História Corpos - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção, Ficção Científica, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Eu beijei um garoto


-VOCÊ FEZ O QUÊ? -gritou Brad, fazendo meu ouvido doer.

-Ai, calma! Foi só um beijo, nada demais...

-Só um beijo? SÓ UM BEIJO?

-Fica calmo! -eu já tava ficando com medo. Parecia que o menino ia explodir.

-FICAR CALMO? Você beija o meu melhor amigo e ainda quer que eu fique calmo?

-Desculpa, eu tava bêbada e ele disse... -eu ia começar, mas ele interrompeu: -Quando eu falei pra você ficar com quem quisesse, isso-não-incluia-o-Vítor!

Eu queria tentar dizer que não foi só um beijo, que o Vítor tava apaixonado de verdade. Mas ele não parava de gritar.

-E sabe o que me deixa mais puto? -ele pergunta, esperando uma resposta. Já como eu não digo nada, ele grita de novo:

-Sabe o que me deixa mais puto, Hannah? -suspiro

-O quê? -pergunto de braços cruzados.

-É que ele beijou pensando que fosse eu... quando na verdade era você!

Pera, o quê?

-Do que você tá falando?

-É que... -ele respira fundo, enquanto esfrega o rosto com as mãos e depois me olha. -...eu já tinha me imaginado beijando o Vítor, ok? Mas eu jurava que ele era hetero! E agora vem você com suas meninices e ele cede assim do nada?

De primeira eu não esboçei nenhuma reação, mas depois comecei a rir. Tipo muito. Mas já como ele continuava com a cara séria, presumi que fosse verdade.

-Pera, você tá falando sério?

Mano, como assim?

Cada dia uma nova surpresa não é mesmo, amigos?

-Sim! Por quê mais eu mentiria? Ele devia tá muito bêbado, né? O plano perfeito para Hannah Miller, pegar o garoto desprevenido, sabendo que ele esqueceria no dia seguinte...

Ah, agora eu fiquei puta.

-Para sua informação querido, EU que tava bêbada e não ele. Ele tava super sóbrio! E eu não planejava beijar ele.

-Sério?

-Sim. Eu fiz isso porque... -hesitei. Um beijo, talvez Brad levasse numa boa. Mas agora "apaixonado", acho que isso não.

-Por que o quê? -não falei nada.

-Anda! Me diz, por quê?

-Porque ele disse que tava apaixonado por você. Pronto falei.

Brad me olhou assustado: -Ele disse o quê?

-Sim, isso mesmo o que você ouviu. E não é uma paixão de agora, ele disse que gosta de você desde sempre.

-Desde sempre...? -ele repetiu, se sentando na cama. Confuso.

-Bem que eu desconfiei ao ler as conversas de vocês... -falei, mais pra mim do que pra ele.

-Pera, você leu minhas conversas?

-Claro. Eu sou você, lembra?

-Mas como você sabia a senha do meu celular?

-A questão é... -disse me aproximando desesperada. Eu que não vou dizer que eu já sabia a senha. -...O que eu faço agora? Tipo, o que você faria?

Ele me olha pensativo.

-Eu não sei... -ele sussurra e continua: -Mas... então por que você beijou ele? Isso não é tipo um, "sim, aceito namorar com você?"

-Primeiro que, não. Ele não falou nada de namoro, então não foi um pedido de namoro. Foi uma declaração. E segundo que, eu expliquei pra ele que eu estava bêbado, por isso estava beijando ele. Mas que seria melhor conversamos sobre isso depois.

-E ele?

-Ele pareceu ficar meio triste, mas voltou a me beijar logo em seguida.

-Ah... E o que vocês fizeram depois do beijo?

-Como assim?

-Tipo, vocês se beijaram e depois?

Pensei um pouco e fiquei vermelha ao lembrar das coisas.

-Digamos que as coisas esquentaram um pouco... eu lembro que já estava por cima dele na cama. De roupa, claro. E começamos a... bem... você sabe... tocar em partes inapropriadas. Mas tudo por cima da roupa, claro.

Brad riu e pediu pra eu continuar.

-Ai eu fiquei com medo e falei que era melhor a gente parar por ali. Ele concordou e saímos do quarto.

Ficamos nos olhando por um tempo em silêncio.

