1. Spirit Fanfics >
  2. Cosmopolitan - Juntos Pelo Acaso >
  3. A Good Company

História Cosmopolitan - Juntos Pelo Acaso - Capítulo 10


Escrita por:


Notas do Autor


Dessa vez eu demorei de verdade,né? <br />O spirit achou divertido suspender a minha conta por algum motivo,e por isso que não consegui responder os comentários de vocês ou postar alguma coisa,mas já consegui contornar a situação.<br /><br />Voltemos a normalidade!<br /><br />Espero que gostem.

Desculpe qualquer erro,a correção desse capítulo foi bem corrida.

Capítulo 10 - A Good Company


Fanfic / Fanfiction Cosmopolitan - Juntos Pelo Acaso - Capítulo 10 - A Good Company


Sentia seu corpo ligeiramente dolorido,não sabia se era por causa do colchão desconfortável do quarto de hóspedes do apartamento de Ruby ou se era por conta do modo como se jogara na cama na noite anterior.Quase lançou o próprio celular pela janela quando o mesmo despertou,em seguida praticamente se arrastou até o banheiro.

Ligou o chuveiro na água morna e deixou que suas costas relaxassem com o toque morno.E a única vontade que tinha era de voltar para sua cama,mas sabia que não conseguiria sequer cochilar com todo barulho que vinha da cozinha.Ruby conseguia fazer duas vezes mais barulho que Zelena,e a Regina precisava tirar paciência de onde não tinha para lidar com a amiga cantarolando Single Ladies às 07:15 da manhã.

Despertou mais depois do banho e seguiu para seu quarto para se vestir.Colocou a mesma calça preta de sempre,depois de checar se a mesma não estava começando a rasgar depois de tanto uso.Chegando a cozinha,encontrou a mesma Ruby animada e espirituosa de sempre,e se esforçou para não expor todo o seu mau humor matinal.

— Bom dia! — Ruby sorriu com sua boca larga.

— Bom dia.— Regina devolveu um sorriso cansado.

— Pegue um prato e venha comer.

Regina fez o que Ruby falou e voltou para a sala,vendo-a colocar um prato cheio de panquecas encima da mesa de jantar.

— Amanhã é sábado,já sabe né?! 

— O que tem amanhã? 

— Você eu espero que não tenha nenhum compromisso,porque nós vamos sair.

— Vamos? 

— Vamos,só não sei pra onde,mas vamos.

Regina não questionou,sabia que não adiantaria de nada convencer Ruby de que preferia ficar em casa.

— Então...— Ruby se remexeu na cadeira.— Eu encontrei na suas coisas...

— Por que estava mexendo nas minhas coisas?

— Não estava mexendo na suas coisas.Estava procurando minhas botas,que estavam nas suas coisas.— Explicou,desviando-se com maestria da acusação de Regina.— E o que aconteceu com sua calcinha?

— Que calcinha? — Espalhou uma porção de mel encima da panqueca,sem dar muita atenção para a fala de Ruby.

— Uma calcinha preta rasgada.Estava pendurada fora de sua bolsa.

Regina encarou o rosto descontraído da moça.Ruby sabia muito bem disfarçar quando já tinha respostas para as perguntas que fazia,ela já sabia o porquê de Regina ter guardado uma calcinha rasgada,mas ela queria escutar a história da boca de Regina.

— Eu sei que suas calcinhas não são muito novas.Mas não a ponta de se rasgarem daquele jeito.Inclusive você precisar comprar umas novas.

Sorriu com a sugestão de Ruby e voltou a atenção para o prato de comida.Mas quando viu o olhar curioso e insistente de Ruby,decidiu dar a amiga o que ela queria.

— Antes de ontem,eu tive alguns...algumas...— Desviou o olhar de Ruby,vasculhando em sua mente a expressão certa para dizer o que tinha feito.— Algumas...atividades...noturnas.

Ruby abriu o sorriso mais largo que foi capaz,como se Regina tivesse acabado de contar um feito histórico.

— Diga-me,quem foi o sortudo que teve a oportunidade de se deliciar com esse corpinho esculpido por Afrodite.— Disse,descontroladamente animada.

Regina escondeu o rosto em uma das mãos,enquanto gargalhava e tentava não colocar para fora o pedaço de panqueca que tinha na boca.

— Foi só o Robin.

— O Robin que estou pensando? 

— Sim.

— Mas já? — Expressou um semblante surpreso.— Você é rápida.Não julgo,faria o mesmo.Como foi?

Regina sabia que não teria fôlego para contar para Ruby os mínimos detalhes de tudo que havia feito com Robin.Além disso,não fazia muito bem para sua mente ficar recordando a tal noite,pois quando o fazia não conseguia se concentrar mais em nada,já que sentia como se o homem estivesse ali.Podia sentir o calor das mãos de Robin passeando pelas suas costas nuas,a barba por fazer arranhar prazerosamente o seu pescoço,a sensação de tê-lo dentro de si.

— Foi...interessante.— Respondeu sem se importar em esconder a malícia por trás de suas palavras.

— Ele jogou tudo da mesa no chão e lhe jogou encima? Como nos filmes? 

— Não.— Riu com a imaginação de Ruby.

— Então da próxima vez,o lembre de fazer isso.É um clássico do sexo em escritórios.

Ela apenas conseguiu rir da seriedade com a qual Ruby tratava o assunto e continuou o café da manhã tentando se desviar das perguntas e insinuações maliciosas e indiscretas de Ruby.

