História Cotidiano - Capítulo 1


Escrita por:

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Categorias VIXX
Personagens Hyuk, Leo
Tags Leohyuk, Luck
Visualizações 39
Palavras 3.607
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Espero que eu tenha conseguido passar todo os sentimentos dos meus personagens, ainda estou um pouco desgostosa com o título, mas acho que ele tem muito significado pra fanfic
Eu gostei muito e cansei muito escrevendo essa fanfic, espero que gostem do resultado ^^

Capítulo 1 - Capítulo Único


    Sanghyuk estava nervoso. Seu primeiro dia no estágio, que ele mal sabia o que faria e como faria, como lidaria com pessoas novas, como seria lidado. Tudo era honestamente assustador, mas ele sabia que logo vestiria sua armadura de garoto petulante e todos acreditariam que era seguro e competente. Ele só não sabia em que momento essa sua blindagem automática viria e enquanto esperava na recepção pensava em sair correndo.

    Uma mulher perto dos  40 anos o chamou e sorriu. Ela era a pessoa mais comum que Sanghyuk tinha visto. Não se destacava em nada do estereótipo que ocidentais tinham de coreanos e ele só pode segui-la e mal reparou quando começou a falar.

    — Bem, estagiário Han, a pessoa responsável pelo seu treinamento e por sua supervisão será o diretor Jung. diretor Jung é o melhor desta empresa, eu não lembro de um ano que o departamento dele não tenha recebido a maior bonificação, então parabéns e também cuidado porque ele é muito exigente.

    Sanghyuk meneou com a cabeça indicando que entendia. Estar no melhor departamento indicava infinitas cobranças, mas também uma base estável. Ele tinha o compromisso de ser mais inventivo que os outros, mas também sabia que não tinha como errar.

    — Você vai escutar nos corredores ou na cafeteria cedo ou tarde, então eu vou adiantar. Dizem que diretor Jung é gay e capaz de converter o mais hétero dos homens. Você é jovem e bonito, talvez especulem sobre você, não se surpreenda.

    Faltou pouco para Sanghyuk rir. Ele talvez fosse o mais gay dos homens, mas ele entendeu o recado. O novo estagiário passando todo o tempo com seu superior. O ser humano sempre via o pior das coisas.

    Mas quão bonito era esse tal diretor Jung para ter esse rumor sobre ele?

    — Bem, você vai saber de dois ou três que caíram nas seduções dele. O rumor diz que ele deixou o homem que ama em Seul quando aceitou trabalhar aqui e seu coração só tal homem teve acesso e vai ter nesta vida.

    — Ok.

    O que mais Sanghyuk podia dizer depois de uma fofoca tão dramática? E por que seu departamento não chegava nunca?

    — Senhor Jung, o novo estagiário.

    Sanghyuk tirou os olhos do chão no exato momento que o outro levantou o olhar do computador. O homem parecia um felino. Cabelos negros penteados para cima. A sala tinha um cheiro quase nauseante de café.

O Homem se pôs de pé.

    — Han Sanghyuk, certo?

    Pernas podiam ser longas daquele jeito? Sanghyuk tinha certeza que homens tão bem proporcionados e com a pele tão clara e limpa só existiam em animes. A voz fazia difícil lembrar a hierarquia sendo tão macia e leve. Então este era senhor Jung.

    — Sou eu. Por favor me trate bem. Eu vou trabalhar duro.

    — Eu sou Jung Taekwoon. Seu chefe imediato. Tenho certeza que a senhora Kang falou tudo que você precisava saber sobre o departamento e sobre mim. — Taekwoon sorriu. Sanghyuk sentiu-se endireitar a coluna involuntariamente — Eu não me esforço para seduzir ninguém, senhor Han. — Taekwoon cruzou as pernas. Sanghyuk soltou a respiração que não sabia que prendia — Mas eu me esforço para manter o departamento como o melhor da empresa. Bem, seu trabalho, por hora, é fazer planilhas e relatórios. Você sabe fazer isso, certo?

