História Coral - A Filha de Coraline - Capítulo 35


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Categorias Coraline
Tags Aventura, Coraline, Fantasia, Neil Gaiman
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Palavras 2.532
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Ficção, Mistério, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 35 - Casal Misterioso


Aquele dia estava nublado como nunca, a nevoa cobria tudo ao redor e o vento frio fazia tudo ficar ainda mais assustador. Uma criança havia desaparecido e desde então havia um toque de recolher que não duraria muito tempo, era perigoso ficar nas ruas sem saber o que poderia ter acontecido ou o que ainda poderia acontecer, mas aquela cidade era comum pessoas sumirem nas profundezas da floresta e nunca mais voltarem, especialmente crianças, e aparentemente ninguém dava a mínima. 

Toby dormia suavemente em minha cama, não era confiável deixa-lo sozinho quando crianças desapareciam sem explicação. Minha tia Mika parecia sempre estar vivendo no mundo da lua, enquanto a filha psicopata dela tocava o terror, mas minha maior preocupação era com nossa vizinha da frente. Existia algo de muito estranho e assustador na Dra. Elza, alguma coisa que me deixava arrepiada da cabeça aos pés. 

Olhei pela janela para casa da frente, a nevoa estava bastante densa e quase não dava para ver nada, mas logo atrás podia ver um pouco das arvores da floresta sombria, imaginava se aquela criança desaparecida não estava realmente ali, ou os perigos que se escondia através das arvores antigas. Encostei no vidro da janela e baforei para ficar embaçado e comecei a desenhar no vidro para passar o tempo. 

Dois olhos e uma boca sorrindo foi o que desenhei no vidro embaçado, sorri satisfeita com aquele grande feito, não tinha exatamente nada para fazer naquele dia nublado e perigoso, Toby se revirava na cama no seu sono profundo que repentinamente parecia agitado. 

“— As crianças... “ 

Toby começou a murmurar enquanto dormia e se revirava. Aproximei-me lentamente para escutar melhor o que ele falava. 

 
“— Mamãe, mamãe está com as crianças...”  

Aquilo não fazia sentido algum, peguei na testa dele para ver se estava com febre, mas aparentemente estava normal, e aquilo parecia um pesadelo. Tentei acordá-lo suavemente, mas ele continuava de olhos fechados e murmurando. 
 
 

“— Coral, você precisa achar a mamãe, eu confio em você, você já fez isso antes... as almas das crianças...”  

Meu coração começou bater rapidamente, aquelas palavras foram bastante especificas e talvez tivessem algum significado, por todo mistério que me cercava não era algo que poderia ser ignorado. Nossos pais estavam desaparecidos, crianças sumiam sem deixar rastros, o nevoeiro em toda cidade parecia mais denso e sombrio que o normal, tinha algo de muito estranho nessa cidade. 

Olhei para a janela novamente e quase morri de susto ao ver um rosto sorrindo me encarando, mas não era o rosto que havia desenhado no vidro embaçado, esse tinha um sorriso de lado de satisfação. Fui até a janela e abri. 

— O que você está fazendo? – não tentei disfarçar que estava furiosa. 
— Vem, vamos dar uma volta. – ele falou como sempre com a convicção de que poderia ter tudo que queria. 
— Não! – falei aquilo mas por algum motivo repentino sentia vontade de ir com ele, ele continuava com aquele sorriso de lado provocando meu limite de paciência. — Não posso deixar meu irmão sozinho. – completei. 
Jack saltou pela janela e entrou no quarto, só agora percebi que ele usava moletom preto, luvas, calça jeans e botas. O cabelo platinado parecia a nevoa que cobria a rua lá fora. 

— Esse garoto só dorme. – ele falou com o olhar confuso em direção ao Toby que agora respirava suavemente, acabei lembrando do que tinha acabado de acontecer e se poderia confiar contar aquilo ao Jack, por mais irritante que ele era, ele era o único que aparentava estar do meu lado. 

— Ele estava doente. 