-Olha só, é melhor me dizer o que fazer logo. Porque o sonho vai acabar e eu...

-Eu já sei o que fazer! -disse ele se levantando.

-O quê?

-Se ele vier dizendo alguma coisa sobre a noite anterior, diz que bebeu demais e não lembra de nada e se ele vier dizendo que quer conversar, diz que tá ocupado e que não dá pra falar.

É sério isso?

-Essa definitivamente foi a pior idéia que você já deu na sua vida.

-Faz isso, por favor! Ai vai dar mais tempo de eu pensar...

-Não!

-Então dá uma ideia melhor?

E eu tinha mesmo, mas antes que eu falasse qualquer coisa, fui completamente sugada dali.

•••• •- -• -• ••••

Acordei P da vida.

Além de gritar comigo e me acusar, ainda dar uma idéia ruim dessas.

Depois de tomar banho pra relaxar e escovar os dentes, eu fiquei com a toalha enrolada na cintura, enquanto fazia caretas estranhas no espelho. Sei lá, eu queria ver as caras que Brad conseguia fazer, só pra eu rir mesmo.

Quando eu fico muito preocupada com alguma coisa, eu simplesmente paro de pensar na coisa e procastino até não dar mais.

Continuei ali até que do nada eu ouço um barulho na porta, aparentemente alguém tentando entrar. Provavelmente Lisa, "minha" mãe.

Saio do banheiro esperando ela entrar, mas quando eu vejo não é ela e sim Vítor.

Ele abre devagarzinho e quando olha pra mim, fica todo vermelho e sem reação. Eu não entendo, então pergunto.

-O que foi? Pode entrar, tá tudo bem.

-Não... é que você tá... -ele desvia o olhar pra cima, nervoso.

-Tô o que?

-Tá só de toalha -ele fala rápido e fecha a porta.

Ai meu Deus, eu nem percebi.

-Ah tá... então espera aí! Já tô me arrumando -dou uma risadinha nervosa.

Pego qualquer roupa e me visto.

-Pode entrar. -digo sentando na cama e por algum motivo, arrumando meu cabelo e analisando minhas roupas.

-Então... -ele começa a falar, entrando no quarto -...É sobre ontem -ele fica lá paradão, até eu dar umas batidinhas do meu lado pra ele sentar. Mas ele não vem.

-É melhor não.

-Senta logo, porra. -digo autoritária. Ontem tava todo de nhém nhém nhém pro meu lado, agora não quer nem sentar perto de mim, me poupe.

Ele obedece com medo e logo se senta. Mas bem afastado de mim.

-Então, pode falar. Aliás como entrou no meu quarto?

Ele riu.

-Seus pais perguntaram se eu era o garoto do carro e eles disseram que sim. Ai eles riram se olhando, não entendi direito... Mas me mandaram subir pra acordar você.

-Ah... pera, então você nunca veio aqui? -não era pra sair em voz alta, por motivos óbvios, mas saiu.

-Não. Você nunca chamou.

Como assim Brad? Seu melhor amigo, que esquisito...

-Ah é verdade. Mas enfim, diz aí, o que foi?

-Então... você lembra de ontem a noite?

-Sim

-Tipo, tudo? -agora ele tava vermelho. Fofo.

-Sim

-Mas não está bravo? -ele parecia surpreso.

-Não. Eu ficaria bravo se você tivesse beijado outra pessoa. -rimos. Na verdade Brad realmente ficou bravo, mas isso não vem ao caso.

-Como assim?

-É que eu sempre quis te beijar. Mas jurava que você fosse super hetero, então não quis tentar. -eu queria falar a verdade e é isso o que eu tava fazendo.

-Sério? -ele riu divertido.

-Sim. Mas como eu disse, eu não sabia que você tava apaixonado...

-Sobre isso, na verdade sobre tudo. Eu queria te pedir desculpas. Foi... foi um erro.

QUÊ?

-Como assim um erro?

-Eu não devia ter feito aquilo, sabe? Eu devia estar bêbado ou melhor... drogado. Por isso eu te disse aquilo.

Sim, eu sei que eu poderia aceitar tudo aquilo e fingir que é verdade, assim eu diria pro Brad que era mentira e agir como se estivesse tudo bem, certo? Mas não, eu não sou assim.

