1. Spirit Fanfics >
  2. Cravo e canela >
  3. O término

História Cravo e canela - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


Olá de novo pessoinhas, mais um capítulo novinho direto do forno!
Boa leitura

Capítulo 5 - O término


Mais um dia havia se iniciado, Tóquio amanheceu movimentada como de costume, a cidade não parava um minuto se quer, era mais um dia de rotina na vida dos moradores daquela grande cidade. Rin acordou mais cedo, teria aula apenas as dez da manhã, antes de levantar ficou encarando o teto branco de seu quarto por algum tempo e respirou fundo, estava em mais um daqueles dias em que ela se sentia sozinha, a família estava longe e ninguém nunca mais telefonou para ela, morava sozinha há alguns anos e se quer teve tempo de visitar a família, apesar dos amigos que possuía, ainda era solitária, pois todos eles tinham suas vidas e famílias a quem se dedicar, muitos também era comprometidos, então dedicavam parte de suas vidas ao relacionamento amoroso que tinham, já ela...era sozinha.

Até que Rin vivia bem com aquilo, se adaptou a viver só e se virar, mas as vezes sentia falta de alguém, alguém para partilhar suas dores, alegrias, seus momentos de fraquezas e gostos em comum, e tinha dias que a solidão apertava mais, a ponto da jovem menina chorar durante noites por se sentir solitária e até abandonada. Afim de afastar aqueles pensamentos e sensações, Rin finalmente se levantou, fez sua higiene matinal e tomou café da manhã, foi para o jardim regar suas flores e plantas, enquanto observava o movimento ao redor, viu alguns de seus vizinhos brincando com seus animais de estimação e algumas pessoas passavam por ali passeando com seus cachorros.

- Já sei!

Exclamou ao ter uma brilhante ideia. Rin entrou em casa, vestiu uma camiseta em cor rosa pastel, uma jardineira que era um short curto na parte de baixo e all star rosa, prendeu seus cabelos num rabo de cavalo e pegou sua motocicleta, pilotou até um pet shop decidida do que iria fazer, comprou uma caminha, um arranhador, dois potes para água e comida, uma coleira, uma caixa transporte, ração para gato e remédio para verme, depois disso fora até a casa de adoção de animais mais próxima e fora muito bem recebida pela recepcionista do local.

- Eu estou procurando um bichinho para adoção!

Disse simpaticamente.

- Alguma preferência? Cachorro, gato?

- Acho que um gato seria a melhor opção.

- Tudo bem, venha comigo.

A mulher disse simpaticamente, Rin se deixou ser conduzida enquanto a simpática moça que trabalhava no local lhe apresentava diversos gatinhos que haviam ali, de diferentes cores, tamanhos e formas, mas Rin se encantou por uma em especial, uma gatinha branca, pequena e peluda de olhos azuis, o animalzinho olhou para ela com seus olhos brilhantes, Rin passou a mão carinhosamente pela cabeça da felina e sentiu seu pelo macio, enquanto ela ronronava.

- Parece que ela gostou de você!

Disse a mulher simpaticamente para ela.

- Irei leva-la!

Respondeu Rin sem pensar duas vezes.

 

♥ ♥ ♥

 

Após assinar alguns documentos e receber algumas dicas para cuidados especiais, Rin adotou a gata e voltou para casa muito mais feliz, agora não se sentiria mais tão sozinha, ao chegar em casa, não demorou muito para a felina se acostumar ao ambiente, parecia que ela e Rin estavam destinadas a se encontrarem a muito tempo e já se conheciam a anos, fora incrível como tudo aconteceu tão rápido.

- Vou te chamar de Serafina, o que acha?

A gatinha ronronou e se esfregou na perna de Rin, como se gostasse do nome. A estudante passou a manhã cuidando da gatinha até a hora de ir para a Universidade, contou para Kohaku sobre sua nova amiga e o quanto estava feliz, o rapaz obviamente ficou feliz por ela, depois das aulas fora para o restaurante, assim que chegou na parte dos funcionários avistou Sesshoumaru logo de primeira, ele parecia concentrado lendo um livro.

- Cadê todo mundo?

Perguntou a menina vendo que só tinha ele ali, sentiu o coração acelerar e as bochechas queimarem ao ver ídolo, ao mesmo tempo estranhando ver o youkai no restaurante antes de todos os outros.

- Você chegou quarenta minutos mais cedo.

Respondeu sem encará-la.

- Nossa!

Ela exclamou surpresa, puxou seu celular e viu que ainda era cedo.