———————— 

Robin despertou assim que o celular tocou,indicando que eram 6:50.Não tinha dormido muito bem,afinal,nenhum homem mortal conseguiria ter uma noite de sono normal se passasse todo o tempo se revirando na cama enquanto sonhava com uma mulher de cabelos escuros e olhos marcantes,a qual ele tinha que ver todos os dias em seu trabalho sem poder toca-lá.

Marian estava de plantão e não tinha chegado ainda,e ele não podia deixar Roland sozinho pra fazer sua corrida matinal.Depois de passar meses se sentindo um triste sedentário,Robin começou a se obrigar a acordar mais cedo e correr por pelo menos meia hora na vizinhança,e por mais preguiçoso que fosse,está conseguindo manter certo foco.

Levantou da cama e se alongou,sentindo as articulações das próprias pernas fazerem um barulho alto.Abriu metade da cortina de sua janela e observou o dia nublado que começava a se formar,odiava dias como aquele e esperava que um céu azul aparecesse no decorrer do dia.Saiu de seu quarto e desceu o corredor em direção ao quarto do filho.Assim que abriu a porta,vislumbrou a figura de Roland espelhado na cama como se fosse um boneco de pano.

— Vamos,homem! — Puxou o cobertor do filho com certa indelicadeza.

Roland gemeu na cama e virou as costas para o pai,fingindo,muito mal,que ainda dormia.Robin se sentou na beirada do colchão e começou a cutucar o filho com o dedo,sabendo que o pequeno logo se irritaria e se levantaria.

— Pare com isso! — Roland disse sem paciência.

Robin sabia muito bem como fazer o filho acordar de mau humor e até se divertia com isso.

— Não demore no banho,hem! — Avisou,observando o garoto marchar até o banheiro.

Roland era novo,mas era bastante independente para uma criança de 6 anos.Robin sabia que não era uma garoto tão esperto quando tinha tal idade,então provavelmente,Roland havia herdado essa característica da mãe.

Tomou um banho mais rápido que o do filho e andou até o quarto para se vestir.Colocou uma camisa social cor de vinho e uma calça grafite.”Regina adora essa cor”,lembrou.Em seguida,ajudou o filho a se arrumar e os dois foram juntos até a cozinha.

— Não queria ir pra escola hoje.— Disse,tentando subir sozinho em um dos bancos da cozinha.— Estou cansado.

— Essa é sempre a sua desculpa.

— Não é uma desculpa! — Robin apenas riu com o tom ofendido da fala da criança.

— A Mary Margareth me entregou os papéis da olimpíada de história antes de ontem.E você precisa ir pra escola se quiser participar.— Pegou algumas frutas na cesta e começou a descasca-las.— E você ainda vai passar muito tempo na escola,não pode se cansar tão rápido.

Com os cabelos ainda molhados por conta do banho,Roland se debruçou sobre a bancada e escutou,não muito atentamente,as palavras do pai,sem concordar necessariamente com elas.

— Sabia que a mamãe está namorando? 

Robin encarou o filho confuso por causa da mudança brusca de assunto.Era naquele tipo de situação que ele preferia que Roland não fosse tão esperto e entendesse tanto as coisas.Às vezes seria muito mais fácil lidar com o garoto se o mesmo ainda acreditasse no casamento dos pais.

— Não,não sabia.Ela lhe contou? — Colocou um pote de frutas picadas na frente de Roland.

— Ela não disse.Eu percebi.Na verdade,eu acho que ela está namorando.Não tenho certeza.

— Você perguntou alguma coisa? — Robin não queria parecer interessado,mas ainda assim era um homem bastante curioso.Não ousaria questionar Marian acerca das relações dela,já que havia mais de dois anos que nenhum dos dois deviam satisfação um ao outro por motivos óbvios.

— Perguntei.

— E o que ela disse? - Indagou,da forma mais desinteressada possível.

— Disse que era um amigo.Eu sei que é mentira.

Robin encarou o filho e não conseguiu conter o riso com a forma que o pequeno falava,como se soubesse de tudo.

— Você tem namorada? 

Ele sabia que um dia essa pergunta seria feita,só não sabia que ia ser tão cedo.Apesar de já ter imaginado a situação várias vezes,Robin ainda não tinha uma resposta que convencesse o filho.

— Não.

— Por que?

— Eu...eu...eu não sei.Só não tenho.As pessoas não precisam ter namorados e namoradas,Roland.

— Eu sei que não.

O silêncio se instalou na cozinha pelos 2 minutos seguintes e Robin estava certo de que a pauta tinha sido completamente encerrada e que Roland iria arranjar outro assunto para abordar.Mas o menino ainda não tinha concluído seu raciocínio e viu a necessidade de prosseguir.

— Eu posso arranjar uma namorada pra você! — Acrescentou,com um entusiasmo de um cientista que acabara de ter uma ideia brilhante.

— Não precisa.— Disse,depois de rir da sugestão.— Eu posso me virar sozinho.

— Mas eu posso ajudar.As minhas professoras te acham bonito.

— Elas dizem isso a você? 

— Não,papai.Eu escuto,eu tenho ouvidos.

Perto de Roland,Robin parecia mais um adulto retardado,pelo menos era assim que o filho fazia ele se sentir durante alguns diálogos.

— Ficam especulando se você vai me buscar na escola ou não.E ficam decepcionadas quando é a mamãe que vai.É engraçado.— Riu,enquanto espetava pedaços de morango com um pequeno garfo.

— É,eu imagino.Mas como eu já disse,não precisa se preocupar com isso.Nem eu estou preocupado.

— Tudo bem então.

