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História Coroa de Flores - Capítulo 1


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Notas do Autor


olá, florzinhas do meu jardim, tudo sussa? espero que sim!

bom, eu venho aqui trazer uma bebezinha minha, que seria postada em um projeto há meses, mas eu acabei sem tempo, e guardei o plot para postar de forma independente no meu perfil.

ainda não tenho capinha nem nada (por enquanto), mas espero que minha bebê lhes chame a atenção mesmo assim.

eh isso, amorzinhos. tenham uma boa leitura, e obrigado, de coração, a quem decidiu entrar nessa comigo hehe
amo vocês!

até lá embaixo! ♡

Capítulo 1 - Capítulo I


Há dez anos

Jimin, ainda que fosse apenas um garotinho de quatorze anos, sem conhecer muito sobre a vida e as pessoas, poderia se intitular o maior amante da floresta existente neste tão vasto universo. Para si — enquanto corria em máxima velocidade até a árvore mais próxima, esbanjando um sorriso orgulhoso por estar, mais uma vez, escapando das personificações feitas de troncos e cipós retorcidos, os quais eram denominadas guardas florestais, seres da natureza — não havia lugar melhor do que aquele, e, com toda a certeza desse mundo, não trocaria nem o mais saboroso alimento pela sensação de ser inalcançável sobre a copa cheia de folhas, pulando de galho em galho (os mais grossos, era claro) e tendo uma visão ampla do local.

Àquela altura, já conseguira despistar os "homens-árvore", olhando-os de um ângulo acima, rindo baixinho com a mão direita a tapar sua boca em função de se divertir com as expressões confusas e decepcionadas deles. Em alguns instantes, certamente os guardas desistiriam e voltariam ao vilarejo para realizarem seu real trabalho; já estavam mais que acostumados com as façanhas do menino, embora nunca soubessem lidar com perfeição e o deter antes que se emaranhasse entre as folhas e sumisse de suas visões. O que poderiam fazer, afinal? Apesar da técnica e destreza deles, o loirinho, além de mais rápido, ainda tinha uma ajudinha da natureza a qual lhe escolhera e ajudava em toda circunstância.

Ainda que não pudessem enxergá-lo, o pequeno Jimin fez questão de se afastar, controlando os galhos mais grossos, tornando-os maleáveis e os conduzindo para mais perto de si em um conjunto de mente e movimentos sutis das mãos, regendo aquela pequenina fração da floresta pelos dons que ela mesmo havia lhe dado para usar com sabedoria e retribuir, como sempre fizera, com seu tamanho zelo e amor por aquela área. 

Como o seu domínio não era tão elevado em função de sua idade e de estar aprendendo aos poucos a controlar e saber até onde seus poderes tinham alcance, sua movimentação era lenta, junto da manipulação das árvores, o que, por um lado, o ajudava a ser ainda mais cauteloso e silencioso, passando ainda mais despercebido por aqueles que buscavam por si.

Em um certo momento, já não se via mais guardas tampouco civilizações, apenas plantas de porte cada vez menor que indicavam ao menino não dever afastar-se mais, pois estava bem próximo do fim da floresta. O que acontecia era: havia um consenso gerado pelos chefes dali de não atravessarem ou saírem da mata sem uma devida permissão, porque não se conhecia o que os humanos eram capazes de fazer ao ter conhecimento do mundo deles ainda existirem, então, para que ninguém se machucasse, quase nunca se aproximava do fim, pois tamanho era o medo.

Jimin, observando e ponderando sobre isso, também achava os "habitantes do outro lado" também se amedrontarem com os seus, porque não se via humanos a querer se aventurar por ali. Talvez, desde cedo, como fizeram consigo, contassem às crianças inúmeras histórias as quais demonizavam aquela parte da terra desconhecida em cada um dos pontos de vista, apenas a fim de que crescessem com um medo fundamentado em mentiras, pois quem havia ultrapassado a barreira para saber se tudo o que diziam era verdade?

Aparentemente, aquele menininho de cabelos negros, correndo atrás de uma borboleta azul, aproximando-se cada vez mais da zona "perigosa". 

O loiro, por estar em uma certa altitude podia ter uma visão panorâmica tanto da área gramínea — que demarcava um território já não mais seu — quanto da mais rica em folhas, sua casa; então pôde observar com clareza aquele ser não tão mais novo que si e, até, igual em aparência estar chegando. Um fato curioso era que até mesmos os guardiões da floresta como um todo não se aproximavam quanto Jimin fazia agora, por puro medo, esse que questionava de várias maneiras agora: "Como poderiam temer a um garotinho desses, ingênuo como um filhote de coelho? Onde estavam as ganância e pura maldade? Só poderiam estar de brincadeira este tempo todo os intimidando com estórias descabidas sobre os humanos.". Preocupado com a distância cada vez menor do menino, suspirou com pesar, vendo que teria, pelo bem de seu povo e do pequeno humano, de barrá-lo de alguma forma.

Desceu da grande árvore com cautela, porém com certa rapidez para impedir o garoto o quanto antes, afinal, além de poder causar um possível rebuliço na comunidade, Jimin não era cruel a ponto de deixar que os guardas o vissem e fizessem algo consigo, porque, qualquer um que olhasse o ser mais que distraído, veria não ser capaz, ao menos, de matar uma mosquinha. Então, sentindo a leveza da grama a beijar seus dedos numa cócega refrescante e macia, andou de forma rápida até o outro, não muito longe de si, parando em sua frente com o olhar mais amedrontador que possuía — a qual era apenas um bico, um franzir de testa, bochechas mais rosadas e uma postura superior —, a apoiar suas mãos na cintura. Essa pose toda do maior desfez-se assim que o moreninho trombou em si, despertando tanto a si mesmo como ao outro que fez uma careta, murmurando um "olhe por onde anda" baixinho.

