais. Eu tinha uma.

- Papai! Deixe eu brincar com ela pelo menos uma vez!  Ela é tão bonita e brilhante... – Digo, olhando fixamente para a Animatronic brincando com as demais crianças, como se se divertisse fazendo o que foi criada para fazer – ...você fez ela só pra mim, afinal...

- Elizabeth – O tom de censura de meu pai me faz olhar pra ele rapidamente, e seu rosto parecia pedra entalhada, e tão rude que ficara suas feições – Se lembra o que eu disse? Você não pode brincar com ela, apenas com os outros.

- Mas...  papai! – Sou calada imediatamente por um olhar ameaçador dele, e volto a admirar a Animatronic de longe. Ela estava fazendo balões para as crianças, e cada uma a admirava com uma felicidade extrema. Ela fazia balões! O quão incrível ela poderia ser?

Depois de um tempo só encarando aquela robô fazer seu trabalho, papai dá uma tossida e começa a falar:

- Eliza, querida... – Papai me olhou nos olhos, e se agachou para ficar na minha altura, e segurou firmemente minha mão  - Papai agora tem que resolver umas coisas na administração, então, quero que volte para o salão principal, okay? – Olho para o chão, encarando meus pés. Eu não queria ir para o salão, ou ficar com outros Animatronic’s, ela foi feita pra mim, e eu queria ela! – Meu bem... – Ele segura meu queixo e o levanta, seu rosto estava mais sério – Eu confio em você. Não chegue perto dela.

Ele larga meu queixo suavemente e sai do recinto a passos firmes, passando pelo corredor de onde viemos. Mas eu não. Não me importava com as consequências que iria sofrer com meu pai, a robô era minha, eu tenho que brincar com ela!

Quando percebi que meu pai já não se encontrava em nenhum lugar que eu conhecia – Ou seja, no salão principal ou na área dos animatronics –, decidi me arriscar a chegar mais perto daquela Animatronic tão misteriosa e linda.

Logo ela me percebeu, e começa a me olhar fixamente, como se me admirasse. Ela parecia tão humana a vendo de perto, tão... brilhante.

- Papai não está olhando – digo decidida para ela, e a robô faz alguns movimentos com os braços e pisca os olhos, como se entendesse -, não diga que vim aqui – A Animatronic fica me encarando, esperando que eu terminasse a fala -, quero ver o show também, afinal de contas, você foi feita para mim!

A boneca de cabelos vermelhos começa a rodopiar, como se demonstrasse uma felicidade estonteante. Conforme ela dançava, ficava apenas admirando a sua estrutura tão bem feita. Sua caixinha de som começara a tocar uma musiquinha alegre, e ela dançou mais e mais.

- Não sei o porque dele não querer me deixar perto de um robô como você... – Digo tímida, quando a robô volta a me analisar -, você é maravilhosa!  - Enquanto a robô se preparava para sua próxima dança, analisei o meu redor. Todas as crianças que estavam aqui antes não estavam mais, era só eu e ela. Tão estranho, por que todos foram embora? – Mas, onde foram as outras crianças?

A Animatronic parou de tentar dançar, como se também percebesse que estávamos sozinhas. Então, para a minha surpresa, ela tinha um sorvete em sua mão livre – Já que na outra tinha um microfone  - e aparentava ser delicioso. Sem conseguir me conter, me coloquei em cima do pequeno palco onde a robô estava e me aproximei para pegar o sorvete decorado com uma cereja em cima.

Nem percebi os estalos mecânicos que a robô produzia, só queria pegar meu presente.

Tão perto, eu estava tão perto...

 

 

 

 

...que nem vi a garra de metal enorme sair de sua barriga.

Essa garra se prendeu a mim com uma força terrível, quebrando minhas costelas e furando as laterais de minha barriga. Gritei ruidosamente, por que ela fez isso? Doía tanto, tanto... A dor quase me fez desmaiar, o que estava acontecendo? Me solte!

- Me solte!! Me solte!! – Comecei a me debater, falei as palavras com uma voz que saiu arranhando minha garganta, tentando me soltar, mas a garra se apertava cada vez mais forte, gritei novamente.

A garra começou a voltar para dentro de sua barriga, me levando junto. Eu comecei a me debater novamente, apesar da dor. Por que o papai fez isso comigo? Por que ele fez uma robô que me machucasse?

A garra ia me levando, e eu não tinha mais forças para lutar conta ela. Senti cada osso de meu corpo sendo quebrado, começando pelas pernas, conforme eu ia sendo puxada para dentro de sua barriga metálica nem um pouco espaçosa. O sangue escorria para fora de meu corpo, e a última coisa que vi foram as paredes de sua barriga se fecharem, e meu pescoço soltar um estalo extremamente alto. Logo, eu não senti mais nada, pois eu soube que estava morta.

 

 

 

Mas, meus olhos se abriram de novo.

 

 

 

Mas, não eram meus.

 

08/11/1992 - "Não é uma lembrança, eu acho"

Acordo em um susto, não reconhecendo o lugar onde eu estava. Meu coração batia forte demais.

Tentei me sentar na cama branca, mas minha barriga soltou uma pontada de dor, e solto um grunhido. Completamente assustado e devagarinho, observo as minhas mãos - com medo de encontrar pequenas mãozinhas brancas e macias -, e sou recebido por mãos bronzeadas mal-tradas e cheias de cicatrizes, e em um dos dedos tem um aparelho de medir a pressão. Okay, eu sou eu, eu sou Michael. Estou no hospital, em um leito, em um quarto.

Devagar, me apoio sobre os cotovelos e levanto minha blusa hospitalar, a procura da fonte de minha dor. Após a levantar até a altura do peito, enxergo uma gaze enrolada em volta da minha barriga, segurando o curativo sobre a minha ferida. É, eu levei mesmo uma facada.

Soltando um bufo desanimado, deito minha cabeça do travesseiro macio e começo a encarar o teto branco. Quanto tempo eu iria ter que ficar aqui? Será que alguém sabia que eu estava internado? Sacudi a cabeça, e comecei a pensar na minha lembrança...

Não, aquilo fora um sonho, só podia. Eliza estava bem, estava em casa com a mamãe, brincando com suas bonecas de cabelos absurdos.

Não fora uma lembrança, nem tem como.

 

 

Não é uma lembrança...

 

 

 

...eu acho. 


Notas Finais


(Epa)

Erros ortográficos?
Desabafos?
Sua fanfic é uma merda por isso quero discutir com você nos comentários?
Vamos! Comentar é de graça e indolor.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...