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História Crash and Burn - Capítulo 6


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Notas do Autor


so,,, yeah

Capítulo 6 - .a vida é um pêndulo que balança entre dor e tédio


Chenle perfurou a palma da mão com as unhas, o coração sem fundamento desmanchando, com uma euforia ruim vibrando o sangue fortemente. Tentou respirar mais devagar, porém, o efeito não alcançou os pulmões. Os olhos continuaram a arder em cristais de lágrimas cortando a pele de suas bochechas em filetes cada vez que desciam.

Era um peso maior esmagando seus ossos. Gostar de Jisung e precisar matá-lo para salvar seu melhor amigo.

Digitou o número de Jeno, escutando o número chamar com uma ansiedade característica de Chenle.

— Le...? — A voz de sono de Jeno anunciava que ele ainda dormia. — É madrugada, o que você está...

Chenle subitamente se sentiu culpado. Estava incomodando o amigo, foi um erro ter ligado. Foi um erro ter nascido, foi um...

— Eu não vou conseguir, Jeno...— Soluçou, os dedos tremendo, a boca fria. Seu corpo ainda estava ensopado pelo banho recém tomado — Yuta morrerá por minha causa, porque eu sou um inútil que...

Um silêncio constrangedor do outro lado da linha.

— Le, você não sabe? — Jeno abaixou o tom murcho. Era a voz de quem dá notícias ruins. — O Yuta... foi encontrado.

A respiração de Chenle parou. Lágrimas quentes e mudas inundando seu rosto enquanto se esforçava para não fazer um som.

— Ainda bem! Como ele está?

— Não, Chenle... — O chinês podia até imaginar Jeno passando a mão pelo cabelo, daquele jeito agoniado dele. — O corpo dele foi encontrado. Taeyong hyung e a equipe descobriram hoje, Renjun confirmou que era ele apenas pela arcada dentária, o cadáver estava...

Após isso, Zhong não escutou mais. 

Um som pode irradiar luz e fraturá-la em cores? Um perfume pode perfurar a pele e fazer alguém sangrar sanidade, sangrar amor, sangrar necessidade como sangue? Pode, um mero corpo  o corpo de um menino, em seu sentido mais puro  feito de carne e sangue, ossos e pele, coração, fígado e pulmões, um corpo humano, também pode ser feito de loucura, fúria e amor? Como os demônios dos tempos passados, que eram feitos de emoções e pura vontade de destruir.

Pode, um som, ser suficiente para rasgar a pele de um menino com os dentes afiados e sangrentos, estraçalhar uma mente barulhenta? Porque, honestamente, Chenle sentiu cada extremidade do seu corpo ser puxada para um lado, quebrando-o ao meio. 

Ele sentiu dores assim antes. Sua alma sempre foi um labirinto, sua vida era um pêndulo que balançava para frente para trás entre dor e tédio. Não era a ferida que vinha com lágrimas, derrubando frustração em forma líquida. Aquela, por si só, era um alívio. Pelo menos, Chenle tinha as lágrimas. 

Neste tipo, o de agora, era pior. Porque Zhong sentia tudo: o luto em sua sombra, as manchas negras desintegrando o que copiosamente chamava de alma. Mas era um grito de socorro mudo. Um eco que ninguém, além do próprio Chenle, escutaria.

Era afundar-se em si mesmo, sem saber o caminho para retornar.

— Le? Você ainda está aí?

Chenle desligou a chamada.

Quando moveu-se, não sentiu as próprias pernas. E quando chorou, não sentiu as lágrimas. Só soube que, de fato, chorava, quando os dedos dele tocaram as maçãs das bochechas avermelhadas. 

Ergueu a cabeça, pois sem perceber, talvez tinha caído. Talvez nem o corpo quis segurar o peso. Seus olhos viram Jisung, com a visão borrada. Ele continuava ali, sem entender, mas ainda segurando uma das mãos de Chenle.

O chinês não pronunciou uma palavra, achou melhor pois soaria mais sincero para os ouvidos alheios. Dessa vez, quebrava na frente do Park  e tudo que evitava para não chegar àquele momento, embaralhou-se. 

— Meu melhor amigo morreu. 

Jisung não esperava isso, conseguiu ver pela maneira que seus olhos arregalaram-se.

— Eu também perdi um — Comentou, ajeitando o cobertor para envolver a cabeça dos dois, como uma barraca. Como um abrigo. 

— Como foi? — Chenle perguntou com a voz fininha, marcada por sofrimento.

— Eu vi quando o mataram. Ele era de outra máfia, mas ninguém sabia. Quando descobriram, fizeram o mesmo que estão fazendo com o Jaehyun: tortura por dias, e posteriormente, a morte. Todos diziam que ele era apaixonado por mim, e eu realmente o amei... — Jisung fechou os olhos, soltando um sorrisinho de lado, como se lembrasse de memórias boas e distantes. — Aquilo nunca funcionaria. Meu pai sabia das conexões que nós tínhamos com ele, afinal, não fui só eu que me apeguei ao garoto. Yeji, Mark, Hyuck...Todos éramos amigos. Todos assistimos enquanto o líder da máfia dele o matava. 

