História Coração valioso - Capítulo 5


Escrita por:

Postado
Categorias Supergirl
Personagens Kara Zor-El (Supergirl), Lena Luthor
Tags Bióloga, Coração Valioso, Kara Danvers, Lena Luthor, Supercorp, Supercorp Fanfic
Visualizações 82
Palavras 1.940
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Ficção Científica, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Capítulo 05.


 

Kara andava pelo Aquário (já arrumado) trajando sua camisa polo azul-marinho do uniforme do estabelecimento que continha seu nome bordado em letras clássicas e brancas ao bolso de peito: “Kara Danvers – bióloga”, e um peixinho simples desenhado (bordado) embaixo de seu nome. Com um boné bege e calças cargo da mesma cor, ela carregava uma prancheta e ia fazendo anotações nos papéis que ela segurava conforme passava de tanque em tanque analisando os animais, observando-os em meio ao mar de pessoas que se aglomeravam para admirá-los.

Seu lugar preferido era lá fora, onde ficava Winn com seus animais grandes, o restaurante, e a parte reservada que eram as superfícies dos tanques maiores. Além disso, havia uma passarela que ficava bem em cima da divisória entre o salão da “parede do oceano” e o oceano em si. Uma passarela metálica um tanto rudimentar que acompanhava por cima a linha da parede de acrílico de 90 centímetros de espessura que continha as águas profundas do mar. Kara adorava andar pela passarela, parar ali, no meio dela, e observar a vastidão infinita do oceano. Naquele dia, ele estava calmo, quase imóvel. A bióloga pegou-se perguntando-se como o oceano ficara tão agitado ao ponto de trazer seus animais por cima daquela passarela, por cima daquela parede. A abertura era mínima para a entrada de luz ao salão... talvez isso explicaria por que nenhum animal grande foi parar lá. De qualquer jeito, Kara suspirou e olhou para baixo: o mar encostava na parede cinco metros abaixo dela. Que tempestade violenta...

Aproximou-se, então, de Winn, que se despedia de um grupo de crianças que queriam alimentar as focas com a permissão de seus pais. Elas haviam jogado com sua fraca força as sardinhas para os animais, que mergulharam na água do tanque para pegar, assim dando um show para as pessoas no patamar de dentro, que viam as focas pelos “vidros”.

O homem sorriu à aproximação de Kara, um tanto aliviado por ter conseguido lidar com as crianças.

— Oi, Winn — ela disse e parou em frente a ele. — Como estão as focas?

— Ótimas — Winn respondeu. — Alegres, comilonas, exibidas... o de sempre. Mas fiquei sabendo que o dr. Anthony pegou um dos polvos do tanque para analisar.

Kara enrugou o cenho.

— Por quê?

— Parece que ele estava quieto demais, não sei.

— Estranho ele não ter pedido a minha ajuda...

Winn deu de ombros.

— Ele sabe da sua ronda matinal. Às vezes não quis te interromper.

— De qualquer jeito, acho melhor eu dar uma passada lá.

— Tudo bem. Ah, falando nisso, a sua namorada está no restaurante...

— Quê?! Namorada?

Kara se virou para olhar, e sob a aba de seu boné ela viu a figura esbelta de Lena, sentada a uma mesa, servindo-se de paella graciosamente; ela trajava um conjunto social cor de chumbo que lhe caía muito bem. Seu estômago queimou e Kara começou a sorrir, até ver que ela estava acompanhada por outra mulher incrivelmente bonita, e elas conversavam e riam. O sorriso de Kara morreu na mesma hora. Quem era aquela? Espera, ela estava sentindo CIÚME? Pfff... que idiota. Enrubescendo, virou-se para Winn de novo.

— Ela não é a minha namorada — disse. — E eu vou ajudar o dr. Anthony.

Winn sorriu amplamente enquanto jogava o resto das sardinhas do balde de volta para o enorme contêiner de isopor e gelo, como se ele tivesse percebido o desconforto de Kara. Assim que a bióloga loira se afastou e passou pela porta que levava de volta ao interior do Aquário, uma movimentação atraiu gritos e berros pelo restaurante. Sendo o curioso que era, Winn largou o balde ao chão e correu até o restaurante – passando pelas cercas de segurança para chegar lá.

