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História Corpóreo - Capítulo 30


Escrita por:


Notas do Autor


Viram? Passou rapidinho!
Se preparem pra chorar.
Boa leitura :)

Vibe do capítulo "Grace" do perfeito Lewis Capaldi <3 (link nas notas fnais)

Capítulo 30 - Decepção


Fanfic / Fanfiction Corpóreo - Capítulo 30 - Decepção

14 de Abril (Alemanha)

 

 Noah

 

Estou dentro do quarto, sozinho. Krys foi nadar na piscina aquecida do hotel. Insistiu que eu fosse com ele, mas não tenho cabeça para isso.

O dia foi exaustivo. Além dos acontecimentos da manhã e do show ainda tive que lidar com as redes sociais e com as milhares de perguntas, sem contar no ódio gratuito.

Ouço o telefone tocar. 

— Alô?

— Noah?

— Sam? Como vai?

— Eu vi as fotos...

— É, todo mundo viu as fotos.

— Você tá bem?

— Tô, eu realmente não ligo. Só fiquei puto, foi muito vacilo da pessoa espalhar aquilo, quase perdi meu emprego.

— É... Noah, preciso te contar uma coisa. Eu sei quem tirou aquelas fotos.

— Sabe?!

— Sei... Fui eu.

Paraliso, Sam não pode estar falando sério.

— Você?

— É, eu tirei. Mas não fui eu quem postou.

— Por que tirou as fotos?

— Porque você e Ryan tavam se beijando e você tava completamente bêbado. Não ia acreditar se eu te contasse no dia seguinte, então fotografei.

— Não foi legal. — Estou irritado.

— Eu não ia mostrar pra ninguém além de você.

— E por que mostrou?

— Não mostrei. Eu tava com o Ryan, aí ele viu elas no meu celular e pediu pra eu mandar pra ele, como também tava na imagem achei que tinha direito. Ele é nosso amigo, não achei que fosse fazer isso.

— O quê?! O Ryan fez isso?! Por quê?!

— Não sei. Mas foi ele, tenho certeza.

— Caralho, e eu achando que ele tinha mudado...

— Desculpa ter fotografado vocês...

Suspiro, não posso culpar Sam, por mais que eu queira.

— Deixa pra lá. Eu vou matar ele.

— Te ajudo.

— A gente se fala mais tarde.

— Qualquer coisa avisa. Foi mal mesmo.

— Suave. Tchau.

— Valeu.

Quando desligo e deixo meu corpo afundar na cama um ódio vai me consumindo. Não consigo acreditar, Ryan realmente fez isso? Mesmo depois da última conversa? Qual era o objetivo dele com uma porra dessas?! Colin está certo, eu sou mesmo um idiota.

— Mas que merda! — Soco o travesseiro com força. — Foda-se, vou ligar pra ele e vai ser agora!

Desbloqueio o celular e o nome de Ryan aparece, está me ligando.

— Noah?

— Caralho, eu...

— Eu vi as fotos também, não acredito que alguém postou aquilo...

Ah, não. Ele não pode ser tão cara e pau.

— Alguém?

— Você tá legal? Também tá recebendo mil mensagens?

— Caralho, eu não tô acreditando...

— Eu também não, Noah. Como puderam fazer algo assim? Todo mundo lá na festa sabia como sua sexualidade era segredo pra internet.

— Ryan, você só pode tá de sacanagem com a minha cara.

— Baby, como assim? Eu tô aqui pra você, não precisa ficar nervoso. Vamos passar por isso juntos.

— Então esse foi o motivo.

— Motivo?

— Caralho, você é tão escroto.

— Noah, do que...

— Caralho, você é TÃO escroto!

— Noah...

— Puta merda, nunca vai me deixar ser feliz, não?! Já não basta o que rolou?! Precisa estragar tudo sempre?!

— Eu não sei do que...

— Você que postou essa merda! — Não tenho mais nenhuma paciência, honestamente só quero socar ele.

— Eu... Eu postei.

— Por quê?! Cacete, qual o seu problema?!

— Você.

— Eu?!

— Meu problema é que você não me ama, Noah! Ficou me iludindo, mas tava apaixonado por outro!

— Caralho, sério, vai se foder, Ryan. Você é a última pessoa no planeta que tem moral pra reclamar sobre ser iludido.