- Realmente, meu Deus! Minha cabeça está uma loucura esses dias, eu achei que estava atrasada.

Comentou a garota soltando um riso colocando sua mochila no armário, onde ficavam os pertences dos cozinheiros e funcionários. Sesshoumaru nada disse, continuou lendo seu livro, levantou os olhos brevemente ao ver Rin prendendo seus cabelos num coque e se olhando num pequeno espelho de mão que ela carregava consigo, era de se notar que ela era uma mulher extremamente bonita, até mesmo usando aquele uniforme de cozinheiro, os lábios eram muito bem desenhados e naturalmente rosados, assim como suas bochechas, ela tentava afastar sua franja desfiada afim de manter os fios no lugar, mas era inútil, os fios estavam grandes e começavam a incomodar os olhos.

- Porque não penteia para o lado?

Sugeriu o prateado agora sem olhar para ela voltando seus olhos para o livro, não queria que ela visse que ele a observava.

- Ela não fica para o lado, as vezes dá vontade de parar de usar franja, mas aí eu lembro da minha testa de aeroporto que ficaria totalmente exposta, o que não seria algo muito bonito de se ver, é um saco!

Bufou, Sesshoumaru não deixou de soltar um risinho com o jeito espontâneo de Rin e como era engraçado o modo que ela ficava quando se irritava com alguma coisa.

- Tem alguma presilha nessa sua mochila?

Perguntou para ela.

- Presilha? Tipo tique-taque?

- Sim.

- Eu acho que sim... vou procurar!

A menina começou a vasculhar em sua mochila e achou uma pequena presilha de cor rosa com estampa de moranguinhos.

- Achei! Mas para que precisa de uma presilha dessas?

Perguntou confusa, o prateado se aproximou da garota, ficando em pé bem na frente dela. Os batimentos cardíacos de Rin aceleraram novamente, ela não conseguia desviar seus olhos castanhos dos olhos dourados dele.

- Anhm... o que foi?

Perguntou a menina temendo pelo o que ele fosse fazer.

- Com licença.

Disse o youkai tocando com sua mão a franja de Rin, começou a mover os fios cuidadosamente para o lado, afim de evitar que machucasse a pele delicada dela, por mais que cortasse as unhas, elas já estavam um pouco maiores.

- A presilha.

Pediu estendendo a outra mão, Rin colocou o pequeno objeto na mão do youkai, que prendeu a franja rebelde de Rin usando a presilha que ela o entregara.

- Feito.

Disse por fim e se afastou dela, a garota puxou o espelho novamente e avistou seu reflexo, havia ficado muito fofa com aquele visual.

- Ficou bom, obrigada senhor Taishou, não sei como não pensei nisso antes!

Agradeceu com um sorriso, Sesshoumaru apenas moveu a cabeça em positivo e voltou para seu livro.

- A propósito, resolvi a questão daquela polêmica envolvendo seu nome, não precisa mais se preocupar, aquilo não vai acontecer de novo.

- Jura? Ah, ainda bem! Eu já estava surtando com aquilo, descobriu quem fez isso?

- Sim, e já tomei as devidas providencias quanto a isso.

Respondeu calmo virando uma página, sem tirar os olhos do livro.

- Graças a Kami, obrigada senhor Taishou, mas que ideia de jerico, não é? De onde as pessoas tiram essas coisas tão absurdas? Imagine só, sua amante, logo eu, nós dois juntos, não faz sentido nenhum, já imaginou?

Falou rindo ao se sentar enquanto guardava seu espelho na mochila e vasculhava mais algumas coisas dentro dela, o prateado fechou o livro, se levantou e olhou para a menina.

- Sim, eu já imaginei.

Rin levantou o rosto bruscamente para encara-lo, sua expressão era de incredulidade e ao mesmo tempo dúvida, seu rosto ficou vermelho como um tomate, enquanto Sesshoumaru a encarava de forma penetrante.

- O que o senhor disse?

Nesse momento Kohaku chegou ali na porta da sala.

- Senhor Taishou, Rin! Boa tarde.

Cumprimentou o rapaz com um sorriso.

- Oi Kohaku, b-boa tarde.

Respondeu Rin ainda sem jeito. Sesshoumaru apenas moveu a cabeça como forma de cumprimento. O garoto entrou na sala e guardou sua mochila.

- Seu cabelo ficou muito bonito assim, Rin. Acertou em cheio.

Disse dando uma piscadela para ela.

- Obrigada...