Ele viu que Lena estava de pé, e sua companheira também; as duas riam e olhavam para baixo, e estavam cercadas de pessoas e crianças que também riam e olhavam para baixo, para os pés delas. Infiltrando-se entre os bisbilhoteiros, Winn viu que uma cena um tanto engraçada acontecia: cinco ou seis caranguejos tinham se reunido entre os pés de Lena e ali ficavam, parados, olhando para ela e clicando suas patinhas em sincronia.

— Olha, mamãe! Os caranguejos! — exclamava uma garotinha de seus sete anos que se agachava e tentava pinçar um com seus dedos. Ela foi puxada gentilmente por sua mãe, que temia pela segurança da filha.

— Deixe-os quietinhos aí...

— O que eles estão fazendo? — perguntou um garoto que observava do outro lado, com um sorriso.

— Eu nunca vi esse tipo de comportamento... — Winn sussurrou, vendo que os olhinhos dos animais estavam fixos em Lena. — Mas, bem, vou levá-los de volta ao mar antes que aquelas predadoras ali se banqueteiem...

Ele apontou para cima, onde algumas gaivotas grasniam e voavam em círculos, ansiosas para pegarem os caranguejos como almoço.

— Eu te ajudo — falou Lena para a surpresa de Winn. Ela se abaixou e pegou uns três com as mãos juntas; eles subiram em suas palmas e sequer hesitaram ou se agitaram.

... Porém, quando Winn foi pegar os caranguejos restantes, eles começaram a se debater e a pinçar seus dedos dolorosamente. Soltando exclamações de dor, ele correu até aquela espécie de amurada fortificada que dava até a solitária e protegida falésia e arremessou os caranguejos até a água. Já Lena, rindo da cena, caminhou graciosamente até a falésia e soltou os bichinhos próximos às pedras. Eles rapidamente saltaram para a água.

— Uau, você realmente tem jeito com eles! — exclamou a mulher que acompanhava Lena em seu almoço.

Ela era alta, bonita e tinha cabeços escuros, caídos em cascatas onduladas até o peito. Winn se virou para ela e pegou-se sem palavras tamanha sua beleza. Ele sorriu e voltou atenção aos próprios dedos, que tinham sido levemente esmagados.

— Sempre gostei de caranguejos — respondeu Lena, virando-se para a amiga, sorrindo. — Oh, Winn, quero que conheça Samantha Arias. Sam, esse é Winslow, ele trabalha aqui no Aquário. Kara me contou sobre ele.

Os dois apertaram as mãos.

— Certo! O cuidador de grandes animais, não é? — Sam perguntou.

— Eu mesmo! — Ele riu. — E você...?

— Samantha é a CFO da LuthorCorp; estamos em um almoço de negócios — Lena respondeu. — Falei para ela sobre como o ambiente aqui é muito melhor que o restaurante interno da empresa... com a maresia e tudo o mais.

— E você tem toda a razão — Sam completou. — Adoro almoçar ao ar livre, escutando as gaivotas e o mar. Além de que a visita dos caranguejos deixou tudo mais interessante.

— Sim, bem, eles vivem por aqui; a verdade é que nós é que estamos ultrapassando seu território... — Winn comentou com um sorriso, e coçou a cabeça.

— Bem, vamos voltar aos negócios — disse Lena, e sorriu para Winn. — Obrigada pela ajuda, Winn.

— Prazer conhecê-lo, Winslow.

— Pode me chamar de Winn. E até mais!

* * * * *

Naquela noite, o apartamento de Alex Danvers estava exalando um cheiro delicioso de berinjela refogada, carne de soja cozida e macarrão integral com molho vegano. A ruiva estava preparando um jantar especial para quando a sua namorada chegasse da convenção para os investigadores policiais. Ela fez questão de acender algumas velas e abrir uma boa garrafa de vinho.

Não demorou muito para que alguém enfiasse uma chave na fechadura e abrisse a porta do apartamento. Maggie chegava, puxando atrás de si uma pequena mala de rodinhas; ela era uma mulher de seus trinta e poucos anos, cabelos longos e pretos, pele escurecida e olhos castanhos. Seus lábios grossos se abriram em um belo sorriso assim que ela sentiu o cheiro da comida.

— É berinjela que eu cheiro aqui? — ela perguntou.

— Maggie! — Alex exclamou; levantou-se do sofá e foi até a namorada para recebê-la com um beijo e um abraço. — Que saudades, você ficou fora por MUITO tempo!