Após se recompor e analisar o humano de perto — constatando esse ser extremamente fofo, mesmo estando envergonhado e nervoso com o que acontecia —, resolveu, por fim, falar consigo, alertando-o:

— Ei, o que pensa estar fazendo andando por aqui? Tenho plena certeza de que seu povo também lhe ensinou que não deve se aventurar nessas terras, não é?

O menino, até então, parecia não haver percebido onde estava, afinal há poucos minutos estava no pátio do castelo e agora havia parado frente à divisa, mais especificamente a um passo do "outro lado". "Como fui deixar isso acontecer? Papai certamente brigará comigo!", pensava, desesperando-se mais a cada instante. E, vendo o menino à sua frente observando-o com confusão, afinal, àquela altura, Jeon já tremia moderadamente, não pôde pensar em outra coisa a não ser tirá-lo dali, puxando seu braço, pois, se aquele era um território proibido para si, ao menino — diferente apenas em cor de cabelo e olhos, afinal o pequeno Jeongguk nunca avistara em sua vida madeixas que destoassem do castanho ou do preto — também seria. E, constatando a resistência do outro, resolveu falar pela primeira vez:

— Venha, por favor! Sei que não deveria estar aqui, mas você também não! Esse lugar é perigoso, nós podemos nos machucar! Vamos, vamos! — E, usando força em seus dedos, soltou-se do aperto do garoto o qual quase lhe fizera pisar na gramínea do território humano, fazendo, portanto, o menino volver-se a si com seus orbes negros ainda maiores em espanto.

— Olhe só, o único que deve sair é você, menino. Eu sou daqui, destas terras. E, para o seu bem e de meu povo, sugiro que volte ao seu lar. — Cruzou os braços, enquanto mirava o menino, impassível. Acontece que sua carranca desfez-se no momento em que avistou o menino em completo pânico, só por saber e se lembrar de tudo o que já haviam lhe dito sobre os seres da floresta, mal podia reparar na realidade em frente aos seus olhos, já estando pálido e hiperventilando, perguntando a si mesmo várias e várias vezes o porquê de ter atravessado o portão, saído do castelo e ido parar ali, pois, certamente, seria morto.

— Ei, ei, ei. Garoto, se acalme. — Nada. O menino apenas se apavorava mais, já soltando uns "eu vou morrer" repetitivos, ao passo que seus globos encham mais e mais de lágrimas prestes a rolarem. — Olha, eu não vou fazer algo de mau contigo, muito menos ainda estou bravo por estar aqui, okay? Mas, se deseja voltar, precisa respirar fundo para pensar bem e lembrar de seu caminho. — Com intuito de ajudar o outro a parar de tremer e soluçar, embrenhou seus dedos curtos e gordinhos entre os fios negros, fazendo um carinho até que puxasse e soltasse o ar com mais tranquilidade, olhando, por fim, para si sem medo.

— Você não vai, mesmo, me matar? — Fez um bico, ainda choroso. E, assim que viu o loiro sorrir, negando, envolveu rapidamente o corpo a sua frente com seus braços finos, em um abraço caloroso e agradecido, esfregando de leve seu rostinho pelo peitoral do outro, enquanto sentia de perto aquele cheiro bom e vívido de grama molhada pela chuva. — Obrigado, obrigado, obrigado. — Jimin apenas ria com a cena, meio desconfortável com o aperto repentino, porém não o findando, apenas subindo e descendo pelas costas do moreno com a mão até então não ocupada, em um acariciar singelo e desajeitado.

— Qual o seu nome? — Após se separarem e o mais velho limpar delicadamente a pele da face do menor que ainda possuía o úmido das lágrimas, o loiro proferiu.

— Eu me chamo Jeon Jeongguk, e você?

— Sou Park Jimin. — Agilmente, senta-se no chão, do lado florestal (após uma breve reverência recíproca, significando algo como "prazer em conhecê-lo"), vendo o outro menino fazer o mesmo (mesmo um tanto hesitante), no entanto do lado gramíneo, exatamente à sua frente, olhando-lhe atentamente com aqueles grandes olhos negros que o loiro, com toda a sinceridade existente em si, não sabia decifrar o significado deles, mesmo sendo algo que lhe chamava tanto a atenção. Tanto por ser uma cor diferente das habituais em seu lugar (coloridas e vibrantes), quanto por lhe lembrar as adocicadas amorinhas maduras que tanto gostava. 

— Certo. — Suspirou Jimin, iniciando sua fala. — De fato, você não deveria ter vindo aqui. Não pelas coisas malucas que inventaram e disseram sobre nós, mas, sim, porque, assim como lá onde vive, nós também ouvimos mentiras sobre os humanos que nos fazem ter medo deles. — O ouvinte vez uma careta engraçada de espanto, fazendo Jimin sorrir levemente, no entanto sem demorar a retomar seu foco nas palavras. — Vir foi um grande risco, afinal poderia, sim, algo ruim ter acontecido contigo, sendo isso, porém, não por raiva, por proteção de algo que posso ver não existir ao te olhar. — Flexionou os gordos dedinhos indicador e do meio ao proferir a palavra "proteção".

— Como assim? O que vê ao me olhar?