— Aqui é bem confortável e aquecido, eu não recusaria dormir nesse quarto e nessa cama. – ele me olhou com aquele olhar provocante e desafiador que me deixava irritada ao pronunciar a última palavra. 

— O que você quer? – cruzei os braços, era impossível dar moral pra ele. 

— Dar uma volta. 

— Já falei que não posso deixar Toby sozinho. 

— Ele só dorme, e pensando bem... – Jack caminhou até a cama e se aproximou do meu irmão, fiquei observando o que estava fazendo, mas ele apenas encostou bem perto como se quisesse ouvir a respiração dele. – Esse garoto é diferente das outras crianças, ele não brinca, ele não sai, eu poderia dizer que não está vivo. 

— Sai de perto do meu irmão seu idiota! 

— Só estou querendo dizer que ele não vai sair enquanto estivermos fora. Você não quer descobrir o que está acontecendo? – aquela era a forma que ele tinha para me manipular, ele sabia de algumas coisas, mas nunca falava o suficiente. 

— Uma criança sumiu na floresta, Dra. Elza esteve aqui querendo levar Toby pra clinica dela, essa nevoa estranha parece mais densa a cada minuto, não posso deixar meu irmão sozinho. – falei, dessa vez com a calma que eu nunca tive com ele. 

— Mais um motivo pra você ir comigo e tentar descobrir algo, talvez você possa salvar mais de uma pessoa. 
Jack testava todos os meus limites, de paciência, de curiosidade, de medo, de coragem, aquilo me deixava irritada, confusa e agora um novo sentimento me invadia, o de desafio, de querer ir com ele investigar coisas que poderia custar nossas vidas. 

Olhei para Toby que parecia estar em um profundo sono, não estava mais falando e novamente me perguntei se poderia confiar aquele acontecimento ao Jack. Peguei um papel e comecei anotar um bilhete, Jack bisbilhotava por cima do meu ombro e viu minhas palavras “Não saia de casa, voltarei logo, se sentir fome coma algo e volte para o quarto, não confie em ninguém, e se ver algo de estranho grite, ass: Coral”. 

— Ótimo! – Jack estava mais do que satisfeito, e por um segundo me fez repensar se aquilo era uma boa ideia, novamente eu estava fazendo o que ele queria, mas naquele caso eu também queria saber o que estava acontecendo. 

Peguei um moletom e luvas, lá fora realmente estava muito frio, a nevoa continuava densa e uma brisa suave e fria acariciava meu rosto fazendo meu nariz ficar instantaneamente vermelho. Observei Jack enquanto caminhávamos em direção ao carro, a pele dele parecia porcelana, ele pegou um gorro e cobriu a cabeça, aparentemente ele não se dava muito bem com o frio. 

— Eu só queria um cigarro nesse momento. – ele falou enquanto abria a porta do carro pra eu entrar. 
— Não comigo aqui. – se agora eu andaria com ele oficialmente não iria ficar sentindo aquela fumaça da morte. 

Antes que eu entrasse no carro uma mão segurou meu braço e me fez virar, imaginei imediatamente que era tia Mikaella, mas se tratava de uma garota baixinha e robusta que estava sendo seguida por outra bem alta e magra. 

— Você não vai entrar nesse carro, né? 

Eu sabia que o nome de ambas era Amanda, mas não sabia distinguir qual era a Forcible ou a Spink, notei que logo atrás dela estava também o garoto que se chamava Balt Bobinski. 

— Deixem ela em paz. – Jack falou revirando os olhos, notei que ele parecia sem paciência, antes ele faria uma piada. 

— Olha, você não precisa falar por mim. – falei e me virei pra garota que ainda segurava meu braço que soltou rapidamente ao se dar conta também. — Eu só vou dar uma volta com ele, não precisam se preocupar. – falei aquilo mas imaginei se realmente estavam preocupados comigo. 

Entrei no carro e quando já estava dentro percebi do outro lado da rua Rudy observando toda aquela cena, ele estava imóvel, os punhos cerrados e aparentemente não estava feliz. 

