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História Corrupted (Draco Malfoy) - Capítulo 17


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Capítulo 17 - Sangue Ruim


Fanfic / Fanfiction Corrupted (Draco Malfoy) - Capítulo 17 - Sangue Ruim

25 de agosto de 1994.
Casa dos Diggory.
2:15.

Eleanor teve a impressão que tinha acabado de cair no sono quando Cedric a acordou.

– El... El, acorda... – Ele estava sentado ao lado dela, o cabelo bagunçado e os olhos inchados com o sono. – Vamos nos atrasar... – Bocejou.

Eleanor se sentou e olhou em volta, esperando ver o sol iluminando o quarto, mas se surpreendeu ao ver que ainda parecia estar de madrugada. Então resmungou e se levantou, seus pés se arrastando pelo chão do quarto, mas ao olhar para trás, viu que Cedric tinha se deitado na cama e ia voltar a dormir.

– Ah, não! – Ela pegou o próprio travesseiro e o bateu. – Se eu tenho que acordar, você também tem, vamos! – Ela o sacudia.

– Já vou, só cinco minutinhos... – Ele resmungou enquanto ela o puxava pelo braço pra levantar.

Ela o expulsou do quarto, com muito esforço, e entrou no banheiro para se arrumar. Depois de 30 minutos se arrumando, ela desceu as escadas até chegar na sala de jantar, onde o Sr. Diggory e Cedric tomavam o café da manhã.

Amos conferia os bilhetes de entrada em um grande pergaminho e ao ver Eleanor, se levantou e estendeu os braços para os lados, exibindo suas roupas. Tinha um sorriso orgulhoso em seu rosto.

– O que acha? – Ele deu uma volta, exibindo sua roupa. – Estou parecendo um trouxa?

Eleanor olhou melhor a roupa que ele usava; um suéter bege, com uma gravata marrom, cobertos por um casaco marrom. Na cabeça, usava uma boina estampada e seus óculos de sempre no rosto.

– Preciso ficar parecendo um trouxa... acha que está convincente?

– Se eu o visse na rua, nem imaginaria... – Eleanor brincou, fazendo careta. – Ficou ótima!

Amos se sentou, satisfeito, e voltou a comer. Cedric lançou um sorriso sonolento para Eleanor enquanto mastigava suas panquecas.

– Sr. Diggory, se não se importa que eu me pergunte... são 3 da manhã, pra que precisamos acordar tão cedo? – Eleanor indagou, enquanto bebia um copo pelando de café.

– Vamos ter que andar bastante pra chegar até a Copa... – Amos afirmou.

– Vamos andando até lá? – Eleanor arregalou os olhos, já rezando por suas pernas.

– Não! A Copa vai ser a quilômetros daqui... mas temos que andar pra um lugar mais distante pra podermos chegar até lá. – Explicou Amos. – É difícil reunir tantos bruxos sem chamar a atenção dos trouxas, sabe... o Ministério teve que tomar inúmeras precauções pra manter eles longe.

Eles se levantaram, prepararam suas mochilas com os itens necessários e partiram estrada afora. Ventava bastante, fazendo com que eles se aconchegassem em seus casacos, e a lua ainda brilhava no céu, mas o brilho azulado no horizonte indicava que amanheceria em breve.

Sr. Diggory andava na frente, pois era o único que sabia onde eles deveriam chegar, enquanto Eleanor e Cedric davam passos apressados para chegar até ele.

– Como vamos fazer pra chegar até lá se não podemos aparatar com o senhor, Sr. Diggory? – Ela deu uma pequena corrida para chegar até o lado dele.

– Vamos usar os portais. – Ele explicou, em voz alta para Cedric também escutar, andando atrás deles. – São objetos para o transporte de um lugar para outro em horas específicas. Pode-se atender a grandes grupos de cada vez se for preciso. Foram instalados duzentos portais em pontos estratégicos da Grã-Bretanha, e o mais próximo daqui é no alto do morro Stoarshead, por isso que estamos indo para lá, entendeu?

Eleanor olhou para o horizonte e pôde ver o morro a que ele se referia, que naquele momento parecia apenas um amontoado preto.

– E que tipos de objetos seriam esses portais?

– Podem ser qualquer coisa. Obviamente, algo discreto, para os trouxas não pegarem achando que é lixo, ou então alguma criança usar de brinquedo...

Ela assentiu com a cabeça e voltou a andar ao lado de Cedric, que parecia estar mais acordado do que quando saíram de casa. Ficaram em silêncio o resto do caminho, apenas sendo possível escutar o barulho dos galhos se quebrando quando eles os pisoteavam.

O céu foi clareando aos poucos enquanto eles subiam o morro, o azul escuro se transformando em um azul claro. Eleanor já começava a sentir as próprias mãos novamente, e Amos olhava para o próprio relógio á cada dois minutos, resmungando. As pernas dos três já começavam a se recusar a andar quando finalmente chegaram no final da subida, em terreno nivelado.

Só precisamos achar eles... – Amos sussurrou para si mesmo, olhando em volta, e então, soltou uma exclamação animada. – Encontrei! ARTHUR, AQUI! – Ele acenava freneticamente, olhando para o outro lado do morro.

– Amos! – Uma voz gritou do outro extremo, fazendo Eleanor e Cedric olharem, assustados.

Era um grupo grande, de aproximadamente 7 pessoas, e não era possível os reconhecer devido á distância, mas Eleanor soube quem eram no momento em que a luz que o sol começava a irradiar bateu nas cabeças deles, revelando tons alaranjados em seus cabelos: eram os Weasley.