— Foi só uma semana, babe — Maggie respondeu e apertou sua namorada com amor; a verdade era que também tinha sentido saudades. — Nem acredito que você fez tudo isso!

Alex deu de ombros e sorriu.

— Eu queria surpreendê-la.

— E conseguiu!

— Deixe-me pegar a sua mala e jogá-la no quarto. Depois a gente desfaz. Agora vamos comer, porque eu sei que você tem alergia a comida de aeroporto e deve estar morrendo de fome.

Maggie riu e tirou o seu casaco para pendurá-lo ao pendurador próximo à porta.

— Alergia ao preço da comida de aeroporto, você quer dizer — ela corrigiu. — Alex, isso é perfeito. Obrigada. Você não precisava!

— Mas eu quis. — A ruiva voltou do quarto após ter largado a mala lá e pegou o prato de Maggie em cima do balcão da cozinha para servi-la com a comida que estava em tigelas sobre o forno. — E aí, me conte, como foi a convenção?

Maggie sorriu perversamente; se ela conhecia bem a sua namorada – e ela CONHECIA –, sabia que Alex estava doida para obter informações sobre os “heart holes” e tudo que aconteceu na convenção de investigadores. Mais de uma vez incitara Alex a se tornar investigadora, mas ela insistia que gostava da “ação” de ser policial, “dos tiros, das perseguições, e dos xingamentos”. Bem, ela não iria privar a namorada de nenhum detalhe.

— Foi pesada — respondeu em um tom um pouco obscuro. — Estudamos os casos dos países nórdicos... a fundo. E depois os casos aqui de Seattle e Newport. Há algumas mudanças, alguns... aperfeiçoamentos, diga-se... mas definitivamente são os mesmos.

Alex entregou o prato cheio para Maggie e começou a fazer o seu próprio.

— Quer dizer que são os mesmos autores?

— Os mesmos, ou seus aprendizes... não sabemos dizer. Tudo que sabemos é que não é um copycat, um imitador. Não são amadores.

Maggie começou a comer, e Alex também.

— E quanto à motivação? — Alex perguntou. — O porquê de eles cometerem tais crimes?

— Ninguém sabe. — Maggie deu de ombros. — As coisas em comum que as vítimas têm não são suficientes para estabelecer um padrão.

— Que coisas em comum?

— Bem — a investigadora bebericou um pouco do vinho que Alex acabara de abrir e despejar em sua taça. —, pessoas entre vinte e quarenta anos. Homens e mulheres. Mais mulheres do que homens. Na verdade, apenas três homens.

— ... eu não sabia que havia homens também...

— A mídia não divulgou. Enfim, há subgrupos entre as vítimas... poucas delas tinham uma espécie de marca nas costas, mas a maioria não. Alguns corações foram encontrados em lixeiras, descartados ali próximo ao corpo, e somente poucos corações realmente desapareceram. Algumas dessas vítimas sequer tinham registros, Alex. Ninguém as conhecia. Elas eram literalmente desconhecidas.

Alex estava matutando tão fortemente que se fosse possível ver-se-ia fumaça saindo de seus ouvidos. Recostou-se no encosto da cadeirinha alta do balcão e coçou o queixo.

— Não faz sentido — ela disse, por fim, frustrada.

— Nem me diga. — Maggie suspirou, igualmente desolada. — Vou te dizer, isso está sendo uma dor de cabeça... nós não temos nada.

— E essa marca nas costas que você disse?

Maggie deu de ombros de novo.

— Marcas de nascença, eu acho. O dermatologista disse que não é nada demais. Algumas pessoas têm isso.

— Não acha que pode ser um padrão?

— Mas nem todas elas têm a marca, Alex.

— ... que droga. — Alex mastigou com ódio.

— Enquanto isso estamos aumentando a vigilância em cidades portuárias. O pior é que há casos nos países nórdicos em que as cidades nem eram portuárias.

— Por Deus, isso fica cada vez mais bagunçado. Por que diabos eles arrancam o coração dessas pessoas?

— Um estagiário deu uma resposta que é impossível, mas faz sentido — disse Maggie. — Ele falou que algumas vítimas têm algo no coração que eles podem querer. E eles só sabem se a vítima tem isso no coração quando o arrancam fora. Por isso eles descartam alguns corações. Porque eles não têm o que eles querem. 

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...