1. Spirit Fanfics >
  2. Cosmo - Taegi >
  3. Moon

História Cosmo - Taegi - Capítulo 1


Escrita por: e koobii


Notas do Autor


Avisos cortantes ✂ essa fanfic contém:
• Cenas sangrentas
• Humor ácido
• Sexo
• Suicídio
• Violência
• Mortes impiedosas (Isso inclui crianças e animais)
Então se não se sente confortável com essas coisas, peço que saía antes que isso se torne um gatilho.

Cosmo é um universo especialmente criado por mim e tem uma mistura de mitologias (com algumas coisas mudadas para se encaixarem no universo) como a japonesa, a grega e a nórdica, e uma grande inspiração em Steven Universo (por parte das jóias).

Introduzindo o Universo:

☄ Por entre as galáxias e auroras  ☄

↬ O que é o Cosmo?
É a energia interior vindo das joias poder desperto de cada ser existente.
[Como por exemplo: O Chakra]
Esse poder desperta em colorações diferentes em cada ser, e mesmo que em clãs a cor possa ser a mesma a tonalidade é distinta.
O Cosmo pode ser utilizado para aumentar o poder de armas, ou até mesmo partes do corpo.

↬ As joias
São a fonte de vida, quando destruidas o portador geralmente tem uma morte súbita. Se lenta, bastante dolorosa.
[Ainda há possibilidade de reencarnação]
Uma criança que nasce sem sua joia, nasce sem vida.

↬ Linhas da alma
A origem da lenda do Akai Ito, o usuário não necessariamente morre quando uma se parte, mas não existirá mais reencarnação.

🎭 Caminhos e pedregulhos 🎭

↬ O que são os Archan?
Archan são os discípulos dos deuses, crianças vistas como escória escolhidas para representarem as divindades em guerras ou até convenções dentro do Olimpo.

↬ O que são os familiares?
são seres/pessoas que estão destinadas (sejam forçadas ou não) a servir um superior, o elo é mercado através de um presente precioso como um colar ou um bracelete de ouro.

↬Hanahaki Byou (Disease)
Uma doença onde a pessoa contaminada é invadida por flores, no interior de seu corpo. A doença pode ser fatal, levando ao óbito já que afeta os órgãos vitais, como os pulmões e o coração, que são aos poucos entrelaçados por flores e espinhos.

↬ Principais espécies
• Fadas
• Gigantes
• Lamia
• Centauros

↬ Akai Ito em Cosmo
Todos os seres são destinados a alguém e não importa o tempo que passe, sejam anos, ou até mesmo em outras encarnações, as duas pessoas irão se encontrar. 
É o vínculo de certeza de que o amor ainda pode existir em meio à tanta tristeza.

Capítulo 1 - Moon


Fanfic / Fanfiction Cosmo - Taegi - Capítulo 1 - Moon

Quando os pés descalços tocaram a neve o menino puxou o ar em seus pulmões, seus olhos estavam fechados, mas seus ouvidos o permitiam ouvir toda aquela barbárie, a maldição a qual foi destinado a receber. Os espectros murmuravam, o provocando, o deixando cada vez mais furioso. Dentro da floresta do sussurro as coisas eram mais silenciosas do que esperava, poderia gritar o quanto quiser – ninguém o ouviria de maneira alguma.

Era noite de triluna, Min Yoongi tinha a breve e infeliz noção de como agitados aqueles seres de outro mundo ficavam nestes tempos por isso os mantinha longe de seu lar, de sua mãe, usando de toda a sua força. A última vela se acendeu, os primeiros passos na penumbra foram dados. A mão alcançou no canto de sua cintura a formosa cimitarra, os dedos finos desceram pelo pomo e em seguida agarraram a empunhadura, os flocos de neve tardaram a alcançar os cílios úmidos do garoto pálido até que, por conveniência, seus pequenos olhos felinos tornaram a se abrir, as belas íris cor do céu encararam ao longe aquele espectro puxar a porta da pequena casinha, abrindo-a o suficiente para que a triluna iluminasse dentro da mesma. Seu coração acelerou, aquele som agudo fez seu peito subir e descer freneticamente, por poucos segundos seus olhos se arregalaram no mais puro terror.