Agradeceu a menina e olhou para Sesshoumaru em seguida, que olhou para ela uma última vez e saiu do cômodo logo em seguida.

- Inclusive, eu queria falar com você, em particular...

Kohaku começou a falar meio sem jeito.

- Claro! Sobre o que? Pode falar agora que estamos sozinhos.

Perguntou curiosa, tentando esquecer o comentário que Sesshoumaru fizera a minutos trás.

- Tudo bem, então...

Kohaku começou a falar meio tímido, sentou-se ao lado de Rin virando-se de frente para ela, as bochechas do rapaz ficaram extremamente vermelhas.

- Olha, eu não sei se aqui é o melhor lugar para isso, mas eu acho que não tem problema, bom Rin, já faz um tempo que nós nos conhecemos...

Nesse momento Kohaku segurou a mão de Rin, e a olhou no fundo dos olhos.

- Eu amo ser seu amigo, de verdade, você é uma garota divertida, bonita e fiel aos seus princípios, e o que eu queria te dizer, na verdade o que eu queria perguntar... bem, você quer...

Nesse momento Kohaku foi interrompido por dois toques à porta, os dois se viraram no susto, era Sesshoumaru novamente.

- Para a cozinha, andem! Já tem clientes à espera.

Falou autoritário.

- Mas os outros não chegaram ainda e...

- Você depende dos outros para fazer sua parte?

Falou o youkai interrompendo Kohaku.

- Não...

- Foi o que pensei.

Falou por fim e saiu da porta da sala.

- Bom, vamos lá!

Disse Rin se desvencilhando de Kohaku e indo em direção a porta.

- O que você iria me contar mesmo, Kohaku?

Perguntou olhando para o rapaz.

- Nada, deixa quieto.

- Ah, então tá!

Rin assentiu e saiu dali caminhando, Kohaku bufou.

- Droga, não consegui de novo! Se ao menos o senhor Taishou não tivesse me interrompido...

Se lamentou o moreno, saiu dali e foi para a cozinha.

 

 

♥ ♥ ♥

 

 

Logo todos estavam ali, os cozinheiros, que eram Rin e Kohaku, e os que ficaram como ajudantes.

- Preciso do liquidificador.

Kohaku comentou enquanto temperava o filé de frango.

- Eu pego!

Rin respondeu indo até o armário, o liquidificador estava na parte de cima, a garota ficou na ponta dos pés para alcançar o objeto, mas sem sucesso, estava fazendo muito força e o máximo que ela conseguia pegar era vento. Sesshoumaru logo surgiu ali atrás dela e pegou o objeto em cima do armário sem muita dificuldade, e entregou para Rin.

- Peça ajuda.

Repreendeu.

- T-tá, obrigada.

Agradeceu a garota um pouco sem jeito e fora até Kohaku.

- Aqui, Kô!

- Obrigado, Rin!

O prateado não deixou de reparar a forma carinhosa como Rin e Kohaku se tratavam, era evidente a forma como Kohaku olhava para Rin, com olhar apaixonado, certamente havia algo sentimental ali, pelo menos da parte do garoto, assim Sesshoumaru pensava. Tudo seguia normalmente dentro da cozinha, mas logo o estresse começou.

- Que demora é essa de vocês? Faz meia hora que o cliente pediu um sapporo e até agora nada, estagiária, cadê o prato?

Perguntou Sesshoumaru impaciente, Rin se virou.

- É comigo?

- E com quem mais seria? Você e o Kohaku são os únicos cozinheiros aqui, e só o seu prato está atrasando.

- Eu já vou, calma!

Disse Rin correndo contra o tempo dento da cozinha.

- Me pedir para ter calma não vai fazer o prato sair.

- Já pensou em ajudar, ao invés de só mandar?

Perguntou a menina já estressada pela correria, alguns ali presentes pararam para olhar os dois, como se Rin tivesse feito algo inapropriado ao dizer aquilo a Sesshoumaru. O prateado arqueou a sobrancelha.

- Como é que é?

Perguntou olhando para a estagiária.

- Você só reclama e coloca pressão, disse que está aqui para ajudar, mas só deixa nos deixa ainda mais nervosos e tensos, ajudar é diferente de brigar e pressionar, sabia? Porque não experimenta? Nem sempre só o que você faz é o melhor!

Sesshoumaru se aproximou de Rin após ouvir tudo calado.