— Qual era o nome dele? — Chenle, por pura curiosidade, questionou.

— Yuta. Nakamoto Yuta. 

Os olhos de Chenle fitaram Jisung com espanto, a verdade finalmente encaixando-se como uma roupa mal ajustada que cobre sua estatura pequena. 

Seu primeiro instinto foi arrebatar a faca que mantinha debaixo do travesseiro e marcá-la no pescoço de Park, que sequer recuou. Muito pelo contrário, a lâmina apertava em cima de sua cicatriz anterior. Era um convite para a morte, bem-vinda.

— Park...

— Eu sei que você está aqui para me matar, Zhong Chenle. Eu soube desde o seu primeiro dia aqui — E seu nome foi pronunciado com tanta ironia e malícia que Chenle quis esconder-se da vergonha que era ter seu nome derramando daquela maneira, daqueles lábios. — O cabo da sua adaga é prateado e dourado. Ou você pensou que eu não saberia as cores de cada máfia?

"O garoto por baixo de si segurou a lâmina entre os dedos, analisando os detalhes e jogando para um canto qualquer do quarto.

— Chenle...— Jisung testou o nome nos lábios, gostando da pronúncia. — Você é de qual máfia? Alguma chinesa...?"

"Havia um anel com várias pedras pequenas e pretas ao redor e uma esmeralda verde central. Eram as cores da Neo City, cada máfia tinha algumas para representá-la. As de Black on Black — qual Chenle realmente participava — eram dourado e prateado."

( capítulo 2)

Chenle estava boquiaberto, enquanto Jisung somente ria daquele modo extremamente irritante e fofo. Droga, como o odiava.

Mas...

Eu cresci aqui dentro, Zhong Chenle. Eu sou o herdeiro da Neo City, você esqueceu? SorriuSou treinado desde a minha infância para reconhecer quando as pessoas estão tentando me matar. 

E era tão típico de Jisung, debochar quando a situação era precária, quando sua vida estava literalmente nas mãos de Chenle. 

E... você me manteve perto mesmo assim?

Jisung deslizou uma das mãos para a cintura do chinês, consequentemente o puxando para se sentar em seu colo. Sua pele estava úmida e quente, mas o Park sequer se importou. Chenle admitiu que seus dedos enfraqueceram o aperto ao redor do cabo da adaga quando Jisung aproximou-se mais ainda. 

Eu ainda estou te mantendo perto, não estou?

O moreno sorriu tremulando, sem fôlego e magnífico,  de uma maneira que transformava Chenle em um monstro.

Eu te odeio, Park Jisung. Eu realmente te odeio.

A adaga, com todas as suas cores, escorregou de sua mão. A mão de Jisung fez o contrário, segurou o corpo de Zhong mais firme contra o seu. Parecia ter medo que ele desmoronasse ali mesmo.

Eu sei Jisung fez questão de exaltar. Você é da mesma máfia que ele, eu presumo. Então, por que só soube da morte dele agora? Quero dizer, Yuta morreu há alguns meses...

Os olhos marejaram e rapidamente, Jisung secou as lágrimas de Chenle. Era um instinto.

— Taeyong hyung... Ele escondeu tudo de nós. Disse que eu precisava vir aqui te matar porque a Neo City mantia o Yuta como refém, então se eu desestabilizasse o trono...

— Neo City entraria em colapso, precisamente.

— Eu achei estranho, apesar de tudo, Taeyong sempre foi um líder incrível com a gente. Sempre nos tratou bem. Mas ele não deu dados específicos sobre essa missão.

Zhong lembrou-se de quando viu o líder pela primeira vez: seu cabelo preto, ensanguentado, como Black on Black chegou antes dos policiais na casa de Chenle para se deparar com os cadáveres de seus pais. Taeyong tinha um olhar carinhoso, quase como um irmão mais velho. Ele prometeu que cuidaria de Chenle dali em diante. A mesma promessa que fez para Renjun, Jeno, Yuta e todos os outros. Pensava que eram uma família. Quão ingênuo, apenas para descobrir que Taeyong matou Yuta.

— Você parece confiar bastante nesse seu líder — Jisung fez um biquinho, acariciando a pintinha na orelha de Chenle. —Eu invejo isso. Jamais confiaria no meu pai dessa maneira. 

Chenle suspirou em alto e bom som, as informações sendo organizadas dentro de sua cabeça: Taeyong matou Yuta e manipulou todos. Park sabia que Zhong queria matá-lo. 

As bochechas queimaram quando encarou o moreno, percebendo o quão próximo estavam. De corpo e alma, na realidade. E bem baixinho, sussurrou:

— Eu vou ficar ao seu lado. Eu vou te proteger, Jisung. 

Porque á este ponto, o Park era o único que o ruivo podia confiar. O moreno sorriu porque, provavelmente, era o que já esperava. 

Encostou a testa na de Chenle, uma promessa silenciosa de que sua confiança pertencia ao mais velho. 

Chenle mordeu o lábio, bebendo as palavras no coração dele. Era agudamente terrível que Jisung escolhesse as coisas monstruosas que o guiavam, as fraquezas, as emoções, mas ele sempre escolhia. Nenhum dos dois nasceram para serem deuses.



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