Piscou uma última vez, antes de vê-los manchados pelo sangue de sua progenitora, eles o amaldiçoaram desde que nascera, prometeram que ninguém mancharia a linhagem pura do clã Min. E eles voltaram. Quinze anos depois, para limpar o seu passado.

A primeira vela se apagou em um sopro alarmante na janela, um sussurro frio em seu ouvido e então, ele recuou, um, dois, três passos hesitantes. A neve foi manchada, banhada pelo sangue. Então ele correu, amedrontado, se sentindo um covarde.

Ele era tão fraco, tão frágil, suas pernas fraquejaram quando os seus gritos foram recebidos, abafados, pelo silêncio. A mão macia da mulher tocou a sua mão e a tomou para si, como um impulso para que escapasse.

— Meu pequeno Hórus. — a voz aveludada comentou, enquanto puxava por entre as árvores, sorrindo largo e despreocupadamente. Os olhos pratas da mesma o acalmaram enquanto corriam sem rumo, em direção à única escapatória daquele garoto. — Me escute bem, — sem olhar para trás a mulher se escondeu por trás das árvores e acariciou o rosto bonito de seu filho com o polegar. — quando cruzarmos o último pinheiro, a mamãe terá que ficar.

— O- o que?! Mas por-

— Você ficará bem, eu prometo. — os dedos delicados levantaram a franja do menino e um selar demorado e levemente molhado foi deixado no lugar. — Nós não podemos mais ficar juntos, querido – sentiu o coração falhar quando notou a ausência da joia da mulher, ainda assim seus olhos continuavam vivos. Mesmo que ela já não estivesse mais. — mas eu sempre vou olhar por você, não importa onde esteja, nem com quantos anos tiver, até mesmo quando se esquecer de mim, eu o protegerei.

As lágrimas quentes derretiam os pequenos flocos de neve que antes haviam tomado conta de seus cílios, os cabelos negros e joviais do garoto se disfarçavam na noite enquanto corria o mais rápido possível, tropeçando em seus próprios medos, hesitando em se manter até mesmo de pé ele logo escorregou, em seus passos, seus pés, suas lágrimas, sendo guiado pelo próprio terror o menino berrou uma última vez antes de se perder na mais profunda escuridão.

Capítulo um: Kairós

Algumas pessoas costumam se prender fervorosamente à esperança.

Mas quando o seu pilar é perdido, destruído, tudo parece perder o sentido.

Foi quando percebeu que a sua força não era o bastante.

Que ignorar seus medos não era o bastante.

E então, a esperança dele se perdeu.

— Agora viva. Seja feliz. Faça quantos amigos for preciso lá fora, não precisa ter muitos, apenas o suficiente para que você possa chama-los de família. — ouvir a voz de sua mãe soar tão serena em seu ouvido o acalmou, a tristeza aos poucos foi tomando o lugar do medo. — Então não tenha medo pequeno Hórus, deixe a luz guiar você.

As auroras tomaram conta do caminho escuro, o guiando silenciosamente até um lugar seguro. Mais uma vez, algo tomou a sua mão, o puxando indelicadamente para fora da floresta pouco a pouco Yoongi foi se esquecendo de tudo, de onde veio, tudo o que passou, esqueceu até mesmo quem ele era. Seus olhos fecharam.

O que acontece na floresta do sussurro desaparece na floresta do sussurro.

Seus ouvidos eram tomados pelo doce som da correnteza, e sua pele branquinha era banhada pelo sol enquanto desacordado, deitado na beira do rio. Sentiu um leve aperto em seu corpo dolorido, mas não conseguia despertar por alguma razão – ouvia sussurros curiosos sobre si.

— Veja, veja! Está acordando! — ouviu um tom exaltado soar na sala, sua cabeça doeu em descostume ao som e ele logo grunhiu, apertando desconfiado o lençol fino da cama.

— Pare de gritar seu idiota, ou quer assustá-lo? — a voz feminina respondeu com ferocidade, dando uma tapa na nuca do rapaz que passou a resmonear. Yoongi aos poucos abriu os olhos, com sua visão turva ele enxergou dois pares de olhos o encarando com curiosidade. — Shin, ele parece uma criança.