-Por que você está mentindo? -perguntei séria, olhando pro chão.

-Como assim? Sinto muito te decepcionar Brad, mas eu não tô apaixonado...

-Você chorou! E não estava bêbado, nem um pouco e não tô dizendo isso porque quero que se apaixone por mim, mas porque é verdade! -falei quase gritando, agora olhando pra ele.

-Eu não estou apaixonado Brad, sério! -ele tentava sorrir pra parecer calmo, mas eu via o desespero em seus olhos.

Nossa ele é idêntico ao Brad. IDÊNTICO. Os dois tentam fugir das coisas, quando parece estar fluindo. Os dois se merecem.

-Vítor, a gente quase transou... -sussurrei gritando (se é que isso é possível).

-Eu sei! Mas... foi coisa de momento...

-Me diz logo a verdade. Você tá com medo do que as pessoas vão pensar né?

Só pode ser isso.

-Eu lembro o jeito que você ficou no telefone quando eu disse sobre sermos um casal. E quando você me deu aquela carona. Você realmente se importa com o que as pessoas vão pensar? Você acha que eu me importo? -Eu tava puta. Sério. E eu tenho certeza que era exatamente isso.

-Brad..

-Não me venha com Brad. Não minta pra mim, não minta pra si mesmo.

-Mas eu tô falando sério. -ele me olhou e eu tive uma idéia.

-Então vem aqui.

-Como?

-Vem aqui. Eu quero que você diga isso nos meus olhos. Eu quero saber se é verdade.

-Mas Brad...

-Vem logo aqui! -ele estremeceu, mas veio. Adoro usar essa voz autoritária de Brad, sempre dá certo.

-Agora olha pra mim. -eu disse calma, mas ele não fez nada. Continuou com a cabeça baixa.

Eu peguei na ponta de seu queixo e levantei pra mim. Os nossos rostos estavam a poucos centímetros de distância e eu já via o seu olhar repousar em minha boca, mas depois desviar pros meus olhos.

Eles estavam vermelhos. Ele parecia querer segurar o choro, que logo logo viria.

-Agora fala. Diz pra mim que você não gosta de mim. -eu falei sussurrando.

Eu não sei de onde veio toda essa ousadia, mas eu estava brava. Brava por ele não aceitar quem ele é, brava por Brad ter sido um babaca fechado e nunca ter percebido que Vitor gostava de sí. Brava por tudo, com tudo, com todos.

-Eu... -ele tentou virar a cabeça, mas eu não deixei. Virei a cabeça dele com calma pra mim.

-Eu não... -ele fechou os olhos com força.

-Eu não gosto de você Brad. -ele falou prendendo a respiração e soltando-a quando abriu os olhos, algumas lágrimas cairam.

-Eu não acredito em você. -falei simples e soltei seu rosto. Decepcionada.

Ele se levantou e antes de sair, se recompôs. -Desculpa. -ele disse por fim e saiu fechando a porta.

Ótimo. MAS QUE ÓTIMO. A única pessoa que eu ainda tinha vontade de falar, agora provavelmente está brava comigo. Ou com vergonha de mim. Ou sei lá. Eu só queria poder dormir de novo e falar com Brad, talvez ele já tenha tomado uma decisão e eu vou tentar não forçar a barra outra vez com Vítor, mas não dá, eu não tô com sono.

O Brad é muito idiota, como ele não percebeu que Vítor gostava dele? Tava na cara. E o pior é que os dois não tiveram nada por causa de Brad. Qual é, ele nunca trouxe o melhor amigo dele pra casa dele. Isso é tipo, muito estranho. Eu até poderia dizer que é algo entre homens, mas Brad sempre vai na casa dele, então não tem sentindo.

-Ah, eu tô tão confusa. -digo pra mim mesma suspirando.

Eu realmente não faço a menor idéia do que fazer. E já tô começando a me arrepender do que eu disse pro Vítor, não devia ter sido tão agressiva.

-Eu sou uma idiota! -grito.

-Idiota, idiota, idiota!

-Filho? -me assusto. Alguém entra pela porta.

-Pai?

-Quem é idiota? -ele pergunta, mas eu não respondo, então ele se aproxima.

-O que aconteceu? O seu nam... amigo saiu todo apressado. Aconteceu alguma coisa? -diz "meu" pai se sentando do meu lado na cama.