Amos andou até o centro do morro, pegando uma velha bota de pano em suas mãos, e andou na direção do homem mais velho do outro grupo, que Eleanor presumiu ser o pai deles. Nunca o conheceu antes, mas Cedric já havia falado sobre ele em sua carta sobre Sirius Black, no ano passado.

Os dois apertaram as mãos, sorridentes, e o resto do grupo se aproximou ao mesmo tempo em que Eleanor e Cedric o fizeram, então ela também reconheceu Harry Potter e Hermione Granger junto dos Weasley.

– Este é Amos Diggory, pessoal – O Sr. Weasley se virou para o seu grupo. – Trabalha no Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas. E acho que vocês devem conhecer o filho dele, Cedric? – Apontou para Cedric.

– Oi, gente. – Cedric sorriu para eles.

– Não sabia que você tinha outra filha, Amos! – Arthur olhou para Eleanor, a testa levemente franzida.

– Não, não, essa é a amiga de Cedric, Eleanor Sparks. – Amos riu, colocando a mão nos ombros de Eleanor e a trazendo até o Sr. Weasley. – Esse é Arthur Weasley, ele trabalha no Controle do Mau Uso dos Artefatos dos Trouxas.

– Prazer em conhecê-lo, Sr. Weasley. – Eleanor estendeu a mão para ele, sorrindo.

– Engraçado, este nome é familiar... quem são seus pais? Trabalham no Ministério? – Arthur apertou a mão dela, sorrindo de volta, mas sua testa ainda estava franzida, como se tentasse lembrar de onde a conhecia.

– Na verdade, meus pais são trouxas... – Eleanor falou, sua voz em um tom mais baixo, pois não sabia como seria a reação dele ao saber que ela era nascida-trouxa.

– Trouxas! Brilhante! – Ele exclamou, seus olhos brilhando. – Talvez você possa me responder qual a função de um patinho de bo... – Ele indagou, mas Gina Weasley o interrompeu.

– Pai! – Ela estava vermelha e sorria sem graça para Eleanor.

– Certo, desculpe. – Ele soltou a mão de Eleanor e se virou novamente para Amos.

– Foi uma longa caminhada, Arthur? – Amos perguntou.

– Não muito, moramos logo atrás do povoado. E vocês?

– Tivemos que levantar ás duas, não foi, meninos? – Ele olhou para Eleanor e Cedric, que assentiram com a cabeça. – Não vou negar que mal posso esperar para Cedric passar nos exames de aparatação... mas não perderia essa Copa nem por um saco de galeões!

– Quase o preço das entradas, então? – Arthur brincou, e os dois riram.

– Pelo visto ainda me saiu mais barato do que pra você... são todos seus filhos? – Amos olhou para o grande grupo atrás dele.

– Só os ruivos. – Arthur respondeu, bem-humorado. – Esta é Hermione, amiga de Rony, e Harry, outro amigo…

– Pelas barbas de Merlin! – exclamou Amos arregalando os olhos, e Eleanor e Cedric se entreolharam. – Harry? Harry Potter?

– Hã... sim.. – Harry respondeu, sem graça.

– Ced nos falou de você, é claro... – Ele se aproximou do menino, apertando sua mão freneticamente. – Nos contou tudo sobre a partida que jogaram com vocês no ano passado… eu disse a ele: Ced, isto vai ser uma história para contar aos seus netos… Seu time derrotou Harry Potter!

Harry ficou calado, claramente sem resposta, Eleanor reparou que Fred e George emburraram a cara e reviraram os olhos, enquanto Cedric ficou claramente envergonhado.

Harry caiu da vassoura, pai.. – Cedric sussurrou. – Contei a você… foi um acidente…

– É, mas vocês ainda ganharam, não é mesmo? — brincou Amos, dando uma palmada nas costas do filho.

Eleanor lançou um sorriso sem graça para Harry, que acenou com a cabeça, então o Sr. Weasley tirou um relógio de bolso das próprias calças apressadamente, mudando de assunto.

– Está quase na hora... – Ele olhou o relógio de perto, cerrando os olhos. – Temos que esperar mais alguém?

– Creio que não. – Amos soltou o ombro de Cedric, que andou apressado até o lado de Eleanor, ainda envergonhado com o que o pai havia dito. – Os Lovegood foram á uma semana, e os Fawcett não conseguiram entradas.

– Então, seremos só nós. Falta apenas um minuto... – Arthur sorriu. – Amos, a bota, por favor... – Disse, cordialmente.

Então, Sr. Diggory estendeu a mão, que ainda segurava a bota de pano, e todos se aproximaram dele, todos os mais novos olhavam para Arthur e Amos com olhares confusos.

– É só tocarem na bota, sim? Basta um dedo! Mas recomendo que se segurem bem... – Arthur aconselhou, e todos assentiram de acordo.

Com dificuldade, por causa das volumosas mochilas, os dez se agruparam em torno da velha bota que Amos segurava. Ficaram parados ali, num círculo apertado. Ninguém falava. Era engraçado para Eleanor pensar que, se um trouxa subisse até ali naquele momento, veria dez pessoas, dois adultos, segurando uma bota velha de pano, esperando por algo.