— Basicamente, vejo que você é inofensivo. — Deu de ombros, soltando uma risada soprada, zombando do menino.

— Ei! Isso não é verdade, okay? Eu sei muito bem como intimidar alguém. — Rapidamente, mostrou-se irritado.

— Ah, é? Então prove. — Cruzou os braços e ergueu umas das sobrancelhas e uma clara provocação ao orgulho do moreno.

O mais novo, de completados, há pouco, treze anos, reuniu toda a ira e força existentes em sua alma, concentrando toda a energia em seus rosto e mãos, franzindo suas sobrancelhas, intensificando seu olhar para mostrar sua intenção e emitindo um rosnar seguido de um rugido, no mesmo instante em que flexionava suas falanges como se fosse fechá-las.

Jimin, com seus olhos afiados, observou atentamente cada detalhe da cena, deixando, no fim, seus dentes prenderem fortemente seus lábios volumosos para conter seu riso, contudo os tortinhos escorregaram pela derme avermelhada e macia fazendo o som escapulir e uma de suas mãos ir direto à sua boca, tapando-a. 

Para ele, o garoto só havia se mostrado ainda mais amável e adorável.

— Ei, não estou vendo graça alguma. — A pose já estava desfeita e os braços, cruzados, enquanto um bico se fazia presente.

— É porque você não estava se assistindo. Mais parecia um bebê tigre em seu primeiro rugido! — Riu um pouco mais, porém por não muito tempo, então assim que seu sorriso permitiu que seus olhos abrissem novamente, pode ver os do menino à sua frente cada vez mais brilhantes, e os beiços tremelicantes. 

Esta era uma das coisas que o Jeon mais odiava em si mesmo: sentir raiva e não conseguir controlar o choro que se formava com ela, fazendo o ciclo tornar-se quase infinito. Jimin, por sorte, percebeu tudo com clareza, afinal era uma ação normal e acontecia com quase todo mundo.

— Não, não, chega de choro por hoje — disse nervoso com a reação inesperada do menino, tanto que mexia suas mãozinhas desengonçadamente sem saber o que deveria fazer. Bom, aparentemente, ele não gostava muito desse tipo de brincadeira. Fez uma nota mental para que isso não se repetisse, afinal lidar com as lágrimas alheias não era seu forte. — Olhe, mesmo que os bebês tigre sejam bem fofinhos e, se cuidar com jeitinho, inofensivos, quando eles crescem, viram verdadeiros animais ferozes, que se deve pensar algumas vezes antes de provocar. Então não leve tanto como uma ofensa, porque digamos que tenha uma pontada de elogio, tigrinho. — Deu um leve soquinho no ombro do amorenado, dizendo mudamente que ele afastasse aqueles sentimentos ruins, e sorriu em conforto.

— Verdade? — O biquinho foi se desfazendo aos poucos, e as mãozinhas, mais uma vez, secavam o rostinho rechonchudo de criança do Jeon e os olhinhos, no momento, encontravam-se arregalados, prestando bastante atenção no menino de olhos azul-acinzentados à sua frente. 

Pela primeira vez naquele dia, permitiu-se avaliar, olhar por completo o menino. Suas vestes eram curtas e folgadas no corpo, o tecido era grosso e de diferentes tons de marrom, parecia ser feito de uma mistura animal e vegetal (dando prioridade a folhagens mais robustas e longas). E, somado a esses, ainda havia um cordão de uma pedra polida e escura — exoticamente linda aos olhos do moreno —, que se enrolava em seu pescoço através de um fio de folha, recém-conhecido aos seus olhos, uma vez que haviam semelhantes pendurados sobre as árvores atrás dele. Comparando com o estilo que Jeongguk e seu povo usava, Jimin vestia uma espécie de calção e um colete que mostrava parte de sua barriga. Riu um pouquinho com o pensamento de que o umbigo do loirinho era muito fofo.

O Park percebeu a atitude do outro, mas preferiu não comentar sobre e só lhe responder à pergunta:

— Sim. Não te ensinam sobre os animais naquela casa grande e pontuda? — Apontou a cima do ombro do garoto, na direção de uma grande construção de pedras ao centro do território alheio. Quando acompanhou a coordenada do dedo indicador gordinho, instantaneamente teve noção do espaço onde estava e o que deveria fazer para voltar ao seu lar, mas apenas guardar aquela informação em um canto de sua memória, pois não era como se quisesse ir embora naquele instante; não tinha mais medo. E, então, voltou-se ao menino e sua pergunta.

— Você diz o castelo? Aquela construção grande? — O loiro assentiu, olhando atento humano conversava consigo ao passo que mexia levemente suas mãos, como se contextualizasse sua fala, ainda que fossem apenas sem ritmo e desengonçados movimentos. — Bom, mais ou menos. Moro lá, mas as pessoas que cuidam da minha educação não focam muito nisso, querem mais que eu aprenda a ser rei, para, sabe, continuar legado ao meu pai. 

— Oh, e o que exatamente é ser rei? — Seu olhar transparecia uma brilhante curiosidade.

— Pelo que dizem, é governar um povo. Algo como garantir a segurança, lazer, cuidado e saúde a eles, em troca de ouro, ou bens, e lealdade. — Coçou a nuca assim que sentiu um calorzinho passar por ela, pois ficou um pouco envergonhado em não saber explicar bem sobre o assunto. Oras, ainda era um príncipe e, ainda por cima, uma criança.

— Hm… Eu acho que temos algo parecido por aqui. — Pensou um pouco, apoiando ambas as mãos na cintura e fazendo um biquinho leve.