    Sanghyuk só conseguir fazer que sim com a cabeça estranhando que sua armadura não tenha se armado sozinha ainda.

    — Ótimo. Eu vou mostrar seu lugar.

    Taekwoon era um pouco mais baixo que Sanghyuk e cheirava a sabonete de rosas. Algo dizia Sanghyuk que esse trabalho não seria fácil.

 

    Uma semana trabalho a dentro e Sanghyuk entendia algumas coisas. Taekwoon era extremamente competente e exigente. Ele raramente falava e deixava toda a cobrança para seus olhos expressivos. Qualquer funcionário sabia que estava fazendo algo errado quando o chefe o olhava fixamente amarrando os lábios e era um tanto assustador.

    Outra coisa que Sanghyuk notou foi que Taekwoon realmente não se esforçava para seduzir ninguém. O homem tinha 38 anos, 15 a mais que Sanghyuk, e ele era lindo. Sua pele era viçosa, seu corpo magro, mas tonificado, seus ombros largos combinavam com aqueles ternos que o cargo exigia. E ainda assim havia algo de delicado nele, talvez seus dedos longos, sua postura impecável, sua palidez ou sua voz baixa. Sanghyuk se via muitas vezes olhando o diretor sem realmente conseguir focar em algo.

    Ele entendia principalmente porque dois ou três homens se encataram por ele. Taekwoon era cheio de detalhes, cheio de pequenos toques. Uma pinta embaixo do olho que sempre tentavam tirar, uma cicatriz no punho, um sorriso. O sorriso de Taekwoon era raro e bonito. Qualquer idiota se sentiria como um vencedor se Taekwoon sorrisse para ele.

    Na sexta-feira o departamento saiu para beber junto. Sanghyuk não gostava muito da ideia de ficar bêbado na frente de seus novos colegas, mas era considerado má educação negar um convite do chefe.

    — Não se preocupe estagiário Han. Eu não sou desses chefes que querem ver como seus funcionários se comportam quando estão na pior.

    Taekwoon falava com voz afável e um sorriso brincalhão. Ele só estava brincando e no fundo do cérebro de Sanghyuk ele sabia que só estava tentando ser chefe apenas na repartição e amigável fora, mas ele entendia que qualquer outra pessoa quando visse Taekwoon pensaria num flerte. Sanghyuk não conseguia fazer seu coração bater mais baixo.

    — O senhor também não mostra seu pior em troca? Acertei?

    Taekwoon pareceu surpreso com o questionamento, mas também parecia estar se divertindo.

    — Você nunca mais me levaria a sério se me visse bêbado.

    — Porque você fica muito fofo. Acertei?

    — Como você pode saber? Você tem duas semanas de serviço, tudo que você devia sentir era medo de mim.

— Por causa dos rumores. Imagino que você ficando bêbado deve ficar muito aberto e receptivo, se deixa ser bonzinho e fofo e que outros homens devem confundir isso com você tendo alguma paixonite escondida.

— Você realmente não se contém não é mesmo?

Taekwoon gargalhou. Toda a mesa olhou para os dois, talvez nunca tivessem visto o diretor rir alto. Um ou dois olharam Sanghyuk como quem diziam que ele era o próximo.

— A segunda frase que o senhor disse para mim foi sobre os rumores, achei que você não tivesse tabu para falar deles.

— Eu realmente não tenho, mas as pessoas acham que sim então estou muito feliz em finalmente ter um funcionário franco.

O sorriso torto. O copo sendo segurado próximo ao rosto. Talvez Taekwoon estivesse relaxado o suficiente próximo a Sanghyuk,

Sanghyuk desviou o olhar para seu próprio copo.

— Agora você é tímido.

— Não quero aumentar os olhares de ninguém.

