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História Correntezas Negras - Capítulo 4


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Notas do Autor


✦Oie pessoal✦

✦Como vocês estão? Espero que melhor do que eu. Esses dias eu tô tão brocoxô e pior que nem sei o porque... Enfim✦

✦ Correntezas Negras ganhou uma fanart linda da Sugiyuzu, quem quiser dá uma olhada tá lá no meu facebook, no Wattpad e claro no Insta dela que é esse mesmo. Ela desenhou a Mikoto e ficou a coisa mais maravilhosa desse mundo. Quem puder dá uma força curtindo e comentando no perfil dessa artista perfeita eu agradeço muito^^ ✦


✦Boa leitura✦

Capítulo 4 - Capítulo IV - Dever, Amor e Família


Fanfic / Fanfiction Correntezas Negras - Capítulo 4 - Capítulo IV - Dever, Amor e Família

Correntezas Negras

Capítulo IV

Dever, Amor e Família

- Atenção homens! – Um marujo chamou com falsa seriedade. – Prestem atenção ou vão ser enfeitiçados por uma sereia.

O grupo que estava reunido em um canto riu do gracejo que fazia parte de alguma história boba que estavam contando para relaxar. Fugaku que estava perto do leme estreitou os olhos não achando graça nenhuma do comentário. Mas não seria mesquinho de repreender a sua tripulação.

Todos estavam muito felizes em voltar para Konoha depois de uma missão que durou meses nos arredores do continente. A tarefa foi solicitada pelo rei em pessoa e querendo um motivo para escapar daquela ilha e das lembranças se voluntariou imediatamente.

E não se arrependia. Havia se saído tão bem que era quase certo afirmar que seria promovido a almirante tão logo chegasse a Konoha.

Aquela era sua ambição máxima desde... Bem, muito tempo. Tanto que nem se lembrava mais quando tinha começado a almejá-la. Porém agora que se via perto de concretizá-la não sentia metade da euforia que achou que sentiria. Iria ser o comandante supremo da maior força náutica do arquipélago e tudo estava cinza.

Tudo por causa daquela maldita mulher, se é que podia se referir a ela assim. E o pior é que nem conseguia desejar nunca tê-la conhecido porque mesmo com todo amargor que ela lhe causou, também havia lhe dado Itachi que era sem sombra de dúvidas a maior felicidade da sua vida.

Suspirou resignado ao ver Konoha se aproximando.

- Você não parece muito feliz. -  Rai comentou cauteloso. – Está tudo bem?

- Só quero ver logo o meu filho. – Respondeu seco.

O primeiro imediato permaneceu olhando para o perfil do primo atento. Mikoto atingiu um lugar profundo no coração de Fugaku que transbordou ao máximo com o nascimento de Itachi. No entanto, logo em seguida foi secado violentamente quando a bela e misteriosa mulher se foi sem deixar nenhum rastro.

Nos primeiros meses, o capitão do Sharingan ficou intragável. Tudo o irritava e tornou-se duas vezes mais exigente e rígido. O único isento de todo aquele mau humor era Itachi. Ninguém nunca poderia dizer que Fugaku era um pai ruim, muito pelo contrário, estava para nascer um melhor.

Conforme os anos foram passando deu-se a entender que ele tinha superado e finalmente esquecido a mãe de seu filho. Contudo, um pouco antes deles partirem para aquela longa missão toda aquela azedura que eles viram no começo retornou com força, embora tenha durado menos depois deixou sequelas para trás.

O capitão do Sharingan estava mais austero do que nunca.

- Em poucos instantes você vai vê-lo. – Falou depois de um tempo e como esperava não obteve resposta.

O belo navio ancorou no porto principal e assim que desembarcaram puderam ver Itachi, Shisui e Kagami esperando por eles. Assim que o pai entrou no seu campo de visão, Itachi saiu correndo e pulou sendo pelo no colo pelo genitor, os dois se abraçaram com saudade.

- Você se comportou filho?

- Sim! Eu fui um rapaz muito educado. Pode perguntar para o tio Kagami. – Garantiu o menino brincando com o lenço do uniforme de Fugaku.

- Que felicidade ver vocês. – Kagami e Shisui se aproximaram. – Correu tudo bem?

- Melhor do que o previsto. – Rai se gabou. – O próprio rei veio nos parabenizar pela eficiência.

Enquanto os primos trocavam informações sobre os acontecimentos dos últimos meses, Fugaku ouvia paciente os relatos de Itachi sobre as coisas que tinha feito durante aquele tempo que ficou afastado. Do seu lado, Shisui participava ativamente da conversa complementando as faladas do seu filho.

Particularmente gostava muito da proximidade deles. Naquele mundo só tinha como família seus dois primos, todo o restante dos Uchihas já tinham falecido. E algum dia ele também iria morrer e esperava que Shisui e Itachi pudessem contar um com o outro como contava com Kagami e Rai.

- Você vai à sede da marinha? – Kagami tirou Fugaku de seus pensamentos.

- Não vejo motivos. Já enviei meus relatórios e fui dispensado pelos próximos dias para descansar.

- Os boatos são verdadeiros? Você vai a Almirante?

- Parece que sim. – Respondeu sem alterar o tom de voz.