– Três… – murmurou o Sr. Weasley, com o olho ainda no relógio em suas mãos. – ...dois… um…

Aconteceu naquele exato momento. Eleanor teve a sensação de que alguém a puxou pela cintura na velocidade da luz. Seus pés deixaram o chão; sentiu George e Cedric, um de cada lado, e todos rodopiavam em meio á milhares de cores; seu dedo indicador estava grudado na bota como se ela o atraísse magneticamente para frente, e aquela sensação lembrava muito o que ela sentiu quando viajou pela rede de Pó de Flú.

Então, sentiu seu corpo cair no chão e sentiu algo pesado caindo em cima dela, a fazendo perder o ar com o impacto em seu estômago. Eleanor levantou a cabeça e viu o Sr. Weasley, o Sr. Diggory e Cedric ainda em pé, embora pareciam terem sido varridos pelo vento. Os demais estavam caídos no chão. Reparou também que quem havia caído em cima dela tinha sido George Weasley; mais especificamente, a perna dele.

– GEORGE! – Ela arfou, tentando o empurrar pro lado.

Minha perna! – Ele exclamou, reclamando da dor de sua perna estar sendo empurrada pro lado. – O que é?

– Sua perna está em cima de mim! – Ela rosnou e ele olhou para trás, vendo o que havia feito, e rolou para o lado desajeitadamente, com o rosto vermelho.

 O 7.5 chegando do morro Stoatshead... – anunciou uma voz.

Todos se levantaram do chão, ainda desnorteados; Eleanor com a ajuda de George, que se desculpava pela terceira vez em menos de um minuto. Diante deles havia dois bruxos cansados, parecendo mau humorados, um dos quais segurava um grande relógio de ouro, e o outro, um grosso rolo de pergaminho e uma pena.

Ambos estavam vestidos como trouxas, mesmo que sem a habilidade do Sr. Diggory; o homem do relógio usava um terno elegante com botas de borracha até as coxas, e o outro colega, uma saia escosêsa e um poncho.

– Bom-dia, Basílio. – Sr. Weasley exclamou, recolhendo a velha bota do chão e a entregando ao bruxo de saias, que a atirou em uma grande caixa de chaves de portal usadas, á alguns passos de distância.

Eleanor reparou que, entre elas, havia um jornal velho, latas de bebidas vazias e uma bola de futebol furada.

– Olá, Arthur... Amos... – disse o tal Basílio em tom entediado. – Não estão de serviço, é? Tem gente que se dá bem… ficamos aqui a noite toda…

– Conseguimos uma folga. – Amos sorriu para ele. O sorriso não foi retribuído.

– Vou ver onde é que vocês vão ficar. –  Ele consultou a lista no pergaminho, sério. – Weasley... ficam á uns quatrocentos metros para aquele lado, no primeiro acampamento que vocês encontrarem. O gerente é o Sr. Roberts. Diggory... estão no segundo acampamento, procurem pelo Sr. Payne.

– Obrigado, Basílio. – O Sr. Weasley fez sinal para todos o acompanharem.

Eles saíram andando pelo terreno baldio e deserto, na direção em que Basílio havia apontado.

– Eleanor! – Hermione andou até chegar ao lado dela, e a lançou um sorriso tímido. – Vi que sua cabeça... está melhor. – Olhou para onde havia um corte profundo na cabeça de Eleanor, no final do ano letivo.

Eleanor havia sido atacada pelo Prof. Lupin, que estava transformado em lobisomem naquele momento, e ainda estava com um machucado horrível na testa da última vez em que Hermione a viu. Madame Pomfrey e o próprio Prof. Lupin acharam que o corte havia sido feito por ele, então disseram que ela ficaria com a cicatriz para sempre, mas a cicatriz havia sumido de vez, dando a entender que fora causada apenas pelo impacto contra a pedra na qual ela foi arremessada.

– Sim, nem dá pra ver mais! – Eleanor balançou a cabeça, sorrindo. – Muita sorte não ter sido... você sabe. – Ela deu de ombros e Hermione assentiu.

– Nunca te agradecemos por não ter contado á ninguém sobre... Sirius. – Ela sussurrou a última parte.

– Imaginei que vocês tivessem algo a ver com a fuga dele... – Eleanor sussurrou de volta. – Mas não se preocupem. O segredo de vocês está seguro comigo. – A assegurou.

Depois de aproximadamente 20 minutos, avistaram uma casinha de pedra ao lado de um portão enorme. Além do portão, Eleanor pôde ver a silhueta de centenas de barracas, montadas em um grande campo, no rumo de uma floresta no horizonte. O grupo do Sr. Weasley se despediu deles e se aproximaram da casa,  enquanto os Diggory e Eleanor continuaram andando em linha reta, até o próximo acampamento.

Havia um homem parado à porta do acampamento em que eles deveriam chegar. Eleanor soube só de olhar para seu olhar confuso que aquele era o único trouxa em quilômetros. Ele se virou para eles ao ouvir passos se aproximando.

– Bom dia, meu caro senhor! – Amos exclamou, numa tentativa falha de parecer normal.

– Bom dia...? – O homem franziu a testa para ele.

– Presumo que você seja o Sr. Baine. – Amos retirou a touca de sua cabeça e se curvou formalmente.

Payne... – Cedric o corrigiu.

– Sou eu. – O trouxa balançou a cabeça. – E vocês seriam...

– Diggory! Reservamos uma barraca há uns dias.

Sr. Payne levou um tempo analisando a lista em sua prancheta, aparentemente sem pressa alguma.

– Sim, estão aqui. – Ele confirmou. – Fica perto da floresta, só andar em linha reta. Vejo aqui que só alugou por uma noite?

– Sim, senhor! – Amos parecia muito mal se conter de animação.