— Eu já pedi desculpas!

— Foda-se! Não apaga a merda toda! E mesmo assim eu fui estúpido de aceitar, achei que podíamos ser amigos... Eu sou muito otário mesmo.

— Podemos ser amigos! Podemos ser mais que amigos...

— Eu não quero ser mais que seu amigo!

— Por que não?

— Porque quando eu quis você me tratou feito lixo!

— Eu me arrependi.

— Só que agora não importa mais, cara. Eu não quero mais. Por que não pode só me esquecer?

— Porque eu te amo.

— Não, não ama. Se me amasse não tinha feito essa merda. Se me amasse ia me deixar em paz.

— Eu não posso, Noah. Não consigo viver sabendo que você tá com outro, que tá dando pra outro.

Paro por alguns segundos. É isso? Sexo? 

— Dando pra outro...? 

— Eu gostava tanto de transar com você, era tão bom.

— Você não pode tá falando sério... — Sinto um aperto no peito, uma tristeza se misturando com a raiva.

— Qual é, Noah. Foder você sempre foi maravilhoso. Sabe disso. Não posso chorar. Não vou chorar por causa dele. — Desculpa, mas é verdade. Transar com você é incrível.

— Você só queria me comer?

— Antes sim, já tivemos essa conversa.

— Não, não antes. Agora. Você só quer me comer?

— Quê?

— Caralho, você realmente só quer me comer...

— Não fala merda, eu gosto de você.

— Não gosta porra nenhuma.

— Eu...

— Você é tão babaca.

— Olha, eu tô tentando ser um cara melhor pra você, tô tentando de verdade. Claro que eu quero te comer. Cacete, foder contigo é bom demais, mas gosto de você de verdade.

— Você mentiu esse tempo todo, né? Só queria que eu voltasse a gostar de você, voltar a me iludir só pra... — Ótimo, agora estou realmente chorando. — Caralho...

— Noah, não fala merda, eu juro que gosto de você.

— Vai continuar fingindo?

— Eu não tô fingindo!

— Por quanto tempo?

— Eu não tô...

— Só até cansar de me usar, né? Igual da última vez.

— Por favor, não fala essas coisas. Desculpa pelas fotos, eu só queria uma chance de...

Desligo. Não quero mais ouvir isso, não vou. Ryan mentiu esse tempo todo. Mentiu sobre me amar. Ele nunca me amou, nunca nem gostou de mim. Era tudo sobre sexo. Sempre foi. Quanto tempo faz desde a primeira vez que disse me amar? Dois meses? Foi antes de transarmos pela última vez? Foi depois. Depois que eu parei de foder com ele. Óbvio, agora faz sentido. Não vou acreditar nele, ele não me ama. Só quer me comer. Eu sou um idiota.

 

 

Josh

 

Estou em frente ao quarto de Noah procurando a chave que Krys me emprestou. Apesar do problema com as fotos de manhã ficamos bem. Talvez possamos transar hoje.

Finalmente encontro o cartão e abro a porta, vendo ele encolhido na própria cama. Ouço soluços.

— Noah?

— Vai embora.

— Você tá bem? — Me aproximo, preocupado.

— Só me deixa sozinho, por favor...

— Tá chorando? Cara, o que houve? — Ajoelho ao lado dele, vendo seus olhos vermelhos e molhados. — Tá me deixando preocupado...

— Eu tô de saco cheio de todo mundo me usando. — A voz sai arrastada.

— Noah...

— Ele só queria me comer...

Estou muito confuso, não faço ideia do que está falando.

— Ele quem?

— Todos eles. Você.

— Eu?

— Também só quer me comer, né?

Noah parece um louco falando assim, está me assustando. Puxo a coberta, vendo uma garrafa jogada no colchão.

— Você bebeu de novo?

— Bebi.

Suspiro.

— Não pode beber.

— Você não manda em mim.

— O que aconteceu?

— O Ryan publicou as fotos... O Ryan não me ama. Ninguém me ama...

— Não é verdade.

— É sim... — Pelo menos ele não está tão bêbado, mas ainda embola um pouco as frases. — Você me ama?

— Sim, você é meu melhor amigo.

— Só isso?

— Noah...