— Sério?

— Uhum. Nós temos uma chefia que cuida de organizar todo o povo, com ajuda de nossos anciões, os moradores vivos mais antigos dessas terras; da natureza, nossa mãe, quem nos dá absolutamente tudo o que temos; e de nossos ancestrais, aqueles já mortos, mas ainda em comunhão conosco, nos contando o passado para entendermos o futuro. — Jimin tinha nítido brilho nos olhos ao falar sobre sua gente, afinal tamanho era o orgulho que sentia por ser quem era e fazer o que fazia. Deixou um pequeno sorriso de lado aparecer em meio ao seu discurso enquanto passeava seus dedos pela grama vívida, buscando conectar-se com a natureza mais uma vez e sentindo seu corpo infinitamente renovado com apenas aquele sutil toque.

Era claro, aquela cena não passara despercebida pelos negros olhos atentos do pequeno príncipe, que contemplou com certo apreço e inveja de toda aquela paz. Queria serenidade, queria orgulho, queria sentir-se bem e acolhido onde vivia.

A calma das múltiplas palavras; o cabelo dourado levemente balançado pelo vento, que caia sobre o rosto em seu suave formato de ondas longas e sem uma direção correta, sofrendo a ação sublime da gravidade ao encarar seus macios dedos acariciando a terra úmida, fértil e bem cuidada. Era lindo. Lindo demais para não ser descrito ou visto.

Ao perceber que ambos estavam em seus próprios mundos por tempo demais, Jeongguk soltou um arfar exasperado, apressando-se para responder ao menino:

— Woah! E eles não pedem algo em troca como fazem lá no castelo, com o ouro?

Os olhos azul-claros passearam pelo rosto infantil, redondinho e curioso à sua frente, parando um tanto para pensar como ficavam facilmente à vontade a conversar e compartilhar suas presenças um com o outro. Continuou seu trajeto até ter seu rosto virado ao sol, com as pálpebras fechadas, sentindo e pequena incidência luminosa e calorosa que atravessava com muito custo o céu nublado, abarrotado de nuvens espessas. 

Soltou um pouco de ar pelo nariz e levantou suavemente os cantos da boca ao constatar — analisando a imagem recente que havia capturado do moreno —, mesmo sem ele ter a conexão que tinha com o que os cercava como Jimin, parecia mais calmo em relação ao Park e a antes. Talvez, confiasse, gradativamente, de forma mais intensa no mais velho. Afinal estavam contando detalhes íntimos (pelo menos aos seus respectivos povos) sobre si mesmos; contando verdades. Por alguma razão, mentiras não eram necessárias no momento a nenhum dos dois.

— Amor...? É, talvez seja amor. Amor, carinho e cuidado, são essas as coisas que oferecemos em troca ao recebermos igualmente de volta. O ouro, bem, ele é de todos e, sobretudo, pertence à terra. Então pouco usamos dele, apenas o necessário, e deixamos no solo o que é dele por direito. Para que ele seja tão formoso, enfeitado e belo quanto as árvores com suas folhas, flores e frutos — explicou lenta e suavemente, com as palavras saindo com certa preguiça de seus lábios, mas não deixando de lado o tom limpo e firme de sua natureza. Com seus olhos já se aventurando pela imensidão escuro-cintilante do outro, por um tempo maior do que das outras vezes. Como se a cada viagem às janelas da alma alheia fosse uma competição entre o tempo que levara anteriormente e atualmente, e a personificação do agora sempre era mais sedentária e preguiçosa, querendo passar mais tempo ali, desvendando o nada, o completo indecifrável das pequenas amoras.

Tão erroneamente "decifradas" por terceiros do castelo — que fingiam entender ao príncipe apenas por sua atenção —; contudo tão labirinto incansavelmente sem fim ao Park. Era tão louco e cheio de contraste.

— Você fala de um jeito tão bonito e amável sobre coisas igualmente bonitas e amáveis. Me faz pensar sobre o modo como vivo, como sou obrigado a viver por amor e respeito ao meu pai. Me faz querer ter vivido aqui e ter mergulhado nesse mesmo universo encantado de amor, mesmo que meu futuro esteja tão explicitamente pendido ao divergente. — E, mais uma vez, a fala devagar fazia-se presente, dessa vez escorregando pela boca medianamente volumosa do moreno. Parecia que a conexão não existia só entre Jimin e a natureza, mas entre Park e Jeon. Era louco, porém estranhamente incontrolável.

As vozes dos garotos eram como sopros de um vento de primavera; arrastados, leves, porém significativos.

A letargia era tanta, que o mais velho, antes mesmo de permitir-se pensar em alguma resposta ao mais novo, flexionou seus cotovelos e inclinou seu corpo para trás, deitando seu tronco sobre a terra — deixando somente as pernas dobradas, pois o menino ainda estava à sua frente e relativamente perto, portanto não podia se esticar por completo —, fazendo o contato e as sensações cada vez mais intensas e firmes.

Tudo se tornava mais e mais claro. O ambiente trazia a paz; ele traziam (e faziam) a paz, sem perceber, ao se proporcionarem aquele encontro, aquele conhecer de alguém novo, alguém totalmente novo. Era como se estivessem no lugar certo e na hora certa, ainda que pelos motivos errados.

A natureza confirmava, Jimin sentia e Jeongguk percebia com seus olhos sem se desviar da pessoa à frente há tanto tempo que já não lhe dava nervoso, muito pelo contrário, parecia instigar-lhe.

