História Cordões Umbilicais - Capítulo 10


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor Bandido, Amor Marginal, Assassino De Aluguel, Boate, Boy X Boy, Drama, Drama Psicológico, Gigolô, Incesto, Noite, Prostituição, Submundo, Underground
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Palavras 2.440
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Ficção, Hentai, Romance e Novela, Slash, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Como eu dou risada vendo as ideias que eu tinha nessa época, kkkkkkk, juro que hj em dia to muito mais alegrinha. Desgraceira que é essa história, credo, kkkkkkk.

Capítulo 10 - Acidente


Rudy estava enterrado na cama de ferro pintada de branco, sentado e de braços cruzados sobre a terrível roupa branca assexuada de hospital, com o cenho franzido e o maxilar cerrado. E o pior era que não sabia como havia ido parar alí. Encarava o médico com ar de profundo desagrado e sua voz era especialmente rude ao tentar responder-lhe o que havia acontecido.
          - Já disse que não me lembro! Eu estava andando pela chuva, e de repente, apaguei. A última coisa de que me recordo são de duas luzes brancas.
          - Deve ter sido atropelado, como suspeitávamos - disse o médico, olhando uma ficha. Estendeu a mão para um frasco e estendeu uma pílula e um comprimido para Rudy, que sequer moveu-se - Vamos, é preciso tomar isso.
          Rudy não moveu-se, o mesmo ar marrudo. O médico irritou-se:
          - Precisarei dispor de enfermeiros?
          O rapaz esticou uma das mãos com rudeza, tomou os comprimidos e o copo d'água. Encheu a boca com eles e desaforadamente soltou tudo o mais longe com uma cusparada alta, sem importar-se, e limpou a boca com as costas da mão. Vendo que o médico olhava-no em metade repreensiva e em metade desacreditadamente, simplesmente grunhiu:
          - Não tomo remédios. Eles matam as pessoas.
          O doutor desviou sua atenção para a ficha, esforçando-se por fazê-lo, dizendo em tom de reprovação logo em seguida:
           - Durante a noite você teve indícios de início de crise de abstinência de heroína. Que diz a respeito disso?
          - Digo que é problema meu. A menos que você tenha um pico por aí para dar-me.
          Nervoso, o médico largou tudo onde estava e retirou-se. Por volta de vinte minutos mais tarde, uma enfermeira morena clara, bem jovem, entrou no quarto em que ele estava sozinho. Vendo-na, seu semblante quase desanuviou-se, mas a seriedade dela, de como se movia e mesmo respirava dentro de seu uniforme impecavelmente branco deixaram-no em dúvida, e permaneceu na mesma posição e com a mesma expressão sombria e cerrada no rosto, já que seu profundo desagrado em estar alí não havia passado.
          Em silêncio, a jovem enfermeira mexeu nas coisas na mesa ao lado da cama, ajeitando as coisas um pouco, abriu em seguida o pacote do algodão, embebeu-o num líquido de cheiro acre e pediu que ele estendesse um braço. Rudy continuou estático e com o mesmo semblante. Paciente, ela então sorriu, anuindo gentilmente:
          - Já que você perdeu-se e veio parar aqui, gostaria muito que você ajudasse o meu trabalho. Teve sorte de não ter quebrado nada.
          Ele não chegou a esticar o braço, mas descruzou-os, e então ela tomou-lhe o esquerdo, virando-no, enquanto dizia:
          - Então, já lembra-se do que aconteceu?
           - Mamãe largou da minha mão - respondeu cínico.
          A jovem sorriu timidamente, divertida, enquanto passava o algodão na dobra interna do braço dele, limpando as feridas cuidadosamente. Rudy encarava-a com ar soturno, não entendendo nem assimilando o quase carinho com que aquela jovem mulher trabalhava nele, vestida em seu uniforme sóbrio e seus cabelos presos em coque.
           - Sabe - comentou ela - você realmente faz um bom trabalho. Se enfiassem uma agulha de tricô aqui você nem sequer saberia a diferença.
          O sorriso dela era como uma porta de entrada. E Rudy resolveu entrar. Ergueu o braço, retirando-no da mão dela, recolhendo-no para mudá-lo de direção, enquanto propunha com voz murmurada:
          - Que tal se você parasse um minuto de mexer nessa coisa nojenta e fizesse algo mais interessante para nós dois?
          Ela virou-se brevemente, pisando no pedal de uma lixeira, onde jogou o algodão sujo de pus envelhecido, fazendo-se de tola.
          - Desculpe, mas não compreendo.
          Nesse instante, a mão dele pousou-se no quadril dela, deslizando para baixo, através da coxa, voltando a subir por baixo da saia branca, pela parte interna da coxa macia e quente, lentamente, sem que ela protestasse contra, mas, antes que ele conseguisse chegar onde realmente pretendia, delicadamente ela tomou-lhe a mão e segurou-a, retirando-a de si com um sorriso.
          - Com licença - e saiu.
          - Ei - gritou, ao vê-la sair - Quando é que eu saio daqui?
          Mas a enfermeira não respondeu. Talvez não tivesse mesmo ouvido. Talvez não quisesse ouvir. Novamente sozinho, Rudy deu com a nuca na cabeceira, com raiva. Estivera tão perto... tão perto e não havia conseguido... Queria tanto uma mulher! Por que às vezes era-lhe tão difícil conseguir uma? Não que já não tivesse tido uma, claro que havia, com a sua idade... era lógico, mas queria com frequência, esta era a palavra, frequência, e era justamente nela que residia a dificuldade. Era bonito e agradável, não era? Não compreendia o que havia de errado com ele, a não ser... Mas não, não poderia ser.
          Mas também não queria mais lembrar-se daquilo.
          Tornou a cruzar os braços, com bastante força, e fechou os olhos bem apertado.