— Porque ele é. — rebateu, observando o garoto se sentar na cama e analisar o quarto, olhar para o rapaz e para a mulher em sua frente o olhando da mesma maneira.

— Onde eu... Estou... ? — um murmúrio confuso escapou de seus lábios, um olhar estreito, torto, foi-lhes dado tão subitamente. '' — Seja bem vindo ao templo dos discípulos de Miyuki-sama! '' a animação tomou conta do rapaz – assustando o menino – que logo sorriu largo com o próprio comentário. —... ?! — encolheu-se na cama.

— Shinwoo! O que eu falei sobre não gritar?!

— Me empolguei, foi mal. — coçou a nuca — Mas não é todo dia que alguém aparece por aqui não é? Da última vez eu tinha... Quatorze anos... ?

O rapaz pareceu se perder por alguns instantes em seus próprios pensamentos acabou dando espaço para a mulher que aproveitou esses momentos de paz para se sentar na beira da cama e de certa forma acalmar e tentar arrancar algumas informações de Yoongi. Ela colocou as mechas esverdeadas de seu cabelo por trás da orelha e sorriu da maneira mais amigável que conseguira, limpando a garganta antes de falar.

— Meu nome é Nancy Jewel — apontou para si ainda com aquele sorriso curto no rosto, em seguida apontou para o loiro: — e aquele bobão ali é Park Shinwoo, e pela hora logo você também conhecerá o Miyuki-sama. — olhou para a janela, mesmo que não houvesse nada de tão interessante do lado de fora, o menino relaxou ao saber que nenhum daqueles dois fazia parte de seu clã, ainda mais quando percebeu que eles aparentavam ser bonzinhos demais para sequestra-lo. — Você... Pode me falar seu nome quando se sentir confortável tudo bem?

Aqueles olhos azuis tornaram-se uma profunda escuridão em alguns segundos, como o mais profundo oceano amaldiçoado pelos deuses, suas íris pareciam turbulentas como uma tempestade, ele nada respondeu – Nancy procuraria por respostas mais tarde.

O menino quieto se sentara na beira da cama, olhando através da janela Shinwoo e Nancy praticando algo antes nunca visto por seus olhos tão ingênuos. Interessou-se pela forma como aquelas pequenas fumaças dançantes escorregavam por entre os braços do rapaz e se tornavam um forte impulso de ar, fazendo com que o corpo da mulher fosse levemente arrastado. Como em uma brincadeira totalmente estranha, o pé esquerdo dele pisou forte na terra e o chão rachou, tremeu, e fez com que Shin' caísse em tropeços. Os espectros sentados na beira da janela aplaudiram, quase que ironicamente.

— Você quer treinar com eles não é? — uma mão gélida tocou o seu ombro, o homem esbelto de fios loiros o perguntara repentinamente fazendo com que aqueles seres saíssem de sua visão por alguns segundos, o menino não sabia quem ele era, nem como havia chegado ali sem que percebesse, mas ele ainda assim assentiu, aquele homem tinha o suficiente para atrair uma criança curiosa como Yoongi. '' — Quem é você... ?'' a voz saiu fraca, ele piscou repetidas vezes. — Eu... ? Eu não sou ninguém, e você? Quem é?

— Yoongi, Min Yoongi. — sua voz relaxada saiu quase como um sussurro.

— E quem é Min Yoongi? — cruzou os seus braços, com um ar brincalhão. Yoongi entortou o olhar e esboçou curiosidade, surpresa – que tipo de pergunta é essa? Pensou. '' — Eu... Não sei... ?'' respondeu. — Então sabe seu nome, mas não sabe quem você é?

— Miyuki-sama! — ouviu a voz aguda chamar do lado de fora, em euforia. — Veja Shin, Miyuki-sama voltou! — apontou.

Miyuki ergueu a mão e acenou para aqueles dois lá fora, em seguida abrindo a janela e sentindo a brisa ir de seu rosto ao do menino ainda sentado na cama observando tudo ainda tão absorto. Ele sorriu.

— Quer tentar? — olhou para Yoongi.

— Sim.

━━━━━━━༺۵༻━━━━━━━

Nancy e Shinwoo pareceram surpresos ao ver o menino antes tão retraído parado ali em sua frente, utilizando uma regata branca e um short desgastado em conjunto com luvas especiais e resistentes para um combate corpo a corpo. Seu corpo era esguio, era branquinho e parecia tão intocado quanto um raro diamante, mesmo que seu olhar fosse tão morto e duro, como uma rocha.