Sem saber como responder, o loiro resolveu apenas dar três batidinhas sobre o solo ao seu lado esquerdo, fechando seus olhos com suavidade, com a intenção de ser ainda mais sensível às mensagens vindas da floresta.

— Hm? — questionou ao despertar-se de leve, sem entender as ações do menino.

— Deite aqui, tigrinho. — Bateu mais uma vez na superfície fofa e úmida.

— Não é errado? Digo, passa da fronteira. — Seu tom já não era desesperado como antes, era apenas preocupado.

— Shhh, só deite. — Encostou o dedo indicador nos lábios durante interjeição de sua frase somente. — Deite e aproveite a paz que eu sei você também estar sentindo. Afinal já fez o proibido de vir até aqui, então o que é uma garoa para quem está ensopado por um temporal? 

O pequeno Jeon ponderou por alguns minutos, com a cabeça pendendo de levinho para um lado e para o outro, como uma balança, pesando o "aceitar" e o "negar". Acabou deixando-se pender mais ao "sim", pois era uma das poucas vezes em que sentia calma (em que lhe era permitido senti-la) por tanto tempo, e preferia sentir quanto mais pudesse. Então, com cautela, deitou-se ao lado do garoto, mantendo cerca de um palmo e meio de dedos abertos de distância, afinal não eram tão íntimos para ficarem colados, no entanto tampouco se sentiam desconfortáveis — no presente momento — perto um do outro, logo o afastamento longo e bruto não era tão necessário.

Jimin, sentindo a movimentação do outro e a presença ao seu lado a partir do som da respiração alheia bem mais próxima que antes, sorriu de leve, sentindo as bochechas esquentarem pelo longo tempo passado a contemplar o sol dando-lhe beijos sobre a pele. De fato, sentia-se inteiramente recarregado, mesmo que não se percebesse antes esgotado. Talvez fosse pela idade avançando, os anos se passando, as múltiplas e cada vez mais severas responsabilidades chegando, impedindo-o de ter momentos como esse… de apenas sentir.

O loiro de olhos claros suspirou longo e virou sua cabeça para o lado, encontrando as bolotas negras observando-lhe cautelosa e calmamente de volta, ligeiramente surpresas por terem sido flagradas, fazendo, naquele instante, as bochechas alheias pigmentarem em rosa. E, então, agora eram dois corados. Um, pelo calor; outro, pela vergonha. Riram juntos pelo fato, sem precisar de uma palavra sequer.

Ficaram assim por alguns momentos: olhando-se. Presos na curiosidade que tinham um pelo outro, afinal viviam em ambientes tão fascinantemente diferentes; e em seus próprios pensamentos, sobretudo envolvendo o presente instante e todos os outros que construíram juntos até agora naquele dia. 

Em meio aos pensamentos, Park solta um muxoxo baixo, lamentando suas ações, não deixando de deixar um bico irritado ultrapassar por seus macios lábios. Como antes, não passou despercebido ao menino mais novo.

— O que houve? — Os olhinhos estavam um pouquinho maiores e as sobrancelhas levemente franzidas, preocupado. "Será que serei rejeitado logo agora?" pensava, amuado e inseguro. 

As expressões desgostosas suavizaram-se assim que observou a faceta alheia. Céus, Jeongguk era infinitamente fofo e pequenino aos olhos de Jimin, tanto que chegava a se perguntar ele poderia se encolher a ponto de poder o guardar dentro de um botão de flor para que pudesse mantê-lo seguro e vivo envolto das pétalas sedosas.

Não pôde conter a risada e um rubor no rosto, estava ficando piradinho.

— Ah, se mamãe estivesse aqui, vendo isso tudo, ia puxar tanto minhas orelhas que certamente ficariam tão vermelhas quanto rosas. — Suspiraram. Jimin, em decepção; Jeongguk, em certo alívio por não se tratar de si. Em um ato engraçado aos olhos negros, o loiro não deixou de esfregar um de seus ouvidos, fazendo uma expressão sofrida, como se sentisse a dor ali mesmo. — Não ria, a situação é séria! — Tentou ditar firme, mas a paz ainda lhe inundava, então não tinha como não sorrir. — Ela sempre me diz: "filho, qualquer dia desses você vai se meter em uma enrascada por culpa desta tua boca grande que não para quieta!", e, agora, olhe onde estamos. Poxa vida, eu te contei muitas coisas! Tantas que, caso venham a escapulir de sua boca, podem acabar conosco. — Cobriu o rosto com as mãos rechonchudas, ao passo que bufava mais uma vez.

— Hm… — Pensou um pouco sobre o que poderia dizer para lhe confortar. Prendeu o lábio inferior com os dentes da frente antes de continuar. — Olhe, não é como se você estivesse sozinho nessa, sabe? Eu também te contei muitas coisas. E, se as contar para alguém de sua casa, podem facilmente me matar, causando uma catástrofe no reino, porque, bem, meu pai já é velhinho, não vai aguentar ficar no poder por mais muito tempo. Sem contar que, mesmo eu tendo ficado chateado contigo mais cedo por ter me provocado, sei que sou, mesmo, inofensivo; um alvo muito, muito fácil. 

Seus olhos caíram um pouco, tristes, mas não desviavam dos alheios, passando credibilidade. 