- Eu não tenho nem mesmo a obrigação de estar aqui, criança. Já cheguei até a cozinhar aqui dentro para ajudar vocês, e isso também não é minha obrigação, se não gosta do meu método de administrar as coisas, sinta-se à vontade para ir embora.

Rin engoliu seco com aquilo.

- E tem mais uma coisa, você pode falar do jeito que quiser com seus pais, irmãos, amigos, o que for, mas comigo não, eu exijo respeito, eu sou o chefe aqui, entendeu?

Rin permaneceu calada.

- Eu perguntei se você entendeu.

- Entendi, chefe.

Respondeu tímida.

- Ótimo, agora volte ao trabalho.

Disse ao se afastar dela. Rin ficou completamente irritada e envergonhada.

- E vocês, o que estão olhando? Andem logo com isso.

Falou o prateado para o restante do grupo que logo voltaram as suas atividades após a bronca.

 

♥ ♥ ♥

 

 

O dia correu normalmente, ao fim do expediente, Rin soltou seus cabelos e retirou o seu dólmã o guardando na mochila, vestiu sua blusinha regata e a calça jeans branca justa ao corpo. Ao passar pela porta de entrada viu Sesshoumaru saindo dali também, enquanto mexia em seu celular.

- Boa noite chefe, até amanhã.

Cumprimentou Rin com um sorriso tímido.

- Até.

Sesshoumaru respondeu, Rin foi andando, mas parou no meio do caminho e se virou.

- Senhor Taishou?

O chamou e ele se virou esperando que ela se pronunciasse.

- Não tivemos muito tempo para falar, mas eu queria te agradecer pelo o que fez por mim naquela noite, de coração, e me desculpe pelo estresse que tenho causado, pelo ramen ruim, e por hoje, eu vivo dando trabalho para os outros, hahaha.

Falou rindo ao abaixar a cabeça, um pouco triste ao se lembrar de algumas coisas do seu passado, enquanto brincava com a alça de sua mochila

- Sem problemas.

Respondeu seco, sem deixar de observa-la, não era de hoje que percebera que Rin era um tanto quanto ansiosa, estava sempre observando tudo, parecia sempre desconfiada, nervosa e não sabia agir muito bem sob pressão.

- T-tá, então tchau!

A garota virou as costas e foi saindo andando, Sesshoumaru sentiu-se na necessidade de saber se ela estava bem, não sabia bem o porque, mas precisava.

- Estagiária.

Ele a chamou dando poucos passos até ela, Rin se virou.

- Sim?

- Não que eu me importe, mas você precisa de alguma coisa?

Perguntou como quem não estivesse nem aí.

- Eu? Como assim?

- Não sei, alguma coisa, seja uma carona, ou um café, me diga você.

Rin suspirou e o encarou por segundos em silêncio, tentando decifrar se era aquilo mesmo que ela estava pensando, Sesshoumaru Taishou se importou com ela? Ou era apenas o jeito dele? De qualquer forma, ela lhe lançou um sorriso singelo sem mostrar os dentes.

- É muita gentileza sua, mas eu estou bem, obrigada, preciso ir agora, adotei uma gatinha de estimação e ela está me esperando, não quero que se sinta sozinha também, tchau senhor Taishou!

Se despediu e saiu dali.

- Tchau...

O youkai disse desconfiado ao ver a menina se afastar, entrou em sua Lamborghini e deu a partida.

“ Se sentir sozinha também “

Pensou o youkai na última frase que Rin lhe dissera, então ela era sozinha? Se sentia assim?

“ Porque estou pensando nisso? Eu mal conheço essa menina, se quer lembro o nome dela, quanta tolice, devo estar cansado e estressado pelo excesso de trabalho, só isso. “

 

Pensou consigo mesmo e foi para casa, não encontrou Sara, ela não estava, por um momento agradeceu aos céus por isso, enfim um pouco de paz.

 

 

♥ ♥ ♥

 

Os dias passaram rápido durante a semana, Sesshoumaru e Rin se viam todos os dias, e a cada diz ela passava um estresse diferente naquela cozinha, mas nada que a tirasse do sério tão fácil, estava até melhor que nos dias anteriores. Já fazia uma semana que Sesshumaru entrara em contato com Miroku e o contratou como seu assessor, os dois ficaram mais próximos devido ao contato profissional. Com a folga no sábado Rin decidiu fazer uma surpresa e visitar a família, que não respondiam seus telefonemas e ligações a semanas, e por isso resolveu ela mesma ir até Kasagi, sua cidade do interior, ver como todos os estavam.