— Apresente-se criança. — sussurrou dando passagem para que ele se curvasse em reverência aos outros dois, que se entreolharam ainda confusos.

— Eu sou Min Yoongi, por favor, me aceitem como... Um de vocês. — os olhos de Shinwoo brilharam ao ouvir aquilo, ele entrou em estado total de animação. '' — Então vocês ainda existem! Os Min ainda existem... !'' exclamou, assustando o mais novo. — Desculpe... ?

— Você faz parte do clã Min não é? Eu li tanto sobre vocês... São incríveis!

— Eu não sei do que está falando.

— Como não? Vocês são os mais famosos assassinos desde a antiga Orioch! Conhecidos pela força sobre-humana, golpes mortais, ouvi dizer até que são capazes de matar um tigre em um só golpe! — parecia até ironia alguém que nunca sequer viu os Min saber mais do que um dos mesmos, aquilo enfureceu o coração rancoroso de Yoongi.

— Me deixe testar. — pediu, cerrando os punhos e mordendo o lábio inferior em ansiedade. '' — Testar o que?'' o rapaz perguntou. — A minha força.

— E se você se machucar? — Nancy interrompeu com uma feição preocupada.

— Me. Deixe. Testar.

Shinwoo não pensou duas vezes antes de aceitar a proposta. Miyuki sentou-se na grama e passou a assistir em completo estado de serenidade.

— Prefere começar com combate corpo a corpo ou utilizando a sua especialidade? — a mulher perguntou se alongando de baixo de uma árvore próxima. '' — Especialidade?'' o semblante de confusão entregou a sua falta de conhecimento sobre muitas coisas. — Não sabe o que é uma especialidade... ? Eu vou-

— Deixe que eu mesmo explico isso pra ele... ! — interrompeu fazendo com que Nancy resmungasse algo em seguida. — basicamente, sua especialidade é algo de sua linhagem, por exemplo: o próprio clã Min, a especialidade do seu clã é exclusivamente a água já a minha é o ar e a da Nancy é terra. — ele ergueu sua mão, mostrando mais uma vez aquela fumaça colorida sair de sua mão em uma dança embolada. — Isso colorido é o meu cosmo e ele ajuda bastante a controlar o ar, que no meu caso é laranja.

— O que é cosmo? — Yoongi perguntou ainda mais confuso. '' — Oh céus, você viveu esse tempo todo em uma caixinha?'' o Park se espantou um pouco, mas ainda assim continuou:

— Mais uma vez resumindo: o cosmo é uma energia interior vindo diretamente das joias — baixou a manga de sua jaqueta e mostrou a Jasper brilhante no seu pulso. —, é um poder de cada ser que existe, até mesmo aquele pássaro ali — apontou para o mini-pardal que passava no céu naquele momento. — tem cosmo, mas ele desperta em diferentes colorações a sua pode ser preta, roxa, azul...

— Levando em conta de que o cosmo também pode ser usado pra deixar os ataques mais poderosos, tanto quando concentrados em áreas específicas do corpo quanto em armas. — Nancy colocou as mãos na cintura e sorriu por conseguir interromper a explicação do amigo, enfim se virando para Yoongi e o analisando. — Como quer testar a sua força sem nem saber utilizar a sua especialidade, ou até mesmo o cosmo?

Yoongi os viu rir, agora sentados de baixo da árvore.

Aqueles espectros não o deixariam em paz, nunca.

— Por que não o ensinam a utilizar? — Miyuki se pronunciou ainda sentado e bastante atento na conversa. '' — Mas o senhor é o mestre... '' disse em confusão. — Se eu os ensinei vocês devem ser capazes de repassar pra ele, não?

— Tudo bem, vamos começar com combate corpo a corpo. — o Park se dispôs, estalando os dedos de sua mão se alongando e sorrindo ladino como se tivesse acabado de ganhar um grande prêmio. Ele avançou sem aviso prévio, assustando o menino que por instinto o chutou acertando com força diretamente em sua barriga, Shinwoo ficou sem ar.