-Não aconteceu nada. Eu que sou idiota!

-Idiota por quê?

Respirei fundo.

-É que... você já deve ter percebido que ultimamente eu não tenho estado muito em mim, certo? -eu não sei o que eu tô fazendo.

-Sim. Você realmente tem estado muito estranho.

-Pois é. E se, na verdade, eu realmente não esteja mesmo em mim. E se, digamos, for exatamente isso o que esteja acontecendo. E se eu realmente não estiver em mim? -o olhei séria, mas ele começou a rir.

-Que drogas são essas que você anda usando? Depois me dá um p...

Ótimo. Meu pai é um idiota. Isso explica muita coisa Brad.

-Não são drogas pai! É sério, me escuta.

Ele parou de rir e me olhou sério.

-Olha filho. Nessa idade, em que entramos na fase adulta, é normal ter esses pensamentos e questionamentos... - é normal trocar de corpo? Ah tá. -... mas o que eu posso te dizer é: é só uma fase. Viva nessa fase, viva sendo essa pessoa que você não é, que logo tudo voltará ao normal.

Não foi o pior conselho da minha vida. Ele tem razão, eu acho que estou me preocupando demais. Talvez eu devesse relaxar e aproveitar mais esse corpo. E eu espero que ele esteja certo sobre ser só uma fase. Não por mim, eu viveria nesse corpo pra sempre, mas por Brad. O corpo é dele e eu preciso devolver algum dia.

-Você tem razão pai, obrigado. Eu vou fazer isso.

Ele sorriu e se levantou.

-Tá, agora vem comer porque eu preparei um churrasco brasileiro pro almoço. Você vai adorar.

-Churrasco?

-Sim, já é 14h. Você deve ter bebido demais e por isso dormiu demais.

-Ah... verdade. Ok, já tô descendo. -sorrio cansada e ele sai.

Que espécie de pai tem consciência de que o filho usa drogas e bebe, mas mesmo assim não tá nem aí?

•••• •- -• -• ••••

A tarde passou muito lenta. Eu não tinha absolutamente nada pra fazer. Geralmente quando isso acontece, eu mando mensagem pro Vitor e a gente fica conversando sobre a vida, mas nem isso eu posso fazer mais. Pelo menos não agora.

Queria poder conversar com Brad, mas o sono não vem. Se eu fosse eu agora, provavelmente estaria me arrumando pra ir a igreja com os meus pais e estaria arrastando Lorena pra ir comigo. Os meus pais são do tipo que bebem e falam palavrão, mas mesmo assim vão a igreja todo domingo. É tipo uma tradição ou sei lá. Eu não curto muito religião, mas eu meio que sou obrigada a ir, então ok.

Fui na janela só pra conferir se eu estava lá. E eu estava. Mas eu não estava lá pra olhar pro Brad e sim pra ler. Eu amava ler à luz do sol que vinha pela janela. Olhando daqui eu até me acho bonitinha...

Na verdade, bem bonita...

O que aconteceria se eu....

-Ei! -grito pra Hannah e ela parece não ouvir ou achar que não é com ela.

-Ei! Aqui! -grito de novo e nada.

-HANNAH! -grito mais alto ainda, fazendo ela derrubar seu livro e me olhar assustada.

-Oiii -digo animado acenando com os braços. Hannah parece bugar com o meu ato.

Tipo literalmente.

Ela ficou extremamente vermelha e olhou para todos os lados como se pudesse achar outra Hannah, mas estava óbvio que eu falava com ela.

Como se algo fosse resolver, ela se abaixou e saiu do quarto agachada, como se eu não pudesse a ver.

-Puta que pariu... -sussurrei pra eu mesma. -Por que eu sou assim? É só o Brad!

Só o Brad.

•••• •- -• -• •- ••••

-Brad precisamos conversar. -falei sem rodeios, me sentando na cadeira e ele levanta de supetão da cama e se ajeitando pra falar.

-Concordo plenamente com você. -eu ia falar algo, mas ele me cortou. -Olha, eu fui um total idiota com você, desculpa. Você tem razão, eu não posso fugir dos meus problemas assim... Eu andei pensando, pensando bastante... e eu... eu quero tentar! -disse determinado.