*

          Winnie soergueu-se sobre um cotovelo, colocando de lado a revista que folheava até há pouco sob a luz do abajur aceso que lhe clareava a cama, enquanto seu irmão, sentado na outra cama, sob a luz do outro abajur, enfiava o cadarço num par de tênis, em total silêncio, pois a ela havia-lhe ocorrido uma ideia, à qual ela necessitava dar vazão, e sempre fôra muito direta, especialmente com tudo quanto almejava.
          - Drue?
          - Diga - ainda trançando pacientemente o cadarço.
          - Estive pensando em algo que quero dizer-lhe.
          - O que é?
          Excitada, Winnie sentou-se sobre a cama, cruzando as pernas por baixo de si, curvando-se ligeiramente para a frente, na direção do rosto baixo e distraído do irmão, e foi direta:
          - Estou gostando de um rapaz.
          Ele olhou-a e sorriu, enquanto dizia:
          - Ah! Isso é ótimo, Winnie. Então terei um cunhado?
          Winnie riu, deliciosa - Eu espero!
          - É alguém do curso de dança, ou da escola? - perguntou, voltando a fazer o que estava fazendo antes.
          - Nem coisa, nem outra - disse ela - É um amigo seu.
          Drue continuou em silêncio, simplesmente pensando na ordem das passadas do cadarço, esperando que ela dissesse mais, descontraído e despreocupado, desfazendo uma que fizera de maneira errada e voltando a enfiar.
          - Como estou gostando muito dele - continuou ela - gostando de verdade, sabe, como nunca aconteceu antes, eu quero que você me ajude, que junte nós dois, não sei, que faça alguma coisa, sirva de cupido... Ah, você é esperto; vai saber o que fazer!
          Ele terminou e colocou os tênis no chão, ao lado da cama, e sorriu para ela.
          - Você não precisa de ajuda. É bonita até demais.
          - Eu sei - disse rindo - mas o problema não é esse.
          - Bom, diga; eu verei o que posso fazer.
          Winnie abriu um vasto sorriso, o sorriso de alguém prestes a confidenciar um segredo a alguém querido que pode tornar ease desejo realidade. Respirou fundo um instante, enchendo o peito, e suspirou, dando outra risadinha, até que finalmente disse:
          - É o Thiago. É dele que estou gostando.
          Drue ouviu aquilo e engoliu em seco, como se um punhado de areia se-lhe passasse garganta abaixo, prendendo a respiração por um momento. Devido à felicidade que sentia por sentir-se mais próxima da realização de seu desejo, por sorte a moça não percebeu o que se passava com ele, e Drue teve o tempo necessário de juntar as forças necessárias para dizer, titubeante e rouco:
          - Mas... o Thiago, Winnie? Por que ele?
          - Ora! E a gente escolhe essas coisas?
          Ele engoliu em seco novamente, dessa vez ainda mais dolorosamente do que antes - ninguém poderia saber isso melhor do que ele, no mundo inteiro. De súbito, sentiu-se acuado, sentindo a necessidade de retirar essa ideia da cabeça da irmã a todo custo, pois era uma ideia muito perigosa. Poderia ferir várias pessoas, pessoas estas que Drue amava maus do que a qualquer coisa em sua vida. Não queria que Winnie sofresse; ela precisava desistir dessa ideia absurda o quanto antes.
