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História Crazy - Sasosaku REESCRITA - Capítulo 4


Escrita por: koerry e hellawliet

Notas do Autor


GENTE MEU DEUS
Opa, @hellawliet aqui e... eu esqueci de postar o capítulo desculpa KSKAJDK
Jurava que tinha postado na sexta, minha cabeça tá uma loucura. Não consegui produzir nada nessa semana, mas aqui vai o capítulo três completamente reescrito.
Ainda não foi betado.
Boa leitura!

Capítulo 4 - Capítulo III - Detetive Peculiar


Los Angeles, 30 de dezembro, 10:27

Sakura manteve a arma apontada fixamente para o rosto do ruivo que ampliou seu sorriso balançando as mãos em frente ao corpo, como se estivesse prestes a explicar que tudo era um grande mal entendido, mas jamais dava início a suas desculpas. Ele se levantou cuidadosamente e passou seus dedos pela calça limpando qualquer resquício de poeira remanescente, ainda vendo os poucos cacos de vidro que ficaram no chão. Apoiou-se na mesa de madeira arqueando as sobrancelhas e fazendo um gesto para que a detetive baixasse sua arma. A Haruno decidiu ignorar, somente a aproximou do corpo ainda deixando-a preparada e engatilhada.

— Puxa vida, você não desiste mesmo... — Coçou a nuca impressionado com a perseverança e tamanha desconfiança da mulher — Sinto muito pelo susto, vi vocês entrando pela porta e vim para cá para não parecer suspeito demais. Também não queria atrapalhar a investigação da polícia e devia ter imaginado que em algum momento iam acabar me encontrando… Mas quando entrei no escritório bati e derrubei o porta-retrato… é uma pena, era uma foto tão bonita…

— “Parecer suspeito demais”? — Ela perguntou desacreditada — Sabe que eu posso muito bem te algemar agora, não é? Sua intenção de “não atrapalhar a investigação policial” foi um completo fracasso, acaba de adulterar uma cena de crime e estava escondido atrás de uma mesa como um ladrão.

— Ladrão não. Uma pessoa descuidada que quebrou um porta-retrato — corrigiu cruzando os braços — e a real cena do crime é apenas o quarto no térreo. O andar de cima é um acréscimo que não é essencial à investigação, como aparentemente foi deixado claro pela perícia que liberou a passagem e tirou aquelas fitas amarelas horrorosas.

Sasori batucou os dedos pela borda da mesa de madeira. Sakura notou seu sotaque puxado e supôs que ele fosse inglês. Balançou a cabeça levemente enquanto o homem raspava a ponta dos dedos pela superfície escura, como se analisasse a camada de poeira ali presente.

— E sobre toda a questão das algemas, confesso que adoraria vê-la tentar, mas permita-me explicar. — O Akasuna apontou para a mira da arma em sua cabeça mais uma vez — Não é simpático ter essa conversa de frente para a morte.

— Ande logo — respondeu a moça por entre dentes, fria o suficiente para que o mais alto, mesmo que por poucos centímetros, estremecesse.

Após um suspiro de derrota, o ruivo continuou:

 — Como eu disse, sou detetive particular, cheguei em média a uma hora e meia por aqui e já vasculhei essa casa de sete maneiras diferentes. Estava a ponto de começar a rastejar procurando alguma pista ou quem sabe tentar subir pelas paredes, mas então tenho a bela surpresa de avistar pela janela a famosa detetive Haruno e um parceiro que eu não fiz questão de lembrar o nome, adentrando a mansão e falando com o mordomo. Achei o senhor bastante simpático, teve a mesma impressão?

Sakura cerrou os olhos. A forma com que Sasori falava era leve, como se toda aquela situação fosse uma gigantesca brincadeira. Aparentava estar tranquilo, como se resolver o caso não fosse sua prioridade. Ela sabia que ser detetive particular não era uma tarefa fácil, muitos não tinham sequer o apoio da polícia, somente a licença, e ganhavam por trabalho. 

Quem era aquele homem?

— Não tirou meus motivos para te prender — comentou vendo o ruivo vasculhar nos bolsos internos de seu casaco escuro, pesado e longo. Apontou a arma e pressionou o gatilho ainda sem fazer força para atirar — Está invadindo uma cena de crime, precisa de um mandato. E eu disse mãos na cabeça!