Robin conhecia o filho o suficiente para ter a certeza de que aquela conversa não estava totalmente encerrada e que Roland iria aprontar alguma coisa assim que pudesse.Mas como não podia prever as ações do filho,a única alternativa era esperar que o menino não fizesse nada demais.

Perto das 7:30 Robin saiu de casa,escutando mais uma vez os resmungos de Roland,que alegava,com certa tristeza,que não estava,em hipótese alguma,disposto o suficiente para ter um dia produtivo na escola.Robin até deixaria que o filho faltasse naquele dia,mas sabia que não era certo,assim como sabia que Marian o esganaria se ele fizesse isso.

Deixou Roland na escola,e o seu ritual diário começou,marcado pela sua ida rotineira ao Granny’s.Assim que entrou no local,notou uma silhueta bastante conhecida e tentou disfarçar o sorriso involuntário que marcou seus lábios finos.Viu Regina debruçada sobre o balcão,indicando com o dedo contra o vidro da vitrine a torta que queria comprar.

— Bom dia.— Disse,ao chegar ao lado de Regina,que se assustou com a voz de Robin.

—Oi,bom dia.— Ela esboçou um sorriso esforçado.Regina não tinha o melhor humor do mundo de manhã cedo e Robin não a obrigaria a forçar simpatia.

— Bom dia.— Ruby sorriu,atrapalhando a troca de olhares entre Regina e Robin.— O de sempre? 

— Isso.— Confirmou,e assim que pôde,voltou sua atenção a Regina.— Ainda por aqui? Já são quase oito horas.

— Muito preocupado com meu horário.— Virou o corpo inteiro na direção de Robin,e ele observou,discretamente,o vestido azul que ela usava por baixo do sobretudo cinza.

—Ah,claro! Eu com certeza passo horas do meu dia pensando”Meu Deus,será que a Regina está chegando ao trabalho na hora certa???” 

Robin já conseguia lidar com o sarcasmo de Regina,e a prova disso era que já conseguia ser tão sarcástico quanto ela,o que parecia diverti-la bastante.

—É...às vezes você realmente não tem muito o que fazer,então tem tempo de sobra pra pensar na minha pessoa.

— Com certeza,sua imagem assombra minha mente sempre que pode.— Conseguiu arrancar um riso sincero de Regina.Vê-lá sorrir era revitalizante e contagiante,Robin se sentia incapaz de não rir também todas as vezes que ela gargalhava ou esboçava um sorriso divertido.

Ruby voltou com seu pedido e entregou uma torta de maçã a Regina,que agradeceu e avisou que pagaria depois.

— O meu e o dela.— Robin entregou uma nota de 10 dólares a Ruby.

— Vai pagar o seu e o dela?— Indagou,com certa confusão.

— Isso.— Respondeu e Ruby assentiu.

— O que? Pra quê? — Ao seu lado,Regina questionou,tentando não parecer grossa,mas falhando miseravelmente.

Robin não tinha uma resposta para as perguntas de Regina,então apenas a olhou e esperou que ela chegasse a alguma conclusão sozinha.

— Não preciso que pague as coisas pra mim.

— Eu sei,não disse que você precisava.

— Ruby,eu pago o meu depois.- Insistiu,ignorando totalmente a presença de Robin e sendo,em seguida,ignorada por Ruby,que continuou a mexer na caixa registradora.

— Regina,não posso ser legal com você? — A encarou com o olhar descontraído de sempre,que às vezes chegava a causar irritação na mulher.

— Não! — Exclamou irritada,chamando a atenção de algumas pessoas que estavam por perto.— Não desse jeito.— Diminuiu o tom de voz,na tentativa de ser discreta.— Eu não vou continuar brigando com você por causa disso.

— Você está brigando sozinha,querida.— Robin sentiu que aquele momento seria o seu último no plano dos vivos,já que conseguiu visualizar Regina o enforcando com as próprias mãos assim que se calou.

— Ruby,eu disse que...

— Cala boca,Regina! Deixa de ser chata.— Ruby entregou o troco nas mãos de Robin.— Já está pago.Agora continuem essa DR longe daqui,vocês estão atrapalhando a fila.

Robin agradeceu a intromissão de Ruby,já que Regina transferiu toda a raiva que sentia por ele para a moça,e Robin ainda não acreditava se sabia lidar com uma Regina mal humorada e irritada.

Como pedido por Ruby,os dois se afastaram com seus respectivos pedidos em mãos e se dirigiram para fora do estabelecimento.

— Não faça isso de novo.— Regina disse,mais como um aviso do que um pedido.

— Mais calma? — Perguntou,vendo-a revirar os olhos,algo que,ele reparou,ela fazia com uma frequência muito grande.

— Sim,mas não faça mais esse tipo de coisa.

— Já entendi.Agora vamos,meu carro está aqui do lado.— Indicou com a cabeça e começou a andar,esperando ser seguido por Regina,que continuou parada feito uma estátua.

— Vamos pra onde?

— Pra Empire.Esqueceu que trabalha lá? — Assistiu Regina respirar fundo e revirar o olhos pela segunda vez em menos de 20 segundos.— Você vai até lá andando? 

— É.Isso aqui são pernas...— Ergueu levemente a perna direita.— Já ouviu falar? Eu as uso pra andar.

— Meu Deus! É pra isso que elas servem? Como ninguém nunca me avisou isso? 

As pessoas que passavam pela calçada encaravam os dois,que estavam a cerca de dois metros de distância e parecia dois adolescentes implicantes.