Kagami arqueou a sobrancelha sem entender aquela falta de animo e olhou para Rai que deu os ombros e gesticulou que era melhor não perguntar mais nada.

- Mas como você ficou sabendo disso? – Rai indagou ao pai de Shisui.

- Os boatos se espalharam rápido, principalmente porque Danzou parece está espumando de raiva por ter sido superado pelo nosso querido primo.

Danzou Shimura era um dos principais oficiais da marinha de Konoha, bem mais velho que Fugaku, mas foi ultrapassado pelo Uchiha e todos estavam muito cientes de como o Shimura era ressentido com isso.

Os três adultos e as duas crianças se acomodaram na mesma carruagem que tinha trazido o trio que recepcionou os marinheiros. Não demorou muito para os dois garotos se distraírem com alguma brincadeira boba e Fugaku aproveitou a deixa para anunciar uma decisão que tinha tomado recentemente.

- Eu estou considerando me casar. – Rai e Kagami paralisaram pegos de surpresa com a fala. – Agora que vou ocupar o mais alto cargo da marinha acho melhor encontrar uma boa esposa e também já passou da hora de Itachi ter uma mãe.

- Eu não poderia concordar mais. – Kagami foi o primeiro a se recuperar. – Já tem alguma candidata em mente?

- Não, mas não acho que isso vá ser um problema. – Acariciou os fios escorridos de Itachi que tinha se apoiado na lateral do seu corpo.

Os olhos dele estavam quase fechando, sabendo que o pai retornava no dia seguinte o menino passou quase a noite toda em claro por causa da ansiedade em ver o genitor depois de meses afastados.

Sem prestar muito atenção no que um empolgado Kagami dizia, Fugaku concordava sem hesitar. Não esperava encontrar nada além de conforto e segurança no matrimônio. E francamente? Era tudo o que queria. Já tinha experimentado um festival de emoções e dispensava aquela adrenalina.

Uma vez foi mais do que o suficiente.

A carruagem parou de andar e Rai, Shisui e Kagami se despediram prometendo uma visita à sua casa no dia seguinte, já que hoje ele pretendia descansar. Quando os cavalos voltaram a andar, Itachi abriu os olhos meio bêbado de sono.

- Pai?

- Sim?

- O senhor não vai precisar ficar tanto tempo longe de casa de novo, vai?

- Não. – Prometeu mexendo no cabelo negro. – Eu juro que não voltaremos a ficar tanto tempo afastados de novo.

- Eu fico muito feliz em ouvir isso. – Itachi sorriu pequeno com os olhos fechando de novo. – Agora a minha sereia podia voltar também. – A mão de Fugaku paralisou com a menção inesperada. – Ela não vem me visitar a muito tempo também. Estou com saudades.

O futuro almirante de marinha não respondeu e nunca ficou tão grato pelo filho ser embalado pelo sono logo depois da declaração. Estalou a língua no céu da boca sentindo um gosto amargo subir no seu paladar e fixou os olhos na paisagem que era possível ver pela pequena janela.

Itachi era muito novo e com certeza logo se esqueceria daqueles encontros. Era o melhor a se fazer. Quanto menos ele soubesse, menos sofreria, além disso, não havia menor chance de Mikoto voltar a fazer parte da vida deles.

Encarando o teto do próprio quarto, Fugaku estava prestes a ter um ataque de nervos. Seu corpo estava exausto pelo longo período longe de casa no mar, mas mesmo assim não conseguia dormir de jeito nenhum. Já tinha perdido a conta de quantas vezes tinha se revirado em meios aos lençóis buscando uma posição decente para dormir, contudo parecia que tinham pedras no seu colchão.

Não estava gostando nada da sensação gelada que vinha da boca do seu estômago. Era um pressentimento ruim e desagradável que nunca tinha experimentado na vida.

Cansado de ficar deitado sem de fato conseguir dormir, sentou na cama e esfregou os olhos que ardiam de sono. Maldita insônia. Colocou os pés no chão, era muito tarde para chamar um dos criados para fazer um chá. Todos já deviam estar recolhidos e não precisavam pagar pela sua incapacidade de relaxar.

Escondeu o rosto entre as mãos sentindo uma dor de cabeça aguda e chata quando de repente as portas da sacada do quarto foram abertas com violência pelo vento fazendo com que se assustasse.

A brisa noturna estava salgada e gelada e fez com que um calafrio terrível descesse pela sua coluna. Tinha certeza que tinha trancado as portas, elas não deveriam ter aberto mesmo com o vento tão forte.

Impaciente foi até a sacada para fechar as portas de vidro novamente, mas sentiu um choque inexplicável ao olhar para o mar e ver como ele parecia revolto e violento. O que era muito estranho porque o céu estava sem nuvens, sem sinal de tempestades.

Uma força sobrenatural o impelia a ir até a praia escondida, mas ressentido com tudo o que tinha acontecido, lutava contra ela bravamente. Em um único movimento fechou as portas decidido a ignorar aqueles sentimentos que não tinham explicação lógica.

Encostou as costas na superfície gelada e tentou esvaziar a cabeça, mas quanto mais tentava não pensar naquelas sensações mais fortes elas ficavam e estava chegando à beira do insuportável.