— Vamos fazer uma promessa, então — falou, sem pensar muito, levantando seu tronco rapidamente e o apoiando com um de seus braços. O outro menino acabou por lhe acompanhar nas ações, ainda atento a si. — A mais antiga e significativa: a de mindinhos. Tenho quase certeza de que conhece… — Viu o menino assentir. — Então sabe o poder dela, e que, se for quebrada, as consequências vindas do universo, que a selou junto aos envolvidos, são inimagináveis e justas, não é? — Mais um "sim" com a cabeça, dessa vez acompanhado pelos tão recorrentes olhos arregalados, e a, aparentemente, mania de morder o lábio. Jimin anotou mentalmente aqueles serem possíveis sinais de nervosismo e/ou curiosidade. — Portanto preciso saber se está totalmente de acordo com isso. 

O garoto não precisou ponderar muito como nas outras escolhas daquele dia, afinal era claro que não contaria algo — tendo juramento ou não envolvido —, porque podia até ser bobo, porém perverso não era. E, caso antes já tivesse uma ideia dos males gerados ao Park e seu povo, após ver os claros decepção, desespero e receio em sua voz, teve uma certeza palpável sobre. 

Então não, não faria coisa alguma que pudesse quebrar a beleza daquele desconhecido (no momento, um pouquinho menos desconhecido); acabar com todo aquele toque amável e vívido que existia do outro lado; ou partir o coração do garoto tão pouco conhecido, mas gentil e encantador em abundância. Faria aquele acordo para simplesmente tirar a face do arrependimento presente em suas expressões para que este se sentisse feliz com aquele encontro perigoso tal como se sentia também. Não era todo dia que podia conversar com alguém que não fosse algum adulto ou idoso da corte.

Logo, sem deixá-lo a esperar, se desesperar, abrir mais seus olhos pequenos e afiados e roer cada vez mais as cutículas de suas curtas, suaves, macias e belas unhas, resolveu dar-lhe a sentença:

— Estou de acordo.

O loiro soltou o ar tão ruidosamente — por claro alívio — que apenas sobrou ao moreno rir alto disso, sendo prontamente acompanhado, quebrando totalmente o clima chato e tenso de antes, fazendo o rubor infantil adornar seus rostos novamente e deixando a palidez mórbida do medo para trás.

— Certo. — Respirou fundo após se recompor, voltando à seriedade. — Eu, Park Jimin, com meus humildes quatorze anos de vivência, juro solenemente que nada sobre o dia de hoje será contado a terceiros. Tudo será guardado somente em minha mente e… coração. — Iniciou seu discurso de peito estufado e fala firme para, ao decorrer dele, ficar nervoso e enrolado, afinal não era tão bom na arte de expressar sentimentos. Sem pensar mais muito sobre, resolveu apenas estender o mindinho trêmulo da mão desocupada ao outro antes que ficasse mais envergonhado.

— Eu, Jeon Jeongguk, com meus humildes treze anos de sobrevivência, juro solenemente não contar a terceiros sobre o que aconteceu no presente dia, guardando, carinhosamente, tudo em minha mente e coração. — Sorriu, ao fim, consigo mesmo pelas pequenas e significativas modificações que fizera em sua fala antes de, finalmente, estender o dedo um pouco maior e mais fino que o do outro na direção deste, não conseguindo, no entanto, esconder seu rubor pelas palavras terem escorregado com tanta facilidade por sua boca.

Ambos os meninos estavam nervosos com tal ato, pois aquele era um firmamento muito, muito importante, sobretudo aos ideais típicos da localidade deles. Além de que, nossa, tudo era tão estranhamente intenso e mútuo demais quando se tratavam dos dois… tanto que tremiam; suspiravam e respiravam com dificuldade; tinham o coração martelando fortemente no peito; o típico corar; e os olhos vidrados nas mãos quase, quase a se tocar; tudo isso em conjunto. 

Jimin, em um estalo, passando brevemente sua língua por seus lábios, umedecendo-os, findou aquela distância, abraçando o dedo alheio com certa força devido ao nervosismo intenso que sentia, subindo à sua cabeça e não lhe fazendo pensar/agir com sua comum lucidez. 

Seu plano inicial era apertar forte e soltar logo em seguida, assim, bem rápido, para que toda aquela aura pesada de tensão passasse depressa. Entretanto o universo, naquele momento, resolveu não conspirar a favor de seus desejos, tendo o menino com quem dividia o ato lhe rodeando com tanta força quanto, fazendo seu dedo ficar ali, parado, naquele enlaço aos poucos mais e mais quentinho. Porque ao mesmo tempo eram parecidos e opostos. Portanto, nesse singelo contato, não seria diferente. Era uma doce mistura do frio de Jeongguk com o quente de Jimin, este que passava calor àquele, performando uma dança sensível e suave.

Era, definitivamente, louco.

Assim que percebeu seu esquema ter falhado, abriu os olhos — os quais nem percebera ter sido pressionados com tanta força enquanto fechados — para visualizar o que lhe impedia. Ao ver o dedo alheio adornado de manchas brancas e vermelhas, evidenciando o tamanho esforço que fazia, resolveu afrouxar o aperto, deixando — engolindo em seco no processo —  o outro conduzir o selo da promessa, afinal parecia querer isso. Dado um tempinho para tentar se acalmar, resolveu ver qual era a expressão alheia, encontrando um rostinho completamente vermelho e os olhos grandes passeando das mãos até seu rosto, observando-lhe de volta sem deixar de morder seu lábio. Ele estava nervoso, era claro por sua expressão, mas daria tudo para saber os pensamentos que os fios negros e lustrosos guardavam sobre aquele momento.