— Vamos logo! — Robin disse,dessa vez impaciente e se sentiu vencedor por ganhar o segundo round das discussões matinais que já tinha tido com a mulher no dia,já que ela desistiu e o seguiu até seu carro.

Os dois andaram até o veículo,e Robin conseguia sentir pelo barulho alto dos passos de Regina como ela gostaria de esmurra-lo.

— Você disse a Ruby,não disse? — Robin perguntou,enquanto colocava o sinto de segurança e ligava o carro em seguida.

— O que? 

— Sobre o que aconteceu? 

Regina demorou apenas alguns segundos para entender onde Robin queria chegar.

— Disse.Não teria que dizer se você não tivesse rasgado minha calcinha,mas ela achou e perguntou,então...— Falou,recordando do modo como ficara cegamente irritada por Robin ter rasgado a peça de roupa.— Por que?

— Porque eu percebi o jeito que ela me olhou.Como se soubesse de todos os meus pecados.

— É,você foi o assunto do café da manhã de hoje.

— Devo me preocupar? 

— Não,eu fui gentil,não que você mereça.

Fizeram o caminho até a Empire em silêncio,e calado e concentrado na direção,Robin pensava no que poderia dar errado se ele beijasse Regina ali mesmo.Talvez fosse um pouco imprudente da sua parte,ou talvez não,já que tinha certeza de que ela corresponderia.Mas afastou esses pensamentos da sua mente quando se assustou com a buzina de um carro que estava atrás.

Assim que deixou suas coisas em sua sala,Robin seguiu para sala de Killian,como o mesmo havia pedido assim que ele chegou.

— Eu acho que você deveria dar uma olhada nisso.— Se sentou na cadeira em frente a mesa de Jones,colocando alguns papéis encima da superfície.— E como você tem mais intimidade com Sidney,sugira que ele mude o orçamento do marketing na reunião de hoje.

— Você é bem mais convincente que eu.

— Eu sei,mas você é mais simpático.

A figura alta e loira de Elsa entrou no escritório com os passos preguiçosos de sempre.

— A minha festa foi na quarta,hoje já é sexta,e eu ainda estou de ressaca.Então eu ficaria muito feliz se você,Rob,dissesse que não precisa de mim na primeira reunião de hoje.— Se lançou na cadeira ao lado de Robin.

— Não preciso. 

— Ah,que bom! — Se inclinou e abraçou Robin pelo braço.— Que cheiro é esse? — Enfiou o nariz no tecido do blazer que Robin usava.

— Que cheiro? — Tentou sentir.

— De Regina.É o perfume dela.

— Ah,deve ser.Dei uma carona a ela hoje de manhã.

— Por falar em Regina...— Killian abriu uma de sua gavetas.— Vocês sabem se isso é dela? — Abriu a palma da mão,que continha um brinco pequeno com uma pedrinha branca e reluzente.— Eu achei no meu sofá...

Robin sentiu como se tivesse ficado completamente surdo e por alguns segundos sentiu como se tivesse perdido todo ar dos seus pulmões.Se Regina soubesse que Killian havia achado seu brinco,ela iria surtar.

— É,eu acho que é dela sim.Não sei,talvez seja,mas não sei.— Respondeu,quando Killian chamou sua atenção,tentando não gaguejar ou esboçar qualquer tipo de nervosismo.— Eu...vou pra minha sala,tenho que...organizar umas coisas.Depois falo com você,Killian.

Saiu do ambiente,deixando os dois amigos sozinho e com olhares curiosos.Passou em frente a sala de Regina e a viu concentrada em fazer anotações em alguns papéis.Quando finalmente estava em sua mesa,Robin abriu o copo de chá e deu um longo gole sentindo o frescor de maçã em sua garganta.Assim que levantou os olhos,viu sua assistente indo em direção ao seu escritório.

— Você vai me dizer ou eu vou ter que perguntar? — Disse,fechando a porta de vidro atrás de si.Andou até o sofá e se sentou como se fosse dona do local.

— O que? 

— Vou ter que perguntar pelo jeito.

Robin sabia muito bem aonde aquela conversa chegaria e não podia fazer muita coisa além de dizer a verdade a Elsa,que iria inferniza-lo até que soubesse de tudo.

— Por que agiu daquele jeito quando Killian falou da Regina? — Estreitou os seus olhos redondos e mirou Robin,como se aquilo fosse uma tática infalível de persuasão.

— Olha...— Escorregou na cadeira onde estava sentado.— Não conte a ninguém.

— Nossa! Foi mais fácil do que eu pensei.

— Nós...

— Nós quem? — Interrompeu,e Robin respirou fundo,mostrando-se impaciente.— E por quê está falando tão baixo?As pessoas podem nos ver,mas não nos escutam.

— Eu e Regina...— O rosto de Elsa foi tomado por uma empolgação quase que infantil.Ela já sabia exatamente o que iria escutar,mas precisava assistir Robin dizendo,palavra por palavra,que tinha dormido com a morena recém contratada.— Nós transamos.Foi isso.Nada demais.

— EU SABIA QUE ISSO IA ACONTECER! — Juntou os braços nas laterais do próprio tronco e agitou os dedos empolgada.— Quando? — Levantou rapidamente do sofá,estacionando o corpo inquieto em frente a mesa de Robin.

— No dia do seu aniversário.

— ONDE? — Arregalou os olhos,deixando-os ainda maiores.— No Luzzo’s?

— Não.Aqui.

— Aqui? — Apontou para o chão.— Na sua sala? — Robin negou com a cabeça.— Na sala dela? — Robin fez o mesmo movimento.— Onde então? Nos banheiros? 