— Um minuto, eu tenho certeza que está aqui em algum lugar… Ah, é isso aqui…! — ouviu um tiro próximo ao seu ouvido e por instinto se abaixou levando as mãos até as laterais da cabeça. — Ficou maluca?! Não atire no meu mandato, demorei dois dias para conseguí-lo! 

A rosada revirou os olhos. Sim, era desnecessário, mas sua paciência havia sido completamente consumida. Ainda assim, estava em choque. Sasori realmente havia se preocupado mais com um documento do que com uma bala passando de raspão por sua cabeça? 

Abaixou a arma sem ver a figura do homem à sua frente, que agora estava novamente escondido atrás da mesa. Ela limpou a garganta e começou:

— Como me conhece? — questionou fria vendo os fios vermelhos aparecerem juntos com os olhos castanhos, ouvindo resmungos. Sim, poderia ser por conta dos seus últimos casos, mas não tinha aparecido tantas vezes na televisão. Era conhecida por sua rapidez, mas ainda não era nenhuma veterana.

— Um pedido de desculpas cairia bem… e vai precisar me pagar pelo menos um café. Ou chá! Ah sim, eu definitivamente prefiro um chá— murmurou tamborilando os dedos pela borda da mesa, ainda ajoelhado e um tanto acanhado— Mas respondendo sua pergunta, você é bastante famosa no meio investigativo, e seu cabelo te entrega um pouco. Sugiro que tente escondê-los de vez em quando. Se eu fosse o assassino saberia que estou correndo um grande perigo voltando no mesmo dia que Sakura Haruno, então quebraria uma janela, pularia em um arbusto fofo do jardim e apagaria um ou dois seguranças.

— E você tem muita força para fazer isso, com seu… porte — brincou vendo os olhos castanhos de Sasori surgirem na borda da mesa, apenas com sua testa e sobrancelhas aparecendo.

Sakura ainda estava impressionada com tamanha sinceridade, e grande arrogância. O ruivo parecia formular uma resposta, quase era possível escutar as engrenagens de sua mente funcionando. Antes que tivesse a chance de retrucá-la, ambos ouviram passos rápidos em direção ao cômodo e a porta já aberta expôs os cabelos e olhos ônix.

— Sakura, ouvi um tiro, tudo bem?! — Sasuke questionou se encostando no batente, nervoso, recebendo um aceno positivo da parceira. Viu por trás da mesa o vulto avermelhado e parcialmente escondido. Demorou um pouco para perguntar, mas quando viu que nenhum dos dois estava disposto a começar a explicação, tornou a perguntar — Quem é o esquisitão?

— Olha, o parceiro que eu não recordo o nome! — Sasuke cerrou os olhos sem entendê-lo — Vocês são muito simpáticos. — Sasori se pôs de pé cruzando os braços — E se ele for atirar também, por favor, não acerte o rosto… ou meu mandato.

Sasuke caminhou em passos lentos até parar ao lado de Sakura, que somente balançou a cabeça de um lado para o outro, deixando bem claro que ele não precisava se preocupar.

Talvez um pouco, mas não naquele momento.

— Oh, espere… Eu sei quem é você — O Akasuna murmurou ficando mais uma vez de pé, anotando mentalmente a diferença de altura que tinha com o Uchiha — Você tem um irmão mais velho, estou certo? Como era seu nome… Você é Sasuke Uchiha!

— Como conhece meu irmão? — O moreno cruzou os braços e torceu os lábios. Não sentia coisas boas vindas do ruivo.

— Ele é detetive particular — Sakura murmurou a contra gosto, guardando a arma no cinto mais uma vez.

— Isso, flor de cerejeira. E também eu e Itachi somos velhos conhecidos, e vocês se parecem bastante… Embora do jeito que ele falava de você, imaginava alguém completamente diferente. Até agora, gosto mais do Uchiha 1.0 do que do 2.0. Ele não anda acompanhado de uma parceira esquentadinha, por exemplo. — caminhou se aproximando e a Haruno cerrou o punho e trincou a mandíbula — Pelo contrário, o antigo parceiro dele era bastante simpático… Me convidou para pescar uma vez.

— Ainda não sabemos se você está armado ou não. — Ela comentou vendo o ruivo dar uma risada e esticar os braços sabendo que seria revistado. Sakura apontou com a cabeça para Sasuke, que foi até o Akasuna.