— Tinha me esquecido do quão péssimo você é em ataques físicos. — riu achando graça do amigo jogado no chão, Yoongi engoliu seco ainda assustado pelo que acabara de fazer. Nancy o chamou para que ele atacasse, mas ele não sabia como iniciar um ataque. — Não pense muito, só ataque antes que eu o faça.

Ele sentiu a terra entrar por entre seus dedos assim que tomou certa posição para atacar, encheu o pulmão de ar e deu a largada, correndo com o punho cerrado em direção à mulher, que desviou tão delicadamente quanto uma pena caindo aos poucos na água, o impacto veio assim que ela agarrou com força o seu pulso e o derrubou no chão.

— E é assim que se derruba alguém. — o soltou, deixando ele deitado na terra.

O peito de Yoongi subia e descia rapidamente enquanto ele encarava o céu ainda confuso pelo golpe que acabara de tomar.

Ele ainda tinha muito que aprender.

O sol estava se pondo, o suor escorria no rosto branquinho e agora sujo de terra do garoto, perdera a conta de quantas vezes foi derrubado naquela tarde, de quantas vezes se levantou e também de quantas vezes pensou em desistir. Levou um tempo até que conseguisse acertar Nancy, seja com socos, ou até mesmo chutes, ela parecia uma barreira impenetrável.

Shinwoo apenas observava tudo junto com Miyuki que parecia preso em uma eterna meditação entediante. Yoongi grunhiu quando sentiu o punho fechado e tenso da mulher acertar mais uma vez a sua barriga, o ar se esvaiu por alguns segundos e sua visão ficou turva até que antes de seu corpo simplesmente desacordar ele acertou uma cotovelada na clavícula da mesma, ouvindo um grunhido seguido de uma risada nervosa antes de apagar.

— Eu acho que ele deslocou o meu ombro.

— Amanhã quero que usem suas especialidades. — Miyuki finalmente se pronunciou, observando o Park pegar o corpo mole, sujo e desacordado do Min que respirava pesado em um sono profundo. '' — Mas Miyuki-sama ele ainda não... '' arriscou em dizer, sabendo que não adiantaria. — Ele saberá lidar com isso.

Seu corpo foi banhado pela espuma e pela água morna, Nancy escovou o seu cabelo, cuidou dos calos e enfaixou suas mãos, como se fosse uma mãe. Shinwoo serviu o rámen e por incrível que pareça aquela foi a refeição mais completa e deliciosa que Yoongi já teve em sua vida.

Por volta do meio dia lá estavam eles, treinando mais uma vez, Yoongi caía, levantava, e voltava a atacar mais uma vez. Até que Nancy fez aquilo: ela pisou com força fazendo com que o chão tremesse rapidamente, as pernas joviais fraquejaram e ele pensou que cairia.

— Hoje vamos utilizar especialidades. — avisou antes fazer o chão ao redor deles afundar, formando um enorme buraco uma espécie de arena. '' — Isso significa que hoje eu também vou participar. '' Shinwoo pulou ali dentro, fazendo a areia levantar, ''prepare-se para uma batalha elementar. ''

Se antes quase não acertava um ataque normal agora parecia ser impossível, quando estava prestes a acertar um chute em Nancy ou ela desviava, ou lançava grande pedras contra ele, ou Shinwoo o fazia flutuar e o jogava para o outro lado da arena. Longo quando começou a chover, poças de lama começaram a se formar ao redor dos três, Yoongi pensou que controlar o chão ficaria mais difícil para a mulher, mas ela logo fez questão de lembrar que lama também era composta por terra e então o prendeu, seus braços, pulsos, pernas foram presas na enorme poça suja e desconfortável.

Às vezes tinha a impressão de que estavam tentando mata-lo, o torturando.

Mas quando estava prestes a desistir Nancy afrouxava e o deixava sair, o Park era o único que não ousava tentar ataques físicos, essa era a sua fraqueza e mesmo que Yoongi soubesse disso era difícil se aproximar de alguém que pode te afastar com literalmente um sopro. Foi em um desses momentos pensativos que ele despertou, alcançando a lama com suas mãos e a fazendo dançar por entre seu punho antes de joga-la contra os dois que abriram frestas para que ele finalmente atacasse.