– Então vai pagar agora? – Payne respondeu, mau humorado.

– Sim... hã... um momento... – Ele tirou de seu bolso um rolinho de dinheiro trouxa. – Hã... – Contava as notas com a cara mais confusa que Eleanor já viu na vida.

– Eleanor... – Cedric sussurrou. – Acho que ele não sabe o que está fazendo...

Eleanor segurou uma risada e andou até o Sr. Diggory, tirando o rolinho das mãos dele.

– Deixe-me ajudar... – Eleanor sussurrou, sabendo que o Sr. Payne os encarava, confuso.

– Esses papéizinhos são muito confusos. – Amos riu, sem graça. – Essa aqui é qual? – Apontou para uma das notas.

– De dez. – Eleanor ergueu as sobrancelhas, pacientemente. – Por quê não me deixa fazer isso?

Amos desistiu e andou para o lado de Cedric, deixando Eleanor cuidando do dinheiro.

– Estrangeiros? – Payne perguntou para Eleanor, enquanto ela contava o dinheiro e separava as notas.

– Como?

– Não são os primeiros que eu recebo que não sabem usar dinheiro. Um homem me deu uma moeda de ouro da grossura de um tablete de chocolate. Nunca vi isso na vida...

– Ah! – Eleanor arregalou os olhos. – Sim, sim... somos da... da Alemanha!

Ele a encarou, desconfiado, em silêncio, e Eleanor apenas o entregou o dinheiro o mais rápido que pôde, sabendo que não havia o convencido.

– Enfim... tomem um mapa do acampamento. – Ele tirou um mapa da grande pilha ao lado dele. – E como você me entregou o dinheiro certo, não preciso lhe dar troco.

– Certo. Obrigada, senhor. – Eleanor sorriu, envergonhada, e passou pelo portão do acampamento com passos apressados.

Cedric e Amos se apressaram para acompanhá-la e eles avançaram lentamente pelo campo entre longas fileiras de barracas. A maioria parecia normal, visivelmente tentaram fazer parecer equipamento trouxa, por mais que algumas das barracas tinham chaminés e até mesmo janelas de vidro.

Os bruxos passeavam entre as barracas conversando animadamente, e Eleanor até mesmo reconheceu alguns rostos na multidão como os de alunos de Hogwarts. Mas até aquele momento, não reconheceu nenhum de seus amigos.

Os três tiveram de se abaixar quando uma miniatura de brinquedo de um jogador de quadribol careca com as sobrancelhas grossas passou voando por cima deles, e quando se levantaram, tiveram que se esquivar das crianças que o seguiam, animadas.

– O que foi isso? – Eleanor seguiu as crianças com o olhar, assustada, e arrancou uma risada de Cedric.

– São os brinquedos que vendem. – Ele explicou, e então apoiou uma das mãos no ombro dela, a virando na direção contrária e apontando para um dos extremos do acampamento. – Logo ali, eles vendem comida, vê?

Eleanor conseguiu ver uma barraca de comida com uma enorme fila de bruxos e sentiu sua boca salivar ao sentir o cheiro que exalava da barraca, se espalhando por todo o acampamento.

Continuaram andando até chegarem na orla da floresta, onde tinha um espaço vazio com uma pequena placa perfurando o solo, dizendo "Diggory".

– Conseguimos lugares perfeitos! – Amos exclamou, largando sua mochila ao lado da placa. – O estádio fica logo atrás dessa floresta, estamos o mais perto possível!

Cedric sorriu, animado, e olhou para a floresta. Eleanor suspirou, cansada, e se sentou no gramado, como se suas pernas gritassem por socorro.

– Vamos montar a barraca, pai. – Cedric levantou a barra da blusa e tirou a própria varinha de dentro da calça, mas se assustou com o pulo que Amos deu em cima dele. – O quê?!?

– GUARDE ISSO! – Amos tinha os olhos arregalados e olhava para os lados, assustado. – Precisamos montar sem usar magia. Não podemos arriscar que um trouxa veja.

– Mas não tem nenhum trouxa aqui! – Cedric fez careta, confuso, enquanto Eleanor os olhava do chão.

– Não podemos arriscar. – Amos repetiu. – Sem magia, vamos lá. – Ele retirou a barraca da mochila, junto com as peças, e as jogou no chão.

Eleanor continuou os olhando, esperando que fossem fazer alguma coisa, mas os dois apenas ficaram parados, com as mãos apoiadas nos quadris, encarando as peças da barraca como se esperassem que ela se montasse sozinha.

– Ced... – Amos franziu a testa ligeiramente. – ... você sabe como se monta uma barraca?

– Sem magia? Não faço idéia... – Cedric fez bico, negando com a cabeça.

– Eu sei! – Eleanor se levantou com certo esforço, mas antes que pudesse alcançar as peças da barraca, Amos se colocou na frente dela.

– Não! Você é nossa convidada e é uma dama! – Ele exclamou. – Não vamos deixar você fazer trabalho manual!

– Mas, Sr. Diggory... eu sei montar! – Eleanor explicou, confusa. – Já acampei com minha família várias vezes!

– Nós dois vamos montar, eu e Ced... – Ele a assegurou. – Não pode ser tão difícil assim, pode?

Eleanor abriu a boca para responder, mas Cedric a lançou um olhar como se pedisse para ela não questionar, e ela ficou em silêncio.

Os próximos 15 minutos se passaram lentamente, com Eleanor sentada no gramado assistindo enquanto Amos e Cedric pareciam se enrolar em meio ás dezenas de peças da barraca.