 Arrumou suas malas ao sábado à noite, colocou Serafina na caixa transporte e foi para a estação metrô de Tóquio, chegou em Kyoto dentro de uma hora, já que era uma cidade um pouco distante, ao chegar, pegou um ônibus para Kasagi, observava as ruas e casinhas simples durante todo o percurso, quando finalmente chegou ao seu destino desceu do ônibus, avistou a poucos metros de distância o templo onde sua família morava, o templo Uchida. Respirou fundo e caminhou subindo as escadas, bateu a porta.

- Espero que tenha alguém em casa...

Falou para si mesma um tanto quanto ansiosa e nervosa, não obteve resposta, bateu novamente e dessa vez uma senhora abriu a porta, era a mãe de Rin, que ficou surpresa ao ver a filha.

- Rin?

Exclamou.

- Oi mamãe!

A menina cumprimentou com um sorriso, sua mãe sorriu de volta e a abraçou forte.

- É você mesma, nem acredito que está aqui! Não esperava sua visita, que bom te ver filha!

Disse a mais velha ainda emocionada ao se desvencilhar do abraço.

- Me desculpe aparecer assim, eu quis fazer uma surpresa, onde está o papai?

Perguntou a menina soltando-se do abraço.

- Está lá dentro, venha, entre! O que é isso aí?

Perguntou a senhora apontando para a caixa transporte.

- É minha gatinha, a Serafina!

- Ah Oh, adotou um bichinho, que ótimo! Vamos, entre.

Chamou a progenitora, Rin a seguiu para dentro do templo, o templo Uchida era antigo, seu visual respeitava muito a cultura do país, aquele lugar fora construído no século XV e passado de geração em geração entre a família Uchida desde a era feudal. As duas chegaram ao jardim e lá estava o senhor Uchida, pai de Rin, martelando alguma coisa. A garota se aproximou a passos lentos.

- Oi pai...

O senhor levantou os olhos ao ouvir aquela melodiosa voz, surpreso em ver a filha.

- Rin? É você.

- É, sou eu!

Respondeu com um risinho, o homem se levantou e abraçou a filha, também emocionado, logo os outros familiares e amigos foram avisados que Rin estava na cidade e sua mãe, que se chamava Midori, resolveu fazer um banquete para jantar, seguindo a tradicional cultura japonesa, Rin obviamente se ofereceu para cozinhar, pois ela amava aquilo, era sua vida.

 

♥ ♥ ♥

 

 

O pai de Rin, que se chamava Akira, ajudou a filha com as malas e ela se hospedou em seu antigo quarto no templo, onde ela ficava antes de se mudar, o local estava do mesmo jeito de quando ela partiu, contendo suas memórias da infância e parte da adolescência.

Rin guardou seus pertences lá e tirou Serafina de sua caixinha. Tomou um banho e vestiu-se para o banquete, todos os parentes que compareceram ali abraçaram e cumprimentaram a estudante calorosamente, ela sentia falta daquilo. Na hora do jantar todos riam e conversavam alegres.

- E então, Rin, como vai a vida na cidade grande?

Perguntou uma de suas primas.

- Vai muito bem, Tóquio é uma loucura, não para nunca! Mas é um ótimo lugar, tem de tudo lá, vocês iriam adorar.

Respondeu a menina alegremente.

- E a faculdade, querida? Está gostando?

Perguntou a mãe.

- Bastante, meio cansativo, mas é bom, e agora estou fazendo estágio em um restaurante em no centro da cidade, e o melhor, conheci o meu ídolo, Sesshoumaru Taishou!

Muitos ali ficaram boquiabertos com a declaração da garota.

- Não brinca, é sério?

Perguntou uma outra prima.

- Siiim! E nós trabalhamos juntos.

Rin disse com os olhos brilhando, e então contou diversos detalhes sobre sua vida, os amigos que fizera, como era a faculdade, o estágio, sua casa e até a adoção de sua gatinha Serafina, todos ouviam atentamente, o clima estava muito bom, do jeito que Rin sempre quis.

- Não que eu me importe, mas porque não nos ligou, filha?

Perguntou o progenitor.

- Ah, eu liguei inúmeras vezes, mas vocês não atendiam, por um momento achei que não se importassem mais comigo...

Disse abaixando a cabeça.

- Oh, não diga isso querida, nós a amamos, é que mudamos o número e acabamos perdendo o seu, depois anote o número novo, tudo bem?

Disse Midori confortando a filha, passando a mão por seus macios cabelos negros.

- Tudo bem mamãe!