— Não seja tímido — Brincou o ruivo quando o Uchiha passou as mãos por suas pernas, braços e peito. O de olhos ônix apenas revirou os olhos torcendo os lábios e se afastando. — Viram? Estou aqui pelo mesmo motivo que vocês.

— Que seria recolher suas evidências? — Sasuke cruzou os braços e Sakura torceu os lábios. Sasori grunhiu andando dramaticamente pela sala.

— Não! Eu quero descobrir quem foi o assassino da herdeira Hyuuga, a Senhorita Hinata Hyuuga. Sou detetive particular, como já dito pela sua parceira, e fui contratado para isso. Só esbarrei quando vocês estavam vindo e quebrei o porta retrato! Agora, se o casal maravilha puder me dar licença, ou irem investigar em outro cômodo, eu agradeço, já que vocês parecem estar loucos para me matar. E creio que eu seja muito mais bonito dessa forma, e não com uma bala no meu crânio — Balançou as mãos apontando para a porta. A dupla de detetives policiais arregalaram os olhos e se entreolharam confusos. — O que foi? — Sasori perguntou confuso. — Oh! Não está público ainda? Sinto muito, já vi vocês em entrevistas, e ficou bem explícito... — Mordiscou a ponta de seu polegar sorrindo sugestivo. A rosada balançou a cabeça negativamente mudando de assunto, já que não estava disposta a debater sua vida amorosa com um estranho.

— Quem te contratou? — Sakura perguntou olhando-o de cima para baixo com uma expressão que mostrava superioridade. Recebeu um olhar fino em resposta.

— Ora, nada mais nada menos que Fugaku Uchiha. Pensei que estavam a par da situação, pelo menos você, Sasuke. — Apontou um dedo para o moreno que cerrou os punhos e o olhou fixamente como se pudesse queimá-lo somente com suas íris negras. — Parece que alguém não está por dentro dos assuntos da família. Faltou o último natal?

O Akasuna riu de escárnio após cantarolar as palavras simples e o Uchiha andou em passos firmes parando em frente ao mais baixo, que o encarava com a face repleta de ironia. Sakura foi até eles se pondo entre os homens e os separando, nervosa.

— Enfim, vocês gostando ou não, pela primeira vez depois de bastante tempo eu tenho o apoio da polícia, ou seja, tenho acesso às mesmas informações que vocês. Vão ter que me aguentar até o final desse caso. E saibam que eu pretendo desvendá-lo antes de vocês. — Caminhou até a porta desviando da dupla, sabendo que não conseguiria encontrar mais nada naquela enorme mansão. Já de costas, sibilou poucas palavras na direção dos outros. — Vejam isso como uma corrida, sim?

A sala foi deixada em um silêncio devastador. Sakura buscou algum tipo de indício de emoções nas íris ônix de Sasuke, vendo-as completamente neutras. Suspirou pesado tocando em seu braço de leve.

— Acho que vou ter uma longa conversa com meu pai... — ele murmurou passando as mãos pelos cabelos negros mais longos do que gostaria, afastando sua franja e focando nos olhos esmeraldinos da Haruno.

— Não se preocupe com isso agora. Temos outro problema para lidar  — Ela sorriu de canto alisando o casaco escuro do namorado vendo-o assentir e levantar o rosto.

— Tem razão, precisamos continuar esse caso. Meu problema familiar só vai me causar dor de cabeça.

— Eu estava falando desse problema de 1,60 de altura e cabelos exageradamente vermelhos, mas bem lembrado, o caso também é importante. — A Haruno comentou um tanto alheia, torcendo os lábios, ouvindo uma risada baixa e nasal do moreno.

— Acrescente ao menos cinco centímetros, coitado… — Sorriu de canto, causando uma expressão satisfeita da moça por finalmente arrancar qualquer demonstração de ânimo dele — E não fui com a cara dele, ele me parece saber mais do que qualquer um da polícia… Pode ser meu instinto, talvez, mas ele me parece suspeito — Sasuke sussurrou não gostando da lembrança do ruivo. Ouviu uma risada da detetive.

— Confesso que ele é muito estranho, mas não vamos acusá-lo de graça. Voltamos à delegacia e conferimos se ele está falando a verdade, que tal? — Sugeriu sentindo sua cintura ser rodeada pelos braços do Uchiha e um selar rápido foi depositado em seus lábios. 