- Isso é estupidez! – Falou em voz alta pegando uma blusa de manga qualquer e saindo do quarto.

Iria até aquela maldita praia, como foi várias outras vezes, apenas para satisfazer aquela parte tola do seu coração. E assim como antes tinha certeza de que não encontraria nada além de água e areia.

Estava tão cheio de animosidade que se esqueceu de calçar os pés e só se deu conta disso quando pisou na areia que estava fria. Ao chegar do lado de fora da casa a sensação se multiplicou inexplicavelmente. Seus ouvidos estavam em alerta já que todos os seus encontros com Mikoto tiveram aquele mesmo grau de sobrenaturalidade e também a canção dela. Mas por exceção das ondas quebrando e do vento assobiando não escutava mais nada.

Assim que chegou a caverna percebeu que a praia secreta estava completamente iluminada pela lua cheia que por coincidência estava bem sobre ela, resplandecida e gigantesca. Curiosamente, ali o mar estava tranquilo, quase parecendo um lago em comparação ao lado de fora.

Seu coração deu um solavanco violento ao escutar uma lamúria de dor e sentindo o sangue correr mais rápido pelas suas veias começou a procurar ansioso a origem do som. Ao contornar uma das formações rochosas sentiu o estomago afundar ao ver contornos femininos e uma cortina de cabelos negros que conhecia muito bem.

- Mikoto...! – Ela estava apenas com metade do corpo para fora d’água e de costas para si, agarrada a pedra com os dedos quase brancos pela força que fazia.

Sua voz saiu tensa, pois estava com medo daquela imagem fazer parte de um algum sonho desesperado, Deus sabia como tinha tIdo muitos naqueles meses. Ela não respondeu e isso fez com que se aproximasse cauteloso. Pode ver aquela imensa e bela cauda que ainda tinha certa resistência em aceitar por completo.

Colocou a mão sobre o ombro feminino com cuidado e se sobressaltou ao sentir a pele dela quente. No passado sempre que a tocava ela estava em uma temperatura agradavelmente baixa. O que fazia sentido. Dificilmente um ser marinho teria o sangue quente.

Contudo, nada o preparou para a visão que teve ao virá-la e encontrar o ventre saliente de uma gravidez avançada. Seus próprios joelhos fraquejaram. Não precisava pensar muito, a matemática básica batia e não costumava errar. No último encontro deles tinham gerado outra criança.

- Mikoto.  – Chamou apoiando o tronco dela nos seus braços. – Mikoto, abra os olhos. Olhe para mim.

A face da sereia estava contorcida de dor e parecia estar tendo dificuldades inclusive para respirar. Mas reagiu ao ouvir a sua voz e entreabriu as pálpebras.

- Fugaku...

- Vai nascer? – Indagou tentando não se abater pelo desespero. Ali não era o lugar ideal para dar a luz a um bebê. A sereia assentiu fracamente. – Você precisa se transformar.

- Não consigo. – Chorou cansada. – Está doendo muito.

Não estava conseguindo concentrar força e energia para isso em seu completo pânico. As sereias não geravam suas crianças no mar já que as mesmas eram concebidas quando estavam transformadas em humanas e não podiam se arriscar em transformar-se volta porque a demanda de força afetava a criança o que levava ao aborto. Por isso permaneciam em terra até o nascimento.

Mas aquela vez tudo aconteceu do jeito errado. Aquele filhote foi concebido quando ela não era totalmente humana e nem totalmente sereia. Era incomum, um milagre quase. Não podia imaginar que seu ato carnal com Fugaku culminaria em outra gravidez e por isso voltou para o mar e quando se deu conta que tinha outra vida crescendo dentro dela não voltou à terra porque tinha medo de que caso se transformasse acabasse perdendo o bebê.

Passou aqueles meses isolada, sem responder nem aos chamados de Mei, já que não tinha certeza de como sua irmã reagiria ao vê-la naquele estado. Só que naquela manhã começou a sentir dores que evoluíram de forma preocupante. Ir para aquela praia, que tinha um significado tão especial para a sua vida, foi a única coisa que conseguiu pensar. Mas jamais esperou que Fugaku aparecesse ali, embora estivesse surpresa, também estava grata. Nunca teve medo de nada antes, porém só de pensar na possibilidade do seu bebê morrer ficava apavorada demais para raciocinar.

- Mikoto você precisa! – A voz de Fugaku estava trêmula pela primeira vez na vida. – Ou então vocês dois vão morrer.

- Tira ele – pediu sentindo as dores aumentarem. – Me corta e tira ele.

- O que?!

- Eu não me importo... – Tragou o ar com dificuldade. – Eu não me importo de morrer desde que meu bebê viva.

O Uchiha permaneceu encarando a outra com os olhos arregalados. Por questão de hábito sempre carregava consigo um punhal de prata que ganhou do próprio pai um pouco antes deste falecer. No entanto, tinha certeza absoluta que jamais conseguiria usá-lo para fazer o que ela pedia.

- Eu me importo! – Bradou sério segurando-a com mais firmeza nos braços. – Olhe para mim. Foque suas forças em mim! Você consegue sim!