          - Mas, logo ele... Ora, Winnie, esqueça, isso não daria certo...
          - Por que não? - entre chorosa e zangada.
          - Ora, ele... ele... Ora, ele nem mesmo é um cara legal, entende? Ele nem é bonito, sabe?
          - Como não? Além do mais, quem precisa achar isso sou eu, não concorda?
          - Ora, Winnie! Você nem é o tipo dele.
          - E como você pode saber?
          - Ele é meu amigo, não é? Eu o conheço há um bom tempo e... e as garotas com que ele sai... não têm nada a ver com você!
          - Drue! Acho que você não está querendo me ajudar!
          - Mas é claro que quero! Qualquer outro rapaz, Winnie, um rapaz que sirva de verdade!
          - Mas eu gosto dele - reclamou ela - Não posso deixar de gostar! Você nunca gostou de ninguém na vida?
          - É claro que já - sussurrou ele, encolhendo-se, como se admitir isso pudesse ser um pecado, ou uma revelação.
          - Faz muito tempo que penso nele, Drue, desde que nos conhecemos, e tenho pensado cada vez mais. Não é justo que eu fique sozinha, se gosto tanto dele. Se vocês são amigos, você é o elo entre nós!
          Drue ficou sem palavras por alguns instantes, enquanto Winnie esperava ansiosa por alguma coisa, olhos e ouvidos bem abertos.
          - Não posso prometer nada - foi a única coisa que ele conseguiu dizer, de olhar no chão e voz baixa e torturada. Por seu lado, Winnie teve um acesso de indignação contra aquele que, a vida toda, sempre, estivera a seu lado, e não conseguia entender porque logo agora agia daquele jeito:
          - Olha aqui, se você não quer me ajudar, não precisa mesmo, porque eu vou me virar sozinha; não preciso de você, Drue!
          - Winnie, não quero que você sofra!
          - Sofrendo, eu estou agora.
          - Por favor, não vamos brigar - suplicou ele.
          - Não, não vamos brigar - disse ela, cheia de rancor pelo irmão, deitando-se e cobrindo-se, apagando violentamente o abajur.
          Drue mastigou os próprios dentes, com o maxilar tenso, e correu os olhos trêmulos ao redor. Quando, na vida, ele poderia ter sequer imaginado que aquilo pudesse acontecer? Ela nem sequer suspeitava da realidade, e os dois, pela primeira vez, estavam brigando; Deus saberia o que poderia haver se realmente soubesse... Talvez ele e Thiago estivessem mesmo errados; esse pensamento chegou a passar por sua mente... mas havia acabado de ouvir da boca da irmã, e era verdade, não se pode escolher essas coisas; elas simplesmente acontecem, e Thiago fôra o que de melhor havia-lhe acontecido, embora ele não pudesse supor tal coisa antes que acontecesse. O próprio Thiago já havia sofrido com tudo... não era justo que mais pessoas sofressem... Quantos mais haveriam de sofrer com isso? Por que as coisas não podiam estar bem simplesmente sendo como eram, simplesmente sendo o que puramente são?
          Sentia dor; ele próprio já sofria. Uma dor extra-física e que, por isso mesmo, era ainda mais terrível. Engoliu uma saliva amarga e apagou a luz, deitando-se na cama, mas havia perdido completamente a capacidade de dormir. Seus olhos, abertos na escuridão, gemiam silenciosamente. Ah, Deus! Deus era testemunha de que, realmente, Drue não esperava por isso.