— Não pode só decidir logo se gosta ou não de mim?!  — Me calo. Não sei como responder, talvez seja melhor só ficar quieto. — Porque as pessoas que eu gosto não gostam de mim? Porque todo mundo só quer... — Soluça. — Me comer? Eu nunca mais vou transar com ninguém. Vou virar um monge!

— Claro que vai. Me dá isso aqui. — Puxo a garrafa dos braços dele, apoiando-a em cima do frigobar.

— Por que você não me ama, Josh...?

— A gente conversa amanhã.

— Não vai... — Segura meu braço antes de eu me afastar demais. — Desculpa, não vai. Fica aqui comigo.

— Não sei se é uma boa ideia.

— Por favor... — Ele enxuga algumas lágrimas. — Eu transo com você.

— Eu não quero transar agora, Noah.

— Então quer o quê?

— Que você fique bem. — Cubro ele novamente. — Só isso.

— Não quer me comer?

— Não.

— Mas você não vai gostar de mim se eu não der pra você... — O timbre trêmulo, ele não devia ter bebido, só fala merda quando bebe.

— Isso não é verdade.

— O Ryan só gosta de mim por isso...

— O Ryan é um babaca. Chega pra lá.

Ele abre um espaço na cama de solteiro, me abraça. Ouço mais soluços baixinhos, posso sentir as lágrimas molhando minha regata branca. Faço um carinho nas costas de Noah e ficamos alguns minutos assim.

— Josh... Eu te amo. — Merda, não sei como responder isso. Pisco longamente, Noah está dificultando tudo. É a primeira vez que diz me amar, até agora só tinha falado em paixão. Merda. — Eu te amo muito.

Caralho, Urrea... Respiro fundo, solto ele. Não sei lidar com isso, não sei lidar com o amor. 

— Noah, agora não.

— Por que não?

— Porque você tá bêbado e eu ainda não posso responder.

— Como não? É só dizer o que você sente.

— Eu não sei o que eu sinto, desculpa... Isso foi uma péssima ideia — Sento na cama procurando os tênis no chão. Estou tenso.

— Não vai. Por favor, não vai. 

Olhos fechados, conto até cinco. Uma lágrima. Não chora, Josh, agora não.

— Não quero mais ver você assim por minha causa.

— Não pode só me dar uma resposta? Eu não aguento mais...

— Precisa ser agora? Noah, eu não quero... — me interrompo. Respira, Josh. Viro para ele, agora também sentado na cama. Seus olhos verdes inchados de tanto chorar, as pupilas dilatadas por conta do álcool. — Olha, eu ainda não tenho certeza do que sinto, por isso não posso te responder agora, mas se eu tiver que responder a resposta é não, eu não te amo, Noah. Desculpa.

Vejo mais lágrimas se formando no rosto dele, escorrendo. Um aperto me invade e sinto vontade de abraçá-lo ao mesmo tempo que só quero sair correndo dali.

Noah confirma devagar, tentando normalizar a respiração.

Fico vendo ele chorar por alguns minutos, não sei como agir. Quando finalmente se acalma um pouco ele me abraça.

— E se você não precisar responder agora?

— Não é melhor você seguir em frente? Me esquecer?

— Eu não consigo. Eu te amo, porra.

— Por favor, para de falar isso...

— É tão ruim assim eu te amar?

— Não, mas é ruim não poder dizer de volta.

— E por que não diz?

— Porque eu não me sinto bem mentindo pra você. — Silêncio. Ótimo, magoei ele de novo. — Acho melhor eu ir pro meu quarto, Noah.

— Por favor, fica...

— Eu preciso de um tempo pra pensar.

— Por favor...

— Desculpa. Amanhã a gente conversa, tá bem? Você não tá 100% agora. 

— Josh...

— Por favor, não chora... Eu não quero mais te fazer chorar.

Noah apenas vira a cabeça, desviando o olhar.

Suspiro, levantando da cama.

— Dorme bem. — Beijo o topo de sua cabeça, mas ele me puxa. Ele me beija.

Outra pontada no peito. É a milésima nessa conversa.

— Te amo.

— Até amanhã, Noah.

 


Notas Finais


Sim, eu sei que vocês estão chorando, desculpa. </3
Comenta se gostou!
Até o próximo! Não sei quando ele sai, em breve provavelmente.

Link da música: https://www.youtube.com/watch?v=m8rM7Tox1HE


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