Ambos saíram da sala descendo a alta escadaria de mármore e corrimãos dourados, vendo próximo a saída, mais uma vez os fios carmesins.

Sasori esperava próximo a porta encostado na parede, de braços cruzados e olhos fechados com uma postura desleixada. Ao ouvir os passos sobre o mármore frio, abriu suas pálpebras lentamente e esticou a coluna pondo as mãos nos bolsos.

— Finalmente. Pensei que estivessem depravando a cena do crime.

— O que faz aqui? — Sakura perguntou juntando as mãos, mais uma vez irritada pela presença do Akasuna.

— Eu vou com vocês, é óbvio. — Ele comentou se virando e sem deixar brecha para que os seus mais novos colegas rebatessem, continuou. — É uma corrida, se lembram? É justo que partamos do mesmo ponto. E eu esqueci a carteira em casa e não vou conseguir pegar um táxi.

Antes que qualquer um dos dois pudessem responder, recusar ou proibí-lo de se aproximar do carro, Sasori já estava cruzando os jardins da mansão em direção a viatura.

— Vamos!

 

[...]

 

Sasuke abriu a porta da sala principal da delegacia após passar pelo corredor restrito a funcionários. Como cortesia, liberou a passagem para Sakura, mas viu somente o homem baixo, de cabelos vermelhos, ultrapassar o batente em passos rápidos adentrando o lugar impacientemente. Revirou os olhos sentindo a mão de sua parceira em seu ombro como um lembrete rápido que ele não deveria se estressar com aquela atitude e respirou fundo acalmando a vontade de pôr o pé no caminho do ruivo somente para vê-lo tropeçar.

Infantil. Sim, mas necessário.

A Haruno tomou a frente indo calmamente a uma policial uniformizada que estava usando o computador e perguntou se o tenente Uchiha, mais conhecido somente por Itachi, já que ele odiava tamanha formalidade, estava na casa. Ouviu da mulher que ela realmente não sabia.

— Itachi! — A voz de Sasori a chamou atenção e a de cabelos rosados se virou, vendo o ruivo ir em direção ao Uchiha mais velho que saia da sala dos técnicos, acompanhado por uma das cientistas forenses. Viu nas mãos do Akasuna, um pequeno copo que ela supôs ser café, e não deixou de torcer os lábios marcando mentalmente uma nova característica dele.

 Folgado.

Itachi lançou-lhe um olhar confuso e a rosada deu de ombros ao ver o ruivo passar um dos seus braços pelos ombros do Uchiha, tendo que se esforçar um pouco para equiparar as alturas. Sasuke arregalou os olhos cruzando os braços com a atitude do recém chegado e se aproximou de ambos em passos lentos.

— Sasori? — Recebeu um aceno empolgado em resposta e um sorriso de canto. — Mesmo eu tendo muito medo de perguntar, o que faz aqui?

— Vou trabalhar com seu irmão e  com a rosinha agora. — Comentou simples tombando a cabeça.

— Nunca falamos que íamos trabalhar com você — Sasuke corrigiu com a voz fria e controlada, vendo o detetive particular franzir as sobrancelhas.

— E você me chamou de quê? — Perguntou Sakura, afastando-se da policial e parando ao lado da cientista forense de longos cabelos loiros, que apenas ria tapando a boca com uma das mãos — Pare de rir, porca.

Ino Yamanaka não era apenas a perita que cuidava desse caso. Ao longo do ano trabalhando na delegacia de Los Angeles, havia se tornado uma grande amiga para Sakura, mesmo que o início da convivência de ambas tenha sido bastante conturbada.

Ino havia chegado a polícia como cúmplice de um ataque terrorista no norte da cidade, que causou explosões em três agências bancárias ao mesmo tempo. No entanto, após dias, com a colaboração da Yamanaka e depois de conferir seus álibis, descobriram que não havia sido ela, e sim seu irmão mais velho, mesmo que por alguns minutos, que atualmente encontra-se foragido e já havia causado problemas à polícia antes, tendo antecedentes, justamente pela habilidade com explosivos. Quando foi liberada, a garota loira de longos cabelos claros e olhos azuis finalizou a faculdade e conseguiu um emprego justamente naquela delegacia, cativando rapidamente todos com seu charme, carisma e bom humor. 