— Mas já estão olhando de qualquer jeito.

— Uma próxima vez, senhor Jung.

Sanghyuk o olhou nervoso. Taekwoon continuava sorrindo como se não fosse algo raro.

 

Segunda-feira foi estranha. Taekwoon chamou Sanghyuk na sua sala o que o fez ficar muito apreensivo afinal ele ainda não tinha feito nada digno de nota.

Taekwoon estava já sem o paletó, com uma camisa rosa que ficava bem contra sua pele branca. Sanghyuk bufou para suprimir um assovio.

    — Eu queria te pedir desculpas por sexta-feira.

    — Sobre?

    — Eu ter me insinuado.

    — Você acha que como eu neguei eu me senti ofendido?

    — Eu quero que essa seja a verdade.

    Sanghyuk se sentiu na liberdade de se despojar e sentar na cadeira dos convidados.

    — Eu não entendo, senhor  Jung.

    — O que te contaram quando chegou aqui?

    — Que é sedutor e que ainda ama um homem do seu passado.

    — Eu realmente amei no passado, mas não guardo mais esse amor. Todas essas pessoas contam que tenho mil encontros para superá-lo, mas a verdade é que eles querem desesperadamente ser o especial, a pessoa que vai me fazer esquecer meu grande amor. Eles não podem fazer algo que já foi feito. Mas eu não senti isso de você, então pela primeira vez eu quis flertar de verdade. Era isso. Pode se retirar.

Sanghyuk não soube como voltou ao seu lugar porque com certeza não sentia sangue em suas bochechas. Taekwoon agia como um homem de grandes segredos e agora Sanghyuk sabia um enorme. Um que talvez ninguém soubesse ou tivesse a capacidade de entender. Talvez ninguém quisesse porque a fofoca era mais interessante. Uma ou duas pessoas viram e estranharam quando ele se esbofeteou para voltar a trabalhar.

 

E com o passar da semana algo foi crescendo dentro de Sanghyuk. Uma ansiedade que fazia a garganta cheia e suas mãos nervosas. Ficou difícil respirar durante todos aqueles dias até que na sexta-feira ele deixou seu corpo e seu impulso tomar conta de si e chamou o chefe para uma bebida.

Durante todo o trajeto ele não entendia o que estava fazendo e o que Taekwoon fazia o seguindo. Sentou num balcão e pediu uma cerveja, Taekwoon quis um uísque.

— O que você quer falar?

— Eu realmente não tenho um discurso elaborado, senhor Jung, então eu vou falar como as coisas virem na minha cabeça.

— Eu tenho certeza que nada que você vai falar aqui agora envolve trabalho então corte o senhor Jung.

— Eu não consegui parar de pensar no que você disse para mim segunda, eu não sei quantos desses homens dos seus rumores não deixavam explícita sua atração por homens, mas eu sou gay então nunca estive em negação sobre quão atraente você é. Bem, eu nunca pensei em superar seu amor, porque nada pode não é mesmo? Cada amor tem seu lugar e seu carinho. Eu sei que aparento apenas um jovem romântico e sonhador dizendo isso, mas na verdade é uma visão muito prática. Na verdade eu não pensei em nada além de como você é lindo, nunca imaginei significar algo além de ser um bom estagiário que seja promovido por isso.

— Você é um bom estagiário, Sanghyuk. Você tem razão quanto aos outros homens negarem a atração por mim e isso fazia ainda mais que eles quisessem que eu fosse o atraído, que eu fosse o louco para que eles que quisessem. Obrigado por ser sincero comigo. — Ambos sorriam. — Mas você sabe como hoje vai acabar não é? Você disse que me acha atraente e eu seria louco se não achasse um homem jovem, alto e forte atraente também. E você prometeu.

— A próxima vez?