Mikoto respirou fundo e tentou ignorar a dor que parecia que ia parti-la ao meio a qualquer momento. E tirando energia daquela força de vontade absurda daquele humano exigiu do próprio corpo a transformação. Mordeu o lábio inferior para se impedir de gritar e sentiu o gosto do próprio sangue no paladar. Seu esforço foi recompensado quando a cauda azul se foi dando lugar ao par de pernas e tudo mais que era necessário para o nascimento.

Mais uma vez Fugaku tentou não se desesperar. Eles tinham vencido um obstáculo só que agora se via diante de outra adversidade. Não tinha a menor noção de como prosseguir. Além disso, para não ajudar em nada na manutenção do seu desespero ela estava sangrando muito e cada vez mais pálida.

- Faça força – insistiu levando as mãos ao meio das pernas femininas e explorando o sexo que estava bem dilatado, pulando de leve ao sentir fios gosmentos nas pontas dos dedos. – Ele está coroando Mikoto. Só mais um pouco, seja forte só mais um pouco.

A morena ofegava e gemia contida pela dor absurda que sentia. As longas unhas estavam cravadas no seu braço, mas mal sentia as picadas afiadas, preocupado demais com a quantidade de sangue que manchava a água salgada.

- Eu não consigo... Eu não consigo mais. – Murmurou em desistência.

Horas a mercê daquela dor infernal drenaram tudo que ela tinha. Sentia que iria perder a consciência a qualquer momento. Agarrou o colar no pescoço pedindo forças ao oceano. Não se importava mesmo em morrer, mas seu bebê era inocente. Ela ou ele, descobriu que não se ligava para o sexo, merecia a chance de ver aquele mundo com seus próprios olhos.

Como se atendesse aquele pedido desesperado, o pingente de concha ressoou tão forte que até Fugaku sentiu aquela força e se surpreendeu ao vê-la em súbito pico de energia. O grito alto da mãe consagrou o nascimento do seu segundo filho.

O Uchiha precisou fazer um malabarismo para amparar a mulher que praticamente desfaleceu, mas a pedra nas suas costas serviu de apoio. Por causa disso, Fugaku pôde concentrar sua atenção na pequena criatura que era só um pouco maior que as palmas na sua mão. Tirou a própria blusa e vestiu Mikoto, colocando o bebê sobre a barriga dela e a pegando nos braços.

Caminhou com passos rápidos de volta para casa precisando ser cuidadoso com o recém-nascido. Abriu a porta da frente com um chute poderoso e chamou aos berros todos os empregados, naquela situação não podia se preocupar com os modos.

Os pobres criados surgiram descabelados, com olhos assustados e a maioria com trajes de dormir e fez uma nota mental para compensá-los pelo susto mais tarde. A primeira a se aproximar foi a governante que deixou o queixo cair ao reconhecer Mikoto e seus braços e vendo o bebê que inclusive ainda tinha o cordão umbilical preso a si.

- Senhor? Isso...

- Prepare o quarto principal imediatamente. – Ordenou subindo as escadas. – E tragam um médico, uma parteira, seja lá o que estiver mais perto.

- Vocês não ouviram?! – A velha senhora soou dura. Não tolerava insubordinação e era totalmente leal a Fugaku. No passado, seu filho ficou muito adoecido e ela e o marido que era caseiro não tinham condições de pagar o tratamento dele e o Uchiha assumiu todos os custos, infelizmente não foi o bastante para salvá-lo, mas jamais esqueceu daquele ato de caridade do senhor da casa. Por isso cuidava de Itachi com tanto amor e carinho e pelo visto teria outro menininho para zelar. – Obedeçam o contra-almirante!

A governante subiu as escadas atrás do seu senhor e o encontrou já acomodando Mikoto na cama.

- Me entregue o pequenino – pediu pegando uma toalha de linho branco. – Oh, pobrezinho. Precisamos limpá-lo.

- Ele está bem?

- Está sim senhor. – Não era uma parteira, mas tinha visto uma grande quantidade de crianças nascerem e ajudado em muitos partos, sabia uma coisa ou outra. – Está um pouco menor do que o costume, mas é forte. – Algumas empregadas entraram no quarto com uma bacia grande, uma chaleira de água quente e uma tesoura esterilizada. – Estou preocupada com ela.

O rosto de Mikoto estava praticamente cinza e seus lábios já tinham perdido completamente a cor. Ela estava nitidamente entre a vida e a morte.

- ONDE ESTÁ ESSE MALDITO MÉDICO?! – Fugaku gritou assustando á todos porque era fato que o contra almirante jamais elevava a voz.

- Enviei o nosso mensageiro mais rápido para buscá-lo senhor.

Durante o entre e saí de pessoas do quarto, quase ninguém reparou quando Itachi abriu caminho trajando suas vestes de dormir. Ele se aproximou da governanta que havia terminado de limpar o bebê e o colocava em um pequeno berço improvisado em um dos cantos do quarto.

- É neném?

- É sim querido.

- Oh... – Os olhos negros reluziram de amor ao ver o bebê que se remexia de leve sem revelar os orbes ainda. – A minha sereia voltou.

