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História Crazy Like Me - Capítulo 22


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Capítulo 22 - Chapter XXI.


Brooke’s point of view.

Estacionei o carro que ganhei de aniversário de papai em frente à sua boate e entrei na festa. Já tinha me acostumado com elas, essa devia ser a terceira ou quarta na semana. Dessa vez, Jason também estava lá, mas sem Nancy, a vi sair mais cedo, irritada, eles provavelmente tinham brigado de novo. Porém, Jason não parecia nada incomodado em estar sozinho ali. Não foi atrás de Nancy, simplesmente ficou exatamente onde estava, no bar, com um copo de uísque na mão, olhando algo, bem interessado.

Olhei na mesma direção e notei que quem tinha sua atenção era Hannah, a namorada de papai. A pistoleira rebolava e mexia nos cabelos, vez ou outra olhava por cima dos ombros para encarar Jason, que ria e mordia o lábio inferior.

Que porra é essa?

— O que pensa que tá fazendo? — Me aproximei dele, pegando o copo de sua mão.

— O que você tá fazendo aqui? Se o pai te...

— Ele vai fazer o que? Você também tá aqui.

— Mas eu sou homem.

— O que? — Questionei incrédula. — Desde quando você é machista assim?

— Desculpa, não foi isso que eu quis dizer. — Suspirou, se virando de frente pra mim. Jason me olhou de cima a baixo e então arqueou as sobrancelhas como se aprovasse o que via. — Uau.

— Guarde seus elogios para aquela vagabunda. Eu não preciso deles. — Revirei os olhos. — E mamãe está certa, você tem passado tempo demais com o papai. Isso não é bom.

— Eu moro com ele, o que esperava?

— Tudo, menos que se transformasse numa versão mais nova dele. Ele deve estar orgulhoso. — Indaguei desgostosa, Jason riu.

— Cadê seu namoradinho?

— E cadê a sua? Por que não foi embora com ela?

— Não nascemos grudados. Ela quis ir embora, eu não. E você?

— Charles não me atende. — Bufei ao conferir o celular pela milésima vez.

— Ele não é do tipo que se prende a alguém, você deveria saber.

— Tá insinuando que ele tá com outra pessoa? — Ele deu de ombros. — Tanto faz, não estamos namorando.

— Então por que você age como se estivessem?

— Eu não... Não faço isso! — Bufei. — Ele é meu amigo. O único que me restou. Acho que acabo sufocando ele...

— Então para.

— É fácil pra você falar, tem o George, Nancy, Bradley e sabe-se lá mais quem. — Tentei me afastar, mas Jason me impediu, segurando meu braço.

— Ele não é seu único amigo, Brooke.

— Então quem é, você? — O encarei desafiadora. — Quando mais precisei você me deixou.

— Não, você que me trocou!

— Isso não é verdade.

— Você fez sua escolha!

— Igual a você. Escolheu Nancy.

Ele riu sarcástico.

— Escolhi o que era melhor pra mim. Pra nós.

— Pra nós? Não. Pra você!

— O que você queria que eu fizesse? Ficasse com vocês dois? Tem ideia da loucura que isso é?

— Não disse isso.

— Nem precisa! Nancy não é complicada. As coisas com ela são simples.

— E chatas.

— Isso é você quem tá dizendo.

— Seus olhos falam por você. E sua atitude.

— Não sabe o que tá falando.

— Ah não? — Cruzei os braços e ri de escárnio. — Por que ficou então ao invés de ir com ela? Quando a gente gosta de alguém só quer estar com essa pessoa e não tem olhos pra mais ninguém. Não é o seu caso, já que aparentemente você tem olhos pra todo mundo, inclusive pra piranha do papai.

— O que? — Ele arregalou os olhos parecendo assustado. Te peguei! – Você é louca. E não repita isso em voz alta, se alguém...

— Se alguém ouve percebe que tenho razão, né?

— Não, Brooke. É loucura.

— Não me chama de louca, imbecil. Eu sei que estou certa.

 — Hannah é divertida e bonita, eu só...

— Só quer tirar uma casquinha, né?

— Para!

— Já parei. Só seja mais discreto, se o papai descobre...