Sanghyuk tinha esquecido sua cerveja e só olhava os lábios de Taekwoon. O uísque do outro estava terminado em algum lugar do balcão. O mais velho se inclinou e abaixou a voz fazendo ela levemente grossa e trazendo arrepios à nuca de Sanghyuk.

— Sim. A próxima vez. Mas você tem que prometer uma coisa: não se torne como os outros que queriam desesperadamente que eu me apaixonasse por eles.

— Eu só quero fazer você se sentir bem.

 

O apartamento de Taekwoon era enorme e impessoal. Se não fosse a bagunça na cama e dois copos na pia Sanghyuk juraria que tinha sido levado a um apartamento que Taekwoon mantinha apenas para esse tipo de encontro.

Sanghyuk fez questão de beijá-lo. Taekwoon logo tinha se entregado e o olhava com os olhos mais escuros e os lábios mais vermelhos e desse jeito ele deixou de se controlar.

O prendeu com força contra a cama e o despiu com pressa. Ele sabia que devia aproveitar a vista de todos aqueles músculos nos lugares certos, de todos aqueles comprimentos perfeitos, como cada articulação se movia com graça, como cada pedaço de pele brilhava com suor, mas Sanghyuk sempre fora alguém que trabalhava com o tato e percorrer todo o corpo de Taekwoon com suas mãos, abrir-lhe as coxas, apalpar-lhe o abdome era mais que podia suportar. Logo o quarto estava quente, a respiração de Taekwoon entrecortada. Ele parecia sorrir a cada vez que Sanghyuk era brusco. Seus dedos seguravam o lençol e sua voz estava alta. Taekwoon era vocal. Sanghyuk sorriu para si mesmo quando ouviu “por favor”.

Ele definitivamente não se arrependeria daquela noite.

 

A manhã parecia tão comum, como se não fosse a primeira vez. Sanghyuk pediu açúcar para adoçar o café e recebeu um olhar torto. Taekwoon começou a olhar compenetrado o noticiário sobre times estrangeiros de futebol. Pareceu bravo com algum resultado e Sanghyuk riu.

Taekwoon era mais bonito no conforto do seu sofá cinzento, de sua calça de moletom e seu cabelo para baixo. Ele parecia mais jovem e despreocupado. Ali era fácil chamá-lo apenas de Taekwoon, nenhum senhor Jung.

Sanghyuk se sentou no sofá e olhou Taekwoon, e era impossível não sentir como se tudo fosse natural demais, fácil demais. Tudo se encaixava e fluía. Taekwoon se encaixou nas coxas de Sanghyuk e sorriu, se deixou ser beijado, se deixou ser mordido, se deixou. Taekwoon era permissivo e submisso. Sanghyuk dizia o quanto ele era lindo ali, o cavalgando no seu sofá e ele se tornava mais vocal, e parecia gostar mais e chegar mais perto do gozo. As mãos de Sanghyuk corriam para os lugares certos e via a pele se aquecer e se arrepiar. Sanghyuk sabia antes do ato e Taekwoon se mostrava receptivo às tentativas e contente com os acertos.

— Posso perguntar o que eu quiser?

Taekwoon apenas levantou a sobrancelha. Sanghyuk podia fazer a pergunta, mas ele talvez não a responderia.

— Como as pessoas sabem do seu grande amor se você o superou tão bem?

— Porque algumas pessoas estão aqui desde quando eu ainda era louco por ele. Elas me viram chorar no banheiro quando a esposa engravidou e me viram chorar atrás da máquina de café quando a menina nasceu. Senhora Kang, por exemplo, quando ela te disse tudo sobre mim era porque ela seria a primeira de qualquer modo a falar sobre essas coisas.

— Então foi o clássico “Para a sociedade eu sou hétero e bissexual é uma coisa que os ocidentais inventaram”?