Uma. Duas vezes. Em que repetiu o mesmo ataque rapidamente, logo ele atacou chutando fortemente a perna do Park o fazendo cair e grunhir de dor no chão. Nancy tentou imobilizar o garoto, mas estava surpresa demais para tentar um ataque elaborado e logo caiu com o mesmo golpe que utilizou para derrubar Yoongi da última vez.

— Desde... Quando você... — Nancy abriu um sorriso aparentando estar orgulhosa. '' — Eu não sei. '' seu corpo ficou fraco e ele caiu de joelhos, ''acho que vou apagar... De novo. '' respirou fundo e apertou os dedos contra a terra molhada. Os cabelos esverdeados da garota entraram em um estranho contraste com o por do sol, Shinwoo parecia pensativo.

— Eu estou todo quebrado, e só tomei um chute na perna. — resmungou se agarrando na própria perna com um grande hematoma. — Não sei se fico bravo por ter me chutado tão forte, se fico triste por você quase ter quebrado e destruído minha perna ou se fico feliz por tudo aquilo sobre a força do seu clã ser real.

— Desculpe por isso.

Os três estavam exaustos, jogados na terra e sujos de lama. Mesmo sendo tão agitada e aparentemente tão turbulenta aquela com certeza foi a única tarde que se sentiu tão tranquilo.

Hoje os espectros não apareceram.

Eles não gostam que esteja se sentindo bem.

Capítulo dois: Nefelibata

Nancy o comprou um cachecol vermelho comprido e aconchegante, era a primeira vez na vida que Yoongi via, e descobria a existência de algo denominado como cidade. Eram pessoas tão distintas uma da outra que sua cabeça mal conseguia processar, descobriu que sempre iam à cidade para relaxar, Shinwoo o levou para uma taverna.

As pessoas ficaram curiosas sobre o menino, e mesmo assim ele não abria a boca para contar nada – por medo. Ele estava começando a se acostumar com a presença notória daqueles dois barulhentos, pensava que não haveria problema algum de acompanhar aqueles dois por onde quer que fosse.

Será que já era o suficiente para chama-los de ''família''?

— O que acha de virmos aqui amanhã? — o Park colocou seu braço envolto do pescoço do mais novo que sorriu, deixando o rapaz até um pouco surpreso. '' — Claro. '' respondeu ainda com seus lábios curvados naquele sorriso gengival tão doce. — Pelos deuses, eu não tinha ideia de que você era capaz disso... !

— Disso... ?

— Sorrir! Você sorriu! — apontou ainda surpreso, Yoongi arregalou os olhos se perguntando se aquilo era algo ruim, mas quando a risada animada de Shinwoo se fez presente dentro da taverna ele sentiu-se aliviado.

━━━━━━━༺۵༻━━━━━━━

Dois anos e seis meses, Yoongi tinha dezessete quando aprendeu a dominar a sua especialidade: água, apesar de que, ainda optasse pelos ataques físicos. Nancy se sentia orgulhosa pela criança que praticamente viu crescer tanto de tamanho, quanto como pessoa, e como lutador, sim ele era um grande lutador. Um ano desde que Miyuki finalmente o considerou apto para participar de missões oficiais, apesar de pequenas.

— Eles eram fortes. — Shinwoo exclamou, estalando os dedos, os ombros e tudo o que conseguia. Seu corpo estava dolorido e cansado. '' — Nem tanto, você que é molenga. '' Yoongi reclamou das habilidades baixas em combate corpo a corpo do amigo, Nancy concordou com o mais novo. — Desculpe? Não te ouço aí em baixo. — zombou da altura do Min.

— O ignore Yoon, o importante é que a operação foi um sucesso.

— Tem razão. — a faixa enrolada aos braços machucados do menino foi retirada com cuidado para que ele pudesse limpar em seguida. '' — Agora vão me ignorar?'' bateu o pé fingindo mágoa. — Está ouvindo algo Jewy?

— Não. — limpou o sangue em seus joelhos, ainda ignorando a presença do Park que esperneava feito uma criança na porta. — Aliás, faz um tempo desde que Miyuki-sama está viajando, não acha estranho?

— Quem sabe está comprando os livros que Shin tanto pede.

— Agora eu existo?!