— Não tem o que ele descobrir. Porque não tá acontecendo nada. — Disse irritado, pegando a taça da minha mão de volta. Na mesma hora, segurei sua mão livre.

— Então por que tá suando? Nervosismo?

— Me deixa em paz. — Agora foi à vez de ele tentar se afastar e eu impedi-lo, empurrando-o contra o balcão do bar.

— Não acredito!

— Me deixa passar!

— Olha nos meus olhos!

— Me deixa em paz, Brooke.

— Você é um sujo! Como consegue fazer isso com o papai? — Ele suspirou e desviou o olhar. — Olha pra mim, covarde!

— Eu não fiz nada!

— Mentira! — O empurrei com força irritando Jason que agarrou meus cabelos bruscamente e finalmente olhou nos meus olhos com os seus faiscando de ódio.

— Você tem alguma prova do que tá falando? Tem? — Puxou meus cabelos com mais força, me fazendo gemer de dor.

— Me solta! — Me debati, mas fora em vão.

— E não me ofende de novo, cansei de você. Sou tão podre e nojento que você não consegue me tirar da cabeça, não é?

— É!

— Sabia.

— E me odeio por isso. Odeio sentir o que sinto por você! Me solta!

Jason ignorou o que eu disse e colou seus lábios bruscamente aos meus, iniciando um beijo feroz. Céus, como eu senti falta daqueles lábios, mas eu não ia dar o braço a torcer. O empurrei e esbofeteei seu rosto, fingindo desaprovar aquela ação. Ele riu e colocou a mão no rosto, esfregando por cima de onde eu tinha batido.

— O que você sente por mim? — Perguntou na maior cara de pau, me deixando irritada. Fiquei em silêncio o encarando fixamente, enquanto ele tinha aquela feição debochada e sacana no rosto. O que ele faria se eu lhe desse outro tapa? — Ainda espero por uma resposta, Brooke.

— E não vai ter. Você não vai ouvir isso de mim, nem agora e nem nunca.

— Depois eu sou o covarde.

— E é. Você fugiu primeiro.

— Mas estou aqui agora!

— Agora, mas depois não vai estar. Porque você é feito de momentos e eu preciso de mais do que isso.

— E Charles te dá isso? — Ele disse irritado. — Onde ele tá agora? Que certeza você tem com ele, me diz?! — Se aproximou novamente, deixando o rosto rente ao meu. — Tá buscando segurança com a pessoa errada. Ele é exatamente como eu. E é por isso que você tá com ele. Assume! Você não gosta dele como acha que gosta. E ele não gosta de você como eu.

— Eu gosto dele!

— Mas ama?

— E supõe que eu amo você?

— Ama?

Ri sarcástica e me esquivei, saindo para o meio da pista. Jason me alcançou mais uma vez, me puxando pela cintura.

— Me deixa em paz, que saco!

— Você não sabe como é difícil não pensar em você, Brooke. Isso tá acabando comigo.

— Imagino. — Debochei, tentando não imaginá-lo com Nancy ou qualquer outra garota que não fosse eu. — Quando exatamente você pensa em mim? Entre as pernas de quem?

— Isso não é justo, você sabe que eu te amo.

Fiquei em silêncio com sua fala, encarando-o diretamente nos olhos. Pensei em beijá-lo, em dizer o que sentia também, mas não o fiz. Aquilo de nada adiantaria. Ao olhar para o bar, flagrei papai do outro lado da pista, na área vip ao lado de Pablo, olhando pra nós.

Merda... O que será que ele viu?

— Porra! — Jason se afastou de mim no mesmo instante e esfregou o rosto, terminando o líquido da taça que tinha na mão enquanto um dos seguranças da boate se aproximava de nós.

— Bieber espera vocês na área vip.  — O homem disse apontando para onde eles estavam.

— Jason, acha que ele... — Balbuciei e segurei em seu pulso para chamar sua atenção novamente, mas queria mesmo era correr dali.

— O que você sente por mim? — Insistiu naquele assunto, pouco preocupado com o possível flagra do nosso pai.

— E-eu... eu não tô pronta pra isso, Jason. — Ele riu baixo e negou.

— E não quer apenas momentos, não é? — Disse sarcástico, puxando sua mão para longe da minha — Vai embora.