— Não...— Pressionou os olhos com os dedos,tentando fazer com que seu cérebro desse uma pausa nas cenas de Regina nua quicando em seu colo.— Na sala do Killian.

Um semblante chocado tomou conta da face de Elsa,que caiu sentada em uma das cadeiras.

— Robin...isso é tão...meu Deus,Robin...

— Elsa,o Killian est...— Tentou interromper a loira com o aviso de que o amigo estava entrando no escritório.

— Se o Killian descobrir...

— Se eu descobrir o que? — Jones entrou na sala,acompanhado de Regina e mirou o rosto espantado de Elsa,que petrificou no mesmo estante.— Hem?

— Nada.— Robin tomou a iniciativa de mentir.

— Eu não sou surdo,Rob.Qual o segredinho de vocês? 

Os olhos de Robin saltaram para Regina,que,de início,encaravam toda situação com uma grande confusão no rosto.Mas ela leu os olhos azuis do homem,e sua face foi de “o que está acontecendo?” para “que merda você fez???

Todo o sigilo que tentou manter desde o tal acontecimento,claramente não adiantara de nada.Havia apenas alguns minutos a,Killian lhe entregara seus brincos,e ela consegiu disfarçar e dar uma desculpa esfarrapada a ele,mas pelo jeito,sua atuação seria desperdiçada.Enquanto Killian questionava Elsa,Regina tentou se comunicar através do olhar ou até mesmo por telepatia com Robin.

— Qual é o problema de vocês? — Killian disse,alternando entre Robin e Regina.

— Nada...nós...— Robin enfiou as mãos nos bolsos da calça,como quase sempre fazia quando estava prestes a contar uma mentira descabida.— Estamos...

— Isso tem a ver com o fato de vocês terem transando no dia do aniversário da Elsa? — Jones indagou despreocupado.

— Não acredito que você disse pra ele também! — Regina exclamou,direcionado toda sua indignação a Robin.

— Eu não disse! 

—Ele não disse! — Killian acrescentou,divertindo-se com o comportamento nervoso de Regina.— Eu desconfiei.Não sou tão idiota assim.Vocês saíram juntos e sozinhos,Robin demorou demais pra voltar e quando voltou estava um pouco...diferente.Inclusive,pra onde vocês foram? — Cruzou os braços e encarou Robin e Regina,com um tom malicioso.

— Pra lugar nenhum.— Regina se adiantou em dizer.

— Podemos encerrar esse assunto? — Robin sugeriu.

— Por que que eu não podia saber disso? — Questionou desconfiado.

— Não é...exatamente isso que você não podia ficar sabendo.O sexo em si.— Elsa se meteu.

— Elsa,cala boca! — Robin disse involuntariamente,se arrependendo logo depois.

— Ah,meu Deus.Desculpa.Eu...acho que eu vou...— Se levantou e tentou sair do escritório para que pudesse abandonar a situação embaraçosa da qual era cúmplice.

— Espera aí.Vocês não vão me deixar na curiosidade.

Robin olhou para Elsa,que olhou para Regina,que devolveu o olhar para Robin.Ela estava prestes a se colocar em umas das situações mais constrangedoras da sua vida,e se Killian não estivesse fazendo tantas perguntas,Regina sairia dali e deletaria as cenas dos últimos minutos.Se pudesse,cavaria um buraco com os próprios saltos e enfiaria a cabeça dentro,mas seu chefe estava lá,com seu rosto reticente e desconfiado.Se ela não contasse,Robin provavelmente não o faria e Killian iria dar um jeito de descobrir.

— Vamos lá,Killian...você disse que não é tão idiota assim.— Ela disse,esperando que ele descobrisse sozinho tudo o que queria saber.— É só...ligar os pontos.

— Que pontos? 

— Meus brincos.No seu sofá.— Disse em tom impaciente.— Da sua sala,Killian.

Elsa e Robin assistiam a cena como se aguardassem por uma grande revelação.Killian,por sua vez,ainda tentava decifrar os códigos de sua assistente.Regina estava prestes a sair do ambiente,quando o homem finalmente se deu conta do que “ele não podia saber”

— Vocês estão me zoando,né? — Alternou o olhar rapidamente entre Regina e Robin.— Eu estou sentindo a zoação. 

— Pronto.Agora nós já podemos encerrar isso.— Robin,mais uma vez,tentou agir naturalmente,ignorando o constrangimento de todos,inclusive o dele mesmo.

— Vocês transaram no meu sofá?! — Seus olhos aumentaram de tamanho e em seguida enterrou o rosto nas próprias mãos.— Regina...

— Ah,não,não! — Negou com o dedo indicador.— Regina nada.Robin que me levou pra lá.

— Isso,coloque a culpa toda em mim.— Riu ironicamente.— Porque com certeza eu fiz tudo sozinho,e você com certeza não sabia onde estava nem o que estava fazendo.

— No meu sofá...— Killian continuou,horrorizado.— Vocês dois não tem vergonha na cara,não?!

— Mas que pergunta...— Elsa riu,ganhando em seguida um olhar repressor de Robin.

Para o alívio de todos,principalmente de Regina,Lacey French,uma das coordenadoras do marketing,bateu no vidro da sala,avisando Robin e Killian da reunião que começaria.

— Temos uma reunião.Vamos logo.— Se movimento para a porta,puxando Killian pelo braço.

Os dois saíram da sala,deixando Elsa e Regina a sós.Ambas observaram Killian e Robin se dirigirem para a sala de reunião,enquanto o primeiro bombardeava o amigo com perguntas e insinuações.