A idosa ergueu as sobrancelhas com a fala infantil e inocente e se virou para cama onde Fugaku encarava o rosto de Mikoto com visível aflição. Ah, bem... Agora tudo fazia muito sentido.

- Eu fiz tudo que estava ao meu alcance contra-almirante. – O médico falou lavando as mãos. – Agora tudo que podemos fazer é aguardar e ver como ela reage. Eu só receio que ela não possa engravidar novamente. O parto e a hemorragia causaram muitos danos internos.

- Entendo.

- Na verdade, eu estou surpresa que ela esteja viva. – O homem terminou de secar as mãos sem tirar os olhos da paciente que permanecia desacordada na cama. – Ela teve uma hemorragia muito grave é um milagre que tenha sobrevivido. Com certeza é muito especial e forte.

A testa de Fugaku franziu de leve com a fala do doutor, ele não fazia ideia de como estava certo. Mikoto continuava muito pálida e com a aparência fragilizada demais para seu gosto, no entanto parecia que não corria risco iminente agora.

- E a criança?

- Um menino saudável, senhor. Nasceu um pouco antes do previsto, chuto uns oito meses, mas ele está bem.

- Obrigado. – Apertou a ponte do nariz exaurido com a madrugada turbulenta. – Vamos acertar os seus honorários. – Olhou para a governanta dando uma ordem silenciosa para que ela ficasse atenta a qualquer mudança tanto em Mikoto quanto no bebê.

O médico foi com ele até seu escritório onde pagou pelos serviços prestados e depois o levou até a porta. Itachi estava dormindo também já que a comoção da noite o acordou e o seu primogênito só voltou para cama quando o dia já estava raiando.

- Contra-almirante? – A governanta chamou. – Eu vou até a cozinha passar instruções rígidas para a alimentação da senhora. Ela precisa de caldos fortes de carne, folhas verdes, peixe e ovos.

- Temos tudo isso na dispensa?

- A maioria sim.

- Ótimo.

- Itachi acordou e está no seu quarto. – Informou ciente de que era para lá que o Uchiha iria. – Precisa de mais alguma coisa? – O homem negou e ela começou a andar, contudo parou ao recordar-se de um fato. – Senhor, qual o nome do pequenino?

- Sasuke. – Falou sorrindo de leve pela primeira vez. – O nome dele é Sasuke.

- É um belo nome, senhor. – Elogiou reconhecendo o brilho orgulhoso nos olhos e no rosto daquele homem naturalmente tão fechado. – Com licença.

Fugaku assentiu e subiu as escadas novamente sentindo um cansaço inédito tomar conta do seu corpo. Aquela era uma característica dos seus encontros com Mikoto, tudo acontecia rápido demais, com intensidade demais. Tão frenético que mal lhe dava tempo para raciocinar a série de eventos.

Foi assim da primeira vez que se viram e conceberam Itachi, foi assim quando ela desapareceu sem deixar rastro, no reencontro que tiveram onde descobriu o que ela realmente era e agora mais uma vez ela entrava na sua vida bagunçando tudo o que tinha planejado. Deus, outro filho. Não que não estivesse feliz com o nascimento de Sasuke. Muito pelo contrário, estava exultante em ter outro garotinho, mas precisava ser daquele jeito tão traumático?

O que teria acontecido se não tivesse cedido aquele instinto irracional que o guiou até aquela praia no meio da noite? Provavelmente os dois estariam mortos àquela altura e a simples menção a essa possibilidade fazia com que sentisse seus músculos contrair.

Entrou no quarto e encontrou Itachi deitado ao lado de Mikoto, ele estava aconchegado à mãe que permanecia desacordada. Os dois dormindo lado a lado era uma imagem bem vinda, porém não se permitiu admirá-la por muito tempo. Afinal não sabia qual seriam os passos da sereia quando se recuperasse. Ela podia muito bem pretender partir de novo.

Era melhor não se apegar e não deixar seus filhos se apagarem.

Foi até o berço onde Sasuke estava. Ele era menor do que Itachi quando nasceu e respirava com um pouco mais de dificuldade. O pegou com cuidado e o trouxe para o seu peito explorando o rosto e a confusão de fios que tinha na cabeça diminuta.

Ele era tão pequeno e parecia tão frágil. Rezava para que o médico não estivesse errado porque sentia que parte do seu coração ia morrer se acontecesse alguma coisa com ele.

Girou o pescoço para cama ao captar uma movimentação pelo canto dos olhos e respirou fundo ao ver Mikoto acordada.

- Você não deveria se mexer. – Comentou vendo-a se sentar com algum esforço.

- Ele deve está com fome. – Fugaku apertou de leve os olhos ao ouvir como a voz dela parecia fraca. – Me entrega ele. Por favor.

Jamais seria tão cruel ou mesquinho de negar um pedido como aquele. O Uchiha foi até a beirada da cama e entregou o bebê para a mãe que o segurou com cuidado. Desviou o rosto sem entender o constrangimento que sentiu ao vê-la expor o seio para amamentar o menino, que reagiu ao sentir o cheiro de leite materno.

- O nome dele é Sasuke. – Se obrigou a informar com um pigarro.

- Sasuke... – Mikoto riu de leve. – Outro garoto.