-Tentar o que?

-Tentar algo com o Vitor, tipo de verdade.

-Olha Brad...

-Eu sei que parece loucura, tá legal? Mas eu quero, eu quero dar uma chance a ele. Talvez dê certo. Quer dizer, é claro que é você que vai começar a namorar e é óbvio que eu ficarei com ciúmes...

Ai meu cu. Agora pronto, quando um quer o outro não quer mais. Ai meu coração, será que eu digo mesmo pra ele? Nossa...

-Então Brad... é sobre isso que eu queria conversar...

-O que? Não vai me dizer que já pediu ele em namoro? Poxa, eu já tinha planejado algo tão romanticamente gay...

Eu não aguento. Meu coração se apertou quando ele disse isso... nunca pensei que ficaria do lado de Brad nessa, mesmo sabendo que não vai rolar.

-Então é que... ele disse que se arrependeu.

-Ele o quê? -Brad me olhou desacreditado.

-Ele veio em casa e disse que foi um erro... que não devia ter feito ou falado aquelas coisas. Óbvio que eu não acreditei ai eu...

-Pera. Ele veio em casa?

-Sim

-Na minha casa?

-Isso

-Como ele sabia o endereço? -Mas que porra.

-Eu dei pra ele no dia da festa do Paul...

-Pra quê? 

-Pra ele me levar lá! Por que advinha? Eu não fazia a mínima ideia de onde ficava a casa de Paul e óbvio que eu não ia perguntar...

-Você não deveria ter feito isso -falou num tom seco.

Eu não acredito que estamos discutindo por um besteira dessas, por deus!

-Por que não? Ele é o seu melhor amigo caralho, que amigo não sabe o endereço da casa do outro?

-Um amigo que até então era hetero e comia garotas, porra. Porque eu traria alguém que eu não quero comer para o meu quarto?

Quê?

-Isso não faz o menor sentido. Quer saber? Foda-se você e sua masculinidade! Um GAROTO está apaixonado por você agora e por acaso esse GAROTO é o seu melhor amigo!

-Bom, pelo visto não mais! Já que você conseguiu estragar tudo!

-EU? EU ESTRAGUEI TUDO? ME DIZ O QUE EU FIZ?

-VOCÊ ROBOU O MEU CORPO FOI ISSO O QUE VOCÊ FEZ...

Eu ia gritar mais, mas parei quando ele começou a chorar.

-Desculpa... -pediu soluçando -e-eu sei que você não sabe como veio parar aqui e que não sabe como sair, mas por favor... não estraga as coisas com o Vitor. -ele chorava tanto que eu acabei chorando junto.

-Tudo bem, eu vou tentar. -falei simples, enxugando minhas lágrimas.

Brad é muito bipolar meu deus.

•••• •- -• -• •- ••••

As semanas foram se passando e eu não poderia estar pior: Vítor está me ignorando completamente. Quer dizer, não completamente. Ele até falava comigo, mas só quando os meninos estavam por perto.

Sempre quando eu sugeria uma conversa em particular, ele negava ou fugia do assunto.

Ele não fala mais comigo no Whatsapp, evita qualquer tipo de toque com o meu corpo e não me olha nos olhos de jeito nenhum.

Nada do que Brad me indicava a fazer dava certo. Mas convenhamos nós, é o Brad, óbvio que as idéias dele são horríveis, algumas eu nem tentava.

A coisa tava mesmo feia, ele realmente parecia não querer nada com Brad, mas algo me diz que lá no fundo ele só está escondendo seus sentimentos por medo. E eu espero que esta intuição esteja certa.

Fora que, eu tenho um plano, esse é o meu último gatilho, então espero que dê certo ou se não... adeus Vítor!

•••• •- -• -• •- ••••

Ali estava eu, em frente a uma casa até então bem conhecida por mim. Mas nem tanto. O suficiente pra eu saber onde era. Hoje não teve aula, mas mesmo assim estava com uma mochila nas costas. Usava uma bermuda jeans, tênis e camisa preta. 

Bati na porta umas três vezes, até que uma mulher veio atender.

-Ah, olá Brad! Seja bem vindo. Veio ver o Vítor?- Perguntou a Sra. Gaspar toda arrumada.

-Sim. Ele está? -perguntei esperançoso.