— Coral, você é nossa amiga. – Balt falou e depois olhou para o Jack. – Você nem deveria estar aqui. 

— O que foi que deu em vocês? O Jack é meu amigo! Me deixem em paz. 

Jack entrou no carro e arrancou, percebi que Rudy subiu na moto e começou a nos seguir, mas logo entrou em outra rua e seguiu outra direção. 

— Aquele fantasma parece um cachorro segurando um osso. – Jack falou meio debochado como sempre fazia, mas notei uma ponta de falta de paciência nele. 

— O que todos eles têm contra você? Aparentemente eles não gostam muito, e aparentemente eu também não devia gostar. 

— Só se você for igual a todos. – ele falou e olhou pra mim, deu um sorrisinho desafiador e voltou a olhar a direção. 

— Mas deve ter algo de errado, você sabe de muitas coisas, e eles também, e nessa história toda eu sou a única que não sei de nada. 

— Eles só não aceitam o fato de eu fazer o que quero, quando quero, não sigo as regras dos joguinhos mentais deles, e não tenho medo de monstros que devoram crianças. – aquela foi a primeira vez que vi Jack falando em tom de seriedade e algo em mim começou a mudar em relação a ele. Ele não parecia mais tão irritante. 

— Para onde estamos indo exatamente? 

— Vamos ver uma coisa. 

Foi tudo que ele falou, estava bastante calado, aquilo me pareceu estranho já que ele sempre estava falando alguma coisa idiota, ou tentando me irritar com as cantadas dele.  

Finalmente a nevoa estava se dissipando e as coisas estavam ficando mais claras, toda a estrada era cercada pela floresta que sempre parecia terrivelmente sombria. E finalmente chegamos em um espaço que parecia um parque, tinha poucas pessoas circulando por ali, havia um pequeno lago que ainda estava um pouco coberto pela nevoa. E havia uma trilha entrando na florestas, algumas pessoas estavam fazendo caminhada lá. Jack sentou-se no chão, fiquei parada olhando sem entender. O que tudo aquilo significava? 

— O que você queria me mostrar? 

— Senta. - ele falou e se deitou sob a grama com as mãos para trás apoiando a cabeça. — Descansa um pouco. 

Fiquei em pé sem saber o que falar, não acreditava naquilo, cerrei os punhos me segurando pra não socar a cara daquele esqueleto maldito. Ele olhou pra mim e deu aquele sorrisinho satisfeito de e meio inocente.  

— Não precisa surtar, você está muito tensa. - o sorriso continuava ali.  

— Eu vou te matar! - falei, Jack sentou-se novamente e agora não estava me dando atenção, ele olhava em frente para alguma coisa que pelo seu olhar parecia interessante. 

— Chegaram. - ele falou e olhei nas mesma direção que ele mas não vi nada.  

Em frente não havia nada além da entrada que ia até a floresta e logo mais um casal que parecia discutir, mas eu não podia acreditar que era aquilo que ele olhava com tanta atenção. Voltei olhar para o Jack, ele observava atentamente e então percebi que realmente era a briga de casal que ele estava tão interessado. 

— Não acredito nisso. - falei na direção dele que não olhava para mim. — Não acredito que vim com você olhar a briga de duas pessoas.  

— Shiiihh. - ele fez sem tirar os olhos do casal. — Senta e observa.  

— Eu não vou ficar aqui olhando uma briga entre dois desconhecidos!! Eu deixei meu irmão sozinho! Você é maluco! 

— Eles não são daqui. - Jack falou e olhou para mim. — Não são daqui. 

Só então decidi parar para observar o que realmente estava acontecendo ali. Era uma mulher de cabelos cacheados, tinha a pele morena e estava chorando. O homem estava em sua moto daquelas harley, ele tinha o cabelo liso, tão liso que mesmo longe dava para perceber a brisa balançando os fios suavemente, eram pretos como a escuridão mais profunda igualmente o olhar que ele lançava pra mulher que chorava e falava coisas que dali eu não conseguia entender.  