*

          Primeiro juntou forças para depois erguer os dois braços, e empurrou o grande portão de folha de zinco debilmente pintado de um preto fosco já perdido, e ele abriu-se, gemendo com estalidos metálicos mudos que ressonaram na penumbra do interior do galpão, quebrada unicamente pelo brilho débil de um pequeno lampião aceso num canto, no chão úmido, que assim iluminava uns poucos rapazes que já dormiam, no chão, envoltos completamente em cobertores velhos. Outros, sentados mais adiante, mais na penumbra, fumavam e conversavam. O cheiro tostado dos cigarros comuns mesclava-se ao acre forte da erva e impregnava o ar bolorento que pairava ao redor como que petrificado. Rudy passou para o lado de dentro depressa, sem olhar para ninguém, o ar quente do lado de dentro envolvendo-o como uma malcheirosa manta espessa, seus passos, soando úmidos enquanto seguia em frente. A chave dependurada sobre seu peito já não estava mais gelada e, enquanto ela pendesse alí, ele estava de certa maneira seguro, pois ela trancava a porta e trancava para fora os pesadelos, e até mesmo a morte, que não passavam daquela porta comida de cupins no final do alto da escada. Caíam goteiras do altíssimo teto, em gotas murmurantes.
          - Hei, temos da boa hoje - disse um dos rapazes ao vê-lo, terminando de cheirar uma carreira.
           - Não enche - respondeu Rudy, passando direto por eles, peito aberto e ombros retos.
          - Foda-se! - gritou um terceiro, totalmente alterado, antes de começar a rir sem motivo, freneticamente, e levar consigo outros em seu riso sem nexo.
          Abanando negativamente a cabeça, Rudy tomou da escada estreita e subiu, sumindo por trás da parede, baixando a cabeça e erguendo a gola, subindo, subindo, e tomou da corrente com a chave, puxou-a para fora pelo colarinho, e abaixou-se, tateando pelo buraco. Passou para dentro e fechou a porta. Tateou pelo lampião e acendeu a luz. O quarto era um escritório, ou o fôra, há muitos anos atrás; quando Rudy chegara, há pouco mais de 3 anos, nos cinco metros por cinco do quadrado da construção, ainda havia um velho arquivo, uma mesa com três cadeiras e uma velha máquina de escrever sobre ela, fora algumas poucas pastas esquecidas com poucos papéis dentro. Voltou-se e contemplou, sem sentimento algum, o seu lar. Jamais sairia dalí, sabia disto; não arranjaria coisa melhor. Gostaria de ter uma casa de verdade, mas ninguém o aceitaria. Não agora. Olhou o trapo sobre a janela, que cobria os vidros quebrados, com um longo olhar, e começou a despir-se, jogando a roupa no chão e, inteiramente nu, não fosse pela corrente com a chave no pescoço, caminhou até o arquivo, onde guardava todo o pouco de tudo o que tinha de seu, abrindo-no, sofrendo dos arrepios que sentia nas gengivas ao rugir das engrenagens velhas, franzindo o rosto, e vestiu uma velha camisa branca que tomou de lá de dentro.
          Por um momento parou para notar a si próprio, não gostando do que via: Cansado, fraco, debilitado. Derrotado. Desenrolou o colchão, esticou sobre ele o cobertor, xingando-se dos mais variados sortilégios de nomes feios e ofensivos, abrindo a terceira gaveta do arquivo. Tomou à seringa nas mãos mais a última dose que tinha, olhando-na já saudosamente antes mesmo de gastá-la, preparando tudo, vagarosamente, ritualisticamente, até injetar-se.
           E deitou no colchão. Por hoje, estava salvo. Tinha por hora sua meretriz santa e sentia-se abençoado. E gozava.


Notas Finais


No próximo teremos um pouco do passado de Marcus, do presente de Débora, e de como as coisas podem ser complicadas.
(não sou boa com esse negócio de próximo capítulo como minha caçula é, kkkkk, mas to tentando.)


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