Respondeu a menina, sempre compreensiva, o fim de semana estava sendo muito agradável para Rin, que não se sentia mais sozinha entre seus familiares. Alguns deles até brincavam com sua gatinha Serafina.

 

 

♥ ♥ ♥

 

 

Enquanto isso, em Tóquio, Sesshoumaru trabalhava tranquilamente em seu restaurante, vez ou outra recebia uma mensagem de Sara reclamando de algo que ele deixou fora do lugar em casa, o youkai bufava e revirava os olhos a cada reclamação inútil da humana, já estava cansado, quando o trabalho acabou Sesshoumaru dirigia seu carro até em casa, parou em um semáforo vermelho, seu celular deu um toque, ele pegou o aparelho em mãos e atendeu a ligação.

- Oi.

- Sesshoumaru? Sou eu, Naraku!

Disse o amigo do outro lado da linha.

- Eu sei que é você, idiota. Porque ligou?

- Darei uma festa hoje à noite em minha casa, é aniversário da minha sobrinha Kana que está fazendo dezoito anos, nada demais, além da família chamei apenas alguns amigos próximos, incluindo você.

Explicou.

- Sei, sabe que não gosto de convites em cima da hora, então já deve imaginar minha resposta.

- Ah Sesshoumaru, vamos lá, a quanto tempo você não sai para se divertir desde que se casou?

Nesse momento o semáforo ficou verde, o prateado colocou o celular no modo viva voz e o apoiou no painel da lamborghini.

- Então está me dizendo que não vou mais a festas porque me casei, é isso?

Questionou o inuyoukai concentrado no trânsito.

- Não me leve a mal, não quero insinuar que você está preso ao seu casamento, vamos assim dizer...mas, a última vez que saímos para beber ainda era solteiro, inclusive parece estar bem mais estressado e tenso que naquela época.

- Hum.

Fora tudo que Sesshoumaru respondeu, sabia que Naraku estava certo, por mais que ele fosse um homem sério e focado no trabalho, estava cada dia mais estressado e até chato, com um humor ácido e insuportável, segundo palavras de seu irmão mais novo, que dizia não suportar ficar por perto quando o primogênito estava estressado ou tenso.

- Você me conhece há anos, deveria saber que sempre fui assim, não sou de forçar simpatia com nada e nem ninguém.

- Viu? É disso que estou falando, você está quase sempre irritado, sejamos sinceros, de homem para homem, a quanto tempo vocês dois não transam?

- Você andou bebendo, não é Naraku?

- Eu? Como você sabe?

Perguntou o moreno do outro lado da linha, fingindo surpresa.

- Pelo seu tom de voz e suas perguntas ridículas e invasivas, está completamente de fogo.

Repreendeu o amigo.

- Um pouco, umas doses de tequila ali...outras de saquê aqui...

- Percebe-se ...

- Mas então, você vem? Traga Sara com você, seria uma boa ideia você sair pelo menos com ela, seria bom para os dois.

O prateado deu uma lufada de ar e a soltou pensativo.

- Vou pensar.

- Ótimo, fico no aguardo, até.

- Até.

A ligação é finalizada. Sesshoumaru chega em casa e estaciona o carro, abre a porta e joga as chaves na mesinha, ouviu o barulho do chuveiro de um dos banheiros, Sara deveria estar tomando banho, o youkai adentrou seu quarto, pegou um roupão de seda preto e foi para o outro banheiro, haviam dois na casa, o ideal para um casal, assim ele considerava, Sesshoumaru tomou um bom banho, se enxugou e vestiu o roupão, enxugou os fios molhados com uma toalha, depois pegou o secador de cabelos e o ligou, queria que as madeixas secassem mais rápido, ao terminar, passou um óleo capilar hidratante, os fios prateados ficaram impecáveis, ao sair do banheiro e entrar no quarto deu de cara com Sara sentada na cama mexendo em seu celular.

- Boa noite.

Sesshoumaru a cumprimentou ao entrar no quarto e colocar suas roupas no closet.

- Boa noite...

Respondeu Sara sem encara-lo.

- Quer sair hoje á noite?

Perguntou para a ainda, até então esposa.

- Para onde?

Perguntou Sara curiosa levantando o rosto para encara-lo.

- Aniversário da sobrinha de Naraku em sua casa, ele convidou nós dois.

Sara torceu os lábios.

- Naraku é? Não gosto muito daquela gente...

Resmungou.

- Você vai querer ir comigo ou não?

- Kagura vai estar lá?