A verdade era que Miyuki havia prometido que daria um jeito de resolver os problemas espirituais do Min, então estava viajando procurando algo de seu agrado. Mas já fazia duas semanas desde que saíra e até então sem noticias.

— Aí está ele... Miyuki-sama! — Shinwoo exclamou enquanto ele retirava os sapatos na porta. O homem trazia consigo variadas coisas, seus olhos procuraram Yoongi até que ele ergueu a cabeça e o encarou curioso. — Para que tantas velas?

— Você está pronto? — chamou o Min, que levantou e o acompanhou até o quarto. Em silêncio.

— Ótimo! Todo mundo vai me ignorar agora?! — ele cruzou os braços, irritadiço, Nancy riu de toda aquela bobagem.

Miyuki começou a acender, todas aquelas velas brancas naquele quarto apagado, Yoongi apertou a beira de seu short preto de cetim enquanto observava o homem preparar uma espécie de ritual naquele lugar. O tinteiro foi colocado no chão junto com o pincel.

— Onde quer que eu escreva? — a luz da vela refletia contra o rosto jovem do homem em sua frente, ele parecia tão decidido a fazer aquilo quanto o Min que foi quem fez o pedido para a resolução. Não pensou muito, pediu para que fosse escrito em sua perna direita.

Melou a ponta do pincel com a tinta preta, e começou a escrever de forma rápida na perna branquela do Min as linhas eram suaves e arredondadas e os traços eram semifluidos. Miyuki disse que aquela era uma tinta especial, além de que trouxe outra coisa para ajudar nesse problema do menino: uma wagasa, uma sombrinha tradicional japonesa, com diversos selos de proteção feitos por ele mesmo.

Já a vela branca era muito utilizada para espantar más energias, e aquilo ajudava no selo de proteção que o homem loiro pintava com delicadeza em sua perna. Os espectros batiam na porta com certa raiva, não conseguiam entrar e somente Yoongi parecia os ouvir era de grande incomodo. A cera da vela foi pingada na pele branquinha, o desconforto era nítido ao sentir aquilo quente em sua pele.

— Enquanto isso estiver marcado em sua pele os grandes incômodos desaparecerão com frequência, já a wagasa servirá para quando for sair, não posso garantir que eles serão completamente erradicados quando estiver lá fora. — Miyuki falava de modo estranho, como se estivesse esperando por algo, aquilo assombrou a cabeça traumatizada do menino que manteve suas escuras íris azuis perdidas o restante da noite. Estava preocupado.

Mas se algo acontecesse ele poderia lidar desta vez não é? Estava mais forte, ele era forte.

Seria difícil não conseguir impedir algo.

Semanas e mais semanas passaram até que aquilo saísse de sua cabeça, aquele selo ainda estava marcado em sua perna e os espectros pareciam ter o deixado em paz aos poucos. Às vezes se pegava encarando a wagasa fechada no canto de seu quarto, nunca passou em sua cabeça usa-la e até então não estava incomodado com isso. Era noite de lua nova, Nancy avisou que nevaria no dia seguinte parecia animada com a ideia de fazer anjos na neve, disse que poderia ver Yoongi usando o cachecol vermelho outra vez.

— Eu mal posso esperar por isso! — sorriu passando os dedos por entre os fios esverdeados, ela ficou silenciosa enquanto encarava a lua nova do lado de fora iluminando calmamente seu rosto. Não demorou muito para que ela se despedisse do Min e fosse para o seu quarto o deixando sozinho mais uma vez, ele olhou para as palavras em sua perna e passou com seu polegar por cima da tinta seca. Era como se ela já fizesse parte de seu corpo.

Seus olhos vacilaram quando ele se deitou na cama, estava cansado. Não queria pensar muito caso contrário entraria em colapso, deveria ter sido uma noite tranquila.

Mas não foi.

Sentiu um cheiro estranho de incenso invadir os cômodos, chegando a fazê-lo acordar em incômodo foi quando ouviu a porcelana quebrar e um grito de dor vir diretamente do quarto de Shinwoo, Yoongi se levantou ouvindo os passos pesados de Nancy correndo para mais perto de seu quarto a respiração profunda e assustada chegando ainda mais perto da porta. Um rápido disparo foi dado, e quando ele girou a maçaneta se deparou com o vazio, foi uma sensação tão esquisita e tão familiar que seu coração disparou quando a porta do quarto de Miyuki se abriu em um ranger.