— O que? Mas e você?

— Eu me resolvo com ele.

— Jason...

— Vai! — Disse em tom de ordem e eu recuei, engolindo em seco.  

— Ele quer ver os dois.

— Cala a boca. — Jason disse rude ao segurança e me mandou sair mais uma vez. Eu estava apavorada, mas acabei obedecendo, enquanto observava de longe ele seguir até a área vip onde papai estava.

Jason’s point of view.

Os dois seguranças que ficaram na entrada da área vip abriram a passagem pra mim e assim que entrei Justin pediu para que eu sentasse na poltrona em sua frente. Olhei para ele e Pablo e depois obedeci, torcendo para que eles não tivessem visto nada.

— O que você quer?

— Cadê sua irmã?

— Foi embora.

— Por quê? Eu disse que queria conversar com os dois.

— Não estava se sentindo bem.

— Ah não estava? — Ele riu e cruzou a perna, colocando sua taça em cima da mesinha ao seu lado. — Isso explica o porquê daquela proximidade toda. — ironizou.

— Por que mandou me chamar? — Ignorei seu dito fingindo indiferença, mas eu estava começando a ficar uma pilha de nervos.

— Eu ouvi uma história engraçada agora. Pode repetir o que disse pro Enzo, Pablo? — Justin disse bem humorado, me deixando ainda mais aflito, ele nunca era bem humorado, pelo contrário. Justin sequer ria, a não ser que fosse de sarcasmo.

Franzi o cenho e encarei Pablo em confusão, ele parecia nervoso, ainda mais do que eu. O que estava acontecendo?

— E-eu... Eu não sabia, Jason. Eu juro que...

— Repete! — Justin ordenou em voz alta, assustando Pablo e me deixando surpreso pela mudança repentina de comportamento. Sabia que vinha merda...  Mais uma vez Pablo fez silêncio, abaixando o olhar. — Esquece. Eu mesmo falo. — Justin falou impaciente, desviando sua atenção toda para mim. — Ele perguntou por que eu implicaria se você e a Brooke tivessem um relacionamento se nem irmãos de sangue são.

Arregalei os olhos no mesmo instante e encarei Pablo, fazendo um sinal negativo com a cabeça. Ele pareceu engolir em seco e sibilou um “desculpa” que me fez ter vontade de quebrar todos os seus dentes. O que aquele imbecil estava pensando?

— Eu não sei do que ele tá falando. — Fingi naturalidade e encarei Justin inexpressivo.

— Qual parte? Sobre você e Brooke estarem juntos ou não serem irmãos biológicos?

— Ambos.

Justin mais uma vez riu sarcástico.

— Ah, ambos?

— É. Pablo deve ter se confundido. Eu falei que Carl era adotado, não eu ou Brooke. E sobre a parte do relacionamento eu não sei. As pessoas falam demais, Pablo deve ter ouvido por aí. Não é, Pablo? — O fuzilei com o olhar e ele assentiu na hora.

— É. Eu me confundi.  — Concordou.

— Estranho. Ouviu por aí que meus filhos estão juntos?

— Eu já disse que me confundi, Sr. Bieber. Me desculpe. Não vai se repetir.

— Já entendi que você é um garoto muito confuso, Pablo. O que eu não entendi é de onde ouviu que Jason e Brooke estão juntos. — Merda. Pablo abriu a boca pra falar, mas se calou, ele provavelmente não conseguiu pensar em nenhuma outra desculpa. Na verdade, nem eu conseguia. — Ficou sem resposta? — Justin o desafiou sarcástico. — E você Jason, não tem nada a dizer?

— Não.

— Pablo, olha pra mim! — Ele disse calmo, chamando a atenção do garoto do outro lado. — Bom saber que tem medo do Jason, afinal ele presta pra alguma coisa. — Provocou me fazendo rir. Mas que grande filho da puta! — Mas apesar dele ser meu herdeiro eu que mando nessa porra ainda. Então eu vou perguntar mais uma vez e eu quero uma resposta sincera, entendido? Se eu ouvir mais uma vez que você se confundiu, meus homens vão fazer uma visitinha à sua mulher, soube que ela está grávida... — Disse diabólico. Ele estava ameaçando Deborah ou eu fiquei maluco? Qual o problema com esse cara?