Perguntou a morena.

- Kagura também é tia de Kana, então muito provavelmente sim.

- Então eu não irei.

Respondeu seca se voltando para o celular.

- Eu não entendo você...

Resmungou o youkai achando ridícula a atitude de Sara.

- Não quero ver aquela megera na minha frente! É difícil entender, Sesshoumaru?

O youkai soltou um riso irônico.

- Você reclama que não sai de casa, que nós não passamos mais tempo juntos, mas quando temos a oportunidade simplesmente inventa um motivo idiota e sem cabimento para não ir.

- De tantos lugares para ir, você me convida justamente para ir à casa daquela gente! Um bando de youkais nojentos e interesseiros!

Falou ríspida.

- Você está insuportável, Sara. Eu vou sozinho então, será bem melhor que ficar aqui ouvindo suas imbecilidades.

Disse impaciente indo até o closet se vestir.

- Você não está falando sério! Vai mesmo naquela festa?

- E porque eu não iria? Para não desagradar você? Nada nunca lhe agrada, de qualquer forma.

Perguntou o youkai com ironia.

- Se você me ama e se coloca em meu lugar, certamente não irá, lá vai estar cheio de mulheres prontas para colocar as garras em você, acha que não sei? O Naraku é doido para ver você acabar com nosso casamento, ele tem inveja de nós dois, será que não entende?

Sesshoumaru saiu do closet nesse momento já vestido numa camiseta preta de mangas compridas realçando seus músculos, um jeans azul escuro e all star iate preto, já que não seria uma festa formal, poderia se vestir de uma forma mais despojada.

- Agora você quer falar de amor? Quantas vezes tentei conversar com você sobre nós dois e você simplesmente não queria me dar ouvidos?

- Você não entende...

- Não entendo o que? Suas paranoias? Seu ódio sem motivos pela família Tamura? Porque namorei com Kagura antes de você? O que eles tentaram fazer para destruir nosso casamento? Porque tenho certeza que se tentassem e por acaso conseguissem não estaríamos aqui hoje.

Sara balançou a cabeça negativamente.

- Sinceramente? Você se acha muito esperto, mas não percebe as cobras que essas pessoas são, ainda mais Naraku e companhia, que são youkais!

- Lá vem você com essa história sem pé nem cabeça de novo, chega! Estou de saída, até mais!

O prateado saiu quarto a fora, já no seu limite, evitando uma briga mais séria com Sara.

- Viu só? Esse é o seu problema, você se irrita e foge de mim, é por isso que não damos certo, a gente nem transa mais!

Falou enquanto o seguia.

- É claro que não transamos, porque de todas as vezes que tentei você se desvencilhou, e eu não falo de vez ou outra, mas vários e vários dias seguidos, as vezes ficar “na mão” é o melhor.

Respondeu o youkai fazendo aspas com os dedos após descer as escadas e colocar a mão na maçaneta.

- Você não vai para essa festa!

Sara segurou o pulso do youkai que a encarou.

- Como é?

- Você não vai, não sem mim!

- E quem é você para mandar neste Sesshoumaru?

Questionou com sarcasmo.

- Sua esposa, mas vou deixar de ser se não me ouvir! Então se você sair por essa porta para ir aquela festa...considere-se solteiro!

Ameaçou de forma ríspida olhando no rosto do youkai.

- Então é isso mesmo?

Perguntou Sesshoumaru a olhando com frieza, não achava que Sara chegaria ao ponto de dizer aquilo, ela nada disse, apenas manteve sua postura, o prateado então tirou a aliança de seu dedo e a jogou no chão.

- Solteiro.

Falou para ela com seu humor ácido, em seguida saiu pela porta e a fechou, deixando uma Sara boquiaberta para trás, Sesshoumaru dirigiu seu veículo até a mansão de Naraku, estacionou o automóvel próximo aos dos outros convidados e desceu do carro, a decoração era toda holográfica, com algumas cores em rosa, azul turquesa, verde água e lilás, tom tema de sereia, haviam humanos e youkais por cada centímetro quadrado daquela casa, dentro e fora, pelo jardim, piscina, andar de cima e etc, além dos vários comes e bebes e música alta.

- Apenas amigos íntimos e familiares, ele disse...

Disse Sesshoumaru ao lembrar-se de seu colega falando mais cedo que o aniversário de sua sobrinha seria algo simples apenas com pessoas íntimas, balançou a cabeça soltando um risinho ao se lembrar, Sesshoumaru caminhou para dentro do jardim da casa pelos portões de entrada e logo Naraku veio em sua direção, com um copo de tequila na mão.