— Mi... Yuki? — murmurou confuso, ao ouvir outras vozes no lugar. Vozes que não eram conhecidas por ele, seus olhos encararam a penumbra e viram de relance dois belos orbes brilhantes como os olhos de uma pantera.

Nosso trabalho já está feito, vamos.

Demoraram alguns segundos para desaparecerem dali tão rápido quanto apareceram, por que Shinwoo e Nancy não estavam ali se os ouvira pouco tempo atrás? Por que tinham desconhecidos dentro da casa?

O arrepio subiu por sua espinha e ele perdeu completamente seus sentidos, mais uma vez os espectros surgiram subindo pelas paredes com aqueles sorrisos macabros, como se tivessem visto a mais bela obra de arte em sua vida, Yoongi sempre pensou que eles vieram apenas para atormentá-lo em tempos infelizes, mas agora que tudo estava indo bem ele não conseguia entender, não conseguia encontrar uma resposta para nenhuma daquelas gotas de sangue derramadas, por que aquilo estava acontecendo com ele?

Estava nevando lá fora, Min Yoongi estava paralisado na porta do quarto vendo o seu mestre sorrir até o fim de sua vida tranquila, com aquela tesoura anormal atravessando o seu corpo. Esperando ansiosamente que Nancy aparecesse na porta e o tirasse dali o mais rápido possível ou que Shinwoo contasse uma piada para contornar totalmente o assunto, mas eles não apareceram.

Por que não apareceram?

— N- Nancy... ! Sh- inw- oo!— suas pernas fraquejaram assim como sua voz que tornou embargada enquanto ele criava forças para chamar os outros dois que nada diziam, então abriu a porta, mas Nancy não estava lá.

Não estava na cozinha, nem na sala, muito menos escondida no banheiro, seu corpo estava desaparecido. Os dedos estremeceram quando abriu a porta do quarto de Shinwoo e o encontrou ali, destroçado, com a própria espada encravada em seu peito. Sua jasper estava rachada e seus olhos banhados de lágrimas, assim como os de Yoongi.

— Isso é um pesadelo não é... ? — a voz falhava enquanto ele abraçava o corpo do amigo contra o seu, soluçando alto o suficiente para abafar as gargalhadas daqueles espectros demoníacos que jamais o deixariam em paz.

Do fundo de sua alma, ele queria desaparecer.

Porque desde que nasceu ele vem se sentindo amaldiçoado.

Talvez a culpa não fosse daqueles seres, talvez fosse dele.

Era tarde demais, todos foram mortos e ele não pôde fazer nada porque já era tarde demais. Naquele exato momento em que os primeiros flocos de neve passaram a manchar as janelas do quarto os seus olhos brilharam.

— Estão mortos. Todos estão... Mortos. — ele estremeceu.

Quando as chamas azuis tomaram conta do local ele caminhou até o quarto onde Miyuki se encontrava morto, observou bem a lâmina daquela tesoura prateada e trincou seu maxilar. Yoongi nunca havia se sentido tão estúpido como naquele momento, seus olhos foram tomado pela raiva como nunca ele estava sentindo uma enorme fúria.

Assim que ele notou o olhar de espanto daqueles seres de outro mundo ele percebeu:eles estavam com medo dele. Logo quando retirou aquela tesoura enorme do corpode Miyuki ele sentiu mais um arrepio, como se aquela arma tivesse sido feitasob medida para as suas mãos. Naquela madrugada Yoongi saiu em meio à neveapenas com o seu cachecol vermelho, sua wagasa e um grande aperto no peito.

Seguindo em direção à escuridão mais uma vez, sem rumo, sem para onde ir ou voltar ele se concentrou apenas em se manter vivo até o próximo dia dedicado a descobrir quem assassinou a sua família


Notas Finais


A fanfic também foi publicada no wattpad e todos os capítulos serão publicados lá mais cedo do que aqui, por isso recomendo que leiam por lá:
https://my.w.tt/TkA1Wxw4C6

Nos veremos novamente, em alguma galáxia próxima.  🌟


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...