— O que?! — Falei alterado, mas Justin apenas me olhou pelo canto dos olhos e fez um sinal para que seus seguranças me segurassem no banco.  — ME SOLTA!

— Silêncio! — Justin apontou pra mim e depois olhou para Pablo. — E então?

 — Ninguém me disse nada, eu vi.

Não, Pablo. Não!

— E o que você viu? — Justin arqueou as sobrancelhas.

— Brooke e Jason se beijando. — Ele olhou pra mim e começou a contar para o meu pai sobre o flagra no banheiro da escola e depois nosso encontro num bar de rock. E fez questão de caprichar nos detalhes, não deixando nada passar.

Ah Pablo, você tá muito fodido quando sairmos daqui. Justin não terá capanga o suficiente pra te proteger de mim. Eu te prometo!

Justin manteve a calma durante toda aquela conversa. Às vezes ele ria incrédulo, outras parecia se divertir com a situação, mas sempre me fuzilava com o olhar. Eu definitivamente não sabia o que me esperava depois disso.

— Acho que já ouvi o suficiente. Pode sair daqui... Mas Pablo, se abrir a boca sobre isso pra alguém, eu garanto que seu filho nunca chegará a ver a cor do céu. Entendeu? — Pablo concordou depressa e sumiu como um foguete, deixando somente Justin, eu e seus dois capangas que me mantinham na cadeira. — Você me envergonha, Jason. — Disse com desdém e se levantou indo em direção de seu escritório.

Fui escoltado logo atrás e empurrado para dentro da sala. A partir de então as coisas aconteceram muito rápido. O desgraçado fechou a porta e ordenou que aqueles dois armários ambulantes me colocassem de joelhos, daí aquele manco rasgou meu rosto com a parte de ouro de sua bengala e fez o mesmo com a camisa social que eu usava, transformando-a num trapo.

— Eu cansei de me fazer de cego pra essa merda. Não vou deixar com que vocês e principalmente você destrua tudo o que construí e manche o nome dessa família. Passou da hora de te dar uma lição. — Falou num tom de voz calmo, porém sombrio.

— Você é quem suja o nome dessa família!

— Cala a boca! — Ele gritou, batendo com a bengala no meu rosto novamente, fazendo um rasgo maior na minha bochecha. — Você forçou sua irmã?

— Não!

— Fala a verdade!

— Nunca faria isso! — Gritei.

Justin de repente foi possuído por um ódio absurdo e começou a me bater com aquela bengala enquanto seus capangas me seguravam. Depois riscou a ponta dela, que mais parecia uma faca – e talvez fosse — na minha barriga, causando vergões que começaram a sangrar. Ele intercalou entre chutes no meu estômago e murros, quando ficou ofegante e quase caiu por falta de equilíbrio por não passar de um manco miserável, se afastou e deu a ordem para que seus homens continuassem a me espancar. E eles assim fizeram. Senti fortes pancadas na cabeça a ponto de me deixar zonzo, quando estava quase desmaiando ouvi uma voz de fundo mandando-os parar e deixar a sala.

Ele me chutou para o lado com o pé e eu recuperei a consciência, me arrastando pelo escritório com uma enorme dificuldade. Cuspi o excesso de sangue que tinha na boca e apoiei as mãos no chão para me levantar, mas não consegui. Justin bufou e jogou a bengala em cima de mim, daí se abaixou até ficar à minha altura e agarrou meus cabelos, erguendo meu rosto em sua direção.

— Quando e como isso começou? — Perguntou ofegante e eu ri afetado, sentindo o sangue escorrer pelo canto da boca. Pela dor que eu sentia, imaginava que meu estado não era dos melhores. Cada músculo do meu corpo doía.

— An-antes de vo-você aparecer. — Sussurrei com dificuldade devido à dor e o excesso de sangue, tentando manter os olhos abertos.

— Vocês transaram? — Assenti. — Você a forçou?

— E-eu nunca f-faria isso com a Brooke.