— Uau...— Elsa suspirou,chamando a atenção de Regina.— Isso foi....revigorante...

— E muito constrangedor.— Regina completou.

— É...— A loira observava Regina como se esperasse permissão para perguntar tudo o que queria.— Não sabia que você era assim.

— Assim como? — Andou até o sofá e sentou,recuperando todo fôlego que perdeu durante a discussão.

— Extremamente safada. 

— Eu tenho meus momentos. 

— Bom,eu tenho que trabalhar agora.Mas nós vamos almoçar juntas e você vai me contar cada detalhe sórdido e devasso dessa noite de sexo.Porque eu sei que foi bastante sórdida e devassa.E você não tem escolha.Eu vou me segurar até o almoço,olhe como estou me esforçando.

Segundos depois,o ar do local foi tomado por um perfume suave e adocicado.Regina olhou para porta e viu uma mulher baixa e de cabelos negros empurrar a porta e entrar.

— Mary! — Elsa exclamou,lançando-se nos braços da mulher.— Você está...muito grávida.— Levou as mãos a barriga da mulher.

— Vim aqui antes de ontem e nem vi você.

— Eu provavelmente estava no andar de baixo.

Ainda no sofá,Regina encarava o diálogo, feliz por estar sendo ignorada e deixada de fora da troca de carícias das duas.Não queria ter que lidar com uma mulher alegremente grávida,mas escutava todo o diálogo.

— Você está tão linda.— Elsa se distanciou para que pudesse encarar Mary melhor,e a olhou como se ela fosse um urso fofo.

— Vamos almoçar comigo amanhã? 

— Claro! 

— Hoje eu só vim deixar isso com o Robin.Pode entregar isso a ele? 

— Posso.— Pegou uma pasta azul de documentos.— E então,já falou com o pai? 

— Ah,já sim.Ele acabou de voltar de Dallas,mas já sabe que vai ser pai.

— Eu preciso ver a cara desse homem.Pra ter certeza que esse bebê vai ser nascer lindo.

— Ele é alto,loiro,olhos azuis.Eu o acho bonito.

Elsa se despediu de Mary logo depois.Mas em seu lugar no sofá, Regina estava levemente atordoada e não prestava atenção no que Elsa tagarelava.O problema da vez era que a mulher sorridente estava grávida de um homem,alto,de olhos azuis,que havia acabado de chegar de Dallas.E Regina conhecia um homem que se encaixava perfeitamente nessa descrição.David.

— Elsa,qual é o nome do pai dessa criança? 

— Que criança? 

— Dessa Mary aí.

— Ah,eu não sei.Não o conheço ainda.

Regina se levantou e saiu bruscamente da sala,ignorando as perguntas de Elsa,a procura de Mary.Olhou em volta e a viu entrar no elevador.Regina correu,chocando-se com alguns funcionários,até que a alcançou.Entrou no cubículo sem cerimônia,deixando Mary claramente assustada.

— Oi.— Sorriu ofegante.— Posso lhe fazer uma pergunta um tanto inconveniente? 

— Você está bem? — Indagou,e Regina balançou com a cabeça,enquanto enchia os pulmões de ar.— Pode falar.

Apenas as duas estavam no elevador,e Regina não se incomodou de aborda-lá de forma tão estranha e assustadora.

— Eu ouvi o que você falou sobre o pai do seu bebê.— Começou e agradeceu por Mary escuta-lá atentamente.— E eu acho que o conheço.Qual o nome dele? 

— David.

Regina perdeu os movimentos da própria face.Se sentiu tonta por alguns segundos,mas a pergunta de Mary a trouxe de volta.

— De onde o conhece? 

— Ele é meu irmão.

— Sério? Que legal! — Esboçou um sorriso largo.

— Na verdade,não.

Regina saiu em passos pesados do elevador,sem se preocupar em parecer mal educada por não ter dito pelo menos um “obrigada” ou se despedir de Mary.Seu irmão ia ser pai.Ela havia vendido tudo o que podia pra conseguir dinheiro e como se não bastasse,David engravidara uma mulher.Precisava de explicações.Entrou na sua sala,vestiu seu sobretudo cinza e pegou sua bolsa.

— Onde vai? — Elsa surgiu na porta.— Por que saiu correndo atrás da Mary?

— Preciso sair.

— Por que? Qual o problema.