- O médico disse que é provável que não consiga engravidar novamente. – Falou em tom baixo.

- Eu não pretendia de qualquer forma. – A morena respondeu sem tirar os olhos do filho que sugava avidamente o líquido tão necessário para a vida. Com a outra mão ela brincou com o cabelo de Itachi que abraçou suas pernas e esfregou o rosto no lençol sem acordar.

- Você pode ficar aqui até se recuperar. – Cruzou os braços. – Imagino que queria partir logo.

Isso fez com que Mikoto erguesse o rosto para ele e o medo explicito nos olhos negros o fez arquear a sobrancelha em confusão.

- Você quer que eu vá embora?

- Eu... – Fugaku apoiou as mãos no ferro da cama atordoado com o tom dolorido. – Deus, o seu objetivo de vida deve ser querer me enlouquecer. Eu achei que ia ser da sua vontade voltar para o mar. Sozinha obviamente porque os meus filhos não vão a lugar nenhum.

Mikoto se encolheu contra a cama e Fugaku se sentiu um monstro por isso.

- Nunca quis ir embora. – A sereia admitiu. – Nunca quis deixar vocês e agora não tenho força para fazer isso de novo. Eu sei que não mereço nenhuma piedade da sua parte, mas não tire eles de mim, por favor, deixa eu ficar perto dos meus meninos. E de você.

- Você quer ficar perto de mim? – O Uchiha indagou como se não acreditasse completamente no que dia ouvido. – O que mudou?

- Não tenho mais medo das consequências. – Mikoto passou os braços ao redor de Sasuke trocando ele de seio. – Quaisquer que sejam elas vão ser menos doloridas do que ficar longe de vocês.

- De que tipo de consequência você está falando? – Fugaku deu a volta e sentou na cama, ainda mantendo uma distância da outra.

A sereia mordeu o lábio inferior indecisa se deveria ou não contar ao humano, mas aquela altura... Que escolha tinha? Amava ele e ele a amava de volta. Então tudo o que podia fazer era ter fé de que nenhum tipo de ambição poluísse esse amor.

- Há muitas marés atrás, antes mesmo da sua espécie aprender a construir navios com madeira o oceano resolveu personificar sua essência em seres vivos que carregam as suas principais características.

As sereias.

As sereias são lindas, sedutoras, hipnotizantes, intimidadoras, poderosas, misteriosas, cruéis e impiedosas. Exatamente como o mar.

- A primeira delas era magníficamente bonita. A rainha Kaguya que nasceu da espuma das ondas. – Mikoto tocou o colar no pescoço. – As lendas contam que ela era branca e pura. Nossa rainha suprema.

...eventualmente outras e outros foram criados e nossa sociedade começou e prosperou por muito tempo. Até os machos acharem que tinham direito de comandar tudo o que as fêmeas faziam, ditar regras e impor condições sobre alimento e liberdade.

- Suponho que elas não tenham aceitado isso muito bem. – Fugaku deduziu. Já tinha tido provas de como Mikoto era indomável.

- Elas exterminaram todos eles sem exceção. – A menção disso sempre a fazia rir, principalmente ao ver a expressão incrédula do outro. – Só que isso criou um problema sobre reprodução. Daí a solução que as anciãs junto com a rainha encontraram foi que nós copulássemos com humanos, mas um feitiço foi jogado nas nossas linhagens e esse feitiço garantiria que apenas a nossa descendência feminina herdasse o poder, a magia do oceano.

- Então Itachi e Sasuke são humanos?

- Itachi é. – O olhar materno recaiu sobre o bebê que sugava avidamente seu seio. – Quanto a esse aqui eu já não tenho tanta certeza, mas isso é uma coisa que vamos descobrir com o tempo. – Aquela criança tinha um toque diferente do irmão. – Eu não sou uma sereia qualquer. Tudo seria mais fácil se eu fosse.

- Não posso negar que já tinha pensado nisso. – Fugaku comentou bagunçando os próprios cabelos.

- O oceano ama todas as criaturas que o habitam, mas a rainha Kaguya tinha uma colocação especial e para exaltá-la diante todas as outras ele deu a ela três objetos capazes de controlar suas armas mais poderosas.

O Anel de Água Marinha que permite controlar os ventos marítimos.

A Tiara de Corais que dá à portadora o poder sumário de controlar toda vida do mar.

E o Colar de Conchas que manipula as correntezas e as ondas.

Fugaku engoliu a seco ao focalizar o pingente pendurado no colo da morena que como se para reafirmar seu poder cintilou ressoando um poder que ele mesmo não compreendia.

- Você é uma rainha? – A pergunta quase não saiu.

- Não. – Mikoto riu de leve do tom exasperado do marinheiro. – Os mitos contam de uma grande traição que despojou a Kaguya do trono e os tesouros ficaram perdidos durante algum tempo e só dois foram recuperados. Um deles está no fundo do mar sendo constantemente vigiado pelo monstro marinho mais poderoso de todos. – A sereia respirou fundo sentindo cansaço domina-la, mas sabia que precisava continuar. – Uma das minhas ancestrais recebeu a tarefa de cuidar do Colar de Conchas para manter o que sobrou sociedade unida e essa tarefa foi passada de geração a geração até chegar a mim... E eu teria que passá-la adiante para uma filha.

