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História Cores Opostas - Capítulo 1


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Capítulo 1 - 01




O trem vai parando aos poucos e tinha que admitir a mim mesma como senti saudades da minha cidade e princialmente de minha mãe e de Benta uma das escravas mais antigas de meu pai e  que há ajudou minha mãe em minha criação e é claro dos meus dois irmãos mais velhos....o único que não consegui nutrir sentimentos de saudades foi pelo senhor meu pai.


Escuto o apito do trem avisando que ele estava parando e que finalmente cheguei ao meu destino respiro aliviada e me levanto do banco do trem e ajeito meu vestido em meu corpo e vestindo minhas luvas e colocando meu chapéu em minha cabeça e fazendo um laço com as fitas do mesmo para ele ficar firme em minha cabeça.


Depois de quase seis anos longe de Ouro Branco uma cidadezinha do interior que se localiza na capital de São Paulo estou voltando para casa e acho que meu amado pai não me trouce de volta por sentir saudades da sua única filha mulher e sim para atender aos pedidos da senhora minha mãe.


Meu avô José Antonio Avelar Dos Anjos foi um dos principais fundadores da cidade de Ouro Branco isso trouce muito prestigio e respeito para meu avô e para o sobrenome da minha família,e a cidade de Ouro Preto foi crescendo cada vez mais com a ajuda de meu avô que vendia os pedaços de terra para vários comerciantes de gado,para os fazendeiros que vendiam algodão e claro para grandes cafeicultores e com isso meu avô foi conquistando mais alguns pedaços de terra,propriedades para fora de São Paulo lá para os lados de Salvador e Pernambuco e comprou quase uma légua de escravos....dessa ultima parte não me orgulho nem um pouco.


Meu avô ensinou tudo para meu pai o que ele sabia e depois quando ele veio a falecer meu pai herdou o dinheiro,as propriedades,os escravos e principalmente o respeito que todas as pessoas de Ouro Branco tinham por meu avô passaram para meu pai....e com o tempo meu pai triplicou toda a herança deixada por meu avô.


E quando meu vô faleceu meu pai já estava noivo de minha mãe e quase 4 meses depois os dois se casaram e um ano mais tarde minha mãe cumpriu o seu dever como esposa que era lhe dar filhos varões e claro além de ser uma mulher prendada,do lar e submissa ao meu pai.E então nasceu meu irmão mais velho José Antonio....que recebeu o mesmo nome que meu avô em homenagem há ele....e 5 anos mais tarde nasceu meu outro irmão Diogo Felipe e 2 anos depois minha mãe deu a luz a mim.


Eu praticamente sou a ovelha negra e o desgosto de meu pai porque como diz minha mãe sou a versão feminina de meu pai e por isso não damos certo....somos teimosos e cabeças duras mas meu pai consegue ser pior que eu.


E nossos ideais são completamente opostos,meu pai não é só conhecido por ser um grande senhor de fazenda....ele também é conhecido por maltratar e castigar seus escravos severamente e sem piedade e ele é um escravagista conservador que acha que todos os negros são um bando de animais e que nem um deles tem alma e que eles só servem para o trabalho e para se reproduzirem mas eu não concordo com isso e cada vez que o escutava dizendo essas barbaridades e absurdos me sentia em nojada e com pena de meu pai por ter a mente tão fechada.


Para mim todos os seres humanos são iguais independente da cor da sua pele....pra mim todos são filhos de Deus,e todos os negros sentem os mesmos sentimentos que os brancos mas esses senhores de engenho acham que os negros são ignorantes mas na verdade quem são os ignorantes são eles mesmo que não tem empatia pelo próximo e se acham melhores do que os outros....por isso que meu pai me mandou para a corte e viver num colégio interno de lá pelas minhas ideias abolicionistas.


Eu sempre defendi os escravos da maldade de meu pai e quando eu tinha 14 anos estava em meu quarto com Benta e a mesma me ajuda a arrumar o cabelo quando pela janela de meu quarto vi meu pai passar com fogo soltando pelas suas ventas e entrar para dentro da casa grande e eu como sempre fui uma menina muito curiosa e então me escondi atrás da porta do gabinete de meu pai e escutei quando ele disse que vazou uma das vistas do Pai Tomás porque ele estava falando na linguagem africana e meu pai já tinha proibido por não entender o que eles falam e Pai Tomás acabou desobedecendo.


E eu fiquei horrorizada com a loucura e atrocidade de meu pai e fiz a Bá Benta me ensinar a mexer com alguma erva para tentar combater a infecção que pegou no outro olho que a vista ainda estava boa....e foi uma vida para a Bá me ensinar porque meu pai proibiu que tentassem cuidar do Pai Tomás....mas depois de tanto encher a paciência dela Bá me ensinou e mesmo me dizendo que era uma loucura o que eu estava prestes a fazer me levou até a senzala e lá eu cuidei do Pai Tomás e felizmente consegui combater a infecção antes que ele ficasse cego das duas vistas.


