História Cores - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Cores, Histórias Originais
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LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia)

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Cinza...


“É…intrigante…sou composto por cores vibrantes mas me sinto ser apenas alguém cinzento.”



   Levo meus lábios frágeis à pequena abertura da barra de metal com seu certo peso, um pequeno sopro silencioso vaga de minha boca para a abertura produzindo um som languído porém, de certa forma, gostoso. As posições de meus dedos se alteram e novamente o vento toma seu rumo, dessa vez era um som pouco mais grave que o anterior.

   O Sol ainda amanhece, normalmente em fins de semana as pessoas dormem até quanto o corpo assim desejar, algumas banhando-se em profundos sonhos e outras queimando em infernizantes pesadelos, outras ao acordar nem se recordam e presumem que não o obtiveram. 

   Eu moro sozinho, e naquele quarto sou apenas eu e minha flauta tranversal, não tenho qualquer motivo para estar ali, não sou músico que ganha qualquer coisa por minhas notas graves e agúdas formulando minha melodia. Presumo que seja só mais um de meus meios tolos de despejar minhas angústias que nem eu possuo qualquer noção de sua incômoda existência.

   Bem, me chamo Taylor Drake, um homem transbordado de cores entretanto totalmente cinza, não sei como explicar isso de forma coerente e que possua algum sentido. Pratico poesia e brinco com as palavras dando um sentido além dos decididos pelo dicionário. Pratico música e a sua beleza sonora. Pratico pintura e a beleza visual a partir da dança do pincel pela tela. Pratico todas com cores. Então por que sou cinza? 

   Logo não fluia mais sopro de meus lábios e a melódia cessou, o cômodo agora se encontra em um castigo de silêncio agoniante. Sem vento. Sem vozes. Sem música. Sem barulho. Tudo tem seu final, até a mais magestosa melodia que você não sente cansaço de ouvir porém a orquestra tem que finalizar o que ela um momento iniciou, além de que, todos precisamos de um pequeno tempo acompanhado com o silêncio pois logo ele não estará mais lá.

   O Sol se erguia morosamente, sua luz transparecia pelo vidro da janela enquanto iluminava de meus pés descalços contra o chão frio de madeira maciça, tomava caminho por minhas pernas cobertas por uma calça de moletom e engolia meu tronco coberto por um suéter caloroso e confortável. Foi tudo muito vagaroso, porém eu possuo paciência para suportar a velocidade que a natureza impõe de agir, é vital sua demora, é mais tempo para desfrutar nossas vidas. A minha é sem graça, é cinza, mas todos que possuem cores devem aproveita-las. 

   

    Azul…


   A tranquilidade devia se habitar em meu peito, pelo silêncio apto para aquele começo de dia pacato porém tão confortante pela brisa fresca que beijava minha pele morena de tom caramelado. Entretanto a bela manhã de céu limpo e alaranjado para mim não é diferente de uma nublada de cinza opaco. É frustrante. De certa forma, não me importo, de outra, eu gostaria de poder sentir as cores. 

Vermelho...

Eu devia sentir apreciação e a paixão pelo cenário tão belo como uma pintura, tão bela, inacreditável a arte magestosa da natureza. Reconheço. Porém não consigo sentir, devia ser algo que produziria um cintilar em meu olhar, entretanto, já vi aquela paisagem antes, em um dia de tempestade.

Branco...

A paz não está ali, é apenas uma máscara de porcelana que a maléfica realidade se esconde por trás, em meu interior não se flui paz além de um tormento infinito descomunal tão desastroso quanto um tornado, embora, eu não me importe com sua existência. 

   



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