No entanto, o destino lhe outorgou dois filhos homens. Isso precisava ter algum significado.

... Nunca quis essa responsabilidade, nem estava feliz em precisar depositar esse peso nos ombros de uma criança minha. – Continuou olhando para Sasuke que tinha gorgolejando satisfeito e parecia pronto para dormir agora que estava de barriguinha cheia.  – Você não tem ideia de como foi difícil deixar você e Itachi para trás. – Os olhos negros cintilaram com lágrimas que não conteve. – Mas aquela era a única escolha, era o único mundo que eu conhecia. 

Fugaku fechou os olhos e desviou o rosto. Apesar de todo sofrimento que ela tinha lhe causado... Não lhe trazia satisfação nenhuma vê-la chorando. Entendia que o mundo dela vinha com um conjunto completamente diferente de regras do seu.

- Na última vez que nos encontramos eu queria prender você em algum lugar e nunca mais te deixar sair. – O Uchiha admitiu com a garganta seca. – Eu nunca me considerei um homem possessivo ou cruel, mas você causa esses sentimentos contraditórios e muitas vezes eu não reconheço a mim mesmo.

- Não se culpe por isso. – Mikoto colocou a mão sobre a dele. – As sereias causam isso aos humanos naturalmente, e o que importa é que você resistiu. Resistiu a uma das maiores tentações que habitam esse mundo e isso só mostra como a sua fibra moral é poderosa. Foi exatamente esse caráter que me atraiu desde o início e que fez com que me apaixonasse por você. - A confissão fez a respiração de Fugaku ficar suspensa. - ...Você disse que me amava naquela noite. Ainda ama? 

- Sim... Eu tentei esquecer você, mas acho que não se esquece de uma sereia. – Coçou a garganta, sobrecarregado. – Você é mãe dos meus filhos, a única mulher que eu considerei ter ao meu lado e você foi embora não uma, mas duas vezes. Tenho a sua palavra que não vai haver uma terceira?

- Eu não vou a lugar nenhum Fugaku. – Negou com um sorriso triste. – Morreria se ficasse longe de vocês de novo. Só que eu preciso te dar um aviso.

- Que aviso? – O capitão do Sharingan engoliu a seco sentindo um arrepio subir pela sua espinha com o olhar da outra.

- Tudo que pertence ao oceano eventualmente retorna para o oceano. De um jeito ou de outro.

☠☠☠

A maioria dos homens sentiu vontade de fugir ao ver Lady Tsunade Namikaze entrando pela porta. A loira podia não ter o pleno reconhecimento sobre a administração de Konoha já que era mulher, mas todos sabiam muito bem que era ela quem mandava e desmandava em tudo, já que Lorde Dan dificilmente estava sóbrio o suficiente para fazer isso.

- Milady, por favor... – Um mais corajoso foi recepcioná-la e a guiou até uma sala.

- Pode ir. – Falou seca e entrou sem bater encontrando Danzou sentado lendo alguns documentos. – Como vai?

O homem mais velho franziu o cenho ao vê-la naquele dia, não se recordava de ter marcado nada para discutir.

- Lady Tsunade. – Se levantou da cadeira para cumprimentá-la. – A que devo a honra dessa visita inesperada?

- Vim de dar uma notícia em primeira mão e te parabenizar pessoalmente por ser o novo almirante da marinha de Konoha. – A loira sorriu vitoriosa.

- Como? – Danzou foi pego totalmente de surpresa pela fala da outra.

- Fugaku Uchiha pediu baixa da marinha. – Anunciou se servindo de uma dose de conhaque. – Eu mesma não entendi bem o porquê, mas já é oficial. Você sabia que ele tinha dois filhos? Parece que quer passar mais tempo com a família... Como se filhos merecessem toda essa dedicação.

Danzou abriu e fechou a boca como se estivesse digerindo as coisas que Tsunade falava tão casualmente. Ele deu a volta na mesa e tomou um copo cheio de bebida almíscar.

- Fugaku Uchiha desistiu de ser almirante a poucos dias da nomeação dele com a desculpa de passar mais tempo com a família que ninguém sabia que ele tinha... É isso mesmo?

- Parece que sim. – Tsunade deu os ombros. – Estou muito satisfeita com isso não nego.

Era fato de que em questões de competência Fugaku era muito melhor que o Shimura. Tanto que até mesmo o imprestável do seu marido conseguiu reconhecer isso e passou o Uchiha na frente. Pessoalmente preferia que Danzou tivesse o comando porque ele obedecia a suas ordens sem questionar, Fugaku por outro lado parecia ser mais incorruptível.

A despeito dos sentimentos que Tsunade exalava, Danzou estava muito desconfiado para se sentir satisfeito. Não fazia o menor sentido. Apesar de não gostar de Fugaku reconhecia que ele era um homem notável que não desistia dos seus objetivos facilmente.

Precisava ter um motivo muito forte para ele rever suas prioridades desse jeito. Talvez valesse a pena observá-lo de bem perto a partir de agora.

- Com cuidado querido. – Mikoto instruiu Itachi que havia decidido que era responsabilidade dele segurar o irmãozinho mais novo.