— Ah, então realmente aceitou a proposta do meu pai? — Perguntou o irmão mais velho um tanto desconfortável, recebendo um olhar cortante do mais novo que o encarava sentindo-se verdadeiramente traído. 

— É o meu trabalho, não é? — Piscou um de seus olhos castanhos em resposta, recebendo uma expressão interrogativa da Haruno. — Bom, antes que perguntem como nos conhecemos, depois de uma reunião na residência Uchiha, há um considerável tempo, eu e Itachi conversamos e saímos para beber. Acabamos nos dando bem. Espero que isso responda seus questionamentos, flor de cerejeira — Sasori falou rapidamente e diminuiu o tom ficando um tanto galanteador ao usar seu mais novo apelido com a rosada, que revirou os olhos.

— Ino, me salve. É a sua deixa — sussurrou para a loira que balançou a cabeça negativamente enquanto segurava alguns papéis em suas mãos cobertas pelas luvas azuis de plástico.

— Consegui algumas coisinhas com a autópsia. O laudo acabou de chegar. Acabou sendo mais rápido do que eu esperava, esse caso com toda certeza está chamando atenção e virou prioridade — comentou um tanto impressionada — Os fios usados para prender os braços de Hinata eram feitos de cobre, o que não é tão difícil de notar, mas! — Pausou dramaticamente levantando uma das mãos. — O que interessa é o que está por baixo deles.

A loira passou pelo grupo voltando à sala onde estava anteriormente com Itachi, espalhando os papéis pela mesa de vidro e abrindo um laptop azul marinho, sendo seguida pelas pessoas que se posicionavam em volta das bordas. Ela colocou algumas fotos da cena sobre a mesa e apontou para uma delas, que exibia os cortes feitos pelos fios.

— Vêem isso aqui? — Apontou e mordeu o lábio inferior empolgada. — São hematomas. O que sugere algum tipo de luta ou violência antes da morte.

— Se houvesse qualquer tipo de luta, o quarto teria algum tipo de prova, não acham? — Sakura questionou pondo as mãos na cintura.

— O assassino limpou todas as digitais do quarto, inclusive as da própria Hyuuga, não acho que ele deixaria algo tão grotesco passar. — Sasori contra-argumentou com olhos semicerrados.

— E ela provavelmente teria tentado gritar por ajuda, e Naruto não soube de nada até encontrar o corpo. — Completou Sasuke ouvindo um suspiro pesado da Yamanaka.

— Não, não, não, não, não! — Repetiu balançando as mãos. — Os hematomas são paralelos e parecem ser cortes superficiais. Acredito que o assassino tenha planejado simular um suicídio, mas desistiu no meio do caminho.

— Foi um crime de ódio, senhorita. — O Akasuna comentou virando-se de costas e mordendo a ponta do polegar pensativo. — Ele quis passar uma mensagem, levou tudo o necessário sabendo que não poderia demorar. Não tem porquê tentar simular um suicídio.

O silêncio voltou a reinar na sala. Ino murmurou chateada com a arrogância do ruivo e cruzou os braços desmotivada, enquanto Sakura tombou a cabeça para o lado analisando as fotos dos braços da vítima cuidadosamente. Viu, entre a pele pálida com tons arroxeados e avermelhados, algo que lhe chamou atenção. Marcados com algum tipo de tinta preta por debaixo dos cortes, haviam três riscos. Dois paralelos na vertical e um na horizontal.

— H… — Murmurou a letra baixinho chamando a atenção do Uchiha mais velho, que lhe olhou confuso. —  É a letra H! — Apontou para os cortes certeiros.

— Acha que essa é a mensagem que o assassino queria passar? — Itachi perguntou pegando a foto e virando-a.

— Não acha um pouco vago demais? — Sasori comentou ainda de costas. 

— Por mais que eu odeie admitir, concordo com ele. — Sasuke comentou trocando o peso do seu corpo para o outro pé. — O “H” pode ser desde a letra do nome da vítima, até a inicial do assassino. 

Sakura murmurou uma vogal um tanto surpresa e desencorajada.

— Eu nunca disse que essa não poderia ser a mensagem. Ou ao menos uma parte dela. — A voz do ruivo mais uma vez ecoou e ele se virou tocando os próprios lábios. — Pensem. Foi claramente um crime premeditado, a arma não foi encontrada e a cena foi completamente limpa. O assassino sabia exatamente o que estava fazendo. Nunca tivemos cena parecida na cidade de Los Angeles. Não acredito que essa letra esteja aí por acaso.