– ... por quê isso ficou apontando pra cima? – Cedric ergueu as peças que ele juntou, fazendo careta. – Ficou parecendo um... deixa pra lá. – Segurou uma risada e continuou montando.

– MEU OLHO! – Amos gritou, quando foi atingido no rosto por uma peça mal encaixada por ele. – Droga de barraca!

– MEU DEUS! – Eleanor exclamou, se levantando impacientemente. – Com todo o respeito, Sr. Diggory, deixe que eu monte a barraca.

Mas você é convidada... – Ele sussurrou, enquanto uma de suas mãos repousava em seu olho atingido.

– Acho que devíamos deixar... – Cedric deu de ombros. – Mas vamos te ajudar. Só nos diga o que fazer.

Eleanor respirou fundo e desmontou tudo que eles haviam montado, mesmo que com a objeção de Amos.

– Ok, vejamos. – Ela se afastou, analisando todas as peças colocadas em ordem de numeração no chão. – Entendi.

E começou a montar a barraca. Estava fazendo praticamente tudo sozinha, com Sr. Diggory e Cedric ajudando apenas algumas vezes. Distribuiu igualmente as estacas e conseguiu encaixar tudo de forma coerente e segura, que foi tudo que Sr. Diggory não fez (e também foi o que resultou em seu olho roxo).

Em 40 minutos, já haviam terminado de montar a barraca e os três se afastaram para apreciar o trabalho feito. Ninguém que olhasse pensaria que fosse uma barraca de bruxos, e parecia grande o suficiente para os três poderem dormir sem ficarem desconfortavelmente próximos um do outro.

– Vamos dar uma olhada! – Amos parecia não ter pensado na questão de como organizaram-se para dormir, e entrou na barraca, animado.

Cedric puxou Eleanor de leve pelo pulso, e ela esperou que os três não fossem conseguir nem ficar em pé ao mesmo tempo dentro da barraca, mas se surpreendeu quando passou pela fenda de entrada.

A barraca era maior por dentro. Parecia uma casa, com quase a mesma decoração que a casa dos Diggory, com a exceção de que tinha um único andar ao invés de três, mas ainda era uma casa completa: sala, cozinha, banheiro e, aparentemente, dois quartos. Tinha um cheiro incrível de café fresco, e era iluminada por inúmeras velas, que davam um ar aconchegante á barraca.

Eleanor não percebeu, mas estava boquiaberta. Cedric parecia estar acostumados, pois se sentou no sofá na sala de estar e fechou os olhos de tanto cansaço.

– Não usamos essa barraca tem muito tempo. – Amos contou, enquanto andava até a cozinha. – A última vez em que acampamos com ela, Ced tinha 10 anos... lembra, filho?

Cedric resmungou alguma coisa em resposta, mas Eleanor percebeu que ele estava cansado demais para ter ouvido de verdade o que o pai havia dito.

– Vamos precisar de água e lenha.. – Amos observou. – Eleanor, está com o mapa?

– Aqui. – Ela sacudiu de leve o mapa em suas mãos.

– Tem alguma indicação de aonde podemos pegar água?

Eleanor abriu o mapa e o analisou atentamente.

– Tem uma torneira assinalada aqui! – Ela apontou para um ponto específico do mapa.

– Ótimo, você e Ced podem ir? Ele traz as lenhas e você traz a água...

– Claro! – Eleanor sorriu, dobrando o mapa novamente e o guardando no bolso de seu casaco. – Ced?

Cedric não respondeu, e era possível vê-lo roncar baixinho enquanto estava de olhos fechados encostado no sofá.

CEDRIC DIGGORY! – Amos gritou, fazendo o filho pular de susto. – Que bom que acordou, filho, agora vai lá buscar lenha e água com a Eleanor, sim? – Ele bateu de leve no ombro de Cedric, que olhava em volta, desnorteado.

– Precisa gritar assim? – Ele ficou emburrado e se levantou. – Vamos, El.

Os dois pegaram algumas vasilhas para encherem de água e saíram da barraca, seguindo o mapa através do acampamento até chegar á torneira marcada.

Agora que o sol tinha nascido por completo, eles puderam ver a quantidade de barracas que percorriam todas as direções do acampamento. Caminharam lentamente entre as fileiras de barracas, olhando em volta e analisando cada barraca.

Bruxos de diversas idades e tamanhos saíam das barracas e começavam a preparar o café da manhã de todos os lados. Alguns, olhando desconfiados para os lados, conjuravam fogueiras com as varinhas, enquanto outros acendiam fósforos com ar de dúvida, como se tivessem certeza de que não ia funcionar.

Cedric e Eleanor se distraíram enquanto olhavam as outras barracas, e quando perceberam, tinham entrado em uma parte do acampamento tomada por barracas vermelhas e pretas que não estavam enfeitadas com plantas, mas cada uma exibia o mesmo pôster, um pôster com um rosto muito carrancudo com grossas sobrancelhas. A foto, é claro, se mexia, mas apenas para piscar os olhos e franzir a testa.

– Uau. – Cedric ergueu as sobrancelhas, depois de perceber que a foto estava espalhada por todas as barracas.

– Quem é esse? – Eleanor perguntou, fazendo careta.

– Krum. – Cedric explicou. – Viktor Krum, o apanhador búlgaro!

Parece amigável... – Eleanor ironizou, desviando o olhar dos muitos Krums que piscavam e franziam a testa para eles.