Da porta observando o trio, Fugaku mais do que nunca teve certeza da decisão que tinha tomado e sabia que não iria se arrepender dela. A marinha tinha perdido importância na sua vida e as longas missões o teriam obrigado a ficar semanas e às vezes meses longe da família, coisa que não podia se permitir.

Principalmente por causa do aviso que Mikoto disse a ele. Aquela frase conseguiu deixar suas mãos geladas de apreensão.

Tudo que pertence ao oceano eventualmente retorna para o oceano. De um jeito ou de outro.

Aquela sentença lhe parecia mais uma premonição. Contudo, os dois tinham decidido que em nome do que sentiam um pelo outro e por amor aos filhos que o destino havia dado a eles, iriam enfrentar qualquer que fosse o desafio.

Os seus empregados tinham aceitado Mikoto como sua esposa sem grande alarde tamanha era a lealdade deles e isso era algo que nunca poderia pagar. Se fosse honesto consigo mesmo, apesar de ter desistido de ser almirante, nunca esteve tão feliz na sua vida.

- Senhor?

- O que foi? – Virou-se para a governanta.

- Seus primos o aguardam no escritório e solicitam uma conversa privada.

- Certo. – Suspirou revirando os olhos para a senhora que entortou a boca em um sorriso disfarçado. – Eu vou falar com eles.

A idosa assentiu e se retirou tão rápido quanto suas pernas cansadas lhe permitiam. Fugaku bateu na porta de madeira atraindo a atenção de Mikoto e apenas gesticulou que desceria. Ela estava atendendo ao seu pedido de estender o repouso por mais algum tempo já que havia ficado bem fraca com o parto difícil de Sasuke.

Tinha se recuperado surpreendentemente rápido – ou não – considerando o que a morena realmente era. Só que preferia não arriscar e estando perto dele e dos dois filhos, Mikoto não tinha achado problema nenhum em atender aquele pedido que não era nada absurdo.

Desceu as escadas sem ânimo porque não estava nada ansioso para o embate que teria com Rai e Kagami. Não precisava pensar muito para saber o porquê deles estarem ali. Aquela altura a notícia de que ele pediu baixa da marinha já devia ter se espalhado pelos quatro cantos de Konoha e não tinha comunicado aos primos o que faria de antemão e de certa forma sabia que devia uma explicação a eles.

Claro que não podia contar que Mikoto era uma sereia, primeiro porque era provável que eles não acreditassem e mesmo que acreditassem aquele era um risco que não se permitia correr.

- Qual o significado disso? – Kagami foi o primeiro a perguntar assim que o viu.

- Boa tarde para você também.

- Sem ironias Fugaku! – O pai de Shisui grunhiu irritado com o cinismo. – O que está acontecendo?!

- Mikoto deu à luz a meu segundo filho há alguns dias – declarou tranquilamente vendo a incredulidade tomar conta das feições tão parecidas com as suas.

- Como é? – Rai quase gaguejou. – Segundo filho?

De maneira resumida, Fugaku contou sobre o segundo encontro que tinham tido e de como ele terminou, ocultando é claro as partes místicas. Explicou que ela passou por um período difícil, mas que agora eles tinham decidido seguir em frente juntos e que ser almirante da marinha não lhe agravada mais como antigamente.

- Então é isso? – Kagami parecia não lidar bem com a história. – Você vai desistir do sonho da sua vida, de tudo que você construiu durante todos esses anos por causa dessa... dessa criatura que aparece e some sem mais nem menos e é isso...?

- É Kagami. É isso. – Ditou com seriedade e firmeza. – Eu decidi que a minha prioridade vai ser Mikoto, Itachi e Sasuke. Eles são a minha família e eu quero ficar perto deles e é tudo que me importa. Não estou pedindo a permissão de ninguém até porque eu não preciso dela. Eu compreendo que possa ser difícil se entender, mas exijo respeito às minhas decisões. Não sou um garotinho para ser repreendido pelo o que eu faço ou deixo de fazer da minha vida.

Rai arregalou de leve os olhos e Kagami sentiu o queixo pender.

- Essa mulher deve ser mesmo muito especial para virar sua cabeça desse jeito. – Rai riu com o bom humor de costume. – Se você tem certeza do que está fazendo só posso desejar a sua felicidade e dizer que estou ansioso para conhecer o mais novo Uchiha de Konoha. 

- Faço das palavras do Rai as minhas. – Kagami cedeu. – Se está feliz Fugaku é o suficiente para nós.

- Eu estou feliz. – Garantiu sorrindo abertamente pela primeira vez em muito tempo. – Na verdade eu nunca estive mais feliz na minha vida.


Notas Finais


✦Penúltimo capítulo do flash back da história de Fugaku e Mikoto, momentos importantes explicando o porque do Sasuke ser tão especial, o nascimento dele e as intrigas que culminaram na morte deles ༼ಢ_ಢ༽ ✦

✦Mas eu entendo que o que vocês querem mesmo é o reencontro do OTP hahahahahahaha. Daqui a pouco a gente descobre o destino deles depois daquela separação sofrida. ❤ ✦

✦Até o próximo✦

❤❤❤


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