Meu pai ficou furioso e disse que me mandaria para um convento para mim aprender a se comportar como uma verdadeira moça de família ao invés de eu ficar correndo atrás de escravos....e que só me tiraria de lá quando eu tivesse idade para me casar.E na semana seguinte ele me colocou no trem e me mandou para a corte e lá vivi quase 6 anos com a freiras....meus anos foram um enorme tédio e eu não podia fazer nada ou até mesmo falar ou querer ir para algum lugar que era pecado e elas me diziam que eu ia para o inferno se eu continuasse a agir e pensar desse jeito.


Eu e minha mãe e meus irmãos nós comunicamos por cartas meu pai nunca permitiu que ela me visitasse....e isso eu nunca o perdoei.


Vou andando em passos lentos até a saída do trem e seguro a barra do meu vestido para descer os três pequenos degraus e saio do vagão e dou alguns passos para dar espaço para as outras pessoas poderem sair do vagão.


Olho para o lado e não vejo nem um rosto conhecido e então olho para o outro e vejo o rosto conhecido de meu pai e o mesmo continuava do mesmo jeito com uma carranca seria em seu rosto,e com o passar do tempo sua barba e seu cabelo ganharam alguns fios brancos e seu rosto várias rugas e marcas de expressões,o mesmo usava um terno preto com uma blusa branca por baixo e calças pretas e as botas também mas essas estavam um pouco sujas de barro e ele também usava chapéu e bengala.


E então tomo coragem e respiro fundo e vou andando até o mesmo.


-Olá papai....-Eu digo quando chego mais perto dele e o mesmo me observa.


-Cecília....vosmecê está mudada....se tornou uma bela mulher.Ele diz me analisando e eu dou um sorriso forçado.


-Muito obrigada papai onde está mamãe ???.Eu pergunto procurando pela mesma e ele me olha.


-Sua mãe ficou na fazenda para terminar de organizar os preparativos para sua chegada Inês ficou bem feliz e animada há tempos sua mãe anda melancólica pelos canto e muito chorosa.Meu pai diz e eu sorrio fraco.


-Eu senti muitas saudades dela....-Eu falo sentindo meus olhos ficarem rasos de água e o mesmo parece ignorar minha fala e olha para trás e percebo que ele trouxe com sigo dois negros fortes e altos.


-Peguem a bagagem da minha filha....-Ele diz e os dois assentem e vão até em direção ao trem-....Vamos andando pois sua mãe deve estar uma pilha de nervos.


Meu pai estende seu braço direito para mim e entrelaço meu braço ao seu....e sinto os olhares das pessoas em nós tento ignora-los e meu pai vai me conduzindo para fora da estação de trem.




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-A fia do sinhô tá chegano....-A negra Graça diz e Inácio a lança um olhar em reprovação.


-Araaa....Graça aquieta teu facho.Ele diz se sentando no chão de terra batida da senzala e Graça o olha.


-Benta disse que ela é diferente dos otros sinhô.Ela diz e Joana ri sem humor.


-E o cê caiu no papo dela aquela veia ta caducano....essa sinhá deve de ser metida e nariz em pé ingual aquelas branca azeda que vem aqui na fazenda.Joana diz fazendo cara de nojo e Pai Tomás se levanta de sua rede e vem andando devagar e se apoiando em sua bengala improvisada por um pedaço de pau e nós olha feio.


-Ocês trata de cuida da suas vida e parem de fala assim da menina Cecília,ela é uma flô de formosura e só istou enxergano porque a sinhá veio e cuidou desse preto veio e se o feito escuta ocês falano mardade da menina cecília o barão vai manda ocês pro tronco e eu vou achar graça.Pai Tomás diz nós repreendendo e Inácio o olha rindo.


-O cê tá caducano também pra tá defendeno a fia do mardito.Inâcio diz e Margarida entra na senzala correndo e afobada e nós olha.


-A sinhá Cecília cabo de chega....-Margarida diz e Joana me olha sorrindo e vem até mim.


-Porque ocê tá tão queto Lorenzo....-Ela diz passando aos mãos pelos meus braços-....Tá sardade da sua preta é.


-Me deixa Joana já disse pro cê me deixar em paz....que não quero mai nada com ocê.Eu falo me afastando dos braços de Joana e indo me sentar ao lado de Inácio.






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 A carruagem passou pelo porteira da fazenda e senti como se meu coração fosse sair pela boca de tão forte que o mesmo estava batendo....e minhas mãos estavam trêmulas e a palma delas suavam muito....e muitas lembranças vieram a minha mente de quando eu era menina e vivia correndo pela fazenda feito uma moleca junto de José Antonio e Diogo.


A carruagem vai passando pela linda trilha de grandes coqueiros altos e de longe já vejo a casa grande ir aparecendo de ante de minhas vistas e ao longe vejo a estrutura de minha mãe acenando na ponta da escada da casa grande e aos poucos a carruagem foi parando e eu segurei a barra de meu vestido e corro em direção a casa grande.


Subo as escadas rapidamente e dou um abraço muito forte em minha mãe que corresponde ao mesmo e sinto pequenos beijos serem distribuídos por minha bochecha. 


-Minha menina....-Ela diz com uma voz chorosa.


-Mamãe....-Eu digo e sinto alguns pingos de minhas lágrimas escorrerem por meu rosto.


-Bem-vinda de volta minha filha....-Ela diz me abraçando mais forte ainda.


Notas Finais


Espero que tenham gostado bjss ❤❤


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