– Independente de ser amigável ou não... ele é um dos mais jovens jogadores de quadribol... dos profissionais, sabe? Tem uns dezoito anos, eu acho. – Cedric explicou.

Voltaram a seguir o mapa em direção á torneira, e precisaram esperar numa pequena fila quando chegaram até ela. Eleanor ficou esperando enquanto Cedric foi até a orla da floresta buscar as lenhas que distribuíam.

Quando estava quase na sua vez de encher as vasilhas, Cedric voltou com cinco pedaços de lenha em seus braços. Agora mais pesados devido ao peso das lenhas e das vasilhas, eles voltaram mais devagar para a barraca.

Dessa vez, conseguiram reconhecer seus amigos na multidão: Susan Bones, uma das melhores amigas de Eleanor, que estava acompanhada de sua tia, Amelia Bones. Viram também Hannah Abbott, a outra melhor amiga de Eleanor, mas ela não os viu, estava montando a barraca com uma mulher que eles presumiram ser a mãe dela. Justin Finch-Fletchley veio correndo falar com eles, contando que fora convidado pelos pais de Ernie McMillan, e que era sua primeira vez em uma Copa Mundial de Quadribol, já que era nascido trouxa assim como Eleanor.

Ele parecia mais amigável em relação á ela. Ernie e Justin sempre a trataram bem, mas pareciam não ter muita confiança, ou então simplesmente não gostavam dela tanto assim, mas naquele dia em específico, ele estava mais simpático e puxava assunto com os dois ao invés de a ignorar enquanto conversava com Cedric.

Se despediram dele, e continuaram andando até a barraca onde o Sr. Diggory os esperava. Um pouco antes, eles passaram por uma barraca que tinha três andares e com um jardim anexo, completo, com banho para passarinhos, relógio de sol e fonte.

Enquanto Eleanor olhava para a barraca maravilhada, Cedric revirou os olhos disfarçadamente.

– Tem pessoas que não perdem a oportunidade de se exibirem... – Ele resmungou, tentando não olhar para a barraca.

– De quem acha que é? – Eleanor, ao contrário dele, não tirava os olhos da barraca.

– Tente achar a placa... – Cedric deu de ombros, olhando em volta rapidamente.

Eleanor localizou a placa, mas estava caída no chão, então ela não pôde ler. Andou lentamente, equilibrando as vasilhas cheias de água para não derramar nada, até a placa, tentando ler o nome escrito nela.

– Perderam alguma coisa aqui? – Uma voz fria soou, quando a fenda da cabana se abriu, e Eleanor olhou na direção dela.

Era Draco Malfoy. Ele tinha uma expressão soberba em seu rosto, mas ao reconhecer Eleanor, ficou vermelho e mais sério, desviando o olhar do dela.

– Ah, é você... – Ele resmungou e colocou as mãos nos bolsos do terno preto que usava. – Não te ensinaram a não pisar no gramado dos outros no mundo trouxa? – A frase parecia ter sido um insulto, mas o tom de voz dele estava normal.

– Malfoy. – Eleanor ajeitou sua postura, erguendo o queixo. Alguma coisa no rosto dele parecia familiar, como se ela já o tivesse visto antes, mesmo que ela tivesse certeza de que a última vez que o viu foi bem antes do final do ano letivo, dois meses antes. – ... se soubesse que era sua barraca, conjurava uma bomba de bosta.

– Tem certeza de que pode conjurar alguma coisa depois que quase partiu sua cabeça ao meio? – Ele arqueou uma sobrancelha, andando na direção dela.

– Tenho certe... como você sabe que machuquei a cabeça? – Ela franziu a testa pra ele.

Draco ficou sério na mesma hora, arregalando seus grandes olhos azuis, parecendo ficar mais pálido do que o normal, então ele desviou o olhar. engolindo em seco

– Os rumores voam. – Ele disse, apressado, e viu Cedric parado á alguns passos atrás de Eleanor, segurando as lenhas em seus braços. – Veio com o Diggory? – Ele respondeu contorcendo o rosto, e Eleanor não soube identificar o que fez ele ficar com uma expressão tão irritada.

– Vim. – Ela respondeu, levantando as sobrancelhas.

– Não basta ficarem grudados na escola, tem que ficar grudados fora dela também? – Draco sibilou.

– Quê?

– Não sabia que tinham nascido grudados um no outro. – Ele continuou resmungando.

– Você não tem nada a ver com isso. – Eleanor se emburrou, e quis cruzar os braços, mas ainda segurava as vasilhas de água em seus braços.

– Ah, é? – Draco arqueou a sobrancelha. – E você nem deveria estar aqui, é meu gramado, sai. – Ele colocou as mãos nos ombros dela e a empurrou pra frente, com força o suficiente para tirá-la do lugar, mas leve o suficiente pra não derrubá-la.

– Não toque nela... – Cedric se colocou entre os dois, e encarou Draco, que era significantemente mais baixo do que ele, mesmo que ainda fosse alto.

– Não se preocupe, Diggory, não vou roubar ela de você. – Draco sorriu de lado, debochando, mas seu sorriso se esvaiu de seu rosto quando uma varinha com uma cabeça de serpente em sua ponta pousou em seu ombro.

Draco se afastou de Cedric imediatamente, dando a visão de um homem que parecia ser uma versão mais velha dele, porém com os cabelos mais longos e o rosto mais largo. Eleanor já o viu antes andando pela escola com sua prepotência, que parecia ser de família: era Lucius Malfoy.