— É que se não selarmos direitinho, a promessa pode quebrar fácil, fácil, sabe? — Estava muito, muito vermelhinho, e seu medo era que Jimin achasse suas ações ainda mais duvidosas e estranhas, então resolveu explicar o porquê do aperto anterior. E, claro, não deixou passar o fato de que fizera aquilo também pois queria aproveitar mais do contato quentinho, singelo e significativo. Gostava disso, de tocar. De tocar e ser tocado. Então, quando tinha a chance, fazia-o o máximo que podia e curtia até o permitido. 

Logo, naquele instante, mesmo a contragosto, decidiu findar o abraço bem lentamente, só para prolongar o momento e as sensações. Primeiro, desenroscou o dedo; depois, foi abaixando o braço e se afastando gradualmente, não deixando de arrastar a ponta do mindinho nas costas da mão alheia, em um carinho tão suave quanto de uma gota de água — fugitiva da prisão de uma toalha — a percorrer um corpo após um banho. Tudo isso observando ao outro, apenas para certificar-se de alguma reprovação em seu rosto. Nada. Apenas o olhar curioso sobre o caminho feito por si sobre a pele dele.

No entanto o mais intenso Jeongguk não pode sentir ou ver, pois já não mais estava encostado à outra pele: por ela passar uma onda de puro arrepio, que desconsertou cada pedaço da alma de Jimin.

Quando a mão comprida encontrou o solo, o loiro suspirou, fazendo o mesmo com a sua, antes parada no ar, como se esperasse pela volta da amiga para lhe fornecer acalento, o que não aconteceu. Decidiu, portanto, apenas confirmar com a cabeça diante da fala do menino, a qual parecia tão distante, porém não significava ter sido esquecida ou ter perdido seu valor. 

Era tão estranha a facilidade como conseguiam tensionar o clima em um espaço de tempo curto demais para ser minimamente possível.

Jimin jogou o cabelo para trás, e umedeceu a boca. Já Jeongguk apenas mordeu o lábio.

Vergonha. Era algo mútuo. E não só isso. Também o desvio dos olhares ao chão, e a volta simultânea a seus rostos, fazendo todo o embaraço aumentar e aumentar. Até que o Park — não sabendo mais lidar com todo aquele aperto, aquela bolha densa de alguma coisa que tampouco ele sabia dizer o que era, muito menos classificar como boa ou ruim — pigarreou, tirando Jeon de seus devaneios cíclicos sobre o presente momento e dando um estalo em si mesmo até.

Com os pensamentos mais claros e fora de sua momentânea hipnose, bufou, não escondendo sua feição a se tornar cada vez mais triste e pesarosa. E, olhando para o chão, a fazer uma carícia sobre a grama verde que o cobria, olhos os orbes azul-perolados mais uma vez e expôs o que lhe perturbava a mente:

— Acho que preciso de voltar, hyung… — A expressão do outro menino balançou um pouco ao pressionar os lábios grossos um no outro, suspirando baixinho. — Pode… pode ser que meu pai fique sabendo do meu sumiço… e… e mande alguém para vir até aqui. Isso pode piorar tudo — falava com certo receio, afinal não era por sua própria vontade, mas, sim, por um bem maior. Por Jimin e todos aqueles com quem ele convive.

— Você tem razão, tigrinho. — Resolveu fazer uma forcinha, mesmo sem muita vontade para se levantar, erguendo seu corpo devagar e, depois, estendeu a mão ao garoto que, até então, apenas lhe olhava. Este usou da ajuda dada, e, dessa vez, o toque das mãos não surtiu o efeito exorbitante de antes, uma vez que não havia espaço para novas sensações quando estavam tão presos em seus próprios pensamentos, sentindo certa melancolia em seus peitos; principalmente o Jeon.

Diferentemente do de madeixas douradas, Jeongguk não deixou de passar suas mãos por seu bumbum a fim de tirar um pouquinho da terra ali grudada, pois, talvez, pudesse dar trabalho na hora de lavar caso deixasse para depois. Não gostava de ser ou se sentir um peso ou alguém que só atrapalha.

— Jimin-hyung, você acha que nós vamos poder nos ver outra vez?

O Park apenas achatou a boca mais uma vez e suspirou, negando com a cabeça. Preferia, naquele momento, tentar poupar-se um pouco da fala, afinal era tagarela. Mas não quando se tratavam de sentimentos. Principalmente esses novos que não entendia, que achava loucos e grandes demais para um ser pequenino como era (embora não admitisse ninguém o qualificar assim além de si mesmo). Resumindo, era melhor ficar calado do que se arrepender depois. Mal sabendo se o verdadeiro arrepender futuro seria da falta de fala ou não.

— Entendo… — Um nó estava pouco a pouco se formando em sua garganta, tornando-se maior e mais apertado. Todavia tentou, com toda a força existente em si, engoli-lo, pelo menos enquanto estava frente a frente com Jimin, pois não queria que este tivesse de lidar com suas lágrimas mais uma vez só naquela pequena manhã. E essa lembrança (de tê-lo feito lidar com seu lado chorão por duas vezes consecutivas) só lhe fez pesar e murchar mais e mais por dentro. Era quase como se pudesse sentir um gosto amargo em sua boca por tamanho desgosto. — Eu posso te dar… pelo menos... um abraço de despedida?

Como poderia negar algo àquelas duas bolotas cor de amorinhas maduras lhe olhando com tanta intensidade e expectativa?