— Foi consentido? — Assenti novamente. — Por que vocês fizeram isso? Vocês não precisam disso. Vocês tem tudo, sempre tiveram. Por que, Jason? Me diz por quê! Pra me provocar? Pra provocar sua mãe? — Questionou irritado, mas parecia desesperado. Eu ri sem humor e ele empurrou minha cabeça e se levantou depressa, daí me deitei no chão de barriga pra cima. — Você acha graça seu filho da puta? ME DIZ POR QUÊ?! — Berrou.

— Amor.

— Amor? — Justin riu de escárnio, andando para trás. — Você não sabe o que é amor! — Ameaçou me chutar novamente, mas hesitou.

— Pode me matar se quiser. Isso não vai mudar o que eu sinto.

— Eu fiz tudo certo. Eu e sua mãe fizemos... Não era pra isso acontecer. Eu não entendo. Parece uma maldição.  — Falou consigo mesmo como se estivesse prestes a surtar novamente.

— É o seu castigo. — Provoquei por mais que não aguentasse outra porrada. Se ele fizesse aquilo de novo, provavelmente me mataria ou ao menos me mandaria para o hospital.

— É. Eu acho que é. — Disse perdido, depois me olhou, bufando. — Olha só pra você. — Lamentou como se estivesse arrependido. Só podia ser brincadeira.

— Tá admirando o que você fez?

— A culpa é sua. Eu não queria ter que fazer isso.

— Mentira, você é um sádico de merda. — Me sentei no chão e Justin ergueu o braço pra me ajudar a levantar, mas o empurrei. — Não preciso da sua ajuda. — Por fim me levantei, buscando apoio em sua mesa cheia de papéis espalhados. Aí aproveitei para cuspir novamente o excesso de sangue naqueles documentos, ignorando a presença de Justin.

— Eu quero que isso entre você a Brooke acabe agora mesmo!

— Já acabou faz tempo! — Respondi irritado e ele me olhou. — Essa surra tá atrasada. Aconteceu, no passado. Já superamos isso. Ela tá com o Charles agora ou você esqueceu?

— Não achei que fosse sério. Até porque era você quem estava com ele.

— Nunca estive com ele. Estou com a Nancy.

— Não consigo acompanhar a vida amorosa de vocês.

— Como se você se importasse. — Revirei os olhos e caminhei até a porta lentamente, pressionando a costela com a mão.

— Jason! — Ele me chamou assim que abri a porta. — Você tá bem?

— Tá de brincadeira, né? — Virei de frente pra ele, rindo incrédulo.

— Eu não queria ter feito isso. — Ele abaixou o olhar, me surpreendendo. Qual o problema com esse cara?

— Queria sim.

— Eu, eu não...

— Eu não sei que infância de merda você teve, mas devia ter visto a sua cara. Você adorou isso.

— Você não sabe do que tá falando! Vou te levar para o hospital.

— Não! — Aumentei a voz, fazendo um sinal com as mãos para que ele não se aproximasse. — Você não queria que eu virasse homem de uma vez? Então me deixa em paz. Não preciso de você. Fica longe de mim.

— Merda. — Ele resmungou e eu saí da sala, o ouvindo quebrar alguma dentro dela. Que se foda esse bipolar do caralho.  

(...)

Saí da boate pelos fundos, porém alguns olhares curiosos ainda me flagraram, mas por sorte ninguém que eu conhecia. Apoiei-me no meu carro e respirei fundo, sentindo uma pontada forte no estômago, tendo dificuldade em respirar.

— Que porra aconteceu com você? — Me virei ao ouvir aquilo, dando de cara com Michelle, que me observava chocada.

— Tá me seguindo?

— Eu tenho mais o que fazer.

— Aqui? Na boate do meu pai? — Ela se aproximou, abrindo a porta do carro pra mim e me ajudando a sentar no banco do motorista.

— Eu vim falar com ele.

— Se eu fosse você ia embora ou vai acontecer o mesmo contigo, senão pior.

— O que? — Ela arregalou os olhos. — Ele fez isso com você?

— Por que a surpresa? Você já foi noiva dele, deve saber como ele é. É, eu sei sobre vocês. Muito feio da sua parte me usar para provoca-lo.

— Tá dizendo que ele fez isso com você por que descobriu sobre nós?

— Não. — Ri sem humor, me ajeitando no banco. — Você não é tão importante assim pra ele, sem querer ofender.