— Hinata Hyuuga… — Ino murmurou. — O sobrenome não me é estranho…

— A família Hyuuga sempre foi conhecida no meio investigativo. — Itachi comentou apoiando-se na mesa de vidro e fechando os olhos. — Hizashi Hyuuga era um juiz conhecido por suas penas duras, e Hanabi Hyuuga era uma detetive habilidosa e experiente que pôs dezenas de criminosos atrás das grades.

— Pai e irmã mais velha de Hinata… — Sasuke comentou abaixando a cabeça. — Mas ambos já estão mortos, faleceram em um acidente terrível…

O silêncio vasto voltou a reinar até murmúrios serem emitidos pelos lábios do ruivo.

— Algum criminoso que queria se vingar e assassinou a única Hyuuga viva? — Ele questionou, vendo Itachi balançar  a cabeça.

— É uma opção, não temos pista alguma além dessa, o caso já começou a ganhar visibilidade e devemos encontrar o assassino rápido antes que alguém tente copiá-lo ou até mesmo para o caso do criminoso atacar novamente. Podemos focar nos prisioneiros condenados a penas longas, ou algum fugitivo. 

— Mas ainda existe a possibilidade da letra ser a inicial do assassino. — Sakura acrescentou recebendo um aceno positivo do Uchiha mais velho.

— Destaquem os que começam com H.


 

[...]

 

— Que porra é essa, pai?! — Sasuke bateu na mesa de madeira com força enquanto Fugaku cruzava os braços sobre o peito com os olhos baixos. — Sabia que eu peguei esse caso justamente por ela ser uma conhecida, e você contrata um detetive de fora?! 

O escritório mal iluminado, com cortinas pesadas fechadas e altas estantes repletas de livros de direito reverberou a voz grave do homem de cabelos negros e olhos coléricos.

— Abaixe o tom, Sasuke. Ninguém está gritando, aqui. — O patriarca falou frio vendo o filho tirar as mãos da mesa. — Vi o currículo de Sasori. Ele fez trabalhos ótimos na Inglaterra, e eu não contratei ele para investigar o assassinato. Ele já estava trabalhando para mim bem antes.

O de cabelos negros cerrou os olhos e trincou a mandíbula, cuspindo uma palavra a contragosto.

— Continue.

— A família Hyuuga estava me devendo dinheiro de um dos casos em que trabalhei com Hizashi. — Começou com um suspiro pesado. — Aquele maldito não soube reconhecer o que eu fiz.

— Por isso brigaram? — Questionou e seu pai assentiu. — Nessa época eu e Hinata ainda éramos crianças, por que isso agora?

— Depois do acidente, a dois anos atrás, eu contei a Hinata o que havia acontecido e o porquê da nossa família ter se afastado, quando prestei minhas condolências ela entendeu a situação e prometeu devolver o dinheiro, e assim foi feito — disse e antes de ter a oportunidade de ser interrompido, continuou — Mas eu sabia só pela forma que aquela garota falava do dinheiro, que tinha algo muito errado ali.

— Então os boatos de que a família Hyuuga estava envolvida com corrupção, são verdades? — Sasuke perguntou e viu seu pai arrastar a cadeira para trás e caminhar até parar em frente a janela, puxando a cortina para o lado e observando atentamente o céu escuro pontilhado por estrelas.

— Eu não sei, Sasuke. Antes que Sasori pudesse descobrir qualquer coisa sobre eles, aconteceu o assassinato. — O mais velho juntou as mãos atrás do próprio corpo, e abriu um sorriso de canto. — Mas se realmente fosse verdade, não seria somente um escândalo para o que o nome da herdeira representava, mas iam acabar ligando as corrupções durante os casos até os Uchihas.

Sasuke arregalou os olhos e deu poucos passos para trás, trêmulo. Viu o rosto de seu pai se virar e, de lado, observou aquele sorriso simplório e os olhos idênticos aos seus exibirem o mais puro veneno e arrogância.

— Aquela pirralha morreu na hora certa. 

 


Notas Finais


Eu amo a personalidade do Sasori nessa história, nn aguento
Prometo não demorar com o próximo cap, vejo vcs lá!
Não esqueçam os comentários, me motivam muitoo! ❤️🌸


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