— Não sei como funciona agora, mas na minha época mulher e filhos ganhavam qualquer argumento. E o mundo está cheio desses homens que podem te amar com todo coração e te desejar como nunca desejaram nada, mas vão cumprir a função que esperam deles de casar com uma mulher que vai engravidar dele. E o que eu podia fazer? Cartar The Winner Takes It All na frente da casa dele? Eu só podia me tornar o melhor no meu emprego e superar. Hoje eu sei que já aconteceu e se as pessoas acham que eu só desisti, o problema é delas. O final é sempre o mesmo, não é?

 

No geral, Sanghyuk também não se importava com o que as pessoas falavam e como com certeza já haviam rumores por todo o prédio da companhia que ele era o novo brinquedo de senhor Jung. Ele realmente não ligava que comentassem sobre ele ir embora com o patrão um dia ou outro, sobre o burburinho sempre cessar assim que ele chegasse perto. Era quase engraçado.

Havia um senso de rotina. Pelo menos uma vez por semana eles acabariam num bar e depois no apartamento de Taekwoon.

Taekwoon gostava de sexo em pé, de café latte, macarrão com frutos do mar e uísque sem gelo. Era o mais novo de quatro irmãos e o único homem, jogou futebol, lutou boxe, taekwondo e esgrima, fez natação. Seu pai achou que seu primeiro namoro com um homem, Hakyeon, quando ele tinha 14 anos se devia a toda sua convivência com suas irmãs e então o colocou num colégio apenas para garotos e aumentou o número de esportes que ele praticava, por isso ainda mantinha seus músculos tonificados sem ter tempo de nada e por isso podia se dizer tão experiente.

Na verdade tanta convivência com garotos só trouxe outros namorados: Junhyung, Sunggyu, Junmyeon, Heechan. Isso apenas no ensino médio. Foi durante a faculdade que ele conheceu Wonsik. Ele não sabia que junto com o desejo e o gostar podia vir tanto companheirismo e proximidade. Mas os pais de Wonsik sempre trataram os dois como um namorico e o pressionaram tanto a terminar que foi isso que aconteceu. Quando soube com certeza que seria abandonado, Taekwoon aceitou a proposta de emprego no interior e ali estava.

Sanghyuk gostava que Taekwoon o contasse sobre sua vida com naturalidade, falava dos pais, das irmãs, do sobrinho e de todos os namorados do passado. Wonsik era só mais um deles nas histórias que Taekwoon dividia sem pesar.

Ele não pensava em como passavam muito tempo juntos no sofá com Taekwoon lhe contando coisas do passado ou dividindo observações sobre o cotidiano. Já eram meses, o tempo de Sanghyuk na empresa corria. Seu chefe dizia que ele era bom, mas a única hora que ele sentia medo de todo seu envolvimento com o outro era quando pensava nas pessoas dizendo que conseguiu o emprego por transar com o superior.

Taekwoon dava de ombros quando ele lhe dizia sobre esse pensamento.

— Bem, agora você já me comeu Sanghyuk, não tem como você voltar atrás e não deixar que as pessoas pensem. O melhor é que você se esforce e ganhe a vaga, porque sem ser promovido você estará sofrendo a toa.

 

Com o mais velho Sanghyuk estava aprendendo que as pessoas falariam o que fosse mais interessante a elas, fosse verdade ou não. E também estava aprendendo a apenas se ater ao que ele soubesse como verdade.

No geral ele sabia que dentro da repartição ele era subordinado à senhor Jung e no apartamento ele era amante de Taekwoon. Era uma linha enorme e grossa, impossível de não ser vista, pelo menos pelos dois, se ninguém via isso já era mais problema dos dois.

 

— E então Sanghyuk, qual a sua história?

— Ainda não tive muito tempo de ter muitas histórias.

— Você é um gay assumido num país extremamente conservador e parece estar bem com isso.

— Você pode não acreditar, mas eu não fui alto, forte e poderoso minha vida toda.

— Não? Você parece alguém que cresceu ouvindo o quanto seu pau era grande em todas as rodinhas. Você é tão seguro de si, não consigo imaginar você não sendo em qualquer momento da sua vida.