Ora, ora, Draco... – Lucius sorriu de lado, seu olhar penetrando as almas de Eleanor e Cedric, que o olhavam paralisados. – Onde estão os modos que eu e sua mãe lhe demos? Expulsando seus colegas, assim...

Draco se encolheu ao lado do pai, olhando para o chão. Eleanor nunca o viu perder a postura assim; geralmente sempre estava com os ombros retos, o queixo pra cima e um sorriso confiante no canto dos lábios, mas até mesmo o azul claro de seus olhos pareciam ter se escurecido.

– Você... – Ele apontou a cabeça de serpente em sua varinha para Cedric, encostando-a levemente em seu peito. – ...eu sei que é um Diggory. Conheço seus pais. Mas você, menina... – Lucius desviou sua varinha de Cedric para Eleanor, inclinando sua própria cabeça pro lado, como se tentasse a reconhecer.

Eleanor engoliu em seco, os olhos de Lucius eram quase tão claros quanto os de Draco, mas tinha algo diferente nele. Pareciam mais sombrios. Então se lembrou do que Cedric havia a contado no ano anterior: os Malfoy haviam trabalhado de perto com Voldemort na Guerra Bruxa.

– Qual é o seu nome, menina? – Lucius arqueou a sobrancelha, usando a ponta de sua varinha pra erguer o rosto de Eleanor pelo queixo.

– Eleanor Sparks. – Ela respondeu, rápido.

Sparks... – Ele soltou o rosto dela, contorcendo o rosto. – Quem são seus pais?

Eleanor olhou de soslaio para Cedric, que discretamente pousou uma das mãos nas costas dela, a acalmando.

– Daisy e Chester... – Ela sussurrou, em resposta.

– Não quero os nomes. – Ele a cortou, ríspido. – São bruxos?

– Não.

O rosto de Lucius pareceu se contrair involuntariamente, fazendo um de seus olhos piscar, e ele ficou sério, a olhando de cima a baixo.

De dentro do bolso do terno que usava, ele tirou um lenço de seda e o passou na cabeça da serpente em sua varinha, a limpando. Não olhou para Eleanor em nenhum momento, mas sabia que aquele gesto havia a afetado; estava deixando claro que a considerava suja e não queria que seus germes infectassem sua varinha.

Eleanor sentiu a mão de Cedric que estava em suas costas se fechar em punho, e percebeu que o amigo respirava com dificuldade. Ele odiava ver alguém a julgando (ou julgando qualquer outra pessoa) pelo seu sangue. Draco, por outro lado, continuava olhando pro chão, e parecia mais pálido do que nunca.

– Voltem pra seja lá de onde vieram. – Lucius se virou bruscamente, guardando o lenço de volta em seu terno. – Draco, vamos. – Ordenou.

Cedric puxou Eleanor para longe naquele exato momento, controlando sua respiração. Ficou tão enfurecido com a situação que quase derrubou as lenhas que segurava no chão, e Eleanor não ousou olhar para trás, estava muito ocupada tentando não chorar.

Draco hesitou em seguir seu pai, permaneceu paralisado por alguns segundos, apenas tomando coragem de tirar os olhos do chão quando Eleanor se virou para ir embora. Ao ver que ela não olharia para trás, ele se virou e seguiu seu pai para dentro da cabana.

Chegando de volta na cabana dos Diggory, Eleanor tentou permanecer calma enquanto o Sr. Diggory tirava as vasilhas de água de seus braços.

– Achei que tivessem se perdido! – Ele brincou, sem perceber as expressões nos rostos dos dois. – Por que demoraram tanto?

– Nós... paramos pra olhar umas barracas. – Cedric inventou. E não deixava de ser verdade, mas aquele não foi o motivo da demora deles. – Os búlgaros penduraram umas mil bandeiras do Krum... insano. – Comentou, tentando mudar de assunto.

– Imaginei que fossem, ele é a aposta deles. – Amos comentou, se sentando na pequena mesinha de jantar na cozinha, que ficava próxima á sala de estar, já que a barraca era em plano aberta, tendo paredes apenas para o banheiro e os quartos. – Aliás, Arthur passou por aqui... foi com alguns dos filhos buscar lenhas e me ofereceu uma caixa de pósporos. – Tirou do bolso uma caixa de fósforos.

– Pra que? – Cedric se sentou ao lado de Eleanor no sofá, que estava de braços cruzados e os olhos marejados.

– Ele disse que os trouxas acendem os fogos assim... disse que era só pegar um e arrastar a parte vermelha na lateral da caixa... – Abriu a caixinha, retirou um fósforo e raspou a cabeça vermelha na caixa, mas deixou-o cair com o susto quando o acendeu. – OPA!

Eleanor se virou para ele, prestando atenção pela primeira vez desde que chegou. Amos fez mais três tentativas de acender o fósforo mas se assustou em todas elas.

– Sr. Diggory... – Eleanor fungou, e se levantou do sofá, andando até ele. – Posso? – Estendeu a mão pra caixinha de fósforos.

– Sabe como funcionam os pósporos? – Amos a entregou a caixinha, curioso.

– Sim, olha aqui. – Ela tirou um único fósforo. – Você estava segurando muito perto da parte vermelha, precisa segurar mais na ponta. – O acendeu.

Amos a olhou maravilhado, quando ela manteve o fogo aceso por mais de 3 segundos, então ela o assoprou.