-Está sim, pode entrar que eu chamo ele... VITOR, O BRAD ESTÁ AQUI! -gritou ela, quando eu já estava dentro.

Ai meus tímpanos.

-Brad? -perguntou ele confuso, quando desceu as escadas e ficou me encarando assustado -O que faz aqui? 

-Vim aqui pra gente fazer aquele trabalho, lembra? Precisamos resolver aquele assunto. -enfatizei e ele entendeu.

-Aquele assunto já foi resolvido, caso você não lembre. -respondeu ríspido. Que audácia! 

-De que assunto vocês estão falando? -perguntou confusa. Nem percebi que ela ainda estava ali.

-Ah... nada não tia... é só um assunto de história, do nosso trabalho em dupla. Vamos acabar logo com isso Vítor -respondi puxando ele pelo braço e o levando para o seu quarto, onde costumávamos jogar video game.

Ela apenas deu de ombros e avisou que iria sair e para nós nos comportarmos.

Agradeci mentalmente por isso.

Abri a porta de seu quarto, puxei ele pra dentro, trancando a porta logo em seguida.

-O que você está fazendo aqui? E por que trancou a porta? -não respondi nada. Apenas deixei minha mochila na cama e me virei pra ele sério.

-Anda, me responde! Ainda sobre aquele lance do beijo? Olha Brad, eu já... -interrompi fazendo o que? Advinha? Exato! O beijando!

-O que você está...

-Cala a boca e me beija! -ordenei e ele pareceu concordar, pois realmente me beijou.

Fechamos os olhos e eu o precionei contra a parede com certa agressividade e ele pareceu gostar, pois não reclamou. Ao invés disso gemeu baixinho.

O meu plano era exatamente esse: ir na sua casa, beijar ele "a força" e depois que os ânimos acalmassem eu iria conversar de forma calma e sincera com ele. Não teria como ele negar que gosta de mim, já que havia acabo de corresponder ao beijo.

O único problema era: quando os ânimos iriam acalmar?

Eu pedi passagem para língua e ele me concedeu prontamente. Eu pensei bastante o que faria quando chegasse nessa parte, pesquisei muito e até ensaiei em casa com alguns objetos. Mas nada supera o real, o que acontece na prática, então eu só ia pelo instinto.

Agarrei sua cintura e aproximei nossos corpos. O beijo não era nem um pouco lento, mas sim agressivo. Me arrisquei a morder seu lábio inferior e ele pareceu gostar, pois fez o mesmo comigo

Colei completamente nossos corpos e AI-MEU-DEUS. EU TÔ DE PAU DURO E ELE TAMBÉM.

Ok, eu não achei que chegaria tão longe... acho melhor eu...

ELE COLOCOU A MÃO POR BAIXO DA MINHA CAMISA, O QUE EU FAÇO JESUS?

Me arrepiei toda, o que o Brad pensaria se visse essa cena? Eu só tô fazendo isso por ele, eu não gosto do Vítor, mas eu tô muito viciada em beijar ele. É tão... gostoso.

Pensei em toca em sua bunda, mas hesitei. Vai que ele não gosta né. Então só fiquei na cintura mesmo, até ter a brilhante ideia de puxar seu cabelo. Brilhante, porque isso pareceu deixar ele mais excitado.

O filho da puta ficou passando a mão pelo meu abdômen e até arranhando às vezes. Não consegui segurar e acabei apertando sua bunda. Ele sorriu e se afastou só pra morder o lábio inferior de um jeito sexy. Que filho da puta!

Agarrei ele de novo com tal provocação e voltamos ao ósculo tão bom.

Óbvio que eu não pretendo transar com ele. Por inúmeros motivos: O Brad nunca me perdoaria até porque o corpo é dele; Eu sou virgem e não quero perder minha virgindade com Vitor (mesmo esse não sendo meu corpo); Isso não tava no plano.

Mas, porém, no entanto. Tudo indica que é exatamente isso o que vai acontecer. Por que pensa comigo: eu nunca me masturbei depois daquela vez. Ou seja, o corpo de Brad está bem necessitado. E fora que Vítor aparenta estar com muita vontade de fazer isso agora e por incrível que pareça eu também.

Eu realmente não sei o que fazer. São muitos prós e contras...




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