— Eu só cresci e ganhei massa já na faculdade. Meu ensino médio todo eu fui tímido e colado na barra da minha irmã. Via várias coisas com ela e sempre achei que gostava e achava normal por ver com ela, na faculdade que eu fui pensar que eu preferia ver homens a mulheres porque era atraído por homens.

— E desde a primeira vez você fez muito bem e isso fez você criar uma confiança e petulância e temos o você de hoje em dia?

— Você estava lá? Eu tenho plena certeza que o garoto com quem perdi minha virgindade tinha sua altura, mas ele tinha o cabelo marrom, olhos redondos e covinhas.

— Você é fácil de ser lido, Han Sanghyuk .

— Você me lê fácil, Jung Taekwoon.

Naquela noite eles não transaram no tapete porque derrubaram o vinho nele, mas no sofá.

 

Uma coisa que Sanghyuk nunca deixou de ser, mesmo quando era um nerd franzino no ensino médio, era honesto consigo mesmo. Ele estava completamente encantado por Taekwoon. Adorava passar as noites transando e conversando. Ansiava por estarem sozinhos, por vê-lo nu, por fazer sexo e depois pensar que nada no mundo podia ser melhor que aquilo.

Nada tirava da cabeça que agiam como um casal. Como se sentavam coordenadamente nos restaurantes, como seus hábitos eram parecidos e como sempre se escutavam até o final e se consideravam em todas as decisões.

Não era possível que Sanghyuk sentisse aquela química sozinho. Não era possível não sentir como tudo era fácil e aconchegante. Eles combinavam.

Mas ele conhecia o mais velho e seus medos, seus traumas, seus outros garotos que acabaram confundindo querer Taekwoon apaixonado com se apaixonar. Ele não queria ser colocado pelo homem na mesma categoria de quem não o souberam e o conheceram tão bem.

Talvez ele devesse ser decisivo mais uma vez, mas ele também apreciava tudo que eles tinham. Ele não queria dar tchau para beber vinho no tapete, nem cortar os legumes errado para que Taekwoon cozinhasse para os dois. Ele apreciava ouvir sobre a família Jung e sobre como senhora Kang do RH perguntava para todos os funcionários do andar se eles já tinham transado durante o expediente. Mas Jung Taekwoon sabia ler Sanghyuk.

— O que foi? Você está inquieto? É porque seu período de estágio está acabando?

— Não. Eu fiz um bom trabalho. Mesmo que a empresa não me contrate, minha carta de indicação tem que ser muito boa, então estou tranquilo.

— Você tem razão, então…

— Eu vou ser sincero, porque a gente sempre foi sincero um com o outro.

Taekwoon apagou o fogo do refogado e colocou a colher sobre a bancada. Ele estava ouvindo.

— A gente se dá tão bem, tudo que a gente faz parece um casal fazendo. Eu não consigo acreditar que só eu percebo. Eu fico receoso de você pensar em mim como mais um dos outros que quiseram mais que você podia dar. E quando eu vejo que te quero apaixonado por mim, eu mesmo me vejo na posição deles, mas eu não te quero apaixonado por mim pelo mesmo porquê deles. Eu não quero que você apague um tempo em que foi feliz, eu respeito toda sua história, eu gosto que você tenha vivido tudo que você viveu. Mas eu definitivamente quero que você seja feliz também, comigo, que você goste da parte da sua vida que eu estou envolvido.

— Eu sei, Sanghyuk.

— O que?

— Você nunca quis o desafio do meu eterno amor, você apenas me quis. Eu sou tão grato que quando dei por mim me entreguei. Eu esqueci que o óbvio também precisa ser dito.

— Taekwoon?

— Agora essa parte da minha vida é sua. Eu sou seu.

 


Notas Finais


Obrigada por lerem ^^


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