— Não ofendeu... Por que ele fez isso?

— Porque é o que ele faz, porra. Ele é assim.

— Eu sinto muito, Jason.

— Não preciso da sua pena.

— Jason, por que você deixou?

— Porque eu não tenho força pra bater em dois capangas. — Respondi sarcástico. — O que você quer?

— Agora? Sua ajuda mais do que nunca. A gente pode acabar com seu pai. Ele merece!

— Eu sei, mas não vou te ajudar, Michelle.

— Mesmo depois do que ele fez?

— Se você quiser colocar esse desgraçado na cadeia, eu não vou te impedir.

— Eu preciso da sua ajuda!

— Não posso!

— Por quê?

— Porque eu tenho irmãos e mãe, Michelle! Não vou prejudica-los.

— A gente dá um jeito de não envolvê-los.

— Como?

— Eu vou pensar, mas preciso saber se posso contar com você.

— Não sei...

— Jason...

— Eu preciso pensar, já disse!

(...)

Narrador.

Michelle chegou em sua casa depois daquela conversa com Jason e encontrou Lucy fumando um charuto enquanto falava no celular. A ruiva desligou o telefone e olhou para a mulher, franzindo o cenho ao notar sua feição preocupada.

— O que houve? Encontrou aquele filho da puta?

— Encontrei mais do que isso.

— O que?

— Jason. E ele estava muito machucado...

— Como assim machucado?

— Ele foi espancado, Lucy. Pelo Justin!

— O que?

— Bom, não por ele, mas por ordem dele.

— Não sei se eu entendi.

— Justin mandou seus capangas espancarem o próprio filho!

— Por quê?

— É o que eu vou descobrir.

— Deve ser briga de pai e filho, qualquer merda dessas.

— Lucy que tipo de pai manda espancar o filho e fica assistindo? Se você visse o estado que ele estava...

— O Justin não é um pai comum. Ele é um monstro, sempre foi. Não sei por que a surpresa. Achou o que? Que ele era um pai e marido exemplar? Acorda pra vida. Eu sei o que sofri nas mãos desse crápula. Sei do que ele é capaz e não me surpreende.

— Mas Jason é o filho dele, eu achei que...

— Que o que? Que ele fosse ter empatia por ser do mesmo sangue? Justin não sabe o que é isso. E provavelmente o Jason mereceu.

— Uau. Logo você falado assim? Achei que fosse apaixonada pelo garoto.

— Já superei.

— Deu pra perceber... E pelo visto ele não é o único que não tem empatia aqui.

— O que você quer, Michelle? Deu pra ficar sentimental agora? Achei que você tivesse sede de vingança e quisesse acabar com essa família mais do que nunca.

— Eu quero, mas não assim!

— Então como?

— Do jeito certo! Nosso inimigo é ele. Justin e Megan são os responsáveis pela nossa desgraça, não os filhos deles.

— Tá de brincadeira, né?

— Não!

— Eles são como os pais! São frutos deles, merecem sofrer tanto quanto eles!

— Não Lucy, eu acho que não é bem por aí.

— Não acredito que você vai amarelar agora! — A ruiva gritou irritada.

— Eu não vou! — A morena berrou de volta. — Mas não quero transferir a responsabilidade para as crianças, porque é isso que eles são, crianças! E depois de hoje, eu tenho certeza que eles também estão nas mãos do Justin. Talvez a gente possa ajudar...

— Ajudar? — Lucy gargalhou incrédula. — Eu não quero ajudar. Eu quero acabar com eles!

— Você tá se ouvindo?

— Perfeitamente!

— Você perdeu a noção, Lucy. Tá insana. Sabia que não devia ter voltado!

— Não vai me deixar de fora disso, Michelle. Se você não fizer nada, eu vou!

— Com quem você estava no telefone?

— Com a namorada do garoto.

— Como você conseguiu o número dela?

— Eu cansei de esperar você tomar alguma atitude e me deixar por fora de tudo. Já disse que essa vingança é tão minha quanto sua, cansei de ser deixada de lado, agora é a minha vez!

— Não foi isso que combinamos!

— Estou assumindo o comando a partir de agora!

— Lucy!

(...)



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