— Preciso matar meu irmão.

~~~~~~~~~~

Regina não se preocupou em ser delicada ou silenciosa quando chegou ao apartamento da irmã.Abriu a porta com raiva e a fechou da mesma forma.David estava lá.Despreocupado,deitado no sofá,direcionando um controle remoto para a televisão enquanto mudava de canal e sequer olhou para Regina,até que ela se pôs em frente a tela da tv.

— Você não é transparente.— David resmungou,mantendo o olhar abaixo do rosto de Regina.— Saia da...

— Cala boca! 

O tom de voz de Regina fez,finalmente,David olhar para o rosto dela.A habitual face branca da mulher havia se transformado em um rosto vermelho e tomado por uma irritação quase que assustadora.

— Qual é a porra do seu problema?! 

— Parabéns,papai! 

David se viu obrigado a olhar para Regina com mais seriedade,e certo espanto tomou conta dos olhos claros do loiro.Se levantou e se sentou no sofá ainda em silêncio,buscando em seu cérebro algum jeito de contornar a situação.

— Esse é o meu problema! — Lançou a bolsa que segurava ao lado de David.— Você achou que seria ótimo não comunicar que está esperando um filho! — O tom de voz de Regina aumentou sem que ela percebesse,e antes que perdesse o controle de tudo,David a segurou pelos pulsos e a puxou para a cozinha.

— Fale baixo! — Disse entre dentes,encarando os olhos banhados de raiva da irmã.

— Ah,a Zelena está aqui! E ela não sabe também.— Mirou David de forma desacreditada,em seguida se desvencilhou das mãos dele e saiu da cozinha.— Então agora ela vai ficar sabendo! 

Regina não estavam gritando,mas a voz da mulher entrava na mente de David e revirava seus nervos agressivamente.Ele a seguiu,tentando pará-la sempre que podia,a segurando pelos braços e ombros.Sem ter opção,assim que se encontraram no corredor,David empurrou Regina para dentro do cômodo mais próximo,fechou a porta rapidamente,trancando a irmã do lado de dentro.

— Abra essa merda,David! — Presa no banheiro,Regina gritava enquanto esmurrava a porta.

— Não se você não parar de gritar.É sério,Regina.

— ABRA LOGO! 

— Regina,pare com isso.

Do lado de fora,David conseguia sentir os murros que a mais nova dava na porta e tinha quase certeza que se a mantivesse presa ali por mais 2 minutos,ela mesmo colocaria aquela porta abaixo e esmurraria a cara dele.Por outro lado,David não queria que a Zelena recebesse aquela notícia daquela forma e rezava para que a ruiva não tivesse acordado ainda.

— Como você pôde ser tão idiota,David?! Você nem tem um trabalho e agora arranjou um filho! — A cada palavra que saia de sua boca,descontava sua raiva na porta do banheiro com murros e chutes.— UM FILHO! 

— Reg...— Segurou o trinco com mais força quando a irmã tentou abrir a porta de novo.

— Estamos devendo mais de 100 mil ao banco e você arranja um filho,David! 

— Mas o que foi agora? — Zelena abriu a porta do quarto.Vestida em roupão verde escuro surrado,encarou o irmão com confusão  e deu alguns passos para fora do quarto.

— ZELENA! — Regina gritou.

— Regina?! — Se aproximou.A verdade era que não queria saber exatamente o que estava acontecendo.David havia trancando a própria irmã dentro de uma banheiro minúsculo,e no fundo Zelena não queria saber a motivo que ele tinha.Mas já estava metida em toda situação e a única opção foi questionar.— O que é isso,David? 

Antes mesmo que ele pudesse abrir a boca,a voz raivosa de Regina tomou conta de todo o espaço.

— Ele vai ter um bebê! O David vai ser pai! 

O homem foi atingido pelos olhos arregalados de Zelena,que perguntou através da própria expressão se aquilo era verdade.

— Eu posso explicar.— David se dirigiu a Zelena.

— É CLARO QUE VAI EXPLICAR! — Regina gritou de dentro do banheiro.— ABRA ESSA PORRA! 

— David...Tire-a daí.

Zelena sentiu como se tivesse perdido alguns sentidos,sua visão ficou embaçada e se viu obrigada a se sentar no sofá.Respirou fundo algumas vezes,na tentativa de não sucumbir à irritação como havia acontecido com Regina.

David finalmente libertou a sua prisioneira e a mulher saiu do banheiro feito um furacão.A ruiva ergueu os olhos e mirou os dois irmãos parados a sua frente.David esfregava o queixo e se balançava,buscando pela explicação que sabia que tinha que dar.Regina afundou o rosto entre as mãos,recuperando-se do seu comportamento impulsivo.

— Quem é a mãe,David? — Zelena indagou,passando os dedos pelos fios ruivos.

— Mary.A conheci na última vez que vim pra cá.Ela é professora e...

— Ah,linda história de amor! — Regina levou as mãos à cintura e encarou o irmão.— Agora nos diga quando você pretendia contar pra gente.Quando essa Mary entrasse em trabalho de parto? 

— Regina,não aja como se você...

— Olha,David.Você não está em condições de exigir nada ou questionar alguém aqui.— Se aproximou do irmão.— Você não tem onde cair morto e você ainda arranjou um bebê,seu filho da puta! — Espalmou as duas mãos no peito de David,empurrando-o em seguida.

— Regina,já chega! — Foi a vez de Zelena puxa-lá pelo pulso e a obrigar a se sentar.

— Por que estão agindo como se eu estivesse fazendo tempestade num copo d’água? 

— Porque você está! — David exclamou impaciente.

— Eu não passei os últimos 8 anos me virando pra arranjar dinheiro pra você vim e colocar um bebê no meio do problema.Você sabe como filhos são caros? 

— Sei...

— Não parece! Não parece que você sabe que não tem condições financeiras de criar um bebê! E não me olhe como seu fosse uma neurótica,porque nós sabemos que se fosse o contrário,você estaria me atacando do mesmo jeito ou até pior.