O rosto deles dois eram familiar e então pensei sobre Jack falar que eles não eram daqui. 

Sentei ao lado do Jack. 

— O que você quis dizer sobre eles não serem daqui? 

— Eu quis dizer que acho patética a discussão deles. - Jack falou e me olhou. — Acho que se você ama alguém, se importa, e se preocupa, essas coisas não podem acabar por nada.  

— Você consegue ouvir sobre o que estão falando? 

— Eles não são daqui, mas não é a primeira vez que os vejo nesse mesmo lugar, brigando sobre a mesma coisa.  

— E então? 

— Ela o ama demais, e ele é orgulhoso.  

— Qual motivo da briga? 

— Ele sempre decepciona ela, magoa, machuca ao invés de cuidar e ela é bastante sensível, ela quer ficar ao lado dele, e isso a faz errar as vezes. Ela sempre o perdoa, mas aparentemente ele não está tão disposto a fazer o mesmo por ela.  

Jack parecia triste, nunca havia visto aquele lado dele, sempre ela sorridente, tentando seduzir, debochando, ou tentando me convencer de algo. Agora ele estava parado ali observando aquele casal misterioso e falando coisas que nunca imaginei que falaria. Por um momento me perguntei se ele realmente não conhecia aquelas pessoas, eles aparentavam estar na faixa dos 30, não eram adolescentes, já eram adultos.  

A garota ainda chorava e gesticulava e falava coisas para o homem que a ignorava totalmente, até que ele apenas deu partida na moto e saiu, enquanto ela ficou lá chorando por um momento e depois seguiu pra direção contraria. 

— Não acabou ainda. - Jack falou de repente. 

— Como assim? Eles acabaram de seguir caminhos diferentes.  

— Quando pessoas se amam não importa o que aconteça sempre arrumam um jeito de achar o caminho de volta, seja na amizade, seja no namoro, seja como for.  

— Mas você disse que ele não estava disposto a fazer o mesmo por ela.  

— Ele é muito orgulhoso, mas isso não anula o que já viveu com a outra pessoa. Ele só tem que parar de ser idiota e deixar o orgulho de lado e parar de fazer alguém que o ama tanto sofrer.  

Jack estava muito pensativo, aquelas coisas que ele estava falando era como se estivesse se referindo a outra pessoa e não aquele casal, mas por outro lado, aquelas pessoas realmente pareciam familiar. 

— O que isso tudo tem a ver com as crianças? Comigo? - perguntei finalmente. 

— Às vezes a gente tem que ver algo que já vivenciamos para podermos lembrar e ver com mais clareza. - Jack falou e sentou-se, estávamos lado a lado e ele me olhou. 

— Ainda não consigo entender. 

— Talvez aquele casal seja nós no futuro. - Ele olhou pro chão. — Mas espero nunca mais ser tão orgulhoso como já fui.  

Jack se aproximou, colocou a mão em meu rosto e me beijou. Eu não recuei, não queria recuar, o beijo era suave e ao mesmo tempo me fazia sentir aquecida. E então um fio de lembranças começou a invadir meus pensamentos. Eu e Jack fazendo coisas de casais, estávamos felizes, não era a primeira vez que estávamos nos beijando.  

— Jack, Jack, Jack... - uma voz horrível surgiu, seguido por algo que parecia muito antigo e lento, tudo começou a escurecer lentamente. — Você não pode ficar quebrando as regras.  

Senti uma mão que mais parecia garras segurar o topo da minha cabeça, o rosto de Jack estava parado a minha frente, ele estava estatua e a expressão aterrorizada, senti medo por ele, queria protege-lo, mas estava com medo, medo de me virar e ver a criatura que agarrava o topo da minha cabeça, mas sabia que se não o fizesse aquele seria nosso fim, então olhei para cima e vi apenas um botão de rosa me encarando.  

Tudo ficou escuro na minha mente.  



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