- Grande homem! Sabia que viria.

Disse Naraku já de fogo, estendendo a mão para Sesshoumaru que a apertou com firmeza, Naraku era um homem muito bonito, da mesma altura de Sesshoumaru, também possuía um belo porte, definido e musculoso, seus cabelos eram negros, longos e ondulados, a pele branca e traços finos, trajava uma camiseta branca e calça jeans preta, nos pés um tênis casual também branco.

- Acabei cedendo dessa vez, eu já deveria imaginar que não era só uma simples festa...

- Ah, sabe como é, um vai chamando o outro, sempre aparecem pessoas de última hora. Haha

Comentou o moreno com uma risada.

- Veio só? Onde está a esposa? Ela está bem?

Perguntou estranhando Sesshoumaru estar sem Sara ali.

- Está, mas ela não é mais minha esposa.

Responde o prateado no seu tom habitual, Naraku desmanchou o sorriso.

- Ah não, eu sinto muito...

- Esqueça, foi a melhor decisão que tomei, e acho bom você não sair espalhando isso por aí, não até eu oficializar tudo.

Naraku fez um sinal de zíper com a mão e o passou pelos lábios.

- Eu dispensei todos os fotógrafos justamente para não haver problemas aqui hoje, eles tiraram as fotos de Kana e sua decoração como ela queria e depois os mandei cair fora.

E então o moreno se aproximou do prateado, olhou para os lados para se certificar de que ninguém estava por perto e sussurrou.

- O que acontecer aqui, ficará aqui.

Disse em tom de malícia, Sesshoumaru encarou o amigo entendendo perfeitamente as intenções dele.

- Hum, entendo...

- Bom, vamos lá para dentro? Venha se servir de um pouco de tequila, cerveja, vodka, saquê e o que quiser...

Disse começando a andar lado a lado com Sesshoumaru após dar leves tapinhas no ombro do amigo. O youkai apenas assentiu e seguiu andando junto a Naraku, de repente se cruzaram com uma mulher no caminho, ela usava um vestido curto e decotado preto com brilho, realçando suas belas curvas, os cabelos eram negros e curtos e possuía uma franja repicada, olhos expressivos vermelhos e lábios pintados em vermelho combinando com seus olhos, nos pés um scarpin preto também brilhante, e em sua mão uma taça com vodka azul.

- Boa noite rapazes, Naraku, a festa de Kana está excelente!

Cumprimentou de forma maliciosa não deixando de olhar para Sesshoumaru de cima a baixo indiscretamente.

- Olá Yura, fico feliz em saber que esteja gostando, conhece Sesshoumaru Taishou? O melhor chef de cozinha do país, e meu sócio.

Exaltou o moreno, Sesshoumaru o encarou arqueando uma sobrancelha.

- Já ouvi muito falar sobre, mas não tinha visto pessoalmente ainda... aliás, é um prazer senhor Taishou.

Ela se aproximou mais do youkai e encostou seus lábios no ouvido do prateado.

- Você é muito mais bonito pessoalmente, se precisar de companhia para essa noite, saiba que estou à disposição.

Após dizer isso, a youkai mordeu o lóbulo da orelha do prateado.

- Até mais.

Disse ao se afastar dele, Sesshoumaru a olhou malicioso.

- O prazer é todo meu, Yura, irei pensar na sua proposta.

Disse galanteador beijando a mão da youkai que sorriu com o gesto, sentindo seu corpo inteiro se arrepiar só com aquele olhar.

- Bom, nos vemos por aí então, vou falar com algumas amigas! Até mais senhores.

Disse a youkai se afastando, ao avistar o grupo de amigas chamando por ela.

- Até.

Disseram os dois em uníssono, Sesshoumaru lançou uma última encarada para Yura, que se derreteu por inteiro, ela retribuiu o olhar e seguiu seu caminho com um sorriso nos lábios.

- É, nada mal para quem está solteiro faz dez minutos.

Comentou Naraku vendo Yura se afastar.

- Mulheres, elas não resistem a mim.

Disse o prateado convencido, arrancando um riso de Naraku.

- Sempre modesto, haha. Vamos lá dentro cumprimentar algumas pessoas, hoje a noite é nossa, meu amigo. Perfeita para a caçada.

Comentou malicioso, e assim os dois foram caminhando para dentro da casa.

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


E aí? o que será que vem agora?

Comentem, boa leitura.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...