– Mas precisa de papel também. Rasgar em vários pedacinhos, colocar em cima da lenha, e colocar o fósforo em cima dos papéis. – Ela explicou, sua voz falhando. – Vai ajudar a pegar fogo mais rápido. Quer que eu faça?

– Acho que consigo fazer! – Amos sorriu, se levantando para procurar papel. – Por quê vocês não vão se trocar? Então almoçamos, ficamos descansando por algumas horas e nos levantamos no anoitecer para irmos pro estádio.

Eleanor assentiu, pegou sua mochila, que estava em cima do sofá, e saiu sem falar mais nada pro quarto. Bateu a porta de leve e se sentou na cama de beliche, respirando fundo.

Não sabia dizer o que havia a afetado nesse ponto, já estava acostumada a ouvir e ver algumas poucas pessoas a julgando por ser nascida trouxa, mas tinha um nó em sua garganta que ela sabia que só se desfaria se ela se permitisse chorar.

Antes que pudesse começar a chorar, Cedric deu duas batidas na porta e entrou, lentamente. Estava de olhos fechados.

– Está se trocando? Se estiver, me avisa que eu saio! – Ele colocou uma das mãos por cima dos olhos.

– Não estou. – Eleanor respondeu, e ele abriu os olhos, a vendo sentada na cama, abraçada á suas próprias pernas, com seu queixo apoiado em seu joelho.

Ele respirou fundo e colocou sua própria mochila no chão, se sentando ao lado dela. Não olhou diretamente no rosto dela, sabia que aquilo a faria chorar mais ainda, então só continuou olhando para o chão.

– Está assim por causa do que ele falou? – Perguntou, e ela negou com a cabeça. – Foi... o negócio do lenço?

Ela assentiu.

– Ele é desprezível, eu te falei... – Cedric balançou a cabeça. – Não se importe com o que aquele velho oxigenado pensa. Ele deveria estar em Azkaban, sabia?

– Não é sobre ele. – Eleanor o cortou. – Só não gostei da sensação de ver alguém estar realmente enojado por ter encostado em mim. – Explicou, sua voz embargada.

Cedric ficou em silêncio. Sabia que nunca entenderia o que ela passa, por ser sangue puro, então apenas escutou enquanto ela continuava.

– Quer dizer... eu sei que algumas pessoas pensam assim aqui, e sabia que um dia teria que lidar com isso, mas... nunca me preparei. – Ela olhou para cima, tentando conter as lágrimas. – Pelo amor de Deus, nunca, nem mesmo Draco me tratou assim. Ele falava, xingava, mas nunca o vi fazendo aquela cara por estar perto de mim. Nem ele, nem nenhum dos minions dele.

Cedric franziu a testa levemente.

– Meu sangue realmente importa tanto? Só o fato de eu ser uma bruxa não é o suficiente? – Ela questionou.

– Claro que é! – Cedric a interrompeu. – Você tem que entender... algumas pessoas são antiquadas. Ainda tem o mesmo pensamento que seus parentes tinham á 50 anos atrás... isso não quer dizer que você tenha que se sentir mal por isso.

Eleanor deixou uma lágrima escapar.

– Se lembra de Nymphadora Tonks? – Cedric perguntou. – Todos da Lufa-lufa falam sobre como ela é incrível, lembra?

Eleanor assentiu, mas tinha a testa franzida.

– O pai dela é nascido trouxa. Isso faz dela uma meio-sangue. Não muda o fato dela ser uma bruxa incrível, muda?

– Acho que não, mas...

– Então, pronto! O que meu pai disse durante o jantar ontem é verdade, sabe... – Ele relembrou. – O fato de você ter se tornado uma bruxa, e uma ótima bruxa, aliás, mesmo tendo sangue trouxa em suas veias, te faz uma bruxa tão poderosa do que todos os sangue puros juntos.

– Claro que...

– Você é uma das melhores alunas da sua turma. – Ele mencionou. – Melhor até que Malfoy, que é sangue puro. Acha mesmo que sangue importa na hora de decidir se um bruxo é bom ou não? Se importasse, você não daria uma surra nele tanto nas aulas quanto na vida real, não é?

– Mas...

– Hermione Granger, a melhor aluna da sua turma, é nascida trouxa assim como você. – Continuou. – Justin é um dos melhores alunos da Lufa-lufa, depois de você, é claro... nascido trouxa.

– Eu já entendi...

– Então, vamos encerrar o assunto. – Ele se virou para ela. – Deixa isso pra lá. A única que deve saber do seu valor, é você mesma.

Eleanor respirou fundo e deixou as lágrimas caírem, junto com alguns soluços. Cedric não falou mais nada, só a puxou e a segurou contra seu peito, a abraçando, enquanto ela se permitia chorar. Sabia que não havia nada que ele pudesse falar que a fizesse se sentir melhor.

Obrigada. – Ela sussurrou, fungando.

– Não agradeça. – Ele sorriu docilmente. – Agora, se troque e venha esperar o almoço. Vou me trocar no quarto do meu pai. – Ele se levantou e tirou uma muda de roupas da mochila, se retirando do quarto.

Eleanor ficou mais alguns minutos sentada na cama, se recuperando dos soluços, e quando se sentiu melhor, se levantou e procurou alguma roupa confortável para usar quando for assistir o jogo.

Por mais que se sentisse mais calma, a cena de Lucius Malfoy limpando a própria varinha depois de tocar nela não parava de se repetir em sua cabeça. E, no fundo de seus pensamentos, ela se perguntava o por quê do rosto de Draco parecer tão familiar, mesmo depois de não vê-lo por dois meses.



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