— É por isso que você está aqui ainda? — Zelene indagou,e sua voz paciente acalmou,mesmo que um pouco,o ambiente.— Você nunca fica por mais de um final de semana quando vem pra cá.É por isso que ainda está aqui? Por que soube da gravidez? 

— Sim.

— Okay...com quantos meses ela está? — Ainda com o rosto inchado do seu cochilo,Zelena se encostou no sofá e abraçou o corpo com os próprios braços.

— 6 meses.

— 6 MESES?! — Se levantou de novo.A exclamação de Regina foi acompanhada por uma risada de desespero.— Então você tem 3 meses pra arranjar um jeito de criar o SEU filho ou quem vai ter que se prostituir vai ser você.E você...— Apontou para Zelena,que fez certo esforço para levantar os olhos e encarar Regina.— ...nem pense que vai aumentar a frequência dos seus plantões pra conseguir mais dinheiro.David que arranjou filho,então ele que arque com as responsabilidades.

— Já deu,Regina.— David resmungou.— Já chega,vá embora.

— Eu vou,não quero ficar e descobrir que na verdade são gêmeos.

Pegou sua bolsa,antes jogada no sofá e saiu do apartamento em passos rápidos e pesados.David e Zelena continuaram em silêncio,observando a mais nova deixar seu rastro de irritação enquanto andava.

— Mas que droga,David.— A ruiva voltou a afundar o rosto nas mãos assim que Regina bateu a porta.

— Eu vou dar um jeito.— Disse com segurança e sem seguida se sentou ao lado.

— Vai ter que dar.Você sabe que a Regina está certa.É um péssimo,péssimo,péssimo momento pra ter um bebê.

— Eu sei,e não quero que se preocupe com isso.— Acrescentou e recebeu um olhar que dizia “não tem como não se preocupar”.

— Quando ia dizer pra mim? 

David agradecia muito por ter Zelena,na verdade,por ter a paciência de Zelena.Ele entenderia se a irmã brigasse com ele,mas ela estava ali,com seus olhos grandes e claros,com seu rosto terno de quem nem parecia que passara horas e horas em pé em uma sala de cirurgia.Ele não a merecia.

— Quando eu conseguisse um emprego.— Zelena viu sinceridade nas palavras de David,e não o questionou.

— Ah,meu Deus.— Deu um suspiro longo e cansado.— Eu sai de um plantão de 27 horas e eu só queria uma horinha de paz,e nem isso vocês me dão.

— Você sabia que não ia ter um minuto de paz.

— Pois é.David,Regina e paz são palavras que não cabem na mesma frase.

David se levantou e buscou a carteira que estava encima da mesa.Voltou ao sofá e pegou uma foto.

— É um menininho.— Mostrou a foto da ultrassom a irmã,que abriu a boca em forma de O e segurou o papel.— 30 centímetros e 580 gramas.Bom...no dia dessa ultrassom,provavelmente deve estar maior.

— David...— Murmurou e voltou a olhar David com os olhos já se inundando de lágrimas.

Ele se encontrava na mesma situação,seu rosto branco já estava vermelho de tanto segurar o choro.Estava realizando o sonho de ser pai de um menino,e apesar das circunstâncias,estava feliz.Zelena se inclinou e o abraçou,foi quando David sentiu que podia relaxar e deixar que as lágrimas traçassem caminhos por sua face.

— Eu vou ser melhor do que o papai foi pra mim.Prometo.

— Oh,David...— Se afastou,e segurou o rosto do irmão com suas mãos magras.— Eu sei que vai.

Voltaram a se abraçar,e Zelena apertava o corpo largo de David com força.

— Todo mundo sempre pensou que eu ia ter primeiro.

— O que? Um bebê? — David indagou.

— Sim.

— Frustrei as esperanças de todos então.— Riu,buscando o rosto da irmã.— Eu vou ter um filho primeiro e me casar primeiro também.

— Mas a Regina já se casou.

— Mas os casamentos dela não são válidos.

— É...

— Então eu também serei o 1º a se casar.

— Com quem você vai casar? — Zelena o encarou dos pés a cabeça,acreditando que o irmão não tinha nenhuma pretendente.

— Com a Mary! — Respondeu como se fosse óbvio.— Mas ela não sabe disso ainda.

— E ela gosta de você?

— Não sei.Eu acho que sim.

— E você gosta dela?

— Muito.— Respondeu,e Zelena pôde ver os olhos dele sorrirem.

— Ah,meu irmão está apaixonado.E eu vou ser tia.— Se empolgou.— Meu Deus eu vou ser tia,estou ficando tão velha.


[...]


Beber não fazia parte do seu planejamento naquele dia,mas Roland havia saído com a mãe e Robin não tinha mais nenhum motivo específico para ir para casa.Antes mesmo que pudesse encontrar uma razão que o impedisse de tomar alguns drinks,ele estava estacionando o seu carro na frente do Luzzo’s.

Era uma sexta feira,e o local estava consideravelmente cheio,mas não o bastante para fazer com que ele desistisse e desse meia volta.Tirou o casaco comprido que usava,o pendurou na volta do braço e entrou no bar.Com os olhos rápidos,escolheu uma mesa no canto e optou por ir até o bar para pedir uma dose de whiskey primeiro.E então a viu.

Ela estava de costas,mas a reconheceu mesmo assim.

— Que solidão,Mills.— Comentou,parando ao lado de Regina.— Está triste? 

Regina levantou a cabeça em direção a Robin,perguntando o que diabos ele estava fazendo ali.

— Não,só tive um dia cheio de problemas.

Robin reparou que ela não estava bêbada,mas já havia ingerido uma quantidade considerável de álcool.

— Se quiser ficar sozinha,posso vazar daqui.

— Não,tudo bem.Eu deixo você sentar.Me parece uma boa companhia.— Respondeu e observou Robin se sentar no banco ao seu lado.



Notas Finais


Todo dia um motivo diferente pra Regina surtar,né?! <br />E conclusão que temos é que se ela não matou David nesse capítulo,ela não mata nunca mais.<br /><br />Depois de um dia estressante,temos o nosso Robin encontrando-a no bar,e eu garanto que esse encontrinho vai render bastante!<br /><br />E então? O que acharam? <br />As opniões de vocês são muito importantes,então não hesitem em deixá-las aí nos comentários.<br /><br />Até breve!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...