Só fez um "sim" com a cabeça e esperou pelos longos braços — que, naquele momento, pareciam pequenos e fofos — a lhe rodear a cintura com certa pressão, encostando, de leve, a testa no peito do outro (quase em seu pescoço), com a cabeça abaixada, dando-lhe apenas a visão de suas madeixas escorridas e aparentemente sedosas. Sem saber muito o que fazer e tentando se acalmar para o outro não ouvir seu coração batendo com tanta intensidade dentro de si, resolveu apenas descobrir a textura do cabelo alheio, descansando, suavemente, o queixo ali, sentindo a maciez e a fragrância boa que vinha dali. E foi uma bomba de paz tão grande que chegou a permitir-se fechar os olhos apenas para saborear daquele sentimento forte mais uma vez naquele dia.

Jeongguk, por sua vez, tinha seus sentidos cada vez mais bagunçados, embaralhados, mexidos. Era o cheiro de Jimin; a forma como lhe embalava como um docinho; o jeito de o tratar com cuidado e cautela, como se pudesse quebrar a qualquer instante; o calor vindo de si… Tudo, tudo lhe remetia a apenas uma coisa: nunca mais teria aquela presença. Em alguns minutos estaria no castelo, sentindo-se infeliz e fracassado. Sem pessoas de sua faixa etária para interagir, nem que fosse só um pouquinho como no atual dia. Talvez, viesse a ter com seus amigos, príncipes de outro distrito mais afastado, daqui a um par de anos ou mais — se desse sorte —, em alguma festa ou baile real.

Era triste. Triste e frustrante demais para continuar naquela tortura. Sentindo seu nariz e olhos arderem feito fogo, segurando aquele sentimento monstruosamente forte. 

Quando percebeu já estar em seu limite, e, caso permanecesse mais um segundo, não largaria o loiro nunca mais, resolveu se soltar brusca e rapidamente, balbuciando um completamente quebrado e trêmulo:

— Se cuide, hyung, e viva bem.

Depois de uma última passada de olhar pelo rosto do outro, triste como o seu — mas não tão destruído e dolorosamente pintado de vermelho em lugares que, logo, logo, derramariam fluidos em forma de externar o turbilhão de coisas que sentia, estas totalmente novas e, aparentemente, incontroláveis —, correu, correu e correu, o mais rápido que podia, atravessando aquela divisa de grama baixa como um raio, sentindo, já, as pequenas gotas de chuva caindo por seu corpo fragilizado. Era como se o céu se comovesse com seu pesar, com sua tristeza, com sua melancolia. Só que, diferentemente deste, não eram meros chuviscos que deslizavam por seu rosto, eram lágrimas grossas, pesadas, que lhe inundavam a face por inteiro, escorrendo pelo queixo bem desenhado, ainda que as mãos tentassem, falhamente, secá-las/impedir que caíssem.

Era o mais puro fracasso.

Jimin, por outro lado, teve como última memória do outro os olhos, pontinha do nariz e boca muito vermelhos no rosto tão angelical, iluminado e chamativo (pelo menos ao Park). No entanto, ao presenciar esse quase choro do menino, não se desesperou ou deve de pensar em como agiria — até porque aquele nem lhe dera tempo para isso —, pois não havia o que dizer, como confortar. Não podiam se relacionar. Era isso. Com ponto final e sem margem de vírgula. Tentar ir contra seria por, não só a vida deles, mas de muitos outros em risco. Ambos sabiam disso. Entretanto nada, nada mesmo podia fazer com que os corações doloridos fossem confortados.

Era claro, o loiro sentia, agia e pensava diferente do mais novo, então sua reação seria e era diferente da do amorenado diante da situação, porém isso não significava que não havia gostado do outro ou que não sentiria falta deste. Queria e muito que tivessem mais tempo. Tempo de se conhecerem melhor. Tempo de formar uma amizade.

Então, como tudo fora rápido pela falta de tempo, apenas disse para si mesmo (afinal Jeon já estava longe):

— Se cuide também, tigrinho, e veja se não me esquece, como eu não vou esquecer você…

Tinha tanto a desvendar aqueles olhos brilhantes, negros e majestosos… Se sentia imensamente pesado.

E, vendo o outro já distante a ponto de lhe medir com os dedos indicador e polegar, por estar bem pequenino — do seu ponto de vista —, suspirou, dando uma meia-volta e percebendo o quanto estava molhado pela chuva, contudo não se importou muito (diferentemente de outros dias em que estaria com um sorriso enorme no rosto, parando para ser agraciado com toda a energia que aquela água poderia lhe passar), porque sua cabeça apenas se enchia de uma coisa: deveria ter lhe apertado mais durante o abraço, tê-lo conduzido e feito durar bem mais do que durou, bem como Jeongguk fizera na promessa de antes.

Logo concluiu que moreno podia até ser um bobão como ele mesmo dizia, mas, para certas coisas, tinha uma coragem a qual o Park, nem em um milhão de anos, teria.


Notas Finais


eai, bebezinhos, curtiram?

bom, tenho alguns avisinhos:

como tá nas tags, vai ter jikook e taegi, mas a fic não vai girar só nos casais!!!
todos vão ter seu brilho porque sim e porque eu amo. e, claro, isso não quero dizer que não vai ter uma boa boiolagem como foi esse capítulo hehe

outra coisa: eu não sei se vai ter smut, então não venha procurando só por isso, porque, talvez, você não ache por aqui!!!

eh isso o que eu tinha pra falar... e, ah, esperem por mim tá? eu vou tentar não desanimar, porque eu amo esse plot.

enfim... bebam água, lavem as mãos, usem álcool em gel e sejam felizes!

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keep smiling ✨


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